domingo, 25 de fevereiro de 2018

Cheiro De Pizza No Ar.. Dodge: Será Que Prisão Não Deveria Ser Para Crimes Realmente Graves?








Cheiro de pizza no ar.. Dodge: Será que prisão não deveria ser para crimes realmente graves? Chefe do MP cobra debate sobre penas alternativas e vê cadeias para crimes violentos e decorrentes da corrupção




Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira​

O que a honrada Procuradora quer dizer com isso neste momento de crise Institucional generalizada em todo Brasil?


Bolsonaro É Recebido Aos Gritos De “Mito” Em Estação De Trem No Japão, Para Surpresa Dos Moradores Locais




Ao se aproximar das catracas da estação, a comitiva foi recebida aos gritos de “mito”, para surpresa dos japoneses que estavam no local e que chegaram a perguntar quem era a celebridade que estava causando aquela movimentação.
Veja os vídeos do deputado no Japão:


https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/1019537798195206/?t=0


O pré-candidato viaja acompanhado de três de seus filhos e dos também deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Luiz Nishimori (PR-PR).
Após se encontrar com o cônsul brasileiro em Hamamatsu, Ernesto Otto Rubarth, e tirar foto com os fãs na plataforma da estação, Bolsonaro seguiu a pé por cerca de 300 metros até o restaurante Servitu, onde era esperado para dar uma palestra para 350 pessoas e para um almoço. No caminho, ganhou uma chapéu de bambu típico do Japão, que manteve na cabeça.

Ratos-toupeiras-pelados, além de serem imunes ao câncer, não envelhecem





Por , em 29.01.2018
O rato-toupeira-pelado é um animal incrível que vem sendo estudado pelos cientistas há um bom tempo.
Ele parece ter todo o tipo de superpoder: pode ser atingido com ácido e não sentir dor, pode sobreviver por longos períodos de tempo sem oxigênio, possui dentes que funcionam como ferramentas multitarefa e tem uma percepção sensorial incrível. Além disso, é imune ao câncer e vive quase dez vezes mais do que seus outros parentes roedores.
Agora, os pesquisadores descobriram que esses animais aparentemente também não envelhecem. A longevidade inacreditável dos ratos-toupeiras-pelados parece ser devido ao fato de que suas chances de morrer não aumentam com a idade.

A cada aniversário, o mesmo presente: maior chance de morte

A vida é dura para a maioria dos mamíferos – quanto mais velhos e espertos eles ficam, menos podem aproveitar toda essa sabedoria.
A matemática é simples: o risco de morte aumenta continuamente com a passagem do tempo.
A taxa de mortalidade em mamíferos geralmente segue o que chamamos de Lei de Gompertz-Makeham, uma equação que descreve o aumento das chances de morte com o envelhecimento de um indivíduo.

Nos seres humanos, o risco de mortalidade duplica quase todos os anos após os 30. Para os ratos-toupeiras-pelados, no entanto, nada muda. Segundo a pesquisadora Rochelle Buffenstein, vinculada à empresa Calico, o braço antienvelhecimento do Google, isso vai contra tudo o que sabemos em termos de biologia de mamíferos.

Os super-heróis

Buffenstein estuda esses animais há mais de 30 anos, tendo documentado cuidadosamente todas as mortes que ela presenciou.
Depois de estudar os registros de 3.299 ratos-toupeiras, a pesquisadora descobriu que o risco de mortalidade permaneceu de 1 em torno de 10.000 para o resto da vida dos roedores.
Esses bichos atingem a maturidade sexual aos seis meses de idade. Com base no seu tamanho, sua expectativa de vida útil em laboratório deveria ser de cerca de 6 anos, mas alguns vivem mais de 30.
“Nossa pesquisa demonstra que os ratos-toupeiras-pelados não envelhecem da mesma maneira que os outros mamíferos. De fato, mostram pouco ou nenhum sinal de envelhecimento, e seu risco de morte não aumenta nem mesmo quando eles já passaram em 25 vezes sua idade de maturidade reprodutiva”, resumiu Buffenstein.

