terça-feira, 8 de dezembro de 2015

'Maior risco é vulgarizar impeachment', diz ministro que presidiu julgamento de Collor Mariana Schreiber Da BBC Brasil em Brasília Há 3 horas

(FIESP)Image copyrightFiesp
Image captionPresidente do STF em 1992, Sydney Sanches contou à BBC Brasil que não esperava ver outro processo contra um presidente
Sydney Sanches era o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992) ─ por isso, lhe coube a missão de presidir seu julgamento pelo Senado Federal.
Em entrevista à BBC Brasil, ele contou que não esperava ver outro processo de impeachment no país. Mas, apenas 23 anos depois da cassação de Collor, a presidente Dilma Rousseff está sob a mesma ameaça.
Na sua visão, o maior risco de um novo processo é tornar ainda mais comum tal procedimento, que deveria ser algo raro.
"Eu acho que o perigo maior é esse: vulgarizar o impeachment. O impeachment não é uma coisa que deva ocorrer a cada mandato, a cada pleito".
"Eu esperava que não houvesse mais (impeachment, após o de Collor), porque não é bom para o país. Mesmo que se faça justiça, a economia para. A imprensa não fala de outra coisa", observa.
Apesar desses receios, Sanches diz que, em tese, a pedalada fiscal pode ser motivo para um processo de impeachment. Baseado nas informações que lê pela imprensa, o ministro aposentado entende que a presidente teria desrespeitado a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e que teria usado as pedaladas para ocultar isso.
"Pedaladas" foi o nome dado à prática do Tesouro Nacional de atrasar propositalmente o repasse de recursos a bancos (públicos e privados) e autarquias para pagar benefícios sociais e previdenciários, além de empréstimos subsidiados a empresas. O objetivo era melhorar artificialmente as contas públicas. Esse foi um dos motivos que levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a emitir parecer recomendando que o Congresso rejeite as contas do governo de 2014.
Mas o trâmite de um processo contra Dilma ainda está apenas começando, e Sanches vê chance de que ela tenha destino diferente de Collor e seja absolvida.
"Ela ainda tem apoio na Câmara e no Senado. No caso Collor, a pressão popular foi muito grande. O povo estava unido nisso, em todas as classes praticamente. Nessa hora você vê como a pressão pública repercute no Congresso", destaca.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil: O senhor acha que a abertura do trâmite de impeachment contra Dilma tem fundamento jurídico?
Sydney Sanches: É bem diferente do que aconteceu no caso Collor, quando havia imputação clara, específica (de crime de responsabilidade).
Agora, não sei se é só a pedalada que está sendo alegada no caso da Dilma, ou se mais alguma coisa. Sobre pedalada, nem o Tribunal de Contas da União tinha jurisprudência (decisões anteriores) firmada a respeito e menos ainda o Congresso, que é que julga as contas (após o parecer do TCU).
Do ponto de vista jurídico, não político, a pedalada me parece ato de improbidade administrativa, que é uma manobra para ocultar o que está acontecendo e deixar de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Deixar de cumprir lei já é considerado crime de responsabilidade.
Agora, essa interpretação que eu mencionei em relação à pedalada, eu reconheço que é rigorosa, não é? Porque já houve precedentes, segundo se vê pela imprensa, em outros governos (de atrasos de repasses para bancos). Mudou a jurisprudência só agora? Fica parecendo perseguição, né? Então, quanto a isso, tudo é novidade.
BBC Brasil: Então, o senhor considera que "pedalada" pode ser caracterizada como crime de responsabilidade?
Sanches: Acho que sim porque (a pedalada) está ocultando alguma coisa para (a presidente) obter alguma vantagem. Qual vantagem? De não parecer que o governo estava indo mal, que estava descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, ocultado o descumprimento de alguma obrigação. E para demonstrar, na campanha (das eleições de 2014), que o governo dela foi muito bem.
Eu vejo sob esse aspecto, se é que ocorreu isso, porque a gente sabe tudo pela imprensa. Agora, também não garanto no âmbito jurídico que esse seja o entendimento do Supremo Tribunal Federal. No direito, cada cabeça é uma sentença.
(Acervo STF)Image copyrightAcervo STF
Image captionSanches presidiu julgamento de impeachment de Collor no Senado
BBC Brasil: Qual o papel que o senhor vê para o STF nesse processo contra a Dilma?
Sanches: No caso Collor, o Supremo entendeu que não podia julgar o mérito do processo de impeachment, ou seja, se ele devia ser condenado ou não.
Mas admitiu mandado de segurança, impetrado pelo presidente da República (Collor), sob alegação de que não teria amplo direito à defesa (nesse caso, o STF determinou que fosse garantido o prazo de dez sessões para defesa de Collor na Comissão Especial da Câmara, em vez de cinco como estava lhe sendo oferecido).
Ele impetrou também vários outros mandados de segurança que foram negados.
BBC Brasil: Então parece improvável ao senhor que o STF se manifeste para esclarecer se considera ou não a pedalada um motivo para impeachment?
