sábado, 20 de junho de 2015

Mianmar: Suu Kyi decidirá em breve se LND vai impugnar eleições


Aung San Suu Kyi discursa para dirigentes de seu partido, LND, em Yangun
A opositora birmanesa Aung San Suu Kyi afirmou neste partido que seu partido decidirá em breve se impugnará as eleições cruciais do fim de ano, enquanto luta para mudar a Constituição que impede sua candidatura à presidência.
Em um discurso para os dirigentes da Liga Nacional para a Democracia (LND), Suu Kyi não explicou se o partido disputará as primeiras eleições gerais em 25 anos no país.
O pleito, prevista para outubro ou novembro, representa um teste crucial para as reformas democráticas em Mianmar após décadas de governo da junta militar, que anunciou o próprio fim em 2011.
Apesar das pesquisas apontarem um bom resultado da LND no caso de eleições livres, Suu Kyi não pode, de acordo com a Constituição, disputar a presidência por ter sido casada com um estrangeiro. Além disso, seus dois filhos são britânicos.
"A Liga Nacional para a Democracia decidirá em breve se disputará as eleições ou não. Após nossa decisão, vamos escolher nossos representantes", afirmou.
A vencedora do prêmio Nobel da Paz havia se recusado em um discurso anterior a descartar a possibilidade de boicote, enquanto seu partido tenta mudar a Constituição herdada da junta militar.
A campanha a favor de uma mudança no texto constitucional, prometida para depois da votação de 2015 por um regime reformista ainda liderado por militares, é cada vez mais insistente.
Mas os militares não aceitam a redução de seus privilégios eleitorais, que garantem 25% das cadeiras no Parlamento.
Mianmar começou a abandonar o governo militar em 2011, com eleições marcadas por acusações de fraude e que não contaram com a participação da LND.
Apesar das reformas econômicas e política iniciadas, os grupos de defesa dos direitos humanos e Suu Kyi alertam para uma estagnação na transição do país par a democracia.
A LND disputou as últimas eleições gerais no país, em 1990, e venceu com ampla maioria, mas não chegou a governar o país.

Chegou ao 'andar de cima'

A prisão de Marcelo Odebrecht e de Otávio Marques Azevedo deixa governo e oposição em estado de "atenção máxima" com os desdobramentos da Operação Lava Jato. Não é por acaso que esta 14ª fase foi batizada de Erga Omnes, ou "Vale para Todos".
Um dos raros comentários ouvidos no governo, sempre em reserva, é que a Lava Jato "chegou ao andar de cima", porque levou para a prisão os presidentes das duas maiores empreiteiras do país  a Odebrecht, que é a segunda maior empresa do país, só fica atrás do grupo JBS; e a Andrade Gutierrez.
No governo, agora, a preocupação passa a ser com o desempenho da economia. "A Odebrecht tem várias parcerias em obras públicas, quase todas as obras para as Olimpíadas do Rio estão com ela. Parar a Odebrecht, pára ainda mais a economia", comentou um ministro. "Qual banco vai financiar uma empresa cujo presidente está preso?", questionou outro.
A prisão dos dois não pareceu surpresa a ninguém - nem no governo, nem na oposição. Desde que foi deflagrada a Lava Jato se falou "isso vai chegar na Odebrecht", por ser a maior empreiteira e contratada para obras públicas. Os investigadores explicaram a razão de elas terem ficado para o fim. "Os métodos eram mais sofisticados". Mas tudo indica que a Operação Lava Jato vai caminhando para as etapas finais. No cronograma da Justiça, já se falava desde o ano passado que as investigações poderiam terminar em junho ou julho.
Já estamos na segunda quinzena de junho. O que mais tiver de aparecer vai aparecer logo.

E-mails indicam que executivos da Odebrecht negociaram superfaturamento

E-mails revelam que executivos tratavam de sobrepreço em contrato









Troca de e-mails  interceptada pela Polícia Federal  entre investigados na Operação Lava Jato revela que executivos da Odebrecht e da Braskem tratavam por escrito de “sobrepreço” em contratos relacionados a sondas.

A Lava Jato realizou nesta sexta-feira (19) a 14ª fase da operação, na qual foram presos executivos de duas empreiteiras, entre eles o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e os executivos Marcio Faria e Rogerio Araujo.

Os três receberam e-mail no qual um executivo da Braskem afirma que "falou com André em um sobrepreço no contrato de operação da ordem de US$ 20/25 mil/ dia (por sonda)”. 