Segredo da longevidade

As descobertas recentes reforçam o que muitos cientistas já sabiam: que os ratos-toupeiras-pelados são animais excepcionais que podem aprofundar nossa compreensão dos mecanismos biológicos da longevidade.


De uma maneira geral, eles são muito bons em viver. Já descobrimos algumas das possíveis estruturas por trás dessa imunidade impressionante, mas a verdade é que não sabemos direito por que esses animais são tão melhores que nós quando se trata de saúde.
Sem dúvida, os roedores precisam continuar sendo examinados para que possamos descobrir seus segredos.
Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista eLife. [ScienceAlert]

Masturbação é um hábito saudável? Veja pontos positivos e negativos


Por , em 30.01.2018


Cerca de 40% das mulheres brasileiras não se masturbam, e 20% nunca experimentaram se tocar. Já entre os homens, apenas 17,3% não se masturbam, segundo a pesquisa “Mosaico 2.0”, divulgada em 2017 pelo Programa de estudos em Sexualidade (Prosex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
No levantamento, 3 mil participantes com idades entre 18 e 70 anos foram ouvidos, em sete regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal.
Mas afinal de contas, por que os seres humanos e outros animais – como primatas e elefantes – evoluíram para desenvolver a masturbação? À primeira vista, o comportamento pode não parecer biologicamente lógico, já que representa um desperdício de energia e material genético (no caso dos homens), pois nem ao menos resultará em herdeiros. Mas há, sim, benefícios físicos e mentais, tanto para homens quanto para mulheres.
Para começar, é muito saudável estar confortável e conhecer o próprio corpo, descobrindo o que causa prazer ou não. Não seria justo para seu parceiro ou parceira ter que descobrir tudo isso sozinho na hora do sexo. Seu corpo deve ser seu melhor amigo, já que vai te acompanhar pela vida toda.
Em segundo lugar, a masturbação alivia a ansiedade e estresse tanto para homens quanto para mulheres, já que libera dopamina e outros hormônios do prazer.
Para as mulheres, a masturbação até ajuda a cair no sono mais rápido e, em alguns casos, pode diminuir as dores das cólicas menstruais. Para elas, a masturbação não traz nenhum efeito negativo.


Já para os homens, os benefícios já foram atestados por inúmeras pesquisas que dizem que a masturbação diminui o risco do câncer de próstata, previne a incontinência e disfunção erétil, e ainda melhora o sistema imunológico. Praticar a masturbação com muita força, velocidade ou pegada que são muito diferentes do que será encontrado no sexo, porém, pode dificultar o orgasmo no relacionamento a dois.
Quanto ao “desperdício” do sêmen com a masturbação, livrar-se dos espermatozoides mais velhos acaba sendo mais vantajoso para o homem, além de não diminuir a taxa de fecundação.
Um problema que pode atrapalhar tanto homens quanto mulheres é se o hábito tomar tanto tempo que influencie na vida pessoal e profissional da pessoa, tomando o tempo que deveria ser dedicado a socializar, estudar ou trabalhar, por exemplo.
Então coloque uma musiquinha relaxante, acenda umas velas, e dê a si mesmo uma boa noite.





Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

"Inúmeras pesquisas que dizem que a masturbação diminui o risco do câncer de próstata, previne a incontinência e disfunção erétil, e ainda melhora o sistema imunológico."