Sanches: Tenho dúvidas se o STF do meu tempo ia enfrentar isso, mas o Supremo atual eu não sei. A composição mudou muito né? E eu acho que é uma questão muito difícil.
BBC Brasil: O julgamento do impeachment é mais político do que jurídico?
Sanches: A melhor indicação disso é a seguinte: no Senado, o Collor foi condenado. No processo criminal, ele foi absolvido por 5 a 3 no Supremo. Mas o pessoal parece que não entende bem a diferença entre uma coisa e outra.
Entre os fatos imputados ao presidente (Collor), além da alegável violação da Constituição, tinha também a falta de decoro no exercício do mandato. Então, ele recebendo dinheiro de origem inexplicada, ainda que não se sabendo para que fim, é pelo menos falta de decoro no exercício do mandato.
Mas para configurar corrupção passiva, que era a imputação feita no Supremo, era preciso demonstrar que ele, em troca do dinheiro, estava disposto a praticar um ato x ou y (o que não ficou provado, na avaliação da maioria dos ministros).
BBC Brasil: O caso da Dilma é mais complexo que o do Collor?
Sanches: Não dá para fazer paralelo. Os casos são muito diferentes.
(AP)Image copyrightAP
Image captionFernando Collor sofreu impeachment em 1992
BBC Brasil: Mas parece que a Dilma tem mais chance de se salvar do que o Collor tinha?
Sanches: Olha, eu vou avaliar pelo aspecto político. Ela ainda tem apoio na Câmara e no Senado. Não digo que seja um apoio integral, mas tem um apoio. No caso Collor, a pressão popular foi muito grande. E o povo saiu à rua de braço dado, unido nisso, em todas as classes praticamente. A gritaria foi grande, e o Congresso é muito sensível a isso. Nessa hora você vê como a pressão pública repercute no Congresso.
BBC Brasil: O impeachment, no caso da Dilma, pode ser caracterizado como um golpe?
Sanches: Tentativa de golpe não é porque a Constituição prevê o processo de impeachment. Pode ser que seja movido por interesses menos adequados, pode ser até que seja um abuso isso, mas o fato é que isso é permitido pela Constituição.
O que se pode dizer é que (a acusação) é improcedente e ela ser absolvida. É uma hipótese que pode ocorrer, pois são necessários dois terços (dos votos) dos deputados para haver autorização do processo de impeachment na Câmara e dois terços do Senado para haver condenação. Não é fácil, né?
BBC Brasil: O senhor vê algum risco de um impeachment da presidente trazer instabilidade? Por exemplo, tornar mais frequente o impeachment?
Sanches: Eu acho que o perigo maior é esse: vulgarizar o impeachment. O impeachment não é uma coisa que deva ocorrer a cada mandato, a cada pleito. Houve tentativa de impeachment no caso do (José) Sarney (1985-1990), no caso do Fernando Henrique (1995-2002), e foi obstado pelo próprio Congresso.
BBC Brasil: Qual seria o risco de vulgarizar o impeachment?
Sanches: Toda eleição você toma posse já no dia seguinte tem um pedido de impeachment, e muitas vezes é de gente que quer aparecer.
BBC Brasil: O senhor esperava ver tão rapidamente outro impeachment no país?
Sanches: Eu esperava que não houvesse mais porque não é bom para o país. Mesmo que se faça justiça, a economia para. A imprensa não fala de outra coisa.
BBC Brasil: O senhor chegou a ser convidado no início do ano para escrever um parecer sobre a situação da Dilma. Por que o senhor não aceitou?
Sanches: Eu não quis precipitar a discussão: "ah, o presidente do Supremo que presidiu o impeachment do Collor opinou favoravelmente pela instalação do processo". Como eu nunca tive militância política, eu não vou me prevalecer de uma condição que a circunstância da vida me propiciou para emitir um parecer. Agora que a questão já está aberta, nada me impede de omitir opinião. Não vou dar parecer, não vou cobrar honorários. Quero ficar tranquilo, entende?
BBC Brasil: Agora voltou a discussão sobre adoção do parlamentarismo no país. O senhor tem alguma opinião sobre isso?
Sanches: Eu tinha opinião contrária. Mas estou cada vez mais tendendo a mudar de opinião. Acho que seria uma ótima solução nessas circunstâncias. Por exemplo, se a Dilma fosse primeira-ministra e não presidente da República, o voto de desconfiança seria suficiente, não precisaria haver processo algum.
É uma grande vantagem, é muito rápido. Na Itália, em que é comum isso, tudo se resolve em uma semana. No caso do Collor, durou quatro meses. Em quatro meses ninguém faz nada.
BBC Brasil: O senhor vê algum problema no processo ter sido iniciado por Eduardo Cunha, que teria agido por vingança contra o PT?
Sanches: Pode ser alegado isso no Supremo, mas acho que dificilmente (o STF barra o pedido por causa disso). Acho que o que pesa é a influência negativa que isso exerce sobre o pedido de impeachment. Quem está encaminhando é alguém que está envolvido num processo judicial no Supremo e com processo interno na Comissão de Ética, então a autoridade do presidente da Câmara não é a mesma do Ibsen Pinheiro no tempo do Collor.
BBC Brasil: Vê espaço para o STF afastar Cunha da presidência da Câmara caso a Procuradoria-Geral da República solicite?
Sanches: Eu não sei se o Judiciário teria (como). Tem que pensar um pouco. É uma coisa tão inusitada, um membro do Ministério Público pedir afastamento de um chefe de poder.

