sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Bancários rejeitam reajuste de 7% e decidem continuar a greve

09/09/2016 16h52 - Atualizado em 09/09/2016 17h02

No 4º dia de paralisação, mais de 10 mil agências foram fechadas.
Uma nova rodada de negociação ficou marcada para a próxima terça.

Do G1, em São Paulo

Os bancários decidiram nesta sexta-feira (9) manter a greve iniciada na terça, rejeitando a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) de reajuste de 7%, informou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). No quarto dia de paralisação, 10.027 agências e 54 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas, ainda de acordo com a Contraf.
De acordo com o Banco Central, o país tem 22.676 agências bancárias (dado de julho). A Fenaban não divulgou balanço de agências fechadas e afirmou apenas que a população tem à sua disposição uma série de canais alternativos para realizar transações financeiras.
Segundo o sindicato, as negociações devem continuar. Uma nova rodada de negociação ficou marcada para a próxima terça-feira (13), em São Paulo.
Reivindicações
A categoria havia rejeitado a primeira proposta da Fenaban - de reajuste de 6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também rejeitada, foi de reajuste de 7% no salário, PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, além de abono de R$ 3,3 mil.
Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a inflação do período e representa uma perda de 2,39% para o bolso de cada bancário. Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial - no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores condições de trabalho.
A Fenaban disse em nota que "o modelo de aumento composto por abono e reajuste sobre o salário é o mais adequado para o atual momento de transição na economia brasileira, de inflação alta para uma inflação mais baixa".
greve, bancários, agências, Macapá, Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)Agências fechadas em Macapá, Amapá (Foto: Jéssica Alves/G1)
Atendimento
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lembra que os clientes podem usar os caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (desde que não vencidas), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques, transferências e saques de benefícios sociais.
Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, casas lotéricas e supermercados), é possível também pagar contas e faturas de concessionárias de serviços públicos, sacar dinheiro e benefícios e fazer depósitos, entre outros serviços.
Greve passada
última paralisação dos bancários ocorreu em outubro do ano passado e teve duração de 21 dias, com agências de bancos públicos e privados fechadas em 24 estados e do Distrito Federal. Na ocasião, a Fenaban propôs reajuste de 10%, em resposta à reivindicação de 16% da categoria
.

Senado defende atuação de Lewandowski no impeachment

09/09/2016 22h43 - Atualizado em 09/09/2016 22h47

Parecer responde a ações que questionam fatiamento em julgamento.
Rede também entrou com ação no STF contra fatiamento em votação.

Mariana OliveiraDa TV Globo, em Brasília
O Senado enviou nesta sexta-feira (9) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação para defender a atuação do presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, na votação fatiada sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff.
Durante o julgamento de Dilma no Senado, Lewandowski autorizou que houvesse uma votação para definir a perda do cargo da ex-presidente e outra para tratar da habilitação a cargos públicos.
Conforme o parecer do Senado, a decisão da Casa é soberana e irrecorrível, justamente para evitar interferência externa. O documento foi apresentado em ações de partidos e senadores contra o fatiamento do julgamento, no qual foi decretada a cassação do mandato, mas mantidos todos os direitos políticos de Dilma. Foram protocoladas no STF ao menos oito ações do tipo, encaminhadas para Rosa Weber.
O Senado afirma que Lewandowski "cumpriu com maestria sua missão constitucional". O parecer do Senado foi mandado antes mesmo de a relatora solicitar uma manifestação – o que é praxe em ações desse tipo.

Nesta semana, Rosa Weber pediu aos autores das ações que alterem os pedidos iniciais para incluir Dilma como parte, uma vez que ela é diretamente interessada, sob pena de arquivamento dos casos. O prazo dado para ministra é de quinze dias.
Na noite desta sexta, o partido Rede, de Marina Silva, também entrou com mandado de segurança contra o fatiamento da votação. O partido pede uma liminar para que Dilma seja impedida se ser nomeada para funções públicas.

EUA e Rússia anunciam acordo para cessar-fogo na Síria

09/09/2016 19h24 - Atualizado em 09/09/2016 21h00

Cessar-fogo terá início dia 12; força conjunta será lançada sete dias depois
Secretário de Estado dos EUA e ministro russo fizeram coletiva conjunta.