A mensagem, datada de 21 de março de 2011, continua: “Acho que temos que pensar bem em como envolver a UTC e OAS, para que eles não venham a se tornar futuros concorrentes na área de afretamento e operação de sondas”.  

Segundo a Polícia Federal, os executivos da Odebrecht e Andrade Gutierrez, alvos da nova fase, tinham conhecimento e participavam das negociações do suposto cartel formado por empreiteiras com contratos na Petrobras. 

Em documento que analisa a troca de e-mails, a PF suspeita que "haveria pagamentos indevidos sendo feitos no presente momento em relação as sondas NORBE IX, NORBE VIII [...] em uma estimativa de US$ 7,5 a 9 milhões por sonda/ano, considerando uma operação média de 300 dias por ano". Os "Norbes" são navios sondas da empresa que prestam serviço à Petrobras.

Em nota, a Odebrecht afirmou que os mandados realizados na 14ª fase da Lava Jato são “desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos […] sempre estiveram à disposição das autoridades".


Matheus Leitão

SOBRE A PÁGINA
Jornalista há 15 anos, em sua carreira passou pelas redações de Correio Braziliense, revista Época, portal iG e Folha de S.Paulo, onde trabalhou nas áreas de política, meio ambiente, direitos humanos e investigação. Matheus recebeu o Prêmio Esso por duas vezes, o Troféu Barbosa Lima Sobrinho -- além de menção honrosa no Vladimir Herzog. Entre 2011 e 2012, esteve na Universidade de Berkeley, na California, como Visiting Scholar. Em sua carreira, deu furos como o vídeo do ex-governador José Roberto Arruda recebendo dinheiro não declarado, os passaportes diplomáticos concedidos irregularmente para filhos e netos do ex-presidente Lula, o escândalo do Senado conhecido por caso Zoghbi, a história do hacker que invadiu emails da presidente Dilma Rousseff e a série "arquivos ocultos da ditadura".

Odebrecht fez doações a institutos de FHC e Lula Construtora e institutos não informam os valores das negociações

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo e Peter Leone/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Odebrecht, um dos alvos da 14ª fase da Operação Lava Jato, fez doações aos institutos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva eFernando Henrique CardosoLulaFHC e Odebrecht confirmam os repasses, mas ninguém cogita a hipótese de informar os valores das doações. Recentemente, a Polícia Federal descobriu que o instituto do ex-presidente Lula recebera R$ 3 milhões de outra empreiteira investigada na Lava Jato, a Camargo Corrêa.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Justiça bloqueia até R$ 20 milhões de investigados na 14ª fase da Lava Jato Dentre eles estão os presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez. Foram presas 11 pessoas nesta etapa da operação.

