domingo, 6 de dezembro de 2015

O #ForaCunha embaralha o jogo do impeachment nas redes sociais Rejeição a Eduardo Cunha impede polarização imediata tradicional PT e anti-PT Reputação de presidente da Câmara é usada por governistas para enfraquecer movimento

A palavra impeachment está na boca das pessoas desde que a presidenta Dilma Rousseff foi reeleita por uma estreita margem em 2014: 51,64% dos votos ou 3,4 milhões a mais que o candidato tucanoAécio Neves. Desde então, o vocábulo está flutuando na nuvem das redes sociais. Do começo do ano até está semana, contudo, o uso do termo, excetuando picos pontuais, havia arrefecido. Depois de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciar que aceitaria um pedido de impeachment, o assunto explodiu.
A pedido do EL PAIS, Fábio Malini, do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), fez um levantamento de tweets entre 1 e 3 dezembro (até 13h). O resultado é que o termo apareceu 311.874 vezes, mobilizando 11.9753 perfis. Como comparação, entre 1 e 8 de novembro foram cerca de 24 mil ocorrências.
“O que mais chama atenção é que ao analisar a rede de compartilhamentos de tweets, identifiquei diferentes comunidades, o que rompe o frequente binarismo que marca a discussão nas redes sociais sobre política institucional brasileira”, diz Malini. Um bom indicador de que campanhas estão ganhando muita adesão no Twitter é o intenso uso de hashtags. Coisa que não aconteceu até agora. Uma explicação possível para isso é a própria figura de quem aceitou o pedido de impedimento, o presidente da Câmara dos Deputados.
“O personagem Eduardo Cunha passou a ser visto como uma figura política contraditória nas redes”, diz Malini. O fato de Cunha estar envolvido em uma série de escândalos, com seu papel político questionado por colegas, imprensa e sociedade (o Datafolha mostrou recentemente que 81% dos brasileiros são favoráveis ao seu afastamento), fez com que a rede se fragmentasse. Não à toa, até às 13 horas de ontem, a hashtag #foracunha apareceu 6.961 vezes no Twitter, contra 2.959 vezes do #foradilma.
Resultado de imagem para #ForaCunha
O MBL, por exemplo, comemorou o impeachment, mas isso pegou mal, porque fica parecendo que eles estão comemorando uma coisa do Cunha”, comenta Pedro Guadalupe, especialista em marketing político digital que já trabalhou para campanhas do PSDB. A polarização entre Cunha e Dilma, avalia, é interessante para o PT. “Essa polarização não pegou ainda, mas é uma estratégia boa para eles, porque se compararmos um com o outro, a Dilma ganha”, completa. A presidenta e seu Governo, com baixíssima aprovação, já deram todos os sinais de que investirão na estratégia de comparar biografias. Em todos os pronunciamentos desde que Cunha deflagrou o impeachment, Dilma tem atacado o presidente da Câmara. Neste sábado, voltou a fazê-lo durante viagem a Recife.
LABIC
Perspectiva verde
São críticos ao impeachment, relacionando-o à figura de Eduardo Cunha. É uma rede anti-Cunha e não governista.
Perspectiva amarela escuro
São seguidores de perfis da mídia que repercutem a notícia factual, sem expressas opinião.
Perspectiva amarela claro e laranja
São perfis que ecoam descrença em relação ao cenário, publicando sátiras e ironias
Perspectiva vermelha
São perfis contra o impeachment e pró Governo
Perspectiva azul
São perfis a favor do impeachment e contra Governo
Para o sociólogo Sérgio Amadeu, próximo do PT, era natural que a rede reagisse de um lado mais fragmentada e, de outro, contra Cunha. “Em março, com as mobilizações de rua, existiu um momento de calor muito intenso na discussão, em que as pessoas não paravam para refletir. Mas agora, por exemplo, elas veem o Delcídio do Amaral sendo preso e se perguntam o que o Eduardo Cunha ainda está fazendo como Presidente da Câmara”.
Todos concordam que ainda é cedo para fazer avaliações definitivas. O papel das redes daqui para frente ainda é pouco claro, mas as primeiras reações no Twitter já dão um indício de que se Cunha pensou que conseguiria sair do foco das acusações que colocaram seu nome no Conselho de Ética da Câmara, se enganou. O engajamento em torno do impeachment nas redes, no entanto, não é uma variável menor e parte da oposição conta com a mobilização virtual e real para forçar a balança da destituição no Congresso.

