segunda-feira, 27 de junho de 2016

Volkswagen deve gastar cerca de US$15 bilhões por fim de processo

Acordo nos Estados Unidos envolve 500 mil donos de carros a diesel. 

Empresa fraudou emissões de poluentes em veículos.

Da Reuters
Um acordo da Volkswagen com cerca de 500 mil donos de carros a diesel nos EUA e reguladores sobre veículos poluentes está avaliado em cerca de 15 bilhões de dólares, disse uma fonte a par do assunto nesta segunda-feira (27).
O acordo, a ser anunciado na terça-feira, inclui mais de 10 bilhões de dólares em oferta de recompra a proprietários de veículos e quase 5 bilhões em fundos de poluentes para compensar as emissões de diesel em excesso e aumentar a produção de veículos de emissão zero, disse a fonte.
O caso, que veio à tona em setembro do ano passado, partiu de denúncias das autoridades dos Estados Unidos, que afirmaram que a empresa manipulava o software de veículos com motores a diesel para falsificar os valores das emissões de poluentes.
A Volkswagen e a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos se recusaram a comentar o acordo.
O escândalo resultou em diversos processos na Justiça americana, entre eles ações movidas por consumidores.
Em abril, a agência de notícias Reuters afirmou que a montadora havia fechado um acordo com autoridades americanas, e estimou que os gastos da Volkswagen poderiam chegar aos US$ 10 bilhões.
Motor turbo diesel da Volkswagen (Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann)Motor turbo diesel da Volkswagen (Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann)
Outros processos
Além das ações movidas por consumidores, outros processos correm contra a Volkswagen nos EUA, entre eles um por descumprimento de leis ambientais federais, aberto em janeiro último.
Ele implica penalidades que podem custar à Volkswagen até US$ 48 bilhões, segundo estimativas.
Em março passado foi aberto outro processo, do órgão de defesa dos consumidores, por propaganda enganosa com a mensagem "diesel limpo".
Os acionistas da Volkswagen aprovaram a gestão da empresa em 2015, apesar do escândalo das emissões, durante assembleia anual. A aprovação diz respeito à gestão da direção do grupo em 2015, presidido na época por Martin Winterkorn que renunciou após o escândalo.
Além dos Estados Unidos, a fraude envolve milhões de veículos em todo o mundo, inclusive, no Brasil, onde afetou 17.057 unidades da Amarok.
Amarok (Foto: Caio Kenji/G1)Amarok (Foto: Caio Kenji/G1)

Ministro do Planejamento ganha acima do teto

Além do salário, Dyogo também recebe R$ 18 mil mensais de jeton
No total, o valor fica em R$ 47,9 mil brutos por mês / Agência BrasilNo total, o valor fica em R$ 47,9 mil brutos por mêsAgência Brasil
O Portal da Transparência informou que o ministro do Planejamento Dyogo de Oliveira, que tem se demonstrado rigoroso em relação aos servidores, recebe, além da remuneração básica do seu cargo de R$ 29,9 mil, R$ 18 mil mensais de jeton (um tipo de gratificação pública) do Senac, a título de “honorários”. No total, o valor fica em R$ 47,9 mil brutos por mês. As informações são do colunista do Metro Jornal Cláudio Humberto.

A remuneração do ministro Dyogo não é afetada pelo mecanismo do “abate-teto”, que reduz salários no setor público ao limite legal de R$ 33,7 mil. Pela interpretação do ministro do Planejamento, o jeton que ele recebe do Senac não é remuneratório e nem se enquadraria na lei abate-teto.

Tem sido comum nos seguidos governo o uso de jetons de conselhos para complementar a remuneração de ministros.

Perícia vê ação de Dilma em decretos, mas não identifica nas pedaladas

27/06/2016 11h02 - Atualizado em 27/06/2016 11h10



Técnicos do Senado fizeram a perícia a pedido da defesa de Dilma.
Documento foi entregue nesta segunda na Comissão do Impeachment.

Do G1, em Brasília
Uma perícia elaborada por técnicos do Senado, a pedido da defesa de Dilma Rousseff, apontou que houve irregularidades na edição de decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso e nas chamadas "pedaladas fiscais", ambas cometidas no governo da presidente afastada. Ainda segundo a perícia, há provas de que Dilma agiu diretamente na edição dos decretos. No entanto, segundo os técnicos, não foi identificada uma ação direta da presidente  afastada que determinasse o atraso nos pagamentos da União para bancos públicos que configuraram as "pedaladas".   
A perícia foi realizada em cima de laudos do Tribunal de Contas da União, que embasam o pedido de impeachment. Num primeiro momento, a comissão de impeachment negou a solicitação da defesa para que os técnicos analisassem os documentos. Depois, atendendo a recurso dos advogados de Dilma, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou que a perícia fosse realizada.

