segunda-feira, 6 de julho de 2015

CONVENÇÃO DO PSDB PSDB reelege Aécio Neves e defende nova eleição e parlamentarismo Discurso de “unidade” valerá até as eleições municiais de 2016 FHC: "A responsabilidade das oposições"

Aécio Neves durante a convenção do PSDB em Brasília. / IGO ESTRELA
O senador Aécio Neves foi reeleito neste domingo (5) para um novo mandato de dois anos à frente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), pelo qual disputou a Presidência da República em 2014. Ele tem como meta se firmar como líder da oposição ao enfraquecido governo Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), mas terá de vencer uma disputa interna para voltar a concorrer pelo cargo mais alto do Brasil.
A recondução de Aécio ao comando do PSDB ocorreu em convenção realizada em Brasília, onde líderes de oposição fizeram discursos inflamados contra Dilma Rousseff e o PT.
Ao final do encontro, o PSDB não apresentou uma proposta unida para a crise política vivida no Brasil, desde que denúncias de corrupção na Petrobras enfraqueceram Dilma. Entre os tucanos houve os que defendessem a convocação de novas eleições, a partir da impugnação da vitória obtida por Dilma em 2014. Houve também sugestão para que o país adote o Parlamentarismo como modelo político.
A divisão do PSDB acontece no momento no qual Dilma se mostra mais combalida por denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras e as maiores construtoras do país para irrigar o caixa de campanha do PT. Ela enfrenta ainda processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apura se houve recebimento de dinheiro ilegal na campanha de 2014.
O PSDB afirma que estuda o cenário para decidir qual será a posição final do partido. “Hoje grande parte do Brasil espera a nossa posição. Por isso, ela será responsável”, afirmou Aécio em seu discurso.Outra ofensiva contra a presidente Dilma está no Tribunal de Contas da União (TCU), responsável por julgar as despesas do governo. O descontrole fiscal pode levar a uma condenação. Isso pode acabar na abertura de um processo de impeachment de Dilma como consequência das chamadas “pedaladas fiscais”, como é chamado o uso dos bancos públicos para cobrir despesas do Governo.
Nos bastidores, contudo, a avaliação é de que a rota de colisão do PSDB com o Governo Dilma envolve o principal desafio de Aécio: conciliar a disputa interna de seu partido para as eleições de 2018.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, se apresenta como pré-candidato à Presidência e deverá disputar a indicação do PSDB ao Palácio do Planalto. O senador José Serra (PSDB-SP), que já perdeu duas disputas presidenciais, corre por fora como terceiro postulante. Ele defendeu a adoção do Parlamentarismo “a partir das eleições de 2018”, o que significa que não apoiaria a derrubada de Dilma e a convocação de novas eleições ainda em 2015. “Eu quero fazer uma proposta ao partido para que discutamos o Parlamentarismo”, disse.
Já Aécio, que perdeu a eleição para Dilma no ano passado por uma apertada margem de votos, ao receber 51 milhões de confirmações nas urnas, confia nesse recall para se manter na dianteira da preferência do partido. O primeiro passo para isso foi costurar um acordo com Alckmin e Serra para que todos se afinassem o discurso de “unidade” entre os tucanos. O acordo vale até as eleições municiais de 2016. Depois disso, a concorrência interna deve ganhar corpo.

