terça-feira, 12 de abril de 2016

Projeto que dá desconto no IPTU de quem adota cães e gatos é aprovado Proposta foi aprovada na Câmara de Ponta Grossa nesta quarta-feira (19). Quem adotar animal do Canil Municipal terá desconto a partir de R$ 63. Do G1 PR, em Ponta Grossa


Programa abrange animais do Canil
Municipal (Foto: Reprodução/RPC)Prefeitura de Ponta Grossa retomou castração de cães de rua e de cachorros de famílias carentes (Foto: Reprodução/RPC TV)

A Câmara Municipal de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto de lei que dá descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem adotar cães e gatos do Canil Municipal.
O Programa Municipal de Adoção Responsável de Pequenos Animais foi aprovado em primeira discussão na sessão de segunda (17) e, em segunda, nesta quarta.
Segundo a Câmara, o projeto segue para a análise do prefeito Marcelo Rangel (PPS). Após ser sancionada, a proposta entra em vigor.
O desconto no IPTU é anual e vai de R$ 63 a R$ 127, dependendo de cada caso. Para obter a redução, o contribuinte precisa assinar um termo de compromisso com a prefeitura. No documento, o morador se compromete a cuidar bem do animal.

Caso o morador abandone o animal, ele será autuado pela prefeitura e pode pagar uma multa de até R$ 1.277 e ainda devolver o dinheiro equivalente ao descontado no IPTU.
A prefeitura vai fiscalizar o contribuinte para saber se ele continua com o cão ou o gato adotado. Segundo a Gerência de Controle de Zoonoses, a ideia é mandar agentes de saúde pelo menos uma vez por ano às casas dos adotantes.
A prefeitura estima que cerca de cinco mil animais possam ser adotados dentro do programa. No entanto, conforme a previsão da própria prefeitura, o número de cães na cidade gira em torno de 55 mil e o de gatos é de R$ 5 mil.
O projeto foi apoiado por ongs de apoio aos animais, como a SOS Bichos e o Grupo Fauna, entretanto, a Secretaria Municipal de Finanças vai deixar de arrecadar uma média de R$ 326 mil por ano com o programa.
A Câmara Municipal esclarece que o desconto passa a valer a partir de 2017, pois o contribuinte precisa ficar um ano com o animal para receber o abatimento no próximo lançamento dos carnês.
tópicos:

BALCÃO DE NEGÓCIOS JEFFERSON: LULA TORNOU EM NOVO PROSTÍBULO DE BRASÍLIA O HOTEL ONDE RECEBE POLÍTICOS JEFFERSON RELATA CONVERSAS NADA REPUBLICANAS DE LULA EM HOTEL Publicado: 12 de abril de 2016 às 00:26 - Atualizado às 09:27

Ex-senador Gim Argello é preso em nova fase da Lava Jato terça-feira, 12 de abril de 2016 08:39

Carro da polícia federal visto no Rio de Janeiro.    28/07/2015    REUTERS/Sergio Moraes
(Reuters) - O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso pela Polícia Federal em uma nova etapa da operação Lava Jato nesta terça-feira por suspeita de que atuou para evitar a convocação de empreiteiros por CPIs da Petrobras no Congresso para prestar depoimento em troca de pagamentos a partidos políticos.
A mais recente etapa da Lava Jato acontece em semana decisiva para o governo, com previsão de sessão na Câmara dos Deputados para votar o pedido de abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no próximo domingo.
Apesar de não constar da denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente que embasa o pedido de impeachment, cujo relatório foi aprovado em comissão especial na segunda-feira, a operação tem criado agenda negativa e sido um fator imponderável para os esforços do governo de conter a crise política.
A prisão do ex-senador fez parte da 28ª fase da Lava Jato, intitulada operação Vitória de Pirro, que visa cumprir no total 21 mandados judiciais, sendo três de prisão, quatro de condução coercitiva e 14 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Segundo nota da PF, a nova etapa da operação investiga "indícios concretos" de que um integrante da CPI da Petrobras no Senado e também da CPMI da estatal no Congresso em 2014 teria atuado de forma incisiva para evitar a convocação de empreiteiros para prestar depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação.
De acordo com o Ministério Público Federal, até o momento foram colhidas provas de pagamento de propina a Gim Argello pelas empreiteiras UTC Engenharia (no valor de 5 milhões de reais) e OAS (350 mil reais), e também estão sob investigação pedidos de propina a outras empreiteiras envolvidas no esquema investigado pela Lava Jato.
"Os fatos são alarmantes porque há fortes indicativos de que uma comissão de investigação parlamentar, que tem um importante papel de investigação de fatos graves em nossa democracia, foi usado por um então senador para, em vez de combater a corrupção, praticá-la”, disse o procurador da Lava Jato Athayde Ribeiro Costa, em comunicado do MPF.

