sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Juízes do Trabalho advertem que Temer vai destruir direitos trabalhistas 2/9/2016 12:36


A Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT) emitiu nota, nesta quinta (1), na qual condena o impeachment de Dilma Rousseff. A entidade classifica o episódio como um "golpe parlamentar" e afirma que é "estarrecedor" que a presidenta eleita tenha sido afastada sem a existência de crime de responsabilidade.

"É de estarrecer que a presidente da República tenha sido condenada na ausência de crime de responsabilidade, fato reconhecido pelos julgadores, quando deixaram de inabilitar a condenada, declarado por senadores, em entrevistas à imprensa, e escancarado no constrangedor pedido de desculpas que fez uma das autoras do pedido de impeachment", diz o texto, assinado pelo presidente da entidade, Hugo Cavalcanti Melo Filho.

Para os juízes, o pronunciamento do próprio presidente empossado, Michel Temer, deixa claro que o objetivo do impedimento é a retirada de direitos sociais. Na sua primeira fala após o impeachment em cadeia nacional de rádio e TV, Temer afirmou que o governo não terá como garantir o pagamento das aposentadorias sem uma reforma na Previdência Social e defendeu mudanças nas regras trabalhistas. 

"A ALJT considera evidenciado o propósito do golpe parlamentar, na fala do presidente empossado à nação: a desconstrução dos direitos sociais, com a reforma da Previdência e alterações radicais e precarizantes dos direitos trabalhistas", critica a associação de juízes. 

Obama cria no Havaí maior área de proteção marinha do planeta

  
Papahānaumokuākea
Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea fica localizado no Oceano Pacífico e até então, estava entre as maiores reservas de proteção à vida marinha do mundo. A extensa área contínua, de 360 mil km2, compreende uma região ao norte do arquipélago do Havaí, onde estão situadas diversas ilhotas, atóis e recifes de corais, que são habitat de mais de 7 mil espécies.
Papahānaumokuākea tornou-se uma reserva de conservação em 2006, durante o governo de George Bush. Quatro anos mais tarde, foi nomeada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco por sua importância ambiental e cultural. Esta semana o presidente americano Barack Obama anunciou que vai quadruplicar o tamanho da área protegida, criando assim, o maior parque de proteção marinha do planeta. A partir de agora, a área de preservação passa a ser de 1,500 milhão de km2.
obama cria reserva marinha de Papahānaumokuākea no Havaí
A decisão do governo americano foi tomada após o senator havaiano Brian Schatz e diversos líderes nativos do arquipélago terem feito a proposta da extensão da área de proteção do monumento. Vale lembrar também que, Obama tem um carinho especial pelo Havaí, já que nasceu lá, na cidade de Honolulu. O presidente estará nesta quarta (31/08), em Midway Atoll, em Papahānaumokuākea, de onde falará sobre como a ameaça das mudanças climáticas torna, cada vez mais, de extrema importância, a proteção de áreas marinhas e terrestres.
Entre as espécies de grande porte que vivem nas águas do Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea estão baleias e tartarugas, algumas delas listadas como ameaçadas de extinção. Também presente na região está o ser marinho mais antigo do planeta, o coral negro, que vive até 4.500 anos, afirmam biólogos. Vivem ainda no parque de proteção cerca de 14 milhões de aves marinhas, entre elas, quatro espécies somente encontradas lá.
Assim que o novo decreto for assinado, ficará proibida na nova área estendida e nos entornos da reserva toda atividade comercial de extração de recursos, incluíndo pesca e mineração. Só será permitida a pesca para fins recreativos e de pesquisas e estudos científicos.

A importância de Papahānaumokuākea

No dialeto havaiano, o nome Papahānaumokuākea celebra a união de dois ancestrais: Papahānaumoku e Wākea. Segundo lendas locais, a primeria seria a Deusa Terra que teria dado à luz as ilhas do arquipélago e o segundo, era seu marido, o Deus do Céu.
Papahānaumokuākea é considerada uma área sagrada para os havaianos. Eles acreditam que nestas águas nasce toda a vida e após a morte, a elas os espíritos retornam. A tradição local diz ainda que através do mana(poder espiritual) do nome Papahānaumokuākea incentiva-se a abundância e as forças de procriação da terra, do mar e do ceú, e da mesma maneira, os havaianos esperam que seus valores culturais e espirituais continuem sendo preservados.