O juiz federal Sergio Moro autorizou o bloqueio de ativos das contas de dez investigados na 14ª fase da Operação Lava Jato. Cada investigado pode ter até R$ 20 milhões bloqueados. Dentre eles estão os presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez, empreiteiras alvo desta etapa da operação.
A 14ª fase da operação prendeu, até a publicação desta reportagem, 11 pessoas. O último mandado a ser cumprido é para Paulo Roberto Dalmazzo, ex-executivo da Andrade Gutierrez, que segundo a Polícia Federal (PF) deve se apresentar ainda nesta sexta.
Segundo Moro, “o esquema criminoso em questão gerou ganhos ilícitos às empreiteiras e aos investigados, justificando-se a medida para privá-los do produto de suas atividades criminosas”. O juiz afirma que não importa se os valores ilícitos das contas foram misturados com valores lícitos.
Os bloqueios foram implementados pelo Banco Central durante a execução dos mandados de busca e apreensão. “Observo que a medida ora determinada apenas gera o bloqueio do saldo do dia constante nas contas ou nos investimentos, não impedindo, portanto, continuidade das atividades das empresas ou entidades”, sustenta o juiz.
Pela Odebrecht, tiveram os ativos bloqueados:  Rogério Santos de Araújo; Mário Faria da Silva; Cesar Ramos Rocha; Marcelo Bahia Odebrecht; João Antônio Bernardi Filho. Já pela Andrade Gutierrez tiveram ativos bloqueados: Elton Negrão de Azevedo Júnior; Paulo Roberto Dalmazzo; Otávio Marques de Azevedo; Antônio Pedro Campelo de Souza.
Há ainda o bloqueio de ativos de Celso Araripe de Oliveira, funcionário da Petrobras contra quem foi cumprido mandado de coerção coercitiva. Ele não foi preso.
PRISÕES
Ao todo, foram expedidos 12 mandados de prisão. Foram detidos apenas pessoas ligadas às duas construtoras.
Odebrecht
-Marcelo Odebrecht, presidente, prisão preventiva
-João Antônio Bernardi, ex diretor, prisão preventiva
-Alexandrino de Salles, prisão temporária
-Cristiana Maria da Silva Jorge, consultora, prisão temporária
-Márcio Faria da Silva, prisão preventiva
-Rogério Santos de Araújo, prisão preventiva
-César Ramos Rocha, prisão preventiva
Andrade Gutierrez
-Otávio Marques de Azevedo, presidente, prisão preventiva
-Antônio no Pedro Campelo de Souza, prisão temporária
-Flávio Lucio Magalhães, prisão temporária
-Elton Negrão, prisão preventiva
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O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, deixa a sede da Polícia Federal em São Paulo ao ser transferido depois de preso nas investigações da 14ª fase da operação Lava Jato (Foto: Francio de Holanda/Reuters)O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, deixa a sede da Polícia Federal em São Paulo ao ser transferido. Ele é um dos presos na 14ª fase da Lava Jato (Foto: Francio de Holanda/Reuters)
Em nota, Odebrecht disse que a ação policial é desnecessária porque a empresa e seus executivos sempre estiveram à disposição para esclarecimentos. A Andrade Gutierrez negou relação com os fatos investigados na Lava Jato. Veja a íntegra das notas ao final do texto.
Em São Paulo, a advogada da Odebrecht, Dora Cavalcanti, deu uma declaração na noite desta sexta-feira (19) sobre a prisão de executivos da empresa. "As medidas de prisão são absolutamente desnecessárias, exatamente por isso manifestadamente ilegais. A prisão preventiva é uma medida de exceção e não deve ser convertida em uma antecipação de pena", afirmou.
Dora afirma que todos os executivos colaboraram com as investigações. "Havia alguma necessidade? Havia alguma notícia de que alguém queria fugir, que alguém estava destruindo provas? A situação aqui é o oposto disso. O reverso disso. Todos os executivos que hoje se encontram presos já prestaram depoimento no âmbito dos inquéritos que tramitam em Brasília."
MOTIVO DAS PRISÕES
Segundo a PF, os executivos são suspeitos de crime de formação de cartel, fraude em licitações, corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "Cada um deles, em sua medida, teve uma participação, uma contribuição para que esses crimes fossem realizados", disse o delegado Igor Romário de Paula.
Em despacho sobre as prisões, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na 1ª instância, afirma que: "Considerando a duração do esquema criminoso, pelo menos desde 2004, a dimensão bilionária dos contratos obtidos com os crimes junto a Petrobrás e o valor milionário das propinas pagas aos dirigentes da Petrobrás, parece inviável que ele fosse desconhecido dos Presidentes das duas empreiteiras, Marcelo Bahia Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo."
Ele diz ainda: "Além disso, há provas e fatos específicos que os relacionam aos crimes, como a aludida mensagem eletrônica enviada a Marcelo Bahia Odebrecht sobre sobrepreços em contratos de sonda e a ligação entre Otávio Marques de Azevedo e Fernando Soares, um dos operadores do pagamento de propinas".