Top 10 mais influentes na rede

Perfis
Influência
@dilmabr2479
@lucianagenro2172
@iahgos1939
@pecesiqueira1095
@girlaws889
@gduvivier779
@felipeneto772
@uitraviolarry632
@tumaoficial524
@bchartsbr481
* O cálculo é feito a partir da equação: número de retweets/replies recebidos pelos perfis, divido pelo numero de tweets criados por cada um deles
** Os cálculos foram feitos entre 1 e 3 de dezembro (até 13h).
Para Malini, além do impeachment, outros assuntos têm despertado mais atenção das redes. “Pela primeira vez, além do confronto entre militância governista e oposicionista, ambos usando robôs, emergem comunidades em torno de perfis que satirizam o acontecimento”, avalia Malini. “É um modo de ler o processo como um teatro sem grandes novidades, enquanto a vida ordinária do brasileiro fica à deriva de acontecimentos concretos, comocrise economiatragédia ambiental no Rio Doce e violação de direitos sociais na questão da reorganização das escolas em São Paulo”.
Outra curiosidade apontada por Malini é que os perfis ligados aos protestos do início de 2015, como VemPraRuaBR e RevoltadosOnline, não aparecem na lista dos mais influentes quando o assunto é impeachment. Para Amadeu, esses grupos não terão a mesma facilidade de mobilizar pessoas para rua —eles convocam nova manifestação para o domingo 13. “Hoje, São Paulo, que foi o centro das mobilizações pró-impeachment, vive um período de instabilidade com a questão das escolas, acho difícil que eles consigam organizar um discurso nas redes nesse momento”, comenta, fazendo a ressalva de que qualquer prognóstico é muito imprevisível, ainda mais porque a leitura de dados feita pelo Labic trata, por enquanto, apenas do Twitter.
“Recentemente o Facebook mudou sua API e ficou muito difícil para avaliar o que é publicado na rede social”, diz Amadeu. E no Facebook, rede usada por 60% dos brasileiros com acesso a internet, a palavra impeachment, organizadora das manifestações do começo do ano, pode estar tendo outro tipo de adesão. “Na campanha de 2014, por exemplo, os militantes do PT eram mais fortes no Twitter e perdiam no Facebook”, comenta o sociólogo. A única certeza é que o presidente da Câmara aceitou o pedido de impeachment em seu pior momento nas redes sociais. O #foracunha já tinha sido viralizado pelos movimentos feministas e agora pode crescer ainda mais: com ou sem o apoio ao impeachment da presidenta.

Venezuela elege parlamento neste domingo com chavismo em xeque Oposição aparece com vantagem em pesquisas. Assembleia Nacional é controlada por socialismo boliviariano há 16 anos.

Funcionário do Conselho Eleitoral Nacional configura máquina de votação em frente a mural com a figura do ex-presidente Hugo Chávez em escola de Caracas (Foto:  REUTERS/Marco Bello )Funcionário do Conselho Eleitoral Nacional configura máquina de votação em frente a mural com a figura do ex-presidente Hugo Chávez em escola de Caracas (Foto: REUTERS/Marco Bello )
Uma Venezuela polarizada vai às urnas neste domingo (6) para eleger por um período de cinco anos os 167 legisladores da Assembleia Nacional, controlada pelo socialismo boliviariano iniciado pelo já falecido ex-presidente Hugo Chávez em 1999. No total, 19,5 milhões de venezuelanos estão convocados às urnas.

