sexta-feira, 26 de maio de 2017

Herson Capri na resistência ao retrocesso social de Temer






por Rodrigo Martins — publicado 26/05/2017 00h15, última modificação 25/05/2017 21h53


O experiente ator explica por que entrou no espinhoso debate da reforma da Previdência e lamenta a degradação dos Poderes da República

https://www.youtube.com/watch?v=pHfVpeOIm6Q


Do Rio de Janeiro

“O governo quer impor no Brasil regras para a Previdência muito mais duras que as dos países europeus. Isso não é justo! Ainda nem enfrentamos as desigualdades sociais dos séculos XIX e XX. Além de desiguais, temos muitas diferenças regionais”. O chamativo alerta figura na abertura do terceiro de uma série de dez vídeos que o ator Herson Capri gravou, sem cobrar cachê, para advertir a população sobre o enorme retrocesso social embutido na mudança de regras da aposentadoria proposta pela equipe econômica de Michel Temer.
Ao receber a reportagem de CartaCapital em seu apartamento no Lebon, na zona sul do Rio, o experiente ator perde o semblante sereno dos personagens que o consagraram nas novelas globais para lamentar a degradação dos Poderes da República e o clima de intolerância a assolar o País. Filho de Jair Freire, militante do extinto Partido Comunista Brasileiro, e com atuação forjada na resistência à ditadura, Capri sabe que suas posições o transformam em alvo dos fascistas de plantão, incapazes de aceitar a divergência.
Em 2014, viu sua casa invadida por um vizinho, inconformado com o apoio do ator à reeleição de Dilma Rousseff. Desde então, evita expor opiniões sem conhecer melhor o interlocutor. A cautela não o impede, porém, de manifestar-se nos momentos cruciais da vida política do País. Opôs-se ao impeachment de Dilma, por ele definido como “golpe”. Recentemente, recusou um convite para interpretar Fernando Henrique Cardoso no filme “Real – O Plano por Trás da História”, uma “peça de propaganda” para o PSDB. 
Agora, aventura-se no espinhoso debate da Previdência. Idealizada pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais, a série de vídeos, disseminada pelas redes sociais, teve a consultoria técnica do economista Eduardo Fagnani, professor da Unicamp, colunista do site de CartaCapital e amigo de longa data do artista. Na entrevista a seguir, concedida antes da divulgação das delações da JBS, que levaram à abertura de um inquérito contra Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça, Capri avalia que os ataques aos direitos dos trabalhadores estão inseridos em um contexto mais amplo, de degeneração das instituições democráticas no Brasil.
CartaCapital: Em 2014, você manifestou apoio à reeleição de Dilma Rousseff. Que avaliação faz do governo dela?Herson Capri:  Os governos petistas conseguiram retirar quase 40 milhões de brasileiros da pobreza. Durante esses quatro mandatos, vi os aeroportos cheios de pessoas que antes não podiam viajar de avião, muita gente comprar seu primeiro carro, adquirir eletrodomésticos. Concordo com esse foco no social. O governo é feito para atender quem mais precisa, quem sofre mais carências. Tenho críticas, como o fato de não focarem tanto na educação pública, algo fundamental, até para uma evolução civilizatória, e certo descuido com a saúde. No frigir dos ovos, acho que teve coisas mais positivas do que negativas, e muito mais positivas do que qualquer outro governo no Brasil.
CC: Como você avalia o impeachment de Dilma?HC: Tenho um respeito muito grande por Dilma por vários fatores. Primeiro, porque ela não tem telhado de vidro. Se ele existir, é ínfimo na comparação com a vidraça de Eduardo Cunha (condutor do processo de impeachment na Câmara, antes de ter o mandato cassado por seus pares), e das bancadas do PMDB e do PSDB, como a gente está vendo agora. Tenho medo do lugar comum, de ser repetitivo, mas o impeachment foi um golpe. Foi um golpe do Cunha, do PMDB, foi um golpe puxado pelo Aécio Neves e pelo PSDB. E também por Michel Temer, claro. Ele jamais teria um mandato de presidente da República por meio de eleição direta. Não consigo encontrar outro nome que não seja golpe. 
Previdência
