quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cunha vê 'nulidade' em processo e reafirma não ter contas no exterior Presidente afastado da Câmara foi ao Conselho de Ética para se defender. Ele afirmou disse que atos praticados por relator Marcos Rogério são nulos. Nathalia Passarinho e Fernanda Calgaro Do G1, em Brasília

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quinta-feira (19), em depoimento no Conselho de Ética, que o processo por quebra de decoro ao qual responde tem vários vícios que geram “nulidades” e pediu a substituição do atual relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

A sessão desta quarta foi interrompida em alguns momentos por bate-bocas entre deputadosaliados ao peemedebista e deputados que defendem a cassação do mandato de Cunha. Além disso, foi marcada pelo pedido do deputado Nelson Marchezan Jr. (PSDB-RS) para que Cunha renuncie, sob o argumento de o peemedebista mantém poder sobre outros parlamentares.
Cunha não respondeu ao pedido de Marchezan Jr. Em relação ao relator, argumentou que ele não pode continuar na condução do processo porque migrou do PDT para o DEM, partido que integra o bloco parlamentar do PMDB, partido do próprio presidente afastado.
Ele afirmou que apresentará esse questionamento à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, para que decida se, em razão da troca de partido, os atos praticados por Marcos Rogério são nulos.
Esse mesmo argumento foi usado para destituir o primeiro relator do processo, deputado Fausto Pinato (SP), que era do PRB, partido que também integra o bloco do PMDB.
“Quero, de pronto, apresentar impugnação à presença do deputado Marcos Rogério como relator. A mesma decisão que substituiu o relator Fausto Pinato se aplica ao relator Marcos Rogério desde o momento em que ele apôs filiação ao DEM, partido do bloco ao qual eu faço parte. Há nulidade que representa descumprimento claro do artigo 13, alínea a do Código de Ética. Estamos diante de atos cuja nulidade será arguida. Quero desde já impugnar a presença como relator do deputado Marcos Rogério. Será preliminar de nulidade arguida na Comissão de Constituição e Justiça”, afirmou.
Relator contesta
Após o questionamento de Cunha, Marcos Rogério afirmou que não está impedido de ser relator porque, quando assumiu a relatoria, era filiado ao PDT.

Para ele, deve ser considerada a filiação ao partido no momento da eleição para a Mesa Diretora da Câmara.
No início da legislatura, o PMDB formou um bloco partidário com outros 13 partidos, entre os quais DEM e PRB.
Depois, o bloco se desfez, mas foi usado como base para distribuir as vagas no Conselho de Ética. Marcos Rogério pertencia ao PDT e mudou em março para o DEM.
“O que valeu foi a integração ao bloco existente no início da legislatura”, alegou Marcos Rogério.
Cunha afirmou que não tem “interesse” em postergar o processo, mas argumentou que precisou contestar “nulidades” que ocorreram.
“Efetivamente, sabemos do jogo político que está acontecendo. Diversas nulidades ocorreram nesse processo. Sempre que eu contestava uma nulidade era caracterizado como manobra”, disse.
Em sua fala, Cunha disse que iria se ater à acusação que consta do relatório preliminar aprovado – sobre a existência de contas bancárias não-declaradas – e que não trataria de outros assuntos.
Inicialmente, a representação contra ele pedia que também fosse investigado sobre a suspeita de que teria recebido propina. No entanto, o relatório acabou aprovado sem essa acusação.
"Eu vou me ater à representação, não porque eu queira evitar qualquer tipo de debate, mas porque não quero legitimar a nulidade [do processo], que será contestada", afirmou Cunha, acrescentando que recorrerá de eventual decisão do conselho que inclua outras acusações.
Ele afirmou ter pressa na conclusão do processo e acusou o comando do conselho de fazer manobras regimentais para adiar essa conclusão.
"Nunca tive qualquer interesse na sua postergação. Quero que seja célere a decisão desse processo, que tem cunho de natureza política", declarou.
Cunha nega contas no exterior
O presidente afastado da Câmara voltou a afirmar que não mentiu à CPI da Petrobras quando disse, em março do ano passado, que não possui contas no exterior.
Ele reiterou que as contas são administradas por trustes – entidades legais existentes em alguns países que administram bens em nome de uma ou mais pessoas – e rejeitou a acusação de que teria recursos nesses trustes como forma de ocultar seu patrimônio.
"Se o objetivo fosse esconder, talvez eu tivesse constituído uma fundação. Nada é mais transparente do que um truste, porque se identifica o beneficiário, o administrador do truste, quem é o responsável pela gestão do truste", argumentou.
O peemedebista é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por contas abertas na Suíça. A Procuradoria Geral da República suspeita que o dinheiro depositado seja propina de contrato de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África.
Aos integrantes do Conselho de Ética, o presidente afastado da Câmara afirmou que o dinheiro depositado na Suíça é proveniente de comércio de produtos em países da África. Ele destacou ainda que as contas são dos trustes e que é beneficiário dos recursos administrados.
Cunha argumentou que estaria fazendo uma declaração “falsa” se dissesse que possui contas exterior, já que elas não estão em seu nome.
“A declaração que por mim fosse feita de conteúdo do patrimônio do truste seria falsa. Eu não poderia declarar aquilo que não me pertence. Aí sim seria uma declaração falsa. Eu não poderia declarar algo que não me pertence”, disse.
Ele afirmou que há uma lacuna na legislação brasileira, que não obriga os beneficiários de trustes a declará-los à Receita Federal.
"A verdade é que não há um tratamento na legislação brasileira. Só depois que esse assunto se tornou publico é que se passou a tratar de trustes", disse.