Do G1, em São Paulo

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, anunciam acordo sobre a Síria em Genebra, na Suíça, na sexta (9) (Foto: Fabrice Cofrini/AFP)O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, anunciam acordo sobre a Síria em Genebra, na Suíça, na sexta (9) (Foto: Fabrice Cofrini/AFP)
EUA e Rússia chegaram a um acordo sobre a guerra na Síria. O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, fizeram o anúncio em uma entrevista coletiva na sexta (9), após mais uma rodada de reuniões em Genebra, na Suíça.

Sete dias após o início do cessar-fogo, Rússia e EUA irão estabelecer um grupo que coordenará uma ação conjunta para combater o Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra.
Segundo Kerry, os dois países convocam rebeldes e aliados do governo síria que lutam no país a cessar fogo a partir do pôr-do-sol do dia 12 de setembro.
A ação inclui acessar todas as áreas cercadas, incluindo Aleppo. Ex-capital econômica do país, Aleppo é um dos bastiões da rebelião para derrubar o presidente Bashar al-Assad, cujas forças têm o apoio terrestre de milícias xiitas de países vizinhos e o apoio aéreo da Rússia. Ainda de acordo com o secretário, grupos serão autorizados a levar ajuda humanitária à cidade.
O secretário americano apelou aos grupos de oposição, que querem a saída do presidente Bashar al-Assad, para que eles se distanciem de todas as formas do EI e da Al-Nusra.  “Precisamos ir atrás desses terroristas de uma maneira estratégica, precisa e legal”. “Da complexidade da Síria está emergindo uma simples escolha entre a guerra e a paz”., acrescentou.
O menino Omran Daqneesh, de 5 anos, aguarda atendimento em uma ambulância, sujo de sangue e de poeira, após ser resgatado dentre escombros de um edifício alvo de um bombardeio aéreo em Aleppo, no norte da Síria. A cena causou comoção nas redes sociais (Foto: Reuters)O menino Omran Daqneesh, de 5 anos, aguarda atendimento em uma ambulância, sujo de sangue e de poeira, após ser resgatado dentre escombros de um edifício alvo de um bombardeio aéreo em Aleppo, no norte da Síria; cena causou comoção nas redes sociais (Foto: Reuters)
Kerry disse ainda que, caso todas as partes cumpram seus compromissos, há esperança de trazer paz ao país e reduzir o sofrimento. Segundo ele, a interrupção dos ataques aéreos em áreas definidas vai encerrar os bombardeios indiscriminados e tem potencial para mudar a natureza do conflito.
"É uma oportunidade, e não mais do que isso, até que se torne realidade", concluiu Kerry.
Separar terroristas
Segundo Lavrov, após a implementação do cessar-fogo, EUA e Rússia vão instalar um grupo conjunto para coordenar as operações e vão agir para separar os grupos terroristas de oposicionistas moderados ao governo de Assad.

Depois iniciarão ataques aéreos aos terroristas. Serão determinadas áreas onde apenas as forças aéreas russa e americana poderão agir, explicou Lavrov. A Força Aérea síria vai agir em outras áreas.
O ministro russo admitiu que ainda existem algumas desconfianças e que há pessoas que gostariam de minar o acordo desta sexta. Mas ele afirmou que comunicou o governo sírio sobre os termos e que já obteve uma resposta de que o governo está pronto para cumpri-los.
Aleppo é controlada por rebeldes desde 2012 (Foto: Reuters/Abdalrhman Ismail)Aleppo está dividida desde julho de 2012: a leste ficam os bairros rebeldes e a oeste os controlados pelo governo (Foto: Reuters/Abdalrhman Ismail)
"As Nações Unidas esperam que a vontade política que nos trouxe a esse entendimento seja sustentada", disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. Ele ofereceu o apoio da ONU para o acordo e disse esperar que as medidas anunciadas levem a uma Síria dona de sua própria situação política. “Hoje foi um longo dia com um bom resultado”, acrescentou.
As conversas sobre a paz na Síria irão prosseguir, afirmaram Kerry, Lavrov e De Mistura. Segundo o representante da ONU, ele irá consultar o secretário Geral da organização, Ban Ki-Moon, antes de anunciar a próxima rodada de reuniões.