Reestruturação tucana

Apesar do acordo, Aécio já fez uma manobra para vencer seus colegas de partido ao mudar o estatuto do PSDB. Em um anúncio tumultuado, feito por um locutor que animava os militantes reunidos no local da convenção em Brasília, a mudança estatutária foi apresentada sem detalhes.
Entre as mudanças está uma que permite mais integrantes com poder de voto na direção do partido, o que é importante para Aécio angariar os apoios necessários à sua indicação no caso de o PSDB realizar uma convenção para escolher o nome que disputará 2018.
Para isso, a Executiva Nacional do partido foi aberta a segmentos com os quais Aécio dialoga melhor que Alckmin e Serra: jovens, mulheres, afrodescendentes e sindicalistas.
Esses setores tinham até agora uma participação marginal na estrutura do PSDB, limitados a discussões em grupos de trabalho sem poder de decisão e, a partir da alteração no estatuto, passarão a votar na Executiva.
O deputado federal Antônio Imbassahy, primeiro secretário da Executiva Nacional, minimizou as alterações do estatuto, afirmando que “a estrutura permanece a mesma”. Ele também informou ao EL PAÍS que há a intenção de mudar alguns delegados partidários, que são responsáveis por eleger o presidente do PSDB.
Delegados do PSDB ouvidos pela reportagem apontam que o presidenciável tucano será decido apenas em 2018, mas não descartam a indicação de Alckmin. Desde 2002, após oito anos de governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, marcado pelo controle da inflação e a estabilidade econômica, o PSDB faz um rodízio de postulantes ao Planalto. O próprio Alckmin já concorreu, em 2006, quando o ex-presidente Lula foi reeleito.
Uma nova composição de delegados pode ser essencial para Aécio. O mandato para o qual foi conduzido hoje termina em 2017, antes da definição da chapa que disputará o Planalto. Ele pode consolidar um sucessor no comando do PSDB com mais delegados próximos ao seu projeto de poder.
Apesar da movimentação de Aécio por mais controle do partido, os tucanos se esforçaram para dizer que há “unidade” diante da divisão entre os que defendem Alckmin, Serra ou Aécio. “Temos a semente da mudança que o Brasil precisa e temos de pregar unidade, unidade, unidade”, disse o deputado Marcos Pestana (PSDB-MG), integrante do grupo aecista.
O senador Cyro Miranda (PSDB-GO), um dos vice-presidentes do partido, reconhece a disputa entre Alckmin e Aécio, mas nega que haja um “racha” na sigla. “O Alckmin coloca o nome dele, mas sem nenhum tipo de pressão. Vai ter divisão, mas nada de ficar rachado. Vamos trabalhar pela unidade”, afirmou ao EL PAÍS.
A militância também se divide sobre quem deve ser o postulante tucano à Presidência. A dona de casa Lúcia Vieira, de 51 anos, viajou por 12 horas de ônibus de Divinópolis, no interior do Estado de Minas Gerais, até Brasília. Ela chegou à capital brasileira para dizer que “é hora do Aécio e não do Alckmin” e que “não tem outro candidato” mais preparado que o senador.

Impeachment

Fora do campo interno do PSDB, Aécio terá pela frente também a missão de liderar a oposição diante do avanço do PMDB. Embora integre a base de apoio do Governo, ocupando inclusive a vice-presidência do Brasil com Michel Temer, o PMDB se rebelou contra o Planalto.
Ocupante da maior bancada na Câmara e no Senado, nas quais ocupa a presidência dos trabalhos do Legislativo, o PMDB realiza uma série de ações contrárias à orientação dada por uma enfraquecida Dilma Rousseff.
Nos últimos dias circulou o boato de que integrantes do alto comissariado do PMDB procuraram Aécio para costurar uma aliança para derrubar Dilma. Os rebeldes pretende colocar o vice, Michel Temer, na chefia do país.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou ontem pelo Twitter que esteja costurando a derrubada de Dilma e chamou os boatos de “fofoca”. “Nunca conversei com Aécio sobre cenários futuros de crise”, disse.
Cunha ocupa a terceira posição na escala de sucessão presidencial. Ou seja, caso a chapa de Dilma seja impugnada pela Justiça Eleitoral, ela e Temer deixam o governo, com o presidente da Câmara podendo assumir por 90 dias até que sejam realizadas novas eleições.
Aécio também negou conversas com Cunha, afirmando que o PSDB “não é um partido golpista” e que um possível afastamento da presidente será por decisão do TSE ou do TCU. “É preciso que a presidente tome as rédeas [do país], se é que ela tem poder para isso, senão será antecipada a campanha de 2018”, disse, referindo-se à convocação de eleições em caso de vacância de poder.
Já o senador Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado, defendeu a impugnação da chapa de Dilma pela Justiça Eleitoral para que ela e Temer deixem o governo. “Defendo que o PSDB apoie abertamente a convocação de novas eleições”, sugeriu.

