domingo, 5 de julho de 2015

Crise chega ao mercado do sexo e prostitutas estimam queda de faturamento Profissionais do setor justificam que, em tempo de recessão, esse tipo de lazer é um dos primeiros itens a serem cortados

Carlos Vieira/CB/D.A Press

O frio não afastou das ruas a garota de programa Fernanda*, 25 anos. Há três anos trabalhando como prostituta, ela não pode deixar que o clima a espante dos afazeres diários, principalmente agora, em que o cenário econômico do país não está favorável nem mesmo para as profissionais do sexo. “Convivo com homens de vários mercados. São farmacêuticos, advogados, servidores. Se a crise chegou até eles, é claro que também chegou até nós”, garante. Fernanda, que trabalha em Taguatinga, afirma que começou a sentir os efeitos desde janeiro — segundo ela, o atraso no pagamento dos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) foi o começo de tudo. “Foi um mês horrível, mas ainda ficou pior. Acredito que eu esteja ganhando até 50% menos atualmente”, calcula.

Apesar de a média de programas ser flutuante, ela lembra que, até o ano passado, conseguia tirar cerca de R$ 2,4 mil por semana trabalhando de quarta a domingo. Agora, mesmo batendo ponto de segunda a sábado, só chega a juntar R$ 800. “Nunca fiquei uma noite sem trabalhar, mas está bem difícil. E sinto isso na hora de gastar o que ganhei: antes, com R$ 40, comprava lanches para o meu filho que duravam uma semana. Agora, não gasto menos de R$ 110 para comprar os mesmos produtos.”

Não há números oficiais para definir o quanto as profissionais desse mercado têm sido afetadas pela crise econômica, mas a reclamação é geral: seja daquelas que ficam nas ruas, seja das que atendem em apartamentos do Plano Piloto. “Posso garantir que houve uma queda de 30% a 50% na quantidade de programas. Havia sentido uma diminuição parecida em fevereiro, mas isso é um efeito do carnaval. Essta fase atual começou em junho”, assegura Natália*, 38 anos, há quatro na profissão, que mora no Riacho Fundo I.

Mesmo as que oferecem serviços diferenciados reclamam. Carol*, 23, também faz massagens no Sudoeste, onde atende. Ela diz que cobra entre R$ 80 e R$ 170, mas todos os clientes têm pedido desconto. “Não tenho como diminuir o preço. Se fizer isso, vou ter prejuízo”, reclama.

O DF não tem um grupo específico que reúna as profissionais dessa área. Entretanto, Cida Vieira, presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), que conta com mais de 3,5 mil associadas, garante que a crise é real e tem resultado, inclusive, em uma maior movimentação das garotas de programa entre as cidades do Brasil. “Este ano, já conversei com diversas meninas de Brasília e Goiânia que vieram para cá tentando nosso mercado. Pelo menos a média de programas diários tem se mantido”, frisa.

Parcelado no cartão
De acordo com Aparecida Silva, conselheira fiscal da Aprosmig, muitas estão procurando outras formas de conseguir manter os clientes. Depois de oferecer o parcelamento dos programas com cartão de crédito, o desconto tem sido a opção mais comum e viável. Mesmo assim, muitas prostitutas querem mudar de ramo. “Há várias delas pensando em abandonar o serviço para trabalhar como diaristas ou cuidadoras de idosos, porque isso está dando mais retorno.” Para Natália, que trabalhou como garota de programa por três anos na Europa, há um efeito cultural que agrava a situação das prostitutas brasileiras. De acordo com ela, aqui, os homens ainda se sentem na obrigação de serem os provedores da casa, o que faz com o sexo pago seja o primeiro serviço cortado da lista de prioridades. “Lá, o dinheiro que os homens ganham não vai todo para cuidar da casa. Aqui, muitos ainda acham que têm que sustentar tudo e isso muda a nossa realidade”, acredita.

