quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Lula era o 'comandante máximo' do esquema da Lava Jato, diz MPF

14/09/2016 14h15 - Atualizado em 14/09/2016 20h06

MPF denuncia Lula, Marisa e mais 6 por esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo o procurador, Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propinas da OAS.

Bibiana Dionísio, Isabela Camargo e José ViannaDo G1 PR, da GloboNews e da RPC

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta quarta-feira (14) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis pessoas no âmbito da Operação Lava Jato. O procurador Deltan Dallagnol afirmou que, segundo provas do MPF, Lula era o "comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato". VEJA A ÍNTEGRA DA DENÚNCIA
A denúncia abrange três contratos da OAS com a Petrobras e diz que R$ 3,7 milhões em propinas foram pagas a Lula. Os crimes imputados aos denunciados são corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Caberá à Justiça decidir se eles se tornarão réus.
O MPF pede a indenização de R$ 87,6 milhões, que deve ser paga pela OAS e também por Lula, além de R$ 58,4 milhões, a serem pagos por Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS (veja trecho da denúncia ao final da reportagem).
Segundo o procurador, Lula recebeu propinas de forma dissimulada, por meio da reserva e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, e do custeio do armazenamento de seus bens. Dallagnol afirmou que há 14 conjuntos de evidência contra o ex-presidente, que teria sido o "maior beneficiário do esquema".
A denúncia do MPF diz que todo o mega esquema envolve o valor de R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões.
Daltan Dalagnol detalha denúncia contra Lula na Lava Jato (Foto: Rodolfo Buhrer/FotoArena/Estadão Conteúdo)Daltan Dalagnol detalha denúncia contra Lula na Lava Jato (Foto: Rodolfo Buhrer/FotoArena/Estadão Conteúdo)
Veja quem foi denunciado
Luiz Inácio Lula da Silva - ex-presidente - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Marisa Letícia - mulher de Lula - lavagem de dinheiro
Léo Pinheiro - ex-presidente da OAS - corrupção ativa e lavagem de dinheiro
Paulo Gordilho - arquiteto e ex-executivo da OAS - lavagem de dinheiro
Paulo Okamotto - presidente do Instituto Lula - lavagem de dinheiro
Agenor Franklin Magalhães Medeiros - ex-executivo da OAS - corrupção ativa
Fábio Hori Yonamine - ex-presidente da OAS Investimentos - lavagem de dinheiro
Roberto Moreira Ferreira - ligado à OAS - lavagem de dinheiro
A força-tarefa da Lava Jato afirmou que deixou de denunciar Lula pelo crime de organização criminosa porque este fato está em apuração no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, os advogados de Lula disseram que o ex-presidente e sua mulher "repudiam publica e veementemente a denúncia" do MPF, a qual chamaram de "peça de ficção" e de "truque de ilusionismo" (veja a íntegra ao final da reportagem).
O texto assinado por Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira diz que os procuradores não apresentaram provas concretas de que o casal tentou esconder a propriedade do imóvel e que os recursos usados pela empresa tiveram origem em desvios da Petrobras. Segundo eles, a coletiva de imprensa violou as garantias de dignidade da pessoa humana e da presunção da inocência. "O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos", afirma a nota.
Pelo Facebook, Lula afirmou que desde janeiro deste ano tornou públicos documentos que"provam que ele não é dono de nenhum apartamento no Guarujá", nem "sequer dormiu uma noite" no local.
Lula em reunião do PT em São Paulo (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)Lula em reunião do PT em São Paulo (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)
'Propinocracia'
"O Petrolão era parte de um quadro muito maior", disse o procurador procurador Deltan Dallagnol, que chamou o esquema de "propinocracia", que seria um governo regido por propinas. Segundo ele, um cartel de empreiteiras conseguia contratos com a Petrobras e pagava valores indevidos a operadores financeiros, funcionários da estatal e políticos. "No centro do núcleo político está o senhor Lula."
Sem o poder de decisão do Lula, este esquema seria impossível [...]. Lula era o maestro desta grande orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos"
Deltan Dallagnol, procurador da MPF
“Mensalão e Lava Jato são duas faces de uma mesma moeda”. Segundo Dallagnol, os dois são esquemas de corrupção foram desenvolvidos por um mesmo governo para alcançar a governabilidade corrompida, perpetuar o PT no poder de forma criminosa e promover o enriquecimento ilícito. "Desta vez, Lula não pode dizer que não sabia de nada."
O procurador afirmou que Mensalão e Lava Jato dependiam de duas máquinas para funcionar: uma máquina de governo, por causa das nomeações, e uma máquina de partido, que coletava e adminstrava a propina. "Lula era o elo comum e necessário para as duas máquinas que faziam o esquema rodar."