Guerra na Síria
Mais de 290 mil pessoas morreram na guerra civil que começou há 6 anos. Os EUA apoiam os rebeldes moderados e curdos que lutam na Síria, além de liderar a coalização internacional que bombardeia alvos so Estado Islâmico no país. Já a Rússia, é aliada de Moscou e apoia o Exército do presidente Bashar al-Assad. O conflito na Síria deixou mais de 260 mil mortos desde seu início, em 2011.

Uma trégua anunciada em fevereiro entre os inimigos da Guerra Fria entrou em colapso e diálogos de paz ruíram, com o governo sírio e a oposição fazendo acusações mútuas de violações. Os confrontos têm crescido desde então no país, particularmente na cidade dividida de Aleppo, onde os avanços de ambos os lados cortaram suprimentos, energia e água para cerca de 2 milhões de moradores de áreas pró-governo e favoráveis aos rebeldes.

A cidade está dividida em duas desde julho de 2012: a leste ficam os bairros rebeldes e a oeste os bairros controlados pelo regime. Os bombardeios de aviões do regime sírio e de seus aliados russos são lançados diariamente. O regime é acusado pela Defesa Civil da Síria, uma organização de agentes de resgate que opera em áreas controladas por rebeldes, por lançar bombas-barril contendo gás cloro em Aleppo.

Em agosto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou sobre o que chamou de uma “catástrofe humanitária” sem precedentes em Aleppo
.

Justiça nega pedido de recuperação do parque Hopi Hari

09/09/2016 21h38 - Atualizado em 09/09/2016 21h50

Parque entrou com pedido na 2ª Vara de Vinhedo em agosto.
Principal credor de uma dívida de R$ 300 milhões é o BNDES.

Do G1, em São Paulo

Parque Hopi Hari está contratando profissionais. (Foto: Túlio Vidal)Parque Hopi Hari tem dívida de R$ 330 milhões. (Foto: Túlio Vidal)
A 2ª Vara Cível da Justiça de Vinhedo (SP) negou o pedido de recuperação judicial do parque de diversões Hopi Hari, situado no interior de São Paulo. A decisão da juíza Euzy Lopes Feijó Liberatti, responsável pelo caso, foi publicada na quinta-feira (8).

Na decisão, a juíza Euzy Lopes Feijó Liberatti afirma que as medidas apresentadas no pedido da empresa "não se mostram pontuais, nem provisórias, e não contam com o respaldo da lei".
A empresa fez o pedido em agosto para evitar a falência do empreendimento e tentar conseguir investidores para pagar uma dívida de R$ 330 milhões com credores.
O advogado do parque, Daltro Borges, afirmou ao G1 em agosto que pelo menos 50% da dívida do local é com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, por isso, sem a recuperação judicial, ficaria impossível ter acesso às linhas de crédito e o grupo seria obrigado a decretar falência.
Montanha-russa
Em julho, a juíza Carolina de Figueiredo Dorlhiac Nogueira, do Foro Central Cível de São Paulo, autorizou o empresário Cesar Augusto Federmann a fazer a retirada de uma montanha-russa do parque.
O brinquedo tratado no processo, uma montanha-russa de dez inversões, é prevista como nova atração, mas está desmontada e o prazo para abertura aos visitantes não foi confirmado pelo parque.
Em nota divulgado na época, o Hopi Hari alegou que todas as questões judiciais foram encerradas por meio de acordo enviado para a Comissão de Valores Mobiliários.
Em janeiro deste ano, o empresário acionou a Justiça de Vinhedo para cobrar R$ 5,9 milhões do parque, referentes a um empréstimo feito em dezembro de 2014 e acréscimo de juros. Contudo, o pedido foi indeferido no mesmo mês pelo juiz da 1ª Vara Cível, Fábio Marcelo Holanda, após o protesto ser interrompido.
À época, o magistrado mencionou que, caso o Hopi Hari pagasse o valor cobrado, não seria decretada a falência. Na ocasião, a assessoria do parque também citou que liminar da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo impedia a cobrança do valor.
Paralisações
No mês de agosto, os funcionários do parque fizeram paralisações por falta de pagamento em duas ocasiões e os turistas que vieram de outras cidades ficaram sem acesso ao espaço. Na época, a empresa não confirmou a greve e disse que o local estava em manutenção
.