Em determinado momento, Cunha explicou que usou de forma equivocada, durante entrevista à TV Globo, a expressão “usufrutuário em vida" para se referir aos direitos que teria sobre os recursos administrados pelos trustes. Segundo o presidente afastado da Câmara, o termo correto seria "beneficiário".
Discussão

Após a exposição de Cunha, o deputado Marcos Rogério começou a fazer perguntas ao peemedebista.
Nesse momento, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) interrompeu para perguntar se o termo errado seria “usufrutuário”. O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), pediu para que não houvesse interrupções.
Ivan Valente insistiu na pergunta, e o deputado Laerte Bessa (PR-DF) se virou, gesticulando muito, para criticar a intervenção do deputado do PSOL. Valente respondeu: “Cala a boca, pô. Cala a boca, palhaço!”. José Carlos Araújo cortou o microfone e a sessão prosseguiu.
Trustes
Segundo documentos enviados à Procuradoria Geral da República pelo Ministério Público da Suíça, Cunha tem ligação com três trustes chamados Orion, Triumph e Netherton. Há ainda uma conta, chamada Kopec, cuja titular é a mulher dele, Claudia Cruz.
No depoimento no conselho, o peemedebista se recusou a dar informações sobre os trustes Orion e Triumph argumentando que eles já tinham sido encerrados quando prestou depoimento à CPI da Petrobras e, portanto, não poderiam servir de base para acusá-lo de que estava mentindo sobre a existência deles. 
"A única sociedade jurídica que pode ser contestada é a Netherton porque os demais trustes não existiam mais um ano antes da minha vinda à CPI", afirmou.
Parecer do BC
Durante a sessão Cunha foi perguntado sobre um parecer técnico do Banco Central, enviado ao Conselho de Ética, que afirma que está"inapelavelmente caracterizado" o vínculo do presidente afastado da Câmara com investimentos no exterior, por ser o beneficiário de "trustes" e por ter seu nome na constituição deles.
De acordo com a avaliação do BC, o deputado deveria ter declarado esses recursos à Receita e ao Banco Central. O parecer é assinado pelo procurador-geral do Banco Central, Isaac Sidney Menezes Ferreira. Cunha respondeu ao questionamento dizendo que o procurador era um “capacho” do ex-adovogado-geral da UniãoJosé Eduardo Cardozox.
“Eu contestei o parecer do Banco Central. A falta de condição do procurador por  ser um capacho do advogado-geral da União. Não vou considerar que um parecer de um empregado do governo possa ser parâmetro”, disse o peemedebista.
'Benção'
Durante a sessão, o vice-presidente do Conselho de Ética, Sandro Alex (PSD-PR), ironizou os argumentos de Cunha de que não é dono de conta bancária de que truste não é, em si, uma conta bancária, nem patrimônio, mas sim uma “instituição” que administra recursos.
“Truste não é contra, não é patrimônio. Truste é uma bênção”, disse Sandro Alex, em referência ao volume de recursos que eram mantidos nas contas ligadas a Cunha na Suíça. O presidente afastado da Câmara respondeu dizendo que os trustes foram criados por uma convenção da Corte Internacional de Haia.
“Não existe bênção do truste. Apesar de que como cristão que sou acredito que todos estamos sujeitos às bênçãos de Deus. O truste foi estabelecido por uma Convenção de Haia. Bênção pode ser a boa gestão desse patrimônio, porque ele também pode ser deteriorado”, disse Cunha.