"Todas as provas nos levam a crer, acima de qualquer dúvida razoável, que Lula era o maestro desta grande orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos. Era o general que estava no comando da imensa engrenagem desse esquema, que chamamos de propinocracia", disse Deltan Dallagnol.
O procurador afirmou que o Petrolão não estava restrito à Petrobras, mas também envolvia a Eletrobras, os ministérios do Planejamento e da Saúde, a Caixa Econômica, entre outros órgãos públicos. A Petrobras era a "galinha dos ovos de ouro do esquema", segundo o procurador, pois a estatal chegou a responder por 75% dos investimentos federais em determinado momento.
Segundo ele, só era possível obter um cargo alto na Petrobras quem aceitasse participar do esquema e receber propina. "A distribuição de cargos no governo era feita, conscientemente, com fins arrecadatórios. Quando Lula assumiu o governo em 2003, tinha apoio de 254 deputados. Após adotar uma política de distribuição de cargos, que envolvia mais de 18 mil cargos de confiança, em maio de 2003, a base aliada era composta por 353 deputados."
Há muitas evidências de que esse esquema era partidário, sendo gerenciado primordialmente pelo Partido dos Trabalhadores"
Deltan Dallagnol, procurador do MPF
"Só o poder de decisão de Lula fazia a estratégia de governabilidade corrompida viável. Lula estava no topo da pirâmide do poder, competindo-lhe nomear os altos cargos da administração pública federal. [...] Sem o poder de decisão do Lula, este esquema seria impossível."
O procurador falou sobre o papel do ex-presidente na nomeação de gerentes e diretores da Petrobras, como Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, que foram presos na Lava Jato. "Lula nomeou diretores para atender interesses do PP e do PMDB", afirmou.
"Há muitas evidências de que esse esquema era partidário, sendo gerenciado primordialmente pelo Partido dos Trabalhadores", afirmou Dallagnol, citando delatores do esquema, entre eles, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.
O procurador falou sobre o enriquecimento ilícito de pessoas ligadas ao PT, como o ex-ministro José Dirceu, que teria recebido R$ 15 milhões. Com a saída de Dirceu do governo, segundo Dallagnol, a continuidade do Mensalão (que virou Petrolão) só foi possível porque o ex-ministro não era o líder – e sim alguém acima dele, o ex-presidente Lula.
Apartamento triplex
O procurador Roberson Pozzobon disse que o fato de Lula não figurar como dono do apartamento de Guarujá é uma forma de dissimular a verdadeira propriedade, o que configura lavagem de dinheiro.
Lula é efetivo proprietário no papel do apartamento. Pois, justamente, o fato de ele não configurar como proprietários do triplex, da cobertura em Guaruja, é uma forma de ocultação de dissimulação da verdadeira propriedade"
Roberson Pozzobon, procurador do MPF
“Em se tratando de lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de se manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário no papel do apartamento. Pois, justamente, o fato de ele não configurar como proprietários do triplex, da cobertura em Guaruja, é uma forma de ocultação de dissimulação da verdadeira propriedade”, afirmou Pozzobom.
Segundo ele, Lula e Marisa tinham comprado cotas do empreendimento da Bancoop e, em 2009, pararam de pagar as parcelas do apartamento 131. Naquela época, a OAS tinha assumido o empreendimento. A família, segundo o procurador, tinha mudado para o apartamento 141. Depois, o MPF encontrou um documento o número do imóvel rasurado. Segundo a perícia, embaixo de 141 estava escrito 174, que era cobertura triplex. Pozzobon disse que a cobertura nunca foi ofertada para venda.
"Eles [Lula e Marisa] receberam a cobertura em pagamento de propina. Ela tem valor de R$ 1,5 milhão, e o valor que eles tinham pago, de 2005 a 2009, era de R$ 340 mil. Ou seja, eles receberam vantagens indevidas na ordem de R$ 1,1 milhão."
O procurador Julio Noronha afirmou que a OAS realizou uma reforma no apartamento, seguindo as interesses de Lula, conforme indicam mensagens extraídas do celular de Léo Pinheiro. Segundo Noronha, a compra do apartamento, a reforma e a decoração somaram mais de R$ 2,4 milhões.
 Armazenamento de bens
A denúncia tem mais de 270 tópicos. Em parte dela, os procuradores afirmam que a autoria de Lula fica evidenciada nos pagamentos feitos pela construtora OAS em favor da Granero para armazenagem de parte dos bens e pertences pessoais de Lula.
“Soma-se a isso o fato de que os pagamentos da armazenagem dos bens pessoais pertencentes a Lula foi assumida por empresa que se beneficiou diretamente dos ilícitos praticados em desfavor da Administração Pública Federal, notadamente da Petrobras, e tinha uma dívida de propinas com esquema de governo e partidário (era uma das empreiteiras cartelizadas). Além disso, tal empreiteira era controlada por Léo Pinheiro, pessoa muito próxima de Lula”.
