segunda-feira, 27 de junho de 2016

TCU investiga fraudes com receitas médicas na Petrobras


A Petrobrás está sendo demandada na Justiça americana por vários grupos de acionistas
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Com recursos públicos, servidores da estatal teriam comprado remédios até para cachorro   

O programa de farmácia da Petrobras, benefício que garantia aos servidores da estatal o pagamento ou reembolso das despesas com remédios, está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, os funcionários estariam adquirindo remédios para terceiros, inclusive cachorro, custeado com dinheiro público. Conforme as regras, o beneficiário só poderia comprar medicamentos para si ou para dependentes. 
As fraudes começaram a ser investigadas em setembro , quando a empresa terceirizada, responsável pela administração do programa, foi substituída pela Petrobras, em tentativa de reduzir custos. Até então, o gasto da estatal com o benefício era de R$ 20 milhões por mês. Com a troca de firma e mudança no modelo, a despesa máxima seria de R$ 13 milhões. E foi essa nova administradora que percebeu em seis meses mais de 13 mil receitas médicas fraudadas e fez a denúncia para o TCU. 
Conforme estimativa do tribunal, o rombo nos cofres públicos chegava a R$ 6 milhões por mês somente com gastos indevidos de medicamentos dos 300 mil beneficiários. Desde então, o programa foi interrompido e a Petrobras já acumula dívida de R$ 200 milhões com servidores que estão adquirindo remédios e não estão sendo reembolsados.
Nesta semana, o TCU vai julgar se a Petrobras deve encerrar o programa ou criar novos mecanismos de controle. Em nota, a estatal informou que vai tomar as medidas legais cabíveis para reparação e compensação de danos, além de eventuais ações de improbidade administrativa. Se comprovadas as fraudes, funcionários poderão perder cargos e ser obrigados a ressarcir a Petrobras. 

Desmoralizar a política para acabar com a democracia Passa-se uma borracha no passado vergonhoso dos que tomam o governo para promover um futuro vergonhoso. Sem Estado, sem a esquerda, sem sindicatos nem campanhas salariais. Em suma, uma ditadura por Emir Sader, para RBA publicado 26/06/2016 10:08

CA.WIKIPEDIA
marionetes
Temer é um tipo que vai passar rápido pela história para desaparecer depois de ter servido ao golpe na democracia
Temer como presidente do Brasil é para acabar de desmoralizar a política. Um político corrupto, golpista, traidor, medíocre, sem nenhuma ideia na cabeça para dirigir o pais é o objetivo maior dos que querem acabar com o que há de democracia no Brasil e entregar de vez o poder nas mãos dos mercados e das corporações midiáticas.
Do que se trata é de desmoralizar definitivamente a política. O Brasil pode ser governado pelo Lula ou pelo Temer. Igualar tudo por baixo. Se trata de tentar envolver o maior líder político que o Brasil já teve na mesma lista de suspeitos de corrupção. Não importa que não exista prova alguma contra o Lula. Não importa que os outros sejam acusados de corrupção direta de milhões, enquanto Lula é acusado de ter um sítio e um apartamento que não são seus. O que interessa é jogar todos na mesma fogueira. Ou para buscar um salvador da pátria de fora da política, na mídia, ou de ter sempre governos fracos, que tenham que se render aos mercados e às campanhas da mídia.
Para isso Temer é perfeito. Ninguém duvida que é um corrupto, um pulsilânime, um tipo que vai passar rápido pela história para desaparecer depois de ter prestado o serviço de dar um golpe na democracia e tirar o PT do governo, devolvendo-o aos ricos e poderosos. E, com isso, receber em troca, a absolvição dos seus casos de corrupção.
E aí está o Supremo Tribunal Federal, que deveria ser a instância superior do Judiciário, que se não se pronuncia sobre se houve ou não crime de responsabilidade, não serve para nada. E, como cala, consente com o mais grave golpe contra a democracia, porque se faz supostamente dentro da democracia. E confirma, junto com as ações arbitrárias da PF e de promotores, que a política está completamente corrompida.
O cinismo com que a direita apoia o governo Temer serve para confirmar que, se todos os políticos são corruptos, pode governar qualquer um, contanto que enfraqueça mais ainda o Estado e a política. Temer serve duplamente: confirma a canalhice dos políticos e debilita o Estado.
Os fins justificam os meios e isso justifica o apoio da direita ao governo Temer. Se tudo correr como a direita deseja, o pais estara’ desmontado em 2018, tanto o patrimônio publicado, que será privatizado, como os direitos dos trabalhádores, recortados, e os recursos para políticas sociais, diminuídos. Além da reinserção internacional do Brasil, que passará de uma política externa soberana a outra, subordinada.
O Globo retoma o que sempre achou: a fonte da corrupção não é o dinheiro privado, mas as estatais. Privatizar tudo moralizaria o pais. Os próprios processos de privatização do governo FHC desmentem isso, mas é preciso esquecer o passado vergonhoso, para promover um futuro vergonhoso. Se possível sem Estado, sem políticos, sem partidos, mas principalmente sem o Lula, sem a esquerda, sem sindicatos, sem campanhas salariais. Em suma, uma ditadura com roupagem de democracia.
Cabe à esquerda tratar de evitar isso, buscando alternativas que impeçam os dois terços no Senado, com que a direita trata de consolidar o golpe e o desmonte do Brasil.