Fotos: James Watt/Papahānaumokuākea Marine National Monument e vídeo NOAA
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Parabéns quebrando o círculo da elite acadêmica de engenharia Doutora em geologia, Márcia Abrahão é primeira mulher eleita reitora da UnB.

01/09/2016 17h03 - Atualizado em 02/09/2016 09h24

Lista das chapas será enviada a Michel Temer, responsável por nomeação.
Mandato é de 4 anos; atual reitor, Ivan Camargo, ficou na terceira colocação.

Mateus RodriguesDo G1 DF

Reitora eleita da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão (Foto: Julio Minasi/UnB)Reitora eleita da Universidade de Brasília (UnB),
Márcia Abrahão (Foto: Beto Monteiro/UnB)
A diretora do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, foi eleita nesta quinta-feira (1º), em primeiro turno, como a nova reitora da instituição. Ela deve comandar a UnB até 2020 e é a primeira mulher eleita para o cargo.
Os nomes de Márcia e do vice-reitor, Enrique Huelva, serão encaminhados para o Conselho Universitário (Consuni), que tem até 16 de setembro para homologar o resultado. Uma lista tríplice, com o resultado eleitoral, será enviada à Presidência da República.
O presidente Michel Temer pode seguir ou não o resultado definido pela consulta pública. Também cabe a ele promover a nomeação e a posse dos novos titulares – o regulamento não determina um prazo para que isso aconteça.
Estudantes, professores e técnicos administrativos puderam votar na consulta pública entre terça (30) e quarta (31), em urnas espalhadas pelos quatro campi da UnB – Plano Piloto, Gama, Ceilândia e Planaltina. A apuração foi feita no Centro Comunitário da UnB e acompanhada pela comunidade acadêmica. O resultado foi confirmado pela universidade às 17h.
A consulta para reitor segue um critério de proporcionalidade definido pela UnB, em que cada categoria de eleitor (estudantes, professores e técnicos) tem o mesmo peso no resultado.A chapa composta por Márcia e Huelva ganhou dos candidatos à reeleição, Ivan Camargo (atual reitor) e Sônia Báo (vice-reitora), e da chapa composta por Denise Bomtempo e José Manoel Sánchez. Em 2012, Márcia Abrahão chegou ao segundo turno, mas foi derrotada por Camargo.
No resultado oficial divulgado pela UnB, a chapa vencedora teve 53,34% dos votos válidos. A chapa que concorria à reeleição teve 35,19% e a dupla formada por Denise e Sánchez teve 11,46%. Dos 15.320 votos válidos, 8.398 foram para Márcia e Huelva.
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Chapa eleita para comandar a reitoria da UnB, formada pelos professores Márcia Abrahão e Enrique Huelva (Foto: UnB/Reprodução)Chapa eleita para comandar a reitoria da UnB, formada pelos professores Márcia Abrahão e Enrique Huelva (Foto: UnB/Reprodução)
Perfil
Márcia Abrahão Moura dá aula na UnB desde 1995 e tem graduação, mestrado e doutorado na universidade. Nascida no Rio de Janeiro, mora em Brasília desde a adolescência. Além da atuação acadêmica, tem passagens pela Petrobras e pelo Banco Central.
Entre 2008 e 2011, Márcia foi decana de Ensino e Graduação e ajudou a implementar o Programa de Reestruturação Universitária (Reuni), que expandiu a oferta de cursos e vagas na UnB.
As pautas defendidas pela chapa durante a campanha eleitoral incluíam a criação de um programa de acompanhamento dos alunos formados, o aumento da integração com outras instituições de ensino do Centro-Oeste e o incentivo a estratégias como carona solidária e bicicletas compartilhadas
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DF: pivô de crise no Esporte detalha corrupção no governo

Preso depois de causar tumulto no Palácio do Buriti, João Dias disse à Polícia que homem forte de Agnelo recebeu dinheiro em troca de nomeações


