terça-feira, 4 de outubro de 2016

Contra 'desmonte do Estado', movimentos fazem dia nacional de luta






CUT e sindicatos, Conselho Nacional de Saúde, lideranças do PT, PCdoB, PDT e PSol e outras entidades vão pressionar deputados a votar contra PEC 241, que congela gastos públicos por 20 anos

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Atendimento deverá ser ainda mais prejudicado com o fim de percentuais mínimos de investimentos na saúde

São Paulo – A retirada da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que congela por 20 anos os gastos públicos da União, é a principal reivindicação da CUT, que realiza amanhã (5) um dia nacional de luta contra o "desmonte" do Estado. Segundo a central, o objetivo da manifestação que será realizada na Câmara dos Deputados é mostrar ao país como a PEC "atinge o coração dos investimentos e políticas que beneficiam toda a população".
A concentração para o ato ocorrerá às 8h no Espaço do Servidor, na Esplanada dos Ministérios. Além de sindicatos ligados à central, como a Apeoesp, participam da mobilização em Brasília o Conselho Nacional de Saúde (CNS), lideranças de partidos de oposição (PT, PCdoB, PDT e Psol), deputados e senadores. A partir das 10h, eles se reúnem no auditório Nereu Ramos.
As entidades querem pressionar os deputados a não votarem a PEC, que está em discussão nesta terça-feira (4), na comissão especial que analisa o texto do relator da matéria, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).
Na quinta-feira (6), o ato será a partir das 14h30, no plenário II do corredor das comissões do Anexo II da Câmara. Estão confirmadas a presença dos presidentes do CNS, Ronald Santos, da Frente Parlamentar em Defesa do SUS, deputado Odorico Monteiro (Pros-CE), e de Darcísio Perondi.
De acordo com o deputado Patrus Ananias (PT-MG), coordenador da bancada do partido na comissão que analisa a PEC, a população tem de ser esclarecida quanto aos prejuízos trazidos pela proposta. "Serão destruídas as políticas de educação, saúde e assistência social, que nos governos Lula e Dilma beneficiaram especialmente os mais pobres. Só o SUS perderá R$ 654 bilhões em 20 anos, com 500 milhões de procedimentos de atenção básica, menos 83,5 milhões de procedimentos de ambulatórios e menos 19,6 milhões de procedimentos em hospitais."
Em 19 de agosto, o plenário do CNS aprovou a Resolução 534, posicionando-se contra a PEC 241. Os conselheiros a consideram um grave golpe contra o SUS. Se for aprovada, a União, os estados e os municípios deverão ficar livres da obrigação constitucional de garantir percentuais mínimos de sua receita para a saúde. Enquanto as prefeituras devem aplicar no mínimo 15% e estados pelo menos 12% de sua receita de impostos, a União deve aplicar o valor investido no ano anterior ajustado com a variação do PIB.
Pela análise do CNS, em caso de aprovação da PEC, em 2017 a União deverá aplicar R$ 98,3 bilhões, abaixo dos R$ 119,2 bilhões necessários para manter o nível das despesas de 2014. A partir de 2018, segundo o anúncio das autoridades, esse mínimo será corrigido pela variação do IPCA medida em junho de cada ano, ou seja, a redução de recursos se aprofundaria a partir de 2018 e até 2036 conforme o órgão.
Para o governo, o principal problema fiscal do Brasil é a vinculação constitucional, que estabelece percentuais mínimos de aplicação para a saúde e a educação. Para a oposição, é a distorção da política tributária, cuja renúncia fiscal do governo é projetada acima de R$ 300 bilhões para os próximos anos. Por isso, defende a criação de faixas de rendimentos superiores às atuais com alíquotas mais elevadas para tributar os que estão no topo da pirâmide social, a redução de alíquotas sobre produção e consumo e o seu aumento sobre patrimônio, renda e riqueza. Além disso, rever a isenção da tributação das remessas de lucros e dividendos, com a criação de uma tributação sobre as grandes transações financeiras e sobre as grandes fortunas, entre outras medidas.