Esquema da Máfia das Próteses é muito maior, diz delegado


João Gabriel Amador/Metrópoles


Adriano Valente garante que prisões, documentos apreendidos e relatos de vítimas revelam que o esquema envolvendo médicos, empresas e hospitais é bem maior. Há fortes indícios do envolvimento de planos de saúde e funcionários das operadoras



O delegado-adjunto da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Adriano Valente, diz que a Operação Mister Hyde, que revelou o suposto esquema envolvendo médicos, empresas do ramo de órteses e próteses e hospitais do Distrito Federal terá novos desdobramentos para alcançar outras pessoas e outros grupos envolvidos. Na mira das investigações estão as operadoras e funcionários de planos de saúde. “Já sabíamos que se tratava de um esquema grande. E esta foi apenas a primeira fase (da operação). É apenas a ponta do iceberg. Conforme a investigação avance, novos suspeitos devem ser identificados”, afirma Valente.
De acordo com as apurações, alguns planos de saúde chegaram a desembolsar até três vezes mais os valores de mercado nos procedimentos dos médicos e hospitais envolvidos. Há suspeita de facilitação e “vista grossa” nas auditorias internas. O termo “auditorias frágeis”, usado revelado nas escutas da Mister Hyde, é, na avaliação da polícia, um forte indício de participação de funcionários das operadoras no esquema.


Essa nova linha de investigação, entretanto, só será iniciada após a coleta dos depoimentos das vítimas. Mais de 50 vão ser ouvidas. Somente na manhã desta quinta-feira (8/9), três pessoas estiveram na Deco, no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), e relataram complicações sérias após passarem por procedimentos feitos por médicos citados na operação Mister Hyde, deflagrada na quinta-feira na semana passada (1º/9).
Entre as pessoas que foram na Deco está um aposentado (foto acima), que preferiu não se identificar. Ele afirma sofrer com constantes dores depois de ter passado por uma cirurgia na perna, em janeiro deste ano. “Tive uma pequena fratura na tíbia e colocaram 10 parafusos no meu osso. Já faz oito meses e a situação não melhorou”, conta. O homem teve de pagar R$ 70 mil pelo procedimento feito pelo médico Juliano Silva no Hospital Home. O médico é um dos envolvidos no suposto esquema e foi preso durante a operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Outra vítima, que também não se identificou por medo de retaliação, conta que teve quatro parafusos colocados na coluna, mas três quebraram. Ao buscar a opinião de um outro especialista, não envolvido com a máfia, ficou sabendo que a cirurgia foi desnecessária. “Agora convivo com dores e não consigo fazer atividades comuns, como lavar louça ou levantar peso”.
Mesmo quem não teve danos visíveis está buscando orientação na polícia. Um auxiliar de produção que passou por uma cirurgia na lombar se diz decepcionado com o médico Rogério Damasceno, outro envolvido no suposto esquema. “Eu confiava nele. Falávamos sobre a família, sobre os filhos. Mas agora não tenho certeza se o que foi colocado em mim é de boa procedência”. O paciente conseguiu a lista de materiais usados em sua operação e buscará outro especialista para saber se as próteses foram necessárias. As vítimas que registraram ocorrência devem ser chamadas para prestar depoimento na próxima semana.
Vítimas
O delegado Adriano Valente afirma que já são mais de 30 possíveis vítimas que buscaram a divisão, somente em uma semana, mas o número é bem maior. “Hoje (quinta) mesmo recebi ligações de outras delegacias que ouviram pessoas que se sentiram lesadas pelos investigados”, conta.
Até esta sexta (9), o delegado deve reunir e catalogar os documentos e ocorrências. A partir da próxima semana, as supostas vítimas começarão a ser chamadas para depoimentos mais detalhados. Nos casos em que os erros médicos forem mais prováveis, as pessoas serão encaminhadas para perícia.
O delegado informou ainda que, após a investigação do esquema da Máfia das Próteses, serão instaurados inquéritos individuais a fim de tipificar os danos causados às vítimas. Valente reforça que aqueles que acreditarem ter sido lesados pelos envolvidos no esquema devem procurar a delegacia para orientação.
Muitas pessoas disseram que tinham medo de processar o médico, por não acharem que não conseguiriam uma vitória na Justiça. E infelizmente esse temor condiz com a realidade. Mas, com o inquérito policial, esperamos que a situação seja diferente"
Adriano Valente, delegado-adjunto da Deco
Dos 13 presos na Operação Mister Hyde, cinco conseguiram habeas corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e deixaram a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade, por volta da meia-noite de sexta-feira (2). São eles: os médicos Rogério Gomes Damasceno, Wenner Costa Catanhêde, Henry Campos e Leandro Flores, além de Mariza Martins, que seria sócia da TM Medical, uma das empresas que estariam envolvidas com a máfia das próteses.
Os outros acusados foram levados para a Papuda. “Eles devem ficar presos enquanto a investigação não terminar”, diz o delegado. Segundo Valente, os investigados mantiveram-se em silêncio até o momento.

