sábado, 14 de maio de 2016

Os 500 dias loucos em que o Brasil viveu o caos político


Como será visto o atual ciclo no futuro? ZH narra o momento como se o texto tivesse saído de um resumo histórico por vir

Por: Itamar Melo
14/05/2016 - 02h00min | Atualizada em 14/05/2016 - 02h00min


Os brasileiros enfrentaram dias difíceis desde o início do ano passado, mas foram testemunhas e até mesmo agentes de uma era que será contada e recontada pelos livros de História. ZH faz a seguir um primeiro exercício de narrar esse ciclo, que vai do início do segundo mandato de Dilma até sua queda, como se fossem páginas arrancadas de algum resumo feito em um futuro indeterminado.
Dilma e Temer em 1º de janeiro de 2015, quando assumem segundo mandatoFoto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
O Brasil atravessou entre o início de 2015 e maio de 2016 um dos períodos mais conturbados de sua História, os 500 Dias Loucos. Essa etapa confusa, que mesmo depois de décadas continua a gerar controvérsias, teve início no dia 1º de janeiro de 2011, com a posse de Dilma Rousseff como presidente da República.
Ex-guerrilheira convertida em tecnocrata, Dilma havia chegado a Brasília como ministra, pelas mãos do líder operário de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que presidiu o país de 2003 a 2010. Concluídos os dois mandatos permitidos por lei, Lula viu-se em apuros para encontrar um sucessor. Os nomes que seriam naturais – José Dirceu e Antonio Palocci – estavam inviabilizados por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção. Restou como alternativa a candidatura de Dilma, uma figura desprovida de carisma e sem experiência eleitoral prévia.
Isso acabou por não ser um obstáculo. Imensamente popular por causa do crescimento econômico alcançado durante seu governo, Lula não teve dificuldade para elegê-la. E Dilma, amparada na continuidade dos bons resultados, desfrutou de índices de aprovação que chegaram à faixa dos 75%.
Na segunda metade do mandato, no entanto, a situação já era diferente. Por um lado, a economia perdeu fôlego. Por outro, eclodiu o maior escândalo de corrupção da história do país, que envolvia propinas bilionárias para políticos, com destaque para partidos que faziam parte do governo – o PT, o PMDB e o PP.
Esses dois fatores criaram as condições para que o ressentimento reprimido pela direita começasse a fervilhar. Em tal contexto, a eleição presidencial de 2014 passou a ser encarada pela oposição como uma guerra santa. No dia 26 de outubro, Dilma venceu essa batalha, derrotando o principal oponente, Aécio Neves (PSDB), por uma margem apertada, de apenas três pontos percentuais. Mas o verdadeiro resultado da eleição foi um país dividido por ódios e rancores – horas depois do anúncio, partidários do tucano já faziam protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, para defender a derrubada do governo ainda não empossado, nem que para isso fosse necessário um golpe de Estado.
– Impeachment! – pediam uns.
– Não vai ficar assim! Militares no poder! – gritavam outros.
Derrota de Dilma: a ascensão de Cunha
Eduardo Cunha é eleito presidente da Câmara em 1º de fevereiro de 2015Foto: Wenderson Araujo / AFP
Quando Dilma tomou posse para o segundo mandato, em 1º de janeiro de 2015, dando início à contagem dos 500 Dias Loucos, o clima estava deteriorado. A operação jurídico-policial Lava-Jato, que investigava a corrupção na Petrobras, havia divulgado informações espantosas sobre a extensão do esquema e determinado a prisão de altos executivos das maiores construtoras do país – figuras até então tidas como príncipes intocáveis do capitalismo brasileiro. Ao mesmo tempo, o PSDB pedira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação do registro da chapa de Dilma, alegando que a campanha eleitoral havia sido financiada com dinheiro desviado da estatal do petróleo. A presidente assumiu desgastada.
Um mês após a posse, em 1º de fevereiro, Dilma sofreu a primeira grande derrota do mandato, que teria repercussões avassaladores no médio prazo: a eleição de Eduardo Cunha (PMDB) para a presidência da Câmara dos Deputados. Para avaliar a importância do fato, é necessário entender o bizarro funcionamento do sistema político brasileiro da época. Apesar de o regime ser presidencialista, qualquer governo precisava, para se viabilizar, ter o apoio da maioria do Congresso. E o Congresso de então era formado por 22 partidos – que, em sua maioria, não tinham qualquer programa ou doutrina e existiam primordialmente para fins de achaque à máquina pública, com vistas ao benefício privado.
Nesse quadro, o Executivo tradicionalmente oferecia, em troca do apoio dos partidos no parlamento, cargos na estrutura governamental – e estava subentendido que não era pelo bem público que os partidos queriam gerir a verba suculenta de ministérios e estatais. Dilma manteve essa relação promíscua com a maior parte das legendas, mas a eleição de Eduardo Cunha, uma declaração ostensiva de rebelião dos deputados contra o governo, mostrou que a contrapartida de apoio estava ameaçada. Como presidente da Câmara, ele passava a ter nas mãos a prerrogativa de definir quais projetos seriam submetidos ao plenário e de ditar o ritmo das votações.
