terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O PT, o partido que está acabando, começa a levar hoje ao ar o seu microfascismo passivo-agressivo de exaltação 02/02/2016 08h16 - Atualizado em 02/02/2016 10h23

Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
fonte: Divulgação
Um dos filmetes acusa uma grande conspiração contra Lula, comandada por aqueles que não aceitariam a justiça social que ele praticou, mas o partido propõe, nos demais vídeos, que todos nos unamos, acima das diferenças
O PT começa a levar ao ar nesta terça-feira suas pequenas inserções do horário político gratuito. Serão veiculadas ainda nos dias 4, 6, 9 e 11 deste mês. Vão coincidir com a semana do Carnaval. Nem Lula, o homem mais honesto do mundo, segundo ele próprio, nem Dilma, a governanta mais capaz do mundo, segundo ela própria, estarão presentes. O Rei Momo também não vai dar as caras.
O programa de 10 minutos, com a ausência igualmente garantida da dupla, ficou para o dia 23. Vocês vão ter de esperar até lá para o panelaço, que servirá de esquenta para o grande ato em favor do impeachment, marcado para 13 de março. As inserções de 30 segundos reservadas para essas duas primeiras semanas dão conta dos desatinos que tomaram o partido. Eu diria que o PT resolveu aderir ao que poderia ser chamado de microfascimo passivo-agressivo de exaltação. Vamos ver.

Num dos filmetes, o presidente do PT, Rui Falcão, alquebrado além da conta para seus 72 anos, afirma, para a crença de ninguém — a não ser, talvez, da militância mais fanática e ignorante —, que Lula “tem sido alvo de ataques, provocações e perseguições”. Os maus seriam “os preconceituosos de sempre”, que estariam perseguindo o herói porque este lutou para “melhorar a vida do povo brasileiro”. Segundo Falcão, que fala com voz mansa, de quem conta uma historinha infantil, esses malvadões não aceitam que Lula continue a “morar no coração do povo brasileiro”. Ou por outra: investigar o petista é ser contra a justiça social. Entenderam? Alguém ainda cai nessa conversa?
Contra partidos
Um programa que é partidário, garantido pela legislação que dá às legendas o direito de ocupar os meios de comunicação, o que custa aos cofres públicos algo em torno de R$ 1 bilhão por ano, faz, vejam vocês, a apologia da despolitização. Um dos vídeos assegura que a tarefa dos brasileiros “é ajudar o país; não é para ficar brigando nem por poder nem por partido, não”. Os petistas querem que os brasileiros esqueçam que o país é governado pelo… PT.
Todos contra a crise
O mais estúpido dos textos, no que concerne à história, é um que assegura que a crise faz parte de todos os países e que estes só a venceram com trabalho e união. Logo, não critique nem conteste o governo. Vamos todos nos juntar. E então se listam os problemas que os brasileiros já venceram: “a escravidão, a ditadura, a hiperinflação e a pobreza extrema”. Os exemplos são tão despropositados que nem chegam a ser errados. Trata-se apenas de uma bobagem.
Se estamos todos juntos, contra quem vamos lutar
Quando eu era menino e pertencia a um grupelho de esquerda , contestávamos os que pregavam “união episódica com adversários da burguesia” com um refrãozinho: “Se estamos todos juntos/ contra quem vamos lutar?” Fiquei com vontade de cantarolá-lo de novo ao ver um dos vídeos. Um monte de gente com bandeiras coloridas, simbolizando diferenças de opinião, se junta alegremente para formar o mapa do Brasil. E diz o locutor ao fundo: “Todo mundo tem o direito de defender as suas ideias. Mas tem uma hora em que a gente tem de ser maior do que nós mesmos. Em que a gente precisa conversar, ir além das nossas opiniões”. Do ponto de vista lógico, é o mais bucéfalo, uma vez que sustenta, ora vejam, que defender uma ideia é, então, ser menor dos que nós mesmos e que, para conversar, é preciso abrir mão de uma opinião. Entenderam a que chamo de “microfascismo passivo-agressivo de exaltação?”
Patacoada
O PT que instituiu na luta política a guerra permanente do “Nós (eles) contra Eles (nós)”, descobriu agora as virtudes da união de forças.
Vai ver Dilma Rousseff não dá as caras no programa porque traria à memória dos brasileiros as acusações que fez a seu principal oponente em 2014, o tucano Aécio Neves. Ela o acusou de pretender pôr em prática algumas das medidas a que ela se viu obrigada em razão de erros cometidos no seu primeiro mandato e de outras bobagens feitas por seu antecessor. Na disputa, Dilma deixou claro que ela encarnava o “Bem” e que o outro representava o “Mal”.
“Ah, em disputa eleitoral, é assim mesmo!” Errado! Mentir com a determinação com que se mentiu na disputa de 2014 é coisa inédita na história brasileira e, creio, das democracias ocidentais.
A verdade
A verdade é bem outra. O caminho que o PT propõe é justamente aquele que não conduz a lugar nenhum porque significa um país incapaz de fazer escolhas.
Então um dos filmetes petistas acusa uma grande conspiração contra Lula, comandada por aqueles que não aceitariam a justiça social que ele praticou, e o partido propõe, nos demais vídeos, que todos nos unamos, acima das diferenças?.
A propósito: essa união implica garantir a Lula a inimputabilidade e a impunidade?
Lula está morto. E o PT está acabando.
Duas boas notícias.
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PT vai à televisão para tentar conter corrosão política e eleitoral de Lula

