quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

CRISE POLÍTICA NO BRASIL Presidente da Câmara e do Senado definem seu futuro político sob a mira do Supremo Deputado ainda pode ser afastado, apesar de ganhar tempo no Conselho de Ética Presidente do Senado vê ressurgir escândalo de pensão de amante paga por empreiteira

Cunha e Calheiros no Congresso, no dia 2.
Cunha e Calheiros no Congresso, no dia 2.  Câmara 
O comando do Congresso Nacional vive um momento ímpar. Ainda que em estágios diferentes, os dois presidentes das principais Casas Legislativas do Brasil, o terceiro e quarto da linha sucessória da Presidência da República, encontram-se cada vez mais encurralados, e não só pela Lava Jato.
O parlamentar que preside a Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), luta em duas frentes, uma no Supremo Tribunal Federal, onde é alvo de ao menos três inquéritos, e outra no Conselho de Ética da própria Câmara, onde responde a uma representação por ter mentido aos seus pares e que pode resultar em sua cassação. Neste segundo caso, ele ganhou, após nova manobra, um tempo extra para se defender.
Já o congressista que chefia o Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), pode se tornar réu nos próximos dias no caso em que ele é acusado de ter despesas pagas pela empreiteira Mendes Júnior em troca da apresentação de emendas que beneficiariam a empresa. O ministro do STF, Edson Fachin, liberou para que o plenário decida se Renan deve ou não se tornar réu pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. ORenangate, como escândalo ficou conhecido em 2007 quando veio à tona, envolvia a então amante de Calheiros, a jornalista Monica Veloso, com quem ele tem uma filha. O aluguel do apartamento dela em Brasília e a pensão alimentícia da criança (totalizando 16.400 reais) eram pagos pela empreiteira, segundo a denúncia do Ministério Público apresentada em 2013. O senador nega as irregularidades.
Assim, mal os trabalhos do Legislativo retornaram em 2016, Cunha e Calheiros voltaram a dividir a atenção da mídia e da classe política brasileira. O deputado conseguiu nesta semana, pela oitava vez, postergar o andamento do processo que corre contra si no Conselho de Ética. Um aliado dele, o primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão(PP-MA), outro parlamentar investigado pela Lava Jato, acatou um pedido de anulação da sessão que votou pela abertura do processo contra o peemedebista.
Dessa forma, dificilmente o caso, que tem tudo para resultar na cassação do mandato parlamentar de Cunha pelos conselheiros, será encerrado antes de junho no colegiado. A previsão era de que a conclusão ocorresse em abril. “Eduardo Cunha é um dos deputados que mais conhece o regimento interno e o usa de todas as maneiras para prorrogar a análise de seu processo”, afirmou o relator do caso, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO). Rogério diz que tentará ser célere na apresentação de seu relatório complementar, mas já está contando que a tropa de choque de Cunha tentará encontrar novas brechas regimentais (legais ou não) para adiar ainda mais o processo.
“Ainda que eu discorde do mérito, tenho que admitir que quase todos os recursos apresentados pelos aliados do deputado Cunha tinham alguma fundamentação legal, menos este último. A decisão do deputado Maranhão foi ilegal e o Conselho deverá recorrer ao STF para tentar mudá-la”, disse Marcos Rogério.
O objetivo do deputado peemedebista e de seus aliados é adiar as discussões sobre sua suposta quebra de decoro parlamentar e misturar o assunto com a análise do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) pela Câmara dos Deputados. “Se conseguirmos focar na presidenta, todo mundo se esquece do Eduardo”, afirmou um de seus aliados sob a condição de não ter seu nome divulgado. “Só queremos que o regimento seja seguido”, disse outro membro da tropa de choque de Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
O próprio Cunha, contudo, diz que as prorrogações só o prejudicam e acusa o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), de agir irregularmente para “continuar na mídia”. “O presidente do Conselho de Ética parece agir ao meu favor e acaba me prejudicando. Basta ele agir seguindo o regimento. Ele me prejudica na medida em que a mídia coloca essa prorrogação como uma manobra minha”.