'A reforma pressupõe que não exista nenhum prejuízo, mas não se trata de um negócio' (R. Parizotti/CUT)
CC: Ao declarar apoio a Dilma em 2014, em um artigo no jornal O Globo, você lembrou a sua participação na resistência à ditadura. Pode nos falar um pouco sobre a sua trajetória?HC: Meu pai era do Partido Comunista Brasileiro. Trazia para casa muita leitura, fazíamos debates. Volta e meia precisávamos fazer algum trabalho escolar e meus colegas vinham até o meu pai, que era bancário, mas também professor de português. Tinha muito movimento em casa, e não apenas para discussões políticas. Debatíamos filosofia. Meu tinha uma preocupação muito forte com a cultura. Minha mãe também, ela é jornalista, tem 86 anos, sempre com essa preocupação de busca pelo saber. Meu pai nos levava para ver filmes no único cinema de arte que tinha em Curitiba, que era o Cine Santa Maria. Às quartas-feiras via obras de Visconti, Truffaut, Antonioni, Eisenstein. Tinha uns 12, 13 anos à época, mas uma vontade enorme de saber mais e abrir horizontes.
CC: Então a formação política se deu casa...HC: Ali a gente teve uma formação, se não marxista, ao menos dialética. Comecei a fazer teatro em Curitiba, depois fui para São Paulo. Entrei na Faculdade de Economia da USP, voltei a fazer teatro. Participei de passeatas contra a ditadura, inclusive uma no Largo São Francisco. A Cavalaria da Polícia Militar vinha na nossa direção, e a gente tinha aquela manha de jogar bolinha de gude pra ver se os cavalos caiam. Quando me mudei para o Rio, tive um lapso político, busquei me concentrar no teatro.
Depois, passei a prestar atenção na atuação de Leonel Brizola. Como eu já tinha essa tendência para esquerda, foi fácil o Brizola me pegar pelo discurso dele, pela honestidade, pela franqueza, pelo desejo dele de ter um país mais igualitário. Fiz campanha para ele. Primeiro, para governador do Rio, depois para presidente em 1989. Como não passou para o segundo turno, apoiei Lula. Segui assim por várias eleições. Brizola no primeiro turno, Lula no segundo. Não sou intelectual nem expert em nada, mas sempre estive nesse espectro político da esquerda. Minha trajetória é clara.
CC: Por que você decidiu participar dessa campanha contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer?
HC: Tenho a mania de ler jornais e revistas de ideologias diferentes. Leio o diário O Globo, já assinei a revista Veja, o Estadão, a Folha de S.Paulo. Agora assino a CartaCapital, continuo a ler O Globo. Busco posições divergentes para formular a minha própria opinião. O que percebo nesse debate? Primeiro, a tal dívida da Previdência é altamente questionável. Há uma série de recursos que escapam para o lado e a gente não tem clareza de onde vai parar. Segundo, essa reforma pressupõe que não exista nenhum prejuízo, mas não se trata de um negócio. É uma instituição internacional de proteção do idoso, quando ele para de trabalhar e sai do mercado de trabalho.
Se precisar de 25 anos de contribuição para ter aposentadoria parcial, e muita gente precisa, pelas mais variadas razões, quem não conseguir terá muitos anos de contribuição desconsiderados. Pode ter até 24 anos jogados fora. O trabalhador vai pagar e não terá o benefício, nem para si nem para o filho, para ninguém. É um recuo muito grande. A reforma trabalhista também é um recuo muito grande, é um acinte. Toda a proteção conquistada ao longo de décadas de luta está sendo destruída.
CC: O Congresso liberou a terceirização irrestrita e agora pode aprovar a prevalência dos acordos entre patrões e empregados sobre a legislação. O que isso representa?HC: É mais uma tentativa de melhorar a situação para os empresários na relação com o trabalhador, mas melhorar para os patrões, para os proprietários, para as empresas. A terceirização é uma coisa maluca, né? Não existe mais a relação direta entre patrão e empregado, passa a existir um intermediário. Toda a relação trabalhista fica comprometida, porque há um outro na jogada. Quem vai se responsabilizar?