De acordo com a Polícia Federal, a OAS pagou por cinco anos (entre 2011 e 2016) R$ 21,5 mil mensais para que bens do ex-presidente ficassem guardados em depósito da empresa Granero. Os pagamentos totalizam R$ 1,3 milhão. Ainda segundo a PF, o montante corresponde a vantagens indevidas pagas pela OAS em benefício de Lula.
Quanto a Paulo Okamotto, de acordo com os procuradores, também é indiscutível a participação dele nas irregularidades. Foi ele que solicitou à Granero o orçamento para armazenagem dos bens de Lula e, posteriormente, firmou, na condição de presidente do Instituto Lula, apenas contrato para armazenagem do acervo pessoal que necessitava de depósito climatizado".
O que dizem os denunciados
O ex-presidente Lula postou no seu perfil oficial no Facebook: "Desde 30 de janeiro de 2016, Lula tornou públicos os documentos que PROVAM que ele não é o dono de nenhum apartamento no Guarujá. Lula esteve apenas uma vez no edifício, quando sua família avaliava comprar o imóvel. Jamais foi proprietário dele ou sequer dormiu uma noite no suposto apartamento que a Lava-Jato desesperadamente tenta atribuir ao ex-presidente."
O advogado Edward de Carvalho, que defende Léo Pinheiro e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, não vai se manifestar. Da mesma forma, o advogado Cal Garcia, que faz a defesa de Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira, também não vai comentar a denúncia.
O advogado Fernando Augusto Fernandes, responsável pela defesa de Paulo Okamotto, disse em nota que "não houve lavagem de dinheiro". "O Ministério Público criou uma corrupção em que não há vantagem ilícita. O valor é pago para a conservação de um acervo considerado como ‘patrimônio cultural brasileiro de interesse público’ pela Lei 8394/91. A nota fiscal foi emitida em nome da empresa que contribuiu, a OAS, e não houve qualquer falsidade. O valor foi para a empresa, que mantinha o acervo em depósito."
A defesa de Okamotto criticou ainda a prisão dele e de Lula. "A única lavagem que poderia existir é dos abusos cometidos, da condução coercitiva do presidente Lula e do presidente do instituto, Paulo Okamotto. Abusos que agora se tentam legitimar sem nada encontrar".
Veja íntegra da nota dos advogados de Lula:
Lula e D. Marisa Letícia repudiam denúncia da Lava Jato
Denúncia do MPF é truque de ilusionismo; coletiva é um espetáculo deplorável
Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam publica e veementemente a denúncia ofertada na data de hoje (14/09/2016) pelo Ministério Público Federal (MPF), baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina.
A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Força Tarefa da Lava Jato. O MPF elegeu Lula como “maestro de uma organização criminosa”, mas “esqueceu” do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados. “Quem tinha poder?” Resposta: Lula. Logo, era o “comandante máximo” da “propinocracia” brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime.
A farsa lulocentrica criada ataca o Estado Democrático de Direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros. Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, muito menos uma prova. Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do ex-Presidente. Nada encontraram. Foi necessário, então, apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal. O crime do Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República.
O grosso do discurso de Dallagnol não tratou do objeto da real denúncia protocolada nesta data – focada fundamentalmente da suposta propriedade do imóvel 164-A do edifício Solaris, no Guarujá (SP). Sua conduta política é incompatível com o cargo de Procurador da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses.
Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial-midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS.
Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar essa realidade. Na qualidade de seus advogados, afirmamos que nossos clientes não cometeram, portanto, crimes de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), falsidade ideológica (CP, art. 299) ou lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º).
A denúncia não se sustenta, diante do exposto abaixo:
1- Violação às garantias da dignidade da pessoa humana, da presunção da inocência e, ainda, das regras de Comunicação Social do CNMP.
A coletiva de imprensa hoje realizada pelo MPF valeu-se de recursos públicos para aluguel de espaço e equipamentos exclusivamente para expor a imagem e a reputação de Lula e D. Marisa, em situação incompatível com a dignidade da pessoa humana e da presunção de inocência. O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos, violando o art. 15, da Recomendação n.º 39, de agosto de 2016, do Conselho Nacional do Ministério Público, que estabelece a Política de Comunicação Social do Ministério Público.
