domingo, 6 de dezembro de 2015

Mariana: um mês da tragédia e anos à frente para garantir reparação total Mais de 500 atingidos continuam em hotéis esperando solução definitiva na região Casos no Brasil e exterior mostram demora no ressarcimento ambiental e de vítimas No Brasil, menos de 3% das multas ambientais cobradas são pagas

Captação de água afetada pela lama em Minas. / MARTHA LU
Passado um mês da tragédia em Mariana, considerado um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, dezenas de famílias continuam instaladas em hotéis da região à espera de uma solução, há desconfiança na população sobre a qualidade da águaem vários pontos e não se pode ainda calcular a total dimensão do dano ambiental e econômico do desastre que matou ao menos 11 pessoas, enquanto 8 seguem desaparecidas. Se o cenário após o tsunami de lama pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco é desolador, experiências locais e internacionais não deixam espaço para muito otimismo no médio prazo. Grandes tragédias ambientais recentes obrigaram as empresas responsáveis a pagar elevadas indenizações, que se seguiram de anos de batalha judicial e pressão até que os recursos começassem finalmente a chegar às vítimas e aos trabalhos de reparação de danos.
O desastre de Mariana também deve gerar uma das maiores penalidades financeiras à mineradora cujos donos são a Vale e a australiana BHP. Ainda que a primeira multa anunciada contra a companhia, no valor de 250 milhões de reais (expedida pelo Ibama) pareça irrelevante diante do tamanho da tragédia, essa quantia deve aumentar bastante quando forem somados novas notificações, custos de reparação e indenizações. Além disso, a empresa tem sido alvo de várias ações liminares da Justiça, que obrigam a agir imediatamente, como decisão de que são obrigados a distribuir água potável. Na semana passada, por exemplo, o Governo federal e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo anunciaram que irão processar a mineradora e suas acionistas a arcarem com 20 bilhões de reais para as despesas de recuperação dos danos e revitalização das áreas atingidas pela tragédia.
"Não podemos confundir multa com ressarcimento. Os custos maiores serão pelo ressarcimento de danos às vítimas e com os recursos para a própria recuperação da área afetada. Ainda nem sabemos a proporção exata do desastre, isso será calculado com o tempo", explica Alessandra Magrini, professora do Programa de Planejamento Energético e Ambiental da Coppe/UFRJ.
A professora cita o caso do imenso vazamento de óleo provocado pela explosão de uma plataforma de petróleo da BP no Golfo do México, em 2010, que rendeu um acordo bilionário passados cinco anos da tragédia, para mostrar que os custos da reparação de uma tragédia podem ser elevados. A companhia britânica acordou com a Justiça dos EUA, apenas em outubro último, pagar 20,7 bilhões de dólares a título de multas, recuperação ambiental e ressarcimento às vítimas — a maior multa ambiental da história. Na época, o desastre deixou 11 trabalhadores mortos e derramou milhões de barris de petróleo nas costas de vários Estados por quase três meses.
"Quando se fala de acidentes ambientais é preciso estar atento à composição do material que vazou, o volume, se ele se propagou e quanto tempo vai demorar para aquele ambiente se recuperar. Não podemos nos concentrar apenas no volume", diz. A professora cita o exemplo do vazamento de óleo na Bahia de Guanabara em 2000 que do ponto de vista de quantidade liberada não era tão significativa, mas como aconteceu em uma área onde não havia tanta circulação gerou um impacto relevante naquela área.
A demora para efetivamente pagar as multas no Brasil tem números assustadores. De cada 100 reais em multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) desde 2011 para quem infringiu regras ambientais, menos de três reais entraram nos caixas do Governo federal, segundo dados code um relatório anual do Ibama para o Tribunal de Contas da União (TCU).