Juros do cheque especial e do cartão voltam a bater recorde em maio

27/06/2016 10h36 - Atualizado em 27/06/2016 11h03

Taxa do cheque especial subiu para 311% ao ano, maior desde 1994.

Já o juro do cartão de crédito rotativo avançou para mais de 470% ao ano.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial e com cartão de crédito rotativo avançaram em maio deste ano e voltaram a bater recorde histórico, segundo números divuglados nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central.
No caso do cheque especial, os juros subiram de 308,7% em abril para 311,3% ao ano em maio – a maior taxa desde o início da série histórica, em julho de 1994, ou seja, em quase 22 anos.
Na parcial deste ano, a taxa subiu 24,3 pontos percentuais e, em 12 meses até maio, 79,3 pontos percentuais.
Cartão
Se a taxa de juros é alta para o cheque especial, ela pode ser considerada proibitiva para o cartão de crédito rotativo. Segundo o Banco Central, os juros médios cobrados pelos bancos nestas operações ficaram em 471,3% ao ano em maio, contra 452,4% ao ano em abril.
Trata-se da modalidade de crédito mais cara do mercado.
No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, houve um aumento de 39,9 pontos percentuais nos juros do cartão de crédito rotativo e, em doze meses até maio, uma alta de expressivos 111 pontos percentuais.
Os juros do cartão de crédito rotativo e do cheque especial estão entre os mais altos do mercado. Esses empréstimos, alertam os especialistas, só devem ser utilizados em momentos de emergência e por um prazo curto. A recomendação de economistas é que os clientes bancários paguem toda a sua fatura do cartão no vencimento, não deixando saldo devedor.
Consignado, pessoal e veículos
No caso das operações de crédito pessoal para pessoas físicas (sem contar o consignado), a taxa média de juros cobrada pelos bancos somou 129,9% ao ano em maio, contra 130,8% em abril.
Nesse caso, houve uma queda de 0,9 ponto percentual em maio, mas, no ano, ocorreu um aumento de 12,2 pontos percentuais.
Ainda segundo o BC, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras nas operações do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) somou 29,6% ao ano em maio – o que representa uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a abril (29,7% ao ano).
No ano, a taxa para o consignado subiu 3,5 pontos percentuais e, em doze meses, 5,5 pontos percentuais.
Segundo o BC, a taxa média de juros para aquisição de veículos por pessoas físicas, por sua vez, somou 26,3% ao ano em maio, contra 26,8% ao ano em abril. Neste caso, houve uma queda de 0,5 ponto percentual no mês passado e uma alta de 1,5 ponto percentual em doze meses.
Taxas de juros no Brasil
Reportagem publicada pelo jornal norte-americano “The New York Times”, no fim de 2014, informou que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os cartões de crédito.
Estudo da consultoria Economática, divulgado em março de 2016, informa que a mediana da Rentabilidade sobre o Patrimônio (ROE) de todos os bancos brasileiros de capital aberto no ano de 2015 foi de 10,78%, contra 7,92% dos bancos dos Estados Unidos.
Quando se considera apenas os bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões (Itau-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander), a mediana da rentabilidade sobre o patrimônio dos bancos brasileiros foi maior ainda: de 20,06% em 2015.

É tempo de leis e tribunais mais rígidos no Brasil pós-Lava Jato

Evento da FGV debate legislação que desvendou o megaescândalo, mas não pode evitá-lo

O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol na Câmara dos Deputados, no dia 22 de junho