Com uma revolta popular com a escassez que vai dos alimentos aos remédios, e com uma das piores inflações do mundo, pesquisas apontam que o governo socialista sob comando de Nicolás Maduro pode perder vantagem.
Uma derrota do chavismo na eleição de domingo daria à oposição uma grande plataforma para combater Maduro e seria mais um golpe na esquerda da América Latina, após a guinada à direita da Argentina representada pela vitória de Mauricio Macri no pleito presidencial do mês passado.A recessão avassaladora deve abalar o partido governista Socialista Unido de Venezuela (PSUV) e levar uma oposição empolgada à sua primeira maioria legislativa em 16 anos. A Mesa da Unidade Democrática, da oposição, aparece como favorita nas pesquisas, com uma vantagem de entre 14 e 35 pontos, mas Maduro afirma ter o voto "fiel" de 40% dos eleitores.
Pessoas fazem fila nesta sexta-feira (4) em mercado popular de Caracas para comprar comida (Foto: AFP PHOTO / LUIS ROBAYO)Pessoas fazem fila nesta sexta-feira (4) em mercado popular de Caracas para comprar comida (Foto: AFP PHOTO / LUIS ROBAYO)
Se a coalizão opositora obtiver a maioria dos 167 assentos da Assembleia Nacional venezuelana, irá alimentar a esperança de reduzir a hegemonia dos socialistas e enfrentar o que considera a má administração, a corrupção e o autoritarismo dos 17 anos de chavismo.
Isso pode levar a um confronto, dados os poderes executivos do combativo Maduro e a inclinação pró-governo de instituições que vão do Supremo Tribunal ao Banco Central.
Lealdade a Chávez
Após uma véspera de eleição acalorada, marcada por insultos e pelo assassinato de um candidato oposicionista, Maduro encerrou sua campanha nesta quinta-feira com um comício de rua, enquanto a oposição realizava um show no rico leste de Caracas.
O presidente Nicolás Maduro faz comício nesta quinta-feira (3) para encerrar campanha por legisladores chavistas nas eleições (Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)O presidente Nicolás Maduro faz comício nesta quinta-feira (3) para encerrar campanha por legisladores chavistas nas eleições (Foto: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)
Maduro alertou os venezuelanos a não traírem Chávez votando no que tachou como uma panelinha elitista apoiada pelos Estados Unidos que aboliria os programas sociais. "Peço ao povo a maior lealdade com o legado de Hugo Chávez", disse o presidente.

A eleição, percebida pela oposição como uma oportunidade para mudar o atual modelo político e econômico da Venezuela, foi descrita por Maduro como "uma decisão entre dois modelos: o da pátria rebelde, pura, bolivariana e chavista; e o modelo de anti-pátria entreguista, ianque e corrompida pela direita".
"Imaginem se eles dominassem a Assembleia Nacional. Eu não o permitiria, juro, não deixaria minhas mãos serem atadas por ninguém. Iria às ruas com o povo", bradou nesta semana.
O ex-motorista de ônibus e líder sindical eleito em 2013, após a morte de Chávez em decorrência de um câncer, tem marcado presença na televisão estatal todos os dias se mostrando em comícios por toda a Venezuela.

Otimismo
A oposição venezuelana encerrou sua campanha pedindo o voto pela "mudança", mas advertindo que não se deve cantar vitória antes dos resultados oficiais.
Apoiadores do partido de oposição MUD participam do encerramento da campanha eleitoral nesta quinta-feira (3) em Caracas (Foto: AFP PHOTO/FEDERICO PARRA)Apoiadores do partido de oposição MUD participam do encerramento da campanha eleitoral nesta quinta-feira (3) em Caracas (Foto: AFP PHOTO/FEDERICO PARRA)
"Temos todas as razões do mundo para estar otimistas (...) mas não deve haver margem para o triunfalismo. Aqui, até que tenhamos os resultados, ninguém se move dos centros eleitorais" - disse Jesús Torrealba, secretário da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) em um comício no leste de Caracas.

Diante de cerca de 2 mil pessoas, Torrealba afirmou que as eleições legislativas serão uma luta do "David do povo" contra "o Golias da corrupção, do dinheiro e do abuso de poder".