Especialista diz que Rollemberg não se estabeleceu entre forças políticas Governador Rodrigo Rollemberg completa seis meses de gestão, mas se ressente do poder do PSB regionalmente

Carlos Moura/CB/D.A Press

Filiado ao PSB há 35 anos, o governador Rodrigo Rollemberg chegou ao topo da política local, mas o partido não acompanhou a evolução. Com baixo número de filiados — 5,7mil —, a sigla não tem deputado distrital. Também não exerce influência sobre nenhuma categoria, sindicato ou segmento da sociedade. Nesses seis primeiros meses de governo, a baixa capilaridade do projeto socialista no DF, a ausência de interlocutores com a comunidade e a frágil base na Câmara Legislativa ajudaram a desgastar o Executivo local. Sem uma militância forte que o defenda em esquinas, bares e rodas de conversa, as dificuldades de Rollemberg para tocar a gestão e convencer a população das medidas que considera necessárias atrapalham o andamento do GDF.

Em julho, com a Câmara de recesso, ele esperava ter uma trégua na crise política e na relação com o parlamento. Os distritais, no entanto, saíram de férias e deixaram o governador em uma situação complicada. Os 54 projetos aprovados a toque de caixa no último dia de trabalho da Casa estão na mesa do socialista, que tem poder de vetar ou sancionar as propostas. Se vetar, ele compra briga com deputados, de quem depende para aprovar medidas “imprescindíveis para tirar Brasília da crise”, como tem repetido. A sanção, por outro lado, não representa uma pauta positiva: com trajetória de esquerda, progressista, não soaria bem com seu eleitorado, por exemplo, o sim a projetos como o Estatuto da Família — mesmo caso da criação de três benefícios a policiais em tempo de falta de recursos até para salários.

O cientista político Everaldo Moraes vê como um obstáculo para o projeto do PSB a ausência de uma fatia da população que defenda o governo “custe o que custar”. Ele afirma que não será fácil para Rollemberg criar um eleitorado fiel, pois a política brasiliense é historicamente dominada por dois grupos. “A cidade sempre teve duas grandes forças. O PT, com militância forte, enraizamento nos sindicatos e muitas vezes associado ao funcionalismo público. E o clã rorizista, seguido por José Roberto Arruda, que faz uma política mais clientelista e também conta com público fiel”, analisa. O desafio de Rollemberg é se mover entre os dois lados e conseguir ficar acima de ambos. “Ele (Rollemberg) tem um histórico muito próximo ao PT, mais à esquerda, mas sabe que o PT não aceita entregar o protagonismo do processo político. Do outro lado, há um flanco aberto, sem nomes fortes, mas que não faz jus à trajetória do governador. Então, ele está numa sinuca de bico”, comenta.

Mais de 40 pessoas morrem em atentados na Nigéria Vítimas estavam em mesquita e em restaurante de Jos

Ataques do Boko Haram se intensificaram na última semana (foto: EPA)
Ataques do Boko Haram se intensificaram na última semana (foto: EPA)
06 JULHO, 08:28ROMAZGT
(ANSA) - Dois atentados na noite deste domingo (05) mataram, ao menos, 44 pessoas e feriram outras 67 em uma mesquita e em um restaurante na região central da Nigéria. Nenhum grupo reivindicou as ações, mas acredita-se que os terroristas do Boko Haram estejam por trás dos ataques.

A mesquita Yantaya, palco de uma das tragédias que matou 21 pessoas, tem como um de seus oradores um dos homens que mais prega a coexistência pacífica de várias religiões no país. Já o restaurante, que fica em Jos, é conhecido por receber diversas autoridades religiosas islâmicas em suas dependências. No empreendimento, morreram 23 pessoas.

