quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cientistas descobrem planeta parecido com Terra que orbita vizinha do Sol

Nomeado de Proxima b, planeta é pequeno, rochoso e pode ter água líquida. Ele orbita ao redor da Proxima Centauri, estrela mais próxima do Sol.

24/08/2016 às 14:01 · Atualizado há 4 horas
Ilustração mostra como pode ser a superfície do planeta Proxima b, que orbita a estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sol (Foto: ESO/M. Kornmesser)
Ilustração mostra como pode ser a superfície do planeta Proxima b, que orbita a estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sol (Foto: ESO/M. Kornmesser)

A o redor da estrela mais próxima do Sol, a Proxima Centauri, orbita um planeta pequeno e rochoso como a Terra que tem condições que permitiriam a existência de água em estado líquido, fator primordial para o desenvolvimento de vida. A empolgante descoberta do planeta Proxima b foi anunciada nesta quarta-feira (24) na revista "Nature".
Os cientistas celebraram o achado, pois o Proxima b pode vir a ser o planeta com possibilidade de vida mais perto do nosso Sistema Solar.
A equipe de mais de 30 cientistas analisou dados coletados a partir de dois telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) entre 2000 e 2014 e de uma série de observações feitas entre janeiro e março de 2016. As medidas se referem ao efeito Doppler, que indica minúsculos deslocamentos de uma estrela provocados pela presença de um planeta orbitando ao seu redor.
 Ilustração mostra o planeta Proxima b orbitando ao redor da anã vermelha Proxima Centauri, vizinha mais próxima do Sol (Foto: ESO/M. Kornmesser)
Ilustração mostra o planeta Proxima b orbitando ao redor da anã vermelha Proxima Centauri, vizinha mais próxima do Sol (Foto: ESO/M. Kornmesser)

Os dados permitiram concluir que Proxima b tem uma massa equivalente a cerca de 1,3 vez a da Terra e orbita a Proxima Centauri a cada 11,2 dias a uma distância de cerca de 7,5 milhões de km de sua estrela. Isso equivale a cerca de 5% a distância entre a Terra e o Sol.
A estrela Proxima Centauri fica a uma distância de 4,2 anos-luz do nosso Sistema Solar. Mesmo sendo nossa vizinha mais próxima, ainda sim levariam milhares de anos para chegar até lá usando a tecnologia atual.
"Ser bem-sucedido na busca do planeta terrestre mais próximo fora do Sistema Solar foi uma experiência de uma vida, e resultou da dedicação e da paixão de vários pesquisadores internacionais. Esperamos que essas descobertas inspirem futuras gerações a continuarem procurando além das estrelas. A busca por vida no planeta Proxima b vem em seguida", afirmou o coordenador do projeto e principal autor do estudo, Guillem Anglada-Escudé, da Universidade Queen Mary de Londres (QMUL).
A possibilidade de existência do planeta já era investigada há muito tempo, porém os cientistas queriam se certificar de que os dados eram realmente precisos. Isso porque a luz de uma estrela anã vermelha como a Proxima Centauri pode variar de forma a imitar a presença de um planeta. "Assim que estabelecemos que a variação não era causada por buracos estelares, soubemos que poderia ser um planeta orbitando uma zona onde a água poderia existir, o que é muito empolgante. Se futuros estudos concluírem que as condições de sua atmosfera são adequadas para abrigar vida, esta será provavelmente uma das descobertas científicas mais importantes que faremos", disse o pesquisador John Barnes, um dos autores do estudo.
Capa da revista 'Nature' desta semana destaca descoberta de planeta Proxima b (Foto: Nature/Divulgação)
Capa da revista 'Nature' desta semana destaca descoberta de planeta Proxima b (Foto: Nature/Divulgação)

TERREMOTO ITÁLIA 2016 Ao menos 159 mortos e 368 feridos no terremoto que atingiu a Itália