O partido teve acesso a pesquisas variadas sobre o desgaste imposto pelas investigações à imagem do ex-presidente e decidiu que uma reação conjunta de defesa se tornou imperativa

Andressa Anholete/AFP - 20/11/15
O PT intensifica a partir desta terça-feira (2/2), uma campanha para tentar conter o processo de corrosão eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Líderes do partido e até assessores diretos do ex-presidente, em conversas reservadas nos últimos dias, avaliaram que o estrago político das mais recentes suspeitas levantadas pelas investigações em curso está se tornando praticamente irreversível no médio prazo - até a eleição presidencial de 2018.

Nas palavras de um petista com acesso a Lula ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, ao menos por enquanto, o problema do ex-presidente é mais grave na esfera política do que na criminal, na qual, segundo o próprio juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na 1.ª instância, ainda não há investigação formal que tenha Lula como foco.

O PT teve acesso a pesquisas variadas sobre o desgaste imposto pelas investigações à imagem do ex-presidente e decidiu que uma reação conjunta de defesa de Lula se tornou imperativa, sob risco de o partido chegar sem um nome eleitoralmente viável às eleições de 2018, quando Dilma Rousseff não poderá mais concorrer ao Planalto porque já foi reeleita em 2014.

Lula vem perdendo pontos em praticamente todos os cenários nos quais é testado como candidato do PT a presidente e a rejeição ao nome dele vem crescendo a cada sondagem. Ontem, o Instituto Ipsos divulgou os resultados de um levantamento que questionou os entrevistados, no mês passado, sobre a imagem do ex-presidente. Apenas 25% disseram acreditar que Lula é "um político honesto".

A despeito da defesa enfática de Lula em público, em privado petistas de alto escalão no partido e no governo já admitem que as ligações do ex-presidente com as empreiteiras alvo da Lava Jato, reveladas em capítulos nos últimos oito meses, são difíceis de serem explicadas politicamente. Anteontem, o próprio Lula admitiu ter visitado o condomínio Solaris, no Guarujá (SP), junto com o ex-executivo da empreiteira OAS Léo Pinheiro, condenado à prisão.

O Solaris é um dos alvos da Lava Jato. Lula e sua mulher, Marisa Letícia, tinham a opção de compra de uma unidade no condomínio, que foi assumido pela OAS após a quebra da Bancoop. A Lava Jato também apura a reforma feita por outra empreiteira, a Odebrecht, em um sítio localizado em Atibaia (SP) utilizado por Lula e sua família.

Para os petistas, até agora Lula tem apresentado respostas rápidas na esfera jurídica, porém deixado a desejar na política porque não consegue ser claro ao explicar qual a natureza de sua relação com as empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Aliados
O desgaste de Lula fez aliados históricos do PT colocar em ação um projeto que tem como horizonte tirar o partido da cabeça de chapa em 2018. PDT e PC do B já trabalham nos bastidores com a possibilidade de ter um nome do PT como vice do ex-ministro Ciro Gomes (hoje no PDT) para a sucessão da presidente Dilma.

