terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Câmara aprova decreto que institui intervenção federal no Rio





































Medida foi deflagrada na sexta (16) e deputados levaram mais de sete horas para endossar a intervenção. Senado apreciará nesta quarta (21)




Daniel Ferreira/Metrópoles


Larissa Rodrigues




Depois de mais de sete horas ininterruptas de debates, com 414 parlamentares presentes, a Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada dessa terça-feira (20/2), o decreto que coloca a Segurança Pública do Rio de Janeiro sob intervenção federal. Por 340 votos a favor e 72 contra (mais uma abstenção), os deputados federais seguiram o entendimento da relatora, Laura Carneiro (MDB-RJ), e autorizaram o governo de Michel Temer a adotar ações emergenciais até 31 de dezembro para conter a violência urbana no estado. No entanto, o Senado Federal ainda precisa endossar a medida e deve apreciar o decreto presidencial nesta quarta (21): a sessão está pré-agendada para as 18h.

Daniel Ferreira/Metrópoles

DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

O governo obteve 132 votos a mais do que o necessário para a aprovação do decreto. Segundo a relatora do texto na Câmara, a medida é “excepcional” e meramente administrativa. “O que está em jogo é reestruturação da democracia naquela região e o bem-estar daquela população!”, afirmou Laura Carneiro. “A população do Rio está privada do exercício de seus direitos civis mais básicos”, acrescentou a relatora, que votou a favor da intervenção.


A sessão foi aberta por volta das 19h20. Somente às 20h33 foi atingido o quórum mínimo exigido e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiu os trabalhos a fim de que o conjunto dos deputados decidissem se autorizavam ou não a medida deflagrada após assinatura de decreto, na sexta-feira (16), pelo presidente Michel Temer. “Estamos em uma guerra contra o crime. A nossa arma é a Constituição”, disse Rodrigo Maia.
“Nosso papel não é apenas chancelar a intervenção, é também o de deixar claro que o Estado brasileiro e nós, o Congresso Nacional, não seremos omissos”, acrescentou o presidente da Câmara. Depois da manifestação da relatora e devido ao horário adiantado, pouco depois das 23h30, Maia encerrou a sessão inicial e deu início imediato a uma nova, dando prosseguimento aos debates até que a matéria estivesse aprovada.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, acompanhou a sessão da Câmara. Ao chegar ao prédio do Congresso Nacional, ele concedeu entrevista, explicando detalhes da intervenção e da ação deflagrada nesta noite, no Rio, para coibir roubos de carga.
Confira como foi a transmissão ao vivo do Metrópoles:


Confira imagens da sessão: 


A oposição se manteve firme na decisão de obstruir a sessão e adiar ao máximo a votação do texto – a bancada do PT chegou a apresentar requerimento para retirar o texto presidencial de pauta e outro para tornar a votação nominal (ambos rejeitados). Mais cedo, o PSol entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF)contra a intervenção. O relator da ação, ministro Celso de Mello, indeferiu o pedido também nesta segunda (19).
Por volta de 1h30 desta terça (20), o cansaço estava estampado no rosto dos parlamentares.

