sábado, 8 de outubro de 2016

"Quero socar a cara de Donald Trump", declara Robert De Niro

Em vídeo divulgado na Fox News, ator mostrou-se revoltado com a candidatura do magnata, a quem chamou de "porco"


postado em 08/10/2016 15:11 / atualizado em 08/10/2016 15:39

https://youtu.be/-Q-ZyW9bz5c

A candidatura de Donald Trump ao cargo de presidente dos Estados Unidos tem causado a revolta de muitos artistas e intelectuais americanos. O caso mais recente aconteceu neste fim de semana, quando o ator Robert De Niro gravou um vídeo detonando o magnata, filiado ao Partido Republicano. "Queria socar a cara de Donald Trump", afirmou.


Vencedor do Oscar, o astro alegou que o rival de Hillary Trump, do Partido Democrata, está brincando com a sociedade e que é uma "vergonha para o país". "É um cachorro, um porco', detonou. Exibido na Fox News, o vídeo integra a campanha #voteyourfuture, uma forma de incentivar a população a ir às urnas em 8 de novembro já que, por lá, o voto não é obrigatório.   

Em julho, mais de 100 artistas locais assinaram uma carta aberta, batizada de #UnitedAgaistHate (Unidos contra o ódio, em tradução literal) alertando sobre a possibilidade do polêmico candidato levar os EUA de volta "a um tempo onde o medo era a desculpa para a violência".  


Furacão Matthew perde força ao chegar à Carolina do Sul

Depois de atravessar o Estado da Georgia e chegar à Carolina do Sul, Matthew reduziu sua velocidade e saiu da categoria 2 para a 1, a 140 quilômetros por hora, de acordo com o Centro Nacional de Furacões

 postado em 08/10/2016 11:43 / atualizado em 08/10/2016 11:58

 Brian Blanco/Getty Images/AFP

O furação Matthew continua a perder força enquanto passa pelos Estados norte-americanos. Depois de atravessar o Estado da Georgia e chegar à Carolina do Sul, Matthew reduziu sua velocidade e saiu da categoria 2 para a 1, a 140 quilômetros por hora, de acordo com o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês).

Em seu último boletim, divulgado nesta manhã, o NHC informou que o furacão se deslocava 30 quilômetros ao sul-sudoeste de Charleston, na Carolina do Sul. As tempestades e os ventos fortes de Matthew chegaram à costa da Carolina do Sul na madrugada deste sábado e foram se espalhando pelo interior.

A expectativa das autoridades é que o furacão chegue à costa da Carolina do Norte na noite deste sábado (8/10). Em determinado ponto, Matthew chegou a atingir a categoria 5, a mais forte na escala, mas foi lentamente se enfraquecendo à medida que foi se aproximando da Flórida, onde quatro pessoas morreram.




















Empresários são suspeitos de vender água imprópria para escolas no RJ

08/10/2016 09h38 - Atualizado em 08/10/2016 14h41

Captação era feita em piscina e em poços artesianos da Baixada Fluminense. Suspeitos são considerados foragidos.

Do G1 Rio

 A Polícia Civil do Rio quer a prisão de quatro empresários suspeitos de crimes de estelionato e venda de água imprópria para consumo humano. De acordo com investigação da 62ª DP (Imbariê), os suspeitos fraudavam a concorrência para o fornecimento de água em escolas de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, e também entregavam aos colégios água que era captada em uma piscina e em poços artesianos.  
Neste sábado (8), agentes da delegacia realizaram a segunda etapa da operação batizada de Hidra. Nenhum dos suspeitos foi preso, mas os mandados de prisão já foram expedidos pela Justiça.
Como mostrou o RJTV,  os empresários considerados foragidos são Hélio Marcelo dos Santos Ramos, Reinaldo Souza Rocha e Raul de Souza Rocha.
O delegado Marcos Gomes Santana, titular da 62ª e responsável pela investigação, informou que na primeira etapa da operação Hidra foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências e nas sedes das empresas dos suspeitos.
Durante as diligências, os agentes apreenderam notas fiscais de entrega de águas nas escolas, além de proposta já envelopada para um colégio constando as três empresas que iriam participar da concorrência.
Fora isso, os policiais também encontraram carimbos de todas as empresas no mesmo local, e outros documentos que comprovavam que as companhias de cada um dos suspeitos e mais uma quarta empresa - do filho de um deles - fraudavam a concorrência para fornecimento de água potável para as escolas estaduais da região.
O esquema funcionava da seguinte forma: os representantes apresentavam ao mesmo tempo três propostas para as escolas e combinavam os valores. O vencedor era definido de forma prévia. Além das fraudes, a polícia também descobriu que água imprópria para o consumo humano era fornecida pelas empresas a 13 escolas de Duque de Caxias.
Os investigadores encontraram os locais onde era captada a água. Um ficava numa piscina na Estrada Soledade, no bairro Taquara, e outro local ficava na Rua Tupã, em Cantão, Xerém, de onde era captada a água de poços artesianos
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Governador petista de Minas confia no PMDB para se salvar

