segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Câmara deve votar negociação das dívidas estaduais antes do recesso



Projeto, já aprovado no Senado, foi negociado entre o Ministério da Fazenda e governadores de vários estados ao longo dos últimos meses.


Câmara deve votar negociação das dívidas estaduais antes do recesso


Camara dos Deputados marcou sessões para estas segunda (19) e terça (20) com o objetivo de votar o projeto de lei que trata da renegociação das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União.

Esta é a última semana de trabalhos no Congresso Nacional antes do recesso parlamentar. No Senado, sequer haverá sessão ao longo dos próximos dias. Os trabalhos serão retomados em 2 de fevereiro nas duas Casas.

A proposta de renegociação das dívidas é uma resposta do Legislativo ao pedido de vários governadores de estados que enfrentam crises financeiras, entre os quais o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O projeto que deverá ser analisado nesta semana já foi aprovado na Câmara, mas, ao ser votado no Senado, sofreu alterações, o que fez com que a proposta precisasse de nova aprovação dos deputados.

Os senadores acolheram uma série de sugestões negociadas entre o Ministério da Fazenda e governadores ao longo dos últimos meses.

Entre as emendas (sugestões de alteração ao texto original) aprovadas está uma que suspende, por até três anos, as dívidas dos estados em crise com a União, por meio de um regime de recuperação fiscal.

Em contrapartida, os estados deverão cumprir uma série de contrapartidas exigidas pelo governo federal.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Henry Heimlich, criador da famosa 'manobra' médica, morre aos 96 anos

Movimento criado em 1974 consiste em pressão na boca do estômago. Médico havia salvado mulher de 86 anos com sua manobra há 6 meses.



O médico Henry Heimlich, criador da manobra que leva seu nome (Foto: Divulgação)
O médico Henry Heimlich, criador da manobra que leva seu nome (Foto: Divulgação)


O médico Henry Heimlich, que deu seu nome a uma famosa técnica de primeiros socorros, morreu aos 96 anos, informou a agência AP.
A "manobra de Heimlich", inventada em 1974 e também conhecida como compressão abdominal, consiste em se colocar atrás da vítima de um sufocamento e provocar a expulsão do que está o
bstruindo a via aérea ao fazer uma forte pressão com as mãos na boca do estômago da pessoa.
Heimlich morreu na manhã de sábdo em um hospital em Cincinnati. De acrodo com seu filho, ele sofreu um ataque cardíaco.
Médico salvou mulher de 86 anos
Em maio passado, Heimlich salvou uma colega de sua residência para idosos utilizando a sua famosa "manobra".
"Eu pedi um hambúrguer, e a próxima coisa que me lembro é que não conseguia respirar, eu estava sufocando", relatou ao jornal Patty Ris, de 87 anos, salva no meio do jantar pelo Dr. Heimlich.
"Eu vi seu rosto contorcido, sua pele ficando escura e não podia falar. Eu sabia que ela estava sufocando", disse o médico americano ao "New York Times".
"Apliquei [a manobra] e ela se recuperou rapidamente", disse ao "Cincinnati Enquirer". O ocorrido "me permitiu perceber o quão maravilhoso é ser capaz de salvar todas essas vidas", acrescentou.


Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Apesar do sofrimento é preciso lidar com a morte com força e coragem. É preciso pensar que, embora essa pessoa querida não esteja mais entre nós, o amor nunca vai embora. O amor e as boas memórias sempre ficam depois da morte.


Descanse em Paz  Dr. Henry!

SÉRGIO CABRAL JÁ ESTÁ RECOLHIDO AO COMPLEXO DE GERICINÓ, NO RIO



Redação


DESEMBARGADOR ABEL GOMES MANDE CABRAL PARA GERICINÓ, NO RIO
Publicado: 17 de dezembro de 2016 às 12:31 - Atualizado às 22:31


SÉRGIO CABRAL FOI CAPTURADO EM 17 DE NOVEMBRO PELA OPERAÇÃO CALICUTE, DESDOBRAMENTO DA LAVA JATO.