14ª FASE
Em entrevista, Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador do MPF, disse que:
- Os executivos investigados também cometeram crimes fora da Petrobras – foi montado um cartel e fraude em licitação, principalmente em Angra 3.
- Foram feitos depósitos suspeitos no exterior, que levaram à nova fase da Lava Jato e à prisão dos chefes da Odebrecht e Andrade Gutierrez.
- Contas investigadas estão na Suíça, Panamá e Mônaco.
- Um dos operadores é Bernardo Freiburghaus, que está foragido na Suíça.
Também na entrevista, o delegado Igor Romário de Paula, da PF, disse que:
- Os depoimentos dos presos começam no fim de semana.
- Esta fase não tem foco em agentes políticos.
- Um mandado de condução coercitiva não foi cumprido, mas a pessoa já acertou o depoimento na PF.
Polícia Federal analisou contratos da Andrade Gutierrez com a Petrobras que somam R$ 9 bilhões e da Odebrecht com a estatal no valor de R$ 17 bilhões. Considerando a informação de delatores de que a propina equivaleria a 3% dos contratos, a PF estima que o esquema tenha movimentado R$ 210 milhões da Andrade e R$ 510 milhões da Odebrecht. Mas estes não são valores finais ou totais.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
Essa nova etapa, segundo os investigadores, é uma continuidade da 7ª fase da Lava Jato, onde diversos executivos e também funcionários das maiores empreiteiras do Brasil foram presos.
Enquanto outras empresas tinham o doleiro Alberto Youssef como operador do esquema de corrupção na Petrobras, a Odebrecht e Andrade Gutierrez promoviam a lavagem de dinheiro com depósitos no exterior, segundo as investigações. O operador seria Bernardo Freiburghaus, que está foragido na Suíça. Segundo o MPF, este modo de operar era mais "sofisticado" do que o adotado por outras empreiteiras.
“Uma série de colaboradores que nos indicou o caminho dos valores no exterior, e isso facilitou e chegamos a este momento que nós definimos a necessidade destas prisões”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
Os depósitos que partiram da Odebrecht, citou o procurador, foram confirmados por mais de um investigado, que firmou acordo de delação premiada com o MPF.
“As investigações revelam um nível de sofisticação maior que exigiram investigação mais aprofundada”, completou o procurador.
O delegado Igor Romário de Paula afirmou que "há indícios bem concretos" de que os presidentes da Andrade Gutierrez da Odebrecht "tinham pleno domínio de tudo o que acontecia na empresa".
"Apareceram indícios concretos, documentos, não só depoimentos de colaboradores, mas documentos comprovando que, em algum momento, [os presidentes] tiveram contato ou participaram de negociações que resultaram em atos que levaram à formação de cartel, direcionamento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção", disse o delegado.
Apareceram indícios concretos [...] comprovando que, em algum momento, [os presidentes] tiveram contato ou participaram de negociações que resultaram em atos que levaram à formação de cartel, direcionamento de licitações e mesmo a destinação de recursos para pagamento de corrupção"
Igor Romário de Paula, delegado
O procurador acredita que a decisão das empresas de não promoverem investigações internas sobre a denúncia é um sinal de que, de fato, estão envolvidas nas irregularidades. “Indica que estava envolvida no negócio ilícito como um todo. Ela não estava sendo usada por alguém, por um gestor."
"Não temos dúvida alguma que a Norberto Odebrecht e a Andrade Gutierrez capitaneavam o esquema de cartel dentro da Petrobras, no mercado onshore [exploração de petróleo no continente]", disse Carlos Fernando dos Santos Lima.
Segundo o delegado Igor Romário de Paula, "não necessariamente" a Odebrecht e a Andrade Gutierrez tinham a "liderança total do esquema de corrupção", como indicou o procurador, porque o grupo investigado tem 15 ou 16 empresas. "Elas são importantes. Uma delas é a maior empreiteira do Brasil e a outra entre as quatro maiores empresas do Brasil. Mas dizer que as duas lideravam, não. Não havia esse papel de liderança total, nem da Odebrecht nem da Andrade Gutierrez”, afirmou.
Marcelo Odebrecht  (Foto: PITI REALI/AE)Marcelo Odebrecht, um dos presos na 14ª fase
da Lava Jato (Foto: Piti Reali/AE)
O QUE DIZEM AS EMPRESAS
Veja a íntegra da nota da Construtora Norberto Odebrecht:
"A Construtora Norberto Odebrecht (CNO) confirma a operação da Polícia Federal em seus escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram emitidos.
Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações."
Veja a íntegra da nota da construtora Andrade Gutierrez:
"A Andrade Gutierrez informa que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível.
A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todas os questionamentos da Justiça o quanto antes."



