segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Jornal Informa Que Cristiane Brasil É Líder De Votos Em Bairro Onde Traficantes Teriam Recebido Apoio.








O mapa de votos da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) mostra que Cavalcanti, na Zona Norte do Rio, é a área onde tem melhor desempenho. Em 2014, foi a candidata à Câmara mais votada na zona eleitoral que abrange parte do bairro e vizinhança. A ligação com o local também aparece por um fato relacionado à campanha de 2010: um inquérito investiga se ela participou de um esquema de pagamento a traficantes de três comunidades para garantir apoio à candidatura de Marcus Vinícius (PTB), seu ex-cunhado, a deputado estadual no Rio.
Indicada pelo presidente Michel Temer para o Ministério do Trabalho, Cristiane teve a posse barrada por uma série de decisões judiciais, incluindo do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter sido condenada em ações trabalhistas.

Cristiane conseguiu, em 2014, 11% dos votos válidos (2.899 votos) da 118ª Zona Eleitoral, formada por parte de Cavalcanti e cinco bairros vizinhos. Grande parcela dessa votação foi obtida justamente em seções localizadas em Cavalcanti, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao longo da carreira política, foi lá que ela obteve os melhores resultados nas urnas. A investigação por associação ao tráfico, revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, foi enviada semana passada à Procuradoria-Geral da República. Segundo o inquérito, Cristiane e três assessores teriam pago para garantir que apenas Marcus Vinícius fizesse campanha nas comunidades Morro da Primavera, Parque Silva Vale e JJ Cowsert, todas em Cavalcanti


Com Acusações Bastante Robustas. Moro Começa Os Depoimentos Sobre O Sítio De Atibaia









A partir desta segunda-feira (5) o juiz federal Sergio Moro retoma um dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato e começa a ouvir testemunhas de acusação. A ação penal diz respeito ao sítio em Atibaia, que o Ministério Público Federal (MPF) atribui ao ex-presidente e sustenta que foi dado à Lula pela Odebrecht como pagamento de propina por contratos da empreiteira com a Petrobras.
A lista de testemunhas de acusação convocadas pelo MPF no processo inclui uma série de delatores da Lava Jato. Já na segunda-feira (5) serão ouvidos o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa e os publicitários Mônica Moura e João Santana. Os três delatores, a princípio, vêm à Curitiba para prestarem seus depoimentos.

Os depoimentos das testemunhas de acusação seguem até o dia 26 de março. Também serão ouvidos nessa fase do processo figuras como os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró; o ex-deputado federal Pedro Correa; o lobista Fernando Soares; o ex-senador Delcídio do Amaral e executivos das empreiteiras OAS, Odebrecht e Camargo Correa. A maioria das testemunhas arroladas pelo MPF está no rol de delatores da Lava Jato.
Depois de ouvir as testemunhas de acusação, Moro vai marcar as audiências para ouvir as testemunhas convocadas pelas defesas de todos os réus do processo. Por último, Moro vai ouvir um a um todos os acusados pelo MPF na ação penal. O ex-presidente Lula, portanto, deve voltar à Curitiba para depor pela terceira vez a Moro ainda neste ano.
O processo do sítio em Atibaia tem ao todo 13 réus. Além de Lula, também respondem executivos da Odebrecht e da OAS, como Marcelo e Emílio Odebrecht, Agenor Medeiros, Leo Pinheiro, Paulo Gordilho, Alexandrino Alencar, entre outros. Fernando Bittar, que alega ser o real proprietário do sítio, também está na lista de réus do processo, assim como o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo pessoal de Lula.

Partidos Têm Débitos Milionários Com O INSS Mas O PT Sozinho Deve Dois Terços Do Total