VITÓRIA DE PIRRO

Delação do Delcídio coincide com dados divulgados pela Operação



O anexo 15 da delação do senador Delcídio do Amaral (Sem Partido-MS), tornado público no mês passado, traz informações que ajudam a entender a 28ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Vitória de Pirro, e deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (12).

O resumo do anexo traz o título “pedágios cobrados na CPMI da Petrobras”, que bate com as informações divulgadas pela PF sobre a nova etapa. Nele, o Ministério Público Federal afirma que Delcídio "sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPMI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras”.

De acordo com o documento, "a CPMI de 2014 obrigava Leo Pinheiro, Julio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília". "O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor perante a CPMI”, diz o resumo.

Os três já foram alvos de fases anteriores da Lava Jato e estudam colaborar ou colaboraram com as investigações após terem os seus nomes envolvidos nas investigações.

Entre os políticos apontados por Delcidio como envolvidos na tentativa de atrapalhar as investigações da CPI, está Gim Argello, preso pela Polícia Federal nesta terça.
Ainda de acordo com a versão do ex-lider do governo petista, Gim, e outros colegas parlamentares, cobrariam "pedágios" para não convocar e "evitar" maiores investigações contra executivos de empreiteiras.

Segundo Delcidio, "os jantares em que foram discutidas 'as não convocações' podem ser comprovados por gravações das câmeras nas residências de Gim Argello ou nas ruas através dos sistemas de segurança, bem como pelos próprios trabalhos da CPMI".

Apesar de não citar a delação de Delcídio, a PF divulgou nesta terça (12) que "as investigações apuram indícios concretos de que destacado integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Senado Federal e também da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instaurada no Congresso Nacional, ambas com o objetivo de apurar irregularidades na Petrobras, teria atuado de forma incisiva no sentido de evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação".

A BATALHA DO IMPEACHMENT Lula abraça a campanha no Rio Ovacionado por milhares de pessoas, ex-presidente promete "recuperar o Brasil"