Promessa até o Natal

Segundo relatório divulgado pela mineradora Samarco, até sexta-feira, 506 pessoas seguiam alocadas em pousadas e hotéis na região do desastre. O Ministério Público já propôs um termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a mineradora para agilizar o atendimento emergencial das famílias atingidas pela lama. O termo, que é um acordo extrajudicial, tem 21 itens. Um deles inclusive oficializa a obrigação da mineradora em reconstruir a localidade de Bento Rodrigues e diz que os detalhes deverão ser acordados com uma comissão eleita pelos moradores. A Samarco afirmou que irá estudar a proposta e dar uma resposta.
Sobre a hospedagem provisória, representante da Vale, acionista da Samarco, afirmou em evento em Londres, na sexta-feira, que todas as famílias desabrigadas estarão em casas alugadas até o Natal. “Esperamos que até o Natal todas as pessoas estejam vivendo em casas permanentes, deixando os hotéis onde estão hoje", disse o diretor financeiro da companhia, Luciano Siani. Os desabrigados estão recebendo da Samarco um salário mínimo mais 20% para cada dependente, além de uma cesta básica. Porém, os afetados pela tragédia querem mais. De acordo com o promotor Guilherme Meneghin, de Direitos Humanos, os moradores pedem 1.5000 reais, mais 30% por dependente.
A mineradora também fechou acordo com o Ministério Público Federal para garantir, até março de 2016, os salários de 2.686 empregados diretos e a 2.400 terceirizados. A Samarco também vai pagar salário mínimo com acréscimo de dependente a cerca de 11 mil pescadores que dependiam do rio Doce, afetado pela lama.

Outras batalhas judiciais no exterior

As batalhas judiciais, a dificuldade nos acordos e a demora para ressarcir as vitimas não são particularidades brasileiras. A Texaco, que se fundiu com a Chevron em 2001, por exemplo, foi responsabilizada pelo derramamento de 68 bilhões de litros de materiais tóxicos em fossas e rios amazônicos do Equador, mas o embate judicial já dura décadas. A tragédia ambiental aconteceu entre os anos de 1972 e 1992, mas a sentença da Justiça equatoriana que ordenou que a Chevron pagasse uma indenização de 9,5 bilhões de dólares é questionada pela empresa. "Conforme decisão de um Tribunal Federal dos Estados Unidos e de acordo com o parecer do Ministério Público Federal do Brasil, a sentença equatoriana de 9,5 bilhões de dólares contra a Chevron Corporation é produto de fraude e extorsão", contestam.
Ainda de acordo com a empresa, a Texaco gastou em remediação 40 milhões de dólares (cerca de 160 milhões de reais). A queixa contra a petrolífera foi feita por um grupo de equatorianos da região afetada, que alega que a poluição afetou suas colheitas, destruiu áreas florestais, matou animais e provocou um aumento na incidência de câncer na população local.
Passados 26 anos, o desastre do Exxon Valdez, com um navio petroleiro no Alasca, também é outro caso que rende ações de indenização na Justiça. Em1989, o navio Exxon Valdez encalhou nas águas do Alasca, despejando 10,8 milhões de galões de óleo nas águas que se espalharam por cerca de 500 quilômetros, matando milhares de animais. O acidente custou à empresa cerca de 7 bilhões de dólares, sendo que 5 bilhões foi direcionado para a limpeza do mar.

A vergonha da USP - A tese de Caleari sobre revisionismo

Atentado mata governador do Iêmen; Estado Islâmico reivindica ataque Homem-bomba atingiu comboio que levava político. Acompanhantes do governador também morreram em ataque. 06/12/2015 05h11 - Atualizado em 06/12/2015 07h22