Sismo ocorreu durante a madrugada. Na localidade de Amatrice há pessoas presas nos escombros


Terremoto na Itália. Resgate de uma sobrevivente em Amatrice. EL PAÍS 

Um terremoto na Itália de magnitude 6,2 escala Richter sacudiu o centro do país na madrugada desta quarta-feira, causando pelo menos 159 mortes, segundo o último balanço oficial, passado pelo próprio primeiro-ministro, Matteo Renzi. O número inicial de mortos informado foi de 38 pessoas, mas como ainda há muitos desaparecidos —e ao menos 368 pessoas feridas—, as autoridades locais creem que o número de vítimas ainda deve aumentar. Uma das regiões mais afetadas foi o povoado de Amatrice, que fica numa área montanhosa e pouco povoada (tem cerca de 2.600 habitantes): segundo o prefeito da cidade, praticamente metade da cidade foi devastada.



Das 120 vítimas confirmadas inicialmente, 53 ocorreram entre as localidades Accumoli e Amatrice, ambas na província de Riet (região de Lácio), e outras 20 no município de Arquata del Tronto, na região de Ascoli Piceno. Há pelo menos mais 150 pessoas desaparecidas nos escombros, segundo a BBC. E ao menos 2.000 pessoas estão desabrigadas, de acordo com a Defesa Civil.  As autoridades nacionais e a Cruz Vermelha estão mobilizando recursos para as zonas mais atingidas.
O tremor ocorreu pouco depois das 3h30 (22h30 de terça pelo horário de Brasília), e houve mais de 15 réplicas com magnitudes entre 4 e 5,4, segundo o Departamento de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos. O sismo foi sentido durante mais de 15 segundos em Roma, mais de 100 quilômetros a sudoeste do epicentro, na localidade de Rieti, região do Lácio. O hipocentro se situou a quatro quilômetros de profundidade.
O Governo italiano e a Defesa Civil monitoram a área do epicentro para em busca de possíveis danos, disse um porta-voz do premiê Matteo Renzi pelo Twitter. O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso, à qual só é possível chegar de helicóptero ou a pé. Some-se a isso o corte das comunicações telefônicas.
Cerca de 100 tremores secundários, dos quais mais de metade com magnitude superior a 3 graus, foram registrados após o terremoto inicial de magnitude 6,2. A réplica mais forte ocorreu pouco antes das 5h (hora local) perto de Norcia, na região de Perugia. A Defesa Civil descreveu a situação como “severa” e confirmou que há danos materiais – como o desabamento de partes de edifícios – e um número não especificado de feridos.
Houve sérios danos materiais nas localidades da Norcia (5.000 habitantes) e Amatrice (2.600 habitantes), zonas de veraneio que recebem muitos turistas nesta época. O prefeito do Amatrice, Sergio Pirozzi, anunciou que há moradores desaparecidos e pediu ajuda para liberar as vias de acesso à pequena cidade e facilitar a chegada dos serviços de emergência. “Há pessoas debaixo dos escombros e há bairros que já não estão mais lá. Metade de Amatrice já não existe mais”, lamentou. “Há tantos mortos que nem consigo fazer uma estimativa. Deve haver dezenas de mortos”, relatou Pirozzi à televisão pública RAI.