08/12/2015 06h00 - Atualizado em 08/12/2015 08h03 Repórteres do G1 relatam o que viram na cobertura de desastre em Mariana Quatro jornalistas falaram sobre as experiências e contaram o que sentiram. Rompimento de barragem afetou cidades, deixou mortos e desaparecidos. Humberto Trajano, Raquel Freitas, Thaís Pimentel e Flávia Mantovani Do G1

#G1 está em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Flávia Mantovani/G1)Distrito de Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Flávia Mantovani/G1)
Os quatro repórteres do G1 que estiveram em Mariana e nas outras cidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão relataram o que viram durante a cobertura do desastre. Eles falaram das experiências e sobre as relações com as pessoas afetadas pela tragédia. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no Brasil, deixou 15 pessoas mortas e quatro desaparecidas.

A estrutura da mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, rompeu-se no dia 5 de novembro, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e afetando Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Veja abaixo o relato de cada repórter na ordem em que eles estiveram nas cidades atingidas:
Humberto Trajano



Raquel Freitas

Thaís Pimentel
Flávia Mantovani

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Blatter: na mira do FBI por 373 milhões de reais em subornos Documentos atestam pagamento por direitos comerciais e televisivos

Blatter em uma conferência em Marrocos em 2014. / C. ENA (AP)
As autoridades norte-americanas estão pesquisando várias evidências que demonstram que Joseph Blatter, presidente da FIFA suspenso por três meses por corrupção, teria constância dos subornos pagos —um total de 373 milhões de reais (92 milhões de euros)— a outros membros do órgão do futebol internacional, tal como revelou o programa de investigação Panorama, da BBC.
Blatter fez questão de dizer que desconhecia estes pagamentos, mas a BBC assegurou que há uma carta, em poder do FBI, que deixa dúvidas sobre o depoimento do dirigente suíço. Este texto, escrito por Havelange, refere-se a pagamentos para a ISL e afirma que Blatter tinha "pleno conhecimento" destas atividades.As pesquisas realizadas pela cadeia de televisão britânica demonstram que a companhia de marketing esportivo ISL pagou 373 milhões de reais a vários dirigentes da FIFA, incluídos o antecessor de Blatter,João Havelange, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Em troca pelos subornos, a empresa obteve os direitos televisivos e de comercialização de vários eventos relacionados ao futebol na década de 1990.
O mandatário suíço declarou em 2013 diante da Comissão de Ética da FIFA que não participou do suborno e foi absolvido de qualquer delito. Sobre o que terá que declarar entre os dias 16 e 18 deste mês diante da mesma Comissão é a respeito do pagamento de 7,3 milhões de reais (1,8 milhões de euros) a Michel Platini trabalhos ainda não justificados, e pelos que ambos representantes estão inabilitados até 5 de janeiro.