A decisão do Superior Tribunal de Justiça diz cabe à Assembleia Legislativa autorizar a abertura de ação penal contra Pimentel na Operação Acrônimo



POLÍTICA OPERAÇÃO ACRÔNIMOHÁ 31 MINSPOR

Se no plano federal o PMDB contribuiu para o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, em Minas Gerais a expectativa é de que a legenda ajude a salvar o governador Fernando Pimentel (PT). A decisão do Superior Tribunal de Justiça de que cabe à Assembleia Legislativa autorizar a abertura de ação penal contra Pimentel na Operação Acrônimo foi comemorada pelos petistas, que confiam na fidelidade da bancada do PMDB ao Palácio Tiradentes.

Os peemedebistas formam a maior bancada da Assembleia, com 13 parlamentares. O apoio do partido é amarrado em cargos oferecidos por Pimentel. Para evitar um processo no STJ, o governador precisa dos votos de 26 dos 77 deputados da Assembleia. A segunda maior bancada na Casa é do PT, com 9 deputados.
O PMDB comanda cinco secretarias no Estado. Saúde, com Sávio Souza Cruz, Agricultura e Pecuária, com João Cruz, Cultura, com Ângelo Oswaldo, Meio Ambiente, com Jairo Isaac - aliado do ex-governador Newton Cardoso -, e Cidades e Integração Regional, com Izabel Chiodi.
Pimentel foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva, lavagem e ocultação de bens e valores por ter supostamente recebido vantagens indevidas no período em que exerceu o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A autorização do Legislativo estadual não é exigida expressamente na Constituição mineira como condição para a abertura de processo contra o governador por crimes comuns, mas a maioria da Corte Especial do STJ (por 8 votos a 6) entendeu na quarta-feira passada que essa autorização "é um imperativo do princípio da simetria, pelo qual as constituições estaduais devem guardar uma relação simétrica com os institutos jurídicos da Constituição Federal".
‘Garantidos’
O líder do governo na Casa, Durval Ângelo (PT), divulgou nota logo após a decisão da corte na qual afirma que "o governador já tem 55 votos garantidos" entre os deputados estaduais. "Sendo que precisamos de 26." Sobre o PMDB, o líder disse que o alinhamento do governo com o partido "é fruto de uma aliança de 16 anos com o PT no Estado, à qual dará sustentação, inclusive, para a reeleição do governador Fernando Pimentel".
O principal aliado do governador no Legislativo é o presidente da Casa, Adalclever Lopes (PMDB). O atual vice-presidente da Cemig, Carlos Roberto Castellari Porchia, é apontado por integrantes do partido como uma indicação de Adalclever.
Antes de o executivo assumir o cargo, no mês passado, ocupava o posto o advogado Mateus Moura, ligado ao vice-governador Antonio Andrade (PMDB).
Pimentel, no entanto, vem "desidratando" a influência do companheiro de chapa - que assumiria o governo em caso de afastamento do petista - na administração estadual. Além de Moura, indicados de Andrade perderam cargos também no Departamento de Obras Públicas (Deop) e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Na segunda-feira, Pimentel teve uma demonstração do apoio da bancada peemedebista após o vice anunciar apoio a João Leite (PSDB) no segundo turno da disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Os deputados da legenda reagiram e divulgaram nota dizendo tratar de posição pessoal de Andrade.
Além dos 22 parlamentares do PMDB e PT, o chefe do Poder Executivo na Casa tem bom relacionamento também com o PV, que tem sete deputados. O bloco Minas Melhor, do qual participam PT e PMDB, além de outros cinco partidos que fazem parte da base de Pimentel, soma 31 parlamentares. A única dificuldade do governo deverá ser no bloco formado por PSDB e DEM, que tem 21 parlamentares.
Segundo Rogério Correia (PT), líder do Minas Melhor, a aliança de Pimentel com o PMDB não envolve apenas cargos. "Temos um alinhamento que já dura muitos anos. Nós constituímos juntos, por exemplo, o Bloco Minas Sem Censura, que fez oposição aos governos tucanos em Minas de Aécio Neves, Antonio Anastasia e do Alberto Pinto Coelho (PP)", afirmou o parlamentar.
A reportagem tentou contato com o vice, mas ele estava em viagem e não retornou as ligações