Nesta quinta-feira, o ex-candidato opositor à presidência e líder da ala moderada da opsoição Henrique Capriles estimou que as eleições legislativas serão uma "válvula de escape" para que na Venezuela não haja uma "explosão social".
Henrique Capriles fala durante protesto contra o governo em Caracas, no último dia 22 (Foto: Juan Barreto/AFP)Henrique Capriles, em imagem de arquivo
(Foto: Juan Barreto/AFP)
"Estamos vendo nesta eleição uma oportunidade para que neste país não haja uma explosão social, para que os venezuelanos falem com seu voto, obriguem a Venezuela a mudar de rumo" para não se tornar um "estado falido", disse Capriles à agência France Presse.
O líder opositor destacou que a MUD não apoiará, por qualquer motivo, manifestações violentas como as que ocorreram entre fevereiro e maio de 2014, que exigiam a renúncia de Maduro e deixaram 43 mortos.

Os opositores já avisaram que, se conseguirem a maioria dos assentos na Assembleia, fiscalizarão os ministros e destituirão funcionários supostamente nomeados de maneira irregular. Além disso, promoverão uma lei de anistia e reconciliação para libertar os que chamam de "presos políticos", entre eles López e o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

Temor de fraude
A oposição também deixou clara a desconfiança em relação ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e sobre uma possível fraude eleitoral, o que acredita que só pode ser combatida com "uma avalanche de votos".
Propaganda chavista para eleições legislativas é vista nas ruas de Caracas, na Venezuela (Foto: AFP PHOTO / LUIS ROBAYO)Propaganda chavista para eleições legislativas é vista nas ruas de Caracas, na Venezuela (Foto: AFP PHOTO / LUIS ROBAYO)
O economista e candidato opositor José Guerra admitiu que o "sistema eleitoral" é confiável, mas não os "árbitros", em alusão ao Conselho.
Neste contexto, a Unasul, com o ex-presidente dominicano Leonel Fernández como mediador, propôs que o governo venzuelano e a oposição assinassem um documento em que se comprometiam a aceitar os resultados eleitorais, mas os anti-chavistas não concordaram.
A pedido da opsição, uma comitiva de ex-presidentes da América Latina. O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira que acompanhará com atenção a etapa final da campanha e a apuração das eleições legislativas do próximo domingo na Venezuela e que, para isso, designou  o embaixador Mena Gonçalves na missão de acompanhamento enviada pela Unasul ao país.

Assassinato de oposicionista
assassinato do oposicionista Luis Manuel Díaz, assim como outros incidentes de violência denunciados pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), recuou a oposição a lugares fechados e protegidos na reta final da campanha.
Díaz era dirigente local da Ação Democrática (integrante da MUD) e morreu a tiros ao concluir um comício. O incidente foi um ponto de inflexão na campanha, pois a oposição responsabilizou o governo pelo crime.
Lilian Tintori, esposa do preso Leopoldo López e imagem mais midiática da oposição nesta campanha, estava presente no ato e denunciou que os criminosos tinham como objetivo matá-la.
Lilian Tintori, mulher do líder da oposição Leopoldo López, centro, durante manifestação no município de Chacao (Foto: Fernando Llano / AP Photo)Lilian Tintori, mulher do líder da oposição Leopoldo López, centro, durante manifestação no município de Chacao (Foto: Fernando Llano / AP Photo)

sábado, 5 de dezembro de 2015

MARIANA GODOY ENTREVISTA Ciro Gomes diz que Temer é 'capitão do golpe' e anuncia: 'Se ele assumir quem entra com impeachment sou eu'