Caminho suave
Apesar dos protestos dos opositores, o Planalto não teve dificuldades em conseguir mais votos do que o necessário para a aprovação do decreto presidencial na Câmara – o mesmo deve ocorrer no Senado. Era preciso apenas a aprovação da maioria simples (metade dos deputados presentes mais um) para o texto seguir para a apreciação dos senadores.
Inicialmente, Rodrigo Maia era contrário à intervenção, mas mudou de ideia e prestou apoio à medida, que, nas palavras do democrata, é uma ação “urgente e necessária”. Havia entendimento dos técnicos da Câmara de que não podia haver emendas ao texto original, ou seja, a Casa deveria aprovar ou rejeitar a matéria como ela foi encaminhada pelo Planalto, o que, previa-se, levaria a discussões entre os deputados, atrasando a votação.
Assim, a deputada Laura Carneiro não apresentou um anexo ao decreto, como pretendia, mas propôs que o Planalto edite medida provisória ou projeto de lei posteriormente a fim de assegurar recursos para financiar ações relacionadas ao processo de intervenção e, ao fim da vigência da medida, dotar o estado de uma política continuada de reforço das ações de Segurança Pública.
Além do presidente da Câmara e da relatora, tiveram direito à palavra na sessão desta noite deputados inscritos. Major Olímpio (SD-SP), Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e deputado Rocha (PSDB-AC) defenderam a intervenção; Ivan Valente e Chico Alencar (ambos do PSol-RJ), além de Luiza Erundina (PSol-SP) se manifestaram contra o ato federal. Líderes também conseguiram se manifestar. Só após todos os discursos a matéria pode, enfim, ser votada.
Entenda
A intervenção federal no Rio de Janeiro está em vigor desde sexta-feira (16/2), quando o decreto foi assinado pelo presidente Temer. Porém, para que continue valendo, tem de ser aprovado pelo Congresso Nacional, ou seja, na Câmara e no Senado. O decreto diz que a decisão foi tomada devido ao “grave comprometimento da ordem pública no estado”.
Já no artigo primeiro da norma, está determinado que a intervenção irá até o dia 31 de dezembro, quando acaba o mandato de Temer no Palácio do Planalto. O documento nomeia ainda o general de Exército Walter Souza Braga Netto como interventor e afirma que ele ficará subordinado ao presidente e não “está sujeito às normas estaduais que conflitarem com as medidas necessárias à execução da intervenção”.
O documento cita que a intervenção é de natureza militar e o que não for desta área segue sob o poder do governador Fernando Pezão (MDB-RJ). Na manhã desta segunda (19), o presidente se reuniu com os conselhos da República e de Defesa Nacional no Palácio da Alvorada. Os dois órgãos consultivos aprovaram a medida.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

URGENTE!! Comissão De Ética Da Presidência Vai Investigar Segóvia; Diretor-Geral Da PF Tem 10 Dias Para Apresentar Defesa








O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, tem dez dias corridos para apresentar sua defesa à Comissão de Ética da Presidência sobre sua entrevista à Reuters, quando indicou que o inquérito contra Michel Temer relacionado ao esquema dos portos seria arquivado por falta de provas; também nesta segunda, Segóvia se explicou sobre o caso ao ministro do STF Luís Roberto Barroso, a quem negou interferência na investigação e prometeu não falar mais sobre o caso



STF nega pedido para suspender votação de intervenção militar no Rio



O mandado de segurança foi apresentado pela bancada do PSol na Câmara dos Deputados. Ministro Celso de Mello indeferiu o pedido


Divulgação


Gabriella Furquim



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello negou o mandado de segurança, protocolado nesta segunda-feira (19/2), a fim de suspender a votação do decreto que coloca a Segurança Pública do Rio de Janeiro sobre intervenção federal. A decisão do ministro foi divulgada nesta noite. 
Apresentado pela bancada do PSol na Câmara dos Deputados, o mandado questionava a falta de justificativa para a intervenção federal; a tramitação do texto na Câmara sem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e a ausência de consulta prévia aos Conselhos da República e de Defesa Nacional. Segundo a Constituição, esses dois órgãos devem se manifestar em casos de intervenção, estado de sítio ou de defesa, mas o decreto foi assinado por Michel Temer na sexta (16) e só passou pelo crivo dos colegiados na manhã desta segunda.

O ministro indeferiu o pedido de medida cautelar por não vislumbrar “a ocorrência de plausibilidade jurídica”.

VEJA O QUE DISSE SEGOVIA AO MINISTRO BARROSO SOBRE A ENTREVISTA A REUTERS






Em ofício, Segovia disse que suas declarações “foram distorcidas e mal interpretadas” e que “em momento algum pretendeu interferir no andamento do inquérito” sobre o Decreto dos Portos.
O diretor-geral garantiu a Barroso que “não teve a intenção de ameaçar o delegado” responsável pelas investigações e ainda se comprometeu a não fazer mais comentários sobre o caso que envolve Michel Temer.