Responsável por trazer à tona o esquema de corrupção que culminou nademissão de Orlando Silva do Ministério do Esporte, o policial militar João Dias Ferreira decidiu revelar boa parte do que sabe sobre o esquema de propina envolvendo autoridades do governo do Distrito Federal. As declarações atingem em cheio o homem forte de Agnelo Queiroz (PT), o petista Paulo Tadeu, e o chefe da Casa Militar, coronel Rogério Leão. E mostram que a lógica promíscua que regia os governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda não se extinguiu. Apenas trocou de mãos. Até agora, Dias poupava de suas denúncias o governo do Distrito Federal. A blindagem parece ter acabado. VEJA teve acesso, em primeira mão, aos dois depoimentos de João Dias.
Ao ser preso nesta quarta-feira depois de causar um tumulto no palácio do governo, Dias tentava devolver 200 000 reais que, segundo ele, lhe foram oferecidos por duas pessoas ligadas a Paulo Tadeu. O dinheiro seria uma espécie de “cala-boca”. O delator também contou em detalhes o esquema de arrecadação de dinheiro para o caixa dois da eleição do ano passado. O delator foi ouvido nesta quarta-feira pela Polícia Civil e a Polícia Militar. À PM, o acusador deu mais detalhes sobre o escândalo de corrupção (veja íntegra do depoimento abaixo). Mas foi à Polícia Civil que Dias identificou os emissários que lhe entregaram os 200 000: o irmão de Paulo Tadeu e a chefe de gabinete do secretário.
Caixa 2 – Segundo o policial militar, Paulo Tadeu fez um acordo com um doleiro e um policial civil ligado ao ex-governador Paulo Octávio. Pelo acerto, o doleiro faria as nomeações na empresa pública DF Trans e no BRB Seguros, companhia do banco estatal de Brasília. Como parte do acordo, diz João Dias, Tadeu recebeu 500 000 reais durante a campanha eleitoral de 2010. O coronel Rogério Leão, atual chefe da Casa Militar do governador Agnelo Queiroz, teria testemunhado o episódio. O acerto não teria sido cumprido e resultou em um episódio no qual os grupos do doleiro e do governo de Agnelo se encontraram em uma padaria e quase trocaram tiros.
O policial contou que o grupo do governo local ofereceu um acerto com o doleiro, já que o governo de Agnelo já tinha indicado outras pessoas para as diretorias do BRB. De acordo com o PM, foi proposto então um segundo acordo ao deputado Paulo Tadeu, para que a parte descontente controlasse a troca da iluminação pública, no valor de 1,3 bilhão de reais, e a construção de garagens subterrâneas em Brasília, um contrato de 350 milhões de reais.
Compra de testemunha – João Dias diz que no último domingo recebeu em sua casa uma comitiva em nome do secretário Paulo Tadeu: além do irmão e da chefe de gabinete do secretário, o grupo seria composto por um delegado da Polícia Civil, um coronel da Polícia Militar, e uma mulher não identificada. A comitiva, diz ele, ofereceu 200 000 reais em espécie “para não detonar o governo do Distrito Federal”.
João diz que não aceitou a proposta de dinheiro, mas relata que na manhã de segunda-feira avistou dentro de sua casa uma pasta com o montante, “levando a crer que o dinheiro havia sido deixado ali pela tal comitiva”. Foi a partir desse encontrou que João Dias diz ter decidido ir até o Palácio do Buriti para devolver o dinheiro. Ele teria tentado entrar no gabinete do secretário de Governo Paulo Tadeu e jogado dinheiro sobre a mesa. Durante a confusão, João Dias ofendeu a chefe de gabinete de Paulo Tadeu e deverá ser indiciado por injúria racial. Ele também quebrou um dedo de um policial militar. A Polícia Civil encontrou no gabinete um valor menor do que o reportado por João Dias: 159.000 reais.
O depoimento de João Dias joga luz sobre um episódio nebuloso: a curiosa mudança de postura de Daniel Tavares, ex-lobista da indústria química que acusava Agnelo Queiroz de ter recebido propina mas depois voltou atrás. João Dias conta ter recebido 250.000 reais do chefe da Casa Militar de Agnelo. O dinheiro deveria ser passado a Tavares. Paulo Tadeu também é mencionado como operador da coação. A versão de João Dias vai ao encontro de umaacusação feita pela oposição a Agnelo há um mês: a de que o coronel Leão intermediou a mudança de depoimento de Tavares. O ex-lobista tem até um comprovante de depósito de 5 000 reais na conta do atual governador. Mas, depois de revelar o pagamento de propina, passou a dizer que tudo não passava de um empréstimo.
Resposta – Em nota, o governo do Distrito Federal rebateu as acusações de João Dias: “O governo está sendo alvo de uma denúncia infundada, baseada em depoimento no qual não foi apresentado prova alguma”. E completa: “O Governo do Distrito Federal foi o primeiro a tomar providências, a apurar as circunstâncias da invasão do policial militar João Dias na Secretaria de Governo do Distrito Federal. E aguarda que o caso seja esclarecido o mais rápido possível, revelando que interesses escusos levam o policial a fazer tais declarações neste momento”.
Delator – A ligação do policial militar João Dias Ferreira com o governador Agnelo Queiroz é antiga, ainda de quando o petista pertencia ao PCdoB e comandava o Ministério do Esporte. Responsável por ONGs que mantinham convênios milionários com a pasta, Dias chegou a ser preso em uma operação que desmontou um esquema de desvios no ministério. Mais recentemente, Dias revelou a VEJA que o modelo continou funcionando durante a gestão de Orlando Silva. Fragilizado pelas denúncias, o comunista acabou deixando o cargo.