O Exército foi mobilizado para colaborar na operação de resgate, que é especialmente complicada por transcorrer em uma área montanhosa de difícil acesso
Os danos nessa localidade foram muito graves, e a rua principal está devastada. Os moradores foram levados para ginásios esportivos, e a prioridade dos serviços de emergência é “salvar as pessoas que possam estar sob os escombros”. Os dois primeiros corpos foram resgatados ao amanhecer e, segundo o padre Fabio Gammarota, que colabora com as equipes de buscas, outras três pessoas morreram devido ao desmoronamento parcial de um imóvel.
Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”, porque quase 70% das casas caíram devido ao terremoto, que, segundo a medição do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, atingiu a magnitude 6,0.
Imagens aéreas feitas pelo Corpo de Bombeiros mostram um cenário de destruição completa no centro histórico de Amatrice, que era formado em sua maioria por antigas casas de pedra – das quais poucas permaneceram em pé.
Valerio, morador da localidade de Rieti (47.000 habitantes), relatou que “as casas velhas caíram todas, a rua principal é um desastre. Saí de casa correndo de madrugada, seminu. Agora estamos tentando ajudar os outros da cidade. Precisamos sair com o trator para retirar escombros das ruas e estradas”.
O prefeito de Accumoli (667 habitantes), Stefano Petrucci, relatou haver pelo menos seis mortos, sendo quatro de uma mesma família, incluindo duas crianças, além de outros dois corpos que foram recuperados sob os escombros.
Moradores de Amatrice entrevistados pela imprensa italiana dizem que sua cidade medieval “já não existe mais”
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, e o primeiro-ministro Matteo Renzi estão em contato direto com a Defesa Civil para acompanhar o desenrolar dos trabalhos. O Corpo de Bombeiros disse estar tendo dificuldades de acesso a Accumoli devido ao estado crítico das estradas. Enquanto isso, o presidente da Cruz Vermelha italiana, Francesco Rocca, afirmou à imprensa que a organização também está deslocando ambulâncias e profissionais para as áreas mais afetadas e acrescentou que doações de sangue seriam bem vindas nas próximas horas. A associação de voluntários italianos de doadores de sangue também fez uma convocação para que doadores de todos os grupos sanguíneos compareçam aos bancos de sangue.
As comparações com o terremoto na Itália que aconteceu em 2009 na localidade de L’Aquila, que deixou mais de 300 mortos e 1.500 feridos, são inevitáveis, já que há uma distância de apenas 60 quilômetros e a magnitude foi quase a mesma, de 6,3 graus. O porta-voz da Defesa Civil, Fabrizio Curcio, afirmou que “a intensidade foi semelhante, mas a diferença está na densidade populacional, já que este terremoto afetou zonas menos densamente povoadas”. Mais recentemente, em 2012, o norte da Itália sofreu outro terremoto, que deixou 16 mortos.
Atividade sísmica na Itália e o mundo durante as últimas horas

