terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como o Brasil ajuda a puxar para baixo resultado da economia global Adriano Brito - @adrianobrito Da BBC Brasil em São Paulo

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Image captionFMI começou ano revendo para baixo previsões sobre desempenho da economia global em 2016
O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou suas previsões sobre a economia global e pintou um cenário ainda mais tenebroso para o Brasil, segundo relatório divulgado na manhã desta terça.
Além disso, o órgão faz um elo entre as duas coisas: aponta a piora na situação brasileira como um dos motivos para um menor otimismo quanto aos resultados mundiais, somando-se a fatores como a desaceleração chinesa - segunda maior economia do mundo - e a baixa nos preços das commodities.
Nos cálculos do FMI, a economia do Brasil deve encolher 3,5% neste ano – a estimativa anterior, de outubro, apontava recuo de 1%. Além disso, o relatório empurrou para 2018 a expectativa de recuperação do crescimento: em 2017, quando havia um prognóstico de avanço de 2,3%, agora espera-se estagnação.
Na revisão dos números globais para a economia mundial, o Fundo previa uma expansão de 3,6% em 2016, mas agora vê um horizonte pouco inferior, de 3,4%. Para 2017, projeta 3,6% de avanço, também 0,2 ponto percentual menor que a análise anterior.
A BBC Brasil procurou especialistas para entender como as perspectivas ruins para o Brasil impactam, de alguma forma, o desempenho mundial.
A resposta está em uma maior interdependência entre as maiores economias do planeta, mas também em características específicas de cada economia.

Interdependência

Ao ligar a crise brasileira a uma previsão menor de expansão mundial, o Fundo Monetário Internacional expõe a cada vez maior interdependência entre as maiores economias do mundo.
Como o Brasil tem uma baixíssima capacidade de poupança, é altamente dependente do capital estrangeiro, explica o economista Otto Nogami, professor do Insper. Nos últimos anos, o país esteve entre os principais destinos globais de investimentos.
Ou seja: se o país entra em recessão, menos recursos obtidos por lucros e juros são enviados de volta ao exterior. Multinacionais, que têm uma gigante participação no bolo brasileiro, faturam menos e mandam menos dinheiro para suas matrizes – na maioria das vezes situadas em países desenvolvidos.
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Image captionDesaceleração do crescimento do gigante chinês também impacta nas previsões globais
Além disso, como a base de produção não é forte, o Brasil depende bastante da importação de matéria-prima, manufaturados e até produtos finais, o que também acaba diminuindo em um cenário recessivo e afetando diretamente as economias de alguns países, principalmente no mercado regional.
“O Brasil ajudou muito mais o mundo que o mundo ajudou o Brasil nos últimos anos”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, ao lembrar que o país foi um dos principais pagadores de juros do período.
"Nós demos dinamismo para a economia global 'exportando' renda para nossos parceiros", acrescenta. "Com o câmbio no lugar, é a nossa vez de forçar renda para dentro do país e isso é nitidamente ruim para o conjunto dos países."

Papel dos emergentes

Em seu relatório, o FMI cita algumas ameaças ao crescimento da economia global, entre elas:
  • Crescimento menor da China, refletindo um reequilíbrio das forças que movem a economia do gigante emergente
  • Efeitos da queda no preço do petróleo no Oriente Médio, região altamente dependente da extração dessa matéria-prima
  • Recessão no Brasil, em sua visão causada pelas incertezas políticas e pelo prolongamento do escândalo da Petrobras
  • O aperto na política monetária dos Estados Unidos
Desses quatro itens, três são relacionados a economias emergentes, de países em desenvolvimento, e expõem a importância delas no desempenho mundial.
"No início do século, a população dos países desenvolvidos havia atingido o ápice em sua demanda de consumo. Logo, o consumo se estabilizou. Assim, suas empresas tiveram de buscar lucros nos mercados consumidores dos países emergentes", explica Nogami.
Trata-se de um exemplo de como um crescimento menor ou recessão nessas economias afeta também as nações mais ricas, cujas empresas obtêm importante parte de seus lucros produzindo e/ou vendendo seus produtos e serviços no mundo em desenvolvimento.
Também nesta terça-feira, a China informou que seu PIB cresceu 6,9% em 2015 - crescimento mais baixo desde 1990, ainda que dentro das expectativas de Pequim.
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Image captionQueda nos preços do petróleo derrubou projeções de avanço das economias do Oriente Médio