Se a situação estava complicada no parlamento, nas ruas era pior. Em março, 2 milhões de opositores tomaram 160 cidades brasileiras para protestar contra o governo. No Dia da Mulher, enquanto Dilma fazia um pronunciamento em rádio e TV, cidadãos inconformados bateram panelas nas janelas dos seus apartamentos. O "panelaço" se repetia sempre que a presidente se manifestava, até o momento em que ela recuou para evitar mais desgaste, abandonando a prática.
Naquele início de século 21, os brasileiros eram viciados em uma novidade: as redes sociais. Esses recursos eram serviços que operavam na internet e ofereciam uma arena para manifestações de todo o gênero. Proverbialmente ocupado por fotos de gatinhos e citações mal-atribuídas de textos de autoajuda, esse espaço foi dominado pela discussão política, escancarando e aprofundando a divisão que tomava conta do Brasil. Antigas e firmes amizades começaram a esfarelar-se em consequência das discussões azedas pró e contra Dilma.
Em uma tentativa de restaurar os laços com o parlamento, Dilma indicou para a articulação política com o Congresso o seu vice-presidente, Michel Temer, um peemedebista bastante próximo a Eduardo Cunha. Isso não impediu que, no final de maio, o presidente da Câmara recebesse com pompa um grupo que marchara a pé desde São Paulo até Brasília, durante um mês, para entregar um pedido de impeachment da presidente. A retórica vigente contra Dilma era baseada na ideia do governo podre e corrupto, mas o documento de mil páginas não seguia essa linha – porque, curiosamente, no conspurcado cenário político nacional, Dilma parecia ser uma das poucas pessoas sobre as quais não pairava suspeita de corrupção.
A justificativa do impeachment era de outra ordem. Tinha a ver com a realização de uma manobra financeira por meio da qual o governo atrasava repasses a bancos públicos a fim de cumprir metas orçamentárias. A prática – conhecida como pedalada fiscal – era já uma tradição de vários mandatos no Executivo, mas os propositores do impeachment argumentavam que, no governo Dilma, tinha atingido níveis estratosféricos. Naquele momento, ninguém levou a ideia a sério. O PSDB, por exemplo, principal partido da oposição, chegara a analisar a hipótese e concluíra que seria perda de tempo.
O assunto provavelmente teria sido esquecido, não fosse um depoimento colhido pela Operação Lava-Jato. Em 16 de julho de 2015, soube-se que Júlio Camargo, um dos delatores do esquema de corrupção na Petrobras, denunciou que Cunha havia exigido propina de US$ 10 milhões para viabilizar um contrato de navios-sonda, tendo embolsado metade desse valor.
Chuva de dólares: em 4 de novembro de 2015, manifestante joga notas falsas em meio à entrevista de CunhaFoto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO
A resposta do presidente da Câmara foi, no dia seguinte, declarar que estava se bandeando para a oposição ao governo. Para ele, o Palácio do Planalto havia se articulado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incriminá-lo.
– Eu, formalmente, estou rompido com o governo – declarou.
O momento não podia ser mais delicado. As contas do governo apresentavam o pior resultado em duas décadas, a inflação disparava, o dólar atingia cotação recorde, o país entrava em recessão e, da taxa de aprovação de 75%, Dilma caíra para um índice de reprovação de 71%, a pior da história. Os descontentes continuavam saindo às ruas para pedir a renúncia ou o impeachment da presidente.
Era muita gasolina espalhada no chão, e o fósforo foi acendido em 20 de agosto, por Rodrigo Janot: o procurador-geral da República apresentou ao STF denúncia contra Eduardo Cunha por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras e pediu a sua condenação por recepção de propina.
No dia 21 de outubro, no braço de ferro com o governo, Cunha abriu as portas da Câmara para receber da oposição um novo pedido de impeachment, elaborado pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal. Mais uma vez, a justificativa eram as chamadas pedaladas fiscais, desta vez referentes ao exercício de 2015.
– Acolho como tenho que acolher. Vamos processá-lo dentro da legalidade. Com total isenção – prometeu Cunha.
Poucos dias depois, no início de novembro, o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo para investigar o presidente da Casa. Documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça haviam revelado a existência de contas de Cunha no país europeu. O processo era por quebra de decoro parlamentar: em março, durante uma CPI sobre a corrupção da Petrobras, o deputado havia declarado formalmente não ter contas no Exterior.
As notícias bombásticas não paravam de se suceder. No dia 25 do mesmo mês, no âmbito da Lava-Jato, a Polícia Federal prendeu o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, à época no PT. Ele fora gravado acertando um plano para evitar que um ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, assinasse acordo de delação premiada. Na gravação, Delcídio propunha ajudar Cerveró a fugir do Brasil.