Acusação ao PGR
Durante a audiência, Eduardo Cunha voltou a dizer que há “seletividade” nas investigações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e contestou a “demora” de processos ligados ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
“É estranho que o procurador-geral depois do impeachment tenha conseguido abrir cinco inquéritos contra mim, quando a denúncia contra o presidente do Senado está há três anos sem ser apreciada pelo pleno”, afirmou.
Assim como Cunha, Renan Calheiros é investigado pela PGR por suspeita de receber propina do esquema de corrupção da Petrobras, mas, diferentemente do colega de partido, ainda não foi denunciado ao Supremo no âmbito da Lava Jato.
O senador é réu, porém, desde 2013 por crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso por supostamente ter recebido propina da construtora Mendes Júnior para pagamento de despesas de uma filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Até hoje o caso não foi julgado pelo plenário do Supremo.
Mulher de Cunha
Cunha não quis responder a perguntas relacionadas à sua esposa, a jornalista Cláudia Cruz, também investigada pelo Ministério Público por não ter declarado uma conta no exterior da qual é titular.
  •  
Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e sua mulher, Cláudia Cruz (Foto: Roberto Teixeira/EGO)Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e sua mulher, Cláudia Cruz (Foto: Roberto Teixeira/EGO)
O relator do processo perguntou sobre a origem do dinheiro que abasteceu a conta de conta de Cláudia Cruz. Contrariado com a pergunta, Cunha disse que as transferências para a conta da esposa eram decididas por um truste.
“Minha esposa não é deputada. Então, não posso concordar em que ela seja palco de discussões no Conselho. Ela não é objeto da representação. As transferências que porventura foram feitas, havia previsões contratuais do tipo de despesas que seriam ressarcidas ou não. Cabia ao truste transferir ou não, se fosse cabível", disse o presidente afastado da Câmara.
As investigações da conta de Cláudia Cruz e de uma filha de Cunha, Danielle, foram enviadas para a primeira instância da Justiça Federal, para serem conduzidas pelo juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Paraná.

Durante a sessão, o deputado Julio Delgado (PSB-MG) citou gastos no exterior feitos pela família de Cunha com recursos administrados pelos trustes e, em tom de ironia, perguntou se era o "truste quem compra um vinho de US$ 1 mil".
Cunha argumentou que os recursos pertencem ao truste do qual ele é beneficiário e que a conta do cartão de crédito usado para essas despesas, gerido por um truste, está no nome de sua mulher.
“Se o dinheiro dessa conta compra um vinho de US$ 1 mil , eu pergunto: ‘Quem bebe o vinho? O senhor ou o truste? Se eu vou a um hotel em Dubai e gasto US$ 20 mil, quem dormiu nos lençóis de seda? O senhor ou o truste? Quem comprou essa gravata nas lojas de grife da Europa, quem comprou esse terno de US$ 3 mil que vossa excelência usa, foi o senhor ou o truste?", questionou Delgado.
Em resposta, Cunha se limitou a dizer que não era o titular do cartão de crédito usado.

