sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

BMW e Toyota vão abandonar carro a combustãoEm dez anos, marca alemã só terá elétrico e híbrido, enquanto a japonesa, só em 2050

Com o aumento do rigor das leis antipoluentes, montadoras já estão renunciando aos carros com motor a combustão. Algumas apostam no elétrico puro, com emissão zero, outras em veículos híbridos. Em comum, elas têm o propósito de se adaptar às rígidas exigências dos países do Primeiro Mundo e criar uma imagem ambientalmente correta junto ao mercado consumidor.
 
BMW planeja eletrificar toda a sua linha de veículos dentro de dez anos e a Toyota vai deixar de fabricar veículos que funcionem apenas com combustíveis fósseis até 2050, o que deverá reduzir a emissão de dióxido de carbono em 90% em relação às emissões de 2010.
 
Reconhecida no mercado europeu como líder de carros elétricos, a BMW já tem três sedãs que foram convertidos em híbridos plugável, e toda a linha de carros de passeio terá alguma configuração híbrida. A empresa reduzirá consideravelmente o peso dos carros para compensar o aumento de peso das baterias. A marca tem também, os elétricos i8 e i3, este último avaliado pela Autoinforme.


A nova gama de veículos poderá ser impulsionada por motores elétricos independentes, que acionam as rodas dianteiras e traseiras, e um pequeno motor a gasolina para ampliar a capacidade energética da bateria.
 
O plano da Toyota em reduzir as emissões dos seus carros à zero ou a níveis mínimos vai levar mais tempo, 25 anos, mas a empresa garante que todos os seus carros serão híbridos, elétricos ou a hidrogênio a partir de 2050.
 
O objetivo é reduzir as emissões de dióxido de carbono em 90%. A empresa quer aumentar em 30 mil unidades as vendas anuais de carros a hidrogênio, que emitem apenas vapor d’água. 
 
Dona do Prius, o primeiro carro híbrido produzido em larga escala, a Toyota tem também o veículo a hidrogênio comercializado em série, o Mirai, à venda no Japão desde o ano passado. Vai lançar ainda este ano o ônibus a hidrogênio, para o transporte urbano em Tóquio. Até 2020 a montadora quer atingir o volume de 1,5 milhão de veículos híbridos por ano.
 
 

D. Odilo: 'Contraceptivo evita geração da vida. O aborto intervém para suprimir a vida'



Há 44 minutos
A BBC Brasil conversou com o o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, a respeito de aborto e microcefalia, num momento em que o tema se encontra em evidência por conta da epidemia de zika vírus no país.
“Acho que se a humanidade se orientar por privilegiar somente os que são saudáveis, fortes e poderosos, nos estaremos encaminhando para a eugenia”, diz ele em entrevista na Cúria metropolitana, um casarão de Higienópolis onde são tomadas decisões administrativas da arquidiocese. “A lei da eugenia manda eliminar. Essa forma de raciocinar em relação ao ser humano é absolutamente indigna na civilização”.
“Nos contraceptivos, não se trata de uma vida já gerada, mas de evitar a geração de uma vida. No caso do aborto, se trata de intervir para suprimir uma vida".
  • Reportagem: Ricardo Senra; Imagens: Rodrigo Machado

Inflação oficial fica em 1,27% em janeiro de 2016 Esse é a maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%.

O Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ganhou força no início de 2016, chegando a 1,27% em janeiro, depois de avançar 0,96% em dezembro do ano passado, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4).
Esse é a maior taxa mensal para janeiro desde 2003, quando atingiu 2,25%.
Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,71%, permanecendo acima do teto de 6,5% do sistema de metas do Banco Central e bem distante do objetivo central de 4,5%. De acordo com oIBGE, esse é o resultado mais elevado desde novembro de 2003, quando o aumento acumulado foi de 11,02%.
expectativa dos economistas para o IPCA fechado deste ano é de 7,26%, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central, mais recente.
Alimentação e Bebidas, com alta de 2,28%, e Transportes, com 1,77%, grupos de maior peso na despesa das famílias, foram responsáveis pela maior parte do resultado do IPCA do mês.