Impacto das commodities

Segundo o FMI, a previsão agora é de que a região da América Latina e Caribe retraia 0,3% neste ano, ante a previsão anterior de expansão de 0,8%.
O Brasil, é claro, tem um importante peso nisso, mas o dado também reflete a dependência, por parte das economias emergentes e as menores, do preço das commodities.
As estimativas para o Oriente Médio também mostram isso: embora a perspectiva seja de crescimento na região – relatório espera 3,6% de avanço em 2016 e 2017 no grupo que reúne a área, o norte da África, o Afeganistão e o Paquistão –, o fundo revisou para baixo sua expectativa para ambos os anos (em 0,3 e 0,5 ponto percentual, respectivamente) por causa da queda nos preços do petróleo.
Nogami cita Chile e Equador para expor o que, na sua visão, foi a falha brasileira nesse cenário – não ter feito um ajuste fiscal na economia enquanto as commodities ainda estavam em alta no mercado internacional.
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Image captionRecuperar o crescimento e combater a inflação são dois dos maiores desafios da gestão Dilma

Pressão sobre o Brasil

O relatório do FMI foi tornado público na mesma semana em que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central se reúne para decidir se aumenta mais uma vez a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14,25% anuais.
Em nota, o presidente do BC, Alexandre Tombini, classificou as revisões do FMI "significativas" e ressaltou que o fundo atribui a visão negativa em relação ao Brasil "a fatores não econômicos".
O fundo atribui a piora no cenário de recessão às incertezas políticas em meio à investigação sobre a Petrobras, que "está se mostrando mais profunda e prolongada que o esperado anteriormente".
Vagamente, Tombini disse que "todas as informações econômicas relevantes" serão levadas à mesa do colegiado.
Para Nogami, "à medida que a preocupação internacional aumenta", cresce a pressão sobre o Brasil.
O relatório do fundo internacional reforça as dúvidas naquele que é o impasse do momento: aumentar ou não os juros? Ou seja: se o país vai priorizar o combate à inflação ou a retomada do crescimento.
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Image captionPresidente do BC, Alexandre Tombini indica que análise do FMI será levada à mesa do Copom
Por outro lado, uma alta nos juros é prejudicial e pode ampliar ainda mais a recessão. Mas, segundo o especialista do Insper, pode ser o único remédio diante da "inanição da economia" para frear o avanço da inflação.
Perfeito, por sua vez, é contrário a um aumento dos juros e acredita ser difícil que a inflação caia agora, mesmo com uma alta na Selic, principalmente por causa do reajuste das passagens de transporte público e de pressão sobre o preços dos alimentos.
Colaborou Ruth Costas, da BBC Brasil em São Paulo.

Preso na Papuda, Henrique Pizzolato pede frutas e alimentação mais saudável Solicitação foi feita a integrantes do Ministério Público Federal, que visitaram o ex-diretor do Banco do Brasil. Vistoria faz parte de acordo feito com a Itália