Processos extras rendem até R$ 5 mil a mais por mês a juízes do TJDFT




Não é só o auxílio-moradia. Benefícios e gratificações mensais no tribunal chegam a R$ 3,6 milhões. Dispêndio anual é de R$ 43,2 milhões

Kacio Pacheco/Metrópoles


Pedro Alves



O auxílio-moradia pago a juízes e desembargadores em todo o Brasil não é o único benefício recebido pelos magistrados, e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) não foge à regra. Além da ajuda de custo para despesas com habitação – tema que tem causado grande polêmica –, os togados da capital federal ganham uma série de benefícios e gratificações que engordam seus salários e, em muitos casos, os fazem receber remunerações bem acima do teto constitucional.
Levantamento feito pelo Metrópoles, a partir de dados do Portal da Transparência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revela que, por mês, as bonificações extras giram em torno de R$ 3,6 milhões e, por ano, chegam a R$ 43,2 milhões. O maior dispêndio é com o auxílio-moradia, parcela de R$ 4.377,72 paga mensalmente a 365 dos 392 magistrados atuantes na Corte. O benefício representa gasto de R$ 1,5 milhão a cada 30 dias. Ao ano, a conta fica em R$ 19,17 milhões.


Em seguida, aparecem na lista dos maiores gastos com extras do TJDFT as gratificações por exercício cumulativo. Trata-se de subsídio pago aos juízes que atuam simultaneamente em mais de um órgão jurisdicional (varas, juizados, turmas) ou àqueles processos além do limite estabelecido pelo TJDFT – mil novas ações a cada juiz por ano ou 150 novos processos anuais, em caso de feitos do Tribunal do Júri.
Segundo a regulamentação do TJDFT, a gratificação deve equivaler a um terço do salário do magistrado e ser paga mensalmente, de maneira proporcional ao tempo em que o juiz acumulou atividades. Em dezembro, 343 servidores receberam a gratificação e, em janeiro, 330. No último mês, os valores variaram entre R$ 531,22 e R$ 4.815,45. O gasto total da Corte com a gratificação foi de R$ 1,4 milhão.
O terceiro benefício que mais causa dispêndio ao Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios é o auxílio-alimentação. Por mês, a Corte paga R$ 884 a 387 juízes e desembargadores, levando a despesa anual com o benefício a pouco mais de R$ 4 milhões.
Apesar do gasto alto, o valor mensal por juiz é bem menor se comparado ao pago aos magistrados do Amapá, onde o benefício chega a R$ 3.047, maior média nacional. É inferior também ao repassado no Rio de Janeiro, cujo o valor é R$ 1.825/mês a cada togado. Ainda assim, o benefício no TJDFT é maior que em estados como São Paulo, onde o tíquete é de R$ 540 por mês.
Permanência
Repassado a 56 juízes, o abono de permanência vem em seguida na ordem dos maiores gastos com gratificações e benefícios no TJDFT. O subsídio é pago a magistrados já em condições para aposentadoria, mas continuam ativos na Corte. O valor do benefício é equivalente à contribuição previdenciária mensal dos magistrados que o recebem. Em janeiro, o gasto foi de R$ 192.529,95.
E mesmo com salários beirando – e às vezes maiores – os R$ 30 mil por mês (teto constitucional), juízes e desembargadores têm direito ainda ao auxílio-pré-escolar no valor mensal de R$ 699. Desfrutam da bonificação servidores que possuam filhos de 0 a 5 anos: atualmente, 75 magistrados são beneficiários. O gasto anual da Corte com o subsídio é de R$ 763 mil.
Além dos benefícios já citados, magistrados em atividade podem receber, ainda, auxílios saúde e natalidade. Mas as gratificações têm sido raras no TJDFT: nos últimos três meses, nenhum juiz recebeu ajuda para manter a saúde em dia, e apenas uma togada precisou do auxílio-natalidade: ela recebeu R$ 50,92 a mais no contracheque.
Gratificações são pagas ainda a juízes substitutos, assistentes atuantes em Cortes superiores e ao presidente do TJDFT, desembargador Mário Machado Vieira Netto, que recebe acréscimo de R$ 775,53 para comandar a Corte.
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GIOVANNA BEMBOM/METRÓPOLES

Aposentados
Os “penduricalhos” do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios não se limitam ao pessoal da ativa. Magistrados aposentados também ganham valores extras, alguns por força de decisões judiciais. Segundo o levantamento feito pela reportagem a partir as informações do CNJ, 10 juízes inativos receberam acréscimos no salário.