O ex-governador do Rio Sergio Cabral (PMDB) já está no Complexo Penitenciário de Gericinó. Ele chegou ao local pouco antes das 17h, após passar por exames no Instituto Médico Legal (IML). Na chegada ao complexo prisional, que fica na zona norte do Rio, um grupo de bombeiros militares usando toucas de Papai Noel estourou fogos e brindou com espumante. Neste sábado completa um mês que Sergio Cabral foi preso.

Cabral estava detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde o final de semana passado, mas teve seu retorno ao Rio determinado pela Justiça na última sexta-feira (16). Preso no Rio de Janeiro desde o dia 17 de novembro durante a Operação Calicute, um dos desdobramentos da Lava Jato, o ex-governador havia sido transferido para Curitiba na semana passada por decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, que considerara que Cabral vinha recebendo visitas irregulares no Complexo de Gericinó.

O retorno do peemedebista ao Rio foi determinado pelo desembargador Abel Gomes, relator da Calicute, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). O magistrado concedeu liminar a pedido dos advogados de Cabral. O ex-governador deixou Curitiba no fim da manhã deste sábado e desembarcou no Aeroporto do Galeão no início da tarde, em avião da Polícia Federal.

Na decisão, Gomes assinalou que a transferência para o Rio se dava "por razões humanitárias e visando à utilização de meios que possibilitem a reconstrução pessoal do preso". Ele também destacou que "é imperioso que o custodiado fique próximo ao seu domicílio e meio familiar, à exceção dos casos em que seja concretamente verificada a necessidade da transferência por interesse da segurança pública ou do custodiado".

Na sexta-feira, Sergio Cabral também se tornou réu na Operação Lava Jato por suspeita de corrupção nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O juiz Sergio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, acatou denúncia contra o ex-governador, a ex-primeira dama Adriana Ancelmo e outras cinco pessoas.

A decisão, contudo, não teve influência sobre a liminar concedida por Abel Gomes. "Nem mesmo o fato de o paciente (Sergio Cabral) estar respondendo a processo penal também na Justiça Federal do Paraná seria motivo para que ele lá permaneça pois também está respondendo a processo aqui na Justiça Federal do Rio de Janeiro, e esta é a cidade de seu domicílio e de sua família, a qual, nos termos da legislação, prevalece para sua custódia", escreveu o magistrado.







Por que a prática de caixa 2 é tão comum no Brasil




Especialistas ouvidos por ZH dizem que ato é estimulado por dificuldades de fiscalização e punições brandas



Por: Marcelo Gonzatto
16/12/2016 - 22h07min | Atualizada em 17/12/2016 - 09h41min