Operação Mister Hyde investiga participação de 50 médicos em máfia

Investigação aponta que neurocirurgiões, ortopedistas e cirurgiões buco-maxilo-faciais estão envolvidos em esquema que movimentou R$ 30 milhões com operações desnecessárias


 postado em 08/10/2016 08:00
Ed Alves/CB/D.A Press

Com 17 pessoas denunciadas à Justiça, promotores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e policiais civis miram mais profissionais de saúde envolvidos na Máfia das próteses. Há indícios de que mais de 50 especialistas, entre neurocirurgiões, ortopedistas e cirurgiões buco-maxilo-facial, estão envolvidos no esquema de fraude em cirurgias. As suspeitas estão baseadas em denúncias e em algumas evidências que fazem parte da estratégia de investigação. Após a segunda fase da Operação Mister Hyde, quatro possíveis vítimas procuraram a Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) entre quinta-feira e ontem para prestar depoimentos sobre os procedimentos cirúrgicos feitos no Hospital Daher, no Lago Sul, alvo da ação. A polícia também recebeu uma denúncia anônima.

Os envolvidos na organização que pode ter movimentado R$ 30 milhões participavam do esquema em diversos níveis. Por isso, a responsabilidade de cada um varia conforme a gravidade e o comprometimento na divisão das tarefas. Investigadores garantem que novas fases podem ser desencadeadas. “Não é mais a ponta do iceberg, porque temos um desenvolvimento razoável, mas a atuação desse esquema ainda não foi esgotada e há expectativa de novas ações. Existem algumas características da atuação desse grupo, com envolvimento de empresas e médicos”, explicou o titular da Deco, Luiz Henrique Sampaio.

Até agora estão identificados quatro grupos, todos eles com a participação de empresas e médicos. No primeiro, estavam profissionais que encaminhavam pacientes para cirurgias desnecessárias. Em outro, especialistas e companhias que trocavam os equipamentos — no protocolo de operação, por exemplo, eles descreviam o uso de uma prótese ou órtese de um determinado padrão, mas as substituíam por materiais inferiores. No terceiro segmento, havia profissionais que acrescentavam equipamentos para que a cirurgia rendesse mais. E, no último, aparecem as pessoas que agiam na recompensa com o pagamento de propina aos envolvidos.

Entre as fraudes, a Polícia Civil investiga estelionato, crime contra a saúde pública e organização criminosa. “Prisões são adequadas para médicos e empresários que estão praticando os crimes mais graves, como troca de equipamentos, substituição por inferiores e indicação de cirurgias sem necessidade”, destacou o delegado. Durante a ação no Hospital Daher, na quinta-feira, os investigadores encontraram, ainda, um consultório usado como sala de cirurgia clandestina. Em nota, a unidade de saúde informou estar “colaborando com as solicitações realizadas”.