Falar de obras públicas e Direito num evento patrocinado pela empresa Andrade Gutierrez pode soar suspeito no Brasil de hoje. Num momento em que a Justiça escancara um dos maiores esquemas de corrupção da história, onde as empreiteiras se associaram a políticos sob a legislação vigente, a pergunta é: onde estava esse mesmo Poder Judiciário quando essa trama subterrânea,descoberta pela Lava Jato, se movimentava livremente? Um grupo destacado se reuniu na semana passada para destrinchar as razões pelas quais se chegou a esse labirinto de desvios de dinheiro. A convite da Fundação Getúlio Vargas, juristas, ministros dos tribunais de Justiça, de contas públicas e representantes de entidades empresariais levaram a legislação brasileira e seus agentes para o banco dos réus.
O secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos do Governo Temer, Moreira Franco, trouxe a frase mais ouvida no Brasil dos últimos meses: “As instituições estão funcionando. A Lava Jato funciona porque as instituições funcionam”. Mas por que ela precisou existir é o que não se logra responder. “Como o Brasil, com um sistema de leis tão complexo e elaborado, gerou um dos maiores escândalos de corrupção da humanidade?”, questionou Felipe Santacruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em um dos paineis do encontro Segurança Jurídica e Governança na Contratação de obras Públicas, realizado pela FGV no dia 20, que contou com apoio do EL PAÍS.
“É que as instituições estão funcionando bem no aspecto repressivo”, observou Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e indústrias de Base (Abdib). Mas falharam no controle prévio, completa. A tarefa não parece fácil de qualquer forma. “Com um sistema de corrupção tão imbricado na sociedade brasileira qualquer lei seria vencida por esquemas corruptos”, avalia Benjamin Zymler, ministro do Tribunal de Contas da União. Zymler fala com a experiência de quem acompanhou a ebulição da Petrobras em seus anos dourados depois descoberta do pré-sal. Como órgão fiscalizador, o Tribunal sempre cobrou da Petrobras o envio de informações básicas sobre as obras a serem executadas pela companhia, mas os dados não eram enviados, alegando-se “pretenso sigilo de negócios”.
O ministro chegou a levar essa dificuldade para a presidenta Dilma Rousseff em 2011, quando assumiu por dois anos a presidência do TCU. O que ouviu parecia profético. “Expliquei a ela que estávamos sem o fluxo de informações que permitisse o controle mínimo sobre a Petrobras. A presidenta Dilma me disse: ‘Benjamin, se você conseguir controlar a Petrobras agradeço muito, pois nós também não conseguimos controlar. É uma criatura maior que o criador”, contou Zymler.
criatura se esparramou pelo Estado brasileiro a despeito da legislação e órgãos de controle, como sintentizou João Otávio de Noronha, ministro do Tribunal Superior de Justiça, que acaba de assumir o Conselho Nacional de Justiça. “Gestores públicos e privados em um envolvimento sórdido, que alcança o Legislativo, com fatiamento de cargos públicos, onde a diretoria da Transpetro [responsável pela logística da Petrobras] é indicada por um senador, a presidência do Banco do Brasil por outro, e assim por diante. Essa é a administração brasileira hoje”, disse Noronha.

Punição, leniência e prioridades

Como empresa, leia-se a companhia com uma função social para o coletivo, e não os empresários. Ela poderia seguir o curso dos acordos de leniência, de modo que o infrator colabore com a Justiça para obter benefício na pena e garantir que a companhia continue tocando suas obras. Mas, num momento em que presidentes de empreiteiras ainda estão presos, as métricas e parâmetros da Justiça começam a ser questionados. “Um empresário corrupto é tão pernicioso quanto o traficante de drogas. Não vejo tanta diferença, tudo é repugnante. Tudo agrava a pobreza no Brasil”, afirma Noronha. Por isso algumas penas poderiam ser repensadas. “O traficante perde seus bens quando pego pela Justiça. Por que o empresário também não pode perder os seus?”.
O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, aliás, classifica a punição a crimes por corrupção no Brasil “uma piada de mau gosto”, disse ele aos deputados no último dia 22, quando foi ao Congresso defender a aprovação das medidas anticorrupção com penas mais severas a ilícitos. Dos 200 bilhões de reais desviados, somente 3% são recuperados.
O país, entretanto, mostra reação a partir do momento em que avança nas investigações com poderosos na cadeia.“Pela primeira vez o rico foi preso com o ladrão de galinha. Os apadrinhados foram presos, agora está chegando aos padrinhos”, afirma Noronha.
A legislação que deveria organizar as compras públicas também precisa ser repensada. A lei 8666, criada em 1993 sob clamor popular que cobrava mais rigor contra o superfaturamento de obras, não foi capaz de conter o mesmo vício nos grandes projetos tocados pelo poder público. O Estado, por sua vez, precisa eleger prioridades sobre as obras necessárias para o país. O governo passado, por exemplo, preferiu investir em estádios para a Copa do Mundo mas não cuidou do saneamento básico, que poderia ter evitado o zika vírus, observa Santacruz, da OAB.
Para o secretário-executivo Moreira Franco, esta é a oportunidade de reconstruir o ambiente público e privado. No ambiente político, Franco, cujo Governo interino já registrou três baixas por suspeitas de corrupção,  acredita que a sensação de insegurança jurídica que o país vive é agravada neste momento em que o país tem dois presidentes, o interino Michel Temer, e Dilma, como presidenta afastada.
O conceito de segurança jurídica, porém, passa por todas as instituições e sistema jurídico, no sentido de ter a clareza das regras do jogo, que hoje não estão funcionando bem. O ministro do STJ, Paulo de Tarso Sanseverino, lembrou a doutrina de proteção de confiança, que surgiu na Alemanha, para proteger uma pensionista que se sentiu lesada pelo Estado alemão nos anos 50. O Governo sugeriu à senhora alemã que se mudasse de cidade para obter sua pensão. Mas após se mudar, o benefício lhe foi negado. Os tribunais então invocaram o princípio de confiança para garantir-lhe o direito à legítima expectativa criada. 
Como lembrou Mario Engler, professor da Escola de Direito da FGV, em São Paulo, a ética é o que se faz além da lei, e requer que o sistema Judiciário ajude a disseminar a cultura do que vai além da obrigação legal.