Por que a prática de caixa 2 é tão comum no Brasil Gabriel Renner / Arte ZH/
Foto: Gabriel Renner / Arte ZH 
Os recentes escândalos de corrupção escancaram um fato que a maioria dos políticos do país conhece há décadas: o Brasil é a república do caixa 2. Para promotores, advogados e representantes da classe política, a irrigação das campanhas com recursos não declarados tem origem em interesses tão ocultos quanto o dinheiro repassado às escondidas, e é estimulada por dificuldades de fiscalização e punições brandas.
Estimar a frequência das doações ilegais é um desafio em razão da dificuldade para comprová-las. Nos últimos dias, o vazamento de delações da Odebrecht apenas confirmou que é uma prática comum e milionária. 
Um aplicativo lançado neste ano pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fornece outras pistas sobre a influência das fortunas na disputa pelos cargos públicos. O programa, que permite o envio de denúncias anônimas de caixa 2, contabilizou 429 relatos em todo o país nas últimas eleições — dos quais 186 passaram por uma triagem inicial em busca de indícios mínimos.
— O caixa 2 geralmente ocorre entre quatro paredes e tem pouca materialidade. Por isso, costuma vir à tona quando alguém delata ou há uma gravação — afirma o presidente da OAB-RS, Ricardo Breier.
O secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, ampliou o debate sobre o tema ao afirmar a empresários de Carlos Barbosa que "anjo não se elege" — e deixou no ar a dúvida de que ele próprio tenha praticado. O empresário e ex-deputado federal Luis Roberto Ponte (PMDB) acrescenta que essa prática é tão antiga quanto a democracia brasileira. O empresário e ex-deputado federal Luís Roberto Ponte acrescenta que essa prática é tão antiga quanto a democracia brasileira.
— Isso sempre ocorreu. Mas nem sempre o doador pede algo em troca. Na maioria das vezes, ele só não quer aparecer vinculado a um candidato — afirma Ponte.
Para o ex-deputado, o anonimato evitaria o risco de retaliações por parte de outros candidatos. Mas o caixa 2 também serve para mascarar trocas de favores entre políticos e empresários — que esperam ser futuramente beneficiados em contratos e licitações pelo seu apadrinhado. No caso da Odebrecht, suspeita-se que a verba ajudava a aprovar leis de interesse da companhia no Congresso.
— O caixa 2 não serve apenas para repassar recursos não declarados. Pode envolver corrupção ou lavagem de dinheiro. É um vetor para outros crimes — sustenta o promotor de Justiça e coordenador do Gabinete Eleitoral do Ministério Público Estadual, Rodrigo Zilio.
A doação oculta é um instrumento, ainda, para manejar recursos que as empresas escondem da Receita.
— Há uma variedade enorme de meios para manter escondido esse dinheiro não declarado. Quanto maior a empresa, mais sofisticados são esses meios. Mas sempre é possível — observa um contador que prefere não ter o nome publicado.
Como o risco de punição sempre foi baixo, e as penas, brandas, muitos empresários e políticos optam pela contabilidade paralela.
— O caixa 2 existe porque não há fiscalização. Se houver um controle maior sobre as campanhas, vão ver que os candidatos gastam muito mais do que declaram — diz o advogado especialista em Direito Eleitoral Décio Itiberê.
Zilio argumenta que o cronograma eleitoral deixa pouco tempo para o trabalho de averiguação. A punição tímida também estimula a irregularidade: o caixa 2 costuma ser enquadrado no artigo 350 do Código Eleitoral, que prevê reclusão de um a cinco anos e multa.
— A pena não é condizente com esse tipo de crime, principalmente quando envolve recursos expressivos — opina o procurador regional eleitoral no Rio Grande do Sul pelo Ministério Público Federal, Marcelo Veiga Beckhausen.
Combate ao caixa 2 exige conjunto de medidas
A exemplo de uma doença complexa e difícil de curar, não há um remédio único capaz de eliminar a prática do caixa 2 do cotidiano político brasileiro. Para promotores, procuradores e advogados, é necessário um conjunto de medidas combinadas para esfriar a febre nacional por doações não contabilizadas. 
O coquetel de ações antifraude inclui mudanças na legislação eleitoral e propostas de reforma no sistema político brasileiro. A dúvida é se quem foi eleito por meio do modelo atual tem interesse real em mudá-lo.
Para o empresário e ex-deputado federal Luís Roberto Ponte, o remédio mais eficaz contra esse tipo de irregularidade é uma reforma política que elimine a utilidade das fortunas na disputa. O voto distrital ou a votação em lista, segundo ele, seriam maneiras de baratear as campanhas a ponto de o financiamento privado não fazer mais sentido.
