segunda-feira, 30 de maio de 2016

Relatório final do Crea-RJ aponta falha humana na ciclovia que caiu

Segundo o documento, não foram feitos estudos oceanográficos preliminares. Duas pessoas morreram com a queda da ciclovia
BRASIL CIDADE OLÍMPICAHÁ 28 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro, o Crea, finalizou o relatório sobre a queda da Ciclovia Tim Maia, que fica na Zona Sul do Rio. O desabamento aconteceu em abril e causou a morte de duas pessoas: Eduardo Marinho, de 54 anos, e Ronaldo Severino da Silva, de 60 anos. De acordo com o documento, houve falha humana na execução da obra.  
Segundo o G1, além de falhas no projeto, o Crea-RJ também apontou imprudência. Mas o equívoco principal da construção foi a falta de estudos preliminares oceanográficos.
“Toda obra costeira como essa é necessário que se faça esses estudos preliminarmente para verificar a agressividade que o mar pode provocar sobre a estrutura. Neste caso aqui, não sei se por esquecimento ou por algum outro motivo ou pela pressa, estes estudos não foram feitos”, disse o coordenador da Câmara de Engenharia Civil, Manoel Lapa, ao Bom Dia Rio, da TV Globo, nesta segunda-feira (30).
O engenheiro também diz que os técnicos não suspeitaram que a força do mar poderia derrubar a ciclovia. Agora, o relatório será enviado ao Ministério Público, que investiga as responsabilidades da queda da ciclovia, que custou quase R$ 45 milhões aos cofres públicos e também é parte do projeto de obras olímpicas da cidade do Rio de Janeiro.

domingo, 29 de maio de 2016

Decisão está na contramão da lei que vigora em outras partes do país.

De todos os animais o Homem é o único que é educado para explorar outras formas de vida! “Olhe no fundo dos olhos de um animal e tente se convencer de que não temos o direito de inferiorizar, maltratar ou decidir sobre a vida de outro ser. Somos zeladores da natureza... não carrascos.”
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Decisão está na contramão da lei que vigora em outras partes do país. Entidades que defendem os animais criticam decisão.
Ler ou ouvir uma notícia como essa, é frustrante, como eleitora, como brasileira… O povo de Mato Grosso com certeza em sua maioria não compactua com isso. Basta querer!  Chega de violência contra animais!
E a justiça liberar… argumento? É cultura local! Cultura? Mato Grosso tem cultura sim… lugares bonitos, gente bacana, tem o cururu, tem a Catira, não precisa de rinha!
“Na arena a briga entre dois galos expõe toda a violência das rinhas. As imagens foram feitas com uma câmera escondida. Enquanto assiste a briga, um apostador revela o destino dos galos derrotados.
“Ele já está muito machucado, a esporada não tem jeito. O normal ele perde, ele cai morto. Isso é o normal. Mas, às vezes, ele morde algum outro que está batendo nele, dá uma pancada e ele cai mortinho”.
Em Cuiabá, rinha de galo tem endereço certo. Uma associação avícola, ironicamente conhecida entre os freqüentadores, como Sangue, promove brigas toda a semana.
A polícia já tentou fechar o local, mas, por uma decisão judicial, a atividade continua.
Em 11 anos foram três julgamentos, todos favoráveis à associação que mantém a rinha. No ultimo, os desembargadores entenderam que a briga de galos é uma manifestação cultural e torna Mato Grosso o único local do país em que a rinha é amparada pela Justiça.
No Brasil, há dez anos a lei que define os crimes ambientais proíbe a rinha de galos, por considerar uma forma de violência humana contra animais. Em outros estados, essa atividade é combatida pelas autoridades.
Em Avinópolis, a 70 quilômetros de Goiânia, a policia ambiental apreendeu 24 aves, a maioria ferida e algumas mortas. Oito pessoas foram presas em flagrante.
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, mais de 400 galos foram encontrados em uma chácara, muitos com marcas de combate.
A decisão da Justiça em Cuiabá causa revolta entre as entidades que defendem os animais. “Dá respaldo legal para uma prática cruel como esta, é você colocar o estado de Mato Grosso num ranking de vergonha nacional”, declara Monica Buzelli, vice-presidente da Associação Voz Animal.
O caso aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal, enquanto isso o produtor de meio-ambiente de Mato Grosso se sente de mãos atadas. “Frustração e decepção, no caso com o nosso tribunal. A decisão estaria apropriada para os tempos das cavernas. Agora, no atual estágio civilizatório, naturalmente que é inadmissível este tipo de prática”, afirma Domingos Sávio, promotor do meio ambiente.
Imagens: Ilustração/Divulgação/Reprodução/Internet