Outros profissionais da indústria do sexo também reclamam da situação econômica atual. Eusébio Ribeirinha, presidente da Associação Brasileira de Motéis (Abmotéis), afirma que, desde o início de 2015, a queda média de faturamento tenha ficado em 20%, principalmente entre os clientes das classes B e C. “A última vez que havíamos sentido algo assim foi em 2009, quando ocorreu outro momento de crise. Mas, naquela época, não fomos tão afetados quanto agora.” Por isso, táticas como promoções têm sido evitadas, já que trazem um aumento nos gastos. “O que os empresários têm tentado fazer é trazer clientes que não costumam ir a motéis, criando uma ideia de hospedagem alternativa.”

Pelo menos um grupo tem visto seus ganhos aumentarem com a crise. Dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme) mostram que esse mercado cresceu 8% em 2014 e continua em ascensão em 2015. Adelaide Rodrigues, proprietária de um sex shop no Guará, estima em 25% o crescimento nas vendas desde janeiro. “Isso ocorre porque essa é a forma mais prática, econômica e prazerosa de economizar”, brinca a empresária. Porém, ela frisa que o perfil do consumidor mudou. Se antes arriscavam mais nas escolhas, agora chegam com valores fixos e sabendo o que querem comprar, para evitar desperdício. “Junho é um mês de mais vendas por causa do Dia dos Namorados. Acredito que os casais não devam viajar em julho e isso vai manter as vendas em alta.”

Explosões de carros bomba matam 11 no Iraque no fim do Ramadã

BAGDÁ (Reuters) - Explosões de dois carros bomba mataram 11 pessoas na capital iraquiana neste sábado, afirmou a polícia e serviços de emergência. Os ataques ocorreram no fim da celebração do Ramadã.
Uma das bombas atingiu o distrito xiita de Amil, no sudoeste da cidade, matando oito pessoas e ferindo 27. A outra explosão ocorreu em uma garagem de ônibus, no sul de Bagdá, e matou outras três.
A nordeste de Bagdá, na cidade de Balad Roz, um terceiro carro bomba matou duas pessoas, disse a polícia.
Nenhum grupo reivindicou de imediato autoria dos ataques, mas combatentes do Estado Islâmico que controlam grandes porções do oeste e norte do Iraque frequentemente detonam bombas na capital.

Grécia é "dramática ilustração" do que aconteceria em Portugal sem PS

Líder socialista reafirma que o seu partido é uma "alternativa de confiança".