Cunha e o Supremo

Se por um lado Cunha ainda demonstra força e ganha tempo entre os seus colegas, por outro, até o fim do mês ele pode ser afastado de seu cargo, ainda que preventivamente. Pouco antes do recesso parlamentar do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou uma denúncia no STF de que Cunha estaria usando de seu cargo para “delinquir” e obstruir o trabalho dos investigadores da Lava Jato. Na ação, Janot pede que Cunha tenha seu mandato suspenso. A expectativa no Judiciário é que esse pedido seja analisado pelo plenário do Supremo até o fim de fevereiro.
As principais suspeitas contra o deputado são de que ele recebia propina dentro do esquema que desviou bilhões de reais da Petrobras e que parte desses recursos circulavam por ao menos contas suas em bancos do exterior que jamais foram declaradas à Receita Federal. Em sua defesa, Cunha afirma que não era obrigado a declarar esses valores e nega que faça parte do grupo político que agia na empresa petroleira.

Déjà vu no Senado

Ao ver o processo que envolve a jornalista Monica Veloso reavivado, com a possibilidade de ele ser aceito pelo STF, Renan Calheiros teme o retorno de alguns de seus fantasmas. Há quase nove anos, ele também era o presidente do Senado e teve de fazer um acordo, deixando o cargo máximo na Câmara Alta, para se safar da cassação. Esse foi seu maior revés político em 38 anos de vida pública. Agora, poderá responder oficialmente por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
No Senado, nesta quarta-feira, um grupo de parlamentares reviveu aquele período. “Se ele [Renan] virar réu, não duvido nada que algum colega justiceirofaça uma nova representação contra ele no Conselho de Ética. Aí o caos da Câmara vai chegar aqui. Será que é isso que precisamos?”, perguntou um dos parlamentares ouvidos pela reportagem.
Uma breve análise feita por outro senador mostra, no entanto, que as cabeças brancas do Senado, o apelido dado aos senadores, mais velhos e mais moderados que os deputados, dificilmente serão envolvidas por esse furacão. “Não vamos cair nessa. Nem o Governo quer que a gente caia. Somos a principal fonte de apoio da presidente. Se o Senado for envolvido na crise, corremos sério risco de aumentar a instabilidade política”, disse.

Superfaturamento de R$ 1 milhão em contrato da Câmara Legislativa mantém equipamentos telefônicos encostados há um ano

Leonardo Arruda/Esp. Metrópoles


O TCDF identificou irregularidades em fevereiro de 2015 e recomendou à Casa que não efetuasse o pagamento à empresa responsável pelo material até que os problemas fossem sanados. Impasse segue sem solução


No subsolo da Câmara Legislativa, está a prova de um esquema de superfaturamento que quase desviou dos cofres da Casa mais de R$ 1 milhão. Embalados em caixa de papelão, equipamentos como racks de telefonia e aparelhos telefônicos de torre fixa (foto) estão há mais de um ano no almoxarifado.
Os itens não podem ser usados por decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal. A medida da Corte evitou que a conta de R$ 2.713.875,56 (dos quais R$ 1 milhão estava acima do preço de mercado) fosse paga. Os técnicos do TCDF constataram irregularidades nos contratos n° 033 e n° 034, ambos de dezembro de 2014. Os problemas envolvem desde a forma como foi feita a escolha da empresa fornecedora — por adesão de atas de pregões eletrônicos realizados por outros órgãos — até sobrepreço.