Um governador aliado de Dilma afirmou ao Estado que a própria presidente já admite a hipótese de apoiar um nome que não seja do PT para sua própria sucessão, desde que ele esteja empenhado em defender a atual gestão da petista.

TV
A partir de hoje, em rede nacional de rádio e TV, o PT fará uma defesa enfática do ex-presidente nas inserções do horário partidário gratuito. Ficarão relegados a segundo plano os conteúdos relativos à gestão Dilma e a questões do partido.

Em um dos quatro vídeos já tornados disponíveis, o presidente da sigla, Rui Falcão, diz que o País inteiro sabe o que Lula fez para melhorar a vida do povo brasileiro. "Por isso mesmo, ele tem sido alvo de ataques, provocações e perseguições pelos preconceituosos de sempre. Eles não aceitam que o Lula continue morando no coração do nosso povo, principalmente daqueles que mais precisam", afirma Falcão.

Apesar de Lula não aparecer no vídeos, a defesa feita por Falcão é enfática. Já Dilma não aparece nas quatro inserções e não há defesa de sua gestão. Nos vídeos, o PT vai afirmar que crises fazem parte da história de todos os países e que nenhuma dessas nações superou tais momentos sem trabalho e união.

Além dessas inserções, o programa partidário do PT está programado para o dia 23 deste mês. A ideia é defender a imagem do partido, abalada pelas investigações na Petrobras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Preço da gasolina no DF cai R$ 0,08, mas etanol aumenta Em muitos postos, o valor estava em R$ 3,89 o litro, contra os R$ 3,97 verificados até a última segunda-feira

Os postos de combustíveis do DF amanheceram com a gasolina R$ 0,08 mais barata, em média. Em muitos postos, o valor estava em R$ 3,89 o litro, contra os R$ 3,97 verificados a última segunda-feira (1/2). A redução correspondem a 2%.

O reajuste ocorreu somente nas bombas de gasolina comum, e houve em algumas redes o aumento do etanol. No último dia 25 o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou uma intervenção na Rede Cascol, do Grupo Gasol. No mesmo dia, a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon) e a empresa assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que determinava que a Cascol se limitaria a aumentar o percentual máximo de 15,87% sobre o preço da compra da gasolina tipo C (comum). O TAC tem validade de seis meses, sob pena de multa de R$ 50 mil a cada situação de descumprimento. 

Na ocasião o superintendente do Cade, Eduardo Frade, afirmou que foi identificado indícios suficientes de crime de infração à ordem econômica, combinada com danos irreparáveis à concorrência, e a medida foi tomada afim de intervir preventivamente no mercado.