O secretário-geral socialista, António Costa, considerou que a situação na Grécia é a "dramática ilustração" do que aconteceria em Portugal sem o PS, garantindo uma "alternativa de confiança" que rompe com a austeridade sem se meter em aventuras.
António Costa discursava durante o encerramento do II Fórum dos Movimentos Sociais, promovido no Porto pela Juventude Socialista, onde destacou que as últimas semanas na Grécia têm sido "a dramática ilustração do que seria a situação em Portugal se não houvesse em Portugal o PS" e o país estivesse assim condenado "a ter de escolher a continuidade da austeridade que a direita defende ou a ruptura com o euro que a esquerda radical defende".
"A verdade é que há alternativa e tem de haver alternativa porque a Grécia é mesmo o melhor exemplo de como a austeridade não resolveu nenhum problema. Mas a Grécia também é bem a ilustração de que a saída do euro para resolver os problemas é uma ilusão falsa, porque a saída do euro só significa empobrecer ainda mais quem já empobreceu o bastante e demais com a própria austeridade", defendeu.
É por este motivo, de acordo com o secretário-geral do PS, que o partido se empenha em "afirmar uma alternativa de confiança", uma vez que "rompe com a austeridade e faz diferente", mas "não se mete em aventuras e não nos faz sentir da Zona Euro".
António Costa falou ainda de alguns mitos que se criaram sobre a Europa e esclareceu que "decidir quem governa em Portugal determina saber quem se senta à mesa no Conselho Europeu em Bruxelas", sendo, na sua opinião, a escolha "muito simples".
"Quem votar na coligação de direita, vota para que, em Bruxelas, fale em nome de Portugal o Dr. Passos Coelho e o que dirá é que quer austeridade para a Grécia, para a Espanha, para a Irlanda, para a Itália, porque quer super-austeridade para Portugal", alertou.
No entanto, o líder do PS garante que há alternativa se, "em vez de sentar o Dr. Pedro Passos Coelho, se sentar o líder do PS e defender em Bruxelas uma política diferente daquela política que a direita defende".
Numa sala cheia de jovens, António Costa considerou que haver mais representantes desta faixa etária na Assembleia da República, "a serem a voz directa da juventude é absolutamente essencial".
"Se há algo que eu gostaria muito que fosse possível o PS conseguir fazer no próximo processo de elaboração de listas para a Assembleia da República é poder dar um sinal muito claro à sociedade e à juventude portuguesa que no PS nós damos voz aos jovens e os jovens participam dando não só opiniões mas participando, votando, decidindo, construindo as políticas que nós queremos realizar no próximo ciclo de governação", prometeu.
Tempo ainda para críticas à governação de direita que acusou de" falar com toda a hipocrisia da grande prioridade que é necessário dar à natalidade e procura apresentar 80 medidas para promover a natalidade".
"Nós devemos dizer à direita uma coisa simples: concentrem-se no essencial. Não há natalidade sem estabilidade, não há estabilidade sem confiança e não há confiança sem emprego. É, portanto, aqui onde se têm que concentrar é no emprego, no emprego, no emprego", aconselhou.
Para o líder socialista apostar "na formação e na educação, nas políticas de emprego e de combate à precariedade, numa nova geração de políticas de habitação é absolutamente central para dar esperança, para dar confiança à juventude portuguesa".

Papa viaja à A. Latina com agenda voltada a 'periferias' Francisco fará entre 5 e 13 de julho sua segunda visita à região

Papa Francisco visitará Equador, Bolívia e Paraguai (foto: ANSA)
Papa Francisco visitará Equador, Bolívia e Paraguai (foto: ANSA) SÃO PAULOBEATRIZ FARRUGIA
(ANSA) - O papa Francisco iniciará neste domingo (5) sua segunda viagem à América Latina, passando por Equador, Bolívia e Paraguai, com a missão de discutir questões sociais e se aproximar das "periferias", marco de seu Pontificado.
    A visita ao continente era aguardada desde 2013, quando o argentino Jorge Mario Bergoglio assumiu a liderança da Igreja Católica e esteve no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
    Apesar da expectativa de uma ida à Argentina, sua terra natal, e à Colômbia, que enfrenta há décadas um confronto com o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o roteiro de Francisco inclui apenas nações que estão longe dos centros de poder da geopolítica internacional.
    "Pela primeira vez a visita será feita a três países, não os maiores e os primeiros na geopolítica, seguindo a lógica das periferias querida pelo Pontífice. A história desses três países, feita de conflitos e ditaduras, será um elemento importante para entender as mensagens que o Papa irá proferir", disse o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.
    De acordo com o o professor Fernando Altemeyer Junior, do Departamento de Ciências da Religião da PUC-SP, Francisco sabe que não há necessidade de estar somente em países centrais para que sua mensagem seja ouvida.
    "O Papa possui outros interesses além da diplomacia. Ele não precisa ir a um caldeirão quando a água está fervendo", disse o especialista, em entrevista à ANSA, justificando a exclusão da Colômbia e da Argentina do roteiro.
    Para Altemeyer, os três países foram escolhidos por apresentarem semelhanças como economias em desenvolvimento, populações rurais, forte influência do catolicismo, presença de movimentos sociais e povos minoritários, como os indígenas.
    "Equador, Bolívia e Paraguai não são destinos muito prestigiados, mas o objetivo do Papa não é fazer uma missão diplomática. Ele celebrará uma missa em guarani, visitará um hospital, se reunirá com a sociedade civil e religiosos", afirmou o teólogo Jorge Claudio Ribeiro, da PUC-SP.
    "O que chama mais a atenção no Pontificado de Francisco é que ele transpassa por diversos temas, sem escolher um mote específico. Ele toca em questões de níveis variados, de pobreza, imigração e pedofilia à corrupção e ecologia", analisou o especialista.
    E é justamente o assunto do meio ambiente que pode vir à tona durante sua passagem pela América Latina. Com sua recém-lançada encíclica "Laudato Si", que fala sobre ecologia e escassez, Francisco deverá fazer apelos direcionados às populações rurais.
    "Francisco já conhece esses países desde a época em que era sacerdote e poderá fazer discursos mais livres e contundentes em sua língua materna, o espanhol", disse Altemeyer.
    Talvez em 2016 o líder da Igreja Católica faça, finalmente, uma visita à Argentina e à Colômbia, sendo que neste último país ele deve assumir um papel de mediador com as Farc.
    Para 2015, Francisco tem programada uma viagem para Cuba e Estados Unidos, após se tornar peça-chave na retomada das relações entre as duas nações, rompidas há mais de meio século. (ANSA)