Forte terremoto atinge região central da Itália e deixa mortos

23/08/2016 23h08 - Atualizado em 24/08/2016 18h47

Tremor de magnitude 6,2 ocorreu a 76 km de Perugia deixou 159 mortos.
Cidades de Amatrice, Accumoli e Norcia sofreram maiores danos.

Do G1, em São Paulo

Um forte terremoto de magnitude 6,2 atingiu o centro da Itália na madrugada desta quarta-feira (24) – horário local. O impacto foi maior perto de Perugia, região localizada a menos de 200 km de Roma, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), organismo que registra os tremores em todo mundo.
Pelo menos 159 pessoas morreram, e agências internacionais falam em mais de 100 desaparecidos. O Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Cidades mais afetadas
Os municípios de Amatrice, de 2 mil habitantes; Accumoli, de 700 habitantes; e Norcia, de 4 mil habitantes, sofreram os maiores danos.
"A metade da cidade já não existe. As pessoas estão sob os escombros", afirmou o prefeito de Amatrice, na província de Rieti, Sergio Perozzi, à emissora privada "Sky". "Os danos são numerosos", afirmou o prefeito de Norcia, Nicola Alemanno.
Imagens de destruição em Amatrice (Foto: Remo Casilli / Reuters)Imagens de destruição em Amatrice (Foto: Remo Casilli/Reuters)
Ao menos seis pessoas morreram em Accumoli, segundo o prefeito da cidade, Stefano Petrucci. "Quatro pessoas estão sob escombros. Elas não estão mostrando sinal de vida. São pais e dois filhos", disse Petrucci à RAI.
O tremor foi sentido por 20 segundos na capital, Roma, e também no Vaticano. O terremoto ocorreu a apenas 10 km da superfície e a 76 km a sudeste de Perugia, às 3h36 do horário local – 22h36 desta terça, no horário de Brasília. Minutos depois, outro tremor, de magnitude 4,6, sacudiu Rieti, na mesma região.
Arte terremoto Itália (Foto: Arte/G1)
Réplicas
O terremoto principal foi seguido por um outro, de magnitude 3,9, às 3h41, perto de Norcia, na província de Perugia, com epicentro a 7 km de profundidade.
Ao menos 160 réplicas foram registradas no centro da Itália depois do forte terremoto desta madrugada, informou o Instituto Italiano de Geofísica, de acordo com a EFE.
Um porta-voz do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, afirmou que o governo monitora a situação, mas ainda não deu mais informações sobre o tremor.
Em nota, o governo brasileiro expressou sua solidariedade aos familiares das vítimas e ao governo da Itália. A Embaixada e o Consulado-Geral brasileiros em Roma estão monitorando a situação.
Equipe de resgate usa cão para procurar sobreviventes sob escombros em Amatrice (Foto: Emiliano Grillotti / Reuters)Equipe de resgate usa cão para procurar sobreviventes em Amatrice (Foto: Emiliano Grillotti/Reuters)
Outros terremotos
Em 29 de maio de 2012, terremotos de magnitude 5,6 e 5,8 atingiram Emilia Romagna, no norte do país, e deixaram 15 mortos e 4 desaparecidos. Várias cidades tiveram danos e 5 mil pessoas tiveram de deixar suas casas.
Dias antes, em 20 de maio de 2012, um tremor de magnitude 5,9 também no norte da Itália, em Bondeno, deixou seis mortos e 50 feridos. Em 2009, tremor de magnitude 6,3 deixou mais de 300 mortos na região de L'Aquila
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Antes e depois de cidades destruídas pelo terremoto na Itália

24/08/2016 17h45 - Atualizado em 24/08/2016 18h04

Tremor de magnitude 6,2 ocorreu a 76 km de Perugia deixou 120 mortos.
Cidades de Amatrice, Accumoli e Norcia sofreram maiores danos.

Imagens mostram como ficaram algumas cidades após o terremoto de magnitude 6,2 que atingiu a Itália na madrugada desta quarta-feira (24). Pelo menos 120 pessoas morreram, e agências internacionais falam em mais de 100 desaparecidos.

Veja as fotos:
Combinação de imagens mostra a rua Corso Umberto I, em Amatrice, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto  (Foto: Reprodução/Google Street View; AP)Combinação de imagens mostra a rua Corso Umberto I, em Amatrice, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto (Foto: Reprodução/Google Street View; AP)
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Combinação de imagens mostra o centro de Amatrice, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto (Foto: Reprodução/Google Street View; AP)Combinação de imagens mostra o centro de Amatrice, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto (Foto: Reprodução/Google Street View; AP)
Combinação de imagens mostra a rua Frazione Fonte del Campo em Accumoli, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto (Foto: Reprodução/Google Street View; Steve Scherer/Reuters)Combinação de imagens mostra a rua Frazione Fonte del Campo em Accumoli, na itália, em dezembro de 2011 e após o terremoto (Foto: Reprodução/Google Street View; Steve Scherer/Reuters
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Mais um aliado de Bispo Renato teria participado do “bonde da propina”








Facebook/Reprodução


Alexandre Cerqueira, servidor comissionado ligado ao distrital Bispo Renato Andrade (PR), tem espalhado nos corredores da Câmara Legislativa que não estava sozinho ao procurar empresários para pedir “ajuda” em nome de deputados. O colega seria Donizete dos Santos (foto), também ligado ao parlamentar evangélico



O suposto interlocutor de deputados no esquema de corrupção que envolveria a cobrança de suborno não deve responder sozinho pelo título de negociador da propina. Secretário executivo da Terceira Secretaria da Câmara Legislativa, Alexandre Braga Cerqueira tem ventilado nos corredores da Casa que tinha companhia nos encontros em que teria achacado ao menos um empresário de Brasília. Esse “parceiro” é Donizete dos Santos, chefe de gabinete do terceiro-secretário: o distrital Bispo Renato Andrade (PR).


