sábado, 21 de outubro de 2017

Lula Diz Que Doará Imóveis Ao MTST Se Justiça Provar Que São Seus




  • 21/10/2017
SÃO BERNARDO DO CAMPO – Em
visita a uma ocupação do Movimento dos
Trabalhadores sem Teto (MTST) no ABC,
neste sábado, 21, o ex-presidente Luiz
Ignacio Lula da Silva voltou a afirmar que
os processos a que responde na Justiça
são fruto de perseguição política e
ironizou as acusações de que seja dono de
imóveis não declarados. Em um discurso
aos sem-teto da ocupação, Lula disse que se conseguirem provar que o triplex
no Guarujá, o apartamento vizinho à sua cobertura em São Bernardo do
Campo e o sítio de Atibaia forem seus, ele vai doá-los ao MTST.
“Estejam preparados, porque vocês podem ganhar dois apartamentos e uma
chácara. Se conseguirem provar que são meus, serão seus. Pode avisar ao
Moro (juiz Sérgio Moro)”, disse Lula sob os aplausos dos sem-teto que
acompanhavam seu discurso. Em apoio à ocupação do MTST, que reúne mais
de sete mil famílias, Lula disse que o terreno de cerca de 70 mil m2 em que
estão instaladas não estava destinado a cumprir qualquer função social, e o
movimento agiu corretamente ao ocupar o local.


“Nesse terreno não teria uma creche, uma escola, um hospital ou moradias
populares. Então, vocês estão certos de ocupar para conseguirem um
moradia digna”, afirmou. Segundo Lula, as mais de sete mil família da
ocupação, chamada “Povo sem medo São Bernardo do Campo” e que
considerada a segunda maior da América Latina, são compostas de pessoas
que perderam seus empregos, ou não conseguem pagar aluguel. Por isso, o
ex-presidente defendeu uma negociação pacífica com as autoridades e o seu
proprietário, a Construtora MZM, a fim de viabilizar a um projeto de
moradias populares naquela área.
“Quero, por esse microfone, falar com o prefeito, com o governador, com o
presidente golpista e com o povo brasileiro, que aqui tem homens, mulheres,
pais e mães de família que não querem confusão. Querem um teto para se
abrigarem do calor e do frio. E queremos que os vizinhos sejam solidários
com essas pessoas. Aqui não tem bandido e muito menos bandida. Nem
querem também fazer daqui uma favela. Querem apartamentos iguais aos
que todos moram. Que na próxima reunião tenha uma solução amigável.
Agora, porque o presidente golpista não compra esse terreno?”, questionou o
ex-presidente, que está em pré-camapnha para 2018, referindo-se ao
presidente Michel Temer (PMDB).

A ocupação, que fica no bairro Assunção,
em São Bernardo do Campo, teve início em setembro e os organizadores
aguardam uma reunião a ser marcada pelo Grupo de Apoio às Ordens de
Reintegração de Posse (Gaorp), do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O Goarp é formado por representantes dos governos federal estadual e
municipal, além de representes do proprietário do terreno e do MTST. O
advogado das famílias, Roberto Lemos, explicou que já foi expedida uma
ordem de reintegração de posse, mas o juiz do caso determinou que a
sentença somente será cumprida depois da reunião de conciliação no Gaorp.
— Mas vamos entrar com um pedido de suspensão da ordem de reintegração
em Brasília. Entendemos que esse terreno não cumpre nenhuma ação social
e, além disso, tem uma dívida de R 500 mil em IPTU somente neste ano –
afirmou Lemos. Além do líder do MTST, Guilherme Boulos, participaram do
evento na ocupação nesta tarde a senadora Gleide Houfman, presidente do
PT, e o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

The Guardian: Por que Michel Temer ainda é o presidente do Brasil?



'The Guardian': Acusado de corrupção e sem popularidade, por que Temer ainda é presidente do Brasil? Jornal britânico diz que esquemas do atual governo minam democracia