François Hollande ao lado de Raúl Castro pelo fim do embargo a Cuba

Hollande estendeu a passadeira vermelha a Raúl Castro PHILIPPE WOJAZER/REUTERS
Palácio do Eliseu com passadeira vermelha estendida para a visita do Presidente de Cuba, que procura na França um parceiro comercial e aliado político.
Os Campos Elíseos encheram-se de bandeiras francesas e cubanas para dar as boas-vindas ao Presidente Raúl Castro, cuja inédita e histórica visita de Estado de três dias a Paris é a consagração da nova era de abertura diplomática – e também comercial – do Governo de Havana, e a confirmação definitiva da quebra das barreiras (ideológicas) que mantinham a ilha do Caribe afastada dos grandes palcos e alianças internacionais.
Para pôr um ponto final no isolamento de Cuba, só falta acabar com o embargo económico decretado pelos Estados Unidos em 1963, defendeu o Presidente François Hollande. “A França sempre esteve convencida que, apesar das tensões internacionais, havia uma necessidade de terminar este bloqueio”, declarou. “Por isso, espero que o Presidente Obama, que é responsável por este grande progresso, possa ir até ao fim e consiga acabar definitivamente com este último resquício da Guerra Fria”, considerou, para regozijo do seu convidado, que não se cansa de exigir o fim do embargo. “Aprecio muito a sua posição”, respondeu Raúl Castro.
Nem que fosse só por estas palavras, a viagem oficial do Presidente de Cuba a França – a primeira visita de Estado à Europa em mais de 20 anos – já teria valido a pena. À partida de Havana, o ministério dos Negócios Estrangeiros tinha colocado como objectivos o “alargamento e diversificação das ligações com a França em todas as áreas possíveis: política, económica, comercial, financeira, investimento, cultura e cooperação”. Logo no primeiro dia, Castro já podia riscar vários dos pontos da lista.
“Esta visita é muito importante para a imagem de Cuba e do regime, que indiscutivelmente pode ganhar um novo fulgor externo”, explicou à AFP o analista da Universidade de Havana, Eduardo Perera. Simbolicamente, o primeiro acto oficial na agenda do líder comunista foi uma cerimónia no Arco do Triunfo, onde foram cumpridas todas as honras militares. Uma escolta montada da Guarda Republicana acompanhou depois a comitiva cubana pela mais famosa avenida da capital francesa, antes do grande acontecimento do dia, o rendez-vous com o Presidente francês no Palácio do Eliseu.
Hollande, que visitou Cuba em Maio passado, foi o primeiro chefe de Estado ocidental a deslocar-se à ilha em mais de 50 anos. Agora, em menos de uma semana, foi anfitrião de dois líderes internacionais que durante décadas permaneceram párias para o ocidente e que depois de uma revisão histórica do seu relacionamento com os EUA procuraram na França um aliado político e parceiro comercial de referência. Mas ao contrário da recepção fria reservada ao Presidente do Irão, Hassan Rouhani, o protocolo gaulês estendeu entusiasticamente a passadeira vermelha ao líder cubano. O programa preparado para entreter Raúl Castro incluía actuações musicais de Nathalie Cardone, autora da célebre canção “Hasta Siempre” dedicada a Che Guevara, ou ainda do célebre DJ David Guetta, que prepara um mega-concerto em Havana.
A abertura gradual do mercado cubano está a ser seguida com interesse pelas grandes potências económicas mundiais, que competem pelo posicionamento no terreno e a primazia nos negócios. A França, decisivamente, quer liderar esse campeonato, e “afirmar-se como o primeiro parceiro político e económico europeu” da ilha, anunciaram os assessores presidenciais. Algumas das principais grandes empresas francesas estão já estabelecidas em Cuba, caso do grupo Pernod-Ricard, que assegura a produção do rum Havana Club, da Alcatel-Lucent com projectos de telecomunicações ou a petrolífera Total.
No entanto, o actual valor das trocas comerciais entre os dois países, de 180 milhões de euros por ano, “não está à altura” das ambições gaulesas, confessou à AFP, o ministro responsável pelo Comércio Exterior, Matthias Fekl. Esta segunda-feira, os dois governos celebraram uma série de protocolos para investimentos nos sectores do turismo, da energia e dos transportes, bem como para a promoção do comércio justo.
Nessa corrida, os Estados Unidos, país vizinho e principal destino da diáspora cubana, estão em desvantagem por causa do embargo comercial imposto pelo Congresso em 1962 e ainda em vigor – apesar dos passos recentes dados por Washington, que já autorizou a retoma das ligações aéreas comerciais para a ilha, e permitiu que os bancos americanos voltassem a abrir linhas de crédito para a exportação de determinados produtos, sobretudo agrícolas.

Bombardeio destrói estação de rádio que recrutava jovens para o EI Ofensiva ocorreu no leste do Afeganistão




Utilizada pelo Estado Islâmico para recrutar jovens e disseminar a filosofia do grupo, bem como para ameaçar jornalistas com atuação em Jalalabad, no Paquistão, a rádio Voice of the Caliphate foi destruída em bombardeio efetuado por forças norte-americanas e afegãs.
Segundo o jornal O Globo, a estação estava localizada em área remota do leste do Afeganistão e operava a partir de equipamentos móveis, o que dificultava seu rastreamento. A operação deixou 21 um mortos, incluindo cinco funcionários da rádio.