No dia 2 de dezembro, a bancada do PT na Câmara recusou-se a fazer parte de um conchavo para salvar a pele de Cunha e votou pela continuidade do processo contra ele no Conselho de Ética. No mesmo dia, o presidente da Câmara chamou a imprensa e fez um comunicado: decidira autorizar a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Era a vingança – e uma declaração de guerra.
A partir dali, os atores começaram a escolher a posição no tabuleiro. Passados cinco dias do comunicado bombástico de Cunha, foi vazada para o público – talvez pelo governo, talvez pelo próprio autor – uma carta dirigida a Dilma pelo seu vice, o peemedebista Michel Temer. Político de pouco apelo popular, normalmente descrito com discreto e hábil na formulação de estratégias, Temer revelava-se exatamente o contrário na missiva.
A carta era um apanhado de lamúrias, em que o vice queixava-se de ter uma função decorativa (já deixara a articulação política naquele momento) e em que acusava a presidente de maltratar o PMDB. Não era a primeira vez que o Temer mostrava garras nada discretas: em agosto, provocara grande repercussão ao declarar que o país precisava de alguém com "a capacidade de reunificar a todos". Naquele momento, a interpretação geral foi de que ele estava falando de si próprio. Mas a carta, sincronizada com a aceitação do impeachment por Cunha, ia muito além: era um rompimento frontal.
Mesmo assim, o governo parecia ainda estar no domínio da situação. É verdade que as denúncias de corrupção se avolumavam a cada dia, que a crise econômica se agravava e que a popularidade do governo só não era calamitosa entre sindicalistas e funcionários públicos. Mas a maior parte dos partidos existentes no Congresso continuava a ordenhar alegremente as tetas da máquina pública, o que parecia oferecer garantias de que o impeachment não teria como prosperar.
Para os analistas, risco mesmo era a impugnação da chapa de Dilma e Temer junto ao TSE, solicitada pelo PSDB – mas essa era uma ameaça para um horizonte relativamente longínquo. Ainda a favor do governo estava a chegada das festas de fim de ano e do recesso parlamentar. Durante o verão, parecia que o impeachment não era coisa do futuro, mas um sonho ruim do passado.
Foi só acabar a temporada de praia, no entanto, para o caldeirão voltar a ferver. No dia 3 de março, soube-se que o senador Delcídio Amaral, aquele que havia sido preso por tentar fazer um acordo de silêncio com um dos implicados na Lava-Jato, transformara-se, ele próprio, em um delator, e que disparara acusações contra Lula e Dilma.
Além disso, um fator novo aparecera nas semanas precedentes e começara a ganhar corpo: o ex-presidente Lula. De um lado, simpatizantes do ex-presidente acusavam setores da imprensa de trabalhar pela queda do governo publicando reportagens que buscavam envolvê-lo no esquema da Lava-Jato: o foco estava em um sítio e em um apartamento que supostamente seriam dele e teriam sido obtidos como propina.
O grande nome da operação era o juiz de Curitiba Sergio Moro, que idolatrava a experiência italiana da Operação Mãos Limpas e queria fazer da Lava-Jato a sua versão brasileira. Naquele momento, Moro era uma celebridade nacional. Realizara mais de uma centena de prisões e revelara o desvio de ao menos R$ 4 bilhões.
No Carnaval, a máscara com seu rosto foi uma das mais usadas nos blocos de rua país afora. Mas Moro parecia buscar um peixe graúdo, que coroasse todo o trabalho. E ninguém parecia mais adequado para desempenhar esse papel do que o ex-presidente, o político mais popular do Brasil naquele período.
Foto: Divulgação / Embaixada de Pernambuco - Bonecos Gigantes de Olinda
Depois de dar sinais de que estava cercando Lula por todos lados, Moro desferiu um golpe brutal na manhã do dia 4 de março de 2016. O líder petista amanheceu com a Polícia Federal à porta. Os agentes tinham em mãos um mandado de condução coercitiva – que permitia levá-lo para depor. A legalidade da decisão de Moro (Lula sequer era réu e foi liberado sem maiores consequências depois de um par de horas) foi questionada amplamente, mas acabou por ter efeitos tremendos. Os inimigos do PT salivaram.
Foto: NILTON FUKUDA / ESTADÃO CONTEÚDO
No dia 13, um domingo, o país tornou-se palco do que foi descrito como o maior protesto da História até então. Pelo menos 3,6 milhões de pessoas foram às ruas em 300 municípios para manifestar-se contra Lula e Dilma, que eram identificados com epítomes da corrupção.
Mais de 3 milhões foram às ruas pedir a saída de Dilma em 13 de março de 2016 (na foto, a Avenida Paulista).Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP
Mas a principal consequência da condução coercitiva ocorreu não fora, mas dentro no governo. Por um momento, pareceu a todos que a prisão de Lula, o símbolo maior do PT, era algo iminente. Só se falava disso no Brasil. E foi então que Dilma parece ter cometido seu maior erro.
Em 16 de março de 2016, no mais louco dos 500 Dias Loucos, a presidente reuniu-se no Palácio do Planalto com seu antecessor e mentor e, após três horas de conversa, anunciou ao público que ele seria o novo ministro da Casa Civil – segundo cargo mais importante na estrutura do governo.
A justificativa oficial é que Lula seria fundamental para recolocar o país no rumo, mas a suspeita era que o verdadeiro motivo fosse evitar que ele parasse atrás das grades. Na condição de ministro, Lula obteria foro privilegiado. Escaparia às garras de Moro e só poderia ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que trazia uma série de vantagens, entre elas a morosidade.