Rio de Janeiro 
Luiz Inácio Lula da Silva, que três anos atrás se recuperava de um câncer de laringe, subiu nessa segunda-feira no cenário instalado nos Arcos da Lapa, cartão postal do centro do Rio, e pediu para subir o volume do microfone. Suado da cabeça aos pés, cansado, e com a voz quebrada olhou para as milhares de pessoas que o aguardavam na praça e disse: “Queridos companheiros e companheiras, eu queria pedir um pouco da atenção de vocês para sair daqui compreendendo o que está acontecendo no nosso país”.
Lula, durante seu discurso contra o impeachment no centro do Rio.
Lula, durante seu discurso contra o impeachment no centro do Rio.  EFE
Lula discursou contra o “golpe”, mas também exaltou seu tempo na presidência –“eu vou passar a história como o presidente que mais universidades fez neste país”. Na que foi sua primeira aparição pública após ser divulgada a pesquisa de Datafolha que o coloca, junto a Marina Silva, como líder na intenção de voto dos brasileiros, o ex-presidente adotou ares de campanha e defendeu uma política econômica para os pobres, a regulação da mídia e até falou do aborto: “Eu sou católico, cristão, e até conservador. Se me perguntar pelo aborto, eu, como marido de dona Marisa e pai de cinco filhos sou contra. Mas como presidente da República eu vou tratar como uma questão de saúde pública”. A multidão o respondia com cânticos: “Lula, ladrão, roubou meu coração” e “Lula, guerreiro, do povo brasileiro”.Ovacionado por admiradores com lágrimas nos olhos, Lula discursou por mais de 35 minutos. Criticou seus inimigos políticos, parceiros até pouco tempo atrás e “que há um ano e quatro meses que não dão trégua” à presidenta Dilma Rousseff e “não a deixam governar”; rechaçou a mídia “que inventa capas” contra ele, e a elite que ovaciona “o democrata Bolsonaro” nas manifestações e não gosta de “ver pobre no shoppings e nos aviões”; Lula apelou às conquistas que ainda devem ser alcançadas pelos negros e criticou à polícia com “mentalidade de branco” que os mata.
Para o ex-presidente, “a companheira Dilma aprendeu uma lição” ao entender que sua política econômica desde que foi reeleita “foi para atender o mercado”. “O mercado dela não é o banqueiro, é o povo consumidor, é o trabalhador, o cara que vai comprar carne. É o cara que vai no supermercado”, exclamou Lula, que afirmou que aceitou ajudar a presidenta na articulação política, com a condição de mudar os planos econômicos de ajuste iniciados por Dilma.
Acompanharam Lula no ato parceiros como Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a cantora Beth Carvalho, Chico Buarque, o humorista Gregório Duvivier ou o teólogo Leonardo Boff, assinantes de um manifesto contra a "ameaça à democracia", que encarnaria o impeachment contra Dilma Rousseff. "Nós vamos recuperar esse país", prometeu o petista.
Era um discurso à imagem e semelhança daqueles mobilizados contra o impeachment: intelectualidade de esquerda, progressista nos costumes, contra o ajuste fiscal, ao lado de outros que enxergaram em seu Governo a defesa de agenda de minorias e da mobilidade social. Foi para eles que recuperou, em seu discurso, projetos que não encampou em seu Governo - nem foram levantados como bandeira por Dilma -, como a regulamentação do mercado de mídia ou avanços na legislação do aborto. A promessa de guinada à esquerda, também acenada na eleição de 2014, mas não cumprida, volta com força na nova campanha. Caso o Planalto sobreviva ao impeachment, será um desafio cumpri-las por causa da crise econômica e das contas públicas, sem falar da dependência do Planalto do apoio pulverizado de siglas conservadoras como PP e PR. Por isso, analistas dizem, com alguma ironia, que melhor seria perder essa batalha no Congresso para seguir em campanha para 2018.
Lula também se defendeu das acusações que pesam contra ele, no âmbito da Operação Lava jato, de ter se beneficiado dos favores das empreiteiras envolvidas no esquema corrupto da Petrobras – “Inventaram o sítio e disseram que é meu. Para ser meu eu tenho que pagar, eu tenho que ter escritura”– e fez um apelo à unidade dos brasileiros. “O Brasil não pode ser dividido entre aqueles que se acham brasileiros porque colocam uma camisa verde-amarela e os bandidos colocam vermelho. A gente não pode dividir a sociedade do jeito que está. Nós temos que dar a demonstração de paz. Este já foi o país mais feliz do mundo. Lembro da choradeira nacional quando a gente conseguiu as Olimpíadas lá em Copenhague. Mas agora me parece que todo ruiu quando a Dilma ganhou as eleições em 2014”.
Aos oposicionistas, o ex-presidente disse: “Aprendam com Lula. Saibam esperar.Lula esperou 12 anos para chegar lá [na Presidência]. E chegou lá para provar que é possível o torneiro mecânico governar este país com mais competência que alguns que têm diploma universitário [...] Nós mudamos a lógica de que o pobre nasceu para ser pedreiro. Nós colocamos pobres da periferia, negros, índios, meninos meninas que jamais poderiam estar na universidade a disputar vaga nas melhores universidades deste país. E o que estes meninos estão provando? Que não tem essa do cara ser rico e ser mais inteligente que o pobre. Diferença é que antes a universidade era só para eles”.
Na primeira fila, apertando-se contra a grade Glória Cristina Santos, neta e filha de catadores de 40 anos, ovacionava sem descanso cada fala do ex-presidente. Negra, nordestina e pobre, era como se o discurso de Lula tivesse sido escrito para ela. “Eu sou catadora e só consegui ver reencontrar minha família no Recife com o Governo do PT, foi a estabilidade econômica deles que me permitiu rever minha família depois de muitos anos. Minhas sobrinhas e minhas primas vão na universidade e hoje tenho certeza de que não terá na minha família uma quarta geração de catadores”



Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira


"Lula faz parte da tropa que quer assaltar o país e que continua a assaltar o país”
Presença do Lula na articulação politica atual é duplamente estranha e duplamente perigosa para a nossa democracia é preciso ter a coragem de dizer que nenhuma economia se recompõe sem investimento público.  