the guardian michel temer ainda presidente brasil

Se o recente declínio do Brasil pudesse ser mensurado pela queda da popularidade de seus presidentes, Michel Temer representaria o fundo do poço. Assim começa a matéria publicada nesta quarta-feira (18) pelo jornal britânico The Guardian.
Em 2010, Luiz Inácio Lula da Silva terminou seu segundo mandato com uma classificação de aprovação de 80%. Em março de 2016 Dilma Rousseff tinha uma classificação de 10%, lembra o diário.
No mês passado, o governo de Temer, mergulhou em 3% em uma pesquisa. Entre os menores de 24 anos, a aprovação de Temer atingiu zero, acrescenta.
Temer foi acusado de corrupção e obstrução da justiça. No entanto, não houve nenhum dos imensos protestos de rua que aconteceram contra a corrupção e ajudaram a impulsionar o impeachment de Dilma, aponta Guardian.
E, ao contrário de Dilma, Temer manteve o apoio dos mercados financeiros que gostam das medidas de austeridade que ele introduziu, como a privatização dos serviços governamentais, um limite de 20 anos nas despesas e uma revisão planejada das pensões.
Os críticos dizem que as medidas de austeridade de Temer prejudicam os pobres mais do que os ricos. De acordo com uma pesquisa da Oxfam Brasil, os brasileiros mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que as classes pobres e médias e os 5% mais ricos ganham o mesmo que o resto da população juntos. No entanto, a maior taxa de imposto de renda é de apenas 27,5%, destaca o periódico.
Temer parece ser capaz de sobreviver a esta última crise mas a confiança nos líderes políticos do Brasil foi drasticamente minada. Essa falta de confiança alimenta o apoio a uma solução autoritária para a crise – o que poderia ter sérias conseqüências nas eleições presidenciais do próximo ano“.
The Guardian ressalta que a desilusão do povo brasileiro com a classe política está abrindo uma lacuna perigosa para populistas e extremistas nas eleições presidenciais do próximo ano.
Um provável candidato da direita é João Doria, o extravagante e multimilionário prefeito de São Paulo. Como Donald Trump, ele é um ex-apresentador da versão brasileira do programa de TV The Apprentice, assumiu o poder em janeiro passado e não possui experiência administrativa.
Correndo em segundo lugar em muitos cenários de votação é Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército, cuja mensagem de extrema-direita, autoritária, seduz aqueles que estão bravos com a corrupção, bem como os eleitores petrificados pelo crescente nível de crimes violentos do Brasil.
E ele goza do apoio de um número crescente que argumenta que as forças armadas do Brasil devem intervir – como fizeram em 1964, quando instalaram uma ditadura viciosa que durou 21 anos – uma opção apoiada em 43%, de acordo com uma pesquisa on-line feita em setembro.
Guardian lembra que em setembro, o general de exército Antonio Mourão assustou muitos quando disse que, em sua opinião, se as instituições do Brasil não pudessem remover os envolvidos em atos ilícitos da vida pública, “teremos que impor isso”.
Bolsonaro o defendeu. “A democracia não é feita comprando votos ou aceitando corrupção para governabilidade“, ele pediu para 602,000 seguidores.
Reagir a isso é a obrigação de qualquer civil ou SOLDADO“.
Jornal do Brasil

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Aécio Neves É O Novo Paulo Maluf Da Política.



PSDB Condenado A Arrastar Defunto Político Em 2018

  • 21/10/2017
O PSDB foi condenado pelo plenário do Senado a arrastar um defunto político pelos
próximos anos quando votou contra a decisão da Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal (STF) sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Para manter a decisão STF, Aécio precisava da maioria absoluta — ou seja, 41
senadores — Votaram votar “sim” 26 e senadores e 44 votarem “não”. Após o Senado
rejeitar a decisão do Supremo, o senador tucano poderá retomar o mandato, mas será
um novo Paulo Maluf da política. Um sujeito contra o qual pesam dezenas de
suspeitas, mas que sempre conseguiu se esquivar das garras da Lei através do manto
do foro privilegiado.
Aécio Neves foi denunciado em junho por corrupção passiva e obstrução de Justiça
com base em gravações feita pelo açougueiro Joesley Batista, dono da JBS. O senador
tucano foi gravado por pedindo R$ 2 milhões, alegando que seria usado em sua defesa
na Lava-Jato. Em nenhum momento da gravação, Aécio mencionava como pretendia
pagar o ‘empréstimo’, algo completamente improvável em qualquer situação desta A Polícia Federal flagrou Frederico Pacheco, primo do senador, recebendo R$ 500 mil
de um dos executivos da empresa. Frederico chegou a ser preso, junto com a irmã de
Aécio, Andrea Neves, na Operação Patmos.