Uma onda de indignação varreu o país como em nenhum outro momento desde o começo do segundo mandato de Dilma e parece ter empolgado até mesmo Moro. Qualquer verniz de moderação que ele ainda procurasse manter foi abandonado no começo da noite: o juiz federal assinou um despacho em que anunciava a quebra do sigilo das interceptações de uma miríade de telefonemas feitos por Lula.
A principal peça da artilharia foi uma conversa telefônica entre Dilma e Lula feita poucas horas antes, às 13h32min do mesmo dia. Nela, a presidente avisava o mentor – que encontrava-se no aeroporto para embarcar de volta a São Paulo – que estava enviando um termo de posse, supostamente para o cargo de ministro:
Dilma – Lula, deixa eu te falar uma coisa.
Lula – Fala, querida.
Dilma – Seguinte, eu tô mandando o Messias com o papel, pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?
Lula – Tá bom, tá bom.
O que se sabia até aquele momento era que Lula assumiria o posto três ou quatro dias depois. A conversa foi imediatamente interpretada pelos adversários como uma medida da presidente para garantir salvo-conduto a seu antecessor: caso tentassem prendê-lo antes de assumir o cargo, deveria assinar o termo para mostrar que já era ministro e não podia ser levado.
Depois que a gravação veio à tona, o Brasil parecia em ebulição. No plenário da Câmara, deputados da oposição e dissidentes da base governista pediam aos gritos a renúncia de Dilma e bradavam em coro: "Lula ladrão". Não tardou para uma multidão, concentrada diante do Planalto, ganhar volume e fúria. Pelo Brasil, começaram a pipocar manifestações contra o governo.
Nas dezenas de gravações liberadas por Moro não havia nada sobre os crimes investigados, apenas fuxicos, conversas familiares tediosas e palavrões. Nos dias seguintes, juristas criticariam violentamente a liberação, o ministro do STF Teori Zavascki puxaria a orelha do magistrado de Curitiba e o próprio Moro apresentaria um pedido de desculpas, mas algo já havia mudado no ar. A revolta contra o governo havia atingido um grau tão extremo que o impeachment pareceu, pela primeira vez, realmente palpável.
Impedido pelo Judiciário, Lula nunca chegou a ser efetivamente ministro. Mesmo sem o foro privilegiado, não virou réu. E Moro continuou autorizando prisões, aceitando denúncias e condenando envolvidos na Lava-Jato. Ainda em março, no dia 30, a comissão especial de impeachment da Câmara começou a analisar os argumentos a favor e contra. O Brasil revelava-se mais dividido do que nunca. De um lado, estavam os apoiadores do afastamento da presidente. Desse universo, faziam parte dezenas de entidades empresariais e a elite econômica do país. No campo oposto, estavam os grupos que apoiavam Dilma e enxergavam no processo um golpe de Estado, por inexistência de crime por parte da presidente.
Em 6 de abril de 2016, o relator do impeachment, Jovair Arantes, um aliado fiel de Eduardo Cunha, deu parecer favorável ao impeachment. Na sequência, mais um vazamento ligado ao vice-presidente ajudou a colocar lenha na fogueira: desta vez, foi a gravação de um discurso em que ele falava como se já fosse presidente. Temer pediu desculpas e disse que era só um ensaio. No mesmo dia, por 38 votos a 27, a comissão especial do impeachment na Câmara aprovou o parecer do relator e enviou o caso ao plenário.
A reação do governo foi prometer anéis, dedos e cargos, muitos cargos, a quem votasse com ele. Mas os parlamentares, sentindo a direção do vento, abandonaram Dilma e embarcaram na nau de Cunha e Temer. Nos ministérios, viu-se uma debandada dos partidos que apoiavam o PT.
A sessão da Câmara para julgar a abertura do processo começou no dia 15 de abril e durou três dias – a mais longa da história da casa. No dia 17, um domingo, veio a votação. Eram necessários 342 votos, dois terços do total, para que o impeachment fosse adiante.
Naquele dia, o Brasil assistiu pela TV a uma demonstração cabal da miséria parlamentar nacional. Houve deputados que gritaram, houve quem dedicou o voto à mãe, à ¿família quadrangular¿, ¿ao aniversário da minha neta¿, a ¿Campo Grande, a morena mais linda do Brasil¿, ¿à mãe nega Lucimar¿ e houve até quem errou o nome do próprio partido. O país virou chacota internacional, maso processo estava aberto, com o voto favorável de 367 deputados.
Por 55 votos a favor e 22 contra, em uma sessão que começou no dia 11 e terminou em 12 de maio, o processo foi instaurado – e Dilma, afastada.
Foto: EVARISTO SÁ / AFP
Temer – que naquele momento tinha contra ele uma condenação pela Justiça Eleitoral de São Paulo, motivada por doações irregulares durante a campanha – tornava-se presidente interino. Dias antes, prometera montar um ministério de notáveis, mas, como Dilma, loteou cargos em troca de apoio. Terminado o processo, tinha na sua base quase os mesmos partidos que sustentavam Dilma,com vários ministros citados na Lava-Jato. Era o fim dos 500 Dias Loucos.
Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Michel Temer foi informante dos Estados Unidos, diz Wikileaks