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Apesar da solicitação, as condições foram consideradas adequadas. O grupo verificou as condições do pátio onde os presos tomam banho de sol, das celas e até de uma nova biblioteca que tem funcionado para Pizzolato oferecer aulas de alfabetização a outros presos.
Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) estiveram nesta terça-feira (19/1) no Centro de Detenção Provisória (CDP), na Papuda, para verificar as condições em que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato está preso. A inspeção faz parte do compromisso assumido com a Itália de acompanhar o cumprimento da pena. Condenado na ação do Mensalão a 12 anos e sete meses de prisão, ele pediu maior variedade de frutas e alimentação mais saudável.
Participaram da inspeção o secretário-adjunto da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), Carlos Bruno Silva, o subprocurador-geral da República e membro da Câmara de Controle Externo da Atividade Policial e Sistema Prisional Carlos Vilhena Coelho, o secretário-executivo da mesma cmara, Marcelo Godoy, e a procuradora da República Michele Rangel de Barros.
Vistoria
Condenado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi extraditado da Itália em 23 de outubro de 2015. Antes da sua chegada, o MPF realizou uma vistoria detalhada para se certificar de que as condições de saúde e segurança atendiam os padrões exigidos para a extradição e, depois, fez a primeira inspeção em 10 de novembro do ano passado, concluindo pelo respeito aos direitos fundamentais dos presos.
Na ala visitada estão os presos considerados vulneráveis, por serem idosos ou correrem riscos em outras alas do presídio. Com perfis de crimes variados, só não podem ficar no local aqueles condenados por tráfico de drogas e associação criminosa.
Pizzolato divide cela com o publicitário Ramon Hollerbach, também condenado no Mensalão, e tem mantido um bom relacionamento com os outros presos.
Pela quantidade de idosos e considerando que muitos apresentam problemas de saúde, Pizzolato pediu maior variedade de frutas e alimentação mais saudável. Ao responder sobre assistência médica, ele informou que a situação está tranquila, mas que há uma preocupação com eventuais emergências.
Assistência religiosa
Sobre uma declaração anterior para ter mais assistência religiosa, Pizzolato disse que os presos têm organizado dois cultos semanais entre eles e que, na última visita do mês, as famílias também participam, mas que seria interessante que associações religiosas se voluntariassem para ministrar as cerimônias.
Por fim, ressaltou que, embora não seja seu caso, há cerca de dez presos sem advogados constituídos e que seria interessante que lhes fosse proporcionada a assistência jurídica. O Ministério Público Federal encaminhará relatório sobre a visita para as autoridades envolvidas na execução penal, inclusive Defensoria Pública do Distrito Federal, para as medidas necessárias. (Com informações do MPF)

Colômbia e Farc pedem à ONU para supervisionar fim do conflito Missão política do organismo vai acompanhar acordo na América do Sul. Entrega de armas e modo de referendar acordo ainda são discutidos. Da France Presse

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Uma missão política da ONU vai verificar o desarmamento da guerrilha e o cessar-fogo definitivo na Colômbia uma vez que as Farc e o governo de Juan Manuel Santos cheguem a um acordo para por fim ao conflito, segundo pedido das partes, feito nesta terça-feira (19), em Havana.
"Acordamos que este componente internacional será uma missão política da ONU, integrada por observadores de países-membros da CELAC (Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos)", destacaram as duas partes em um comunicado conjunto.
Segundo o texto, será formada uma entidade tripartite entre governo, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a missão da ONU, que presidirá e coordenará o mecanismo em todas as suas instâncias, dirimirá controvérsias, fará recomendações e apresentará informes.
"Os observadores internacionais gozarão de plenas garantias de segurança", disseram as partes que, desde novembro de 2012, negociam em Havana o fim do conflito armado de mais de meio século na Colômbia.
Esta missão internacional "iniciará seus trabalhos assim que tiver chegado a este acordo. Com relação à deposição das armas, o mesmo componente internacional a verificará nos termos e com as devidas garantias que serão estabelecidos nos protocolos do acordo", acrescentou.
Santos destacou que a missão de paz não terá capacetes azuis armados no território colombiano.
"É preciso deixar claro que trata-se de observadores desarmados e não de uma missão de manutenção da paz de capacetes azuis", disse o presidente em relação à missão que supervisionará a entrega de armas e o encerramento definitivo do conflito.
O fim do conflito e implementação do referendamento dos acordos são os dois pontos que falta concluir na agenda de seis, acordada entre as duas partes no início das negociações.
Já foram acordadas a questão agrária, o cultivo e tráfico de drogas ilegais, a participação política dos guerrilheiros e a indenização das vítimas.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, qualificou de "positivo" o acordo que traz a ONU para a verificação do desarmamento e do cessar-fogo.
"Positivo anúncio #Colombia e Farc de criar mecanismo verificação cessar-fogo e abandono das armas @ONU_es e CELAC", escreveu Almagro no Twitter.
Além dos observadores da ONU, a missão será integrada por observadores de países membros da CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Juiz diz que lei de cotas para negros em concursos públicos é inconstitucional