200 milhões de mulheres sofreram mutilação genital no mundo, diz Unicef Metade dos casos se concentra em três países: Egito, Etiópia e Indonésia. Mas relatório aponta ocorrências em 30 países.

Pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres que vivem atualmente em 30 países sofreram mutilação genital, segundo um relatório apresentado nesta quinta-feira (4) pelo Unicef.
O número aumenta em cerca de 70 milhões os últimos cálculos divulgados em 2014 por contar com mais dados de países onde a prática é muito comum, como a Indonésia, e por causa do crescimento da população em alguns lugares.
A metade dos casos se concentra em apenas três países: Egito, Etiópia e a citada Indonésia, afirma o estudo, publicado às vésperas do Dia Internacional de Tolerância Zero com a Mutilação Genital Feminina.
Na Indonésia, metade das meninas de 11 anos ou menos sofreram esta prática, que habitualmente é realizada nos cinco primeiros anos de vida.Do total, 44 milhões das vítimas são meninas de 14 anos ou mais jovens, com vários países onde a prevalência da mutilação genital nessa faixa etária supera 50%.
Se o âmbito for restrito às meninas e mulheres que hoje têm entre 15 e 49 anos, praticamente todas as somalis (98%) e guineanas (97%) foram mutiladas.
Segundo o Unicef, a oposição a esta prática está ganhando força e seu uso diminuiu de forma considerável em alguns países como Libéria, Burkina Fasso, Quênia e Egito durante as últimas décadas.
Desde 2008, mais de 15.000 comunidades e distritos em 20 países declararam o abandono da mutilação genital feminina e cinco países aprovaram leis que a criminalizaram.
No entanto, o progresso no conjunto do mundo não é suficiente para resistir ao crescimento demográfico, razão pela qual, se as atuais tendências continuarem, o número de vítimas crescerá durante os próximos 15 anos, assegura o estudo.
O Unicef lembra que com o termo mutilação genital abrange a um número de práticas diferentes que, em todos os casos, violam os direitos das crianças.
"A mutilação genital feminina difere entre regiões e culturas, com algumas formas que representam riscos para a vida. Em todos os casos, violam os direitos das meninas e das mulheres", afirmou em comunicado a subdiretora executiva do Unicef, Geeta Rao Gupta.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Administração é para Administrador: Tecnólogos já podem obter seu registro profissiona...

Administração é para Administrador: Tecnólogos já podem obter seu registro profissiona...: O Conselho Federal de Administração (CFA) publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira, dia 13 de novembro, a Resolução Normativa q...