Citada na Lava Jato, Via Engenharia integrava 2ª Divisão do Clube VIP


Via Engenharia/Reprodução

Um dos mais novos delatores do esquema, o executivo Marcos Pereira Berti, da Toyo Setal, revela que as maiores empreiteiras do país cooptaram outras construtoras para fraudar contratos da Petrobras. Entre elas, a empresa candanga. Informações constam em ação civil pública apresentada à 5ª Vara Federal de Curitiba em maio

O mar de lama que submergiu o Brasil no maior escândalo de corrupção da história do país resultou na Operação Lava Jato, que tem fisgado tubarões da política e do setor produtivo nacional. Agora, os investigadores começam a voltar os olhos para peixes menores, suspeitos de também se aproveitarem das correntezas do esquema para nadar em dinheiro público. Nessa pescaria, um espécime típico do Lago Paranoá pode ter caído na rede: a Via Engenharia.


Fundada em Brasília na década de 1980, a empreiteira candanga é citada pelo delator Marcos Pereira Berti, diretor da Toyo Setal, como integrante de um grupo intermediário — uma espécie de Segunda Divisão — do chamado “Clube VIP” de construtoras que comandavam as fraudes em licitações da petroleira. As informações do executivo fazem parte de uma ação civil pública por improbidade administrativa apresentada, em 30 de maio, à 5ª Vara Federal de Curitiba. Assinam o documento a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria da União no Paraná, o Grupo Permanente de 


Atuação Proativa da AGU e a Força-Tarefa da Lava Jato.
O inquérito de 161 páginas ao qual o Metrópoles teve acesso acusa nove réus e sete empreiteiras de improbidade administrativa. São eles: os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco Filho; o doleiro Alberto Youssef; os executivos da OAS José Aldemário Pinheiro Filho (conhecido como Leo Pinheiro), Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, José Ricardo Nogueira Breghirolli e Fernando Augusto Stremel Andrade.
As empresas são a OAS S/A, a Construtora OAS Ltda., a Coesa Engenharia Ltda., a Construtora Norberto Odebrecht, a Odebrecht Plantas Industriais e Participações S.A., a Odebrecht S.A. e a UTC Engenharia S/A.
A ação civil pública, assinada por oito advogados da União, pede que os réus devolvam aos cofres públicos R$ 12 bilhões.
Google Street View/ReproduçãoGOOGLE STREET VIEW/REPRODUÇÃO

As “castas” do Clube VIPEntre os documentos que embasam o inquérito, chamam a atenção as informações reveladas por Marcos Pereira Berti (foto), diretor da Toyo Setal. Em outubro de 2015, ele decidiu colaborar com as investigações no âmbito do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal.
YouTube/ReproduçãoYOUTUBE/REPRODUÇÃO
Um depoimento prestado pelo executivo em fevereiro deste ano e informações encontradas em um tablet pessoal dele entregue às autoridades não só comprovam a existência do chamado Clube VIP — que reunia as principais empreiteiras do país em um grupo que comandava as fraudes nas licitações da Petrobras — como apontam para a existência de um subesquema. Segundo Berti, outras empresas passaram a participar das irregularidades a partir de 2006, quando as construtoras começaram a ser divididas em espécies de “castas”.