Produção industrial recua 8,3% em 2015 e tem pior resultado histórico

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira registrou em 2015 o seu pior desempenho histórico com recuo de 8,3 por cento, após fortes perdas de investimentos, e deve continuar enfrentando dificuldades para se recuperar em 2016.
Somente em dezembro a produção caiu 0,7 por cento sobre o mês anterior, a sétima queda seguida, numa sequência inédita de perdas na série histórica iniciada em 2002.
Em relação ao mesmo mês de 2014, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira que a queda foi de 11,9 por cento.
Com isso, a contração acumulada em 2015 superou com folga o pior desempenho registrado anteriormente pela indústria, a queda de 7,1 por cento vista em 2009, no auge da crise internacional.
As expectativas de analistas em pesquisa da Reuters eram de que a produção industrial ficasse estável em dezembro sobre o mês anterior e recuasse 10,5 por cento na comparação com um ano antes.
Segundo o IBGE, foi a categoria de Bens de Capital, uma medida de investimento, que registrou o pior desempenho em 2015, com queda de 25,5 por cento, e também em dezembro na comparação mensal, com perda 8,2 por cento.
Dos 24 ramos pesquisados, 13 apresentaram queda na comparação mensal, sendo as principais influências negativas máquinas e equipamentos (-8,3 por cento), bebidas (-8,4 por cento), metalurgia (-5,0 por cento) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-3,5 por cento).
 

Após Justiça suspender licitação, CPI do Transporte analisará sigilos fiscais e bancários de investigados

Maíra de Deus Brito/Metrópoles

Distritais vão se debruçar sobre os documentos na reunião extraordinária desta terça-feira (2/2). Encontro foi marcado logo após promotores e policiais civis cumprirem mandados de busca e apreensão em três estados


A tempestade que se abateu sobre o sistema de transporte público do Distrito Federal — após a 1ª Vara de Fazenda Pública do DF suspender os contratos de seis empresas e determinar novo certame em 180 dias — terá mais desdobramentos a partir desta terça-feira (2/2), na Câmara Legislativa. A comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga a concorrência pública retoma as atividades com a análise das quebras dos sigilos fiscais e bancários de 19 envolvidos no caso. Entre eles, do ex-secretário de Transporte do DF José Walter Vasquez e do ex-diretor do DFTrans Marco Antonio Campanella.
Rafaela Felicciano/MetrópolesO presidente da CPI do Transporte, deputado Renato Andrade (PR), afirma que o encontro servirá para que os distritais avaliem os próximos passos da comissão. “A partir dos sigilos, poderemos ter provas absolutas de tudo o que já ouvimos e também chegaremos a novas pessoas”, afirmou.
Andrade não descarta uma nova prorrogação da CPI. “Não tenho pressa para terminar. Queremos dados concretos para que a Justiça não volte na decisão de suspender o processo”, completou.
A reunião desta terça foi convocada no dia em que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do DF deflagraram uma operação para recolher documentos e computadores para ajudar nas investigações.
Até agora, a comissão ouviu 25 pessoas. O advogado e consultor Sacha Reck está na lista. Ele é apontado como um dos principais personagens no processo. Promotores do Ministério Público e deputados questionam a atuação dele como consultor na elaboração certame e, ao mesmo tempo, advogando para o interesse de empresas que participaram da concorrência, como a Marechal. De acordo com as investigações, a situação pode indicar direcionamento da licitação.

Em entrevista ao Metrópoles um dia antes de depor na CPI da Câmara Legislativa, em outubro do ano passado, Sacha Reck confirmou que defendia interesses de empresas de transporte por meio do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), em que é advogado. Mas negou ter favorecido determinadas companhias no certame do DF.
Suspensão
O processo de licitação que culminou nos problemas atuais começou em 2011. Na concorrência, foram escolhidas a Viação Piracicabana, a Viação Pioneira, a Expresso São José, as três de Brasília, além da Auto Viação Marechal, do Paraná, e o consórcio formado pela HP Transportes Coletivos e a Ita Empresa de Transportes, ambas de Goiás. Desde então, o certame vem sendo questionado na Justiça por uma série de denúncias de irregularidades.
Há uma semana, a Operação Fim da Linha cumpriu mandados de busca e apreensão no DF, em Goiás e no Paraná. Documentos e computadores foram recolhidos por promotores da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Prodep) e por policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap). A ação ocorreu dois dias depois de a Justiça determinar a suspensão do processo.