sábado, 28 de maio de 2016

Sérgio Moro manda soltar réu da Lava Jato por fiança de R$ 300 mil

Marcelo Rodrigues é acusado de operar o esquema de propina da Odebrecht
POLÍTICA CORRUPÇÃOHÁ 21 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Marcelo Rodrigues, preso na 26ª fase da Operação Lava Jato, teve sua liberdade autorizada pelo juiz federal Sérgio Moro, após pagar R$ 300 mil de fiança. O mandado de soltura foi expedido na noite de sexta-feira (27), depois que o valor foi bloqueado pelo Banco Central. Marcelo saiu do Complexo Médico-Penal de Curitiba na manhã deste sábado (28).
Segundo o G1, Marcelo Rodrigues é réu na Lava Jato por operar e controlar no exterior contas usadas pela Odebrecht para pagamentos de propinas  O acusado, que foi preso em março deste ano, não possuía o valor da fiança e conseguiu que a Justiça bloqueasse a quantia da conta do irmão dele, Olívio Rodrigues, que também é réu no mesmo processo.
De acordo com o Ministério Público Federal, o Setor de Operações Estruturadas usava Marcelo e Olívio na operação dos pagamentos ilícitos através da contabilidade da Odebrecht. O processo ainda tem como réus, além dos irmãos Rodrigues, o ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, o publicitário João Santana e a mulher dele, Monica Moura, e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

No futuro, reposição óssea será com substâncias do organismo

Substância em gordura inibe potencial de células-tronco para se diferenciarem em células ósseas, diz estudo
LIFESTYLE RECUPERAÇÃOHÁ 25 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP revela que substância encontrada em gordura inibe potencial de células-tronco para se diferenciarem em células ósseas. Num futuro próximo, a reposição de um pedaço qualquer de osso, seja a perda decorrente de acidente, doença ou envelhecimento natural, será possível com substâncias produzidas pelo próprio organismo humano. Essa previsão tem base: os avanços da terapia celular e da engenharia de tecidos.
Esse cenário ainda é futurista. Mas o grupo de pesquisa Biomateriais para Implante em Tecido Ósseo da FORP deu mais um passo rumo a essa realidade. O pesquisador e pós-graduando Rodrigo Paolo Flores Abuna, conseguiu identificar e comprovar em laboratório a ação de substância produzida por células de gordura, o fator de necrose tumoral alfa (TNF alfa, do inglês Tumor Necrosis Factor) que reduz a formação de tecido ósseo por inibir a diferenciação de células-tronco em osteoblastos (células que dão origem aos ossos).
Procurando a melhor técnica de reparo ósseo, Abuna utilizou culturas de células-tronco mesenquimais, que têm capacidade de se transformar em células de diferentes órgãos, inclusive em células de ossos, de duas fontes diferentes: da medula óssea e do tecido adiposo (gordura do organismo).
Medula é a melhor fonte
As células-tronco mesenquimais foram extraídas de ratos e cultivadas em meios osteogênico e adipogênico. O pesquisador observou que, apesar das duas culturas apresentarem potencial para a diferenciação de osteoblastos, as células da medula óssea “exibiram maior expressão gênica de marcadores ósseos e formação de nódulos semelhantes ao osso”.
Nesses experimentos também se verificou que, em células de gordura, a formação das células ósseas era menor. Por fim, os pesquisadores observaram que células de gordura inibiam a diferenciação de células-tronco de medula óssea em osteoblastos e que o responsável por essa inibição é o TNF alfa. Essas células-tronco — da medula óssea e do tecido adiposo — representam hoje “uma ferramenta atraente para a reparação do tecido ósseo baseada na terapia celular”, adianta o pesquisador.
Segundo o professor Márcio Mateus Beloti, do departamento de Morfologia, Fisiologia e Patologia Básica da FORP, orientador de Abuna, a substituição de parte da medula óssea por gordura, decorrente do envelhecimento, é fato reconhecido pela literatura, mas chama a atenção a informação nova de que o tecido adiposo exerce efeito inibitório sobre a diferenciação de células-tronco da medula óssea em osteoblastos (para renovar o tecido ósseo)”.
O professor lembra que a literatura mostra que células-tronco mesenquimais vindas do tecido adiposo são uma fonte de células para essas terapias. No entanto, continua o professor, “observamos que a medula óssea é de fato a fonte mais interessante para que se produzam terapias, pensando no reparo ósseo”.
Porém, Beloti faz questão de lembrar que tudo ainda é objeto de estudo para terapias futuras. Hoje, a Odontologia não oferece rotineiramente tratamentos que estimulam a regeneração do osso usando terapia celular. Porém, com base nas informações que a ciência vem produzindo, pode-se dizer que “a interação entre células de gordura e do osso” deve ser levada em consideração no caso de uma futura indicação de terapia nesse nível.
Benefícios ao idoso
Como provaram que existe “conversa” entre essas duas populações celulares e que ela compromete o tecido ósseo, Beloti lembra que esse fato pode direcionar mais atenção aos idosos, pois é no idoso que se verifica a substituição de parte da medula óssea por tecido gorduroso. As pessoas apresentam mais problemas de perda óssea e alterações hormonais (principalmente as mulheres) com o passar do tempo.
Tomando a sua área, a Odontologia, como referência, o professor adianta que o implante é um dos principais focos quando se pensa em reposição de dentes ausentes. E a população idosa, em geral a que mais necessita desses recursos, é a que apresenta o osso em condição mais precária para receber implantes. Assim, o desenvolvimento de terapias celulares de reconstituição óssea para essa área deverá considerar fatos como: essa é uma população com mais tecido adiposo e o balanço entre gordura e tecido ósseo tem papel relevante no processo de formação do osso. Beloti reforça que as respostas que obtiveram ainda são de testes in vitro.
Liderado pelos professores Adalberto Luiz Rosa e Paulo Tambasco de Oliveira, todos da FORP, o grupo de pesquisa vem testando terapias celulares tanto in vitro quanto in vivo. “Pode ser que esses resultados sejam confirmados em testes in vivo. Dependemos ainda de mais estudos para dizer com clareza”, enfatiza o professor.
O estudo desenvolvido pelo grupo foi publicado na edição de janeiro de 2016 da revista Journal of Cellular Physiology e também foi tema da dissertação de mestrado de Rodrigo Abuna, defendida na FORP em 2014, com orientação do professor Beloti.
Além dos coordenadores, Rosa e Oliveira, o grupo de pesquisa Biomateriais para Implantes em Tecido Ósseo, certificado pelo CNPq, conta com os pesquisadores Beloti e Karina Fittipaldi Bombonato Prado.