De acordo com o relatório do TCDF, o valor de R$ 2.713.875,56 supera em R$ 1.015.296,89 o menor preço apresentado por uma das quatro empresas que encaminharam propostas para fornecer solução de comunicação unificada e central telefônica para a Câmara, além de suporte e atualização da rede corporativa de voz, dados e imagens.
A escolhida foi a Mahvla Telecomm Consultoria e Serviços em Telecomunicação Ltda. Pesou a favor dela o fato de a companhia ter sido vencedora em dois pregões eletrônicos anteriores: do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e da Defensoria Pública. Em 3 de dezembro de 2014, já prestes a entregar a presidência para Celina Leão (PDT), o petista Wasny de Roure (PT) oficializou a adesão da ata que escolheu a Mahvla, levando em consideração a experiência da empresa com os outros leilões em detrimento ao menor preço.
A empresa tinha 15 dias, após a assinatura do contrato, para entregar os equipamentos. Ao fim do prazo, em 21 de janeiro de 2015, deixou parte do material na Casa, mesmo não tendo recebido o pagamento.
Em fevereiro daquele ano, o TCDF interveio e abriu processo para investigar a contratação da Mahvla. Enquanto isso, o pagamento ficou suspenso. Nove meses depois, em 23 de novembro de 2015 — um mês antes de a despesa entrar nos restos a pagar para 2016 (gastos que passam de um ano para o outro) —, o tribunal confirmou que havia problemas ao recomendar que a CLDF “não realizasse o pagamento” até que se promovesse “o adequado balizamento quanto ao sobrepreço apontado”.

Arte Metrópoles
“Ditames legais”Por meio de nota, o deputado Wasny de Roure, presidente da CLDF à época, informou ao Metrópoles que “o processo de adesão a ata de registro de preços observou todos os ditames legais e a orientação das áreas técnicas pertinentes, em especial a de Informática, Administração e Finanças, e Procuradoria-Geral. A contratação, a despeito de regular, não foi levada a cabo. Nesse sentido, a fim de resguardar o interesse público, exatamente em atenção à simples possibilidade de quaisquer mínimas inconsistências no processo que possam macular a contratação, o Tribunal de Contas atendeu solicitação do secretário-geral à época e determinou que a Câmara Legislativa se abstenha, cautelarmente, de realizar pagamentos referentes a contratação”.
A reportagem entrou em contato com os responsáveis pela Mahvla Telecomm Consultoria e Serviços em Telecomunicação Ltda. Porém, a empresa não se manifestou.
Aguiasemrumo Semrumo Técnico em Informática
Vergonhoso descaso com o dinheiro público! Para que serve Planejamento, Orçamento e Gestão? "O que é planejamento: capacidade de pensar antes agir; capacidade de discriminar o que vem primeiro e o que vem depois."

ONU toma decisão favorável a Assange, diz imprensa Australiano disse que aceitaria ser preso se decisão fosse contrária. Fundador do Wikileaks vive na embaixada do Equador, em Londres.

Julian Assange, durante entrevista na embaixada do Equador em Londres, em 18 de agosto de 2014 (Foto: Reuters/John Stillwell/Pool)Julian Assange, durante entrevista na embaixada do Equador em Londres, em 18 de agosto de 2014 (Foto: Reuters/John Stillwell/Pool)
O painel da Organização das Nações Unidas (ONU) tomou uma decisão favorável ao fundador do Wikileaks, Julian Assange, que vive exilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012, de acordo com a imprensa nesta quinta-feira (4). O australiano tinha garantido que se organização considerar que a ordem de detenção contra ele não era arbitrária, ele aceitaria ser detido pela polícia britânica. Caso contrário, ele gostaria de ter seu passaporte de volta.

A avaliação da ONU sobre a ação movida por Assange contra o Reino Unido e a Suécia será divulgada oficialmente na sexta-feira (5), mas a rede britânica BBC antecipou a decisão. “Se a ONU anunciar amanhã que perdi meu caso contra o Reino Unido e a Suécia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a detenção por parte da Polícia britânica, já que uma apelação não parece possível", explicou, segundo a agência France Presse.