Joaquim Barbosa critica nas redes sociais o 'impeachment tabajara'

Apoiadores mais exaltados de Temer e favoráveis ao processo de impeachment chegaram a chamar Barbosa de traidor


 postado em 01/09/2016 08:43

 Bruno Peres/CB/D.A Press - 03/06/2014

Se alguém for contar o Dia D do impeachment da agora presidente cassada Dilma Rousseff tendo o embate nas redes sociais como ponto de partida de certo que irá se valer dos bombásticos e internacionais tuítes do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. "Eu não acompanhei nada desse patético espetáculo que foi o 'impeachment tabajara' de Dilma Rousseff. Não quis perder tempo."

Barbosa, algoz de petistas no julgamento do mensalão, chamou o primeiro pronunciamento de Temer como presidente de patético: "Mais patética ainda foi a primeira entrevista do novo presidente do Brasil, Michel Temer. Explico. O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se". Barbosa ainda tuitou em inglês e francês.

Apoiadores mais exaltados de Temer e favoráveis ao processo de impeachment chegaram a chamar Barbosa de traidor. Nas piores versões do embate virtual, alguns partiram para agressões pessoais e até racistas. O ex-presidente do STF também foi chamado, ironicamente, de "o mais novo petralha".


Ironia não faltou na rede
O "tchau, querida" continuou forte na timeline de quem apoiou o impeachment. Já aqueles que foram contrários ao processo, voltaram a fazer piada com os poemas de Temer (principalmente depois de Dilma ter citado o poeta russo Vladimir Maiakovski em seu pronunciamento).

Imagens com Títulos de Eleitor rasgados também se espalharam na rede. O discurso sobre os "54 milhões de votos jogados fora" ganhou ainda mais força - e a narrativa do 'golpe' mostrou que ainda tem fôlego para continuar nos trending topics por muito tempo.

Teve quem tentasse contemporizar. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, escreveu: "Agora é hora de virar a página, deixar as diferenças para trás e, de braços dados, reconstruir o país". A manifestação de Skaf foi rechaçada por muitos tuiteiros - que escreveram coisas como "ele não quer pagar o pato que ele mesmo criou"

Ação contra máfia das próteses no DF prende 12 pessoas; sete são médicos

Considera pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como a maior investigação já realizada para apurar máfia contra a saúde, a Operação Mister Hyde também apreendeu R$ 100 mil e US$ 90 mil


 postado em 01/09/2016 14:28 / atualizado em 01/09/2016 14:33 Jacqueline Saraiva , Nathália Cardim /