Os documentos com a visão política de Michel Temer são de 2006, mas a organização só divulgou nesta quinta-feira
POLÍTICA DIVULGAÇÃOHÁ 14 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
A Wikileaks, organização sem fins lucrativos da Suécia, publicou em seu perfil do Twitter, na noite de sexta-feira (12), que o presidente interino do Brasil, Michel Temer (PMDB), foi informante da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. 
De acordo com os documentos divulgados, o peemedebista teria se correspondido com a embaixada via telegrama e o conteúdo seria classificado como "sensível" e "para apenas uso oficial". Segundo o Metrópoles, os arquivos foram transmitidos no dia 11 de janeiro de 2006, às 14h02 e no dia 21 de junho de 2006, às 16h05.  
Temer informaria sua visão de como estava a situação política brasileira na época, opinião principalmente referente às eleições de 2006, quando Lula foi eleito. Ele teria analisado o cenário em que seu partido poderia ganhar a corrida presidencial. Além disso, falou sobre as diferenças entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. O político teria dito que “as classes C, D e E acreditavam que Fernando Henrique teria roubado dos pobres e dado para os ricos. Já Lula roubado dos ricos para dar aos pobres”. 
Os telegramas ainda apontam para uma possível disputa entre um candidato do PMDB com Lula, caso não houvesse acordo entre os partidos. Anthony Garotinho teria sido cogitado neste momento, mas haveria uma resistência no PMDB. Germano Rigotto, na época governador do Rio Grande do Sul, e Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa, também foram cotados. 
Em outra parte do documento, Temer se negou a prever os resultados das eleições, porém garantiu que haveria segundo turno: “qualquer coisa poderia acontecer”. Na ocasião, ele teria confirmado que o seu partido não apresentava candidatos à presidência e que o PMDB não seria aliado do PT e nem do PSDB, pelo menos até o segundo turno. 
O presidente em exercício teria dito que o PMDB elegeria, em 2006, entre 10 e 15 governadores pelo país, além de ter também as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados. Desta forma, o presidente eleito teria que se reportar ao PMDB para governar. “Quem quer que vença a eleição presidencial terá que vir até nós para fazer qualquer coisa”, avisou Temer.