Um dos argumentos mais usados por parlamentares contrários à reforma da Previdência é que o governo ignora os R$ 426 bilhões que as empresas devem ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ataca só os gastos com benefícios. Com o valor sonegado, apontam, daria para pagar duas vezes o rombo esperado para 2018, de R$ 192,8 bilhões. Já os favoráveis às mudanças não cansam de lembrar que o país perde bilhões todos os anos devido à desatualização das regras, dinheiro que poderia ser investido em políticas públicas. Por mais que os discursos dos dois lados façam sentido e tenham embasamento técnico, o que ambos se esquecem de mencionar é que os partidos políticos devem R$ 12,9 milhões à Previdência Social, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Por trás do debate político, eles deixam de pagar contribuições que, juntas, seriam suficientes para sustentar por um ano, com um salário mínimo (R$ 954), mais de mil famílias brasileiras. O valor se refere apenas às dívidas ativas, atualmente em cobrança – ou seja, não entram na lista as que foram negociadas, parceladas ou estejam em discussão judicial. No universo de devedores da Previdência não existe ideologia política nem regionalismo. Tanto partidos inclinados à direita quanto à esquerda, de 130 diretórios espalhados pelo Brasil, têm pendências, que, em alguns casos, chegam a valores milionários.
tualmente, o líder dos partidos devedores é o PT, que, entre municípios e estados, acumula débito de R$ 8,1 milhões. Crítico incansável da reforma da Previdência, o partido fica em primeiro lugar por conta das 27 dívidas contraídas pelo diretório do Rio Grande do Sul, que somam R$ 7,13 milhões. O presidente do PT do estado, deputado federal Pepe Vargas, explica que as pendências vêm de épocas de crise financeira do partido. A estratégia que tem sido usada para quitá-las, desde que o deputado assumiu o comando do diretório, no ano passado, tem sido parcelar o valor aos poucos, dentro da possibilidade de pagamento, enquanto mantém as contribuições mensais em dia.  “Não adianta negociar tudo de uma vez e não conseguir honrar os pagamentos”, explica.

Sem explicação. Apesar de o ranking ser liderado por um partido de esquerda, o segundo maior devedor é o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), que tem feito de tudo para emplacar a reforma da Previdência. Considerados os diretórios municipais e estaduais, o partido deve R$ 1,68 milhão ao INSS. A maior parte da dívida vem de Sergipe, que deixou de pagar R$ 1,58 milhão. Como o novo presidente do diretório, Mendonça Prado, assumiu o posto na semana passada, no lugar de Ana Alves, que foi presa em dezembro por formação de organização criminosa, obstrução de investigação e peculato, ainda não tem uma justificativa para o valor. “Ainda não tenho acesso aos números, porque está tudo mudando. Até o tesoureiro mudou. Para não cometer erros, prefiro não comentar por agora”, explica Prado. O fato de a ex-presidente ter se mantido no comando do diretório durante parte do tempo que passou na prisão pode ter afetado a regularização das contas.

O presidente do DEM nacional, senador José Agripino Maia (RN), ressalta que o diretório comandado por ele não tem nenhuma dívida previdenciária ativa. “Os diretórios regionais, por lei, têm autonomia e responsabilidade próprias”, explica a assessoria, preceito que vale para todas as legendas. No caso do terceiro maior devedor, o PCdoB, que luta para que a reforma da Previdência em discussão seja retirada de pauta, a responsabilidade pelos R$ 501 mil devidos pelo partido é dividida entre vários diretórios. A assessoria de imprensa da legenda em Minas Gerais, que tem a maior pendência, de R$ 115,3 mil, foi contatada, mas não respondeu à reportagem até o fechamento da edição.

Nem a sigla do presidente da República, Michel Temer, fica de fora da lista. O MDB é o quarto maior devedor da Previdência entre os partidos, com dívida de R$ 461,6 mil. A maior parcela vem do Rio Grande do Norte: R$ 153 mil. O senador Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), que assumiu em novembro o diretório do estado, afirma estar “ciente das pendências do partido” e diz ter “determinado à área financeira um completo levantamento” dos números. “Tomando conhecimento dessa dívida previdenciária, ela merecerá prioridade na negociação de parcelamento através do diretório nacional do partido”, garante o senador.
Em quinto lugar ficou o PSB, com débito de R$ 318 mil. Diferentemente dos demais, o que pesa, no caso do PSB, é o diretório nacional, que deixou de pagar R$ 123 mil à Previdência. A assessoria de imprensa do partido foi consultada, mas não respondeu às solicitações de esclarecimento até o fechamento da edição. Para completar os 10 maiores devedores entre os partidos, entram na lista PSDB, PP, PR, PDT e PV, que devem valores entre R$ 172,5 mil e R$ 299 mil, contando todos os diretórios.