Map of Aden, Yemen
Jaafar Mohammed Saad, governador da cidade de Áden, no Iemên, morreu neste domingo (6) em um atentado. Segundo agências, um homem-bomba se explodiu próximo ao comboio que levava o governador para a parte ocidental da cidade.
Segundo a Reuters, o Estado Islâmico reivindicou o ataque.
Pelo menos seis dos acompanhantes do governador também morreram no ataque, que ocorreu quando Saad estava indo para o trabalho, diz a agência. Há outros feridos.
Jaafar Mohammed Saad, um ex-general do exército do antigo sul do Iêmen antes que o estado marxista se fundiu com a norte do Iêmen, em 1990, foi nomeado governador em outubro.
Também em Áden, desconhecidos assassinaram no sábado (5) a tiros o presidente de um tribunal especializado em casos de terrorismo e na organização Al-Qaeda, quando viajava em seu carro.
Estes dois ataques confirmam a deterioração da segurança que afeta a cidade de Áden, escolhida como sede provisória do governo iemenita desde a fuga do presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi da capital Sana em fevereiro passado.

Nada indica que autores do ataque na Califórnia pertençam a grupo terrorista, diz Casa Branca


A Casa Branca afirmou hoje que nada indicia que os autores do ataque de quarta-feira em San Bernardino, Califórnia (EUA), estejam ligados a um grupo terrorista.


"Não há, até agora, nenhuma indicação de que os autores façam parte de um grupo organizado ou de uma célula terrorista", indicou um porta-voz da presidência norte-americana, indicando, porém, que essa pista está a ser considerada pelo FBI nas investigações em curso.
Hoje, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) assegurou no seu espaço radiofónico terem sido dois dos seus seguidores a perpetrar o ataque, em que morreram 14 pessoas.
O anúncio ocorreu horas depois de o diretor assistente do FBI em Los Angeles, David Bowdich, ter informado que o tiroteio está a ser investigado como tendo-se tratado de "um ato de terrorismo" e de vários meios terem revelado que um dos autores tinha ligações ao EI.
A emissora relatou que os alegados seguidores do EI dispararam no interior do centro, causando a morte de 14 pessoas e ferimentos a mais de 20, tendo depois perdido a vida num tiroteio com a polícia.
Os atacantes, Syed Farook e a sua mulher Tashfeen Malik, tinham consigo mais de 1.600 balas e guardavam mais 4.500 em casa: 2.500 para espingardas e 2.000 para pistolas, segundo as autoridades norte-americanas.
Fontes próximas da investigação citadas sexta-feira por vários meios de comunicação dos EUA indicaram que Malik havia jurado lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Bagdadi, numa mensagem no Facebook deixada sob um perfil falso.
Sobre o possível vínculo entre Malik e o EI, Bowdich declarou que o FBI "está ao corrente" e "a investigar" o assunto, embora não o tenha confirmado.
Apesar do anúncio feito hoje no boletim radiofónico de Al Bayan, ouvido no Cairo, não é fácil determinar a existência de coordenação entre Malik e o EI ou se o grupo terrorista estará simplesmente a tentar tirar partido do sucesso do caso, concluiu.
Lusa

Conferência da ONU sobre clima aprova esboço de acordo, mas disputas continuam

PARIS (Reuters) - Representantes de quase 200 países aprovaram um esboço do acordo sobre clima da ONU, neste sábado, depois de quatro anos de trabalho, o que servirá de base para ministros tentarem resolver centenas de pontos de discordância na próxima semana.
"Este texto marca a vontade de todos de alcançar um acordo. Nós não estamos no fim da jornada. Importantes questões políticas ainda precisam ser resolvidas", disse Laurence Tubiana, enviada para questões de clima da França.
Os representantes governamentais assinaram o texto, de 42 páginas, minutos antes do prazo limite, na manhã deste sábado, depois de trabalhar noite adentro.
O texto estabelece opções, que vão de objetivos de longo prazo para reduzir o aquecimento global ao aumento de verbas para ações em países em desenvolvimento, que poderão ser acertadas por ministros nas conversas da semana que vem, que se encerram na sexta-feira.
Muitos países disseram que o esboço, resultado de quatro anos de trabalho desde que o processo foi lançado em Durban em 2011, deixou muitas questões sem ser resolvidas.
"Nós esperávamos que nosso trabalho avançaria mais", afirmou Nozipho Mxakato-Diseko, da África do South Africa, que fala em nome de mais de 130 países em desenvolvimento.
"Nós fazemos um apelo a nossos parceiros para que ouçam nossas preocupações uma vez que trabalhamos juntos para encontrar uma solução."
(Reportagem de Alister Doyle, Bate Felix, Barbara Lewis)
 