Enem tem inscrição mais cara e governo bate recorde de arrecadação




Com pouco menos de dois meses para as provas, o exame já bate recorde de arrecadação e de custos para o Governo Federal




BRASIL EDIÇÃO 2016HÁ 43 MINS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO


A atual edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016 tem a inscrição mais cara da história e bate recorde no valor arrecadado. Por outro lado, é previsto que os custos para os cofres públicos também subam. Será o maior desde 2009, ano que a prova passou a ser aplicada no formato que possui hoje, segundo o portal G1.


De acordo com o Ministério da Educação (MEC), as 8,732 milhões de inscrições arrecadaram R$ 136,2 milhões. Em média, descontando os gastos, o custo médio por aluno será de R$ 74,67 neste ano.
Em 2015, o então ministro Renato Janine Ribeiro afirmou que o custo médio por aluno seria de R$ 52, porém, ficou em R$ 76,59.
O MEC explica que o valor apresentado é uma estimativa, já que os custos variam de acordo com o vários fatores, como a quantidade de alunos que realizarem a prova.
"O pagamento da correção, só será realizado para o número de participantes que efetivamente realizarem a prova. Portanto, qualquer afirmação, neste momento, do gasto efetivo para o Enem 2016, não é exata", afirmou representante do MEC.

CARLOS LESSA BNDES quer privatizar o Brasil. A sociedade quer isso?

Para Carlos Lessa, um projeto nacional tem de promover o trabalho e o emprego. Ex-presidente do BNDES, ele teme que o banco hoje atue para “vender barato o patrimônio que custou caro aos brasileiros”