Livres para fazer campanha.  Quando o assunto é o calote dos partidos políticos à Previdência Social, não é só o valor que preocupa. Os R$ 12,9 milhões devidos por eles atualmente deixam de entrar nos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e contribuem para o tão atacado rombo previdenciário, mas não atrapalham em nada a vida política dos devedores. O fato de uma legenda não pagar as contribuições previdenciárias não as impede, por exemplo, de lançar candidatos nas eleições, aponta a advogada Karina Kufa, especialista em direito eleitoral do Instituto de Direito Público (IDP) de São Paulo. “Não há nenhum tipo de restrição na lei eleitoral quanto a isso. Um diretório devedor pode manter todas as atividades políticas sem nenhum problema”, afirma.

O mesmo vale para os candidatos que tenham dívidas nos próprios CPFs, que não são impedidos de concorrer em eleições e podem assumir qualquer cargo público. “Inclusive, se os partidos ou os candidatos parcelarem as dívidas, nem irregulares ficam aos olhos do fisco”, ressalta a advogada. O procurador Everaldo Souza Passos Filhos, da Coordenação-Geral da Dívida Ativa da União da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), explica que, depois que o valor é renegociado, o nome da empresa é excluído da lista em até uma semana. Ou seja, basta parcelar a dívida para ficar com o nome limpo. “Não precisa nem pagar a primeira parcela”, ressalta Karina.

Além de não incluir valores parcelados, a lista de devedores não mostra os que foram suspensos por decisão judicial. “Na prática, os partidos podem ficar discutindo se o cálculo está correto ou não por muito tempo, e com o nome fora da lista”, critica a advogada Adriane Bramante, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP). Para Adriane, o fato de não haver nenhum tipo de sanção faz com que os devedores rolem a dívida indiscriminadamente. Devido a esse tipo de situação, a advogada defende a criação de uma barreira para que partidos com dívidas acumuladas com a Previdência não possam lançar candidatos. “Uma empresa devedora, por exemplo, não consegue participar de licitações. No caso dos partidos, isso pouco importa. Não há nenhuma regra que faça com que eles se preocupem com essa questão”, aponta.

Escândalo!! Cristiane Brasil Coagiu Funcionários Da Secretaria Da Prefeitura Do Rio A Votarem Nela E Arrumarem Outros 30 Votos Em 2014







Durante a campanha em que foi eleita deputada federal, em 2014, Cristiane Brasil (PTB-RJ) coagiu funcionários da Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida da prefeitura do Rio, da qual era titular, a votarem nela e arrumarem outros 30 votos, sob risco de perderem o emprego. Um áudio obtido pelo “Fantástico”, da TV Globo, mostra a cobrança feita pela parlamentar em uma reunião com cerca de 50 pessoas, dentro da secretaria.
— Se eu perder a eleição de deputada federal… Eu preciso de setenta mil votos. Eu fiz quase trinta (mil votos, em 2012, quando foi eleita vereadora no Rio). Agora são setenta mil. No dia seguinte, eu perco a secretaria (se não for eleita deputada). No outro dia, vocês perdem o emprego — ameaçou Cristiane.

Em outro momento da reunião, a deputada foi ainda mais direta:
— Se amanhã vocês ficarem desempregados, como é que vai ser a vida de vocês? Vai ficar um pouquinho mais complicada, não é? Eu só tenho um jeito de manter o emprego de vocês: me elegendo.
Um perito confirmou ao “Fantástico” que a voz na gravação é da deputada. Um funcionário que trabalhou na secretaria disse à TV Globo que reuniões desse tipo eram frequentes e que ele se sentia pressionado a fazer campanha. Cristiane também deu exemplos de abordagens:
— Se cada um no âmbito familiar me trouxer 30 fidelizados… “Pô, tu é minha mãe. Se tu não votar nela (Cristiane), eu perco o emprego”. Olha que poder de convencimento essa frase tem. Para o marido: “Meu querido, vai querer pagar minhas calcinhas? Então me ajude.”
Filha de Roberto Jefferson, presidente do PTB, Cristiane foi eleita vereadora em 2012 e depois foi convidada pelo então prefeito do Rio, Eduardo Paes, para ser secretária municipal. A deputada pretendia que a estrutura da secretaria, voltada aos idosos, fosse usada de maneira a turbinar sua candidatura:
— Eu preciso de uma coisa que está na mão de vocês (funcionários) agora, que é a credibilidade junto ao idoso. É a amizade que eles têm com vocês. É o carinho que eles têm com vocês no dia a dia.
Ex-cunhado de Cristiane, o deputado estadual Marcus Vinícius (PTB-RJ) também participou do encontro e reforçou o discurso dela. Em nota, a deputada disse que “nunca pediu votos a servidores públicos durante o expediente ou dentro da repartição”. Marcus Vinícius afirmou que não se manifestaria por “desconhecer a gravação”.