Oposição enfrenta lobby para votar PL do pré-sal. Maia insiste que seja hoje

Desde início da manhã no Congresso, petroleiros e representantes de movimentos sociais fazem campanha de convencimento contra projeto

por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 04/10/2016 19:32, última modificação 04/10/2016 19:54
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Maia: 'Acertei há tempos com o governo...não podemos esperar mais'

Brasília – Deputados favoráveis e contrários à flexibilização do pré-sal, com retirada da prioridade da Petrobras nos contratos de exploração, previsto no Projeto de Lei (PL) 4.567, travam uma queda de braço, hoje (4), na Câmara. De um lado, os que são favoráveis à atuação da matéria, de cunho privatista, atuam para apoiar o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pretende votar a matéria ainda nesta terça-feira, mesmo que a sessão entre pela madrugada de quarta. De outro, os que fazem oposição ao governo Temer apresentam dados que mostram a importância do pré-sal para o país, alertam sobre os riscos do que definem como entrega de um patrimônio nacional ao capital estrangeiro e tentam obstruir a votação.
Mesmo passadas mais de duas horas de início da sessão deliberativa, somente depois das 18h37 foi atingido quórum suficiente para permitir a votação – o que fez parte de uma estratégia de obstrução montada por legendas como PT, PCdoB, Rede, Psol e deputados de outras partidos que, mesmo integrantes da base aliada de Michel Temer, são contrários à proposta de retirada da prioridade da Petrobras nos contratos do pré-sal.
Até as 18h32, apenas 159 deputados registraram presença no plenário, e 413 deles estão presentes na Casa desde o final da manhã.
Os deputados iniciaram os trabalhos discutindo com o presidente da Câmara a inversão de ordens na pauta de votações da casa. Eles acusaram Maia de tentar manobrar para votar em ritmo célere o PL 4.567. Isso porque durante a reunião de líderes realizada na tarde de ontem, para acerto da pauta da semana, ficou acordado que seria votado nesta terça-feira, em primeiro lugar, proposta que altera regras de parcelamento do sistema Supersimples (PL 25), para somente depois ser apreciado o projeto.
Como os partidos contrários à matéria já avisaram que iriam obstruir a votação, Maia resolveu inverter a ordem de votações – como forma de pressionar para que não fossem observados atrasos na apreciação dos dois textos. O presidente da Casa diz que está disposto a ceder e iniciar a sessão com a votação do projeto sobre o Supersimples, mas ao mesmo tempo, avisou que não abrirá mão de apreciar as duas matérias hoje. “O que não podemos mais é atrasar as votações da Câmara esta semana”, afirmou.
“Acertei há tempos com o governo e avisei aos líderes que iria dar início a esta votação hoje, referente ao pré-sal. Sem falar há mais de 30 dias estamos aguardando para apreciar essa proposta. Não podemos esperar mais”, acrescentou Maia.
O presidente da Câmara foi contestado pela líder das minorias, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que reclamou da sua postura. “O senhor, como presidente, tem todo o direito de definir a pauta de votações, mas não tem o direito de quebrar um acordo feito durante reunião de líderes. O PL 4567 é prejudicial para o país e vai ser muito debatido. Por isso, colocar a matéria em votação antes do texto que altera o Supersimples é o mesmo que atrasar a pauta inteira da Câmara”, disse a deputada.