Mas se, pelo contrário, o painel decidir "que os Estados agiram de maneira ilegal, espero a devolução imediata do meu passaporte e que não ocorram novas tentativas de me prender", acrescentou Assange.
O Equador ofereceu asilo a ele, mas Assange pode ser preso imediatamente se pisar em solo britânico, e durante anos policiais permaneceram mobilizados em frente à embaixada a um custo de milhares de libras, de acordo com a France Presse.O australiano, de 41 anos, completou no dia 19 de junho do ano passado três anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres, ao término de um longo processo legal no Reino Unido, que decidiu por sua extradição à Suécia, onde é investigado por crimes sexuais, segundo a agência EFE.
Assange teme que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter revelado milhares documentos diplomáticos e militares americanos no site WikiLeaks.
Assange fundou o WikiLeaks em 2006, e suas atividades, incluindo a divulgação de 500.000 arquivos militares secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e 250.000 correspondências diplomáticas enfureceram os Estados Unidos.
A principal fonte dos vazamentos, o soldado do exército americano Chelsea Manning, foi condenado a 35 anos de prisão por violações da Lei de Espionagem.
O WikiLeaks disse que a manipulação feita pela Suécia em seu caso manchou a reputação do país no que diz respeito aos direitos humanos.
Assange apresentou em 2014 ante o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias (WGAD) uma demanda contra Suécia e Reino Unido, alegando que seu confinamento na embaixada equatoriana (da qual não podia sair porque o Reino Unido lhe negava um salvoconduto) constituía uma detenção ilegal.
Em Quito, o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse na quarta (3) que estava "preocupado" com a saúde de Assange, e afirmou que o ativista sofre com problemas de saúde pelos quais deve se submeter a uma revisão médica fora da embaixada.
O responsável pela diplomacia equatoriana insistiu que espera "somente que o Reino Unido possa oferecer o salvo-conduto" para que Assange possa viajar ao Equador, segundo a EFE.
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Mensagem de assange no twitter do Wikileaks (Foto: Reprodução / Twitter do Wikileaks)Mensagem de assange no twitter do Wikileaks (Foto: Reprodução / Twitter do Wikileaks)
ONU
Na sexta-feira um grupo, integrado por seis especialistas, deve falar se a ordem de prisão contra o fundador do WikiLeaks é legal ou se seus direitos foram violados.
"A única proteção que ele tem... é ficar confinado na embaixada; a única forma que o senhor Assange tem de desfrutar seu direito de asilo é estar na prisão. Esta não é uma escolha juridicamente aceitável", disse a apresentação, de acordo com um arquivo postado no site justice4assange.com.
Qualquer decisão adotada pelo grupo não seria juridicamente vinculante, mas no passado foram reportados casos de pessoas liberadas com base em suas resoluções, incluindo Aung San Suu Kyi, em Mianmar, e o jornalista do Washington Post Jason Rezaian, que foi mantido preso pelo Irã por 18 meses.

Cocaína na cozinha É uma lenda que muitos confirmam mas poucos ousam assumir publicamente Existe mesmo tanta cocaína, como se conta, na área de hotelaria e gastronomia?