Em um ano, 910 mil famílias caem de classe social

Estudo mostra encolhimento da classe média entre 2015 e 2016. No mesmo período, 109 mil famílias passaram à classe A, com rendimentos superiores a R$ 20,8 mil

ECONOMIA CRISEHÁ 7 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Pela primeira vez desde 2008, o país vê um movimento de queda de classes sociais. De acordo com estudo da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), a chamada classe B2 (com famílias de renda média de R$ 4,9 mil) perdeu 533,9 mil domicílios. Entre aqueles que ganham R$ 2,7 mil, a queda chegou a 456,6 mil famílias. As informações são do jornal Estado de S. Paulo deste domingo (29).
No mesmo período,as classes mais baixas cresceram. A categoria C2, que abrange família de rendimento médio de R$ 1,6 mil ganhoi 653,6 mil domicílios. Mais 260 mil casas passaram às classes D e E, com renda média de R$ 768.
"Porcentualmente, esse movimento é pequeno. Mas, em termos absolutos, estamos falando em um acréscimo de mais de 910 mil famílias nas classes pobres em apenas um ano", disse Luis Pilli, a Abep. Ao mesmo tempo, a classe A - com rendimento médio de R$ 20,8 mil - ganhou 109,5 mil famílias no mesmo período.
Com renda menor, as famílias têm abrido mão de itens como segundo carro e casa maior. "São decisões que geralmente demoram algum tempo para serem tomadas", avalia Pilli. Na visão de Naercio Menezes Filho, do Insper, as famílias vêm se desfazendo de ativos. "Isso era esperado, porque a crise é muito forte", diz. No entanto, não há números oficial do IBGE para estudar o movimento.