A revelação do nome de mais um personagem dessa trama que envolve a suspeita de desvios milionários de recursos públicos ajuda a jogar luz sobre o mais recente escândalo político do DF. Enquanto desenha-se a atuação de um primeiro escalão da fraude, que seria composto por ao menos seis distritais; investigadores também apuram a participação de um segundo escalão, formado por servidores da Casa. Mas tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público reconhecem que a teia de irregularidades é complexa.
Se a lupa do MP se voltar sobre Donizete, não será a primeira vez em que ele terá que se explicar às autoridades. O servidor comissionado da CLDF que hoje recebe R$ 16,5 mil mensais foi administrador do Itapoã na gestão do então governador Agnelo Queiroz (PT). Na época, Donizete foi indicado pelo deputado federal e pastor evangélico Ronaldo Fonseca (ex-PR, hoje Pros-DF), para quem já fez campanha.
Donizete foi exonerado do cargo em junho de 2013, após suspeitas de superfaturamento na festa de aniversário da região administrativa que comandava. De acordo com investigações do Ministério Público de Contas (MPC-DF) na ocasião, a comemoração custou cerca de R$ 1 milhão. Somente o show de Amado Batista teria sido R$ 400 mil, quando o cachê do cantor custava, em média, R$ 150 mil. O pagamento de R$ 250 mil à dupla sertaneja João Lucas e Marcelo também foi questionado.
ReproduçãoREPRODUÇÃO
Donizete dos Santos também já foi subsecretário do Entorno, chefe de gabinete da Administração Regional do SIA e diretor de Atendimento ao Usuário do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF).
A proximidade com os poderosos o fez sonhar com a carreira política, mas não obteve sucesso. Em 2002, lançou-se candidato a deputado distrital pelo PTN. Em 2008, disputou a prefeitura de Águas Lindas (GO). Naquele ano, a declaração de bens do então candidato apresentada a Justiça Eleitoral chamava a atenção. Os 13 bens informados — cinco imóveis e oito veículos — somavam R$ 1,8 milhão. Na ficha de registro, Donizete informava ser empresário. Hoje, em seu nome consta, entre outros negócios, a sociedade em uma instituição religiosa de Taguatinga: a Igreja Ministério da Vida.
Ao ser contatado pelo Metrópoles, Donizete dos Santos se limitou a dizer que está viajando e não comentará o caso por enquanto.
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O bonde da propinaA trajetória de Donizete é tão curiosa quanto à do colega de Câmara Legislativa Alexandre Braga Cerqueira. Reportagem do Metrópolespublicada na terça-feira (23) contou os negócios do homem apontado pelo empresário Afonso Assad como interlocutor da cobrança de uma “ajuda” financeira para os distritais.
Cerqueira já foi dono de um lava jato e hoje é sócio de uma lotérica e de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), chamada Associação Escola da Família (AEF). Mas no endereço de registro, em Planaltina, funciona uma igreja evangélica e não há sinal algum da entidade.
Em depoimento ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), Assad contou que Cerqueira o procurou depois de um almoço com os deputados Bispo Renato Andrade e Júlio César (PRB) numa churrascaria de Brasília. O empresário revelou ter sido convidado a participar do esquema de corrupção, que envolveria o pagamento de propina após os distritais garantirem o repasse de recursos. Assad disse ter recusado a oferta.
O esquema começou a ser desbaratado após a divulgação de grampos clandestinos feitos pela deputada distrital Liliane Roriz (PTB) no último dia 17. As gravações foram o início da crise que culminou, na terça (23), com oafastamento da Mesa Diretora da CLDF. Todos os distritais citados no escândalo negam irregularidades.
Entenda o caso
Liliane teria começado a grampear os colegas no fim do ano passado, quando os parlamentares decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa. Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado e o dinheiro — R$ 30 milhões de um total de R$ 31 milhões — realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços vencidos em UTIs da rede pública.
Na ocasião, Liliane teria questionado a presidente da Câmara sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir a agora afastada presidente da Câmara, Celina Leão (PPS) falando que o “projeto” seria para um “cara” que ajudaria os deputados. A presidente da Casa disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você (Liliane) tá no projeto, entendeu? Você tá no projeto. Já mandei o Valério (ex-secretário-geral) falar com você.”
Outros parlamentaresAs denúncias feitas por Liliane atingem outros distritais, como Bispo Renato Andrade e Júlio César (PRB), ex-líder do governo na Casa. Segundo é possível ouvir nas gravações, os dois teriam tentado fazer uma negociação com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com o que Valério Neves diz em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, diz Valério Neves em um dos trechos.
Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explica Valério nos áudios, o deputado Cristiano Araújo (PSD) teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao dizer o quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%”, revelou O Globo. E diz ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, diz que se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, teria de ser para todos. Integravam a Mesa Diretora Celina, Raimundo Ribeiro (PPS), Júlio César e Bispo Renato.
“Houve crime”
O promotor de Justiça e Defesa da Saúde do MPDFT Jairo Bisol, que está à frente do caso, antecipou ao Metrópoles, semana passada, que já estava convencido de que “houve crime”. De acordo com ele, só faltava definir a participação de cada um no “negócio”, termo utilizado por Valério Neves, nos áudios, para definir a mudança de destinação de sobras orçamentárias do Legislativo para a área de saúde.