L’ubomír Herko faz um desjejum estranho. TV MARZIKA
Com a mão na massaAlgumas semanas atrás, o chef de um programa de televisão matinal eslovaco, L’ubomír Herko, foi flagrado por uma câmera preparando para si mesmo uma grossa fatia, ao vivo. O que ele estava cortando com o seu cartão de crédito não era açúcar, mas uma carreira de cocaína da grossura de um Palotes (chiclete em formato cilíndrico). Confirmando essa merenda tão estimulante, duas pupilas como dois buracos de breu e uma nota de 500 euros enrolada, para não deixar margem de dúvida. Esse destempero — embora o próprio cozinheiro tenha dito depois que se tratava de uma brincadeira — se espalhou pela Internet. O mundo todo viu o sorriso nervoso do ‘chef cheirador’ — como muitas pessoas já o chamam —, mas, para além da gozação viral, a imagem trouxe de volta à tona um dos mitos mais duradouros do setor: o forte vínculo entre o setor de turismo, hotelaria e gastronomia e a cocaína.
Em outros países, os bastidores da politoxicomania nos restaurantes se difundiram com menos contenção do que na Espanha. O prestigiado cozinheiro Anthony Bourdain, autor de Cozinha confidencial (Confissões de um Chef), foi um dos primeiros integrantes do setor a revelar esses bastidores do setor. O inferno que ele descreve é digno da biografia de Mötley Crüe: sujeira, depressão, sexo, amoralidade, niilismo, álcool e, evidentemente, drogas. Do lado selvagem dos fogões, encontramos também Jeff Henderson, que se vangloria de ter passado da cozinha do crack para a cozinha de alimentos de verdade. Ou o grande Jason Sheenan, que chegou a afirmar que 95% dos cozinheiros profissionais recheiam as suas narinas com o pó branco. Ah, também não podemos esquecer da famosíssima chef britânica Nigella Lawson, que, segundo seus assistentes, escrevia best sellers de receitas com o nariz bem empanado, e não exatamente como um tempurá.
No entanto, na Espanha, um país onde o vício corre solto, esse tipo de revelação não aconteceu. Você só consegue ter acesso a elas conversando informalmente com alguma pessoa do setor ou colocando no Google o nome de alguns chefs espanhóis seguidos da palavra mágica: cocaína. Não há livros com vendas extraordinárias. Não há cozinheiros kamikazes. Não se conhecem casos públicos de grandes chefes dependentes de cocaína (e, se isso ocorreu, eles foram abafados rapidamente).
Apesar dessa discrição, corre por baixo do pano um enorme rumor de que o pó é abundante nas cozinhas de muitos restaurantes e hotéis espanhóis. Eu me pergunto se, em pleno 2016, estando a gastronomia espanhola em um de seus melhores momentos, o setor e a cocaína continuam a viver esse idílio venenoso. E fica claro que estamos caminhando sobre um campo minado, pois todos os cozinheiros que entrevisto preferem não ter seus nomes citados.

Vestígios do passado

Quando você conversa com os cozinheiros em off, eles podem até lhe passar o nome de algum chef na ativa que se entope com a coisa todos os dias. Eles sabem o que acontece, mas, como diz o responsável por um dos melhores restaurantes do distrito de Ciutat Vella, de Barcelona: “É uma coisa que diz respeito à gastronomia da velha escola. Os que consomem são chefs já com uma certa idade, sobretudo cocaína e uísque. Mas nos restaurantes mais modernos e atuais, não é comum. Se eu visse isso no meu restaurante, interferiria imediatamente”. Converso também com um talento emergente que se formou em algumas das melhores cozinhas da Espanha, antes de se estabelecer em Barcelona. Ele não viveu os tempos dourados dos velhos chefes com sinusite crônica autoinduzida. “Nunca vi nenhuma carreira em nenhuma cozinha, desde que estou nesse setor. Não topei com nenhum cozinheiro cheirador. Alguma coisa mudou”, afirma a nossa fonte. “Essa coisa de cozinheiros cocainômanos é de outra geração, os cozinheiros típicos que trabalham em cantinas de hospitais ou nesses bares que recebem 200 pessoas por vez... Eu só passei por cozinhas cheias de estagiários — uma fase de formação que se faz em troca de hospedagem e alimentação, por que passam todos os cozinheiros antes de serem integrados à equipe de um restaurante —, competindo com eles para ver quem é o mais rápido e o mais limpo”. Na mesma linha vai uma das melhoressommelieres de Barcelona, que nos dá um testemunho ideal para conhecer o ponto de vista de alguém que circula pelo salão, entre os frequentadores, e o espaço privado dos fogões. “Nos últimos 15 anos, houve uma grande profissionalização do setor. Mesmo assim, você ainda encontra cocaína em algumas cozinhas, porque não se pode esquecer que todos nós somos viciados. Todos nós gostamos de bebidas, de rir, e, tanto pelos horários como pelo ambiente, a gastronomia deixa as pessoas muito descontraídas”. Talvez até demais.