Os atentados ocorreram um dia após de uma extremista provocar outraexplosão em uma igreja cristã no nordeste do país, matando cinco pessoas - entre elas duas crianças e o pastor da instituição. Na mesma área, há três dias, os jihadistas do Boko Haram queimaram 32 igrejas cristãs, segundo Stephen Apagu, que lidera um grupo de vigilantes no estado de Borno.

Acredita-se que os extremistas estejam atendendo ao pedido do Estado Islâmico (EI, ex-Isis), para o qual o Boko Haram prestou fidelidade, de tornar o mês sagrado para a religião, o Ramadã, um "pesadelo" para os "infiéis". (ANSA)
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Bolsa de Tóquio fecha em baixa depois do 'Não' na Grécia




A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de segunda-feira em baixa de 2,08%
A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de segunda-feira em baixa de 2,08%, depois que o referendo na Grécia rejeitou as medidas de austeridade exigida pelos credores.
O índice Nikkei perdeu 427,67 pontos, a 20.112,12 unidades.

PAPA FRANCISCO » Francisco: “Os pobres são a dívida que toda a América Latina ainda tem” Papa chega ao Equador e oferece "a colaboração com as conquistas em andamento" O Papa viaja para “a grande pátria latino-americana”

Logo após aterrissar no aeroporto de Quito, o papa Franciscoofereceu ao presidente do EquadorRafael Correa, “o compromisso e a colaboração” da Igreja católica para que “as conquistas em andamento e o desenvolvimento que está sendo conseguido garantam um futuro melhor para todos”. O Pontífice, que durante os próximos oito dias visitará Equador, Bolívia e Paraguai, pediu a Correa que dê “atenção especial” aos “irmãos mais frágeis”. “Os pobres são a dívida que toda a América Latina ainda tem", disse.
A primeira etapa da viagem do Pontífice —ainda que restrita apenas à recepção no aeroporto— já deixou clara as linhas pelas quais transitará uma jornada que se aguarda com máxima expectativa. Essa é a primeira vez que Bergoglio visita como Papa a América de língua espanhola, onde forjou a opção preferencial pelos pobres que agora quer usar como guia de toda a Igreja. “Francisco”, destacou o jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, “terá ainda a oportunidade de se expressar em seu próprio idioma, o que com toda certeza o levará a improvisar sobre os discursos já previstos”. O terceiro aspecto que certamente marcará a diferença será o calor da recepção ao primeiro papa latino-americano.O presidente equatoriano recebeu Jorge Mario Bergoglio com um forte abraço, um discurso de intenso caráter político, no qual destacou as conquistas de seu Governo, e um agradecimento pela encíclica papal sobre o meio ambiente. “Se alguém tentar calar suas palavras”, disse o presidente Correa a Francisco, “as pedras gritarão”.
Em seu discurso diante do presidente Correa, que nas últimas semanas tem sofrido uma grande contestação popular a suas reformas, o Papa afirmou que no Evangelho se pode encontrar “as chaves para enfrentar os desafios atuais, valorizando as diferenças e fomentando o diálogo e a participação sem exclusões”. Bergoglio, que reconheceu os avanços conquistados por um país cujo PIB tem crescido a um ritmo superior a 4% ao ano na última década, ressaltou, no entanto, a necessidade de que o progresso alcance também os mais vulneráveis. “Para isso, senhor presidente, poderá contar sempre com o compromisso e a colaboração da Igreja”.