"Temer terá que se ajoelhar para Eduardo Cunha", diz Dilma




Petista nega que tenha sofrido pressão para interferir na Operação Lava-Jato ou para demitir o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
"Temer terá que se ajoelhar para Eduardo Cunha", diz Dilma EVARISTO SA/AFPDilma acredita ser possível reverter o placar no Senado e retornar à Presidência
Foto: EVARISTO SA / AFP
A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que o presidente interino terá que se ajoelhar a Eduardo Cunha para governar. Em entrevista concedida à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a petista disse ainda que, após a divulgação da gravação de conversas com os senadores os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros e com o ex-presidente José Sarney, estão ficando cada vez mais claras "as causas reais" para seu pedido de impeachment.
Dilma afirmou ser possível reverter o placar no Senado e retornar à Presidência. Três semanas atrás, o governo obteve apenas 22 dos 27 votos necessários para barrar o processo de impeachment na Casa.
— Nós podemos reverter isso. Vários senadores, quando votaram pela admissibilidade (do processo de impeachment), disseram que não estavam declarando (posição) pelo mérito (das acusações, que ainda seriam analisadas).Então eu acredito. Sobretudo porque as razões do impeachment estão ficando cada vez mais claras.  E elas não têm nada a ver com seis decretos ou com Plano Safra (medidas consideradas crimes de responsabilidade). Fernando Henrique Cardoso assinou 30 decretos similares aos meus. O Lula, quatro. Quando o TCU disse que não se podia fazer mais (decretos), nós não fizemos mais — afirmou. 
Dilma disse ter lido os diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros e com o ex-presidente José Sarney, e que isso mostra que a causa real para o impeachment era a tentativa de obstrução da Operação Lava-Jato por parte "de quem achava que, sem mudar o governo, a 'sangria' continuaria". 
— Aqueles que quiseram o impeachment tinham esse objetivo. Não sou eu que digo. Eles próprios dizem — afirmou.
Dilma não negou que a crise econômica tenha impactado na popularidade do governo, mas disse que enfrentou uma combinação "da crise econômica com uma ação política deletéria". 
— Todas as tentativas que fizemos de enviar reformas para o Congresso foram obstaculizadas, tanto pela oposição quanto por uma parte do centro político, este liderado pelo senhor Eduardo Cunha. Pior: propuseram as "pautas-bomba", com gastos de R$ 160 bilhões. O que estava por trás disso? A criação de um ambiente de impasse, propício ao impeachment — disse.
Dilma fez duras críticas a Michel Temer e garantiu que "jamais deixaria que ele indicasse o ministro da Justiça".
—Jamais eu deixaria que ele indicasse todos os cargos jurídicos e assessores da subchefia da Casa Civil, por onde passam todos os decretos e leis — completou, afirmando que Eduardo Cunha é a "pessoa central" do governo Temer. 
— Vão ter de se ajoelhar.
Dilma negou que tenha sofrido pressão para  interferir na Operação Lava-Jato ou para demitir o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e que não indicou o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ajudar a soltar empreiteiros presos.
— É absurda a questão do Navarro. Eu não tenho nenhum ato de corrupção na minha vida — disse. 
A presidente afastada negou ainda que tenha pedido dinheiro a Marcelo Odebrecht na campanha em 2014, o que teria resultado em pagamentos ao marqueteiro João Santana por meio de caixa dois.
— Eu não recebi nunca o Marcelo no (Palácio da) Alvorada. No Planalto, eu não me lembro. Recordo que encontrei o Marcelo Odebrecht no México, o maior investimento privado do país é da Odebrecht com um sócio de lá. Conversamos a respeito do negócio, ele queria que déssemos um apoio maior. Uma conversa absolutamente padrão do Marcelo — disse.

REVISTA VEJA REVELA O COMPLÔ DO PMDB PARA CALAR A LAVA-JATO

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BOMBA DA ISTOÉ: Passaporte e assinatura comprovam que Dilma tem desviado R$480 milhões para uma conta na Suíça

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Proposta de reforma da Previdência tem desafio de equilibrar caixa com expectativas de aposentadoria

Com o aumento na expectativa de vida da população, os tombos da economia e a desoneração da folha, as despesas do INSS tiveram crescimento exponencial ante as receitas
Por: Juliana Bublitz e Fábio Schaffner
28/05/2016 - 02h00min | Atualizada em 28/05/2016 - 02h00min