Lula não foi processado no mensalão por falta de investigação, diz Renan

A afirmação foi dita em uma das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e entregue ao Ministério Público Federal
POLÍTICA GRAVAÇÃOHÁ 2 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia "saído", ou seja, não foi processado no caso do mensalão porque os pagamentos ao marqueteiro Duda Mendonça no exterior não foram investigados a fundo quando vieram a público, em 2005.
De acordo com a Folha de S. Paulo, a afirmação foi dita em uma das conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e entregue ao Ministério Público Federal.
A publicação destaca que, em 2005, Duda, que havia trabalhado na vitoriosa campanha de Lula em 2002, reconheceu, em depoimento prestado à CPI dos Correios, que havia recebido no exterior cerca de R$ 10 milhões em esquema de caixa dois. Duda revelou na época que o dinheiro havia sido transferido pelo publicitário mineiro Marcos Valério Souza, pivô do escândalo do mensalão.
Nas conversas de Renan e Machado, Renan tenta explicar "por que o Lula saiu": "O Duda fez a delação, e disse que recebeu o dinheiro fora. E ninguém nunca investigou quem pagou, né? Este é que foi o segredo".
Machado diz que, durante seu governo, Lula "não fez", provável referência a não ter cometido irregularidades, porém "quando chegou no final do governo botou na real". "Caiu na real", concordou Renan.
A gravação revela que Machado disse que foram feitas "umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda", citações ao sítio de Atibaia (SP) frequentado por Lula e a um apartamento da Bancoop, cooperativa de bancários, construído pela OAS no Guarujá (SP).
"Apartamento bancário!", ironizou Renan. "Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme", afirmou Machado. Ele ainda diz que Lula, além de Sérgio Gabrielli e "uma turma", "armaram" a criação da empresa Sete Brasil, empresa constituída em 2010, último ano do segundo governo de Lula, voltada para a construção de navios-sonda para exploração do pré-sal brasileiro.
A publicação conta que, ainda no diálogo, Machado questionou a Renan se o advogado Eduardo Ferrão, defensor do senador, realmente tinha influência, se tinha "força", sobre o ministro do STF Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal. Renan corrigiu: "Acesso. Nesse primeiro momento é o acesso".
No entanto, ainda não há indícios de que Ferrão tenha de fato tentado influir o ministro Teori.
OUTRO LADO
A Folha destaca que uma divulgada pela assessoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ele reitera que "não tomou nenhuma iniciativa ou fez gestões para dificultar ou obstruir as investigações da operação Lava Jato, até porque elas são intocáveis e, por essa razão, não adianta o desespero de nenhum delator".
A nota não respondeu às questões sobre os comentários de Renan acerca do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli rebateu a ideia de que a Sete Brasil tenha sido um erro. "A empresa foi criada para viabilizar a construção de sondas no Brasil, coisa extremamente importante para o pré-sal brasileiro. O projeto é correto. Os problemas que ocorreram foram decorrentes de dificuldades de financiamento do BNDES e de algumas fontes, nada de coisas clandestinas ou ilegais", afirmou Gabrielli.
O Instituto Lula divulgou uma nota em que diz: "Nenhum homem público brasileiro foi tão investigado quanto Lula em 40 anos de vida pública, sem que nada fosse encontrado contra ele. E nenhum outro foi tão caluniado quanto Lula, por todos os meios, até mesmo por essa abjeta autogravação, feita sob encomenda para difamar".
A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Machado. A delação está sob segredo de Justiça.