Pena de quatro jogos tira Neymar da Copa América; CBF pode recorrer Conmebol condena atacante por agressão verbal ao árbitro e diz que houve tentativa de agressão física. Recurso da CBF pode reduzir pena a três jogo

Neymar durante treino da Seleção em Santiago (Foto: Mowa Press)Neymar não poderá atuar mais nesta Copa América, CBF pode recorrer (Foto: Mowa Press)
Neymar está, a princípio, fora da Copa América. A Conmebol anunciou no começo da noite desta sexta-feira a suspensão de quatro jogos ao atacante. Após o apito final do chileno Enrique Osses, no jogo entre Brasil e Colômbia, ele agrediu o zagueiro Murillo com uma cabeçada, mas o que agravou sua situação foi o fato de ter esperado pelo árbitro no túnel que dá acesso ao vestiário. Houve insultos e, de acordo com um relatório do delegado da partida, não considerado no julgamento, Neymar chegou a puxar a manga da camisa de Osses enquanto o xingava.
O craque brasileiro, também multado em 10 mil dólares, está fora da partida deste domingo, contra a Venezuela, e também das quartas, semifinal e final do torneio (ou decisão do terceiro lugar), caso a equipe avance. Neste sábado, os fundamentos da decisão serão publicados e, a partir disso, a CBF poderá recorrer. No entanto, na melhor das hipóteses, a suspensão de Neymar cairá para três jogos, pena mínima que o faria voltar apenas na final, se o Brasil chegar até lá.   
Como se trata de um torneio de prazos curtos, o recurso será avaliado por apenas uma pessoa, o equatoriano Guillermo Saltos, presidente da Câmara de Apelações da Conmebol. Caso a seleção brasileira seja eliminada da Copa América antes que Neymar termine de cumprir sua pena, ela será transferida para a próxima edição do torneio.   
Ou seja, se o atacante continuar suspenso por quatro jogos e o Brasil for eliminado nas quartas de final, por exemplo, ele não poderá entrar em campo nas duas primeiras partidas da Copa América do ano que vem, edição especial do centenário do torneio, que será disputada nos Estados Unidos.
A reunião desta sexta-feira teve a presença do vice-presidente do tribunal, o uruguaio Adrián Leiza, e do boliviano Alberto Lozada. O presidente Caio César Vieira Rocha não participou por ser brasileiro, assim como os membros Carlos Tapia, chileno como o trio de arbitragem, e Orlando Morales, colombiano como Carlos Bacca, atacante que empurrou Neymar e foi suspenso por dois jogos, além de receber uma multa de cinco mil dólares. Membros dos mesmos países de réus não podem participar da decisão.   
- Foi uma decisão muito discutida, muito analisada. Foi difícil chegar a um consenso porque éramos apenas dois membros, não havia um terceiro para desempatar a questão. Não fosse a agressão feita ao árbitro, um oficial da partida, a pena teria sido menor. Isso foi o mais grave. A proposta inicial era de aplicar a pena máxima, de cinco jogos, mas achamos muito pesada - afirmou Lozada, que revelou que a bolada em Armero após o apito final, fato desencadeador da confusão, não foi considerada como agressão ou indisciplina por parte de Neymar.   
O boliviano explicou também que o relatório do delegado da partida não foi considerado no julgamento porque a súmula é o documento oficial. Mas disse que o fiscal encontrou Osses bastante chateado no túnel. Ao perguntar o motivo, o árbitro lhe relatou os puxões e palavrões proferidos pelo jogador brasileiro.   
- Se ele tivesse ficado em silêncio, o castigo seria menor - completou Lozada.
  A sentença só foi divulgada mais de uma hora depois de ser decidida pelo Tribunal, que se recusou a dar qualquer informação antes de a CBF ser notificada.

PESSOAS Não-humanas O que confere a um indivíduo o status de SUJEITO? A cor da sua pele já sabemos que não é. Seu sexo também não. Será o fato de ser "economicamente produtivo", contribuir para a economia com impostos? Será a sua aparência? Seu saldo bancário? Sua religião? Sua preferência política? Sua preferência sexual ou seu time de futebol? O país onde nasce? Um SUJEITO é, por definição, um centro de consciência, autônomo, capaz de ter sentimentos, emoções, desejos, medos e com interesse na própria sobrevivência e naquela de sua descendência.