A prevalência do negociado sobre a legislação também é um retrocesso enorme. Quem vai ganhar? A empresa oferece o emprego ou não. O trabalhador precisa desse emprego. Se não aceitar na negociação um valor X, vão ter vários que vão aceitar. É uma negociação injusta, sacana. Os donos do poder econômico sempre vão ganhar. Paralelamente, busca-se restringir a atuação dos sindicatos. Não tem como, os patrões sempre vão ganhar. Essas duas reformas estão sendo feitas para os patrões e contra os trabalhadores.
Sergio Moro, Aécio Neves e Michel Temer
'Moro tem opinião política e ele revela isso em suas atitudes. Tem foto com o Aécio, com o Temer, com a turma do PSDB... Um juiz não pode ser parcial' (Diego Padgurschi/FolhaPress)
CC: Você costuma puxar esses debates no meio artístico?HC: A gente evita, né? Há uma agressividade muito grande, principalmente por parte das pessoas que foram a favor do impeachment. Nos blogs, nas redes sociais, sobram ataques pessoais, xingamentos, grosserias, não tem nenhum refinamento de discussão. Acabou, virou guerra. Hoje em dia, a gente tem que tomar cuidado, ver com quem conversa. Pode vir uma paulada do lado de lá. Se a pessoa for contra o seu pensamento, a agressividade é muito grande. É como pisar em ovos. Falo contigo aqui, mas preocupado em não ser radical, em não atingir ninguém, até porque não é essa a ideia. Voltamos um pouco àquele clima da ditadura, no qual a gente tem medo da opinião.
CC: Uma espécie de macartismo?
HC: Não, é mais uma autocensura, em função do que acontece no entorno. Há uma agressividade muito grande de quem defende Temer, de quem é favorável ao impeachment. Quando a gente argumenta, vem uma paulada, e não uma argumentação sólida, equilibrada. Quando escrevi aquele artigo apoiando a Dilma, um morador do prédio bateu na porta de casa e iniciou uma discussão, aos berros. Eu disse: “vai devagar, você está conversando com uma pessoa que pensa diferente, mas está invadindo a minha casa, está dentro da minha cozinha. Por favor, retire-se”. É uma coisa forte demais.
CC: Como você vê a atuação da força-tarefa da Lava Jato e, em particular, da turma da “República de Curitiba”?HC: Os três Poderes estão caóticos. Temos um Executivo não eleito, após a destituição de uma mulher com 54 milhões de votos. Temos um Legislativo que montou um golpe. O próprio Temer admitiu que, se a Dilma tivesse cedido à pressão de Cunha, ela não teria caído. E o Judiciário está seletivo, tendencioso. Não assume, mas é praticamente tucano.
O juiz Sergio Moro troca os pés pelas mãos. A ideia da Lava Jato, de combate à corrupção, é maravilhosa. É algo realmente necessário. Mas tudo anda meio torno. Até o combate à corrupção está sendo corrompido. Tem vazamento seletivo, uma puxada nítida e muito forte contra o Lula. Investigam o cara há três anos e não conseguem provar nada. Mesmo assim ele está nas manchetes: "É o grande chefe da corrupção brasileira". Nas últimas quatro eleições, a mídia foi contra o PT e nitidamente a favor do PSDB. Continuam batendo no Lula, mas o povo dá maioria pra ele nas pesquisas
CC: Moro não é isento?
HC: Moro já demonstrou que tem opinião política e ele coloca isso em suas atitudes. Tem foto com o Aécio, com o Temer, com a turma do PSDB. Ordenou uma condução coercitiva do Lula descabida, divulgou escutas ilegais e não oferece nada além de desculpas. Nem sei se pediu desculpas, segue firme. Um juiz não pode ser parcial. O mais complicado é a parcialidade com uma aura de imparcialidade. Nossa mídia faz isso também, é escancaradamente parcial, nas manchetes e no interior, mas se coloca como imparcial.
CC: Como você avalia a atuação da mídia nesse cenário?HC: A mídia é composta por grandes empresas. Não se furta a defender o Deus Mercado, a fazer campanha a favor de reformas vantajosas para eles, para reduzir custos e aumentar os lucros dos empresários. O que não dá para aceitar é o faz-de-conta da imparcialidade. E o pior: o Judiciário entrar nessa mesma viagem. A mídia está à direita no espectro político, mas o Judiciário não pode ser. Não é admissível ter uma Justiça partidária. 
CC: Nas eleições de 2018, você tem um candidato? HC: Se deixarem ele concorrer, voto no Lula de novo. Fora isso, não sei. Tenho uma simpatia pelo Ciro Gomes. Quem mais? Eu te pergunto: quem mais?