Senadores mostram a Temer 'fatura' do impeachment

A votação final está prevista para acontecer até o fim de agosto



POLÍTICA GOVERNO INTERINOHÁ 1 HORAPOR


Do apoio do Planalto em disputas locais a indicações para cargos em estatais e até para o comando do BNDES - o maior financiador de empresas do País -, o presidente em exercício Michel Temer está sendo pressionado por senadores em troca de apoio no julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A votação final está prevista para acontecer até o fim de agosto.


Por causa do assédio, Temer tem recebido parlamentares no Palácio do Jaburu para almoços, jantares e reuniões, marcados muitas vezes fora da agenda oficial. Nos encontros, escuta mais do que fala. "O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio", disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), peemedebista contrário à saída de Dilma.
Para interlocutores do governo no Senado, o "movimento" nada mais é do que uma lista de demandas. O caso mais pitoresco, segundo relatos de três senadores próximos a Temer, é o de Hélio José (PMDB-DF). Ele pediu 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES.
O senador foi convencido por colegas da inviabilidade dos pedidos e do risco político que correria em sua base se apoiasse Dilma. Não levou nada e ainda decidiu votar pelo afastamento.
O senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do impeachment, ficou indeciso sobre o afastamento definitivo poucos dias depois. A dúvida foi comunicada ao Planalto acompanhada de uma fatura. Ele pediu o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas. A primeira vaga já havia sido prometida para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Cadeirante e militante histórica, ela queria emplacar um nome da área. Romário ganhou apenas o cargo, que ficou com a ex-deputada Rosinha da Adefal.
Ex-presidente do Cruzeiro, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) conseguiu pôr seu filho, Gustavo Perrella, na Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor.
Em outra frente de pressão, Temer é cobrado a se posicionar politicamente em disputas locais. O caso mais emblemático é o do Amazonas, onde o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), aliado do senador Omar Aziz (PSD), é adversário do senador Eduardo Braga (PMDB). Todos são aliados de Temer e estarão em lados opostos na eleição municipal.
O senador peemedebista reivindica o apoio do presidente em exercício para seu candidato, Marcos Rota. Já Aziz quer que Temer ajude Virgílio. No Placar do Impeachment do Estado, Braga consta como indeciso e Aziz não quis responder.
Temer enfrenta o mesmo dilema no Paraná, onde dois aliados, o governador Beto Richa (PSDB) e o senador Álvaro Dias (PV), são adversários políticos e disputam influência em Itaipu.
Contas
Pela estimativa do Planalto, a cassação de Dilma está nas mãos de 15 senadores. Hoje, 38 se posicionam a favor do impedimento - são necessários 54. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se recusa a revelar a "estratégia" para evitar a volta da petista. "Não vou revelar nomes, mas temos um controle diário dentro do Senado. Temos informação do movimento de todos, até mesmo daqueles que se dizem indecisos", disse, em um almoço com empresários na semana passada.
O titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, confirmou que tem dialogado com senadores que buscam espaço no governo. "As conversas estão sendo republicanas e não está havendo essa pressão que se imagina, não", afirmou.
As articulações são criticadas pela oposição. "Quando há um processo de julgamento de uma presidente, há uma alteração da condição do senador, que vira juiz. No período do julgamento, ele não pode negociar posição com cargo", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Senadores que estiveram com Temer disseram que não trataram do afastamento. "Ele não tocou no assunto. Eu disse que ele precisava de uma agenda para os excluídos e perguntei quem iria pagar pelo ajuste", disse Cristovam Buarque (PPS-DF), indeciso sobre o voto final e que também visitou Dilma. Na admissibilidade, ele votou contra a presidente.
Hélio José relativizou suas demandas. Ele disse que sugeriu nomes "apenas quando foi consultado" e considerou um "folclore" a lista de cargos que teria apresentado. A assessoria de Romário afirmou, por meio de nota, que não houve negociação por seu voto no impeachment e negou a demanda por uma diretoria em Furnas. Procurados, Perrella, Braga e Aziz não foram localizados. Álvaro Dias disse que "quer distância" de cargos. Com informações do Estadão Conteúdo.