No Senado, cenário se mostra quase definido pelo afastamento de Dilma

Casa começa a julgar o impeachment na quinta: 45 parlamentares dizem abertamente que vão votar contra ela


Minervino Junior/CB/D.A Press - 9/8/16
Jorge Viana é contra, e Cristovam Buarque, a favor do impeachment de Dilma: julgamento deve terminar em 31 de agosto no plenário do Senado


Com a proximidade do julgamento final da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), o cenário pró-impeachment no Senado é considerado praticamente irreversível. Em reserva, até os aliados da petista admitem que não há mais o que fazer. Levantamento do Correio, atualizado ontem, mostra que o quadro em desfavor de Dilma é pior do que no início de agosto. Agora, dos 63 senadores que declararam como vão votar, 45 se posicionaram pelo afastamento definitivo e 18 contrários. Os dois únicos indecisos são os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) e Omar Aziz (PSD-AM). Eles votaram a favor da pronúncia da presidente em 9 de agosto.


Lúcia Vânia (PSB-GO), José Maranhão (PMDB-PB) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) não foram localizados. Todos eles votaram contra a petista nas duas primeiras sessões. Há ainda 12 senadores que preferiram não declarar o voto ao Correio. Desses, apenas Elmano Ferrer (PTB-PI), Otto Alencar (PSD-BA) e Roberto Muniz (PP-BA) disseram não à pronúncia da presidente. O mais provável é que aqueles que não declararam o voto agora mantenham a mesma posição. Somando os dois únicos indecisos, que também votaram contra Dilma, o placar aponta 59 votos a favor do impedimento da petista e 21 contrários, exatamente o placar final da votação da pronúncia ocorrida em agosto. Para afastar a presidente, são necessários 54 votos — dois terços do total de senadores.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve se abster novamente. Entre os parlamentares que não declaravam o voto e resolveram abrir após a sessão que decidiu levar a presidente a julgamento final, destacam-se Eduardo Braga (PMDB-AM), Cristovam Buarque (PPS-DF), Jáder Barbalho (PMDB-PA) e Romário (PSB-RJ). Todos disseram que vão votar pelo afastamento definitivo de Dilma Rousseff.