Uma preocupação comum aflige governo e trabalhadores: o futuro da Previdência. Diante da projeção de déficit de R$ 133,6 bilhões no caixa do regime geral em 2016, o Planalto planeja uma reforma que evite o colapso do sistema. Temendo regras mais rígidas, os segurados correm para antecipar a aposentadoria.
As angústias são legítimas, mas guardam interesses conflitantes. Com o aumento na expectativa de vida da população, os tombos da economia e a desoneração da folha, as despesas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tiveram crescimento exponencial ante as receitas. Somente de 2014 para 2015, os desembolsos subiram 10%, enquanto o volume de contribuições, 3%. Esse descompasso gerou rombo de R$ 85,8 bilhões. No ritmo atual, estudos apontam que em 2019 o passivo alcançará R$ 200 bilhões — quantia seis vezes superior ao atual orçamento da Educação e equivalente ao dobro das verbas da Saúde.
Trabalhadores tentam preservar direitos consolidados e evitar novas perdas. Se a criação do fator previdenciário já impôs redução de até 50% no valor dos benefícios, as medidas agora em discussão cogitam extinguir a concessão de reajuste acima da inflação para o piso e fixar idade mínima para aposentadorias, inclusive para quem está na ativa.
— A situação é absolutamente insustentável. É como se 300 mil pessoas tivessem comprado ingressos para ver um jogo de futebol em um estádio com 80 mil lugares. Todas elas têm a expectativa de assistir à partida, mas é lógico que não vai caber todo mundo. É irreal. Com a Previdência é a mesma coisa. Temos de parar de nos iludir — diz o economista Renato Fragelli, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas.
Tão logo o governo de Michel Temer anunciou a intenção de fazer a reforma, o movimento cresceu em média 30% nos escritórios especializados na área. Mesmo que a equipe econômica ainda não tenha apresentado proposta oficial, há quem aceite se aposentar mais cedo, recebendo menos a cada mês, ante à iminência de ter de contribuir por um período maior.
— O governo diz que não vai ferir direitos, mas ninguém acredita. E estamos sem saber o que dizer porque o governo tampouco fala algo coerente — diz a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger.
Como tem sido recorrente na gestão de Temer, o Planalto age com avanços e recuos. Na primeira entrevista após assumir a pasta da Fazenda — à qual foi incorporada a Previdência —, o ministro Henrique Meirelles foi taxativo sobre a necessidade de reformulação no sistema, partindo de idade mínima de 65 anos para todos:
— Haverá uma idade mínima. Estamos estudando quais as regras de transição. Existem grupos com estudos bastante avançados sobre isso. O que precisa é uma determinação de governo. Vamos fazer.
A reação foi imediata. As centrais sindicais repudiaram a ideia e Meirelles chamou as entidades para uma mesa de debates, afiançando que a idade mínima não é inegociável. O que alimenta as suspeitas dos sindicalistas é a origem da proposta. Um dos principais especialistas em seguridade social do país, o novo secretário de Previdência, Marcelo Caetano, é um entusiasta da idade mínima. Em entrevista a ZH em fevereiro, o economista defendeu essa tese como uma das soluções para sanar as contas do INSS:
— O Brasil registra envelhecimento acentuado e gasto crescente. Estamos atrasados nesse debate de idade mínima.
Procurado na última terça-feira, não quis falar sobre as propostas em discussão.
— Estamos trabalhando muito, pensando bem e vamos negociar com calma — limitou-se a comentar.
Nos bastidores, a avaliação é de que o governo lançou a ideia de 65 anos como um teste, para avaliar a repercussão e começar as negociações. O objetivo seria partir de um piso elevado para, ao cabo das discussões, equiparar os trabalhadores privados aos servidores públicos: 60 anos para homens e 55 para mulheres, com 35 e 30 anos de contribuição.
— O governo está botando o bode na sala. E é um bode bem grande — afirma Jane.
Para a presidente do IBDP, tal fórmula tem boas chances de ser aprovada pelo Congresso, desde que amparada em transição de 10 anos. Assim, no princípio, a idade mínima seria de 48 anos para mulheres e 53 anos para homens.
Por via das dúvidas, o gerente de produção Luiz Henrique Alves de Lima, 53 anos de idade e 36 de carteira assinada, está separando a papelada. Lima poderia ter se aposentado em dezembro, mas preferiu esperar para evitar perdas devido ao fator previdenciário. Agora, vai protocolar o processo em julho, diz:
— Espero que, até lá, não mude nada. Assim como eu, muita gente deve estar apreensiva. Quem está empregado, tudo bem. Mas e quem não está? Torço para que a discussão demore pelo menos alguns meses.