por Maurício Thuswohl, para a Revista do Brasil publicado 12/08/2016 12:14, última modificação 12/08/2016 16:29
Carlos Lessa
Lessa: no Brasil, a taxa de inflação não é o horror, o horror é a taxa de desemprego
O economista e professor Carlos Lessa é figura sem par no pensamento político e econômico brasileiro. Conhecido por seu perfil nacionalista, ele faz sobre o atual momento do país uma análise que ultrapassa os limites do embate ideológico, ao se posicionar de forma crítica em relação à política econômica do governo interino de Michel Temer e ao que classifica como “falta de rumo” do Brasil nos últimos anos, incluindo a era Lula e Dilma, quando o país não teria sabido definir o caminho para garantir seu crescimento econômico.
Lessa lamenta que, no governo interino, o BNDES, uma das principais ferramentas de promoção do setor produtivo e do desenvolvimento, tenha voltado à “era tucana” e se tornado um “instrumento de corretagem para facilitar a venda dos ativos brasileiros”. Presidente da instituição em 2003, ele diz se orgulhar de ter sido demitido por ter “brigado” com o então presidente do Banco Central do governo Lula, Henrique Meirelles, hoje ministro da Fazenda. “Eu sou inimigo do Meirelles.”
A receita econômica de Michel Temer e Henrique Meirelles, que inclui aumento de impostos e venda de ativos, é o melhor caminho para que se estabilize a economia brasileira?
Há uma discussão – do meu ponto de vista quase que histérica – sobre o corta ou o não corta, sobre põe imposto ou não põe imposto. No Brasil, a taxa de inflação não é o horror, o horror é a taxa de desemprego.
O Brasil tem muito petróleo muita energia, mas estão privatizando. É isso o que quer a sociedade brasileira? Precisamos crescer e afastar a maldição do desemprego das famílias
Quais medidas seriam necessárias para a retomada?
A grande discussão a ser feita é: crescer em que direção? Eu, por exemplo, acho que deve crescer pela construção da casa própria. Eu acho o programa Minha Casa, Minha Vida uma ideia absolutamente correta. Para construir uma casa você usa um terreno, usa materiais locais, como areia e pedra, usa a mão de obra local e ao mesmo tempo usa cimento e ferro de construção, que são produtos nacionais. Então, você tem a cadeia produtiva virada para dentro da economia. Se você constrói casa, todos esses fornecimentos são ativados.
Como o senhor avalia a proposta do governo de estabelecer um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos?
Isso é uma bobagem, é uma besteira. Não existe essa coisa de teto. Quer dizer: você está com sua perna arrebentada, mas não pode consertá-la porque há teto de gastos? A questão é saber se o gasto público é relevante e se está sendo produzido de uma maneira correta. O problema não é o que você gasta, mas como você gasta.
O sistema de exploração do pré-sal a partir do regime de partilha e com participação mínima de 30% da Petrobras em cada campo está em vias de ser desmontado pelo Congresso e pelo governo interino. O que o senhor acha dessa mudança?
Eu acho que a questão do petróleo está sendo mal discutida no Brasil por uma razão muito simples. Na verdade, tem muita gente que diz que o Brasil tem de retirar o petróleo com a maior rapidez possível. Isso significa converter o Brasil em um exportador de petróleo. Ser mero exportador de petróleo no mundo é uma maldição. Eu só conheço um país onde a exportação de petróleo gerou uma vida social sofisticada, organizada e correta, que é a Noruega. O resto dos grandes países exportadores são Arábia Saudita, Irã, Indonésia... A Indonésia é impressionante: foi fundadora da Opep e hoje importa petróleo.
O que eu quero dizer é que ter petróleo é uma vantagem colossal para um país, mas ser exportador de periferia é sempre uma situação muito vulnerável. Eu não quero ser uma Arábia Saudita, um Qatar, não me inspiro em Abu Dhabi. Para o Brasil, eu quero que cada família viva direito, tendo a energia necessária para viver direito.
Com o anúncio de iniciativas para incentivar concessões e privatizações, o perfil do BNDES no governo Temer é diferente daquilo que o banco vinha representando nos últimos anos. Para o senhor, qual o papel ideal do BNDES na economia?
A descaracterização do BNDES é mortal para o Brasil. Essa moça que está lá (Maria Silvia Bastos Marques) voltou a fazer o discurso da era tucana, a pior de todas. Agora, vamos entender bem. Eu não quero fazer esse tipo de julgamento, mas, infelizmente, sou obrigado a fazer. O BNDES veio se aproximando muito dessa atual orientação tucana porque, ao priorizar o mercado de capitais, se desviou de sua função que é dar prioridade ao sonho brasileiro de crescimento. O Brasil está crescendo em que direção? Para onde? Para ser celeiro do mundo ou para ser uma pátria sem fome? O Brasil está dando prioridade para quê? Para que cada família tenha um poder de compra mínimo para sua dignidade? Isso significa gerar empregos para os brasileiros. Eu não sei qual é a prioridade do crescimento brasileiro pelo simples fato de que ele não está explicitado, o que leva o BNDES a uma situação muito difícil.