'Efeito WhatsApp' e crise 'matam' 10 milhões de linhas de celular no Brasil Queda nessa proporção é inédita Brasil, quinto maior mercado do mundo. Só em São Paulo, quase 2 milhões de acessos foram desconectados.

08/12/2015 07h41 - Atualizado em 08/12/2015 08h28
Helton Simões Gomes
Whatsapp - ilustrativa ok (Foto: Fernando Brito/G1)WhatsApp faz clientes preferirem chats em vez de ligações telefônicas (Foto: Fernando Brito/G1)
Mais de 10 milhões de linhas de celular deixaram de existir no Brasil em seis meses de 2015. Uma queda dessa proporção é inédita no setor de telecomunicações móveis brasileiro, quinto maior do mundo. Para as operadoras, os causadores da derrapada são a crise econômica e o “efeitoWhatsApp”, que faz clientes preferirem chats para se comunicar em vez de terem mais de uma conta em diferentes operadoras.
Os acessos móveis cresceram mês a mês no Brasil até maio deste ano, quando chegou a 284 milhões de linhas - a única exceção desde 2005 foi um pequeno deslize em julho de 2006. Até outubro, porém, a base diminuiu 3%, segundo dados divulgados na quinta-feira (3) pela Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).
FICANDO SEM CEL
Número de acessos móveis caiu 3% em seis meses.
meseslinhas de celular (em milhões)284282281280275273linhasMaioJunhoJulhoAgostoSetembroOutubro270272,5275277,5280282,5285
Fonte: Anatel
O volume de desconexões, de 10.358.097, é próximo ao total de linhas da Bolívia e até de Portugal - de 10,5 milhões e 11,8 milhões em 2014, respectivamente, segundo a ONU.
O desligamento de milhões de acessos foi generalizado entre as quatro maiores operadoras do setor. Nesses seis meses, a líder do mercado Vivo perdeu 3,6 milhões de linhas. A TIM, segunda maior, ficou com 3,3 milhões de linhas a menos. Claro teve sua base reduzida em 2,5 milhões e a Oi, em 1,3 milhão de linhas.