Publicada: 04/12/2015 - 23h03 
Redação/RedeTV!
O político Ciro Gomes foi o convidado do "Mariana Godoy Entrevista" desta sexta-feira (4). O político fez duras críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e ao vice-presidente do Brasil Michel Temer, a quem classificou como "capitão do golpe" contra a presidente Dilma Rousseff.
Ciro disse que não pensa em lançar uma candidatura pelo estado de São Paulo. "Os paulistas têm bons representantes para isso", afirmou. "Minha vida partidária é uma tragédia", afirmou Ciro ao comentar suas filiações a sete partidos diferentes. "Se eu mudei de partido, eu nunca respondi a um inquérito sequer", defendeu-se.
"Ele jamais poderia ter sido eleito", disse Ciro Gomes sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ciro contou que já havia denunciado Cunha antes, o chamando de "ladrão" na Câmara, e foi processado por disso e, posteriormente, absolvido. "E quero lembrar uma coisa: ele chamou como testemunha dele o Michel Temer", disse o ex-ministro.
O político disse que o povo tem "que fazer o esforço de separar o joio do tigro" quando falou a respeito da 'má fama' da política no cenário atual. "Democracia é um regime de conquista, de cidadania, você não pode ser leviano, tem que fazer um esforço na hora de votar", afirmou. 
Ciro disse que um impeachment pode "enfraquecer ou fortalecer um país" e citou o exemplo da saída do ex-presidente Fernando Collor como uma situação positiva que o impeachment trouxe. Entretanto, classificou o atual pedido como "um golpe puro e simples". O político classificou Eduardo Cunha como "ladrão" e categorizou a decisão de instalar o processo de impeachment como "política". "O governo errou pois 'bailou' com esse cidadão [Eduardo Cunha] que não deveria ter bailado", definiu.
O politico disse que acredita que Dilma Rousseff é uma pessoa "honrada" e afirmou que "impeachment não é remédio para um governo ruim". "Ele [Cunha] viu nessa possibilidade de derrubar a Dilma a chance de salvar o mandato dele". "Se não fosse a tragédia, eu diria 'bem feito'. Cansei de dizer pro Lula, pra Dilma, pros meus companheiros, que não é responsável colocar o PMDB na linha de sucessão". Ciro garantiu que Michel Temer seria "o capitão do golpe" e que Temer não será presidente: "Se ele assumir, no primeiro dia quem vai entrar com pedido de impeachment sou eu".
Ciros Gomes disse que Helio Bicudo e Miguel Reale, juristas que protocolaram o pedido de impeachment, não podem ser chamados de juristas: "Bicudo não está no seu melhor momento e Reale foi ex-ministro de Fernando Henrique".
Sobre a fala de Eduardo Cunha no "Mariana Godoy Entrevista" em maio, quando se disse contra o impeachment e que "o Brasil não é uma 'republiqueta'", Ciro disse: "Acredito que o Judiciário vai mandar este senhor para a cadeia. Temos que esperar. Só para provar que o Brasil não é uma 'republiqueta'".
Ciro gomes fez profecia se Dilma sair do poder: "Haverá 20 anos de recessão" e citou o exemplo da Venezuela, que depôs um presidente e se vê hoje em um momento péssimo político, econômico e social.
Perguntado sobre o que Dilma deve fazer para "dar a volta por cima", Ciro disse: "Manda ela tomar um conjunto de providências comprometidas com o futuro do país, que ela vai ver se não arruma um monte de empresários para ajudar". O político disse que a presidente está cercada de "inimigos" e com uma "equipe péssima". 
Ciro aproveitou para analisar a situação do ex-presidente Lula: "Não sei o que tá acontecendo com o Lula, ele não se poupa". "O Lula tá cometendo um gravíssimo erro que é essa tutela em cima da Dilma", analisou.
O político disse que a "maquiagem" das contas do governo não poderia ser classificado como um crime de responsabilidade fiscal, pois não existem procedentes para esse tipo de caso. 
"Ninguém tem ideia do que é desumano ser candidato a presidente do Brasil não sendo 'mainstream", disse o político, reafirmando que não tem intenções de se candidatar ao cargo novamente.
"E de repente eu virei o novo Collor, porque eu comecei a falar coisas. Porque você fala da economia do país (…) Mas hoje, o grande gasto 'fora da curva' é juro para bancos. Infelizmente eles dão as cartas no país".
Questionando novamente por Mariana se não pretende realmente voltar para a vida política, Ciro disse: "Eu não pretendo ser, mas acho que vou sim".
Outro convidado de Mariana Godoy foi o ex-jogador de futebol Raí. O atleta, que brilhou no São Paulo, no PSG e na seleção brasileira falou sobre política e, claro, sobre futebol.
O ídolo são-paulino falou sobre a lendária seleção de 1982, treinada por Telê Santana, que mesmo sem vencer a Copa da Espanha encantou o mundo. "Essa seleção é inesquecível pra quem pôde acompanhar", recorda.
Raí falou sobre o irmão, o também lendário jogador Sócrates, que fez história no Corinthians e na seleção brasileira, não somente por ser um craque da bola, mas também por ser um cidadão com intensa influência política sobre o país. 
Raí confirmou fato que todos sempre souberam. "Sócrates era santista, mas obviamente se identificou tanto com o Corinthians e virou corintiano de coração". Já o ex-idolo do São Paulo declarou seu amor ao seu time de infância, o Botafogo de Ribeirão Preto, mas garantiu que depois virou, também, um são-paulino.
Indiscutivelmente uma celebridade nos tempos de atleta, Raí confessou a satisfação por ter conhecido várias crianças que ganharam o seu nome: "é a maior homenagem que existe para uma pessoa pública".
Tanto Raí como Sócrates tiveram uma importância imensa para a seleção brasileira e o irmão mais novo se recorda das comparações com o então consagrado craque corintiano: "difícil ter essa comparação, era como se fosse o irmão do Neymar começar a jogar no Santos".
Ao comparar a situação do Brasil com a crise na Fifa e na CBF, Raí foi enfático: "futebol é pior ainda, montou-se uma máfia global". O ex-atleta afirmou que não se vê trabalhando como 'cartola' e se colocou em outro papel: "posso participar de movimento, não me vejo como dirigente".
Raí falou, ainda, que "não existe um salvador da pátria" para o futebol e afirmou que, no geral, "todo mundo é um ser político, mas poucos participam", em clara alusão à falta de atletas e ex-atletas do esporte nos processos decisórios das entidades que mandam no futebol.
O ex-jogador se recordou de quando foi avisado pelo então repórter esportivo José Luiz Datena de que havia sido convocado pela primeira vez para a seleção brasileira.
Um cidadão do mundo, ele declarou, ainda, seu amor pela cidade europeia onde fez tanto sucesso: "minha história com Paris é eterna". Na Inglaterra, Raí se deu conta de uma grande paixão: "tudo o que eu gostava tinha a influência dos Beatles".
Para finalizar, o astro do futebol brasileiro se recordou que, em razão da desorganização em que se encontrava o São Paulo à época de sua aposentadoria, acabou ganhando uma partida de despedida somente na França. 