— Hoje, um candidato a deputado tem de viajar o Estado inteiro de norte a sul queimando tempo e gasolina. É uma aberração que seria eliminada com o voto distrital. Já o voto em lista evita que o candidato fique se acotovelando contra colegas que estão disputando os mesmos votos que ele — argumenta Ponte.
O promotor de Justiça Rodrigo Zilio, coordenador do Gabinete Eleitoral do Ministério Público Estadual, acredita que é possível avançar no combate às contribuições ilegais mesmo sob o atual formato de votação. Isso seria possível dando mais prazo para o MP apurar suspeitas ao longo do calendário eleitoral. 
Hoje, promotores e procuradores precisam investigar casos suspeitos em até dois meses, aproximadamente, para terem tempo hábil de entrar com ações capazes de cassar o diploma dos eleitos envolvidos nesse tipo de crime.
— Só vai se resolver esse problema de modo mais adequado se começarmos a repensar prazos e colocar um calendário realista para a fiscalização dos gastos eleitorais — diz o promotor
Zilio também afirma que, quando um juiz desaprova as contas de um candidato, após receber e analisar os documentos de campanha, isso não gera qualquer impedimento prático automaticamente. É preciso entrar com uma ação para que se abra processo capaz de levar a sanção como a perda do mandato.
— A desaprovação das contas deveria causar algum impedimento ao candidato — opina Zilio.
O promotor também lembra que as normas atuais preveem a declaração das arrecadações a cada 72 horas e a apresentação de um relatório antecipado em setembro — o que facilitaria o acompanhamento das contas de campanha. Mas, como a lei não indica punições a quem descumprir esses itens, eles costumam ser ignorados.
Como é a engrenagem do caixa 2
A empresa
Hoje, como a legislação vetou a doação de pessoas jurídicas, o caixa 2 é o único recurso para repassar dinheiro a um candidato. Mesmo quando a lei ainda permitia, empresas optavam por não declarar o recurso por diferentes motivos. Alguns dos principais:
— Origem ilícita do dinheiro.
— Tentativa de esconder a relação com um determinado candidato de quem espera favores caso ele seja eleito, como vantagens em contratos e licitações.
— Tentativa de esconder apoio a um candidato ou partido para não despertar inconformidade em outro candidato ou partido, sob o temor de que poderiam prejudicar a empresa caso eleitos.
A doação
— Costuma ser feita diretamente a um candidato ou por meio de um intermediário, que distribui o dinheiro para um ou mais correligionários.
— Muitas vezes, para dificultar a fiscalização dos órgãos de controle, os pagamentos são feitos em dinheiro vivo — que sempre deixa menos rastros.
O candidato
O concorrente a um cargo político pode obter diferentes vantagens com o dinheiro não contabilizado:
— Pela norma atual, é a única forma de receber dinheiro de empresa.
— Mesmo pela legislação anterior, se a quantia fosse muito alta poderia configurar abuso de poder econômico. Assim, ao menos uma parte do recurso poderia ser encaminhada via caixa 2 para pagar serviços de alto custo como programas de TV.
— Ocultar a associação a alguma empresa que pretende beneficiar caso eleito.
A fiscalização
O caixa 2 sobrevive porque o sistema político o favorece, e a fiscalização é difícil. Algumas das principais dificuldades:
— O Ministério Público tem pouco tempo (que varia, em média, entre 45 dias e dois meses) para investigar e comprovar eventuais irregularidades a tempo de entrar com ação para cassar o mandato.
— É difícil obter provas para comprovar caixa 2. Quando é feito com dinheiro vivo, muitas vezes depende de delação ou gravação. Casos que exigem quebra de sigilo bancário, que dependem de decisão judicial, esbarram na falta de tempo para investigar.
Os prazos para apurar gastos eleitorais
1. O candidato tem até 30 dias após a eleição para apresentar suas contas. Quem passa para o segundo turno pode entregá-las até 20 dias depois da votação final.
2. O julgamento das contas na Justiça Eleitoral deve ocorrer até três dias antes da diplomação — cujo prazo final cai em 19 de dezembro.
3. Eventuais irregularidades precisam ser apontadas em ações encaminhadas à Justiça Eleitoral até 15 dias depois da diplomação dos eleitos.
— A norma que prevê declaração dos gastos de campanha a cada 72h via internet e prazo para entrega de relatório antecipado à Justiça Eleitoral não prevê sanções. Assim, essa prática, que poderia facilitar a fiscalização, é descumprida pela grande maioria dos candidatos.