Temer faz ‘ensaio presidencial’ e ganha críticas até da oposição

Ministro de Dilma defende que vice-presidente renuncie, caso impeachment seja barrado
O vice-presidente Michel Temer.O vice-presidente Michel Temer.  REUTERS   
Brasília
Depois da carta vazada, o áudio vazado. Com a divulgação "por acidente" de um áudio em que fala praticamente como presidente, Michel Temer (PMDB) implodiu nesta segunda-feira qualquer possibilidade de relacionamento com a presidenta Dilma Rousseff (PT) e angariou críticas até da oposição que trabalha pela queda da petista. O vice-presidente voltou a protagonizar momentos que talvez nem os melhores roteiristas fossem capazes de elaborar e instalou mais uma vez a dúvida sobre acidentes e intencionalidades estratégicas em seus gestos públicos.
O primeiro capítulo desta novela ocorreu em dezembro passado, com uma carta enviada à mandatária dizendo que ele se sentia um "vice decorativo". Naquela época, o PMDB ainda estava no Governo e o processo de impeachment tinha começado a tramitar na Câmara dos Deputados havia apenas cinco dias. Nesta segunda-feira, a quatro dias do início da votação da destituição da presidenta, com parte dos peemedebistas agindo na bancada oposicionista e o placar do impeachment ainda indefinido, veio a nova entrega. Desta vez foi uma gravação que circulou entre um grupo de WhatsApp de deputados do PMDB em que Temer falava de seus planos e desafios futuros como possível líder da nação. No áudio de 14 minutos, tornado público pelo jornal Valor Econômico, o vice está no futuro: Rousseff já perdera a batalha do impeachment na Câmara dos Deputados e o caso está agora nas mãos do Senado Federal, que é quem julga de fato a mandatária. O detalhe é que a votação no plenário da Câmara está prevista para ocorrer apenas no próximo fim de semana.

“Agora, quando a
 Câmara dos Deputados decide por uma votação significativa declarar a autorização para a instauração de processo de impedimento contra a senhora presidente, muitos me procuraram para que eu desse pelo menos uma palavra preliminar à nação brasileira, o que eu faço com muita modéstia, com muita cautela, com muita moderação, mas também em face da minha condição de vice-presidente e naturalmente de substituto constitucional da senhora presidente da República”, diz Temer em um trecho da gravação.Em Brasília, alguns consideravam o episódio um deslize calculado de Temer para passar tranquilidade aos mercados e a outros setores de que planeja uma transição suave, com "sacrifícios" para sair da crise, mas sem imolar os programas sociais. Outros afirmaram que o envio da mensagem era claramente um erro do grupo do peemedebista. O ensaio presidencial de Temer fez até a empresa de consultoria de política Eurasia Group emitir um comunicado extra em que analisa qual o impacto da gravação. A empresa diz que o vazamento foi "claramente negativo"  ao vice e seu entorno, mas não deve impactar de maneira importante o jogo do impeachment.
O vice se dirige “ao povo brasileiro”, diz que se recolheu para não aparentar que estava se precipitando na ânsia de ocupar o lugar de Rousseff e afirma que o país precisa de um “Governo de salvação nacional”. A reação foi imediata, e diante da repercussão no meio político, o vice-presidente convocou os jornalistas para um um pronunciamento de três minutos no meio da tarde. Repetiu a versão de seus assessores: sua intenção era mandar o áudio para um amigo, não para um grupo com dezenas de participantes e que queria se antecipar caso fosse instado a comentar o resultado positivo do impeachment na Câmara.