"Eu te perdoo, minha família te perdoa", disse nesta sexta-feira (19) Anthony Thompson, reverendo que perdeu a esposa Myra Thompson no ataque à igreja em Charleston, ao suspeito Dylann Storm Roof, de 21 anos, numa audiência em tribunal. "Gostaríamos que você aproveitasse essa oportunidade para se arrepender... Faça isso e você será melhor do que é agora", completou.
Familiares de cinco vítimas do ataque estavam no local e fizeram declarações emocionadas dirigidas ao acusado. Felecia Sanders, mãe da vítima Tywanza Sanders e sobrevivente do ataque, disse: "Nós te recebemos na quarta à noite de braços abertos em nosso estudo da Bíblia. Você matou algumas das pessoas mais bonitas que eu conheço".
"Tywanza era o meu herói. Como nós dizemos no estudo da Bíblia, nós gostamos de você, mas que Deus tenha misericórdia de ti".
O suspeito de realizar o ataque a uma igreja de comunidade negra da Carolina do Sul na noite da última quarta recebeu nesta sexta-feira nove acusações de assassinato e outra por porte de arma de fogo pelo atentado que deixou nove pessoas mortas.
Nove pessoas morreram depois que o jovem abriu fogo contra a igreja Emanuel African Methodist Episcopal em uma comunidade negra de Charleston. Roof foi detido nesta quinta pela polícia em Shelby, na Carolina do Norte.
As autoridades dos EUA estão investigando o ataque – no qual quatro sacerdotes, incluindo um senador democrata, morreram – como um crime de ódio. O Departamento de Justiça dos EUA afirmou que analisa o caso de todos os ângulos, "incluindo como um crime de ódio e como um ato de terrorismo doméstico".
Dylann Roof aparece nesta sexta-feira (19) em corte de Charleston, nos EUA (Foto: Grace Beahm/The Post And Courier via AP)Dylann Roof aparece nesta sexta-feira (19) em corte de Charleston, nos EUA (Foto: Grace Beahm/The Post And Courier via AP)
Em sua primeira aparição depois de ser preso, Roof compareceu a uma audiência nesta sexta, em que o juiz estabeleceu fiança de US$ 1 milhão para a acusação de posse de arma. Em relação às outras acusações, o juiz disse que não tinha autoridade para estabelecer fiança.
Na audiência, Roof estava numa sala com dois guardas e evitou olhar para a câmera que o filmava e transmitia a imagem aos presentes no tribunal. Dylan falou apenas para confirmar a sua idade e que é desempregado.

Confissão
Roof teria confessado a agressão e dito que pretendia instigar novos confrontos raciais, relatou a rede CNN citando uma fonte policial. Ele se sentou junto com os paroquianos durante uma hora antes de abrir fogo, e quase não levou o atentado adiante por ter sido bem recebido, reportou a rede NBC News também citando uma fonte entre os agentes da lei.

Uma fonte da polícia teria dito à rede de TV norte-americana CNN que Dylan Roof contou aos investigadores que ele "queria começar uma guerra racial" quando foi até a igreja na noite de quarta-feira (17) e abriu fogo contra um grupo de estudo da Bíblia.
O porta-voz da polícia de Charleston, Charles Francis, não quis comentar as reportagens sobre uma possível confissão.

"Até o momento, estamos conseguindo cooperação", afirmou outra fonte à afiliada local da ABC, a WCIV.
Duas fontes também confirmaram à NBC News que Roof confessou ser o autor da morte de nove negros.
A Carolina do Sul é um dos cinco Estados dos EUA que não têm uma lei para crimes de ódio, que normalmente impõem penalidades adicionais para crimes cometidos por causa da raça, do gênero ou da orientação sexual da vítima.

A governadora do estado, Nikki Haley, disse nesta sexta que o suspeito deveria enfrentar a pena de morte se condenado. Em entrevista à rede NBC, Haley disse "Esse é um estado machucado pelo fato de nove pessoas terem morrido inocentemente. Absolutamente iremos querer que ele enfrente a pena de morte."
Foto de registro prisional feito nesta quinta-feira (18) mostra o suspeito do ataque à igreja em Charleston, Dylann Roof, de 21 anos (Foto: REUTERS/Charleston County Sheriff's Office)Foto de registro prisional feito nesta quinta-feira (18)
mostra o suspeito do ataque à igreja em Charleston,
Dylann Roof, de 21 anos
(Foto: REUTERS/Charleston County Sheriff's Office)
Haley também disse que quer que Roof seja acusado em instância estadual, e não federal.
Roof foi detido pela polícia poucas horas depois do ataque. Segundo a polícia, o atirador se sentou com os fiéis por cerca de uma hora antes de abrir fogo. O chefe de polícia Greg Mullen disse a repórteres que três pessoas sobreviveram ao ataque.
O acusado tem uma foto em seu perfil do Facebook em que aparece com uma jaqueta estampando a bandeira símbolo do regime do apartheid, que segregou negros e brancos na África do Sul, segundo indica a agência Reuters.
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