O futuro do mercado de trabalho a partir da reforma da Previdência




Aliada à transição demográfica do Brasil, proposta eleva desafio de criar vagas para pessoas acima de 60 anos. Especialistas apontam necessidade de mudanças na legislação e de crescimento da economia



Por: Caio Cigana
16/12/2016 - 22h00min | Atualizada em 16/12/2016 - 22h00min


O futuro do mercado de trabalho a partir da reforma da Previdência Bruno Alencastro / Anderson Fetter / Jefferson Botega / Agência RBS/Agência RBS
Pedro (esq.), Solange e Edgar (dir.): mercado de trabalho terá de se adaptar ao envelhecimento da população brasileiraFoto: Bruno Alencastro / Anderson Fetter / Jefferson Botega / Agência RBS / Agência RBS 
           O cenário traçado para o Brasil nas próximas décadas de transformação do mercado de trabalho pela transição demográfica foi reforçado pela proposta de reforma da Previdência posta na mesa pelo governo federal. Além de o país estar em uma transição acelerada rumo à mudança de um perfil de nação jovem para uma população mais madura, a fixação de idade mínima de 65 anos para se aposentar no regime geral aliada à necessidade de contribuir por 49 anos para ter direito a 100% do benefício devem fazer com que um número cada vez maior de pessoas atravessem a terceira idade na ativa. Para ter direito ao benefício integral, hoje limitado ao teto de R$ 5.189,82, será necessário, em muitos casos, permanecer na labuta após os 70 anos.
O aumento forçado do contingente de trabalhadores de cabelos brancos traz muitas perguntas ainda sem resposta definitiva. Onde essas pessoas vão trabalhar? Como deverá ser a adaptação das empresas? De que forma sexagenários e septuagenários conseguirão se manter produtivos? Como absorver jovens e idosos ao mesmo tempo?
Especialista no tema do trabalho, o sociólogo José Pastore, professor da Universidade de São Paulo (USP), vê um imenso desafio pela frente. Além da premissa de a economia crescer para que os empregos sejam gerados, seriam necessárias reformas adicionais em outras áreas, a exemplo do que ocorreu em mercados mais maduros, como nações da Europa e o Japão. Uma necessidade será adaptar a legislação que rege as relações de trabalho, sustenta Pastore.
— Nesses países foram feitas várias inovações, criando novas modalidades de contratações, como o trabalho intermitente, o trabalho casual, por hora. Com essas mudanças na legislação trabalhista, essas nações conseguiram acomodar melhor os idosos, mas isso não quer dizer que conseguiram resolver o problema — observa Pastore.
Como a evolução na área da saúde tem levado ao aumento da longevidade, os trabalhadores também devem ter vitalidade maior a despeito de idade mais avançada. Mesmo assim, o futuro do trabalho não será necessariamente assalariado e com carteira assinada, alerta Wolnei Tadeu Ferreira, diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Formas alternativas de trabalho deverão crescer:
— As pessoas mais qualificadas poderão optar pelo empreendedorismo, oferecer seu conhecimento com consultoria ou dando aula. Quem é mais de baixa renda também pode ser um microempreendedor e desenvolver uma atividade na sua residência, na área de alimentação, marceneiro, motorista, algo paralelo que dê uma renda que complemente a aposentadoria. Uma pessoa poderá trabalhar para vários contratantes — exemplifica Ferreira.
Bruno Ottoni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que essa será uma transição no mercado de trabalho que outros países já experimentaram e o Brasil também deve passar. Com o aumento da expectativa de vida, a capacidade laboral dos brasileiros também será mais longeva, avalia Ottoni. Mesmo assim, será uma adaptação capaz de gerar desconforto. Quem atua no mercado financeiro poderá ter de virar motorista do Uber e, quem vive nas capitais, talvez tenha de se mudar para o Interior em busca de colocação, afirma.
— Os brasileiros se aposentam muito cedo. A média no Brasil, no sistema geral, é de 59 anos. Na Coreia do Sul, é de 61, e nos países da OCDE, de 64 anos. Com 50 anos a pessoa está no auge da produtividade — diz Ottoni.
Giácomo Balbinotto, professor de economia do trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), observa que a tendência para as próximas décadas, com a incorporação cada vez mais rápida da tecnologia, será a exigência de níveis de conhecimento mais elevado para garantir colocação, mas com espaço para atributos como experiência e capacidade intelectual. Para isso, salienta, será necessário um grande salto na qualidade da educação, além da premissa de a economia crescer.
— Aposentadoria não deveria ser uma finalidade, mas algo que, por uma deficiência para o trabalho, como intelectual, visual ou motora, a pessoa tenha dificuldade de exercer o seu ofício, e que, com isso, não tenham condições de obter renda. E esse não é o caso de uma pessoa de 50 anos — afirma Balbinotto.
Diante do desafio à frente, Balbinotto sustenta que as gerações que serão a população madura do futuro devem, principalmente "aprender a aprender" para não ficarem obsoletas e se adaptarem com maior naturalidade às constantes mudanças impostas pela tecnologia.
Foto: Zero Hora