De frente para o espelho

A presidenta não fez manifestação pública, mas falou a assessores que “caiu a máscara de conspirador” de seu vice, uma mensagem que governistas repetem à exaustão desde o desembarque do PMDB do Governo. O ministro-chefe do Gabinete Pessoal, Jaques Wagner, foi mais duro. Afirmou que Temer "rasgou uma fantasia" e defendeu a renúncia do vice, caso o impeachment caia, levando a um ponto de não retorno o rompimento com o peemedebista. "Imagino que ele possa ter feito esta declaração vestindo a faixa presidencial em frente ao espelho", disse. Questionado se o relacionamento entre Dilma e Temer seria apenas o de pessoas educadas, ele refutou: "Não há educação para conspiradores. Os conspiradores não têm código de ética".
No Congresso, a divulgação do áudio causou espanto em governistas e oposicionistas. Entre os aliados de Dilma o discurso era de que Temer tenta interferir na votação do impeachment e mostra que ele está articulando para derrubar a presidenta. “A fala é quase um ato falho. A pessoa sonha dia e noite em ser presidente da República, só esqueceu que ele deve lançar um programa, disputar uma eleição e se tiver votos, um dia ser presidente da República, não através de um golpe”, ponderou o deputado Henrique Fontana (PT-RS).
O opositor Álvaro Dias (PV-PR) afirmou que o país vive um período de deboche e mediocridade. “O vice já está ensaiando o seu Governo, considera favas contadas o impeachment. Isso demonstra o Governo que temos. É muita trombada no bom senso”, afirmou. Outros opositores seguiram na mesma linha. “A divulgação foi um desastre, muito infantil”, disse o opositor Júlio Delgado (PSB-MG). Para ele, um grupo de indecisos poderia ser influenciado pelas palavras do vice-presidente e se decidir por não apoiar o impeachment.
Outro oposicionista, Bruno Araújo (PSDB-PE), discorda dessas avaliações. “Tudo impacta, em maior ou menor escala o impeachment até o dia da votação, mas a votação está praticamente cristalizada, dos dois lados”. Carlos Marun (PMDB-MS) saiu em sua defesa: “Temer estava consciente da responsabilidade de estar preparado para assumir o comando da nação em conformidade com o seu papel constitucional”, ponderou.

Gim Argello foi entregue pelo senador Delcídio Amaral na sua delação premiada "O Homem De R$ 1 Bilhão."


A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 12, a Operação Vitoria de Pirro, 28ª etapa da Lava JatoO ex-senador Gim Argello foi preso preventivamente. O ex-parlamentar ainda é alvo de um mandado busca e apreensão. Dois assessores que trabalham com ele também são alvo da operação.
Cem policiais federais estão cumprindo 21 ordens judiciais, sendo 14 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária e 4 mandados de condução coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Taguatinga e Brasília.
Segundo a PF, as investigações apuram a existência de indícios concretos de que destacado integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Senado Federal e também da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instaurada no Congresso Nacional, ambas com o objetivo de apurar irregularidades no âmbito da Petrobrás S/A no ano de 2014, teria atuado de forma incisiva no sentido de evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação.
Vitoria de Pirro remete a expressão histórica que representa uma vitória obtida mediante alto custo, popularmente adotada para vitórias consideradas inúteis. Em que pese a atuação criminosa dos investigados no sentido de impedir o sucesso da apuração dos fatos na CPI/Senado e CPMI/Congresso Nacional, tal fato se mostrou inútil frente aos resultados das investigações realizadas no âmbito da denominada Operação Lava Jato.
Os fatos investigados nesta fase apuram a prática dos crimes de concussão, corrupção ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR enquanto aqueles conduzidos para depoimentos serão ouvidos nas respectivas cidades onde forem localizados.
Na última fase, a Operação Carbono 14, na sexta-feira, 1, a Lava Jato prendeu o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André (SP) e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman foram conduzidos coercitivamente – quando o investigado é levado para depor e liberado.
Com Estadão conteúdo