Temer envia general para representá-lo na Guiana

Sergio Westphalen Etchegoyen, toma posse como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional, em cerimônia realizada em Brasília (DF) - 12/05/2016
Sergio Westphalen Etchegoyen, toma posse como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional, em cerimônia realizada em Brasília (DF) - 12/05/2016(Thiago Bernardes/FramePhoto/Folhapress)
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen, foi enviado pelo presidente da República interino, Michel Temer (PMDB), para representá-lo em cerimônia na Guiana. Ele ficará em Georgetown desta quarta-feira até sexta para as comemorações dos 50 anos de independência do país. O general Etchegoyen, assim, ficou de fora da primeira reunião sobre as políticas para controle de fronteiras do governo Temer, nesta tarde, no Palácio do Planalto.Participam os ministros Raul Jungmann (Defesa), Alexandre de Moraes (Justiça), Eliseu Padilha (Casa Civil), José Serra (Itamaraty) e Henrique Meirelles (Fazenda), além de sete integrantes do segundo escalão ministerial e diretores de órgãos como Leandro Daiello (Polícia Federal), Wilson Trezza (Abin) e Jorge Rachid (Receita Federal). (Felipe Frazão, de Brasília)

Conheça os 17 governadores acusados de pedaladas fiscais

Movimento de advogados compilou lista de gestores dos Estados que cometeram atos semelhantes aos da presidente Dilma Rousseff nesta gestão e em governos anteriores
POLÍTICA LISTAHÁ 19 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Pelo menos cinco governadores cometeram pedaladas fiscais nesta gestão. Outros 12 teriam usado a estratégia. O grupo Movimento Advogad@s Independentes, de Campinas, compilou a lista de gestores que cometeram os atos, e cobram coerência no julgamento da presidente Dilma Rousseff. As informações são do portal Jota.
Os atuais governadores de SP, Geraldo Alckmin; do DF, Rodrigo Rollemberg; do MT, Pedro Taques; do RS, José Ivo Sartori; e de SE, Jackson Barreto, cometeram pedaladas nesta gestão. O grupo considera injusto o tratamento dado ao fato pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que apoia o processo de impeachment da presidente.
"A sensação que temos é que há fatos ocorrendo nos últimos tempos e que a OAB mantém total silêncio. Eles mostram uma seletividade, e nós queremos que tenha esse procedimento nos governos de todo o Brasil", afirma Eduardo Surian Matias, um dos advogados responsáveis pelo movimento.
O grupo organiza um abaixo-assinado para que a OAB se pronuncie sobre os casos dos governadores que também teriam cometido crime de responsabilidade fiscal. Até o momento,a petição tem 4.553 apoiadores, com meta de recolher 5 mil assinaturas.
Confira a lista com todos os governadores
Amapá – Camilo (PSB) (2011-2014)
Amazonas – José Melo (PSDB) (2014)
Bahia – Jacques Vagner (PT) (2011-2014)
Ceará – Cid Gomes (PDT) (2011-2014)
Distrito Federal – Rodrigo Rollemberg (PSB) (2015)
Goiás – Marconi Perillo (PSDB) (2011-2014)
Mato Grosso – Pedro Taques (PSDB) (2015)
Minas Gerais – Antônio Anastasia (PSDB) (2011-2014)
Minas Gerais – Aécio Neves (PSDB) (2003-2010)
Pará – Simão Jatene (PSDB) (2011-2014)
Paraná – Beto Richa (PSDB) (2011-2014)
Piauí – Wellington Dias (PT) (2003-2010)
Rio de Janeiro – Pezão (PMDB) (2014)
Rio Grande do Sul – Pedro Ivo Sartori (PMDB) (2015)
Santa Catarina – Raimundo Colombo (PSD) (2011-2014)
São Paulo – Geraldo Alckmin (PSDB) (2015)
Sergipe – Jackson Barreto (PMDB) (2015)
Outro lado