Crédito: Thiago Fagundes/CB/D.A Press

A aplicação da lei de cotas raciais em concursos públicos (Lei 12.990), que reserva 20% das vagas a candidatos que se autodefinem pretos ou pardos, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da Paraíba, no julgamento de um caso de nomeação postergada pelo Banco do Brasil. De acordo com a sentença do juiz Adriano Mesquita Dantas, a legislação viola três artigos da Constituição Federal (3º, IV; 5º, caput; e 37, caput e II), além de contrariar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Segundo o advogado da causa, essa é a primeira vez que um juiz declara a inconstitucionalidade da legislação, em vigor desde 2014.
De acordo com a sentença, proferida nesta segunda-feira (18/1), a cota no serviço público envolve valores e aspectos que não foram debatidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando tratou da constitucionalidade da reserva de vagas nas universidades públicas. Segundo Dantas, naquele caso estava em jogo o direito humano e fundamental à educação, o que não existe com relação ao emprego público.
“Não fosse assim, teria o Estado a obrigação [ou pelo menos o compromisso] de disponibilizar cargos e empregos públicos para todos os cidadãos, o que não é verdade, tanto que presenciamos nos últimos anos um verdadeiro enxugamento [e racionalização] da máquina pública. Na verdade, o provimento de cargos e empregos públicos mediante concurso não representa política pública para promoção da igualdade, inclusão social ou mesmo distribuição de renda. Além disso, a reserva de cotas para suprir eventual dificuldade dos negros na aprovação em concurso público é medida inadequada, já que a origem do problema é a educação”, analisou o magistrado da 8ª Vara do Trabalho do Paraíba, que ainda acredita que, com as cotas nas universidades e também no serviço público, os negros são duplamente beneficiados.
Dantas também defendeu o mérito do concurso e acredita que a instituição de cotas impõe um tratamento discriminatório, violando a regra da isonomia, sem falar que não suprirá o deficit de formação imputado aos negros. “É fundamental o recrutamento dos mais capacitados, independentemente de origem, raça, sexo, cor, idade, religião, orientação sexual ou política, entre outras características pessoais”, afirma.
O magistrado ainda prevê que a lei de cotas permite situações “esdrúxulas e irrazoáveis”, em razão da ausência de critérios objetivos para a identificação dos negros, assim como de critérios relacionados à ordem de classificação e, ainda, sem qualquer corte social. “Ora, o Brasil é um país multirracial, de forma que a maioria da sociedade brasileira poderia se beneficiar da reserva de cotas a partir da mera autodeclaração”.
A decisão foi tomada em julgamento referente ao concurso do Banco do Brasil (edital 2/2014). Um candidato que passou na 15ª posição (para a Microrregião 29 da Macrorreião 9) se sentiu prejudicado após ter sua nomeação preterida pela convocação de outros 14 classificados, sendo 11 de ampla concorrência e três cotistas que, segundo o juiz, teriam se valido de critério inconstitucional para tomar posse e passar na frente do candidato (eles foram aprovados nas posições 25º, 26º e 27º).
Ainda segundo o processo, durante o prazo de validade do concurso, houve nova seleção, o que gera automaticamente direito à nomeação. Por essa razão, o juiz determinou a contratação do reclamante, sob pena de multa diária de R$ 5.000. O BB não se posicionou até o fechamento da reportagem.
Decisão histórica
De acordo com o advogado do caso e membro da Comissão de Fiscalização de Concursos Públicos da OAB-DF, Max Kolbe, esse é o primeiro caso onde um juiz declara a lei de cotas raciais em seleções públicas inconstitucional. “Trata-se de uma decisão histórica. Apesar de o efeito valer apenas para o caso em questão, o tema serve como reflexão para o país inteiro e o julgamento certamente deve chegar até o Supremo Tribunal Federal”, analisa. “O concurso em questão diferencia os candidatos de acordo com sua cor, como se tal diferença demonstrasse desproporção de capacidade em realização de uma prova escrita, o que certamente não ocorre. Isso porque, ao se basear na Lei nº 12.990/2014, que é inconstitucional, reserva 20% das vagas a candidatos pretos e pardos, os quais, pela definição do IBGE correspondem a quase 100% dos brasileiros, uma vez que a definição de pardos é bastante ampla (miscigenados)”, completou o advogado.
Outro lado
Segundo o professor José Jorge de Carvalho, pioneiro e criador do sistema de cotas na Universidade de Brasília (UnB), a lei é válida e sua constitucionalidade foi sim assegurada pelo julgamento do STF, com relação às cotas para universidades. “Esse julgamento não vai adiante. Trata-se é uma reação racista de uma classe média que detinha as vagas e os altos salários de concursos como um privilégio. O que o juiz acatou fere o direito à igualdade resguardado pelo artigo 5º da Constituição. As cotas no serviço público derivam da mesma luta no ensino superior”.
Para exemplificar, Carvalho mencionou a luta de Bhimrao Ramji Ambedkar, reformador social indiano que instituiu o sistema de cotas em seu país, da escola ao serviço público, em 1948. “Antes, pessoas de camadas sociais consideradas inferiores, como os dalits, viviam excluídos de tudo. Ou seja, o pensamento é o mesmo, e o Estado tem que distribuir seus recursos para todos com igualdade. No Brasil, o serviço público é tão branco quanto as universidades. Para se ter uma idéia, cerca de 1% de juizes são negros. Na própria UnB, que instituiu as cotas para alunos há mais de dez anos, menos de 2% dos professores se autodeclaram negros também”.
Apesar disso, o professor reconhece que a lei precisa ser reformulada, já que a autodeclaração é passível de fraude. “Do jeito que está hoje, a legislação é 100% livre para fraude. O que eu propus é que seja aplicada uma autodeclaração confrontada, em que os candidatos se submetam ao julgamento de uma comissão formada majoritariamente por negros. Assim as fraudes seriam significativamente diminuídas”, concluiu.