'Não haverá indicações políticas na Petrobras', afirma Pedro Parente Nome do engenheiro foi anunciado nesta quinta-feira para presidir Petrobras. Ele disse que Michel Temer pediu 'gestão estritamente profissional' na estatal. Filipe Matoso Do G1, em Brasília

Indicado nesta quinta-feira (19) pelo presidente em exercício Michel Temer para presidir a Petrobras, o engenheiro Pedro Parente afirmou, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que "não haverá indicações políticas na Petrobras".
O nome de Parente ainda precisa passar pela aprovação do Conselho de Administração da Petrobras. Até lá, o atual presidente da estatal, Aldemir Bendine permanece no cargo.

VEJA COMO FOI A ENTREVISTA COLETIVA
"Não haverá indicações políticas na Petrobras. [...] Isto foi uma orientação clara que o presidente Temer me passou. Então, vou ser claro e taxativo com relação a este ponto: não haverá indicação política, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha vida própria porque, se isso fosse o caso, o que não será, certamente, elas não seriam aceitas", disse.

"Esse é um ponto muito tranquilo, que ajudou muito a minha conversa com o presidente Temer. Foi um dos pontos que me ajudaram a decidir por essa opção de assumir essa missão", completou.
Questionado sobre se iria manter diretores, Parente respondeu: "Eu posso manter, eu posso tirar. Isto é uma prerrogativa do presidente executivo da Petrobras, registrado que isto, obviamente, é uma conversa que tem que ser aprovada pelo Conselho de Administração. Na Petrobras, os mecanismos de governança vão funcionar como têm que funcionar em qualquer empresa de primeiro porte".
Na entrevista que concedeu após o anúncio do seu nome, Parente também disse que Temer pediu a ele uma "gestão estritamente profissional". "O presidente Temer colocou de uma maneira muito enfática que a gestão da Petrobras tem que ser uma gestão estritamente profissional. Estamos falando da composição do Conselho de Administração, da diretoria executiva, onde termos que observar as demandas que a empresa coloca para o preenchimento das funções", disse.

De acordo com o colunista Gerson Camarotti, o convite para que Parente passe a comandar a Petrobras faz parte da estratégia de Temer de colocar no segundo escalão os chamados "notáveis", com perfil mais técnico. A escolha de Parente tem como objetivo blindar a Petrobras, alvo do maior escândalo de corrupção no governo Dilma. O loteamento político da estatal por PT, PMDB e PP é o foco da investigação da Operação Lava Jato.

Mandato de Bendine e auditoria
Pedro Parente iniciou sua fala afirmando sentir uma “grande honra” por ter sido convidado por Temer para assumir o posto na Petrobras. Segundo ele, se tornar presidente da estatal não estava em seus “planos”, mas o momento é de “reconstruir o país” e, por isso, aceitou o “grande desafio”.
Aos jornalistas presentes no Palácio do Planalto, o novo dirigente da empresa citou o atual presidente, Aldemir Bendine, e disse que não pode “desconsiderar” a atual gestão.
Na avaliação de Parente, Bendine vem trabalhando “arduamente” na Petrobras, e a troca no comando da empresa neste momento “é natural” em razão da “mudança de liderança” – Temer assumiu como presidente em exercício na semana passada, após o Senado afastar a presidente Dilma Rousseff em razão do processo de impeachment.
“E este processo será mantido. Não creio que haja nada novo a fazer sobre isso. Preciso tomar conhecimento das coisas, porque tive muito pouca informação nesses dias. Tenho que me aprofundar para ter uma impressão final. Sobre este tema [auditoria], o trabalho já começou e está muito bem encaminhado. Não existe orientação [do presidente exercício] para reauditar”, declarou Pedro Parente.O engenheiro indicado a presidente daPetrobras destacou ainda que a estatal deve “aperfeiçoar a governança”. Questionado sobre se fará uma “auditoria” na atual situação da Petrobras, Parente disse que esta providência “já está em andamento”.

Perfil
Chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Pedro Parente ocupa atualmente a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, mandato para o qual foi eleito em março do ano passado. Segundo o site da BM&F Bovespa, o novo presidente da Petrobras iniciou a carreira no serviço público no Banco do Brasil, em 1971, e, em 1973, se transferiu para o Banco Central.
Formado em engenharia pela Universidade de Brasília (UnB), ele exerceu, além de outras funções, o cargo de consultor do Fundo Monetário Internacional e coordenou, em 2002, a equipe de transição do governo FHC quando o ex-presidente Lula foi eleito.