A assessoria de comunicação do Governo de Mato Grosso negou as pedaladas fiscais e afirmou que todas as despesas do Estado têm base na Lei Orçamentária Anual (LOA). A nota também criticou a petição, dizendo que "na página onde estão sendo coletadas as assinatura não há qualquer embasamento técnico ou jurídico que comprove a chamada “pedalada fiscal” no governo de Mato Grosso ou mesmo dos demais estados".
São Paulo disse que comparar as situações do governo federal ao estadual é "desconhecimento" e "confunde o leitor". "O Governo Federal usou dinheiro de bancos que estão fora do Orçamento da União para o pagamento de programas previstos dentro do Orçamento, caracterizando, assim, empréstimos sem autorização legislativa. O Governo de São Paulo nunca fez isso até por não possuir banco público", argumentou.
As assessorias dos outros três estados mencionados pelo movimento não responderam às solicitações de esclarecimento.

Pedro Corrêa faz relato contundente de envolvimento de Lula no petrolão

Revelações do ex-deputado ao MP compõem documento de 132 páginas. Depoimento aguarda homologação pelo Supremo Tribunal Federal

Pedro Corrêa: ele embolsa propina desde a década de 1970
Pedro Corrêa: ele embolsa propina desde a década de 1970(Vagner Rosario/VEJA)
Entre todos os corruptos presos na Operação Lava-Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa é de longe o que mais aproveitou o tempo ocioso para fazer amigos atrás das grades. Político à moda antiga, expoente de uma família rica e tradicional do Nordeste, Corrêa é conhecido pelo jeito bonachão. Conseguiu o impressionante feito de arrancar gargalhadas do sempre sisudo juiz Sergio Moro quando, em uma audiência, se disse um especialista na arte de comprar votos. Falou de maneira tão espontânea que ninguém resistiu. Confessar crimes é algo que o ex-deputado vem fazendo desde que começou a negociar um acordo de delação premiada com a Justiça, há quase um ano. Corrêa foi o primeiro político a se apresentar ao Ministério Público para contar o que sabe em troca de redução de pena. Durante esse tempo, ele prestou centenas de depoimentos. Deu detalhes da primeira vez que embolsou propina por contratos no extinto Inamps, na década de 70, até ser preso e condenado a vinte anos e sete meses de cadeia por envolvimento no petrolão, em 2015. Corrêa admitiu ter recebido dinheiro desviado de quase vinte órgãos do governo. De bancos a ministérios, de estatais a agências reguladoras - um inventário de quase quarenta anos de corrupção.
VEJA teve acesso aos 72 anexos de sua delação, que resultam num calhamaço de 132 páginas. Ali está resumido o relato do médico pernambucano que usou a política para construir fama e fortuna. Com sete mandatos de deputado federal, Corrêa detalha esquemas de corrupção que remontam aos governos militares, à breve gestão de Fernando Collor, passando por Fernando Henrique Cardoso, até chegar ao nirvana - a era petista. Ele aponta como beneficiários de propina senadores, deputados, governadores, ex-governadores, ministros e ex-ministros dos mais variados partidos e até integrantes do Tribunal de Contas da União.
Além de novos personagens, Corrêa revela os métodos. Conta como era discutida a partilha de cargos no governo do ex-­presidente Lula e, com a mesma simplicidade com que confessa ter comprado votos, narra episódios, conversas e combinações sobre pagamentos de propina dentro do Palácio do Planalto. O ex-presidente Lula, segundo ele, gerenciou pessoalmente o esquema de corrupção da Petrobras - da indicação dos diretores corruptos da estatal à divisão do dinheiro desviado entre os políticos e os partidos. Corrêa descreve situações em que Lula tratou com os caciques do PP sobre a farra nos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo Roberto Costa, o Paulinho.