Depois De 45 Dias De Folga, Parlamentares Voltam Hoje A Brasília








Depois de 45 dias de folga, parlamentares voltam hoje. No domingo, Michel Temer se reuniu com ministros e aliados para discutir ações em busca de votos para aprovar a reforma.

Casta no STM: Inativos garantiram R$ 17,9 mi por licenças acumuladas


Pelo menos 25 ex-integrantes do tribunal receberam o benefício administrativamente. Militares só alcançam indenização após processo judicial



Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles

Liana Costa



Enquanto militares da reserva aguardam até cinco anos na Justiça o direito à indenização por licenças especiais não usufruídas, ministros aposentados do Superior Tribunal Militar (STM) obtêm o benefício administrativamente a partir de decisões da própria Corte desde 2014. Segundo levantamento realizado pelo Metrópoles, ao menos 25 ex-integrantes do tribunal tiveram seus pedidos concedidos.
Somados, os requerimentos representam aproximadamente R$ 17,9 milhões a serem pagos com verba própria do STM. Os valores são calculados em cima do salário-base de um ministro da Corte (R$ 32.074,85). Em 2017, conforme dados do painel Siga Brasil, do Senado Federal, o tribunal executou orçamento de R$ 495,8 milhões. Só de gastos com a previdência de inativos e pensionistas da União, o órgão desembolsou quase a metade desse montante (R$ 206,8 milhões).
A licença especial é a autorização para afastamento por um período de seis meses a cada 10 anos de trabalho no serviço militar. Revogado em 2001 por medida provisória, o benefício deixou de existir, mas continuou assegurado aos que já tinham direito à concessão, podendo ser usufruído como contagem em dobro para aposentadoria ou na forma de indenização. Esta, contudo, está prevista no texto da lei apenas no caso de morte do oficial.

Diante da previsão legal, militares da reserva têm acionado a Justiça pelo direito de receber a indenização ainda em vida. O prazo para pedidos do tipo é de cinco anos após a aposentadoria. Os processos, contudo, tramitam na Justiça comum e, apesar de existir jurisprudência favorável em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nem sempre resultam na concessão do benefício.
“Esse tipo de processo tem se tornado comum porque o servidor público começou a ingressar na Justiça por um benefício semelhante. Então, os militares também passaram a entrar. Mas eles nunca são concedidos administrativamente”, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Apoio aos Reservistas da Pátria, tenente Messias Dias. Segundo o oficial, ações do tipo se prolongam por anos na Justiça, onerando a União e os militares da reserva.
Ao assumir o cargo no STM, os ministros não perdem o status de oficial da ativa nas Forças Armadas. Quando passam para a reserva, apesar de terem os subsídios pagos pelo tribunal, continuam submetidos às regras previdenciárias dos militares.
Ao largo da JustiçaNo entanto, no STM, há uma grande vantagem: os pedidos de indenização realizados por ex-ministros não vão para a Justiça comum; são concedidos administrativamente, após votações em plenário. O intervalo entre a protocolização dos requerimentos e as decisões é, por vezes, de apenas meses. Entre 2014 e 2017, várias solicitações foram feitas por ex-integrantes do órgão militar. Nos 25 casos levantados pelo Metrópoles, todos os pedidos foram acatados.
Embora as licenças especiais dos ex-ministros tenham sido adquiridas após décadas de serviço nas Forças Armadas, as decisões do STM calculam as indenizações em cima do salário de um integrante da Corte, de R$ 32.074,85. Atualmente, um almirante, marechal ou marechal do ar – postos mais altos da Marinha, Exército e Aeronáutica, respectivamente – recebe R$ 14.031, menos da metade do rendimento de um ministro.
Utilizando o cálculo pelo valor do mais alto cargo do STM, uma única indenização pelo período de quatro licenças especiais não gozadas (24 meses) pode chegar a um total de R$ 769.796. Sobre o valor, não incide cobrança de imposto de renda.
Segundo informações do próprio tribunal, cerca de 25,5% dos pagamentos autorizados pelo plenário da Corte já foram efetuados, totalizando um montante de R$ 6.218.757,84. O órgão informou que, hoje, o repasse das indenizações está suspenso, aguardando decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a execução orçamentária de anos anteriores.
STM/DIVULGAÇÃO
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STM durante sessão em 2016: canetada do plenário garante pagamento de pecúnias