A cozinha do inferno

O passado do midiático Bourdain foi desvelado em 'Confissões de um chef' 
Os horários e as exigências de ordem física de uma cozinha de alto nível desgastam com uma ferocidade assustadora. O ambiente também não ajuda muito. As cozinhas são espaços claustrofóbicos, que se tornam o único mundo da equipe de trabalho que o ocupa, e o consumo é extremamente contagioso. Se você entra em uma cozinha onde o sal Maldon e a cocaína têm o mesmo papel protagonista, é bem provável que acabe enfiando o nariz onde não deve. “É um trabalho de risco, porque você vê as pessoas se distraindo, bebendo no salão, e fica com vontade de estar no mesmo patamar delas. Você trabalha à noite. Seus colegas, além disso, acabam se tornando a sua família, sempre saímos juntos. E se eles tomam alguma coisa, você acaba tomando também”, afirma o dono do restaurante de Ciutat Vella.
“Além disso, você ganha dinheiro muito cedo. Acaba o expediente, e é muito difícil ir para casa, você sempre acaba com seus colegas de cozinha por aí, e uma coisa leva à outra. Apesar de agora não ser mais tão comum, todos os que já trabalharam nisso têm alguma história de anos atrás: eu tive um chefe de cozinha em Ibiza que usava coca e uísque o dia todo, todos os dias, sem parar”, completa nossa testemunha.
Já que estamos nisso, eu inclusive posso relatar pequenas batalhas psicotrópicas em uma cozinha. Em minha juventude, trabalhei como ajudante de cozinha em alguns restaurantes, e em um da zona alta de Barcelona os cozinheiros não só cheiravam pó às colheradas, como vendiam pela porta de trás. O dono do Ciutat Vella afirma que “às vezes ficamos loucos, porque chegam clientes e pedem cocaína aos garçons, como se pudessem comprar no próprio restaurante!”.
Apesar desses momentos de surrealismo gastrococaínico, parece que os restaurantes enfrentam uma era de profissionalização máxima, na qual esse tipo de comportamento é um suicídio profissional. “A história de esconder uísque na chaleira acabou. Pense que os cozinheiros de antigamente começavam a trabalhar muito jovens, chegavam sem preparo intelectual, estavam expostos ao consumo, desprotegidos. Agora as novas gerações vêm de academias, são formadas, é muito raro considerarem a possibilidade de se drogar em uma cozinha moderna”, conclui meu interlocutor.

Do outro lado da trincheira

A chef inglesa Nigella Lawson admitiu ter consumido cocaína. 
Continuamos conectando por inércia cocaína e restaurantes, apesar do problema, como dizem os próprios envolvidos, aparentemente ser uma herança do passado. Mas quero saber o que pensam do outro lado da trincheira, onde as vítimas são atendidas. Na FAD (Fundação de Ajuda à Drogadição) me garantem que não há dados específicos sobre o setor de hospitalidade, que se concentram na juventude, e não podem me ajudar.
Também não consigo nada de vários centros de reabilitação: mostram-se reticentes a revelar a porcentagem de clientes que chega do setor, de modo que intuo que o número é alto e não querem problemas, ou não teriam ressalvas em falar comigo.
No Proyecto Hombre, no entanto, atendem meu questionamento. Seu diretor na Catalunha, Oriol Esculies, afirma que “a cocaína é a droga que prevalece no setor, assim como a maconha na construção”. É possível camuflá-la, não se nota muito que você está drogado, ao contrário de uma bebedeira. De qualquer forma, apesar de evidentemente termos casos de drogados vindos de hotéis e restaurantes, a diferença com outros setores não é tão grande quanto muitos acreditam”. Esculies admite que o setor não facilita em nada.
“Os trabalhos temporários no setor são perigosos, porque você pode trabalhar sem parar por cinco meses e ficar totalmente parado por três. É preciso saber lidar com isso, é muito fácil cair, porque você pode acabar desestabilizado. O consumo de coca está associado a horários impossíveis e condições de trabalho precárias.” Não recebo uma afirmação categórica de que se trata de um setor de alto risco, mas basta folhear vários estudos, entre eles o do Plano Nacional sobre Drogas, para comprovar o óbvio: que hospitalidade e construção são os setores profissionais que mais geram consumidores e bebedores.