Berti afirma que essa nova configuração se deu porque a Petrobras adotou práticas que “dificultaram” a atuação do Clube VIP, conforme consta na ação civil pública. A estatal passou a convidar empresas que até então não integravam o esquema. Por isso, as empreiteiras decidiram cooptar as novatas, criando grupos para lesar os cofres da petrolífera.
A divisão era por linhagens: as empresas que operavam na Petrobras desde os anos 1990 compunham o grupo Tipo A, e tinham prioridade nas licitações acima de R$ 600 milhões. Na sequência apareciam as Tipo B, que arranjavam entre si os contratos entre R$ 300 milhões e R$ 600 milhões. As Tipo C ficavam com os certames de até R$ 300 milhões.
ReproduçãoREPRODUÇÃO
Prata da casa 
A Via Engenharia, que, segundo descrição do próprio site institucional, “concentrou suas primeiras atividades no mercado local, dedicando-se à construção de pequenos imóveis residenciais”, cresceu desde a fundação, nos anos 1980, e ultrapassou as divisas do Distrito Federal. Tanto que, na disputa por recursos da Petrobras, chegou à “Série B” do mega esquema de corrupção, ao lado de outras 19 empresas.
Segundo Marcos Pereira Berti, nesse grupo apareciam ainda empreiteiras como a Carioca Engenharia, do Rio de Janeiro; a mineira Fidens Engenharia e a carioca Delta — que ficou conhecida durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou os negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Na visão do Ministério Público, a existência dessa divisão entre as empresas reforça a tese de que houve um acordo de bastidores entre as companhias para dividir os contratos da Petrobras em sucessivas fraudes a licitações.
Procurada pela reportagem, a Via Engenharia foi sucinta ao comentar a presença da empresa na ação civil pública. Por meio da assessoria de imprensa, assegurou que não participou de licitações com a Petrobras de maneira direta ou indireta.
Confira trecho do depoimento prestado por Marcos Pereira Berti sobre o esquema de corrupção na Petrobras:

Estádio Mané Garrincha
Apesar da negativa da empresa, outro delator da Lava Jato, o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, coloca sob suspeição uma das mais suntuosas obras da Via Engenharia. Segundo o executivo, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha é uma das construções em que houve sobrepreço para o pagamento de propinas e abastecimento de campanhas eleitorais.
A arena, erguida pelo consórcio formado entre a Andrade Gutierrez e a Via Engenharia, tem custo estimado em R$ 1,7 bilhão — o maior valor entre as 12 praças desportivas construídas para a Copa do Mundo de 2014. A cifra, entretanto, pode chegar a R$ 1,9 bilhão graças a um último contrato adicional, que ainda está ativo, referente a intervenções ao redor da praça desportiva que até hoje não foram executados.
A Andrade Gutierrez confessou integrar o esquema para conseguir obras federais, incluindo estádios construídos para o Mundial. O caso veio à tona em novembro de 2015. Na ocasião, a Via Engenharia negou irregularidades à reportagem e afirmou “desconhecer as relações de outras empresas nos respectivos contratos com o governo”.
Além do Mané Garrincha, a Via Engenharia assina obras emblemáticas de Brasília, como as sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Câmara Legislativa e o Shopping Popular.

Ciro: Temer é 'chefe da bandidagem', e privatizações de FHC foram 'imundice'

Em entrevista ao DCM na TVT, Ciro atribui a Lula responsabilidade por ter levado Temer ao ser vice em 2010. “É testa de ferro da bandidagem corrupta. Como pode botar um cara desse de vice?”