Produtividade

O relator do texto, José Carlos Aleluia (DEM-BA), pediu aos parlamentares que rejeitem todas as emendas a serem apresentadas pelos deputados de partidos como PT, PCdoB, Rede e Psol, com o objetivo de reformar parte do texto. Já Daniel Almeida (PCdoB-BA) afirmou que aprovar a flexibilização do pré-sal “será o mesmo que entregar a maior riqueza do país às multinacionais”.
Para Carlos Zarattini (PT-SP), as reservas do pré-sal são extremamente produtivas. Segundo ele, contraditoriamente, quem confirma isso é o próprio presidente da estatal, Pedro Parente, por meio de balanços divulgados recentemente, segundo os quais a maioria dos poços está produzindo 25 mil barris de petróleo por dia, enquanto alguns chegam a produzir até 40 mil barris por dia, quando a previsão inicial era de 15 mil barris/dia.
“A produtividade do pré-sal é fabulosa. Não podemos aceitar que esse projeto seja aprovado. É um projeto nefasto para o Brasil porque entrega o controle da operação, da exploração do pré-sal para as multinacionais petrolíferas, retirando a exclusividade da Petrobras", afirmou Zarattini.
O deputado Mauro Pereira (PMDB-RS) discursou com argumentos opostos aos de Zarattini e terminou sendo vaiado pelos petroleiros que ocupam as galerias da Câmara. Pereira se justificou dizendo que o projeto vai assegurar mais riqueza para o país e fez um apelo aos colegas para que comparecessem ao plenário, de forma a ser confirmado o número suficiente para garantir quórum à sessão.

Petroleiros

Desde o início da manhã, encontram-se no Congresso vários trabalhadores do setor, dentre petroleiros e representantes de movimentos sociais.
No caso dos integrantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e dos sindicatos vinculados à entidade, vários deles chegaram a Brasília ontem. Estão percorrendo gabinetes, distribuindo folhetos e intensificando a estratégia de mobilização junto aos parlamentares para impedir a votação da proposta.
“Pretendemos participar de encontros com os parlamentares, ajudá-los nos argumentos sobre a importância do pré-sal para o país e contribuir no que for preciso para derrubar essa proposta, que significa entregar uma riqueza que é de todos os brasileiros”, contou o petroleiro Alcir Magalhães. Os trabalhadores estão acompanhando as discussões dos parlamentares das galerias da Câmara, que foram abertas para eles a pedido do líder do PT, Afonso Florence (BA).


PRF apreende R$ 2,5 milhões em notas falsas que vinham a Brasília


PRF/Divulgação

O suspeito responsável pelo transporte, de 42 anos, foi detido em Goiás e afirmou que receberia R$ 2 mil para trazer as notas à capital federal



Um homem de 42 anos foi preso com cerca de R$ 2,5 milhões em notas falsas no Km 501 da BR-153, próximo a Goiânia (GO). Segundo a Polícia Rodoviária Federal, responsável pela apreensão, o suspeito afirmou que receberia R$ 2 mil para trazer a maleta com o dinheiro falso para Brasília. No entanto, ele não soube explicar a origem das notas.


A prisão ocorreu na tarde desta segunda-feira (3/10). O dinheiro estava dividido em malotes. Ao todo, eram aproximadamente 50 mil cédulas de R$ 50. Com o motorista, também foram apreendidos R$ 10,1 mil em notas verdadeiras. Ele afirmou à PRF que já havia feito esse tipo de transporte anteriormente. O acusado foi detido e conduzido à Delegacia de Polícia Federal em Goiânia, onde foi indiciado pelos crimes de estelionato e uso de moeda falsa.
Crime
De acordo com o artigo 289 do Código Penal, falsificar, fabricar moeda ou dinheiro em papel é crime. A pena varia de três a 12 anos de prisão e multa. Estará sujeito à mesma punição quem importar ou exportar, adquirir, vender, trocar, ceder, emprestar, guardar ou circular moeda falsa. Além disso, mesmo tendo recebido de boa-fé, comete crime, com pena prevista de seis meses a dois anos e multa, quem a recebe e a mantém em circulação, repassando a outros. (Com informações da PRF-GO)


Confira as 10 melhores escolas de ensino médio no Distrito Federal


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Dados do Enem por Escola 2015 mostram que melhores colégios têm taxa de abandono zero e que alunos são de famílias com maior renda e escolaridade



Das 185 escolas do Distrito Federal que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio, as 10 melhores são particulares. Em comum, elas guardam características que fazem a diferença para o desempenho dos estudantes. O resultado do Enem por Escola 2015 mostra que os alunos desses colégios fizeram a maior parte do ensino médio na mesma instituição; a renda das famílias é alta; os pais estudaram por mais tempo; e a taxa de abandono da escola é zero.