2- Não há nada que possa justificar as acusações.
2.1 - Corrupção passiva –
O ex-Presidente Lula e sua esposa foram denunciados pelo crime de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), no entanto:
2.2.1 O imóvel que teria recebido as melhorias, no entanto, é de propriedade da OAS como não deixa qualquer dúvida o registro no Cartório de Registro de Imóveis (Matricula 104801, do Cartório de Registro de Imóveis do Guarujá), que é um ato dotado de fé pública. Diz a lei, nesse sentido: “Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. A denúncia não contém um único elemento que possa superar essa realidade jurídica, revelando-se, portanto, peça de ficção.
2.2.2.  Confirma ser a denúncia um truque de ilusionismo o fato de o documento partir da premissa de que houve a “entrega” do imóvel a Lula sem nenhum elemento que possa justificar tal afirmação.
2.2.3. Lula esteve uma única vez no imóvel acompanhado de D. Marisa — para conhecê-lo e verificarem se tinham interesse na compra. O ex-Presidente e os seus familiares jamais usaram o imóvel e muito menos exerceram qualquer outro atributo da propriedade, tal como disposto no art. 1.228, do Código Civil (uso, gozo e disposição).
2.2.4. D. Marisa adquiriu em 2005 uma cota-parte da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) que, se fosse quitada, daria direito a um imóvel no Edifício Mar Cantábrico (nome antigo do hoje Edifício Solaris). Ela fez pagamentos até 2009, quando o empreendimento foi transferido à OAS por uma decisão dos cooperados, acompanhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Diante disso, D. Marisa passou a ter a opção de usar os valores investidos como parte do pagamento de uma unidade no Edifício Solaris – que seria finalizado pela OAS — ou receber o valor do investimento de volta, em condições pré-estabelecidas. Após visitar o Edifício Solaris e verificar que não tinha interesse na aquisição da unidade 164-A que lhe foi ofertada, ela optou, em 26.11.2015, por pedir a restituição dos valores investidos. Atualmente, o valor está sendo cobrado por D. Marisa da Bancoop e da OAS por meio de ação judicial (Autos nº 1076258-69.2016.8.26.0100, em trâmite perante a 34ª. Vara Cível da Comarca de São Paulo), em fase de citação das rés.
2.2.5. Dessa forma, a primeira premissa do MPF para atribuir a Lula e sua esposa a prática do crime de corrupção passiva — a propriedade do apartamento 164-A — é inequivocamente falsa, pois tal imóvel não é e jamais foi de Lula ou de seus familiares.
2.2.6. O MPF não conseguiu apresentar qualquer conduta irregular praticada por Lula em relação ao armazenamento do acervo presidencial. Lula foi denunciado por ser o proprietário do acervo. A denúncia se baseia, portanto, em uma responsabilidade objetiva incompatível com o direito penal
2.3 – Lavagem de Capitais
Lula foi denunciado pelo crime de lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º) sob o argumento de que teria dissimulado o recebimento de “vantagens ilícitas” da OAS, que seria “beneficiária direita de esquema de desvio de recursos no âmbito da PETROBRAS investigado pela Operação Lava Jato”.
2.3.1 Para a configuração do crime previsto no art. 1º, da Lei nº 9.613/98, Lula e sua esposa teriam que ocultar ou dissimular bens, direitos ou valores “sabendo serem oriundos, direta ou indiretamente, de crime”.
2.3.2 Além de o ex-Presidente não ser proprietário do imóvel no Guarujá (SP) onde teriam ocorrido as “melhorias” pagas pela OAS, não foi apresentado um único elemento concreto que possa indicar que os recursos utilizados pela empresa tivessem origem em desvios da Petrobras e, muito menos, que Lula e sua esposa tivessem conhecimento dessa suposta origem ilícita.
Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
Trecho da denúncia
Trecho da denúncia contra Lula e mais 7 pessoas pede a devolução de milhões de reais à Petrobras (Foto: Reprodução)Parte da denúncia contra Lula e mais 7 pessoas pede a devolução de milhões de reais à Petrobras (Foto: Reprodução)
Indiciamento
Em agosto deste ano, a Polícia Federal (PF) indiciou Lula, Marisa Letícia, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o arquiteto Paulo Gordilho e o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto por crimes como corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Os cinco foram investigados por supostas irregularidades na aquisição e na reforma de um apartamento triplex do Edifício Solaris, no Guarujá, no litoral de São Paulo, e no depósito de bens do ex-presidente
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Feira clandestina em São Paulo tem animais vivos e pode estar vendendo carne de cachorro