Butantan cobra verbas e diz que em três anos pode ter vacina contra zika Jefferson Puff - @_jeffersonpuff Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Image copyrightReuters
Sob pressão da sociedade brasileira e diante de uma missão crucial em meio à epidemia de zika vírus, Jorge Kalil, presidente do Instituto Butantan, um dos principais centros que buscam a vacina contra o vírus, diz que até agora não recebeu recursos do Ministério da Saúde para bancar o projeto.
Segundo o imunologista seriam necessários R$ 30 milhões para esta fase inicial do trabalho que poderia ser concluído em até três anos, mas apesar dos anúncios feitos no dia 15 de janeiro, quando o laboratório recebeu a visita do ministro da Saúde, Marcelo Castro, até agora não houve repasses.
"O início do projeto é bem mais barato. Ele começa a ficar caro bem mais tarde. No começo, com R$ 30 milhões já avançaríamos muito. Isso não é nada. Tem compras que o Governo Federal faz de anticorpos no valor de R$ 1 bilhão", explica.
Na noite de quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff relembrou, em pronunciamento nacional, que ainda não existe vacina contra o zika vírus, e exortou a população a aderir ao que classificou como uma "luta urgente" contra oAedes aegypti, mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
Para Kalil, é necessário que a retórica se transforme em ações concretas. "Eu acho que no Brasil se fala muito se faz pouco. Eu acho que tinham que arrumar o dinheiro e deixar os cientistas trabalharem", diz, acrescentando que também há atraso no recebimento de R$ 300 milhões referentes à última fase de testes da vacina contra a dengue.
As verbas da vacina da dengue são compartilhadas pelo governo do Estado de São Paulo e o Governo Federal.
Consultado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde disse, por meio de nota, que o pré-projeto da vacina contra o zika vírus só foi enviado pelo laboratório após reunião realizada no dia 15 de janeiro.
"Todo esse processo está sendo acompanhado pela direção do Instituto Butantan e o documento vai prever ainda recursos para a fase final da vacina contra a dengue", acrescenta a nota, destacando que o órgão repassa ao instituto o equivalente a R$ 1 bilhão por ano para aquisição de vacinas e soros, além dos valores de investimentos em tecnologia.
Image copyrightCamilla Carvalho I Instituto Butantan
Quanto ao valor de R$ 30 milhões citado por Kalil, o Ministério da Saúde disse que "qualquer investimento público em tecnologia deve seguir um trâmite e isso está sendo feito com muita agilidade, devido à prioridade do tema, mas que os valores só poderão ser divulgados na conclusão do projeto".
Já o governo do Estado de São Paulo informou à BBC Brasil, também por meio de nota, que não faltarão recursos estaduais para os testes clínicos e demais etapas de desenvolvimento da vacina da dengue.
"Tanto que, no primeiro semestre de 2015, o governo paulista encaminhou à Anvisa pedido para antecipar a fase 3 dos testes clínicos, visando acelerar o processo e disponibilizar a vacina para campanhas de imunização em massa no Brasil o quanto antes. Entretanto o órgão federal somente aprovou esta solicitação em dezembro", acrescenta a nota.
Veja os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil – Em que estágio se encontra a busca pela vacina contra o zika vírus no Instituto Butantan? Há parcerias com outras instituições?
Jorge Kalil – O trabalho se encontra em estágio inicial. Trabalhamos há muitos anos com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), e com o Instituto Pasteur, de Paris, e para algumas coisas que eu quero fazer nós também vamos colaborar com o Laboratório Federal de Los Alamos, que fica nos EUA. Existem várias linhas de atuação que nós queremos trabalhar. Uma é a vacina, que tem várias maneiras de fazer, a segunda é a produção de anticorpos, que podem servir tanto para tratamento quanto para diagnóstico. Também atuamos na busca por um teste sorológico, e uma quarta linha de atuação, com a George Washington University, também dos EUA, trabalha na história natural da doença.
Esta última frente busca responder perguntas importantes. Temos que saber como esse vírus chega e desperta uma resposta imune, e sabemos que tem pouco vírus no sangue, e por pouco tempo. E depois? O vírus ainda fica no corpo da pessoa? No caso das mulheres, como é que transmite para a placenta? Quanto tempo o vírus fica no corpo até ser completamente eliminado? Várias perguntas que temos que fazer e que não vão resultar num produto imediato mas vão guiar os produtos que nós temos que fazer.
BBC Brasil – O Instituto Butantan está ligado ao Estado de São Paulo. Mas quais são as fontes de financiamento para os projetos? O senhor já recebeu recursos do Ministério da Saúde para acelerar a vacina contra o zika vírus?
Kalil – Na verdade recebemos muito pouco recurso do Estado de São Paulo. Nos inscrevemos em financiamentos de pesquisa, sejam da Fapesp, BNDES, Finep, e agora o Ministério da Saúde prometeu que vai dar recursos diretamente para o Butantan para desenvolver muitos desses projetos contra o zika, e o ministro Marcelo Castro me prometeu que não faltarão recursos para que a gente faça essas pesquisas, mas por enquanto ainda não chegaram. Em relação aos recursos para a fase 3 da vacina de dengue, que inclui testar a vacina em 17 mil pessoas em 14 centros espalhados pelo país, no valor de R$ 300 milhões, por enquanto também não tenho nada, por enquanto só tenho promessas.