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nesta terça-feira (4/10) o levantamento feito a partir das médias obtidas pelos alunos nas provas objetivas e na redação do exame realizado ano passado. A primeira escola colocada no DF foi o Olimpo, com média de 733,72 nas provas objetivas e na redação.
A segunda classificada na lista da capital foi o Colégio Olimpo de Águas Claras, com média 709,63. O Pódion, na Asa Norte, ficou em terceiro, com nota de 690,83. As médias são avaliadas nos diferentes contextos das escolas, considerando fatores como nível socioeconômico, porte da escola, indicador de formação docente e indicador de permanência do aluno na escola.
Escolas públicas
A diferença de nota entre a primeira particular do DF e a primeira pública é de 102,67 pontos. O Colégio Militar de Brasília, primeiro colocado entre as escolas mantidas com verba governamental, é custeada com recursos da União e faz seleção para admitir alunos. Ele teve nota 621,05 e ficou na 17ª colocação local. Embora os alunos tenham aumentado as notas, o colégio caiu duas posições em relação ao Exame realizado em 2014, quando era o 15º classificadom com a média de 605,41.

RANKING DF 1ranking df 1
Segundo classificado da rede estadual, o Colégio Dom Pedro II teve média de 612,36. Entre as escolas administradas pelo Governo do Distrito Federal, o Setor Leste registrou o melhor desempenho de 2015, com nota 551,18 no ranking da capital da República. O último colocado entre os 185 foi o Centro Educacional 01 da Estrutural, com média de 457,54.
As maiores diferenças entre as primeiras colocadas e as últimas são os indicadores de permanência, a taxa de abandono e o nível socioeconômico. Enquanto as 10 primeiras apresentaram taxa de abandono zero, as últimas têm fatores que variam entre 1,60 e 14.
O índice que calcula o padrão de renda das famílias, o grau de escolaridade dos pais e a posse de bens dos estudantes varia entre muito alto e muito baixo. As primeiras colocadas estão no patamar de muito alto e as últimas são classificadas com o indicador médio.
O indicador de permanência na escola é considerado muito bom quando varia entre 60% e 80%. Nas escolas com nota menor, o índice fica entre 20% e 40%, considerado médio baixo pelo Inep.
A presidente do Inep, Maria Inês Fini, ressaltou a importância da análise dos resultados pelos contextos apresentados, como índices socioeconômicos, dependência administrativa e permanência dos alunos no colégio. “É preciso associar os desempenhos aos contextos para que uma avaliação seja feita. Pode-se observar, por exemplo, que estudantes em índices socioeconômicos altos apresentam resultados melhores, mesmo em escolas públicas “, explicou.

27% das escolas no Brasil têm menos da metade dos professores com licenciatura


Entre as 100 com melhor média, só 6% dos professores não são graduados na área que lecionam. Reforma do ensino médio pode flexibilizar exigência.