Seis dos 23 ministros de Michel Temer respondem a inquéritos no STF Do grupo, quatro estavam sem foro privilegiado no STF e três nunca tiveram essa prerrogativa

 postado em 19/05/2016 09:02
Valter Campanato/ Agência Brasil


Seis dos 23 ministros nomeados pelo presidente da República em exercício, Michel Temer, são alvos de investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). As suspeitas que recaem sobre eles variam de crimes eleitorais e falsidade ideológica a peculato e formação de quadrilha, inclusive no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato.

Do grupo, quatro estavam sem foro privilegiado no STF e três nunca tiveram essa prerrogativa. Por isso, podem ser investigados em outras instâncias. Como ministros de Estado só podem ser processados pela Suprema Corte, qualquer ação contra os novos ministros em outros foros deverá ser submetida para a instância máxima do Judiciário.

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, tem cinco procedimentos instaurados no STF. Ele é o único do grupo formalmente incluído na Lava-Jato por suspeita de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha e também é suspeito de envolvimento em esquema de compra de medidas provisórias para favorecer a indústria automotiva, desvendado pela Operação Zelotes.

Um dos inquéritos apura se Jucá era o verdadeiro dono de uma emissora de TV em Roraima e sua responsabilidade por crimes tributários, atrasos em indenizações trabalhistas e multas eleitorais pela administração das empresas que produzem a programação da emissora. Pela Constituição, deputados e senadores não podem ter participação em veículos de radiodifusão, por serem empresas concessionárias da administração pública.

Há também uma investigação sobre suposto desvio de verbas federais em obras municipais que teria sido operado pelo ministro quando estava no Senado. O último procedimento investiga a origem e o destino de R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um dos auxiliares do ministro antes de ser abordado pela polícia durante a campanha eleitoral de 2010.

O ministro Gilberto Kassab, de Ciência e Tecnologia, também tem cinco investigações em andamento no Supremo, todas sobre irregularidades durante sua gestão na prefeitura da cidade de São Paulo. Kassab também aparece ao lado de José Serra, o ministro de Temer da pasta das Relações Exteriores, e da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que apura se os três ex-prefeitos de São Paulo teriam cometido crime de responsabilidade relacionado a aumento de salário de professores em desacordo com a lei orgânica municipal.

Leia mais notícias em Política

Márcio Quintella, dos Transportes, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2010 por desviar recursos de convênios para compra de merenda escolar quando ele era secretário estadual de Educação em Alagoas, no governo de seu primo, o ex-governador Ronaldo Lessa. A defesa do atual ministro nega a acusação e afirma que o processo tem razões políticas.


Ricardo Barros, da Saúde, é investigado por suposta orientação para direcionar uma licitação de publicidade da prefeitura de Maringá, quando o atual ministro era secretário de Indústria e Comércio do Paraná. Já Helder Barbalho, o último da lista de investigados, é alvo de dois inquéritos sobre calúnia e difamação. Ambos negam as irregularidades e dizem que esperam que os processos sejam arquivados em breve.

Lava-Jato
Henrique Eduardo Alves, do Turismo, e Geddel Vieira, da Secretaria de Governo, também foram citados na Lava Jato, mas ainda não são investigados formalmente. Ambos foram mencionados em solicitações de pagamento de propina feitas pelo presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Léo Pinheiro, da OAS.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já pediu para que o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, autorize a instauração de um inquérito sobre a ligação de Cunha e Alves com a OAS. Janot também pediu para que o ministro do Turismo seja incluído no inquérito conhecido como "quadrilhão". Ele afirma que não recebeu nenhuma intimação referente às investigações da Lava Jato. Já Geddel diz achar a citação ao seu nome por Cunha banal, tanto que não ensejou nenhum tipo de investigação.