Acordo de delação premiada da JBS teve mais benefícios que os outros? Que critérios são usados? Entenda





Irmãos donos da JBS receberam imunidade total em troca de informações sobre esquema criminoso e não serão presos. Compare a delação deles com as de outros da Lava Jato.






 (Foto: Arte G1)



O acordo de delação premiada do grupo J&F, feito pelos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, e outros cinco delatores, prevê imunidade total aos irmãos. Eles não vão responder criminalmente pelo esquema de propinas que revelaram a procuradores da República e terão dez anos para pagar uma multa de R$ 225 milhões, termos que têm sido classificados como muito benéficos em comparação aos que foram acordados com outros delatores da Operação Lava Jato.
Segundo especialistas, os benefícios concedidos a quem delata seus pares num esquema criminoso dependem de critérios previstos em lei, mas também da análise de cada caso pelos procuradores das forças tarefas envolvidos em operações que já abrangem Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília.
Quanto melhor a colaboração, mais benefícios o réu obtém, como redução da pena, substituição por penas restritivas de direitos e, em alguns casos, o perdão da punição. A lei indica vários critérios para atenuar as penas dos delatores, entre eles:
  • a recuperação total ou parcial do dinheiro desviado
  • revelação da estrutura hierárquica e da divisão das tarefas da organização criminosa
  • gravidade dos crimes cometidos
  • tempo que demorou para delatar
  • se foi o primeiro a delatar o esquema
  • repercussão social do crime cometido
  • personalidade do delator
Na Operação Lava Jato, a aplicação de um ou mais desses critérios tem resultado em benefícios diferentes aos delatores. O MPF avalia quais deles podem ser usados e se a delação será efetiva, ou seja, terá o poder de ajudar nas investigações. Se sim, ela pode ser feita até depois de uma sentença. O delator também deve falar espontaneamente, ou seja, não pode ser forçado a revelar nada. Depois a delação ainda precisa ser homologada pelo Judiciário, que avalia se tudo foi feito conforme a lei. Se o delator mentir ou as informações não forem úteis ou confirmadas, a delação pode ser desfeita e seus benefícios, cassados.