Indícios contra Aécio e Eduardo Paes são tirados da Lava Jato

O ministro Teori Zavascki quer que novo processo passe para Gilmar Mendes
POLÍTICA STFHÁ 1 HORAPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, garantiu que a segunda solicitação de abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), não tem relação com a Operação Lava Jato.   
Na semana passada, ele já havia feito isto com relação ao primeiro pedido da Procuradoria-Geral da República contra o tucano, de acordo com o Globo. O caso então foi remanejado para outro ministro, Gilmar Mendes.  
Além de Aécio, Teori agora quer que outra frente da investigação seja enviada ao colega. O segundo pedido de inquérito que também atinge o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). 
Na última quarta-feira (11), Gilmar Mendes determinou a abertura do primeiro inquérito contra Aécio, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Porém, menos de 24 horas depois, o ministro suspendeu as investigações contra o tucano, alegando que os argumentos apresentados pela defesa foram contundentes. Caberá ao presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski, decidir se o segundo pedido de investigações contra Aécio será também destinado a Gilmar. 
“Diante da correlação direta dos fatos narrados neste procedimento com aqueles descritos em inquérito redistribuído nesta data, submeto o caso à Presidência desta Corte, para análise de possível redistribuição do presente procedimento ao ministro Gilmar Mendes”, escreveu Teori no despacho. 
 As novas supeitas contra Aécio, Paes e Sampaio tratam de camuflagem de dados do Banco Rural para esconder o mensalão mineiro. Segundo Teori, esse caso tem ligação com o inquérito aberto por Gilmar contra Aécio, sobre desvios de dinheiro em Furnas para o pagamento de propina ao tucano. 
 A PGR pediu a abertura dos dois inquéritos a partir de indícios surgidos na delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS). Indo contra o que Janot alegou, para Teori, nenhum dos casos tem relação direta com o esquema de corrupção na Petrobras.

Jucá diz que governo cortará 4 mil postos de cargos de confiança

Ministros falam à imprensa sobre primeiros temas tratados em primeira reunião com o presidente em exercício Michel Temer

Ed Alves/CB/DA Press
 Vicente Nunes /Correio Braziliense Jacqueline Saraiva

Em entrevista após a primeira reunião com o presidente em exercício Michel Temer, o novo ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou que, até o fim do ano, serão cortados 4 mil postos de cargos de confiança e funções gratificadas. Jucá, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, e o da Casa Civil, Eliseu Padilha, falam à imprensa nesta manhã de sexta-feira (13/5) sobre os temas tratados na primeira reunião ministerial.

Segundo Jucá, o corte de funções comissionadas se dará com critério, de forma que não se provoque a paralisia da máquina pública. A redução dos cargos faz parte do ajuste que o governo pretende fazer nas contas públicas. A estrutura da máquina federal é muito pesada. Boa parte dessas funções está preenchida por indicações políticas, que nada contribuem para a prestação de bons serviços à sociedade.

O ministro do Planejamento disse que não é possível informar agora de quanto será a economia com a redução dos cargos comissionados. Mas será uma contribuição do ponto de vista de imagem para mostrar que o governo também está contribuindo para reverter o deficit fiscal que, neste ano, pode passar de R$ 100 bilhões.

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Reajuste a servidores
O governo que se afastou encaminhou sete projetos de reajuste salarial de servidores, que ainda não foram analisados pela nova equipe econômica. Ele afirmou que o governo Temer deve caminhar com firmeza na análise destes pontos, mas preservando a realidade dos fatos.

Sobre a estrutura organizacional dos ministérios, ele disse que há uma grande necessidade de que seja revista, visando sempre o equilíbrio fiscal.

Aneel aponta atraso em 60% das obras de transmissão de energia Projetos são para escoar energia, e reforçar rede para evitar falhas. Principal motivo de atraso é demora no licenciamento ambiental. Laís Alegretti Do G1, em Brasília

 maioria das obras de transmissão de energia no Brasil está com o cronograma atrasado. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que 60% desses empreendimentos, que servem para escoar energia das usinas (hidrelétricas, termelétricas) até os consumidores, devem ficar prontos depois do prazo estipulado.

Os números estão no mais recente relatório trimestral divulgado pela agência, referente ao mês de março. O documento aponta que, das 351 obras de expansão da rede básica que estão em execução, 211 estão fora do prazo. O atraso médio é de 518 dias – quase um ano e meio.

Na comparação com o relatório anterior, de dezembro de 2015, houve uma ligeira melhora em relação ao percentual de obras atrasadas (eram 62,32%), mas piora na média de dias de atraso (em dezembro, eram 502 dias).
Torres, linha de transmissão, linhão de energia, Porto Velho, RO (Foto: Assessoria/Divulgação)Torres, linha de transmissão, linhão de energia, Porto Velho, RO (Foto: Assessoria/Divulgação)
As linhas de transmissão podem ser construídas tanto para escoar energia de novas usinas geradoras quanto para reforçar a estrutura já existente – e reduzir risco de falhas no fornecimento.