Uma das passagens mais emblemáticas, segundo o delator, se deu quando parlamentares do PP se rebelaram contra o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de Paulinho. Um grupo foi ao Palácio do Planalto reclamar com Lula da "invasão". Lula, de acordo com Corrêa, passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande" e tinha de "atender os outros aliados, pois o orçamento" era "muito grande" e a diretoria era "capaz de atender todo mundo". Os caciques pepistas se conformaram quando Lula garantiu que "a maior parte das comissões seria do PP, dono da indicação do Paulinho". Se Corrêa estiver dizendo a verdade, é o testemunho mais contundente até aqui sobre a participação direta de Lula no esquema da Petrobras.

Bolsa Família perdeu R$ 2,6 bilhões com fraudesLevantamento inédito mostra o volume de recursos desviado do programa. Funcionários públicos, mortos e até doadores de campanha estão entre os beneficiados Por: Pieter Zalis

NA FILA - Sem fiscalização eficiente, o dinheiro do contribuinte deixa de ir para quem precisa: é o “bolsa fraude”
NA FILA - Sem fiscalização eficiente, o dinheiro do contribuinte deixa de ir para quem precisa: é o “bolsa fraude”(ALEXANDRO AULER/VEJA)
Daria para fazer quase 30 000 casas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Somente entre 2013 e 2014, pelo menos 2,6 bilhões de reais do total da verba reservada ao Bolsa Família foram parar no bolso de quem não precisava. A informação é resultado do maior pente-fino já realizado desde o início do programa do governo federal, em 2003. Feito pelo Ministério Público Federal a partir do cruzamento de dados do antigo Ministério do Desenvolvimento Social com informações de órgãos como Receita Federal, Tribunais de Contas e Tribunal Superior Eleitoral, o exame detectou mais de 1 milhão de casos de fraude em todos os estados brasileiros. O Bolsa Família, um valor mensal a partir de 77 reais por pessoa, é destinado exclusivamente a brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. A varredura mostrou, no entanto, que entre os que receberam indevidamente o auxílio no período estão funcionários públicos, mortos e até doadores de campanha (veja o quadro na pág. ao lado).
Só de funcionários públicos foram 585 000 os beneficiários ilegais. Em todos os casos, os contemplados ganhavam ao menos um salário mínimo (piso da categoria) e, segundo apurou o estudo, pertenciam a famílias com renda per capita acima de 154 reais - situação que os impediria de receber o benefício. O fato de esses funcionários serem majoritariamente servidores municipais reforça a tese do Ministério Público de que esse tipo de fraude não dispõe de um comando centralizado. "Nasce daquele microcosmo do município em que o cadastrador conhece quem está sendo habilitado e não tem interesse em realizar uma fiscalização correta sobre suas condições de pobreza", afirma a procuradora Renata Ribeiro Baptista, que coordenou a pesquisa.
Os doadores de campanha ocupam lugar de destaque no ranking das categorias de fraudadores identificadas no estudo. O Ministério Público encontrou 90 000 beneficiários do programa que, em 2014, doaram a políticos ou partidos valores iguais ou superiores aos recebidos do programa naquele ano e casos de grupos de dez ou mais beneficiários que transferiram verbas para um mesmo candidato.
O levantamento achou ainda beneficiários sem CPF ou com mais de um CPF, além de 318 000 beneficiários que eram donos de empresas. Abrir uma empresa não significa necessariamente que alguém seja um sujeito de posses (o processo para constituir uma firma pode custar pouco mais de 200 reais), mas o Ministério Público acredita que poucos dos contemplados nessa situação conseguirão provar que vivem abaixo da linha da pobreza.
Os 2,6 bilhões desviados correspondem a 4,5% do total investido no programa no período e estão abaixo da média internacional, apontada pelo Banco Mundial, de 10% de desvios em programas sociais. Para a procuradora Renata Baptista, porém, a estimativa do MPF é "conservadora". Segundo ela, muitas fraudes ficaram de fora do levantamento. "Apenas servidores com quatro ou menos familiares entraram no estudo." O prejuízo ainda vai aumentar.