No caso dos donos da JBS, a delação de um esquema de propina que envolvia pagamentos a mais de 1,8 mil políticos em todo o país, incluindo ainda gravação de conversa com o presidente da República, Michel Temer, e o senador Aécio Neves (PSDB), foi considerada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, relevante o suficiente para conceder o perdão judicial aos irmãos, a promessa de não oferecimento de denúncias relativas aos crimes revelados e ainda proteção policial caso precisassem.
O acordo em muito difere do estabelecido anteriormente com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira. Marcelo, que chegou a criticar quem dedura, foi preso em junho de 2015, mas só aceitou fazer delação após a descoberta de um departamento de propina na empresa pela Operação Lava Jato. A delação do grupo foi homologada em janeiro deste ano, prevendo a redução de suas eventuais penas para dez anos. Até agora, ele foi condenado em apenas um processo, a 19 anos e 4 meses de prisão, dos quais cumprirá os primeiros dois anos e meio em regime fechado.
Ainda assim, a pena é mais dura em comparação com delatores que colaboraram no início das investigações. A maioria deles passou a cumprir regime domiciliar assim que fechou o acordo. Marcelo ainda deverá cumprir mais de um ano de regime fechado. A redução na pena só foi possível, segundo procuradores, por causa da abrangência das revelações da apelidada "delação do fim do mundo" (veja tudo sobre a delação da Odebrecht).

Outros delatores

Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, foi solto antes mesmo da homologação de sua delação. Ele teve a pena semelhante à de Marcelo Odebrecht, de 18 anos no regime fechado, que foi reduzida para um ano de prisão domiciliar com tornozeleira, dez meses de regime semiaberto diferenciado e entre dois e cinco anos de regime aberto diferenciado.
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, foi condenado a cumprir ao menos 70 anos de prisão, mas sua pena máxima foi negociada para um máximo de três anos em domiciliar. Ele foi o primeiro delator do esquema de corrupção na Petrobras. Cumpriu um ano de prisão domiciliar e já tirou a tornozeleira eletrônica.
Alberto Youssef, que assinou a delação após Costa e cujas penas somadas superam os 120 anos, teve um benefício maior. Com um máximo de três anos preso, ele pôde progredir diretamente ao regime aberto e continua apenas com a tornozeleira.
O ex-senador Delcídio do Amaral teve a pena reduzida para um ano de semiaberto domiciliar e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró obteve pena máxima de um ano, cinco meses e nove dias em regime fechado e já está com tornozeleira de monitoramento eletrônico.
Segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", o acordo com delatores da Odebrecht também é o único com uma cláusula de cumprimento imediato da pena após a homologação dos acordos, ou seja, aqueles que não tenham sido condenados já poderão ser presos mesmo sem sentença. Do total de 77 delatores, apenas cinco foram condenados. O conteúdo das delações permanece sob sigilo.

Delatores e suas penas*

  • Marcelo Odebrecht - 19 anos e 4 meses de prisão - Acordo prevê máxima de dez anos, sendo dois anos e meio em regime fechado (permanece preso);
  • Otávio Marques Azevedo - 18 anos de prisão - Cumpre no máximo um ano em prisão domiciliar (permanece em domiciliar);
  • Alberto Youssef - penas somam 122 anos - Máximo três anos, com progressão diretamente para o regime aberto, sem passar pelo semiaberto (está em regime aberto diferenciado, com tornozeleira);
  • Delcídio do Amaral - 15 anos de prisão - Cumpre um ano e seis meses de semiaberto domiciliar mais seis meses de serviços à comunidade;
  • Nestor Cerveró - 24 anos de prisão - Cumpre um ano, cinco meses e nove dias em regime fechado (está com tornozeleira);
  • Paulo Roberto Costa - penas de 75 anos de prisão - Máxima de três anos em domiciliar (está em regime aberto).
  • Veja o que todos os delatores disseram e seus benefícios
*As penas ainda podem mudar, já que há processos em andamento. Os acordos também prevêem outras sanções, como devolução do dinheiro e pagamento de multas

Benefícios excessivos?