A origem da casta
Os pedidos administrativos de conversão de licença especial em indenização começaram no STM em dezembro de 2014. Um requerimento do então ministro Olympio Pereira provocou decisão do plenário da Corte sobre o recebimento do benefício: seria permitido somente se comprovado que o tempo de licença não tenha contado em dobro como anos para aposentadoria.
Mesmo com divergências internas, a interpretação da Corte foi de que a contagem do prazo de cinco anos para prescrição do pedido teria início em setembro de 2011, data na qual decisão do STF fixou jurisprudência sobre o tema. Desse modo, ministros mais antigos, mesmo aqueles aposentados desde a década de 1990, puderam ter acesso ao benefício de modo administrativo.
Além dos 25 ex-ministros, o STM acatou, entre 2014 e 2017, o pedido de conversão de licença especial em indenização de dois juízes auditores da Justiça Militar da União (JMU) e mais 13 pensionistas de antigos integrantes da Corte.
“O STM fez foi o que chamados de inteligência de questão. Eles estão usando do entendimento já existente no Judiciário e aplicando no âmbito administrativo”, explicou o vice-presidente da Comissão de Direito Militar da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Gregory Brito. O advogado aponta, contudo, que, por se tratar de decisão da Corte Militar, órgão do Judiciário Federal, as concessões do benefício não devem ser estendidas a outros militares como precedente legal.
Para o defensor especializado em direito militar José Carlos Alves da Silva, as decisões do Superior Tribunal Militar não são ilegais, mas podem ferir o princípio da isonomia da administração pública.
Nas Forças Armadas, esse tipo de benefício não é concedido administrativamente. Os processos vão parar na Justiça e demoram anos enquanto o governo vai ganhando tempo e protelando até deixar para pagar em precatórios. Teoricamente, o princípio deveria ser o mesmo para todos os militares da reserva"
José Carlos Alves da Silva, especialista em direito militar
Justiça MilitarCriada em 1808, a Justiça Militar da União é a mais antiga do país. A JMU é composta por auditorias militares e pelo Superior Tribunal Militar, instância máxima responsável por julgar crimes previstos no Código Penal Militar (CPM).
A corte é composta por 15 ministros escolhidos pelo presidente da República e confirmados pelo Senado Federal. Das 15 cadeiras, 10 vêm de oficiais das Forças Armadas, enquanto cinco são ocupadas por civis. Atualmente, apenas uma mulher integra a Corte.
Metrópoles entrou em contato com o Ministério da Defesa. “Solicitamos que entre em contato direto com as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica)”, respondeu a pasta.




domingo, 4 de fevereiro de 2018

Habeas-Corpus: Cabral Esperou O Fim Do Recesso, Pois Confia Em Gilmar Mendes










Não será surpresa se o ministro Gilmar Mendes mandar libertar Sérgio Cabral. O Habeas-Corpus nº 152.720, que o advogado Rodrigo Roca, que defende Cabral, deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 2 de fevereiro, pede, expressamente, em favor do ex-governador, apenas “o retorno do paciente à Cadeia Pública do Rio de Janeiro José Frederico Marques”. Em quinze laudas, o patrono de Cabral expõe suas razões e fundamentações jurídicas que entende justificar o pedido para que Cabral deixe o Complexo Penitenciário de Pinhais, em Curitiba, e retorne à Cadeia Pública José Frederico Marques, de onde foi levado por ordem da Justiça Federal do Paraná e do Rio de Janeiro.
Por que Gilmar Mendes? Porque o Habeas Corpus em favor de Cabral foi distribuído a ele. Na condição de relator, Gilmar pode resolver a questão liminarmente, isto é, sozinho (monocraticamente), para só depois submeter sua decisão à 2ª turma do STF, da qual faz parte.