1/9 - Operação da Polícia Civil e MP prende máfia das próteses no DF



Suspeitas de envolvimento no grande esquema que movimentou milhões de reais no Distrito Federal, 13 pessoas foram presas na Operação Mister Hyde, deflagrada nesta manhã de quinta-feira (1°/9). Sete deles são médicos e os demais funcionários de hospitais, de clínicas e da empresa que estava no centro do esquema, a TM Medical. É a maior investigação já realizada para apurar a máfia contra a saúde. O grupo criminoso enriquecia com a realização de cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses, além do uso de material vencido em pacientes. Estima-se que cerca de 60 pessoas foram lesadas, somente em 2016, por uma empresa.




Foram 13 mandados de prisão no total, sendo sete temporárias e cinco preventivas; 21 mandados de busca e apreensão; e quatro conduções coercitivas, quando a pessoa é levada para depor. Foram apreendidos R$ 100 mil e US$ 90 mil. Entre os presos estão o dono da empresa TM Medical e líder do esquema, John Wesley e um sócio da empresa, identificado como Micael Bezerra Alves. Uma condução coercitiva é contra o diretor do Hospital Home, Cícero Henrique Dantas Neto. O médico dono de uma clínica no Setor Hospitalar Sul, Rogério Damasceno, um dos mais atuantes do esquema, foi preso temporariamente.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram no ano passado, por meio de uma denúncia na internet, feita por um instrumentador cirúrgico. Segundo o delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DECO), Luiz Henrique Dourado, os golpes começavam pela identificação de um paciente que fosse um “projeto econômico”, ou seja, um alvo para a realização dos procedimentos médicos desnecessários. O hospital entrava em contato com a empresa de venda de próteses e órteses, momento em que o médico alinhava com os funcionários o material que deveria ser incluído no procedimento cirúrgico e também as recompensas financeiras que receberiam pela “indicação” do material, além de superfaturarem os preços. As gratificações eram pagas em dinheiro e por ‘mimos’, como viagens, segundo a operação.

A propina recebida pelos médicos era proporcional à quantidade de material que o médico inseria em cada cirurgia. “Inclusive, a empresa chegava a indicar ao médico a inclusão de material cirúrgico. Ou seja, não é a necessidade do paciente que prevalece e sim o interesse econômico”, afirmou o delegado Luiz Henrique Dourado.

Com a participação de funcionários de clínicas médicas e hospitais, o material era encaminhado à unidade médica, quando então eram criadas condições para facilitar que aquela empresa com a qual o médico fez o acordo ganhasse uma espécie de licitação – já que os planos de saúde exigem que três empresas sejam definidas. Cada pessoa que atuava no esquema fraudulento recebia um “pagamento”, de acordo com a participação em cada etapa do processo. Em caso de negativa do plano de saúde, os investigados faziam diversos relatórios para justificar o procedimento e o uso das próteses e órteses indicadas para forçar a aprovação.


Crime contra a saúde
De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a operação de hoje teve dois objetivos: o primeiro é evitar a continuidade da ação criminosa dentro das unidades de saúde; o segundo era a coleta de material que pudesse comprovar a existência da quadrilha organizada e ampliar a investigação. Os envolvidos vão responder à Justiça pelos crimes de organização criminosa, crimes contra a saúde pública e estelionato. No entanto, as investigações prosseguem para apurar crimes de lavagem de dinheiro. As penas somadas ultrapassam ao menos 40 anos de prisão para cada um.




O MP considera como grave as condutas praticadas. Na investigação foram identificados vários casos de uso de próteses fora do prazo de validade e a simulação de uma venda como se fosse equipamento importado e, no momento da cirurgia, havia a troca e utilização de equipamento nacional. O órgão destaca que a expectativa é de que, nos próximos dias, após a oferta da denúncia, o Conselho Regional de Medicina (CRM) seja comunicado e tome as devidas providências. Entre as medidas punitivas, está inclusive o afastamento dos profissionais envolvidos.

Com informações de Ana Maria Campos

Operação Mister Hyde prende máfia das próteses no DF

HEDIONDO CADEIA NESSES MONSTROS!