Brasil pode ter quase 1 em cada 5 novos desempregados do mundo em 2017, diz OIT Há 8 horas

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Image captionMundo terá 200 milhões de desempregados em 2017
Quase um em cada cinco novos desempregados do mundo em 2016 e 2017 virá do Brasil. A estimativa é da Organização Mundial do Trabalho (OIT), que em seu mais recente relatório sobre empregabilidade, divulgado neste terça-feira, acredita que 700 mil brasileiros se somarão ao contingente de desempregados até o ano que vem, de um total que pode chegar a 3,4 milhões de pessoas ao redor do planeta.
O país é citado diversas vezes no documento como exemplo de mercado de trabalho em apuros. Segundo a OIT, economias emergentes como a brasileira serão as que mais sofrerão com o desemprego em 2016.
Em meio à crise econômica e à recessão, a sangria no mercado de trabalho do Brasil já foi sentida em 2015: nos 12 meses até novembro, foram perdidas cerca de 1,5 milhão de vagas formais no país.
A China, que acaba de divulgar seu menor índice de crescimento em 25 anos, por exemplo, terá 800 mil desempregados a mais nos próximos dois anos. A desaceleração do país - que é um grande exportador e também grande comprador de matéria-prima, inclusive do Brasil - é um dos principais fatores por trás do recuo no emprego global, segundo a OIT.
A entidade chama a atenção também para a possibilidade de uma acentuação do desemprego caso países emergentes adotem medidas de austeridade - pelos cálculos da OIT, isso poderia criar um contingente extra de 2 milhões de desempregados, inclusive no Brasil.
Mas a organização também cita como causas do desemprego a freada em investimentos de longo prazo, a diminuição nas populações economicamente ativas e os grandes níveis de desigualdade social ao redor do mundo.
"O ambiente econômico instável, associado a fluxos de capital voláteis, a mercados financeiros ainda disfuncionais e à escassez de demanda global continuam a afetar as empresas e a desencorajar o investimento e a criação de empregos", explica Raymond Torres, diretor do Departamento de Pesquisa da OIT, em comunicado do órgão.
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Image captionA queda na demanda por commodities brasileiras é apontada como uma das causas para aumento no desemprego