Gilmar Mendes sugere “ombudsman jurídico” para evitar imbecilidades





Michael Melo/Metrópoles


Lilian Tahan




O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse na tarde desta segunda-feira (19/2) que o único legado do governo de Dilma Rousseff foi a Lei de Acesso à Informação. Mendes citou a ex-presidente da República durante seminário de jornalismo promovido pela Folha de S.Paulo no teatro Unibes, na capital paulista. O tema proposto para o debate da mesa que Gilmar compunha era “Direitos e deveres: o que é correto na relação fonte-jornalismo”.
“Demos um passo institucional muito importante que foi a Lei de [Acesso à] Informação. Se no futuro alguém pudesse lembrar de alguma coisa boa feita no governo Dilma, seria esta lei de prestar informação, pelo menos é a única coisa que eu me lembro”, disse Gilmar.


O magistrado fez duras críticas ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e sua equipe a respeito do vazamentos de informações sigilosas: “Tem-se a necessidade de se fazer uma lei [para coibir] de abuso de autoridade, em que só se divulgue o que é divulgável. Mas não [se deve] escolher amigo para indicar o que vai ser divulgado. Isso é um flagrante abuso. Uma pessoa bem próxima da atual procuradora [geral da República, Raquel Dodge] me contou que o dr. Janot tinha 11 jornalistas para vazar Informação”.
Gilmar Mendes citou três casos nos quais ele considera que a imprensa, subsidiada com dados repassados pelo Ministério Público, errou. O primeiro deles envolvendo Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário geral da Presidência da República na gestão de Fernando Henrique Cardoso.
“Os senhores da Folha [de S.Paulo] se lembram – não falam mais, mas se lembram – daquela figura estanha: o procurador Luiz Francisco [de Souza]. Era uma figura engraçada, que inventava processo, fazia publicar e depois investigava. Ele engendrou o processo do caso Eduardo Jorge e deu ensejo, talvez, a um dos mais sistemáticos massacres feitos contra uma autoridade pública”.
Ele ainda lembrou da Operação Satiagraha, conduzida pelo ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que acabou anulada pela Justiça por uso de provas ilegais. “Acho inclusive que era a oportunidade de os jornais fazerem um mea culpa ‘aqui nós éramos todos cativos deste tipo de cooptação’. Como a mídia se deixou dominar por um personagem tão rastaquera?”, provocou o ministro.
Gilmar Mendes ainda referiu-se à prisão de André Esteves como um erro, desta vez, atribuído à Justiça, mas cometido graças à “narrativa da equipe de Janot, amplamente divulgada em prosa e verso pela imprensa”, segundo o ministro.
Contra “imbecilidades”Para evitar o que chamou de “clássicos da má-informação”, Gilmar Mendes propôs a criação da figura do “ombudsman jurídico” que, segundo o ministro, analisaria as “imbecilidades” passadas aos jornalistas.
No momento aberto a perguntas da plateia – que foram intermediadas pela jornalista Maria Cristina Frias –, Gilmar Mendes foi questionado sobre qual o mecanismo para a correção dos erros do Judiciário, já que a imprensa tem seus meios e métodos para retificações. O ministro admitiu que no “Supremo a gente erra por último”, mas afirmou que as próprias discussões nesta instância são um mecanismo para a correção de equívocos.
No ponto alto do debate, quando Gilmar Mendes dizia que alguém lesado por um artigo teria de esperar no mínimo 5 anos até ter acesso a um direito de resposta, o ministro foi interpelado pela mediadora: “E o que o senhor acha de um ministro ficar 5 anos para devolver um pedido de vista?” A plateia aplaudiu e Gilmar Mandes disse que faltava às pessoas informações de como funciona o Supremo.
“Quem perguntou está querendo saber sobre o caso de Jucá. Não se trata de má-fé dos presidentes [do STF] não ter colocado o caso em pauta, é preciso conhecer a realidade dos tribunais. Nós temos mais de mil processos para entrar na pauta, eram mais de 10 mil antes da Repercussão Geral”, justificou. E deu mais uma beliscada no Ministério Público: “Este processo ficou um ano na Procuradoria, poderiam oferecer denúncia. E vejam que a Procuradoria nem sempre é tão crítica para fazer denúncia. Não ofereceram porque não havia elemento mínimo”.