Bruno Araújo, de Cidades, Mendonça Filho, da Educação e Cultura, Raul Jungmann, da Defesa, e Ricardo Barros, da Saúde, não são investigados na Lava Jato, mas foram citados numa lista da Odebrecht apreendida pela Polícia Federal com registros de repasses da construtora a mais de 200 políticos. Os investigadores em Curitiba tentam agora descobrir se os repasses listados são ilegais ou fruto de propina. Todos os citados afirmam que as declarações foram legais e destacam que suas contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Outro lado
Por meio da assessoria de imprensa, Jucá afirma que qualquer envolvimento com operações ilegais na Petrobras. Ele diz ainda que todas as doações para o PMDB em campanhas no estado de Roraima foram feitas dentro da lei e aprovadas pelo TRE e TSE.

Os advogados de Kassab afirmaram que os inquéritos em trâmite perante o STF tratam de questões inerentes à administração pública e confiam que, após apresentação de esclarecimentos, será constatada a regularidade da atuação do agente público em questão.

Serra, por sua vez, disse que o Supremo já se manifestou a respeito da cobrança de reajustes salariais anuais a funcionários com a recomposição da inflação dos doze meses anteriores, decidindo que a revisão anual é obrigatória, porém, o índice deve ser estabelecido pelo Executivo. Ele sustenta que não houve nenhuma inconstitucionalidade.

Eletrobras diz que tem 10 dias para apresentar recurso na bolsa de NY Negociação dos papéis da companhia foi suspensa na quarta-feira (18). Empresa não enviou balanço auditado de 2014 às autoridades americanas. Do G1, em São Paulo

A Eletrobras informou que tem prazo de dez dias úteis para encaminhar preliminares de recurso que pretende apresentar contra a decisão da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) de suspender a negociação dos papéis da companhia, que ocorreu a partir de quarta-feira (18).
Vista do complexo nuclear de Angra dos Reis, em foto de arquivo. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes/Files)Vista do complexo nuclear de Angra dos Reis, em foto de arquivo. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes/Files)

Os American Deposit Shares (ADS) poderão ser negociados no mercado "over the counter" a partir desta quinta-feira (19), disse em comunicado na noite da véspera.
A Eletrobras informou que pretende apresentar "todos os recursos cabíveis" contra a decisão. A companhia tem o prazo de dez dias para encaminhar as preliminares do recurso e manifestar se deseja fazer uma apresentação oral ao comitê do Conselho de Administração da Nyse. Para tanto, deverá pagar taxa de US$ 20 mil.
Entenda
A negociação dos papéis da Eletrobras foi suspensa, depois de a estatal comunicar na véspera que não entregaria às autoridades dos Estados Unidos o balanço auditado referente a 2014.
O impasse ocorre porque a KPMG, empresa de auditoria que tem de aprovar o balanço financeiro da estatal antes de ele ser enviado, se recusa a assinar o documento, porque ele não mensura o dano causado à estatal por irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.
"Nós entregamos todo o material de investigação interna ao auditor, mas foi bem em cima da hora e provavelmente o auditor contratado vai reprovar e pedir mais tempo", disse à Reuters, nesta terça-feira, uma fonte da empresa. "Isso porque, a cada apuração feita, se encontram possíveis novos indícios de irregularidades que estimulam novas investigações", acrescentou.
"Deixar de ter os ADRs negociados sem dúvida não é positivo para a imagem da empresa, mas queremos ir a fundo nos malfeitos", disse a fonte da estatal.
Consequências
De acordo com a Eletrobras, não há chance de nova extensão de prazo pela Bolsa de Valores de Nova York. Por isso, foi suspensa a autorização para negociação dos American Deposit Receipts (ADRs, que são recibos de ações) da companhia, enquanto corre um processo sobre ela.
Esse processo deve durar pelo menos dois meses e vai avaliar se as ações da estatal serão deslistadas (perderão o registro na Nyse). Na terça-feira, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou que, se isso ocorrer, o Tesouro Nacional pode ter de arcar com até R$ 40 bilhões para pagar quem tinha investido na estatal.
O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, disse nesta quarta ao G1, porém, quesão “remotíssimas” as chances de dívidas da estatal no valor de R$ 40 bilhões terem o vencimento antecipado.
Segundo o analista de mercado Miguel Daud o efeito mais imediato da suspensão é uma pressão ainda maior na liquidez da companhia, além do prejuízo à imagem e credibilidade da estatal. "Ao não ter cumprido as regras, a Eletrobras perde muito a capacidade de liquidez que a empresa precisa para financiar seus projetos, uma vez que o custo de captação tende a ficar mais caro", explica.
dívida bruta da Eletrobras atingiu R$ 48,2 bilhões no final de 2015, segundo dados da Economatica. A estatal registrou no ano passado um prejuízo de R$ 14,44 bilhões – o maior prejuízo da história da empresa e o décimo maior da história das empresas de capital aberto brasileiras.
A Eletrobras ainda informa na nota que, durante o processo de suspensão, os titulares dos papéis (ADs EBR e EBR-B) poderão pedir junto ao Banco Depositário de ADS da Eletrobras, JP Morgan, o cancelamento de seus títulos ou a sua migração para ações ordinárias (ELET3) e preferenciais B (ELET6) correspondentes, que são negociadas, no Brasil, junto à Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).Nota da Eletrobras
Na nota enviada à SEC (Securities and Comission, a CVM dos EUA) nesta terça-feira (17), a Eletrobras disse que pretendia apresentar recursos e que estava trabalhando para permitir que os ADRs pudessem ser negociados no mercado de balcão.
No Brasil
A Eletrobras entregou o balanço de 2014 auditado para a CVM (Central de Valores Mobiliários) no dia 27 de março de 2015 – ou seja, dentro do prazo determinado por lei.
A CVM explica que, como o tipo de documentação exigida aqui é diferente do que é preciso apresentar nos Estados Unidos, a Eletrobras não possui nenhuma pendência com o órgão regulador do Brasil, podendo assim continuar negociando seus papéis na Bovespa.