Segundo a Procuradoria-Geral da República, o pagamento foi feito em espécie, em
quatro parcelas de R$ 500 mil cada, entre 5 de abril e 3 de maio, por meio de
Frederico e Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador Zezé Perrella
(PMDB-MG).
Caso Aécio tivesse um mínimo de dignidade, pediria aos colegas senadores que o
mantivessem afastado enquanto durarem as investigações e pediria ao Supremo que
julgasse logo seu caso. O tucano, que é presidente do PSDB, preferiu usar o manto do
cargo para se defender.

‘Salvadores De Aécio’ Despencam Em Ranking Que Avalia Qualidade Parlamentar




  • 21/10/2017
Os 44 senadores que livraram o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do afastamento do mandato e do recolhimento noturno imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foram ‘punidos’ no Ranking dos Políticos. O site funciona desde 2015 como ferramenta para medir a qualidade do trabalho de deputados federais e senadores. A última versão, que traz a classificação do melhor para o pior, foi atualizada nesta sexta-feira (20) e reduziu em 30 pontos o desempenho de cada parlamentar pró-Aécio.
Dentre eles, o mais bem colocado está apenas em 30º lugar, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), com 142 pontos. O ranking é liderado no momento pela senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), com 224 pontos. Na sequência do “top 5” aparecem o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), com 219 pontos, o senador Lasier Martins (PSD-RS), 204, o deputado Daniel Coelho (PSDB-MG), 199, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), 197.


Ana Amélia, Martins e Caiado votaram contra Aécio.
O Ranking dos Políticos é mantido por dois empresários de São Paulo e é uma iniciativa apartidária e sem fins lucrativos. A classificação utiliza dados públicos para pontuar deputados e senadores, de acordo com os seguintes critérios: gastos da verba de gabinete, assiduidade, fidelidade partidária, número de processos judiciais e voto em decisões importantes, como o episódio do senador tucano e a denúncia contra o presidente Michel Temer, que tramita na Câmara dos Deputados.
“Sabemos que existe uma enorme quantidade de corruptos e incompetentes na política brasileira”, afirma Renato Dias, diretor do ranking. “A boa notícia é que todos eles dependem de votos para permanecerem no Congresso. Quando o eleitor tem as informações sobre o desempenho de cada senador e deputado, podendo compará-los entre si, fica mais fácil votar de modo consciente, evitando que os maus políticos permaneçam no poder.”

Quem Financia

O site não aceita doações nem recebe qualquer tipo de patrocínio ou recursos externos, nem de pessoas físicas nem de instituições.
Todos os dados apresentados no Ranking dos Políticos são de origem oficial pública, sendo a maioria deles vindos diretamente do site do Congresso Nacional. Cada ponto ganho ou tirado está documentado, com a origem da informação e a fonte, de modo que qualquer pessoa possa conferir. O objetivo do site é de apenas buscar informações sobre o desempenho dos políticos e concentrá-las, de modo organizado, numa única página da internet.
Além da pontuação referente às informações públicas, o Ranking dos Políticos classifica o parlamentar de acordo com sua “qualidade legislativa”. Desse modo, o valor de cada lei votada é definido por um Conselho de Avaliação de Leis, levando em conta os critérios de combate à corrupção, aos privilégios e ao desperdício.

O Cerco Se Fechou Em Torno De Lula.





Lava Jato Apresenta 12 Telefonemas Entre O Laranja E O Compadre Do Petista

  • 21/10/2017
A situação do ex-presidente Lula fica cada vez mais delicada no processo relativo ao
recebimento de propina da Odebrecht. Após ter sido pressionado pelo juiz Sérgio
Moro para que comprovasse a versão de que sua mulher Marisa Letícia, falecida em
fevereiro, havia alugado a cobertura de São Bernardo do Campo, Lula acabou cedendo
e se comprometeu a apresentar os recibos referentes ao aluguel do imóvel.
A partir deste momento, o petista comprometeu completamente sua linha de defesa.
Acuados, Lula e seus advogados acabaram entregando cópias recibos ideologicamente
falsos para a Justiça. Moro então passou a pressionar a defesa do ex-presidente para
que fossem entregues os recibos originais e deu um prazo de cinco dias para que os
advogados de Lula acatassem sua determinação. O prazo se esgotou e nada da defesa
de Lula comparecer em juízo para entregar os recibos originais.