Parte é beneficiada com a adição de 20% do valor dos proventos por terem trabalhado por 35 anos e se aposentado enquanto ocupavam a última classe da carreira. Outros recebem mais por terem ocupado cargos de chefia. Além deles, 28 juízes ainda ativos ganham mais pela mesma razão. O gasto mensal do tribunal com essas duas categorias é de R$ 135,7 mil.
SupersaláriosA soma dos salários já altos do Judiciário com gratificações natalinas e todos esses benefícios, além de pagamentos retroativos (R$ 11,2 milhões) efetuados em dezembro fizeram com que, no referente mês, apenas 39 dos 533 magistrados ativos, aposentados e pensionistas com proventos do TJDFT tenham recebido remuneração abaixo do teto constitucional. Ou seja, 96,4% do total recebeu, em dezembro, valores acima de R$ 33.763, salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O salário líquido mais alto pago em dezembro foi de R$ 138.592,10, a um juiz substituto de segundo grau que também embolsou o adiantamento das férias. O mais baixo foi repassado para uma pensionista, no valor de R$ 6.843,45. Em janeiro, 500 receberam acima do teto e, em novembro do ano passado, apenas quatro.
Outro lado
Procurado para comentar os dados e detalhar os gastos, o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios não havia se posicionado até a última atualização desta reportagem. Questionada anteriormente sobre o auxílio-moradia, a Corte afirmou em nota que “obedece rigorosamente ao limite do teto constitucional para elaboração de sua folha de pagamento”.
De acordo com o TJDFT, “o servidor e/ou magistrado beneficiado, por ventura, com valores mensais superiores àqueles delimitados como teto constitucional, terá em sua remuneração e/ou subsídio a incidência da retenção por teto constitucional – que é a parcela da remuneração e/ou subsídio mensal retida por exceder o teto remuneratório constitucional, conforme disposto na Resolução CNJ nº 102, art. 3º, VI, § 2º, IX”.
A Corte afirma que “quanto aos valores registrados acima do teto constitucional e, eventualmente, percebidos por algum servidor e/ou magistrado, dizem respeito a verbas eventuais, pagas uma única vez, e não ao vencimento/subsídio mensal”. Um exemplo citado é o da antecipação das férias, parcela de um terço repassada a servidores prestes a tirar dias de folga.
Ainda segundo o TJDFT, as vantagens eventuais – abono constitucional de 1/3 de férias, indenização de férias, antecipação de férias, gratificação natalina, antecipação de gratificação natalina, serviço extraordinário, substituição e pagamentos retroativos – “são as previstas na Resolução do CNJ nº 102, e apresentam apenas valores brutos, ou seja, sem a incidência dos descontos compulsórios. São informações que variam ao longo dos meses”.
Por fim, o tribunal afirma que algumas parcelas percebidas mensalmente por magistrados e por servidores deste tribunal não se submetem ao controle de teto constitucional.

Mentor de Bolsonaro defende privatização radical: 'Zera a dívida'



CEO do Bozano Investimentos tem conversas quinzenais com o deputado para discutir o plano econômico



Mentor de Bolsonaro defende privatização radical: 'Zera a dívida'


HÁ 2 HORAS POR NOTÍCIAS AO MINUTO
ECONOMIA ELEIÇÃO 2018


O presidenciável Jair Bolsonaro conferiu o desenvolvimento do programa econômico a um ultraliberal. Paulo Guedes, CEO do Bozano Investimentos e doutor pela Universidade de Chicago, tem conversas quinzenais de quatro a cinco horas com o deputado para debater temas econômicos.