Segundo a Aneel, as obras em atraso são do segundo tipo, ou seja, destinadas a reforço do sistema. Elas servem para garantir que o escoamento de energia para uma determinada região seja mantido, caso aconteça algum problema com a linha principal.

Os atrasos, portanto, não impedem o escoamento de energia de usinas. Mas podem elevar o risco de que uma falha, numa linha sem o reforço, provoque a interrupção no fornecimento em alguma região.

Multas
A Aneel informou que, desde 2014, lavrou 63 autos de infração por atraso em obras de transmissão, que somam pouco mais de 66 milhões de reais em multas.

Essas obras são concedidas pelo governo, por meio de leilões, a empresas privadas que ficam responsáveis por construir e operar essas linhas de transmissão por prazos que chegam a 30 anos. Em troca, recebem uma remuneração, chamada de Receita Anual Permitida (RAP), também definida em contrato.
Os recursos para pagar a remuneração às empresas de transmissão vêm de cobranças feitas nas contas de luz.Para se ter uma ideia, no último leilão do tipo, realizado pela Aneel em abril, o lote com o maior valor de RAP foi o de um trecho de 1.126 km de linhas que vão passar pelos estados do Ceará,Maranhão e Piauí. O consórcio Transmissão do Brasil, que arrematou o lote, aceitou construir e operar o empreendimento em troca de R$ 404,9 milhões por ano.

Razão dos atrasos
Segundo o relatório, a maioria (62%) dos atrasos nessas obras teve como motivo a demora para se conseguir licenciamento ambiental. Outro problema recorrente apontado foi a compra de materiais.

Tanto a Aneel quanto a associação que representa as empresas do setor reconhecem que é muito alto o índice de atraso na construção das linhas de transmissão.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Mario Miranda, atribui os atrasos aos prazos "exíguos" que eram exigidos nessas obras há alguns anos, e também à falta de agilidade dos órgãos que concedem as licenças ambientais.

A entidade representa as dez maiores empresas da área, que são responsáveis por 74% do total de linhas de transmissão que compõem a rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN).

“Não deveria ocorrer nenhum atraso de obra concessionada, porque isso afeta os dois lados: o consumidor, porque não tem uma obra pública, e o próprio empreendedor, que está sujeito a penalidades por atrasos. O percentual [dos atrasos] é alto, deveria ser zero”, afirmou Miranda.

Prazo
O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, lembrou que, antes de 2014, o governo dava prazos de 24 a 48 meses para execução dessa obras. De lá para cá, a prazo de 60 meses se tornou a regra geral.

“Nós praticávamos um prazo que era, num passado recente, factível. [...] Como as dificuldades vieram acontecendo ao longo do tempo, esses prazos acabaram se revelando insuficientes. O grande estoque de obras que temos em atraso diz respeito a esse período que tinha prazo mais curto”, afirmou Rufino.

Entre as dificuldades apontadas por ele está a liberação das áreas para a implantação das linhas de transmissão.

“Cada vez mais está desafiador desimpedir a faixa para construção. Às vezes, até municípios colocam aversão a que a linha passe ali próximo, além da existência de reservas ambientais. Então há dificuldade de desimpedir a faixa de servidão”, disse.

Incentivos
A estratégia da agência, depois de ampliar os prazos para construção, foi dar incentivos para que as empresas acelerem a obra, segundo Rufino.

“Colocamos um prazo de 60 meses, mas como é um empreendimento que é desejável que fique pronto antes, então a gente diz: se antecipar a entrada, antecipa o recebimento da RAP. [...]  Então é um incentivo importante e já está valendo. Além de não sofrerem sanção por atraso, eles têm ganho para antecipar a obra”, disse.

Com prazo maior e incentivo para acelerar a obra, Rufino acredita que o índice de atraso deve diminuir. "Na medida em que remanescerem em construção obras que já foram licitadas dentro desses novos prazos, esperamos que essa taxa de atraso caia de maneira acentuada.”