WhatsApp
Um dos causadores da onda de cancelamento está na maioria dos smartphones dos brasileiros: apps de bate-papo e, em especial, o WhatsApp.
“Você tem uma geração mais nova que usa mais o Whatsapp e prefere não falar [pelo telefone]. Aí usa o Whatsapp, Viber ou qualquer outro mensageiro”, explica Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi. “A barreira da comunicação começa a ser quebrada porque os aplicativos liberam voz sobre IP.”
"O crescimento do uso do WhatsApp e aplicativos semelhantes tem alguma influência na redução das linhas, mas independente do serviço de voz nesses apps", admite a TIM. "As pessoas passaram a se comunicar por mensagem via rede de dados e notaram que não precisavam mais de um chip."
Pertencente ao Facebook, o app é criticado pelas operadoras. Elas reclamam que o serviço exerce concorrência mas não arca com as mesmas contrapartidas, como pagar impostos. A rivalidade inesperada já afeta os negócios.
Operadoras reclamam que Whatsapp é concorrente, mas não arca com as mesmas contrapartidas, como pagar impostos. A rivalidade inesperada já afeta os negócios
A consultoria Teleco apontou em junho que apps como o WhatsApp derrubaram a quantidade dos minutos falados ao telefone e dos SMS enviados pelos brasileiros nos começo do ano.
Cortando na carne
A preferência por serviços conectados, diferentes dos oferecidos pelas operadoras faz também as linhas de celular ficarem ociosas. Para driblar a crise econômica, decidiram ser mais ágeis no cancelamento dessas contas. Segundo Winik, da Oi, a estratégia foi adotada para poupar dinheiro, já que, ao eliminar acessos móveis inativos, também deixam de pagar taxas referentes a ele, como a do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).
Uma linha só pode ser desconectada após 90 dias sem fazer chamadas tarifadas, enviar torpedos ou acessar a internet, determina a Anatel. Para manter clientes, as empresas reiniciavam a contagem até quando ligações gratuitas eram feitas. Isso acabou.
“A queda no número de linhas móveis reflete o ciclo normal de desconexão do mercado e o crescente interesse pelo uso de internet no celular”, diz a Claro. A Vivo "atribui a redução de sua base ao critério de desconexão de usuários pré-pagos mais restritivo com clientes inativos”.
O consumidor também contribuiu: abriu mão do “segundo ou terceiro chip” para aliviar o bolso, diz o diretor da Oi. "O consumidor está se virando para economizar e a TIM entendeu que tinha que 'se virar' também", informa a empresa.
Efeito clube
O movimento de preferir uma só operadora deve se intensificar, avalia o diretor da Oi. O motivo, diz, será o barateamento das taxas de interconexão nos próximos anos. Pagas sempre que o cliente de uma empresa liga para o de outra, as tarifas são recolhidas como compensação pela ligação usar a rede da segunda companhia para chegar ao destino. Para se adaptar ao que ficou conhecido como “efeito clube”, o brasileiro aprendeu se acostumou a ser cliente pré-pago de mais de uma operadora.
A taxa, hoje de R$ 0,16, cairá para entre R$ 0,09 e 0,11, em fevereiro de 2016. Até 2019, ficará entre R$ 0,01 e 0,02. TIM e Oi, no entanto, já se anteciparam e reduziram para R$ 0,10. “Vai acontecer é uma redução no número de linhas. Aquele que tinha três, quatro chips, vai consolidar os gastos dele numa única operadora”, diz Winik.
ARTE LINHAS DE CELULAR  (Foto: ARTE/G1)

MPF vai à Justiça contra candidatos a diplomata que teriam fraudado sistema de cota racial

Lorena Pacheco
@bernardo248/Instagram
Por meio de fotos em redes sociais e em bancos de dados oficiais, o Ministério Público Federal em Brasília identificou que cinco candidatos, inscritos para o cargo de diplomata, no concurso do Ministério das Relações Exteriores, teriam fraudado a autodeclaração racial. A análise fenotípica indicou que, pela cor de pele e traços faciais que apresentam, eles não seriam negras. Uma ação civil pública foi proposta nesta segunda-feira (7/12) pelo MPF à Justiça para impedir que elas tomem posse e impeçam que candidatos negros tenham acesso ao cargo público. Das 30 vagas do concurso, seis são destinadas a candidatos negros.

O MPF pediu urgência na análise da ação já que o resultado final da seleção deve ser homologado no próximo dia 14 de dezembro, quando começará a correr o prazo de validade do edital, que é de apenas 30 dias. "A demora pode excluir de forma permanente e irreversível os candidatos negros preteridos pela nomeação (...), ceifando de modo definitivo o direito desses ao ingresso legítimo na carreira de diplomata", dizem os procuradores Ana Carolina Alves Araújo Roman, Felipe Fritz Braga e Luciana Loureiro Oliveira, autores da ação.

A medida é fruto de um inquérito civil instaurado em agosto e ainda pede que a Justiça obrigue o Itamaraty a tomar providências para garantir a regularidade das nomeações.

Antes de entrar na Justiça, o MPF enviou recomendação ao Itamaraty para corrigir o edital já na primeira fase do concurso, com a instituição de um comitê de verificação de autodeclarações, mas o pedido não foi atendido. "A conduta omissiva do Itamaraty representa grave risco aos direitos dos candidatos negros que serão excluídos com a homologação do concurso", justificam os procuradores. Procurado, o Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestou.