Nesta quinta-feira (19), , o Ministério Público Federal apresentou petição para que
registros telefônicos do empresário Glaucos da Costamarques sejam juntados ao
processo que envolve a suposta compra pela Odebrecht de um terreno para o Instituto Lula.
O relatório, produzido por meio da quebra do sigilo telefônico de Costamarques,
mostra que foram efetuadas 12 ligações entre o empresário e o advogado Roberto
Teixeira, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O contato se deu no
período em que Costamarques esteve internado no Hospital Sírio Libanês, em São
Paulo.
O empresário é suspeito de ter atuado como laranja na aquisição de um apartamento
em São Bernardo do Campo (SP), vizinho ao que Lula mora. O apartamento, segundo
a acusação, teria sido comprado com propina da Odebrecht, obtida por meio de
contratos com a Petrobras.
Costamarques afirma que só passou a receber os aluguéis do apartamento ao final de
2015. A defesa de Lula enviou à Justiça 26 recibos de aluguel com o objetivo de
comprovar os pagamentos.
O empresário, então, disse que todos os recibos foram assinados no mesmo dia,
durante sua internação. Segundo ele, após visita de Teixeira, o contador João Leite foi
ao hospital recolher sua assinatura.
O Sírio Libanês confirmou na semana passada que Leite fez três visitas a
Costamarques, mas disse que o nome de Teixeira não constava nos registros.
Na petição apresentada nesta quinta, a Procuradoria afirma que “os elementos ora
trazidos vêm a corroborar a narrativa feita por Glaucos da Costamarques a respeito de
ter sido contatado por Roberto Teixeira, durante a internação”.
O Ministério Público ressalta que as ligações foram “atípicas”. “(…) Ambos Glaucos e
Roberto Teixeira, anteriormente, só haviam mantido contatos telefônicos no dia
17/02/2015 e 23/10/2015.”
Com isso, o cerco se fechou completamente em torno de Lula. O processo, que está em
fase final de conclusão, promete render ao petista mais uma condenação. Novamente
pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ainda é bem provável que o juiz
Sérgio Moro também vá condenar o petista por falsidade ideológica, além de abrir
novos processos conta a defesa do petista, por fraude processual. Há ainda a
possibilidade do magistrado determinar a prisão de Lula, caso fique comprovado que
o petista, por meio de sua defesa, atuou na coação de testemunhas e incorreu no crime
de obstrução de Justiça, no caso relativo aos recibos falsos, produzido enquanto era
investigado

PROCURADOR: PROMISCUIDADE.



Essa É A Conclusão Que Se Tira Do Atual Quadro Político Brasileiro.
  • 21/10/2017
PROMISCUIDADE. Essa é a conclusão que se tira do atual quadro político brasileiro. Poucas vozes se levantam com autoridade moral. O que há são acusados ligando para ministros, compra e venda de votos no Congresso, barganhas com a vida e a dignidade de seres humanos, movimentos que se dizem livres, mas que servem apenas para encenar falsa indignação e alcançar alguma sinecura, e por aí vai.
Excelente entrevista com Cláudio Lembo:
Distante da política, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, 83, se vê como um observador neutro da vida pública nacional. Um dos fundadores do PFL (atual DEM) e filiado desde o início ao PSD, o advogado e professor universitário diz estar “isolado do mundo”.