MATÉRIA CÍVEL – Mas o ministro pode decidir além do que foi pedido? Em matéria cível, não. O juiz deve ficar adstrito ao que lhe foi pedido pela parte. Não pode descuidar-se, nem para omitir-se sobre pedido algum (citra petita), nem para dar mais (ultra petita) do que consta no petitório. Já em matéria penal, principalmente em se tratando de Habeas Corpus, aí o juiz pode tudo. Porque para tudo o Habeas Corpus serve e não apenas para evitar a prisão de alguém (habeas preventivo) ou dar liberdade a outrem (habeas repressivo).
Exemplo:  Habeas-Corpus serve para combater cerceamento de defesa, alegar prescrição, apontar nulidades, chamar o processo à ordem quando tramita fora dela e muito mais.
A possibilidade de Gilmar Mendes libertar Cabral, mesmo que o Habeas Corpus não tenha sido impetrado com esta finalidade, decorre das declarações e votos do referido ministro a respeito das prisões preventivas alongadas, que Gilmar Mendes não admite nem aceita e combate com veemência.
PRISÃO PREVENTIVA – Cabral está preso preventivamente. E lá se vão quase quinze meses de prisão preventiva. Enquanto isso — e aqui vão meros raciocínios — parece que se esgotaram, em 21, as denúncias que o Ministério Público Federal ofereceu contra o ex-governador. Portanto, os perigosos motivos que justificavam a imediata prisão de Cabral já teriam desaparecido com a oferta das denúncias. Também as condenações já impostas a Cabral são apenas de primeira instância. Se alguma delas já tivesse sido confirmada pela segunda instância, aí a prisão deixaria de ser preventiva, para ser quase definitiva, ao menos segundo a última posição do STF a este respeito.
E no que diz respeito àquele 6 a 5 do plenário do STF, que permitiu a imediata prisão de condenados em segunda instância, Gilmar Mendes também já antecipou que mudou o seu entendimento. O ministro não admite mais que a condenação por um tribunal seja suficiente para conduzir o condenado ao cárcere para cumprir a pena.
ALÉM DO PEDIDO – Portanto, uma ligeira e objetiva visão sobre situação do Habeas Corpus impetrado em favor do ex-governador do Rio, permite admitir que Gilmar Mendes pode ir muito além do pedido de retorno de Cabral ao presídio José Frederico Marques (coitado do jurista, juiz, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Frederico Marques. Nascido em 14.2.1912 e morto em 20.1.1993, o magistrado, professor e autor de muitas obras sobre processo civil tem seu nome inscrito numa penitenciária, quando o bom, justo e adequado seria emplacá-lo num palácio, numa esplanada, num fórum…e nunca numa penitenciária.
OS MOTIVOS DA PRISÃO – Mas o ministro Gilmar tem seu em poder apenas a petição e documentos dos Habeas-Corpus que o advogado Roca impetrou no último dia 2 de fevereiro. Gilmar não tem em seu poder, para exame e análise, as decisões que motivaram a decretação da prisão preventiva de Cabral a fim de revogá-las e expedir mandado de soltura de Cabral.
Ora, ora, pensar assim é bobagem. E precisaria disso tudo? O fato (os quase quinze meses de prisão preventiva de Cabral) é público e notório. E fato público e notório precisa de comprovação? É evidente que não precisa.
“Não dependem de prova os fatos notórios”, diz o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, fonte sempre complementar e subsidiária do processo penal. Logo, se Gilmar Mendes quiser, ele manda, ainda hoje domingo (10.2.2018) ou no mais tardar amanhã ou depois, libertar Sérgio Cabral, despachando, liminarmente, o Habeas Corpus nº 152.720.
MAIS UM ESCÂNDALO – Tudo converge para que venha uma decisão nesse sentido, que certamente vai escandalizar e, quiçá, superar o noticiário sobre o carnaval, mesmo que de carnaval jurídico também se trate. Não esqueçamos que Gilmar Mendes está furioso com a opinião pública.
Desde Lisboa e nos voos internacionais e nacionais que fez, Gilmar foi hostilizado, justamente por mandar libertar quem deveria continuar preso. Ninguém pode contestar a cultura jurídica do ministro. Mas não se pode desprezar sua condição humana, que não o deixa a salvo do cometimento de pecados, veniais e mortais, como distingue a Teologia da Igreja Católica.
Em suma: Gilmar pode e tem poder para libertar Cabral. Mas se isso não acontecer, pelo menos mandar Cabral de volta “à Cadeia Pública do Rio” Gilmar vai autorizar. Mesmo porque os únicos culpados e responsáveis pelas “mordomias” que Cabral usufruía na prisão são o governador Pezão, o secretário de Administração Penitenciária e o diretor do presídio. E Cabral, delas beneficiário, não pode ser também ser tachado de culpado. É do Estado toda a responsabilidade do detento que recebe para custodiar.