A denúncia foi publicada pela Folha de S. Paulo.

Fabio Chaves 
Do Vista-se




Uma feira clandestina já funciona há seis meses na rua Florêncio Ramos, na região da famosa Rua 25 de Março, em São Paulo.
Realizada sempre na parte da tarde de segunda-feria a sábado na esquina com a Rua Senador Queiróz, a feira tem barracas com verduras, carnes de várias espécies de animais e até caranguejos vivos sendo vendidos. Vendedores e compradores são de origem asiática.
A reportagem da Folha de S. Paulo esteve no local na tarde desta terça-feira (14) e presenciou o livre comércio por cerca de meia hora. Frangos e patos são vendidos inteiros, inclusive com a cabeça, apenas depenados. Não há a menor chance de terem sido abatidos de forma legalizada. Mas, ainda que fossem, o comércio na rua é ilegal.
Carnes já pesadas em sacos plásticos com etiquetas improvisadas também ficam à disposição em caixas plásticas colocadas diretamente no asfalto ou em recipientes de isopor. Tudo sem higiene ou refrigeração e sob um calor de cerca de 30 graus.
No local também são comercializados caranguejos vivos, que se mantém assim porque um dos vendedores joga água neles de vez em quando.
Quando a reportagem perguntou sobre que tipo de carne era aquela que estava em um balde transparente em uma das barracas, recebeu uma resposta estranha. “Carne com sabor que brasileiro não gosta, só chinês.” – respondeu a vendedora. A mesma mulher deu apenas um sorriso para (deixar de) responder a uma segunda pergunta: “É algo típico da China?” – disse o repórter, obviamente sem se identificar.
No início de agosto deste ano, três restaurantes orientais foram fechados na mesma região por suspeita de venda de carne de cachorro (relembre aqui).
Procurada pela Folha, a prefeitura disse que vai intensificar a fiscalização e que essa feira irregular já está na lista de afazeres da administração pública.