Armas

Nas buscas realizadas na casa do dono do Hospital Daher, José Carlos Daher, 71 anos, policiais civis encontraram oito armas, entre espingardas, carabinas e um revólver. Sete delas tinham documentação. Mas uma, modelo Colt 45, de uso restrito, estava em situação irregular. Por esse motivo, o médico e empresário foi preso, mas a Justiça acatou o pedido dos advogados e, na madrugada de ontem, determinou a soltura por causa da idade. O cirurgião plástico não tinha a documentação da pistola, que ganhou de presente do ex-sogro.



Ministro de Temer recebeu R$ 4 mi de empresa alvo de operação

Na época, Alexandre de Moraes não tinha cargo público



POLÍTICA POLÍCIA FEDERALHÁ 1 HORA
POR FOLHAPRESS

A Operação Acrônimo, coordenada por Polícia Federal e Ministério Público Federal, apreendeu documentos que indicam o pagamento de pelo menos R$ 4 milhões de uma das empresas investigadas, a JHSF Participações, de São Paulo, para a firma de advocacia do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, entre 2010 e 2014. Na época, Moraes não tinha cargo público.


No último dia 16 de agosto, a PF encontrou sobre a mesa de um dos principais executivos da JHSF, empresa do setor imobiliário, uma planilha impressa com o nome "Alexandre Moraes", além de valores e duas siglas, PT e PSDB.
Os valores a Moraes estavam associados à palavra Parkbem, antigo nome de uma empresa de estacionamentos do grupo JHSF.
No dia 31 do mesmo mês, durante depoimento prestado à PF pelo proprietário da JHSF, José Auriemo Neto, a defesa do executivo confirmou que a referência era mesmo ao ministro da Justiça.
Na primeira planilha analisada constavam três pagamentos que somavam R$ 1 milhão em 2011. A defesa da JHSF ficou de apresentar os documentos fiscais dos pagamentos, que seriam "honorários advocatícios".
Dias depois, enviou recibos ou notas fiscais, sem mais detalhes dos serviços realizados. Nesse meio tempo, os investigadores descobriram outras planilhas que apontaram um total de R$ 4 milhões à firma do ministro.
A coordenação da Operação Acrônimo pediu ao ministro Herman Benjamin, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), relator da investigação, que informasse ao STF a necessidade de abertura de um inquérito.
Moraes disse à reportagem, em nota, que os pagamentos foram legais e o caso já foi arquivado "liminarmente" pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux.
A assessoria do STF diz não ter informações sobre o caso porque tramita em sigilo.
A reportagem apurou que a decisão de Fux ocorreu em 22 de setembro, apenas oito dias após a documentação dar entrada no STF, sem abertura de inquérito ou autorização de medidas investigatórias, como a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ministro ou de sua firma.
A reportagem apurou ainda que Fux não consultou, antes do arquivamento, a Procuradoria-Geral da República, e decidiu arquivar monocraticamente os documentos.
Ele citou previsão do Regimento Interno do STF que permite ao relator arquivar pedidos de investigação se "o fato narrado evidentemente não constitui crime".
A decisão destoa de outras medidas tomadas pelo Judiciário ao longo da Operação Lava Jato, por exemplo.
Em casos de contratos por prestação de serviços de consultoria ou advocacia, o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a PF têm exigido que os investigados comprovem os serviços realizados.
Indagada pela PF antes do envio da documentação para o STF, a assessoria jurídica da JHSF encaminhou "documentos originais das notas de honorários advocatícios emitidas pelo escritório" Alexandre de Moraes Sociedade de Advogados, nos anos de 2010, 2011 e 2014.
Fux considerou isso o suficiente para decidir que não havia suspeita contra Moraes.
A JHSF tornou-se alvo da investigação porque o empresário Benedito Oliveira Neto afirmou em delação premiada que a empresa pagou por uma pesquisa de opinião pública em benefício do então candidato ao governo de Minas, Fernando Pimentel (PT).
OUTRO LADO
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse, em nota, que está impossibilitado de explicar os serviços que prestou à JHSF Participações devido a "cláusula de confidencialidade" com seu cliente, para o qual afirmou ter trabalhado entre o segundo semestre de 2010 e final de 2013.
"Durante esse período, houve vários contratos de prestação de serviços advocatícios com o pagamento de honorários e emissão das respectivas notas fiscais, devidamente registrados pelo escritório e pela empresa", disse.
Segundo a assessoria do ministro, nesse período ele não exercia cargo público. Até junho de 2010, Moraes foi secretário municipal de Transportes em São Paulo da gestão Gilberto Kassab (PSD). Em 2015, tornou-se secretário de Segurança de Geraldo Alckmin (PSDB).
A Procuradoria-Geral da República confirmou que não recebeu a petição sobre o caso. A assessoria do STF disse não ter informações sobre o caso porque tramita em sigilo.
Em nota, a JHSF diz que o ministro atuou como "advogado e consultor jurídico": "Os documentos solicitados pelas autoridades já foram entregues. Por se tratar de processo sigiloso, qualquer solicitação deve ser feita ao Judiciário". Celso Vilardi, advogado do grupo, diz que "não há irregularidade sobre Moraes", mas não comenta o caso em respeito ao sigilo da apuração. Com informações da Folhapress.