Mas os olhos sob as espessas sobrancelhas dele seguem acompanhando fatos como o impeachment de Dilma Rousseff (do qual discordou) e a nova aventura eleitoral de Geraldo Alckmin (de quem foi vice). Em 2006, Lembo assumiu o governo após o tucano renunciar para tentar a Presidência. O ex-político falou à Folha em seu escritório, na região da avenida Paulista.
Folha – Como o sr. vê o Brasil?
Cláudio Lembo – Perdeu-se a compostura. Nós, eleitores, votamos mal e os políticos se portam mal. Ninguém mais tem honra, respeito a si próprio, à imagem na sociedade.
Como se chegou a esse ponto?
É um processo histórico. Nossos políticos sempre foram corruptos, as eleições são muito caras. Quem deformou a eleição foram os marqueteiros. Com as montagens cinematográficas de TV, veio a corrupção generalizada. E os empresários são corruptos tradicionalmente. Desde Mauá.
E a corrupção permanece depois da campanha?
Sim. Depois vem o vício. Antigamente o político abria mão do patrimônio para construir a carreira. Hoje ele se torna rico na política. Tudo isso é parte da deformação brasileira.
Quando concorreu a vice, o sr. identificava isso?
Não, porque eu vim por um caminho externo. Fui indicado para o Geraldo.
O sr. participou dessas conversas de campanha?
Não, nada, nada, nada. O Geraldo é muito fechado. [Ficava tudo centralizado] nele. O tucanato que fez tudo.
Algum partido está a salvo?
Não, ninguém. É um inferno generalizado. Você vê: o PT veio como um partido para salvar. Não há nada mais salvático que o PT, na origem. Uma busca da pureza, unindo a Igreja Católica da Teologia da Libertação, os intelectuais da USP, o operário lutador. E deu nisso que está aí.
O ex-ministro Antonio Palocci comparou o PT a uma seita.
Pode ser uma máfia, mas não uma seita. Seitas têm um líder religioso. Ali tem uma máfia com um líder mafioso.
Que seria quem? Lula?
É Lula. Simpático, porém mafioso. Dominou um grupo.
A pesquisa Datafolha mostra o petista em primeiro lugar na intenção de voto em 2018.
Mas no dia seguinte a pesquisa mostrou que o povo quer ele preso! O Brasil é um país muito incongruente [risos], não “fecha”. É louco.
O que o próximo presidente precisaria fazer?
Primeiro, um grande ministério. Mas aí ele não consegue apoio no Congresso. É aquilo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E o Congresso está acostumado ao estilo Temer e ao estilo Lula. Com estilo Dilma, cai! [risos]
O Niemeyer construiu um monstro. A praça dos Três Poderes é a ágora da promiscuidade. O Supremo, o Legislativo e o Executivo, tudo juntinho, todo mundo conversa. O Temer vai falar com o Gilmar [Mendes]. Para quê? Ele é ministro do Supremo, tem que manter imparcialidade total.
Fala-se que o Judiciário age como um ator político e que o Supremo está politizado.
Tem agido muito mal, entrando em assuntos que não são da sua competência. O Supremo está fraco, virou uma casa de surpresas.
O sr. conviveu com Alckmin. De que forma avalia a situação dele na disputa presidencial?
Difícil. Ele parte de um Estado que não tem penetração no país. São Paulo é muito paulista. Alckmin precisa conquistar o Brasil profundo.
Como vê as disputas e trocas de farpas dentro do PSDB?
É próprio do partido. É partido de intelectual, falso intelectual, entende? Eles criam conflitos artificiais e vaidades pessoais muito grandes.
O sr. já disse que estamos na mãos de “uma burguesia má, uma minoria branca perversa”.
E continuamos. Tudo igual. Uma parte dela foi para a cadeia e a outra parte continua no comando. A elite branca é a dona do Brasil. É hegemônica, é o vértice da sociedade.

RAIO-X

Nome
Cláudio Lembo (83 anos)
Formação
Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela USP e doutor em direito pela Mackenzie
Carreira
Um dos fundadores do PFL (depois DEM), é filiado ao PSD. Foi vice-governador de SP (2003-06) e governador (2006)
Atuação
É professor e advogado
VIA FOLHA

Ministros Do TCU, Passaram O Fim De Semana Numa Ilha Paradisíaca À Custa Da JBS — A Empresa Que Eles Investigavam





  • 21/10/2017
Em meados do ano passado, a Lava-Jato já havia deflagrado três dezenas de operações. As empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, ainda não haviam caído na teia, mas já eram alvo de investigações que apuravam suspeitas de pagamento de propina para obter financiamentos no BNDES e na Caixa Econômica Federal. Na época, longe de Brasília, no píer de uma mansão em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, uma pequena lancha aportou para apanhar um grupo que havia chegado para um fim de semana de lazer. Todos a bordo, a embarcação rumou mar adentro, até encontrar o iate Why Not. Para os ministros Vital do Rêgo e Bruno Dantas, ambos do Tribunal de Contas da União (TCU), era o começo de um animado dia de mordomias, com boa comida, champanhe e vinho da melhor qualidade, tudo diante de uma paisagem deslumbrante.
Joesley Batista já confessou ter habilidades especiais para corromper. Quando não pagava propina para atingir seus objetivos, usava outras artimanhas para capturar a simpatia de figuras importantes do poder. Não foi por outra razão que o empresário convidou os ministros para o passeio no sábado 11 de junho de 2016, quando o TCU já analisava os empréstimos suspeitos dos Batista. Combinar o encontro com Bruno Dantas e Vital do Rêgo foi relativamente fácil. O empresário ficara sabendo que os dois estavam no Rio, onde haviam participado, na véspera, de um seminário. O convite foi feito — e aceito.