Taxa de desemprego sobe em todas as grandes regiões do país no primeiro trimestre De acordo com o IBGE, índice geral ficou em 10,9%. Rio Grande do Sul registrou segundo menor percentual entre os Estados (7,3%) Por: Zero Hora 19/05/2016 - 09h17min | Atualizada em 19/05/2016 - 10h11min

Taxa de desemprego sobe em todas as grandes regiões do país no primeiro trimestre Ronald Mendes/Agencia RBS
Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS
A taxa de desemprego teve alta em todas as grandes regiões do país no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O índice geral, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, ficou em 10,9%, o equivalente a 11,1 milhões de pessoas. 
De acordo com o o levantamento, a menor taxa de desocupação foi registrada na região Sul, onde variou de 5,1% para 7,3%. Além disso, o índice passou de 9,6% para 12,8% no Nordeste, de 8% para 11,4% no Sudeste, de 8,7% para 10,5% no Norte e de 7,3% para 9,7% no Centro-Oeste.
Entre os Estados, as maiores taxas de desocupação no primeiro trimestre deste ano foram observadas na Bahia (15,5%), no Rio Grande do Norte (14,3%) e no Amapá (14,3%). Por outro lado, Santa Catarina (6%), Rio Grande do Sul (7,5%) e Rondônia (7,5%) tiveram as menores. 
Publicidade
No último trimestre de 2015, os índices haviam sido de 10,5% no Nordeste, 9,6% no Sudeste, 8,6% no Norte, 7,4% no Centro-Oeste e 5,7% no Sul.
O IBGE informou, ainda, que o nível de ocupação (indicador que mede a parcela da população ocupada em relação à população em idade de trabalhar) ficou em 54,7% para o total do país no primeiro trimestre do ano. Apenas o Nordeste, com taxa de ocupação de 49%, ficou abaixo da média do país.
Nas demais regiões, o nível de ocupação foi de 59,8% no Sul; 58,6% no Centro-Oeste; 55,9% no Sudeste; e 55,0% no Norte. Percentualmente, as maiores taxas de desemprego ficaram com Santa Catarina (60,4%), Rio Grande do Sul (59,8%) e Mato Grosso do Sul (59,7%).
Já as mais baixas foram anotadas em Alagoas (42,8%), Rio Grande do Norte (46,7%) e Ceará (47,2%).