Em entrevista ao jornal 'Folha de S. Paulo', Guedes defende a privatização radical e critica o plano econômico da Constituição de 88.
"Nós perdemos tempo no combate à inflação. A morte do Tancredo [Neves, em 1985] foi uma infelicidade. O Tancredo era um veterano de 1964, quando ele viu a democracia se perder pelo problema inflacionário. Quando ele vê a inflação subindo, entra dizendo: é proibido gastar, vou controlar os gastos públicos. Quando nós fomos para congelamento de preços, Cruzado, esse tipo de coisa, nós nos perdemos, nós fomos na direção da Venezuela, para a hiperinflação", diz.
O economista diz que "privatizar tudo" é a solução para zerar a dívida mobiliária e a dívida pública federal interna.
"É só fazer a conta: dois anos atrás foram R$ 500 bilhões e ano passado, R$ 380 bilhões de juro da dívida. Bota isso 25 anos. Dava para ter acabado com a miséria?", diz.
"O governo é muito grande, bebe muito combustível. Mas se você olhar para educação, saúde, ele é pequeno. Já que a democracia vai exigir a descentralização de recursos para Estados e municípios, o governo federal tem que economizar. Onde? Na dívida. Se privatizar tudo, você zera a dívida, tem muito recurso para saúde e educação. Ah, mas eu não quero privatizar tudo. Privatiza metade, então. Já baixa metade da dívida", completa.

Ex-Comandante No Haiti Sugere Levar Juízes Em Operações No Rio









Luis Kawaguti e Paula Bianchi
Do UOL, no Rio 

Em meio à polêmica sobre o possível uso de mandados coletivos de busca e apreensão em operações das Forças Armadas no Rio de Janeiro, o ex-comandante brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti, general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira sugeriu, em entrevista ao UOL, que juízes sejam levados para as operações das forças de segurança durante a intervenção no Rio de Janeiro.

Na opinião do general, os magistrados poderiam conceder ou negar mandados de busca e apreensão individuais ou coletivos no terreno e durante a ação. Segundo ele, esse tipo de medida foi adotada e funcionou bem em operações de forças de paz no Haiti.

Heleno defende que o Judiciário dê respaldo a ações mais duras das forças de segurança, inclusive para que militares possam atirar para matar ao avistar suspeitos portando fuzis –da mesma forma que ocorria na missão da ONU.

Algumas das sugestões de Heleno condizem com a pauta que vem sendo defendida nos bastidores do
planejamento da intervenção no Rio por integrantes da cúpula das Forças Armadas junto ao governo. A agenda do alto escalão militar está focada, porém, em dar segurança jurídica aos militares com base em normas previstas na lei brasileira, não na legislação internacional.

Porém, o presidente da Associação de Magistrados Brasileiros, juiz Jayme de Oliveira, disse ao UOL considerar “difícil” que uma medida como a sugerida pelo general Heleno se repita no Brasil.

“A situação do Haiti era completamente diferente da situação do Rio e não sei se o que se aplicou lá tem condições de ser aplicado no Rio. Me parece que não”, afirmou.

Heleno foi o primeiro comandante da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) entre 2004 e 2005.


Mandados coletivos

Em situações normais, para entrar na casa de qualquer pessoa para buscar provas ou suspeitos, as forças de segurança precisam de mandados judiciais especificados com o nome do suspeito e seu endereço.
Mas, integrantes das Forças Armadas argumentam que, em regiões de favela, criminosos podem entrar aleatoriamente em casas de inocentes para se refugiar ou para esconder armas. Em razão dessa dinâmica flexível, seria muito difícil para as forças policiais conseguirem mandados de busca específicos para cada casa da região.

O governo federal disse nesta semana que estudava a ideia de pedir à Justiça mandados de busca coletivos, com diversos nomes e múltiplos endereços — que poderiam ser apontados até com coordenadas geográficas para facilitar o trabalho policial durante a intervenção.

Para juristas, a proposta deve ser contestada judicialmente, com o argumento de que não possuiria amparo no Código Penal ou na Constituição. Na opinião deles, a medida abriria brechas para eventuais violações de direitos humanos.