As resistências das centrais sindicais
Não será fácil para o governo negociar a reforma da Previdência com as centrais sindicais. Das três maiores entidades do país, duas nem sequer aceitam conversar com a gestão interina de Michel Temer. A única que sentou à mesa com a equipe econômica rechaçou os principais termos da proposta. Juntas, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) representam 50 milhões de contribuintes. Apenas a Força Sindical, presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP) — defensor do impeachment e aliado de Temer —, tem comparecido às reuniões. Ainda assim, não há muita disposição para o diálogo.
— Não vamos apresentar contraproposta. O problema da Previdência se revolve com medidas administrativas. Basta cobrar as dívidas das empresas, fazer uma devassa nos benefícios irregulares, acabar com as desonerações. Não aceitamos que o trabalhador pague essa conta — diz João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e um dos vice-presidentes da Força Sindical.
Enquanto a entidade se reúne nesta segunda-feira para firmar posição diante de uma nova rodada de negociação com o governo, prevista para sexta-feira, as demais centrais preparam atos de protesto contra a reforma. Na terça-feira, CUT e CTB realizam em todo o país o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência Pública. Em Porto Alegre, a mobilização ocorrerá às 10h, em frente à sede do INSS, no Centro. Presidente da CTB no Estado, Guiomar Vidor se sente pessoalmente afrontado. Aos 53 anos, ele planeja se aposentar em dezembro e teme que eventuais alterações no sistema atrasem os planos.
— Vamos lutar até o fim para impedir mudanças prejudiciais aos trabalhadores. Muita gente está apreensiva. É um absurdo o que querem fazer — diz Vidor.
Na CUT, a disposição é semelhante. A central não reconhece o governo Temer — o qual considera ilegítimo — e cogita convocar uma greve geral contra a perda de direitos. De acordo com o secretário-geral, Sérgio Nobre, a reforma está sendo conduzida com "afobação". Ele também sustenta que a fórmula 85/95, adotada ano passado, garante mais 30 anos de fôlego financeiro à Previdência.
— Não há negociação com golpistas, mas a CUT respeita a autonomia das outras centrais que negociam com Temer. No futuro, cada um vai arcar com a responsabilidade das decisões tomadas. Espero que tenham juízo — afirma Nobre.
Mesmo que ignore a discordância das centrais sindicais, o governo tem pela frente um interlocutor bastante suscetível às pressões populares: o Congresso. Como a maioria das propostas em debate altera o texto constitucional, para produzir efeito será preciso o voto favorável de três quintos dos parlamentares (308 deputados e 49 senadores). Nos bastidores, aliados do Planalto já sugerem que eventuais mudanças só sejam submetidas a plenário após as eleições deste ano — ou seja, em novembro. Até lá, ninguém quer se desgastar com o eleitorado com medo de colher prejuízo nas urnas. Ainda assim, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), um dos responsáveis pela aprovação da fórmula 85/95 no ano passado, diz que o governo precisa flexibilizar as propostas iniciais.
— Idade mínima de 65 anos não passa de jeito nenhum. Se cair para 60 anos, já dá para começar a conversar, ainda assim vou brigar com todas as minhas armas. Vou atrapalhar — avisa o deputado.
Alívio para uma, angústia para outra
Marisa (D) está aposentada, mas Simone ainda aguardaFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
Elas são irmãs, têm quase a mesma idade, são colegas de trabalho e acompanham com apreensão a possibilidade de reforma na Previdência — só que de um jeito diferente.
Na última quarta-feira, aos 53 anos, a analista de sistemas Marisa Camargo conseguiu encaminhar os papéis para formalizar a aposentadoria integral. Com isso, escapou de eventuais alterações nas normas previdenciárias. O alívio só não foi completo porque a irmã, a analista de projetos Simone Camargo, 50 anos, vive situação distinta.
— Temos apenas três anos de diferença, mas ela ainda corre o risco de ser afetada pelas mudanças — diz Marisa.
Simone tem 28 anos de carteira assinada e, conforme as regras atuais, precisa trabalhar mais alguns anos para assegurar o benefício integral. Dependendo das modificações que vierem a ser aprovadas, o prazo pode se estender.
— Por sorte, tenho um emprego que me garante alguma estabilidade, mas, se não tivesse, estaria me sentindo bem insegura — afirma Simone.
As duas são funcionárias do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).