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ministro diz que dará 'apoio total' à Lava Jato e manterá diretor da PF Alexandre de Moraes assumiu o Ministério da Justiça nesta quinta-feira (12). Em entrevista ao JN, ele defendeu ainda o instrumento da delação premiada. Do G1, em Brasíli

Daniel Ferreira/Metrópoles
Michel Temer (PMDB) é o presidente interino do Brasil — desde que Dilma Rousseff (PT) foi afastada em votação no Senado Federal, na última quinta-feira (12/5). O peemedebista é figurinha carimbada do cenário nacional, onde ocupou lugares de destaque na Câmara dos Deputados. De personalidade recatada (nem tão bela ou do lar), o político nunca foi afeito aos holofotes. Mas o Metrópoles separou algumas curiosidades sobre ele.
Um, dois, três… Nomes próprios O atual presidente pode ser chamado de:
Michel
Miguel
Elias
Ele tem três nomes próprios. Na identidade dele está escrito: Michel Miguel Elias Temer Lulia.
Temer não usa e-mail…
Michel/Miguel/Elias Temer, de 75 anos, não é muito afeito a usar e-mail. Ele é autor da carta brasileira mais famosa do século 21. Endereçada à então presidente Dilma Rousseff, ela começava com citação em latim: “Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem).
Graças à carta e às críticas de Ciro Gomes, a internet nos premiou com um dos melhores gifs da interwebs:
… Mas usa WhatsappO presidente em exercício tem seu lado moderninho. Ele usa Whatsapp e, como eu e você já fizemos, mandou um áudio para o grupo errado. Temer deixou “vazar” um pronunciamento que faria após o impeachment de Dilma Rousseff — isso antes mesmo da votação ocorrer na Câmara dos Deputados.
Um verdadeiro Poeta
Depois de escrever livros técnicos sobre Direito, Temer lançou-se como poeta em 2013 com a obra “Anônima Intimidade”. A obra tem versos ~maravilhosos~ como esses:
Embarquei na tua nau
Sem rumo. Eu e tu.
Tu, porque não sabias
Para onde querias ir.
Eu, porque já tomei muitos rumos
Sem chegar a lugar nenhum
Participou de “Crepúsculo”?Talvez pela semelhança com o astro Bela Lugosi, imortalizado como Drácula no cinema americano, Michel Temer é quase sempre comparado a um vampiro nas redes sociais. Até mesmo a liderança do PT na Câmara usou o apelido em uma  postagem de repúdio ao novo governo.

Frank Underwood do Brasil
Gui Prímola/MetrópolesGUI PRÍMOLA/METRÓPOLES

Temer criou a primeira delegacia da mulher, mas…
… Não nomeou mulheres para os ministérios. Enquanto secretário de Segurança de São Paulo, em 1985, ele criou a Delegacia da Mulher. No órgão, agressões sofridas por vítimas do sexo feminino poderiam ser denunciadas em um local específico. O modelo foi copiado com sucesso por outros estados do país.
Entrou para a política depois dos 40 anos
Dois anos após a filiação ao PMDB, em 1981, Michel Temer foi indicado por Franco Montoro, à época governador de São Paulo, como procurador-geral do estado.
WikipédiaWIKIPÉDIA
Não é primeira vez que ele pega a vaga de alguém
Quando o deputado Antônio Tidei de Lima assumiu a Secretaria de Agricultura de São Paulo, o suplente Michel Temer assumiu em seu primeiro mandato como deputado. Assim, ele fez parte das votações da Constituinte.
Já foi presidente
Temer foi o sexto presidente da Câmara dos Deputados no período da Nova República, pós-1985, e esteve à frente do plenário de 1999 a 2001. Voltou a ocupar o cargo por um ano em 2009.
Para respirar melhor, sei…
Nem tudo é original no “rostinho” de Michel Temer, o presidente interino fez uma cirurgia plástica no nariz, em 2000, que o deixou menos curvo. Segundo ele, à época, a operação serviu ainda para corrigir um desvio do septo. “Meu nariz ficou muito bom, mais bonito. E agora respiro bem”, disse à “Istoé” na época.
Ascom DPRASCOM DPR
Começou a carreira como professor
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) na década de 1960, Michel Temer deu aulas de Constitucional na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC) durante o período da ditadura militar.
É o marido de Marcela Temer
O presidente em exercício é o marido de Marcela Temer, de 32 anos. A diferença de idade entre os dois é de 43 anos. A atual primeira dama quebrou a internet ao ser chamada de “bela, recatada e do lar“. Convenhamos, ela é bem mais que isso. 
Revista Trip/DivulgaçãoREVISTA TRIP/DIVULGAÇÃO
É pai de cinco filhosTemer, vindo de uma numerosa família — ele é o caçula de oito irmãos —, também tem a mesa cheia no almoço de domingo. O político é pai de três filhas do primeiro casamento, de um menino de 15 anos com uma jornalista, e de Michelzinho, o mais novo, com a atual esposa, Marcela.