Por Luiza Tenente, do G1
04/10/2016 às 11:02 · Atualizado há 5 horas


No Brasil, 27% das escolas têm menos da metade dos professores com licenciatura na disciplina que ensinam aos alunos. Isso quer dizer que, nestes colégios, a maior parte dos docentes não estudou na universidade para se tornar professor naquela matéria e também não fez curso de complementação pedagógica. Os dados fazem parte do resultado do "Enem 2015 por Escola", que foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta terça-feira (4).
Se consideradas as 100 escolas com as piores médias no Enem 2015, 68 não possuem nem metade dos professores com graduação ou curso na área em que lecionam. Já entre os 100 colégios com melhores médias, apenas seis têm menos da metade dos docentes com formação especializada nas disciplinas que ensinam aos alunos.
Nas duas instituições cujos alunos obtiveram as melhores notas médias no exame – Objetivo e Etapa III, ambos em São Paulo – todos os professores contratados têm licenciatura na área em que atuam.
De acordo com Maria Inês Petrucci Rosa, professora do departamento de ensino e práticas culturais da Faculdade de Educação da Unicamp, há duas explicações para o alto número de escolas que empregam profissionais sem licenciatura.
A primeira delas é que, em algumas regiões isoladas do Brasil, a distância das universidades e dos colégios faz com que seja mais difícil encontrar docentes com formação para dar aula. “A função de professores leigos acaba sendo recorrente. A região amazônica, por exemplo, tem vários problemas nesse sentido”, explica a professora. “O que as secretarias estaduais tentam é investir em educação à distância, para formar mais profissionais nestas áreas isoladas.”



A outra explicação apontada por Maria Inês é a desvalorização da carreira de professor. Mesmo em regiões urbanas, como São Paulo, onde há quantidade expressiva de formandos a cada ano, há funcionários das escolas sem licenciatura. 

“Os professores especialistas não se sentem atraídos pela carreira. Percebem que não conseguem ter carga horária condizente com um salário que dê conta de sustentar a família”, diz Maria Inês. “Aí ocorre o sucateamento por desemprego. Um farmacêutico, por exemplo, está desempregado e se candidata para dar aulas de química, porque os professores especialistas não se sentem mais atraídos por essas vagas. Ou um advogado se candidata para aulas de português”, completa.
Prejuízos para a educaçãoMaria Inês reforça que, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, aprovadas em 2001, todo professor deve ter licenciatura para assumir a vaga em um colégio.
medida provisória da reforma do ensino médio, decretada pelo Ministério da Educação no dia 22 de setembro, busca regulamentar que pessoas sem licenciatura, apenas com “notório saber” na área de conhecimento, possam desempenhar a função de docente.
Para a especialista, há um retrocesso. “Estão regulamentando a precariedade. Em vez de priorizar investimentos em educação, estão agindo como se tivéssemos que nos ajustar a essa situação com problemas”, diz.
Ela explica que ser professor não é apenas transmitir conhecimentos. “A habilidade de ensino é uma aquisição profissional. O professor é um agente social importante que conhece os processos didáticos, culturais e sociais de escolarização. Isso vem de instituições formadoras”, explica.
Maria Inês afirma que ter educação com qualidade expressiva exige que os profissionais sejam qualificados e estudem em uma instituição especializada, com currículo próprio – assim como o que ocorre nas áreas de engenharia ou de saúde. “O professor aprende, na licenciatura, a entender o que é infância, o que é juventude. Isso não ocorre de forma espontânea na sala de aula”, completa.
SoluçõesA especialista afirma que as escolas com maior parcela de professores formados na área que lecionam têm mais sucesso nas avaliações porque costumam valorizar o corpo docente. “Muitas delas têm regime de contratação integral, com horas reservadas para estudos, trabalhos coletivos”, diz Maria Inês.
Para ela, se o contrato favorece que o professor possa se dedicar a apenas uma escola, sem precisar conciliar dois ou mais empregos, ele terá mais tempo para se preparar para as aulas e para conhecer a comunidade escolar – alunos e seus familiares. “Os professores precisam ter um patamar salarial condizente com o trabalho deles. Fazer uma pessoa assumir aulas em várias escolas ao mesmo tempo é o veneno da qualidade da educação”, completa.