por Redação RBA publicado 26/06/2016 21:46, última modificação 26/06/2016 21:48
tvt
São Paulo – Para o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, a ideia de “pegarem o Lula” é improvável. “Não há culpa para isso”, ao se referir ao esforço de setores do Judiciário e do Ministério Público para criminalizar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e retirá-lo da cena política. E chegou a ironizar a seletividade a parcialidade do processo contra o ex-presidente. “Num país como o Brasil, presidente corrupto dá apartamento para o filho em Paris, e não um tríplex cafona no Guarujá ou um sítio cafona em Atibaia.” Ciro considera impraticável uma eventual dobradinha com Lula nas eleições presidenciais. Diz que não aceita ser vice, que o tamanho de Lula não permite o contrário e que as forças progressistas tampouco podem se dar ao luxo de se dividir na atual conjuntura. Deu a entender que se Lula estiver na disputa, ele não entra.
Nesta entrevista a Marcelo Godoy e Kiko Nogueira, no DCM na TVT, Ciro não poupa o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – “vai ser preso em breve” – nem o vice-presidente Michel Temer. “Eu conheço Temer. É bandido. É chefe de quadrilha. Como pode ter um filho de 7 anos com patrimônio de R$ 2 milhões e ninguém questionar a origem? Imagina se fosse o Lula”. O ex-ministro lamenta que Lula o tenha conduzido ao posto de vice na chapa de Dilma em 2010. “É testa de ferro da bandidagem corrupta. Como pode botar um cara desse de vice?” Ciro sugere a Dilma que “parta para cima” de Temer, exponha todas as suspeitas de corrupção que pairam sobre ele, especialmente em negócios relacionados ao Porto de Santos, a ponto de descredenciá-lo a permanecer no comando e a promover destruições como a que está pretendendo com a estrutura estratégica da Petrobras.
O entrevistado critica o juiz Sérgio Moro por executar e divulgar escuta telefônica de uma presidente da República, exorbitando do processo judicial para um ato político. “Isso me fez desmerecer a torcida que eu tenho para que esse jovem juiz siga dentro da lei, dos autos e não se encante com gravata borboleta para receber homenagens nos salões da grande burguesia.”
Ciro menciona ainda da ambição por poder de Fernando Henrique Cardoso, com quem rompera nos anos 1990. Diz que, para se manter no governo, o ex-presidente "deu rasteira" no hoje senador Tasso Jereissatti, ex-governador do Ceará, que caminhava para a candidatura presidencial tucana em 1998. Segundo Ciro, FHC promoveu um processo de privatizações que foi uma “imundice”, fez acordo com o PFL para emplacar a emenda da reeleição – “num processo em que se soube quem vendeu, quem comprou e nada se fez”.
Assista.

STF pode rever permissão de prisão em segunda instância

Recurso da OAB pede revogação da decisão da Corte que determinou, em fevereiro, cumprimento imediato de pena por condenados em tribunais colegiados 