O novo rock’n’roll

Ľubomír Herko e o festival do meme 
Há alguns anos, portanto, a nova gastronomia espanhola funciona a certos níveis de profissionalismo incompatíveis com os hábitos do chef viciado de antanho. Mas o boom também transformou alguns cozinheiros em semideuses midiáticos. A retórica agressiva, tarantinesca e ególatra dos novos chefs metidos a estrelas do rock não contribui para diminuir o problema. Imagine que em meu trabalho eu dissesse assim: “Ei, pegue a porra do molho e emulsione com a porra do azeite, cara. Estamos na melhor porra de cozinha dessa porra de mundo, mano, é foda, é uma merda, cara. Quero a melhor porra de tartar da porra do universo. Caraca! Estou num ritmo que o resto da humanidade nunca ia aguentar”. Você pensaria que me falta um parafuso, não?
A imagem de cinema que programas como Hell’s Kitchen ou Top Chef é a de uma profissão nervosa, acelerada, mal-falada, arrogante. É uma nova postura fabricada sob medida para um show televisivo de massa, no qual alta cozinha funciona como um espetáculo histérico, delirante, pontilhado de diálogos que parecem saídos de Pulp Fiction. Um manicômio geral. “Em meu caso não é assim”, comenta comigo um jovem chef barcelonês. “Muita gente vê esses programas e acredita que os chefs ficam loucos e vão surtando pela vida. Mas em minha experiência, nos restaurantes atuais de prestígio nem se fala assim, nem se grita. É tudo muito tedioso.” Dito assim, parece que na alta cozinha a história de sexo, drogas e rock’n’roll acabou exatamente quando os chefs se tornaram astros do rock’n’roll. Agora, na área de hospitalidade um novo estupefaciente é que manda: o ego.

Brasileiros pagaram R$ 13 bilhões de bandeira tarifária em 2015 Arrecadação do sistema superou as despesas em R$ 515 milhões. Em março, bandeira cairá do vermelho para amarelo pela primeira vez. Fábio Amato Do G1, em Brasília

Os brasileiros pagaram R$ 13,378 bilhões a mais nas contas de luz em 2015 devido à cobrança da bandeira tarifária, adicional criado para arrecadar recursos e cobrir custos extras com o uso de termelétricas. Os números são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Esse valor supera o orçamento previsto para alguns ministérios em 2016, entre eles Agricultura (R$ 12,3 bilhões), Ciência e Tecnologia (R$ 7,2 bilhões), Justiça (R$ 11,5 bilhões), Planejamento (R$ 12,3 bilhões) e Cidades (R$ 11,8 bilhões).
Apesar disso, a arrecadação das bandeiras ficou abaixo dos R$ 17 bilhões previstos inicialmente pela Aneel. Isso se deve à redução, em agosto, no valor da bandeira vermelha, mais cara, de R$ 5,50 para R$ 4,50 a cada 100 kilowatts-hora (kWh) de energia consumidos.
Seguindo essa tendência, na quarta-feira (3) o Ministério de Minas e Energia anunciou o rebaixamento da bandeira, de vermelha para amarela, o que vai reduzir a cobrança adicional nas contas de luz para R$ 1,50 a cada 100 kWh consumidos em março.
Será a primeira vez desde a implantação do sistema, em janeiro do ano passado, que a bandeira sairá do vermelho, indicando a melhora das chuvas e do volume de água nos reservatórios das hidrelétricas antes afetadas pela seca. Isso vem permitindo o desligamento de parte das termelétricas e, portanto, reduz a necessidade de arrecadação das bandeiras.
sistema de bandeiras tarifárias entenda (Foto: Editoria de Arte/G1)


Superávit
O balanço da Aneel mostra que a arrecadação das bandeiras em 2015 superou os gastos com o uso de termelétricas (R$ 12,863 bilhões). O superávit foi de R$ 515,2 milhões.