Image copyrightAP
BBC Brasil – Há uma grande cobrança da sociedade brasileira sobre a busca pela vacina contra o zika, e o mundo está em alerta. Na sua opinião, o que emperra a liberação dos recursos necessários, apesar da situação emergencial?
Kalil - Eu estou trabalhando como eu posso, e tentando mostrar que a gente consegue fazer, apesar de todas essas adversidades. Agora, é muito complicado, e realmente tenho esperança de que o Ministério da Saúde vá desbloquear rapidamente este dinheiro. Mas o sistema é todo muito burocrático e muito lento, e muito politizado, o que é muito ruim, porque aí fica um monte de político prometendo e pouca gente fazendo.
Nós não temos capital de giro para executar todas essas frentes de trabalho. Estamos em plena produção de vacinas e temos que gastar primeiro, para depois receber. Eu preciso de agilidade para comprar insumos, contratar gente, comprar reagentes. E com o governo tudo é muito lento. Nós somos uma fábrica de vacinas, precisamos de agilidade para trabalhar, além de sermos um local onde se faz pesquisa, claro.
Precisamos de muita saúde financeira para fazer esses projetos da dengue e do zika, que são de interesse fundamental para o país e para a sociedade brasileira, e se não recebermos, vai atrasar. Nós produzimos grande parte dos soros e das vacinas do Brasil, que são tão importantes para as pessoas.
Tenho que comprar cavalos para imunizar, para fazer os antissoros. É muita coisa, e precisamos de dinheiro, não tem outra forma. Assim como para a fase 3 da dengue, eu tenho que ter recursos, senão esses projetos não vão andar.
BBC Brasil – É correto afirmar que o trabalho na busca pela vacina contra o zika vírus está parado, então, no Instituto Butantan?
Kalil - Parado não está, eu estou fazendo as coisas que dá para fazer. Fazendo isolados dos vírus, cultivando o vírus. Agora para eu cultivar o vírus em grandes quantidades eu tenho que ter dinheiro, porque os volumes se tornam maiores. O que eu posso fazer em volumes iniciais, menores, já estou fazendo.
BBC Brasil – De que valores estamos falando para que o projeto deslanche?
Kalil – O início do projeto é bem mais barato. Ele começa a ficar caro bem mais tarde. No começo, com R$ 30 milhões já avançaríamos muito. Depois, quando começam os ensaios clínicos, é que fica mais caro. Isso não é nada. Tem compras que o Governo Federal faz de anticorpos no valor de R$ 1 bilhão. A gente precisa desses R$ 30 milhões para começar o trabalho da vacina de zika e dos R$ 300 milhões para a terminar a vacina da dengue, e espero que esses recursos não atrasem. O Ministério da Saúde prometeu entregar.
BBC Brasil – Qual é a importância de não atrasar a fase final da vacina da dengue? Há aspectos da imunização que podem ser aproveitados para a vacina contra o zika vírus?
Kalil - Muita coisa pode ser aproveitada, porque os vírus são muito parecidos. Talvez a gente possa até fazer uma vacina de zika parecida com a da dengue. Utilizar até o vírus atenuado da dengue, inserir o gene que codifica para a proteína do envelope do zika e já termos a vacina em boa parte já feita, mas este trabalho já está atrasado por falta de recursos. Está tudo pronto, a vacina está pronta, mas falta a fase final de testes. Eu já tinha que estar vacinando, mas ainda não comecei a imunizar as pessoas. Temos os lotes de vacinas prontos, mas estamos esperando o recurso para a etapa clínica.
BBC Brasil – Quais são as estimativas realistas para que as duas vacinas cheguem à população, de fato? Tanto a de dengue como a de zika?
Kalil – Olha, eu acho que se eu conseguir ter o dinheiro e imunizar rapidamente as pessoas durante este ano, quem sabe até o final do ano eu já consiga provar que a vacina de dengue funciona. Quanto à de zika, vai precisar de mais tempo. Eu sei que é importante informar a população, mas na ciência você consegue prever somente um pouco dos passos, não completamente. Tendo em vista a nossa experiência acumulada com dengue, eu diria que se tudo desse certo, em três anos eu teria uma vacina já aprovada para o zika.
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BBC Brasil – Na corrida pela vacina, o Ministério da Saúde anunciou dias atrás que o trabalho ocorre em três instituições brasileiras: Instituto Butantan, em São Paulo, Instituto Evandro Chagas, no Pará, e na Bio-Manguinhos, que pertence ao sistema Fiocruz, no Rio de Janeiro. Os grupos trabalham em conjunto ou cada um desenvolve sua própria vacina?
Kalil – Cada um está trabalhando no seu projeto, eles estão fazendo coisas semelhantes, mas vamos ver quem chega primeiro. São abordagens diferentes, mas colaboramos sim. É algo concomitante, estamos todos tentando chegar na vacina, e temos que nos ajudar para que isso ocorra o mais rápido possível.
BBC Brasil – Como tem visto a maneira como as autoridades têm gerido a crise trazida pela epidemia de zika vírus e os casos de microcefalia? Houve críticas, por exemplo, a declarações do ministro da Saúde, quando se referiu que o Brasil estava "perdendo a luta contra o Aedes aegypti".