O comitê de verificação dos traços fisionômicos foi considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, quando um julgamento ratificou juridicamente a política de cotas na Universidade de Brasília (UnB) e determinou que, em caso de declaração falsa, o candidato deve ser desclassificado.

Para o MPF, caso não sejam tomadas providências em relação ao concurso, haverá um "duplo descumprimento", tanto pelos candidatos quanto pelo Estado, dos "objetivos fundamentais previstos na Constituição, como o de construção de uma sociedade solidária; de redução das desigualdades sociais e de promoção do bem de todos sem preconceito de raças".

Oficial de chancelaria 
Uma outra recomendação do MPF sobre o sistema de cotas do concurso para oficial de chancelaria foi atendida pelo MRE nesta segunda-feira (7/12). O órgão queria que o Itamaraty reforçasse a verificação de possíveis fraudes na autodeclaração dos candidatos negros e o edital foi retificado.

Com informações da Agência Estado

Voo da Air France para Paris é desviado para Montreal após ameaça

Aeronave da Air France vista no aeroporto internacional Charles de Gaulle, em Roissy.  27/10/2015    REUTERS/Christian Hartmann
PARIS (Reuters) - Um voo da Air France que seguia de San Franciso, nos Estados Unidos, para Paris foi desviado para Montreal após uma "ameaça anônima", informou a companhia aérea em sua conta no Twitter nesta terça-feira.
"A aeronave aterrissou normalmente. Autoridades locais irão conduzir buscas", acrescentou.
Autoridades de segurança ao redor do mundo estão em alerta desde que militantes do Estado Islâmico reivindicaram responsabilidade por ataques em Paris no mês passado, que deixaram 130 mortos.
(Reportagem de Marine Pennetier)
 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

À espera de eleições do Flamengo, Muricy vê desafio em gigante mundial

Técnico Muricy Ramalho está prestes a retornar ao futebol (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Técnico Muricy Ramalho está prestes a retornar ao futebol (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Com Eduardo Bandeira de Mello como favorito, as eleições presidenciais do Flamengo serão realizadas nesta segunda-feira. À espera do resulto do pleito, o técnico Muricy Ramalho já tem um acordo com o atual mandatário e imagina seu futuro no comando do clube.
“Precisamos ter calma, porque existem as eleições. Temos que respeitar todo o mundo e depois podemos falar alguma coisa”, iniciou o técnico na tarde desta segunda-feira, durante a entrega do prêmio Bola de Prata, promovido pela Revista Placar em parceria com a ESPN, em São Paulo.
Com a finalidade de tratar sua saúde, Muricy Ramalho deixou o São Paulo no último mês de abril. No período sem trabalhar, o treinador viajou à Espanha para conhecer a estrutura do Barcelona e aumentou seu repertório para voltar a atuar, provavelmente no Flamengo.
“É um desafio, um gigante do futebol mundial. O clube tem uma gestão muito séria e profissional. Em um futuro próximo, acredito em um time fortíssimo”, afirmou. “Quem não quer dirigir o Flamengo? Com certeza, ganhar no Flamengo deve ser muito diferente”, afirmou.
Seguidas vezes, Muricy Ramalho elogiou os ideais apresentados pela diretoria encabeçada por Eduardo Bandeira de Mello. Sabedor das deficiências estruturais do Flamengo, o treinador confia na possibilidade de contribuir com a evolução do clube.
“É um lugar em que vou poder colaborar, deixar alguma coisa. Nos outros lugares, estava praticamente tudo pronto. Estou indo para um lugar em que posso colaborar com a diretoria, os funcionários, a comissão técnica. O clube está no ponto para dar um giro: ganhar títulos e melhorar a estrutura”, afirmou.
No comando do Fluminense, arquirrival flamenguista, Muricy Ramalho teve passagem de sucesso ao conquistar a edição de 2010 do Campeonato Brasileiro. Cinco anos depois, o experiente treinador se diz pronto para retornar ao Rio de Janeiro, agora de rubro-negro.
“Recebi outros convites muito bons também, até melhores financeiramente. Mas estou em uma fase da minha vida em que quero desafios. Estou pronto para isso e me sentindo bem. As pessoas que estão lá me convenceram de que esse é o caminho de o clube voltar a conquistar e crescer”, disse.