05/12/2015 17h09 - Atualizado em 05/12/2015 20h00 Emoção e aplausos marcam sepultamento de Marília Pêra no Rio Atriz morreu de câncer do pulmão neste sábado. Velório no Teatro Leblon reuniu amigos e fãs.


Foi com muita emoção, aplausos e palavras de admiração e carinho de amigos, parentes e muitos fãs que o corpo da atriz Marília Pêra foi sepultado na tarde deste sábado (5), Cemitério São João Batista, em Botafogo.O cortejo do caixão até o túmulo foi seguido apenas pela família e pelos amigos.
O corpo da atriz foi velado horas antes na sala que leva seu nome, do Teatro Leblon, na Zona Sul do Rio, onde artistas deram depoimentos emocionados sobre a atriz. fechado no início, o velório acabou sendo aberto para que os fãs pudessem prestar a última homenagem.
No cemitério, Sandra Pêra, irmã da atriz, recebeu abraços da atriz Renata Sorrah, muito emocionada. Nélson Motta, que foi casado com Marília, também esteve presente, assim como a atriz Xuxa Lopes.
Renata Sorrah é confortada no sepultamento de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)Renata Sorrah é confortada no sepultamento de
Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Marília Pêra morreu às 6h deste sábado, em casa, em Ipanema, Zona Sul do Rio. A atriz lutava havia dois anos contra um câncer de pulmão. Ela era uma das artistas mais completas do Brasil: além de interpretar, era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa - leia aqui o perfil completo da atriz.
Maitê Proença conversa com Maria padilha no sepultamento de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)Maitê Proença conversa com Maria Padilha no
sepultamento de Marília Pêra
(Foto: Cristina Boeckel/G1)
Antes da chegada do corpo ao Teatro Leblon, no local já estavam muitos amigos da atriz. E também era grande o número de coroas de flores. Miguel Falabella, que atuava com Marília no seriado "Pé na cova", falou com muita emoção sobre a amiga.
"Ela gravava sentava, mas ela ainda estava ali, fazendo planos para o futuro. A gente não quer creditar que isso vá acontecer. Ela se queixava de cansaço ao subir a escada, mas por um tempo eu não sabia o que era. Eu aprendia com ela, não contracenava com ela, eu aprendia com ela. Ia ter aula", disse.
Fãs colocam flores no túmulo de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)Fãs colocam flores no túmulo de Marília Pêra
(Foto: Cristina Boeckel/G1)
A atriz Cássia Kiss chegou cedo ao local do velório: "Vou regar as flores delas com minhas lágrimas", disse emocionada
"Perdi uma companheira, uma amiga. Uma atriz que era uma estrela, que podia se apresentar em qualquer palco do mundo. Uma pessoa maravilhosa que continuou trabalhando até sempre", afirmou Arlete Salles.
Nina, a filha caçula de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)Nina, a filha caçula de Marília Pêra
(Foto: Cristina Boeckel/G1)
Outra que estava muito emocionada era Luma Costa, companheira de elenco de Marília em "Pé na cova".
"Marília foi minha maior inspiração, minha diva. Ela deixa um legado para os novos atores como nós", disse Luma.
O ator Murilo Rosa, que estava subindo a serra com a família, desceu para prestar a última homenagem.
"Trabalhei com ela em 97 e 98, quando estava começando. É uma pessoa excepcional. Marília se foi deixando muita coisa para a gente", disse.
Marília Pêra morreu às 6h deste sábado (5), no Rio, aos 72 anos. A atriz, que lutava contra um câncer havia 2 anos, morreu em casa, ao lado da família. Ela deixa os filhos Ricardo Graça Mello, Esperança Motta e Nina Morena e o marido Bruno Faria. 
A irmã de Marília, Sandra, estava muito emocionada: "Ela me ensinou o amor. Não quero falar, porque estou sofrendo".
Isabelita dos Patins falou de Marília com carinho e gratidão:

"Marília era meu anjo da guarda. Tive tive um infarto e ela foi a primeira pessoa a me visitar. Ela me ajudou com R$ 5 mil por mês durante muito tempo. A gente perde uma grande dama do teatro, do cinema, uma mulher completa. Como ela me ajudou, depois nos encontramos no teatro. Dei para ela um anel da Carmen Miranda", disse.
Família e amigos acompanham o caixão de Marília Pêra até o local do sepultamento (Foto: Cristina Boeckel/G1)Família e amigos acompanham o caixão de Marília Pêra até o local do sepultamento (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Placa com dedicatória de Marília para a inauguração da sala (Foto: Cristina Boeckel/G1)Placa com dedicatória de Marília para a inauguração da sala (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Coroa de flores no velório de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)Coroa de flores no velório de Marília Pêra (Foto: Cristina Boeckel/G1)
Marília Soares Pêra nasceu em 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio. Sua primeira entrada em cena aconteceu quando ainda era bebê, fazendo figuração numa peça, informa seu perfil no Memória Globo. Aos quatro anos de idade, ela atuou com os pais no espetáculo “Medeia”. Sua irmã mais nova, Sandra Pêra, também é atriz e cantora.
Linha do tempo da carreira de Marília Pêra (Foto: Editoria de Arte/G1)
Entre os 14 e os 21 anos, Marília atuou como bailarina em musicais. Quando tinha 18, viajou por Brasil e Portugal com a peça “Society em baby-doll”. Outro destaque foi “Como vencer na vida sem fazer força”, trabalhando ao lado de Procópio Ferreira, Moacyr Franco e Berta Loran.
Em 1965, Marília foi contratada pelo diretor Abdon Torres para integrar o elenco inicial da TV Globo. Nessa época, fez o papel principal das novelas “Rosinha do sobrado”, “Padre Tião” e “A moreninha”.
Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.
O retorno às novelas da Globo aconteceu apenas em “Brega & Chique” (1987). Na pele de Rafaela, fez bastante sucesso por sua parceria com Marco Nanini. Anos depois, Marília diria que essa foi a novela que mais gostou de fazer. Ela voltaria a interpretar Rafaela no remake de “Ti-Ti-Ti” (2011), escrito por Maria Adelaide Amaral.
Entre os trabalhos favoritos na TV, no entanto, Marília escolhia duas minisséries: “O primo Basílio” (1988), em que interpretou a vilã Juliana, e “Os Maias” (2001), em que interpretou Maria Monforte.  Na minissérie “JK", fez a ex-primeira dama do Brasil Sarah Kubitschek.
Já na década de 1990, Marília atuou nas novelas “Lua cheia de amor” (1991) e “Meu bem querer” (1998). Outros trabalhos mais recentes foram em “Começar de novo” (2004); “Cobras & Lagartos” (2006), como a falida, mas ambiciosa, Milu; “Duas caras” (2007), como a alienada Gioconda.
Antes de “Pé na cova”, a amizade com Miguel Falabella já havia rendido papéis no seriado “A vida alheia” (2010), no filme “Polaroides urbanos” (2008) e na novela “Aquele beijo” (2011), todos escritos por ele.
Ao longo de uma carreira que durou praticamente toda sua vida, Marília Pêra destacou-se ainda no cinema. Estrelou filmes como “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), “Bar Esperança” (1983), “Tieta do agreste” (1995) e “Central do Brasil” (1996) e “O viajante” (1998).
No teatro, ganhou duas vezes o Prêmio Molière: em 1974, por “Apareceu a Margarida”, e em 1984, por “Brincando em cima daquilo”. Como diretora, esteve por trás de uma das peças de maior sucesso do país, Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.
Além disso, nos palcos interpretou Carmen Miranda em diversas ocasiões – “O teu cabelo não nega” (1963), “A pequena notável” (1966), “A tribute to Carmen Miranda” (1975), apresentada em Nova York, “A Pêra da Carmem” (1986 e 1995) e “Marília Pêra canta Carmen Miranda” (2005). Outras estrelas vividas por Marília foram Dalva de Oliveira, no musical “A estrela Dalva” (1987); Maria Callas, na peça “Master Class” (1996) e a estilista “Coco Chanel”, na peça “Mademoiselle Chanel” (2004).
Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)