A Procuradoria-Geral da República justificou que o acordo com os irmãos Batista levou em conta não só a gravidade do esquema revelado, como também a apresentação espontânea dos delatores. Segundo a PGR, Joesley Batista colocou a vida em risco ao participar das chamadas ações controladas, ou seja, gravou as conversas que teve com políticos e negociou a entrega de malas de dinheiro. A delação da JBS foi considerada eficiente: para os investigadores, os delatores entregaram provas contundentes sobre crimes que estavam em andamento.
"É evidente que, se fosse possível, jamais celebraríamos acordos de colaboração com nenhum criminoso. No campo plasmável da vontade, desejamos o rigor máximo para todos os que transgridem os limites da lei penal, sem concessões. Mas, desafortunadamente, o caminho tradicional para aplicação da lei penal tem-se mostrado ineficaz e instrumento de impunidade" (Rodrigo Janot, procurador-geral da República, em artigo no jornal 'Folha de S.Paulo')
Já para o Instituto Brasileiro do Direito de Defesa (Ibradd), o acordo foi excessivamente benéfico, inclusive se comparado aos anteriormente feitos na Lava Jato. “Essa homologação foi contrária de tudo que vinha sendo visto na Lava Jato, dando benesses aos envolvidos”, afirma Roberto Parentoni, presidente do Ibradd, ao G1. O instituto entrou com um mandado de segurança no STF para cassar o acordo. “Quer dizer que vou falar para meus filhos que roubar vale a pena?”, questiona.
O instituto critica ainda o possível uso de informações privilegiadas pelo frigorífico em negociações de dólar futuro e ações e afirma que a empresa se recusou a pagar os R$ 11 bilhões de multa requerida pelo Ministério Público em acordo de leniência. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu sete processos para investigar a conduta, que pode configurar crime financeiro. Já as negociações sobre a leniência, que é a delação feita no âmbito de empresa, continuam.
Segundo o especialista em direito penal e professor do Centro Preparatório Jurídico (CPJUR), Leonardo Pantaleão, não basta o acordo ser endossado pelo Ministério Público para ter validade. Ele precisa ser homologado pelo Judiciário, o que ocorreu no caso da JBS. “O que tem criado um desconforto é que a gente acabou estabelecendo um critério de responsabilidade criminosa às avessas. O criminoso que praticou a maior quantidade de crimes ficou com a menor pena. Fica desproporcional se for comparar em relação a outras pessoas que se valeram do instituto da colaboração premiada”, considera.
Para Pantaleão, “como não existem regras muito objetivas relacionadas a um parâmetro de acordo, isso fica num juízo muito subjetivo e acaba muitas vezes possibilitando com que a gente se depare com algo do gênero”. “Como avaliar se a JBS colaborou mais que a Odebrecht? Acaba com aquela sensação de que o crime compensa. Tenho que praticar coisas muito grandes porque depois eu entro como colaborador e fico sem qualquer sequela.”
"Como não existem regras muito objetivas relacionadas a um parâmetro de acordo, isso fica num juízo muito subjetivo e acaba muitas vezes possibilitando com que a gente se depare com algo do gênero" (Leonardo Pantaleão, especialista em direito penal e professor do Centro Preparatório Jurídico)
Para Walter Bittar, doutor em ciências criminais e professor da PUC do Paraná, autor de um livro sobre delação premiada, “o prêmio está excessivo, está desproporcional, não é razoável”. Na opinião do professor, a lei mais atual sobre as colaborações, de 2013, não prevê quais os benefícios podem ser dados ao delator, o que permite uma interpretação “muito extensiva”. “Extremamente benéfica ao ponto de que a mim me dá a possibilidade de criminalidade de risco calculado”, avalia. “Não é que a delação é ruim, mas ela não pode servir com essa generosidade toda.”
O advogado Guilherme Dorta, especialista em direito penal, também considera que a legislação é subjetiva. “Não teve prisão efetiva, foi muito brando sim”, diz ele sobre o acordo da JBS. “Teve um desvio de bilhões, essa multa não é nada. Saíram completamente ilesos. O acordo foi muito desproporcional em relação aos outros, que devolveram valores proporcionalmente bem maiores e muitos continuaram presos”, complementa.
Em artigo para o jornal "Folha de S.Paulo", o procurador-geral da República rebate as críticas: "Os cidadãos honestos deste país devem se perguntar: se tantos críticos tinham o mapa do caminho, a solução perfeita forjada em suas mentes utopistas que solucionaria sem custos o descalabro econômico, moral e político para o qual fomos arrastados, por que não o apresentaram?"
"Quando acreditávamos que nada mais poderia ser desnudado em termos de corrupção, esse acordo demonstrou que três anos de intenso trabalho não foram suficientes para intimidar um sistema político ultrapassado e rapineiro. Autoridades em altos cargos continuavam a corromper, e ainda se deixavam ser corrompidos, sem receios ou pudor. Isso, no entanto, pareceu de pouca gravidade para alguns", afirma Janot.
G1 enviou ao MPF do Paraná um e-mail questionando se os acordos de delação no âmbito da força tarefa da Lava Jato têm sido excessivamente benéficos. Em resposta, a assessoria de imprensa do órgão informa que o art. 4º da Lei 12.850 (Lei de Organizações Criminosas) prevê, inclusive, a perdão total nos acordos.
Segundo o artigo mencionado, “o juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até dois terços a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal”.
Procurador-geral da República defende acordo de delação da JBS



Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira


Esses corruptos são genocidas, são eles que matam as pessoas que estão morrendo nas filas dos hospitais em todo Brasil. Verdadeiramente os maiores traidores da pátria e seu povo!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cunha ameaçava com delação bomba caso sua mulher e filhas fossem presas







Justiça Partidária


O grito O último recado enviado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi tão colérico que fez até seus aliados mais fiéis se afastarem. A um parlamentar, ele avisou que chegou ao limite e ameaçou fazer delação premiada. Disse que tem material para “explodir” o mundo empresarial, a começar por gigantes do setor de carne, já abalados pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela PF no último mês. Seus advogados, porém, continuam negando que ele tenha disposição em fazê-lo.


Caminho Quem acompanha de perto os desdobramentos da Lava Jato acredita que Cunha seguirá o exemplo de Duda Mendonça e tentará fechar acordo de colaboração com a PF, e não com os procuradores. Dizem ainda que ele e o corretor Lúcio Funaro, também preso, jogam juntos.


Por um triz O Planalto foi informado de que Eduardo Cunha está mandado recados ao governo, a aliados no Congresso e a ministros do STJ. Fechará acordo de delação premiada caso sua família fique mais exposta à Lava Jato.




Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

QUEM TEM? TEM MEDO!

Nunca se esqueçam de que religião não tem e nunca terá JUSTIÇA! Pois isso fere o propósito de fé...

Ele é uma potencia e altamente inteligente, coloca o Lula no bolso muitas vezes. Lula tem espaço ele não? Restrito em plano cartesiano e jogando com o regulamento consegue esmagar tudo e todos! Obs. Ele pertence a maior bancada do Congresso com no mínimo 1/3 "EVANGÉLICOS" Deus é dono de todo ouro e prata no planeta, o evangélico é tesoureiro do senhor nosso DEUS! Quem tem dignidade e moral por mais correto que seja para chamar o Evangélico de Ladrão?



Eduardo Cosentino da Cunha (Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1958) é um economista, radialista e político brasileiro. Evangélico, é membro da igreja neopentecostal Sara Nossa Terra. Atualmente é ex deputado federal pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro pelo Rio de Janeiro e desde 1º de fevereiro de 2015 presidia a Câmara dos Deputados.




Filiado ao Partido da Reconstrução Nacional, foi presidente das Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro durante o Governo Collor. Enquanto filiado ao Partido Progressista Brasileiro, comandou a Companhia Estadual de Habitação no mandato do governador Anthony Garotinho. Candidatou-se pela primeira vez a um cargo eletivo em 1998, tendo ficado como suplente de deputado estadual e assumido uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado em 2001. Elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2002, ainda no PPB, sendo reeleito pelo PMDB nas eleições de 2006, 2010 e 2014.