SE CONDENADO, LULA PODE PEGAR ATÉ 124 ANOS



UM SÉCULO EM CANA


PENAS DE OPERAÇÕES E JUÍZES DIFERENTES PODEM SUPERAR UM SÉCULO
Publicado: 18 de dezembro de 2016 às 00:01 - Atualizado às 13:15


PENAS DE OPERAÇÕES E JUÍZES DIFERENTES PODEM SUPERAR UM SÉCULO

Indiciado pela Polícia Federal, denunciado pelo Ministério Público Federal ou já transformado em réu de um total de cinco casos graves de corrupção, o ex-presidente Lula está sujeito a sentenças condenatórias entre 31 e 124 anos de cadeia. Há outras investigações em curso e Lula se queixa de “perseguição”, mas tudo resulta de três operações, de forças-tarefas distintas e três juízes federais diferentes.
Lula é acusado de corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, e obstrução da Justiça etc.
Em julho, com base na delação de Delcídio Amaral, Lula foi denunciado por obstruir a Justiça, oferecendo vantagens para calar Nestor Cerveró.
Somadas, as eventuais penas de Lula ultrapassariam mais de um século de cadeia, e o Código Penal ainda prevê agravantes. E multas.
Apesar da gravidade das acusações, Lula e seus advogados preferem desqualificar a Lava Jato e a Justiça, em vez de se defender nos autos.


PGR analisa suspeição de Dias Toffoli na Operação Custo Brasil





Nelson Jr./STF


O ministro do STF tem relação de “amizade íntima” com o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, um dos investigados




O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai analisar se pede o afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli de casos relacionados à Operação Custo Brasil, que envolve suposto pagamento de propinas ao ex-ministro Paulo Bernardo e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Mensagens de celular e e-mails apreendidos pela Polícia Federal indicam que Toffoli tem relação de “amizade íntima” com o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, um dos investigados, o que pode ferir “deveres de imparcialidade” na magistratura.


O jornal O Estado de S. Paulo apurou que documentos sobre o caso, mantidos em sigilo, foram enviados na semana passada pela Procuradoria da República em São Paulo ao gabinete de Janot, ao qual caberá decidir se requer ao Supremo a suspeição do ministro. Não há prazo, contudo, para que o procurador-geral tome uma decisão sobre o caso.
Conforme fonte que teve acesso à investigação, as comunicações mostram que Toffoli e Gabas marcavam encontros fora do expediente e combinavam eventos sociais, até mesmo um churrasco, o que chamou a atenção no MPF.
A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, também foi oficiada. Janot pode pedir o arquivamento do caso ou arguir a suspeição do ministro, o que levaria a pedir explicações ao próprio Toffoli. Se o ministro entender que não há impedimento e continuar participando de julgamentos do caso, caberá ao plenário do STF decidir se o afasta ou não.
A existência das mensagens entre Toffoli e Gabas foi revelada pelo Blog de Fausto Macedo, no estadao.com.br, no dia 7 deste mês.
Consignados
Desdobramento da Lava Jato, a Custo Brasil apura esquema de desvio que movimentou R$ 100 milhões por meio de contrato com a Consist Software, que gerenciava empréstimos consignados.
Paulo Bernardo é acusado de receber R$ 7 milhões de suborno da empresa, supostamente repassados a ele por meio de um escritório de advocacia. A banca também pagaria despesas eleitorais de Gleisi, que é investigada perante o Supremo em inquérito sob relatoria de Toffoli.
A suposta parcialidade do ministro foi apontada pela Procuradoria da República em São Paulo com base nas mensagens de celular e e-mails de Gabas, apreendidos no dia da operação. O ex-ministro não foi interceptado pela PF. O conteúdo foi descoberto porque as conversas com Toffoli estavam em seu celular, que foi apreendido.
O envio dos documentos a Janot foi solicitado pelo procurador porque Toffoli, como ministro do Supremo, é detentor de foro por prerrogativa de função. A remessa foi autorizada pelo juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Federal.
Defesas
Procurado pela reportagem, o gabinete de Toffoli informou, em nota, que o ministro “pauta suas decisões de impedimento e suspeição na legislação, analisando, caso a caso, os processos submetidos à apreciação do tribunal”. Danyelle Galvão, advogada de Gabas, afirmou que não teve acesso aos relatórios e, portanto, não iria comentar o assunto.