O Homem De R$ 1 Bilhão
Poucos entendem como o ex-corretor de imóveis e hoje senador Gim Argello conseguiu ampliar seu patrimônio em 10 mil vezes em pouco mais de 25 anos
Sérgio Pardellas e Hugo Marques
chamada.jpg
“Deus queira que um dia aconteça de eu ter R$ 1 bilhão”
Gim Argello, senador (PTB-DF)
Na primeira semana deste mês, o senador Gim Argello (PTB-DF) desembarcou na antessala da Presidência do Senado exibindo um indisfarçável sorriso no rosto. Diante dos olhares de expectativa de parlamentares do PMDB, entre os quais os senadores Renan Calheiros (AL) e Wellington Salgado (MG), Argello justificou tamanha felicidade: “Alcancei meu primeiro bilhão de reais”, disparou, para a surpresa dos colegas. Aos 47 anos, Argello personifica o milagre de Brasília. A capital federal não possui indústrias, grandes multinacionais nem de longe é o coração econômico do País. Mas é uma cidade onde as pessoas usam a proximidade com o poder como trampolim para o mundo dos grandes negócios. Esse é o caso do senador do PTB, que, depois do escândalo do mensalão do DEM, desponta entre os prováveis candidatos ao governo do Distrito Federal em 2010. À ISTOÉ, em entrevista rápida, Argello nega o que vem afirmando aos colegas senadores. Argello iniciou a carreira empresarial há 25 anos, como corretor de imóveis. Tinha um patrimônio que não chegava aos R$ 100 mil, ou seja, 10 mil vezes inferior ao que ele anda alardeando pelos corredores do Senado. Graças à bem-sucedida atividade de corretagem, ele conseguiu multiplicar seus bens por três em menos de uma década. Mas foi com a política que viu seu patrimônio crescer de forma meteórica. Desde que foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1998, Argello não parou de acumular bens. Em 2006, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral patrimônio que somava R$ 805.625,09. Mas só a sua casa de 872 metros quadrados, na Península dos Ministros, área mais nobre de Brasília, localizada próxima à residência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está avaliada em R$ 5 milhões. Segundo apurou ISTOÉ, o senador do PTB também é proprietário de rádios, jornais e uma franquia da Empresa dos Correios e Telégrafos Setor Comercial Sul (SCS). Dona de uma extensa carteira de clientes, a agência dos Correios, de acordo com especialistas do setor, ostenta um faturamento anual de cerca de R$ 100 milhões, o mais alto entre as 27 franquias da ECT no Distrito Federal.
img.jpg
A maioria das empresas que Argello controla está registrada no nome de parentes e assessores. Desde 2007, por exemplo, há registros na Junta Comercial de sociedade de um de seus filhos, Jorge Affonso Argello Júnior, nas empresas Grid Pneus e Garantia Pneus e Serviços Automotivos. O capital integralizado da Grid é de R$ 1,6 milhão, e o da Garantia, de R$ 2,8 milhões. A Gris, segundo Argello, já teria sido vendida por Jorge Affonso. Em 2007, ele desembarcou no Senado timidamente, como suplente de Joaquim Roriz , que renunciou ao mandato. Em pouco tempo conquistou a confiança de Calheiros e Sarney. Num atestado de força política, o petebista emplacou o assessor técnico de seu gabinete parlamentar, Ivo Borges, numa das cinco diretorias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como líder da bancada do PTB, com sete votos decisivos para o governo no Senado, Argello também se aproximou da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem costuma chamar de “chefa”. A amizade com Dilma foi conquistada durante caminhadas matinais ao lado da ministra, que mora no mesmo bairro do senador. Argello orientou seu jardineiro a avisá-lo sempre que Dilma se preparava para caminhar. Quando ela despontava no horizonte, Argello começava sua sessão de alongamentos, que só terminava quando Dilma cruzava com ele.
O rápido enriquecimento de Argello também lhe rendeu pendências na Justiça.
Ele responde a processo no STF por lavagem de dinheiro, crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, ocultação de bens, peculato e corrupção passiva. O processo tramita em segredo de Justiça, e não se conhece em detalhes o teor da acusação sobre operações financeiras que Argello não conseguiu identificar. O senador do PTB também foi acusado de envolvimento num esquema de mudança de destinação de lotes na Câmara Distrital. Pelo esquema, áreas rurais desvalorizadas são transformadas em áreas residenciais e áreas para restaurantes viram disputados lotes para postos de gasolina. Esse esquema também teria funcionado nos condomínios de Brasília, pendentes de legalização. A empresária Rosa Lia Fenelon revelou à ISTOÉ que Argello exigiu 100 terrenos em sua propriedade, o Condomínio Pousada das Andorinhas, para legalizar toda a área na Câmara Legislativa, à época em que era deputado distrital. “Tive de passar 100 lotes para pessoas indicadas por Argello. Fui extorquida”, acusa Rosa. Quando procurada por Argello, em 2001, Rosa estava vendendo os terrenos a R$ 30 mil cada um. Hoje, é impossível comprar um lote por menos de R$ 300 mil na região. Rosa afirma que todos os terrenos foram entregues a assessores e parentes do senador. “A gente não consegue legalizar nada em Brasília se não for através da corrupção”, lamenta, explicando que Argello foi pessoalmente à sua casa para cobrar o dízimo. O senador desmente as acusações e diz que nunca fez negócios com Rosa e nunca autorizou ninguém a falar em nome dele com a empresária. Sobre seu suposto patrimônio bilionário, desconversa. “Deus queira que isso um dia aconteça”.