Por: Carlos Rollsing
27/06/2016 - 03h01min | Atualizada em 27/06/2016 - 08h32min
STF pode rever permissão de prisão em segunda instância  Rosinei Coutinho/SCO/STF
Foto: Rosinei Coutinho/SCO / STF
Considerada um avanço contra a impunidade no país, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que réus condenados em segunda instância podem começar o cumprimento da pena, inclusive nos casos de prisão, antes do trânsito em julgado nos tribunais superiores, pode ser revista. Um recurso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitando revogação do dispositivo chegou a entrar na pauta da sessão de 22 de junho do STF, mas acabou retirado. Não há previsão para retorno, mas o caso segue acirrando o debate sobre o sistema penal brasileiro.
Entidades da sociedade civil, saturadas com a sensação de "impunidade", e associações de juízes apoiam a interpretação do STF. A Corte modificou o entendimento anterior de que o indivíduo somente poderia ter a sanção contra si executada após o esgotamento completo dos recursos, incluindo aqueles previstos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A OAB e defensores da área criminal repudiam a medida, e entendem que ela afronta a presunção da inocência e as garantias individuais.
Em fevereiro de 2016, por 7 votos a 4, a Corte reformulou a jurisprudência ao julgar o habeas corpus apresentado por um advogado que pretendia anular mandado de prisão expedido contra o seu cliente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Relator do caso, o ministro Teori Zavascki argumentou que a presunção da inocência se encerra após a decisão de segunda instância, observado o duplo grau de jurisdição. Ele enfatizou que, nos tribunais superiores, o debate é restrito às questões de direito, como nulidades da investigação e do processo e prescrições. A análise das provas do crime e dos fatos ocorrem somente até a segunda instância. Por isso, se condenado, entendeu Zavascki, o réu passa a ser culpado e deve iniciar o cumprimento da pena, mantendo o direito aos recursos previstos, às medidas cautelares e ao habeas corpus, que pode relaxar punições.
Réus da Operação Lava-Jato sem foro privilegiado, como os empresários, operadores financeiros e ex-dirigentes de estatais envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, ficaram alarmados com a diretriz do STF. Para aqueles que aguardam em liberdade, a medida pode significar o encurtamento da vida fora do cárcere. O descontentamento foi cristalizado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que protestou nos áudios gravados por ele com políticos da cúpula do PMDB. Ele xingou os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli de "filhos da p..." devido ao voto favorável de ambos à prisão antes do trânsito em julgado.
A classe dos advogados avalia que a orientação fere a Constituição e abre margem para erros.
— A decisão é equivocada. A Constituição é clara no sentido de que a presunção de inocência vale até o trânsito em julgado. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) fez estudo que apontou que aproximadamente 15% das sentenças são modificadas pelo STF e pelo STJ, com absolvição de réus. Isso significa que 15% dessas pessoas poderiam estar cumprindo penas injustamente — avalia o advogado Marlus Arns de Oliveira, que trabalha para mais de 10 suspeitos na Lava-Jato.
Para os defensores, embora não seja possível discutir provas e fatos nas cortes superiores, a chance de buscar revisões em favor dos seus clientes é uma possibilidade que acaba sendo restringida.
— A matéria de direito, em muitos casos, beneficia o réu. Existem nulidades de condução do processo e de produção de prova. Há casos de decisões que contrariam jurisprudências já consolidadas. Muita coisa pode ser discutida no STF e no STJ sem ser questão de prova — diz Jader Marques, representante da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas no Rio Grande do Sul.
Para Marques e Arns, o clamor popular por maior rigor com criminosos e a demora no julgamento de processos foram determinantes para a decisão do STF.
— Os argumentos até podem ser válidos, podemos discutir se há excesso de recursos, entretanto a Constituição está aí para guardar a presunção de inocência. Se a opinião pública está correta, o que precisamos fazer é mudar a Constituição — afirma Arns, cobrando obediência às normas vigentes.
Apesar da discussão crescente, não é considerado expressivo o número de processos de segunda instância que conseguem ser objeto de análise nas cortes superiores. Existem requisitos a serem atendidos.
— Não chega a 10% a quantidade de casos que sobem à instância superior, mas, para cada um desses réus, é uma garantia fundamental, é tudo. No caso do STF, precisa vencer a repercussão geral (o recurso não pode se limitar ao interesse das partes). A grande maioria já se resolve na segunda instância — observa Jader Marques. 
Ajufe defende limitação no número de recursos dos réus
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) tem ponto de vista oposto ao dos advogados: em 2015, a entidade apresentou a um grupo de senadores projeto de lei que previa execução da pena depois da segunda instância em casos de crimes hediondos e de colarinho branco. A proposta está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A decisão do STF foi mais abrangente, abarcando o cumprimento das punições antes do trânsito em julgado para todos os crimes, o que a Ajufe está apoiando agora. A associação avalia que a medida deveria ser acompanhada de mudança no Código de Processo Penal para moderar a quantidade de recursos disponíveis aos réus.
— É uma medida moralizadora e contra a impunidade. O sistema brasileiro permite uma infinidade de recursos e isso protela ad aeternum o cumprimento da pena. Não há tribunal que aguente. Você pega um processo e ele tem 10 ou 15 julgamentos só de recursos — opina Roberto Veloso, presidente da Ajufe.
Ele enumera os embargos infringentes e declaratórios, o agravo de instrumento, os recursos especial e o extraordinário, alguns dos expedientes que podem ser solicitados em diferentes instâncias, estendendo em anos o trânsito em julgado.
— A ampla defesa e o contraditório continuam sendo observados. Não há prejuízo — defende Veloso.
Para Luiz Fernando Oderich, presidente da ONG Brasil Sem Grades, advogados tentam usar os apelos às instâncias superiores como forma de forçar a prescrição dos processos:
— Na maioria dos países do mundo, a situação se resolve na segunda instância. A sociedade clama por justiça rápida.
Entre os apreciadores da medida, o entendimento é de que o STF, com a mesma composição de fevereiro, quando tomou a posição pela primeira vez, não deverá acatar o apelo da OAB por revogação. Para o futuro, a Ajufe avalia que é mais seguro transformar a execução da pena depois da segunda instância em lei para evitar novas mudanças — hoje a jurisprudência está amparada em julgamento de um habeas corpus pelos ministros da Corte. 
Saiba mais
O caso original
- A decisão foi tomada na análise do habeas corpus 126292, da defesa do ajudante-geral Márcio Rodrigues Dantas. Em primeira instância, ele foi condenado a cinco anos e quatro meses de reclusão por roubo qualificado. Dantas recorreu, em liberdade, ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), mas perdeu. O TJ-SP manteve a pena e ordenou prisão imediata. Dantas apelou ao Superior Tribunal de Justiça, que reafirmou a prisão.
- A defesa pediu a libertação de Dantas ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a prisão sem trânsito em julgado representaria afronta à jurisprudência do STF e ao princípio da presunção da inocência (artigo 5º, inciso LVII, da Constituição). Relator do recurso, o ministro Teori Zavascki concedeu liminar ao réu em fevereiro de 2015. Um ano depois, em fevereiro desse ano, na análise de mérito, Zavascki foi o primeiro a propor a mudança da jurisprudência, tese acolhida por outros seis ministros.
O novo entendimento
- Com a decisão tomada em fevereiro desse ano, a pena começa a ser cumprida após condenação em segundo grau.
- Condenados presos continuarão tendo direito de pedir habeas corpus e o juiz poderá permitir que recorra em liberdade. Essa possibilidade não será mais a regra geral.
- Recursos ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF) não terão efeito suspensivo.
- Até 2009, o STF entendia diferente. À época, também julgando habeas corpus e com o mesmo placar de
fevereiro passado (7 a 4), a Corte decidiu que a execução da pena ficava condicionada ao trânsito em julgado.
Placar: 7 x 4
Como votou cada um dos ministros do Supremo no julgamento realizado em fevereiro sobre a prisão de réu após condenação em segundo grau.
A FAVOR
- Carmen Lúcia
- Dias Toffoli
- Edson Fachin
- Gilmar Mendes
- Luís Roberto Barroso
- Luiz Fux
- Teori Zavascki
CONTRA
- Celso de Mello
- Marco Aurélio Mello
- Ricardo Lewandowsky
- Rosa Weber