Esse valor, porém, não vai ser devolvido aos consumidores. Ele servirá para pagar juros às distribuidoras que, no início da vigência do sistema de bandeiras, quando a arrecadação era inferior aos gastos extras do setor, cobriram a diferença com recursos próprios.

A Aneel ainda não sabe quanto precisa ser devolvido a essas distribuidoras. Os R$ 515,2 milhões podem nem ser suficientes para quitar essa dívida, o que impactaria nas tarifas.

Os números mostram que, entre janeiro e março de 2015, a arrecadação foi inferior aos gastos. Só em janeiro entraram na conta R$ 413,9 milhões, mas as despesas foram de R$ 1,442 bilhão.

Por outro lado, entre agosto e dezembro houve superávit. A arrecadação, que somou no período R$ 6,5 bilhões, foi 41% maior que os gastos, que totalizaram R$ 4,6 bilhões.

Bandeira pode ficar verde em abril
Durante o anúncio do rebaixamento da bandeira, de vermelha para amarela, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que ela pode ser levada para verde já no mês de abril. A decisão cabe ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e significaria a suspensão da cobrança adicional nas tarifas.

Braga mostrou otimismo com a recuperação dos reservatórios de hidrelétricas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, que mais sofreram com a falta de chuvas entre o final de 2012 e meados de 2015.

Nos últimos meses a situação melhorou, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, onde estão hidrelétricas responsáveis por cerca de 70% da capacidade brasileira de geração.

As represas das hidrelétricas dessas duas regiões tiveram em 2016 o melhor janeiro desde 2012. No dia 2 de fevereiro, marcavam armazenamento médio de 45% da capacidade máxima. No ano passado, nessa mesma data, a situação era bem diferente. Após o janeiro mais seco em 85 anos, elas registravam nível médio de 16,7%.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Como uma macaca comoveu o mundo inteiro? Descubra aqui LUCAS SILVEIRA - 14:59


Em uma pequena cidade da Índia, chamada Erode, habita uma macaquinha da raça Rhesus, que surpreendeu todo mundo neste outro canto do planeta.

Ela simplesmente adotou um cão abandonado, enquanto andava pela cidade a procura de alimentos. Ela faz questão de tratá-lo como um filhote, o levando junto com ela, alimentando e até o protegendo de cães maiores.


Com tamanha comoção, os moradores frequentemente deixam comida para os bichinhos se alimentarem. Com suas fotos totalmente fofas, eles ganharam o mundo, um exemplo de como a natureza é bela.

Apesar de ser aparentemente carinhosa, a macaca não gosta muito de companhias próximas ao seu filhote, uma mãe protetora.

Ela frequentemente briga com outros animais pelo seu alimento e pelo bem estar de seu filhote, tocante, não?

Alstom assina acordo para pagar R$ 60 milhões ao estado de São Paulo Empresa é investigada por pagar propina para obter contratos com governo. Mesmo com medida, multinacional não está livre de outras investigações.

A Alstom assinou, nesta quarta-feira (3), um acordo em que se compromete a pagar R$ 60 milhões ao estado. A multinacional é investigada por pagar propina para conseguir contratos com o governo paulista na área de energia elétrica.
Em nota, a General Eletric, que comprou a Alstom Energia, disse que entende que o acordo é benéfico para todos envolvidos.Apesar da assinatura do documento, a Alstom não reconhece ter feito suborno. Com o pagamento da indenização, a empresa francesa se livra do processo que corre na Justiça estadual, mas continua respondendo na Justiça federal, e não está livre de outras investigações, como a do cartel do Metrô e da CPTM.
O governo do estado disse que o acordo foi positivo e que vai investir o dinheiro da indenização em melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança pública.
GNews - Alstom (Foto: globonews)Empresa não está livre das investigações do cartel do Metrô e da CPTM (Foto: Reprodução/Globo News)