Índices

Para a OIT, o desemprego no Brasil será de 7,7% em 2016 e 7,6% em 2017 - índices abaixo da União Europeia (na casa de 9%), mas acima de China, Índia e Rússia. A média geral dos países emergentes ficará abaixo de 6% na projeções da OIT.
A entidade menciona o impacto da desaceleração chinesa na economia brasileira sob a forma da redução na demanda por commodities, que de acordo com as mais recentes estatísticas oficiais derrubou em 13% as exportações para o país asiático, o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009.
O Brasil também aparece de forma negativa em um ranking da OIT sobre vulnerabilidade empregatícia - índice que inclui, por exemplo, os trabalhadores autônomos. Com uma taxa de 24%, o país tem um dos piores desempenhos entre as grandes economias: apenas China e Índia, cujas populações são pelo menos cinco vezes maiores que a brasileira, apresentam índices de vulnerabilidade mais acentuados.
A OIT vê um quadro de fraqueza estrutural a longo prazo e estima que, desde 2007, o número mundial de desempregados tenha crescido pelo menos em 27 milhões de pessoas, impulsionado pela grande crise financeira global de 2008-09.
De acordo com a entidade, o número total de desempregados no mundo ultrapassará a marca de 200 milhões de pessoas até 2017. E pelo menos 1,5 bilhão de pessoas está em situação de emprego vulnerável.

MOVIMENTO PASSE LIVRE Ato do MPL cresce, mas Haddad e Alckmin não acenam com recuo No maior ato do grupo este ano, MPL foi à sede dos Executivos estadual e municipal

Ato contra o aumento nesta terça-feira.  AFP

Movimento Passe Livre (MPL) bateu na porta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Fernando Haddad(PT). O protesto convocado nesta terça-feira pelo grupo que pede a revogação do aumento da tarifa dos transportes públicos, que neste início de ano aumentou de 3,50 para 3,80 reais em São Paulo, se dividiu em dois na avenida Faria Lima: uma marcha maior seguiu para o sede da Prefeitura, no centro da cidade, e outra, menor, se dirigiu ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo estadual, no Morumbi, zona sul. Somaram-se às duas os dois protestos do Movimento dos Sem Teto (MTST) nas estações do metrô Capão Redondo e Itaquera. Na estimativa do Passe Livre os atos de hoje, somados reuniram cerca de 30.000 pessoas. Já os Sem Teto falaram em 12.000 somente nos protestos na periferia. A Polícia Militar não forneceu um balanço de público, e informou que duas pessoas foram detidas com estilingues e martelos no início do ato, e mais três foram detidas no final, já no centro.
O Movimento Passe Livre voltou a crescer. A manifestação desta terça-feira, a quarta convocada pelo MPL este ano, foi a que reuniu maior público, e serviu para dar novo fôlego ao movimento após dois atos menores na quinta-feira da semana passada. Nesta terça, a concentração foi na esquina das avenidas Rebouças com Faria Lima. Apesar da demonstração de força, o embate do grupo com o poder público parece estar chegando a um impasse: nenhum dos lados dá sinais de que irá ceder. O MPL afirma que continuará nas ruas até a revogação da tarifa (um novo ato já está marcado para esta quinta-feira no Terminal Dom Pedro, na região central da cidade), e Haddad e Alckmin não dão o menor sinal de que pretendem voltar atrás como fizeram em 2013 - quando após pressão popular capitaneada pelo Passe Livre o aumento de 20 centavos foi revisto. O petista nem mesmo convocou o Conselho da Cidade, órgão criado por ele para discutir questões relativas ao município, como havia feito três anos atrás, pouco antes de revogar o aumento.
Até onde esta queda de braço irá é uma questão que vai depender da capacidade de mobilização do Passe Livre para continuar tomando - e travando - as ruas da cidade e do tamanho do custo político que Haddad, que disputará a reeleição este ano, está disposto a assumir. Após a vitória de 2013, o MPL saiu às ruas novamente no início do ano passado, contra um novo reajuste na tarifa, mas a cada marchafoi perdendo fôlego até murchar sem uma vitória.
O movimento duela com duas lideranças políticas que enfrentam alta de rejeição.Os que rejeitam a gestão do petista cresceu de 40% para 56% em apenas doze meses segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça. Os que consideram o mandato bom ou ótimo foram de 15% para 13%. Até agora o prefeito tem sido irredutível: em entrevista ao jornal Valor Econômico disse que o custo para atender às demandas do MPL consumiria 8 bilhões de reais, praticamente o total arrecadado com o IPTU. O governador Geraldo Alckmin, por sua vez, teve sua imagem arranhada após tentar implantar a reorganização escolar, no ano passado, sem dialogar previamente com os estudantes antes, e terminou o anocom rejeição recorde. 
Assim como na quinta-feira passada, os soldados da PM e os adeptos da táticablack bloc - que defendem a depredação do patrimônio público como arma política - agiram com comedimento. "Ninguém chega perto da casa do patrão!", gritavam alguns mascarados e integrantes do MPL ao se aproximar da residência oficial do governador. O grande problema, a exemplo do ato anterior, foi no momento da dispersão dos protestos. Enquanto que o grupo menor que seguiu para o Bandeirantes deixou o local sem maiores problemas, a marcha que foi em direção à Prefeitura acabou em confusão nos metrôs da região.
Uma pequena parte dos manifestantes quis pular as catracas na estação República, no centro. A guarda do metrô não permitiu, mas conseguiu dialogar com os manifestantes. A estação permaneceu fechada por um tempo. Fora dela, porém, o Batalhão do Choque agiu reprimindo os poucos manifestantes que restaram pelo centro, que colocaram algumas barricadas de lixo incendiado pelas ruas. A polícia chegou a usar uma bomba de gás lacrimogêneo na região. Segundo os socorristas do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP), não houve feridos.
O MPL cumpriu com a demanda do secretário de Segurança Pública, Alexandre Moraes, que pediu que o trajeto dos atos fossem apresentados previamente. A polícia, por sua vez, cercou as manifestações, direcionando para o roteiro apresentado, mas surpreendeu, quando, na chegada do ato à Prefeitura, a sede do Governo municipal estava totalmente livre de policiais, que normalmente realizam um cordão de isolamento no prédio.