domingo, 26 de junho de 2016

Confronto em evento neonazista deixa feridos na Califórnia

26/06/2016 17h17 - Atualizado em 26/06/2016 17h46

Pessoas foram esfaqueadas em Sacramento, nos EUA.

Segundo autoridades, pelo menos cinco feridos foram socorridos.

Do G1, em São Paulo
Ferido em confronto com neonazistas em Sacramento é socorrido neste domingo (26) (Foto: Rene C. Byer/The Sacramento Bee via AP)Ferido em confronto com neonazistas em Sacramento é socorrido neste domingo (26) (Foto: Rene C. Byer/The Sacramento Bee via AP)
Diversas pessoas foram esfaqueadas do lado de fora do Capitólio de Sacramento, na Califórnia, neste domingo (26), durante um confronto entre neonazistas e manifestantes contrários, informaram as autoridades locais.
O Corpo de Bombeiros da cidade informou no Twitter que cinco pessoas foram levadas para hospitals locais, algumas com ferimentos graves.
Segundo o jornal “Los Angeles Times”, um grupo neonazista havia planejado um evento no local, e houve convocações nas redes sociais para protestos contra esse encontro.

Advogado de campanhas de Gleisi se entrega à polícia e fica preso em SP

26/06/2016 20h37 - Atualizado em 26/06/2016 21h17

Ele é suspeito de receber propina destinada ao ex-ministro Paulo Bernardo.

Mandado de prisão foi expedido para a Operação Custo Brasil.