Pregão para contratação de empresas especializadas no fornecimento de alimentação hospitalar é suspenso Empresa entrou com pedido no TCDF alegando omissão dos custos do serviço. Secretaria de Saúde afirma que adequará as exigências conforme orientações do tribunal e reabrirá o certame em até 10 dias



O pregão para contratação de empresas especializadas no fornecimento de alimentação hospitalar foi suspenso no DF, segundo informou a Secretaria de Saúde na sexta-feira (4/12) — data prevista para a abertura das propostas. A empresa JPL Alimentação de Serviços Ltda entrou com pedido cautelar no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) alegando omissão dos custos do serviço, razão pela qual solicitou a suspensão do certame.

O TCDF acatou as argumentações da empresa e a decisão deve ser publicada no Diário Oficial do DF na próxima segunda-feira (7). Atualmente, a Sanoli é responsável pela distribuição de alimentação em 17 hospitais da capital, seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e 20 Centro de Atenção Psicossocial (CAPs).
A empresa domina o mercado no DF há mais de 15 anos. Segue prestando serviço para a rede pública às custas de sucessivos contratos emergenciais desde 2008, renovados a cada seis meses. Em 2014, a Sanoli recebeu R$ 116.440.151,94 do Governo do Distrito Federal. Este ano, R$ 102.500.099,27 já foram repassados até a última segunda-feira (30/11). Em julho deste ano, a empresa suspendeu os serviços com a alegação de que o governo devia cerca de R$ 12,5 milhões a fornecedoras.
Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que “vai adequar as exigências conforme orientações do TCDF e reabrirá o certame para a fase de lances”. O prazo para que isso ocorra é de até 10 dias.
EditalA pasta publicou no Diário Oficial do DF do último dia 19 um aviso de licitação para contratar empresas especializadas no fornecimento de alimentação hospitalar. Pela primeira vez, a licitação seria dividida em lotes, dando possibilidade de concorrência a empresas prestadoras do serviço.
O teto máximo de contratação, somando-se os 13 lotes, seria de R$ 17.129.160,41 mensais. Venceria a empresa que oferecesse o menor valor, ofertando os serviços descritos pela pasta.