E-mails de Hillary Clinton continham informação ultra secreta, diz imprensa Pré-candidata assumiu usar o e-mail pessoal para assuntos de trabalho. Mensagens foram utilizadas quando ela era secretário de Estado dos EUA. Da EFE

Hillary Clinton promete aumentar impostos sobre mais ricos
Os e-mails da conta particular da pré-candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, durante seu período como secretária de Estado, continham informação classificada em uma categoria superior a de "Top Secret", segundo um documento obtido nesta terça-feira (19) pelas emissoras de televisão "NBC" e "Fox".
Em carta dirigida aos congressistas e à qual as duas emissoras tiveram acesso, o serviço de Inteligência americano indica que alguns dos e-mails de Hillary continham informação classificada como "Top Secret/Programa de Acesso Especial", um degrau acima de "Top Secret".
Até o momento, o máximo grau que se conhecia quanto à sensibilidade da informação contida nos e-mails era "Top Secret", por isso essa revelação poderia dificultar ainda mais as coisas para a pré-candidata presidencial, que parte como favorita entre os democratas.Trata-se de um dos níveis mais altos de proteção de informação nos EUA e, apesar de a carta indicar que essas correspondências se encontravam no servidor pessoal da ex-secretária de Estado, não especifica se as mesmas foram enviadas ou recebidas por ela.
Na carta enviada aos legisladores, o inspetor geral de Inteligência dos EUA, Charles McCullough, garantiu que "vários e-mails" continham informação classificada nas categorias "confidencial, secreto e 'Top Secret'/Programa de Acesso Especial".
No ano passado, Hillary se envolveu em uma polêmica quando se preparava para lançar sua corrida presidencial, após a revelação de que ela tinha utilizado sua conta de e-mail particular para assuntos de interesse nacional quando era secretária de Estado.
Diante dessa situação, a oposição republicana exigiu que as comunicações que Hillary manteve de sua conta particular, e que poderiam afetar a segurança do país, fossem divulgadas.
Atendendo às reivindicações dos republicanos e da própria Hillary, que insistiu que os e-mails fossem divulgados para sanar qualquer tipo de dúvida, o Departamento de Estado vem publicando desde maio do ano passado os e-mails, que passam antes por uma revisão na qual os documentos com informação sensível são retirados.