Iraque exige retirada de tropas turcas enviadas para o seu território

Governo de Bagda exigiu este sábado que a Turquia retire "imediatamente" as tropas que enviou, alegadamente sem autorização, para a região norte do país, incluindo carros militares e artilharia.
"Temos a confirmação de que forças turcas, nomeadamente um regimento armado com carros militares e artilharia, entraram em território iraquiano, alegadamente para treinar grupos iraquianos, sem pedido ou autorização das autoridades federais", refere um comunicado do gabinete do primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi". "O destacamento desta força é considerado uma violação grave da soberania iraquiana", lê-se ainda no documento, citado pelo "Guardian".
De acordo com os meios de comunicação turcos, cerca de 150 militares, apoiados por 20 a 25 carros militares, foram enviados por terra para a área de Bashiqa, a nordeste de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, controlada pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) desde junho de 2014.
A agência Anatolia informou que os soldados turcos foram enviados para treinar os combatentes curdos pershmerga que, tal como outros grupos armados, tentam recuperar o controlo de Mossul. Um responsável turco, citado pelo "Wall Street Journal", informou que a Turquia esteve a treinar os peshmerga durante algum tempo para eles combaterem o autoproclamado Estado Islâmico e que esta situação "não é nova".
As forças curdas peshmerga têm sido, de entre as restantes milícias, as mais eficazes na luta contra o Daesh. Em novembro deste ano, anunciaram a reconquista da cidade estratégica de Sinjar, no norte do Iraque, tomada pelo Daesh em agosto de 2014.

Barack Obama vai falar à nação sobre luta contra terrorismo LUSA6 de Dezembro de 2015, às 03:01

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai fazer hoje um raro discurso à nação sobre a luta contra o terrorismo, informou a Casa Branca.
Barack Obama vai falar à nação sobre luta contra terrorismo
O discurso, com início marcado para as 20:00 (01:00 de segunda-feira em Lisboa), vai abordar nomeadamente "os passos que o governo está a dar para cumprir a sua prioridade máxima: garantir a segurança do povo norte-americano", indicou a Casa Branca num comunicado divulgado este sábado.
A última vez que Barack Obama se dirigiu à nação a partir da Sala Oval da Casa Branca foi em agosto de 2010 para anunciar o fim da missão de combate no Iraque.
"O Presidente também vai abordar a ameaça do terrorismo, no sentido mais lato do termo, incluindo a sua natureza, a sua evolução e a forma como podemos derrotá-la", detalhou a Casa Branca.
"Ele vai reiterar a sua firme convicção de que o ISIL [outro acrónimo para grupo extremista Estado Islâmico (EI)] será destruído e que os Estados Unidos devem basear-se nos nossos valores -- o nosso inabalável compromisso para com a justiça, igualdade e liberdade -- para superar os grupos terroristas que usam a violência para fazer avançar uma ideologia destrutiva".
A Casa Branca indicou ainda que o Presidente norte-americano vai também "fazer um ponto de situação sobre a investigação em curso relativamente ao trágico ataque em San Bernardino".
Barack Obama declarou no sábado que os Estados Unidos "não ficarão aterrorizados" e renovou o seu apelo por mais medidas apertadas de controlo de armas, referindo-se ao ataque em San Bernardino, no estado da Califórnia, que fez 14 mortos.
Com a forte possibilidade do ataque estar ligado ao terrorismo, nomeadamente inspirado no grupo extremista Estado Islâmico, Obama prometeu que as investigações sobre o caso "vão até ao fundo" de como e porque tal aconteceu.
DM (CSR) // DM
Lusa/Fim