Liderança exaltada por Obama

Durante o voo entre Roma e Quito, Bergoglio saudou um a um os 75 jornalistas presentes ao voo papal fretado da Alitalia, que nos próximos dias cobrirá mais de 25.000 quilômetros entre Equador, Bolívia, Paraguai e o retorno a Roma na próxima segunda-feira. Além da liderança moral reconhecida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de sua capacidade para corrigir os rumos da Igreja, o Papa demonstrou ter mais paciência do que o santo Jó. Alguns enviados se conformaram em saudá-lo ou trocar algumas poucas palavras, mas outros recorreram sem complexos aos cansativos autorretratos com o celular, às longas confidências familiares e aos habituais pedidos para que abençoe o retrato da avó ou uma coleção de terços. Uma jornalista disse para o Papa levar com calma uma viagem tão longa e que inclui uma etapa em La Paz, a mais de 4.000 metros de altitude. “Não tem problema”, respondeu Bergoglio, “vou mascar coca”.
O Equador que recebe a visita do papa Francisco não é apenas aquele país que conta com 81% de católicos —segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censo. O Estado andino vive uma polarização acentuada pelas recentes mobilizações contra o presidente Correa, que já duram quase um mês. As tentativas de taxar as heranças e a valorização de imóveis ativaram a população e, ainda que o presidente tenha retirado temporariamente esses projetos de lei, o mal-estar entre a população permanece. Em seu caminho a partir do aeroporto de Quito até o centro da cidade, dezenas de pessoas cercaram o ônibus do Papa gritando palavras de ordem contra Correa.
A insatisfação de uma parte da população tem colocado em risco a imagem do Equador que Correa queria vender ao mundo durante a visita do Papa. Estava tão seguro de seu êxito como anfitrião que em 2 de junho convidou seus homólogos da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos à missa campal em Quito. Agora baixou o tom desses convites e, segundo o Ministério de Relações Exteriores, apenas os presidentes de Honduras e Haiti vão comparecer, informa Soraya Constante.

Eurogrupo "lamenta" vitória do "não" na Grécia

Jeroen Dijsselbloem adverte que, para a economia grega recuperar, é inevitável avançar com “medidas e reformas difíceis”.
A vitória do “não” no referendo deste domingo é “muito lamentável para o futuro da Grécia”, afirma o presidente do Eurogrupo.
Jeroen Dijsselbloem adverte, em comunicado, que para a economia grega recuperar é inevitável avançar com “medidas e reformas difíceis”.
“Não vamos esperar pelas iniciativas das autoridades gregas. O Eurogrupo vai discutir o ponto da situação na terça-feira, 7 de Julho”, declarou o político holandês.
Para terça-feira, também está agendada uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da zona euro, anunciou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Com 99% dos votos do referendo na Grécia contados, o "não" à proposta de  acordo com os credores internacionais vence com 61,3%  e o "sim" consegue apenas 38,6%.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, declarou que as instituições europeias e o Fundo Monetário Internacional (FMI) "não podem ignorar a vontade de um povo".

Alexis Tsipras quer iniciar negociações para um acordo o mais depressa possível. Diz que não há acordos fáceis, mas espera solidariedade dos povos europeus depois de cinco antes de medidas de austeridade que destruíram a economia do país.

Defendeu, também, que está na hora de renegociar a dívida da Grécia com os credores internacionais.

O 'Não' vence em referendo grego com 61,31% dos votos Milhares de pessoas se concentravam na noite deste domingo na praça Syntagma, no centro de Atenas, para comemorar o resultado

 AFP PHOTO/ JAVIER SORIANO

Atenas - A Grécia disse "Não" neste domingo às exigências de seus credores e espera retomar fortalecida uma negociação com a Europa que será dura e que torna mais plausível sua saída da zona do euro.

Com uma participação de 62,5%, 61,31% dos eleitores gregos seguiram a recomendação do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, de votar "Não" nesta consulta contra 38,69% que optaram pelo "Sim", segundo cifras publicadas após a apuração de todos os votos.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assegurou que a decisão dos gregos "não é uma ruptura com a Europa", mas que "reforça nosso poder de negociação".