Hoje, o projeto que o BNDES tem para o país é privatizar o Brasil. O BNDES é um instrumento de corretagem para facilitar a venda dos ativos brasileiros. Como os ativos brasileiros estão muito baratos, nós vamos cometer um crime contra a brasilidade. Vender barato o que custou o sangue e o suor dos brasileiros. Para quê? Para virar celeiro do mundo e manter a fome no Brasil? É esse o projeto nacional brasileiro? Eu faria essa pergunta à presidente interditada, Dilma Rousseff, e ao presidente em exercício, Michel Temer. Nenhum dos dois vai responder. Tente fazer essa pergunta ao ministro Henrique ­Meirelles e aos ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci. Singelamente. Na verdade, eu acho que essa pergunta cada brasileiro deve fazer para si mesmo. Você quer deixar seu vizinho desempregado? O morador do seu bairro passando fome?
Por que o senhor saiu do BNDES?
Eu sou suspeito porque fui presidente do BNDES e fui demitido pelo presidente Lula. Isso é uma coisa da qual eu me orgulho porque naquela ocasião eu briguei com o Henrique Meirelles. Eu sou inimigo do Meirelles, que na época já era uma figura promovida pelo PT, infelizmente. Eu acho que o BNDES tem que ser o antigo BNDES, ligado à industrialização brasileira, para empurrar para frente a economia brasileira, para gerar emprego para os brasileiros. É esse o BNDES que eu acho importante. Esse BNDES, por exemplo, não deveria fazer campanha publicitária nos grandes jornais, porque todo mundo conhece a instituição. Tem que gastar dinheiro nos pequenos jornais do interior, aí sim a propaganda poderá atingir pessoas que não saibam o que é o BNDES.
O BNDES é a grande invenção que a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos deu para o Brasil. É uma história muito curiosa, porque o Brasil, mesmo tendo participado da Segunda Guerra Mundial, não recebeu nenhum apoio do Plano Marshall. Mas criou-se a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos porque os americanos diziam que queriam nos ajudar. Eles não ajudaram, mas propuseram a criação de um banco de fomento. Esse banco de fomento chama-se BNDES, que foi a melhor sugestão que os americanos fizeram para o Brasil até hoje.
Carlos_Lessa2_foto_vitor_vogel_rba.jpgSou inteiramente favorável à ideia de um projeto nacional, à democracia. Antes de o Brasil  ser celeiro do mundo não pode mais haver fome no país
O Brasil tem saída no futuro imediato?
Antes de o Brasil ser celeiro do mundo não pode mais haver fome no país. Antes de o Brasil imaginar exportar energia tem que usar a energia para melhorar a vida dos brasileiros. Usar a energia com a tecnologia de utilização dessa energia. Uma das coisas que os vendedores de petróleo ficam falando é que se eles não venderem, a era do petróleo vai acabar. E daí? A era do carvão, na 1ª Revolução Industrial, acabou, mas quem ainda tem carvão tem uma vantagem espetacular. O Brasil tem muito petróleo potencial, tem muita energia elétrica potencial, mas estão privatizando a parte de energia elétrica e despedaçando a rede de energia brasileira. É isso o que quer a sociedade brasileira? Precisamos crescer e afastar a maldição das famílias desempregadas, precisamos dar comida para o povo brasileiro.
É possível um realinhamento das forças progressistas em torno de um projeto para o país?
O Brasil está sem um projeto nacional explícito e organizado há muito tempo. Não é de hoje. Eu não gosto muito da divisão esquerda-direita porque ela se refere a um cenário histórico mundial completamente diferente do cenário atual. Sobre isso, eu volto a perguntar, em bom português: qual é o projeto brasileiro. É o projeto de globalização? Então, qual é a nossa referência na globalização? É claro que nós precisamos estar ligados à economia mundial e devemos fazer uma política para fortalecer essas ligações. Porém, essa política é uma política nacional, não é adotar internamente diretivas enunciadas abstratamente pelo país líder. Não é adotar o Consenso de Washington.
Como o senhor se define politicamente?
Quando me perguntam o que eu sou, eu digo: sou nacionalista. E digo outra coisa: sou populista. O progresso social na América Latina se dá por figuras que são execradas como populistas porque avançam. Mas a tragédia do populismo é que nunca consegue fazer o sucessor. É sempre um processo complicado, porém as conquistas sociais que os populistas introduziram ficam. O peronismo existe até hoje porque Perón avançou socialmente a Argentina. O getulismo ainda existe no Brasil porque houve Getúlio Vargas. Eu acho que, dadas as condições latino-americanas e ibéricas, com uma organização partidária fraca, são figuras que empurram a sociedade, e isso é chamado pela ciência política de populismo. Mas eu prefiro as figuras que empurram a sociedade às figuras que desarticulam a sociedade e nos jogam em uma situação subordinada e periférica.
O nacionalismo está fora de moda?
Eu sou inteiramente favorável à ideia de um projeto nacional, à democracia como forma básica de organização da sociedade, a partidos que se alternem no poder com respeito a uma regra para não eliminar o outro. Essas regras são singelas, porém são tornadas obscuras para discussão. As pessoas agora têm vergonha de dizer que são nacionalistas porque se criou uma espécie de execração do nacionalismo. Mas, meu amigo, fora da nação não há solução. Eu até adoraria ver o mundo todo preocupado com os problemas do mundo, mas isso é um sonho da humanidade. Eu tenho, em primeiro lugar, que me preocupar com o meu país, me preocupar com os meus vizinhos. Isso significa melhorar a qualidade de vida dos povos sul-americanos, que é muito ruim. Ser nacionalista é dar prioridade ao desenvolvimento e à qualidade de vida do seu povo.