Lula, Marisa e mais seis são denunciados na Lava Jato

PF indiciou o ex-presidente por irregularidades em triplex no Guarujá



POLÍTICA TRIPLEXHÁ 3 HORAS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO


Luiz Inácio Lula da Silva, sua mulher, Marisa Letícia, e outras seis pessoas, foram denunciados nesta quarta-feira (14), pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. A coletiva de imprensa com os procuradores ocorrerá nesta tarde, com o objetivo de detalhar a denúncia, informa o G1.

Veja quem foi denunciado:
Lula - ex-presidente
Marisa Letícia - mulher de Lula
Léo Pinheiro - ex-presidente da OAS
Paulo Gordilho - arquiteto
Paulo Okamotto - presidente do Instituto Lula
Agenor Franklin Magalhães Medeiros - ex-executivo da OAS
Fábio Hori Yonamine - ligado à OAS
Roberto Moreira Ferreira - ligado à OAS
Em agosto, a Polícia Federal (PF) indiciou Lula, Marisa e mais três pessoas por crimes como corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Os cinco foram investigados por supostas irregularidades na aquisição e na reforma de um apartamento tríplex do Edifício Solaris, no Guarujá, no litoral de São Paulo, e no depósito de bens do ex-presidente.
Segundo o indiciamento, a OAS pagou, entre 2011 e 2016, R$ 21,5 mil mensais para que bens do petista ficassem guardados em depósito da empresa Granero.Os pagamentos totalizam, de acordo com citação do delegado, R$ 1,3 milhão. Conforme a PF, o montante corresponde a vantagens indevidas pagas pela Construtora OAS em benefício de Lula.
Na época, o advogado do ex-presidente e da ex-primeira-dama, Cristiano Zanin Martins, disse que as conclusões do relatório da Polícia Federal "tem caráter e conotação políticos e é, de fato, peça de ficção".

'Lula é o comandante do esquema de corrupção', diz procurador

MPF denuncia ex-presidente nesta quarta por corrupção e lavagem de dinheiro


POLÍTICA LAVA JATOHÁ 1 HORA
POR NOTÍCIAS AO MINUTO

Em coletiva para detalhar sobre a denúncia do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira (14), o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que o petista é o “comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Petrobras durante seu governo".


Dallagnol repetiu o esquema tinha como objetivos a manutenção da governabilidade, a perpetuação dos partidos no poder e o enriquecimento ilícito dos envolvidos, informa o Globo.
"Hoje o MPF acusa o sr. Luiz Inácio Lula da Silva como o comandante máximo do esquema de corrupção identificado na Lava Jato", disse Deltan, durante entrevista em Curitiba.
De acordo com o procurador, a conclusão não leva em conta a história do ex-presidente ou da qualidade de seu governo:
"O MPF não está julgando aqui quem Lula foi ou é como pessoa. Não estamos julgando quanto o seu governo foi ou não foi bom, o quanto ele fez ou não fez pelo povo brasileiro. O que o Ministério Público faz aqui é imputar a ele a responsabilidade por crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, em um contexto específico, afirmando qual é a medida de sua responsabilidade com base em evidências", declarou Deltan, afirmando que a mesma ressalva se aplica ao PT.
"Não se julga aqui a adequação de sua visão de mundo, sua ideologia, mas avalia sim se a agremiação se envolveu, por meio de seus diversos prepostos, em crimes específicos".
Para a operação, mesmo que não se possa afirmar que todos os apadrinhados que assumiram cargos públicos arrecadaram propinas, é possível "afirmar que existia um sistema com este objetivo, o qual abarcava seguramente diversos cargos públicos", disse o coordenador da operação.
"Só o poder de decisão de Lula fazia o esquema de governabilidade corrompida viável. (O ex-presidente) nomeou diretores para que arrecadassem propina. Sem o poder de decisão de Lula, esse esquema seria impossível".
O ex-presidente, a mulher dele, Marisa Letícia, e mais seis pessoas foramdenunciadas nesta quarta (14) por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do edifício Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo. Estão na lista de denunciados o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, e os ex-diretores da OAS Paulo Gordilho (responsável pela compra de móveis planejados para a cozinha do apartamento), Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Exclusivo. Corpos se acumulam e cheiro de cadáveres se espalha no Hran


iStock


Câmara fria do Hospital Regional da Asa Norte está lotada e o refrigerador apresenta defeito. Sem a temperatura correta, o odor dos corpos começa a incomodar os pacientes, segundo denúncia de servidores da unidade. Veja vídeo obtido com exclusividade peloMetrópoles