Bibiana DionísioDo G1 PR
O advogado Guilherme de Salles Gonçalves, um dos alvos da Operação Custo Brasil, se apresentou por volta das 17h deste domingo (26) na Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo. Havia um mandado de prisão preventiva contra ele em aberto por suposto envolvimento em irregularidades no Ministério do Planejamento.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), o escritório de Gonçalves, que trabalhou em duas campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT), recebeu mais de R$ 7 milhões entre 2010 e 2015 por meio de esquema que funcionava no Ministério do Planejamento.

O dinheiro, segundo as investigações, era propina e teria como destinatário o ex- ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro governo Dilma, Paulo Bernardo.
A Operação Custo Brasil prendeu o ex-ministro, na quinta-feira (23). Ela foi um desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato que apontou indícios de desvio de cerca de R$ 100 milhões de um serviço de gestão do crédito consignado a funcionários públicos no Ministério do Planejamento conduzido pela empresa Consist.

“Entendemos que é uma medida desnecessária porque desde a primeira busca e apreensão, em agosto, nós já havíamos mostrado que as contas do escritório estavam em ordem no tocante ao fundo Consist. Em nenhum momento, nós vamos provar isso, esse dinheiro saiu do escritório. Nunca foi para o Paulo Bernardo. Esse dinheiro é do escritório, é do Guilherme, e cabe a ele comprovar, e nós temos documentos que demonstram isso”, disse Rodrigo Sanches Rios, que é advogado Guilherme Gonçalves.

Segundo o advogado, o dinheiro não se refere a honorários que Gonçalves tenha recebido em seis meses, são honorários de cinco anos.
As suspeitas
Segundo o superintendente da Receita Federal em São Paulo, Fábio Ejchel, de 2010 a 2015, foi cobrada uma parcela mensal dos servidores da União que fazem empréstimos consignados que era direcionada para o pagamento de políticos.

De 70% dos R$ 100 milhões desviados, Paulo Bernardo teve direito a quantias que variavam de 2,9% a 9,6%, dependendo da função que estivesse desempenhando no governo.

O restante do total do esquema (30%) ficava como pagamento para a Consist pelo serviço.

A quantia percentual de Bernardo era direcionada por meio de escritório de advocacia que prestou serviços de forma "laranja", segundo Andrey Borges de Mendonça, procurador da República que investiga o caso. O escritório ficava em média com 20% do valor total.

Além de Bernardo, outros atores tinham direito a porcentagens dentro do pagamento da propina, entre um ex-vereador de Americana (SP), que ficava com 20% do total dos 70%. Da parcela que cabia ao ex-vereador, 80% era destinado ao PT. 

Ainda conforme divulgado pelo MPF e pela PF, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto é quem decidia as porcentagens que cada um deveria receber. Vaccari está preso no Complexo Médico-Penal, na Região Metropolitana de Curitiba, por envolvimento no esquema de corrupção , desvio e lavagem de dinheiro descoberto na Petrobras.

O que dizem os suspeitos

Nota da defesa de Paulo Bernardo
"O Ministério do Planejamento se limitou a fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias, notadamente a ABBC e SINAPP, não havendo qualquer tipo de contrato público, tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. Ainda assim, dentro do Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a questão sequer passou pelo aval do Ministro.
Não bastasse isso, o inquérito instaurado para apurar a questão há quase um ano não contou com qualquer diligência, mesmo tendo o Ministro se colocado à disposição por diversas vezes tanto em juízo como no Ministério Público e Polícia Federal.
A defesa não teve acesso à decisão ainda, mas adianta que a prisão é ilegal, pois não preenche os requisitos autorizadores e assim que conhecermos os fundamentos do decreto prisional tomaremos as medidas cabíveis
NOTA DOS ADVOGADOS"
Nota do PT
O Partido dos Trabalhadores condena a desnecessária, midiática, busca e apreensão realizada na sede nacional de São Paulo.
Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT.
A respeito das acusações assacadas contra filiados do partido, é preciso que lhes sejam assegurados o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência.
O PT, que nada tem a esconder, sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.
A defesa de João Vaccari Neto não quis se manifestar sobre a Operação Custo Brasil. Já a Consist afirmou que sempre colaborou e continuará colaborando com a Justiça Federal e com os órgãos de investigação.
Operação Custo Brasil - arte (Foto: Arte/G1)