Hotel de Brasília vira QG de delação da Odebrecht

Grupo aluga espaços e quartos do Windsor Plaza para equipe de advogados que participam das negociações na Procuradoria-Geral da República; Emílio Odebrecht acompanha as reuniões



BRASÍLIA - Em reuniões que entram madrugada adentro, regadas a água, café e vinho branco, o empresário Emílio Odebrecht, patriarca do grupo Odebrecht, dá ordens e debate com os advogados que participam das negociações daquela que pode se tornar a mais explosiva delação premiada da Operação Lava Jato. O detalhe é que, da sala de reuniões onde estavam, na cobertura do Windsor Plaza Brasília, é possível avistar o lugar onde tudo começou, dois anos e sete meses atrás: o Posto da Torre, que deu nome à operação e levou a Polícia Federal até a contabilidade secreta do doleiro Alberto Youssef.
No Windsor, Emílio permanecia o tempo todo com a filha Mônica e o marido dela, Maurício Ferro – responsável pela área jurídica do conglomerado –, e Newton de Souza, atual presidente do grupo. São eles que ditam os rumos da tentativa de acordo com a Procuradoria-Geral da República, para que Marcelo, filho de Emílio, e cerca de 50 executivos confessem seus crimes em troca de punições menores.


Foto: Estadão
Emilio Odebrecht
 Empresário Emílio Odebrecht no Windsor Plaza
A cena se repetiu várias vezes ao longo da semana e foi acompanhada pela equipe do Estado, hospedada no Windsor. A Odebrecht alugou espaços para reuniões e quartos para as cerca de 20 pessoas que participaram das negociações na sede da PGR. Além do local para as conversas internas, o grupo ocupava um lounge anexo, onde permaneciam duas secretárias prontas para resolver qualquer problema de logística dos presentes, e um refeitório com TV e buffet variado. O acesso ao buffet está disponível a qualquer hóspede mediante o pagamento de uma taxa extra.

No QG da delação premiada



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O Windsor Plaza transformou-se em um “bunker” da empreiteira número 1 da América Latina, que tenta fechar um dos maiores acordos judiciais já assinado no mundo – o Ministério Público quer impor uma multa de ao menos R$ 6 bilhões. Marcelo, que era presidente do grupo até sua prisão, um ano e quatro meses atrás, e os executivos estão dispostos a contar os bastidores da distribuição de milhões de reais em propina para “conquistar” obras e apoio político nos governos federal, estaduais e municipais e outros ilícitos cometidos em diversos outros países.
Em contrapartida, além de terem as penas de seus executivos diminuídas, a empresa tenta virar a página dessa história que a arrastou para um dos maiores escândalos de corrupção do mundo. Os advogados são orientados a manter sigilo sobre a negociação e, principalmente, o conteúdo dos depoimentos.