A falta de dignidade nos hospitais da rede pública do Distrito Federal não se limita aos vivos. A câmara fria do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde são guardados os cadáveres e restos mortais de pacientes que morreram na unidade, está superlotada e com a temperatura inadequada. Sem a devida refrigeração, o cheiro dos cadáveres começa a incomodar os pacientes internados nos quartos.


Vídeos gravados por funcionários e obtidos com exclusividade peloMetrópoles mostram até 10 restos mortais de bebês em uma só gaveta. As imagens foram gravadas na tarde desta terça-feira (13/9) e chocam pelas más condições de armazenamento.
Instalações precárias, armários enferrujados, um corpo enfaixado sobre uma maca e materiais como facas e martelos sujos e gastos lembram mais um filme de terror do que um hospital público.
Enquanto o ambiente é filmado, um servidor fala: “Estamos aqui no necrotério do Hran, onde todas as gavetas estão emperradas. Em cada gaveta há dois cadáveres”, diz. Em outro trecho, o funcionário mostra os equipamentos utilizados para fazer necrópsias e denuncia: “Não há nem esterilização. Ficamos expostos à contaminação”.
Veja o vídeo abaixo, não recomendado para pessoas sensíveis.  
Ao todo, o Hran tem oito gavetas para manter os corpos. Da câmara fria, eles são liberados para as famílias fazerem o enterro ou seguem para o Instituto Médico Legal (IML) para necrópsia. De acordo com o relato no vídeo, existem corpos que estão no local há meses. A etiqueta de uma das gavetas aponta a data de óbito como “julho de 2015”. O cadáver em cima da maca estava nessas condições justamente porque não havia espaço nas gavetas.
“É um desrespeito com as famílias tratar os mortos dessa maneira. Não existe um comprometimento do Estado em manter as máquinas assistidas. É um constrangimento desnecessário. Além disso, o cheiro já está vazando para o hospital”, afirmou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues.
GDF nega problemasApesar do vídeo ter sido gravado nesta terça (13) e da denúncia ter partido de servidores do próprio hospital, a Secretaria de Saúde nega problemas. “A direção do Hospital Regional da Asa Norte informa que a geladeira não está com a temperatura fora do normal. O que houve durante o fim de semana foi o acúmulo de corpos, mas a situação já foi resolvida e o armazenamento dos corpos está normalizado”. A pasta não comentou sobre o cheiro que está se alastrando pelo Hran.
ReproduçãoREPRODUÇÃO



Polícia Federal faz operação contra quadrilha suspeita de fraudes no INSS

14/09/2016 08h36 - Atualizado em 14/09/2016 08h36

PF cumpriu mandados de prisão, condução e apreensão em MG e na BA.
Grupo teria causado prejuízo de R$ 6,5 mi aos cofres públicos, diz corporação.

Do G1 MG

Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (14), em Minas Gerais e na Bahia, uma operação para desarticular uma quadrilha suspeita de cometer fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com a corporação, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, quatro mandados de condução coercitiva e 12 mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de BetimContagemAlmenara e Palmópolis, além de Porto Seguro (BA).
Ainda segundo a polícia, a Previdência Social calculou que a quadrilha teria causado um prejuízo de R$ 6,5 milhões em fraudes a benefícios previdenciários. Em relação a pagamentos futuros evitados, a economia aos cofres públicos chegaria a mais de R$ 10 milhões, conforme a PF. A Operação Nenhures é realizada com o apoio da Assessoria de Pesquisa Estratégica e de Gerenciamento de Riscos da Previdência Social
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