STF nega pedido de Lula, mas Teori critica 'espetáculo midiático' do MP

04/10/2016 16h25 - Atualizado em 04/10/2016 17h54

Ex-presidente queria retirar do juiz Sérgio Moro investigação sobre ele.
Procuradores disseram que Lula era 'comandante máximo da propinocracia'.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta terça-feira (4) pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tirar do juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na primeira instância, investigações sobre suposto recebimento de propina pelo petista.
A defesa alegava que esses inquéritos se debruçavam sobre os mesmos fatos de um inquérito que tramita no STF que investiga a existência de uma organização criminosa que atuava naPetrobras.
Nessas investigações, o Ministério Público busca condenar o petista por suposto recebimento de vantagem indevida por meio de reformas em um apartamento triplex no Guarujá, litoral de São Paulo, e em um sítio em Atibaia (SP), além do pagamento de palestras do ex-presidente.
Por 4 votos a zero, os ministros decidiram, por unanimidade, manter as investigações sobre o suposto recebimento de propina com Moro. O único ministro que integra a turma que não votou foi Celso de Mello, que não estava presente na sessão.
Durante o julgamento do pedido, o relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, esclareceu que as investigações que correm em Curitiba e na própria Corte são diferentes.
'Espetáculo midiático'
Em seu voto, Teori criticou a entrevista coletiva na qual o Ministério Público Federal do Paraná apresentou a denúncia contra Lula. Na ocasião, os procuradores da República acusaram o ex-presidente da República de ser o "comandante máximo da propinocracia brasileira", em referência aos fatos investigados na Operação Lava Jato.
Na sessão desta terça, o relator da Lava Jato no Supremo chamou de "espetáculo midiático" a entrevista do MPF paranaense.
"Tivemos oportunidades de presenciar espetáculo midiático forte que se fez em Curitiba, não com participação do juiz [Sérgio Moro], mas do Ministério Público. Se deu notícia sobre organização criminosa, colocando Lula como líder, dando impressão, sim, que se estaria investigando organização criminosa. Houve esse descompasso", ressaltou o ministro.
"Realmente essa espetacularização do episódio não é compatível nem com aquilo que foi objeto da denúncia nem com a seriedade que exige na apuração desses fatos. Se houve reclamação, teria de ser contra esse episódio”, continuou Teori.
O Ministério Público Federal do Paraná informou ao G1 que não vai se manifestar sobre as declarações de Teori Zavascki
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STF libera para Moro ação contra Cunha sobre contas na Suíça

04/10/2016 20h21 - Atualizado em 04/10/2016 20h41

Acórdão de julgamento do STF que abriu ação foi publicado.
Teori Zavascki havia determinado envio de ação ao Paraná após publicação.

Mariana OliveiraDa TV Globo, em Brasília

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou abertura de ação penal contra o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em razão de contas na Suíça foi divulgada no "Diário de Justiça Eletrônico" nesta terça-feira (4) e será considerada publicada na quarta (5). Trata-se do acórdão do julgamento, que é um resumo da decisão tomada.
A publicação permitirá que a ação penal seja remetida definitivamente ao juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, a quem caberá analisar o caso. A mulher de Cunha já é alvo de ação penal em relação ao tema e agora o ex-parlamentar também responderá em Curitiba.

Há cerca de três semanas, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo, determinou o envio para o Paraná da ação, na qual Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Bênin, na África, e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.
Porém, o ministro condicionou a remessa do processo à publicação da decisão do julgamento que abriu a ação penal. Por isso, o caso ainda não tinha sido enviado para Moro.

O caso sobre as contas, que tem provas coletadas pelo Ministério Público da Suíça, será o primeiro contra Cunha que chegará às mãos de Sérgio Moro.
Desde que Cunha perdeu o foro privilegiado, uma ação que o acusa de receber propina por contrato de navio-sonda foi enviada para o Tribunal Regional Federal da 2ª região e outros processos foram para outros magistrados em Brasília e no Rio de Janeiro
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