Foto: Estadão
Odebrecht
César Rocha (de camisa clara) e advogados
Seleção. As negociações não têm sido fáceis e o clima de tensão domina a cobertura do hotel. Descontração apenas em alguns momentos, como o da quinta-feira à noite, quando os advogados e Emílio esqueceram o trabalho por minutos para acompanhar a goleada da seleção brasileira sobre a Bolívia pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.
“Nunca na minha vida achei que ia ter que negociar assim”, comentava uma advogada com os colegas, enquanto o Brasil marcava seu segundo gol e iniciava a primeira goleada da era Tite. Nesse mesmo dia, Emílio ficou das 18 horas até perto de meia-noite entre uma conversa e outra. Parou só para pedir uma salada caprese – sem folhas, mas com reforço na muçarela de búfala – e conferir o placar do jogo do Brasil.
Estado apurou que uma das negociações mais duras envolve Marcelo Odebrecht. Investigadores consideram que o caso do mais poderoso e rico dos executivos presos na Lava Jato deve servir de exemplo contra a impunidade. Exigem mais quatro anos de regime fechado para o ex-presidente da empresa, à frente da companhia entre 2009 e 2015, e responsável pela criação do setor de operações estruturadas – popularmente conhecido como departamento da propina. A meta dos advogados coordenados pelo criminalista Theodomiro Dias Neto, o Theo Dias, é convencer os investigadores de que o executivo já passou muito tempo na prisão e tentar reduzir a pena de reclusão para dois anos e meio – já descontado o ano e quatro meses cumprido na carceragem da PF de Curitiba.
A delação de Marcelo, mais do que qualquer outra, provoca terror no meio político com potencial para derrubar líderes que ainda se sustentam após dois anos e sete meses de investigação ininterrupta. Enquanto bebia um vinho, um dos advogados previa muitas operações após o acordo.
Os executivos têm sido divididos em faixas pela PGR, por características comuns dos crimes. Marcelo tem uma faixa única. E seu pai concentra todos os esforços em Brasília para diminuir o tempo do filho atrás das grades. “Minha mãe pediu para nós dois, eu e meu pai, não viajarmos no mesmo avião. Mas meu pai não vai embora antes, ele não vai embora deixando a gente aqui”, dizia Mônica aos advogados, na manhã de ontem, quando todos fizeram as malas para deixar Brasília, ainda sem conseguir assinar o acordo de Marcelo.
“Na manhã foi ruim. Mas à tarde, dado o contexto, foi bom”, comentava um advogado recém-chegado das conversas com procuradores aos colegas, no início da noite de anteontem. Nem todos sentam à mesa de negociação com o grupo de trabalho do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um dos que encararam negociações de madrugada chegou faminto para o café da manhã do hotel. “Eu não jantei.” Depois explicou: “Se você negocia só um é fácil. Se você negocia 50, cada um tem um caso. ‘Olha, minha mãe está doente’, ‘meu filho é menor de idade’...”, disse ao dar as justificativas dos executivos aos investigadores para terem suas penas reduzidas.
No total, 53 executivos negociam a colaboração. Anteontem, pelo menos 15 casos teriam sido fechados segundo as conversas dos presentes no último andar do hotel. Entre eles, o do ex-diretor financeiro da empresa César Ramos Rocha. Com seu acordo fechado e com um envelope pardo com logo oficial em mãos, o executivo se preparava para chegar a um acordo com uma pena de 8 meses.
Tempo. Embora estivesse prevista para ontem, a assinatura de todos os acordos ainda deve levar ao menos mais uma semana. Há casos considerados mais simples, como o de Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, e outros, emperrados. Uma das negociações travadas é a de Alexandrino Alencar. Ele foi diretor de Relações Institucionais da empresa e vice-presidente da Braskem. Alencar tinha contato direto com líderes políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal. Por isso, é pressionado a entregar mais informações.

As conversas refletem a quantidade de advogados atuantes na negociação, vindos de bancas criminalistas de São Paulo, Rio, Paraná, Brasília e do corpo jurídico da própria empreiteira, que tem sede na Bahia. Apesar da diversidade de advogados, o objetivo é um só e transparece na frase mais ouvida nas conversas travadas na cobertura do Windsor Plaza: “Virar a página da empresa”. Para isso, Emílio negocia, advogados estendem reuniões na Procuradoria-Geral da República e a irmã de Marcelo pede a uma das integrantes da equipe: “Não vamos desistir agora”.



Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Aroldo Azevedo dos Santos, genro de Mounir Naoum, dono do hotel e patriarca da família.

A conexão de Cachoeira com o Hotel NahoumSAB, 28/04/2012

ATUALIZADO EM 29/04/2012


Para ter acesso às imagens do circuito interno do Hotel em que José Dirceu se hospedava em Brasília (e repassá-las a Veja), o bicheiro Carlos Cachoeira valeu-se de suas relações de amizade com a família proprietária do hotel. Funcionou também, pelo que se diz em Brasília, a proximidade entre um genro do proprietário do hotel e o senador Gim Argello (PTB-DF), que precisava negociar imunidade com a revista e evitar a publicação de reportagens embaraçosas.




A conexão de Cachoeira com o Hotel Nahoum
O Jornal de todos Brasis

A conexão de Cachoeira com o Hotel Nahoum
SAB, 28/04/2012 - 19:18
ATUALIZADO EM 29/04/2012 - 12:25

Para ter acesso às imagens do circuito interno do Hotel em que José Dirceu se hospedava em Brasília (e repassá-las à Veja), o bicheiro Carlos Cachoeira valeu-se de suas relações de amizade com a família proprietária do hotel. Funcionou também, pelo que se diz em Brasília, a proximidade entre um genro do proprietário do hotel e o senador Gim Argello (PTB-DF), que precisava negociar imunidade com a revista e evitar a publicação de reportagens embaraçosas.

Assim fica mais claro o seguinte diálogo entre Cachoeira e o araponga Jairo Martins, captado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

JAIRO: Aí. ele [Policarpo] quer que eu tente convencer o amigo lá, a deixar usar, usar [as imagens do circuito interno do Hotel Naoum] de uma maneira que não complique, né?

CARLlNHOS: É mas ai, pra tentar convencer o amigo, você tcm que falar, ai é o meu caso, entendeu? "Ó, você tem que conversar com ele, porque ele pelo menos é o dono lá, do pessoal de lá".

JAIRO: Ah, fechou, fechou, fechou então.

CARLINHOS: Põe ele pra pedir pra mim, tá.

Quem é o amigo que pode liberar as imagens para a revista? Ao que tudo indica, é Aroldo Azevedo dos Santos, genro de Mounir Naoum, dono do hotel e patriarca da família. Os Naoum são originários de Anápolis, mesma terra de Carlos Cachoeira em Goiás. As famílias são amigas, frequentam as mesmas festas e rodas políticas locais. Ronaldo Mohn Filho, sobrinho de Cachoeira, é casado com Nathalia Naoum, um das herdeiras de Mounir. O que se comenta em Brasília é que Aroldo dos Santos concordou em romper a privacidade dos hóspedes a pedido de Cachoeira e também do senador Gim Argello.

O filho do senador, Gim Argello Junior, é namorado da filha de Aroldo, Mariana Naoum. Na recente caçada ao nepotismo no Senado, Mariana teve de ser demitida de um cargo no gabinete de Gim pai. O senador teria pedido a Aroldo a relação dos visitantes de Dirceu, porque precisava dar "um presente" à Veja. Na ligação entre Cachoeira e Jaior, o araponga diz que entregou a Policarpo uma lista de 25 visitantes "naquele período" (a crise que derrubou Antonio Palocci), "sendo que cinco pessoas assim importantíssimas".

A liberação das imagens, que Policarpo pediu primeiro a Jairo e, depois, ao chefe Cachoeira, não estava prevista no acordo inicial. E foi aí que Cachoeira assumiu o comando da negociação com os donos do hotel. O que se comenta em Brasília é que Aroldo agiu sem conhecimento do patriarca Mounir Naoum, que só foi descobrir a traição do genro no decorrer do inquérito policial sobre a invasão. O Naoum hospeda governadores e chefes de estado de outros países. Sua imagem saiu arranhada do episódio da invasão ao apartamento de José Dirceu pela reportagem da Veja. Abriu-se uma crise na família.