Kalil - Eu acho que no Brasil se fala muito e se faz pouco. Eu acho que tinham que arrumar o dinheiro e deixar os cientistas trabalharem. Sobre o que o ministro disse, que reclamaram muito, eu acho que ele tem razão em dizer isso. Por que cientista diz a verdade e político tem que mentir? Eu acho que ele foi criticado muito mais por conta de interesses políticos.

Quarto relatório Supremo em Números avalia papel do Ministério Público no STF 04 de Fevereiro, 2016 Direito

De autoria dos professores Joaquim Falcão e Ivar A. Hartmann e do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, a pesquisa analisou dados do banco de dados do STF sobre a atuação do MP Estadual das 27 unidades da federação e do MP Federal das cinco regiões da Justiça Federal, além de dados sobre a PGR.

O quarto relatório do projeto “Supremo em Números”, da Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV (Direito Rio), tem como foco a atuação do Ministério Público (MP) perante o Supremo Tribunal Federal (STF). De autoria dos professores Joaquim Falcão e Ivar A. Hartmann e do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, a pesquisa analisou dados do banco de dados do STF sobre a atuação do MP Estadual das 27 unidades da federação e do MP Federal das cinco regiões da Justiça Federal, além de dados sobre a Procuradoria Geral da República (PGR).
Baseado em estudo empírico da performance dos diferentes órgãos do Ministério Público perante o STF, o estudo é fruto da crescente expansão da atuação e dos desafios do MP. A análise dos processos procurou identificar as características da atuação da instituição sob quatro grandes perspectivas: o órgão – de qual estado ou de qual região da Justiça federal, por exemplo; a taxa de sucesso; o tempo de duração de certas fases processuais; e os assuntos dos processos.
O relatório aponta que o MP de São Paulo é o que tem o maior volume de processos no STF, com mais de 3 mil entre 2009 e 2013, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No que diz respeito à taxa de sucesso, a média dos MPs não chega a 25%, valor próximo à média do tribunal. Nesse quesito, destaca-se o MP de Santa Catarina, bem sucedido em 38,5% das ações. Já a PGR apresenta taxa de sucesso mais alta do que a média comparável em todos os anos, mantendo o percentual de vitórias entre 60% e 80% desde 2015. O estudo também analisou o sucesso da parte que recorre contra o MP, com os opositores do MP do Maranhão em primeiro, com 12,7%.
Dentre os processos apresentados pela PGR, constatou-se que o principal assunto é Direito Administrativo e outras matérias de Direito Público, concentrando 47,8% dos processos, ao passo que Direito civil, por exemplo, sequer está entre os temas com mais de 1,5%. Outro aspecto verificado pelo estudo é que o tempo para trânsito em julgado – decisão judicial a qual não cabe recurso – dos processos em que a PGR atua no polo ativo é superior à média geral do STF. Em 2013, a diferença foi significativa: 139 dias para os processos da PGR, contra 78 no geral.
O projeto Supremo em Números surge da convergência entre a produção empírica de conhecimento jurídico e a aplicação de tecnologias de computação para melhor compreender informações em larga escala. A iniciativa de big data realiza macroanálises a partir do banco de dados do STF, com cerca de 1,5 milhão de processos e mais de 15 milhões de andamentos processuais. O primeiro relatório, lançado em 2011, apresenta uma constatação quanto à natureza institucional do STF. Já o segundo volume, de 2013, analisou os assuntos que mais ocupam a pauta do tribunal e suas origens, ao passo que o terceiro relatório, de 2014, apresentou dados sobre a morosidade da corte a partir da análise de duração de diversas fases dos processos. Mais informações no site do projeto.