*Zero Hora com Agência Brasil

Projeto permite a servidor do GDF optar por outro banco além do BRB


Daniel Ferreira/Metrópoles


Câmara Legislativa discute a mudança nesta quinta-feira (19/5). Hoje, 210 mil funcionários públicos têm conta-corrente na instituição financeira. Somente em 2015, o Executivo local gastou R$ 21,5 bilhões com a folha de pagamento. Sindicato dos bancários quer a derrubada da proposta



Banco de Brasília (BRB) corre o risco de perder uma fonte de recursos bilionária, que pode comprometer parte da saúde financeira da instituição. O Projeto de Emenda à Lei Orgânica (Pelo) 35/2016 determina que o BRB perca a exclusividade da folha de pagamento dos servidores distritais. A proposta, que já causa barulho nos corredores do banco, será debatida nesta quinta-feira (19/5), na Câmara Legislativa. Em jogo, estão as contas-correntes dos 210 mil dos funcionários públicos do GDF. Para se ter uma ideia do que isso representa, em 2015, o Executivo gastou R$ 21,5 bilhões com pessoal.


O Sindicato dos Bancários de Brasília pediu o arquivamento do projeto. Representantes do banco, servidores e parlamentares se encontrarão no auditório da Câmara, às 15h, para debater o tema.

A proposta também ressalta a necessidade de garantir condições de negociação aos servidores. Hoje, o BRB tem 1,3 mil correntistassuperendividados. Há ainda outro grupo, de cerca de 5 mil funcionários públicos, com os vencimentos comprometidos entre 50% e 60%. São os chamados “endividados parciais”.
A sessão em que será debatida a proposta promete ser tensa na tarde desta quinta (19). O Sindicato dos Bancários de Brasília convocou servidores, confeccionou camisetas e vai ao auditório criticar o projeto. “Somos contra por dois motivos: a troca de conta já é possível por meio da portabilidade, instituída pelo Banco Central em 2012. A segunda é que o GDF é o pagador e o controlador do BRB. Consideramos incongruente ele ter que fazer pagamentos em instituição concorrente”, afirmou. Pela portabilidade, o correntista mantém a conta no banco de origem, que apenas repassa o salário à outra instituição, escolhida pelo cliente.
Correção de proventosO pedido de que o tema seja debatido em uma comissão geral partiu do deputado Wellington Luiz (PMDB). Na ocasião, também será discutido o Projeto de Lei n° 759/2015. “A intenção é saber qual o sentimento das pessoas com relação aos dois projetos. O PL n° 759 prevê a correção dos proventos quando houver atraso. Se um servidor paga juros quando atrasa contas, é justo o Estado o ressarcir quando atrasa salários”, afirmou o parlamentar.
Por meio de nota, o BRB informou ter, hoje, 700 mil clientes, sendo 30% de servidores do GDF, entre efetivos, comissionados ou contratos temporários. A assessoria do banco disse ainda que não comenta projetos em tramitação na Câmara Legislativa.

Desemprego em SP sobe a 12% no 1º trimestre, aponta IBGE

O resultado foi o mais elevado da série histórica, iniciada no primeiro trimestre de 2012


ECONOMIA TRABALHOHÁ 27 MINSPOR
A taxa de desemprego no Estado de São Paulo ficou em 12,0% no primeiro trimestre de 2016, conforme indicou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O atual resultado foi o mais alto da série histórica, que começou no primeiro trimestre de 2012.
No mesmo período de 2015, a desocupação desemprego medida pela Pnad Contínua em São Paulo estava em 8,5%. No trimestre anterior, ainda 2015, o indicador ficou em 10,1%.
O IBGE passou a divulga a taxa de desemprego em bases trimestrais para todo o território nacional desde janeiro de 2014. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que informa dados somente dos meses setembro.
No quadro geral divulgado no último dia 29, o IBGE informou nos resultados gerais do mercado de trabalho apenas para o total do Brasil, a taxa de desemprego foi de 10,9% no primeiro trimestre. Com informações do Estadão Conteúdo.