No iate de 10 milhões de dólares, o grupo foi recebido pelo próprio Joesley. Antes de eles se reunirem em torno de uma mesa de queijos, o dono da JBS, hoje preso, apresentou a embarcação, de 30 metros de comprimento, três andares, quatro quartos (incluindo uma suíte de 20 metros quadrados), cozinha, sala de estar e um amplo deque com jacuzzi. Em pouco mais de uma hora, o Why Not chegou à casa de Joesley em Angra dos Reis, um château al mare construído em uma ilha, que o empresário comprara do apresentador Luciano Huck. A festa prosseguiu até o fim da noite. Só acabou depois de um jantar com camarões, lagostas e, claro, carnes especiais.
DF - CPI/PETROBRAS/JOS¿ CARLOS COSENZA - POLÕTICA - O presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do RÍgo (PMDB-PB), durante depoimento do atual diretor de Abastecimento da Petrobras, JosÈ Carlos Cosenza, ¿ CPI, nas comiss¿es do Senado Federal, em BrasÌlia, nesta quarta-feira. Cosenza afirmou que conversou com o ex-titular do cargo Paulo Roberto Costa por cinco vezes depois que Costa deixou a estatal, em 2012. Ele disse ter se reunido duas vezes com o ex-diretor e falado ao telefone em outras trÍs ocasi¿es. 29/10/2014 - Foto: ANDR¿ DUSEK/ESTAD¿O CONTE¿DO
Delatado – O ministro Vital do Rêgo e sua esposa: voto a favor da continuidade do processo contra a JBS (André Dusek/Estadão Conteúdo)
Só por financiamentos e aportes suspeitos do BNDES que somam mais de 10 bilhões de reais, a J&F e sócios são alvo de quatro processos no TCU. As ações apuram o tamanho do prejuízo, o nome dos responsáveis e, demonstradas as irregularidades, tentarão recuperar o dinheiro. Em apenas uma das transações, o TCU já identificou um prejuízo de mais de 300 milhões de reais aos cofres públicos.
Procurado por VEJA, Dantas — cujo nome já havia aparecido nos documentos da delação da JBS por ter voado em um jatinho da companhia entre o Recife e Brasília — negou que o encontro tenha servido para tentar cooptá-lo. Ele ressalta que, ainda no ano passado, chegou a votar a favor do prosseguimento de uma investigação sobre a companhia.
Brasil, BrasÌlia, DF. 21/01/2015. O ministro do TCU, Bruno Dantas durante sess¿o ordin·ria no plen·rio do TCU para analisar caso no qual a Petrobr·s tentou impedir que o TCU enviasse informaÁ¿es sobre a rede de gasodutos Gasene, suspeito de irregularidades (superfaturamento de 1800%), a forÁa tarefa respons·vel pela OperaÁ¿o Lava Jato e tambÈm sobre concess¿o da Ponte Rio-Niteroi, em BrasÌlia. - CrÈdito:DIDA SAMPAIO/ESTAD¿O CONTE¿DO/AE/CÛdigo imagem:179190
Apenas passeio – O ministro Bruno Dantas e sua então namorada: o encontro não tinha objetivo de cooptação (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O ministro Vital do Rêgo — citado na delação por ter recebido 8 milhões de reais das empresas de Joesley Batista durante sua campanha ao governo da Paraíba, em 2014 — não quis falar com VEJA. Em nota enviada após o fechamento da reportagem publicada na edição impressa da revista, ele afirmou que não mantém “amizade pessoal com o proprietário do grupo JBS e que se encontrou com o referido empresário apenas em ocasiões estritamente sociais”. Disse ainda que, por ter sido citado na delação, tem se declarado impedido de participar de julgamentos de processos de interesse da empresa. Na quarta-feira 18, Vital do Rêgo participou, no plenário do tribunal, de uma sessão que aprovou a abertura de mais uma investigação sobre os empréstimos concedidos pelo BNDES às empresas dos Batista. Sentado ao lado do relator, acompanhou com atenção a leitura dos detalhes do caso, mas não se pronunciou. Dantas, seu colega, não estava presente — ficará afastado do tribunal até o fim do ano, para participar de um curso no grão-ducado de Luxemburgo.
Em tempo, aquele seminário no Rio que antecedeu o passeio em Angra foi promovido pelo IDP, instituto do ministro Gilmar Mendes, do STF. O tema do seminário era o seguinte: mecanismos de defesa do interesse público.