Butantan fecha parceria com EUA para desenvolver vacina de zika

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Instituto receberá US$ 3 milhões de órgão do governo americano.

Parceria é para desenvolvimento de vacina com vírus inativado.

Mariana LenharoDo G1, em São Paulo
 Imagem feita com crioscopia eletrônica do vírus da zika  (Foto: Universidade Purdue/Divulgação)Imagem feita com crioscopia eletrônica do vírus da zika (Foto: Universidade Purdue/Divulgação)
O Instituto Butantan fechou, nesta sexta-feira (24), uma parceria com os Estados Unidos e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da zika.
O centro de pesquisa brasileiro deve receber US$ 3 milhões da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano (HSS), para o desenvolvimento de uma vacina de zika com vírus inativado.
O investimento faz parte de um acordo já existente entre a Barda e a OMS. Além dos US$ 3 milhões provenientes do órgão americano, a OMS também destinará doações de outros países e organizações privadas para o expandir a capacidade de produção de vacinas do Instituto Butantan.
Com o dinheiro, o Butantan poderá comprar equipamentos de laboratório, reagentes, linhagens de células e outros recursos necessários para o desenvolvimento e produção da vacina de zika. A parceria também inclui a cooperação técnica entre pesquisadores da Barda e do Butantan.
Vacina de vírus inativado
Segundo o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, o desenvolvimento da vacina de vírus inativado contra zika já está em desenvolvimento há alguns meses. Pesquisadores do centro já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, roedores devem começar a receber os vírus inativados.
O Butantan tem ainda outras três iniciativas de desenvolvimento de vacina contra zika: uma vacina a base de DNA, outra vacina com vírus inativado semelhante à vacina da dengue, além de uma vacina híbrida que tem como base a vacina de sarampo.
"A resposta tem que ser rápida ou o dano vai estar feito e deixará um legado terrível: as crianças com microcefalia", diz Kalil.
Segundo o diretor, esse desenvolvimento ocorreria de forma mais rápida se houvesse mais recursos disponível. Em fevereiro, o governo federal anunciou um investimento de R$ 8,5 milhões para financiar o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à zika no Instituto Butantan. Mas, segundo Kalil, o recurso ainda não foi liberado.
Vírus já circula em 61 países
Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o vírus da zika como emergência de saúde pública global. O vírus foi associado à microcefalia, uma malformação congênita.
De acordo com boletim da OMS divulgado na semana passada, 61 países e territórios já registram transmissão continuada do vírus da zika. Além disso, outros 10 países tiveram relato de transmissão de zika de indivíduo para indivíduo, provavelmente por via sexual.
O Brasil é o país onde o vírus está mais disseminado, com mais casos de infecção pelo vírus e de microcefalia associada à zika. O país teve 138.108 casos prováveis de zika em 2016 até o dia 7 de maio, segundo o Ministério da Saúde. Em 2016, o país registrou uma morte causada pela doença em um adulto no Rio de Janeiro e, no ano passado, foram 3 mortes de adultos.
Ainda segundo a pasta, são 1.616 casos confirmados de microcefalia desde o início das investigações, em 22 de outubro, até 11 de junho, com 73 mortes de bebês.
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