Em discurso televisionado, o premiê assegurou que seu governo está "pronto para retomar as negociações com um plano de reformas confiáveis e socialmente justas" e que "desta vez, a questão da dívida (pública) estará sobre a mesa [de negociações]". Ele também lançou uma mensagem de unidade: "independentemente do que tenhamos votado, nós somos um" após o referendo de domingo.

Seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, assegurou que se trata de "uma ferramenta que servirá para estender uma mão cooperativa a nossos parceiros", e assegurou que a partir de segunda-feira o governo trabalhará com seus credores para "encontrar um terreno para o acordo".

Os parceiros da Grécia não demoraram para reagir. Os primeiro a fazê-lo foram o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, que, após falarem por telefone, decidiram se reunir nesta segunda-feira, em Paris, para analisar este revés para os planos europeus.

Os dois mandatários disseram estar "de acordo" em que "se deve respeitar" o revés que os gregos maciçamente deram à austeridade defendida por Bruxelas. Na terça-feira, os líderes da zona do euro voltarão a se reunir.

Menos conciliador se mostrou o número dois do governo alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel, que assegurou que após o "não" dos gregos é "difícil imaginar" novas negociações com a Grécia, já que Tsipras "rompeu as últimas pontes" com a Europa.

Na Espanha, o "não" grego foi muito bem recebido pelo partido Podemos, que promete também o fim da austeridade e uma alternativa na Europa. Seu líder, Pablo Iglesias, comemorou no Twitter a vitória da democracia na Grécia.

O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, convocou para segunda-feira a Comissão Delegada de Assuntos Econômicos para analisar a situação após o referendo grego deste domingo.

O ex-primeiro ministro grego Antonis Samaras, líder do principal partido da oposição, Nova Democracia (conservadores), anunciou sua renúncia após a vitória do "Não".

Festa em Atenas


No centro de Atenas, os partidário do "não" comemoram com música e abraços a vitória sobre o "sim", defendido por muitos gregos em nome da permanência na Europa e na zona do euro.

"É uma grande mensagem para a Europa. Os alemães não esperavam esta grande vitória dos gregos", dizia Yorgos, feliz mas indignado de não levar no bolso mais do que um punhado de moedas depois de 40 anos trabalhando como mecânico.

"Havíamos perdido a esperança de ter uma família, um trabalho. Isto é o começo da esperança. A Europa é para os povos, não para o capital", dizia Maria, envolta em uma bandeira grega.

Governo grego pede ajuda ao BCE

Os sócios de Atenas haviam advertido aos gregos que o "não" podia ser sinônimo de saída da zona do euro. Mas o porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, previu que "as iniciativas se multiplicarão a partir desta noite para que possa haver um acordo" entre Atenas e seus sócios.

O governo assinalou, também, que o Banco da Grécia solicitará ao Banco Central Europeu, um dos credores do país, que aumente o teto de seu financiamento de emergência aos bancos gregos, que abrirão, a princípio, suas portas na terça-feira, assim como a bolsa de Atenas, após permanecerem fechados toda a semana.

A consulta, a primeira na Grécia em 41 anos, ocorreu em um contexto inédito.

Devido à falta de dinheiro em caixa, o governo não pôde pagar os 1,55 bilhão de euros que devia quitar em 30 de junho ao FMI e desde terça-feira (29) controla uma medida que permite a retirada de um máximo de 60 euros por dia e por pessoa.

O governo grego, formado pelo Syriza e pelo partido soberano ANEL, e os credores do país (UE, FMI e BCE) estão há cinco meses em árduas negociações.

Após as linhas de crédito de 240 bilhões de euros acertadas desde 2010 com a Grécia, que expiraram no passado 30 de junho, o atual governo de esquerda radical quer uma mudança de estratégia que passa pela reestruturação da dívida.

A última proposta dos credores, que propunha prolongar por mais cinco meses o programa de ajuda à Grécia e um pacote de 12 bilhões de euros até novembro, em troca de novos cortes e aumentos de impostos, foi o que motivou Tsipras a convocar o referendo.