“Essa ideia de pedir a possibilidade do mandado coletivo não é para fazer nenhuma carnificina, nenhum genocídio, nem de sair entrando indiscriminadamente nas casas das pessoas”, disse Heleno. “É para permitir que operações custosas, que às vezes levam meses para acontecer, atrás de um chefe de quadrilha, acabem esbarrando em um empecilho jurídico que pode perfeitamente ser autorizado lá na hora, no Haiti já aconteceu isso”, completou.

Segundo Heleno, juízes haitianos eram levados pelas tropas para o local das operações de segurança e decidiam no terreno se os militares podiam entrar em uma casa ou em residências de toda uma região.


Regras

O general disse também que o Judiciário deveria dar respaldo ou criar jurisprudência para tonar as “regras de engajamento” das forças de segurança mais flexíveis no Rio. Regra de engajamento é, em linhas gerais, como o militar se comporta ao se deparar com um suspeito armado. No Haiti, cada líder de unidade militar tinha amparo jurídico da legislação internacional –o capítulo sete da Carta
das Nações Unidas– para avaliar uma situação de perigo e decidir como agir.

“Essa avaliação era muitas vezes do sargento que estava com a patrulha vivendo o problema lá na ponta da linha”, disse. Se o militar avaliasse que um suspeito com um fuzil representava ameaça à
sociedade, poderia ordenar que ele se rendesse ou até atirar direto para matar.

Mas, no Brasil, o militar tem atribuição semelhante à do policial. Assim, em cenário semelhante, teria que usar a força gradualmente –ordenando a rendição do suspeito e fazendo disparos de alerta, necessariamente, antes de atirar para matar.

Se não fizer isso e causar a morte de um suspeito, esse militar pode ser processado na Justiça Militar.
Em 13 anos de missão no Haiti, 52 investigações foram abertas contra militares brasileiros por motivos variados, segundo levantamento da promotora de Justiça Militar Najla Nassif. Em 18 delas, militares responderam por lesão corporal ou morte, mas todos esses casos foram arquivados.

Blindado do Exército faz policiamento durante operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro
(AFP PHOTO/ANTONIO SCORZA)
Atirador de elite contra roubos de carga

“Sujeito armado, por exemplo, é uma cena comum no Rio de Janeiro, armado com armas de guerra, fuzis de combate, debochando do poder público no meio da rua”,disse Heleno.
Para o general, atiradores de elite poderiam ser usados, por exemplo, para disparar à distância contra ladrões de carga que rendessem motoristas.

“Se eu tiver um ‘sniper’ [atirador de elite] bem posicionado, eu faço um trabalho muito bem feito e vou criando respeito pela força legal”, disse. Segundo ele, o disparo só pode ser realizado, porém, se não houver risco de pessoas inocentes saírem feridas.

Na opinião do juiz Oliveira, não é possível saber ainda se esse tipo de medida receberia algum respaldo. “A intervenção federal não suprime garantias individuais, direitos constitucionais, diferente de um estado de sítio e de outras medidas constitucionais”, disse.

Ele afirmou que, por se tratar da primeira vez que o mecanismo de intervenção é aplicado em larga escala no país desde a nova Constituição, vários pontos seguem nebulosos.

“A intervenção, da forma como ela foi feita, precisa de uma interlocução permanente com o Tribunal de Justiça do Rio. Do contrário, o que está sendo feito para solucionar questões pode gerar mais problemas.”
Nesta quarta-feira (21), o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Milton Fernandes, afirmou que não serão aceitos mandados coletivos de busca e apreensão no Estado
Heleno afirmou que, por outro lado, a medida drástica da intervenção deve ser encarada como uma “oportunidade” para rever as regras.

“O que a gente não pode é perder a oportunidade de mudar a maneira de atuar para buscar resultados que não têm acontecido”, disse. “Os resultados têm sido pífios porque os métodos são limitados por uma série de melindres jurídicos e pequenas burocracias que ficam parecendo que são em
defesa da democracia e acabam sendo em defesa do bandido”, disse.