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Gregos indecisos, confusos e divididos para o referendo A reportagem da VISÃO esteve na rua para procurar compreender quais são as razões que levam os gregos a votar SIM ou NÃO no referendo de hoje Ler mais: http://visao.sapo.pt/gregos-indecisos-confusos-e-divididos-para-o-referendo=f824640#ixzz3f16ikdKS

Yannis Deliyannis, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos em Perama, o subúrbio portuário de Atenas, pensa que não há forma de votar no referendo de hoje. "Nós queremos dizer 'Não' à União Europeia e 'Não' ao Governo Syriza", diz, afastando, no entanto, a hipótese de se abster na votação. Yannis Deliyannis e alguns dos metalúrgicos que pertencem ao sindicato vão votar à sua maneira. "Vamos destruir os boletins de voto e colocar os nossos próprios folhetos nas urnas", declara.
Encontramos Deliyannis num dos estaleiros navais de uma das regiões mais pobres de toda a Grécia, o Piréu. Em vastas áreas deste estaleiro há lugares vazios que deviam estar ocupados por barcos à espera de serem concertados. Os barcos não chegam e o trabalho escasseia. O secretário-geral diz-nos que das 16 mil pessoas que trabalhavam aqui antes da crise restam, neste momento, 700. O trabalho é temporário e dura apenas 60 dias por ano. Yannis Deliyannis diz que o seu sindicato tem lutado junto do Governo Syriza para conseguir mais investimento na região e mais apoios sociais para os trabalhadores, mas sem sucesso. Para este sindicalista, não há diferenças entre o Governo e a União Europeia: "estão todos a trabalhar para os patrões e não para o povo", diz.
Na noite anterior ao referendo em que os gregos vão ser chamados a decidir se apoiam ou não a proposta dos credores internacionais, algumas pessoas nas ruas de Atenas estavam ainda indecisas quanto ao voto e outras disseram não se rever em nenhuma das opções de resposta.
Perto da praça Sintagma, Yannis, 18 anos, diz que vai votar em branco por não querer votar 'Sim' ou 'Não'. Ainda assim, diz, não coloca sequer a hipótese de ficar em casa. "Sou contra a abstenção. Não nos podemos queixar sobre o estado do país se não participarmos ativamente." Uma amiga que o acompanha, Konstantina, 18 anos, diz que não concorda nem com o 'Sim', nem com o 'Não', mas vai votar 'Sim' porque quer "ficar na União Europeia" e está convencida de que um voto negativo significa deixar o euro e a UE. "Sinto-me tão ansiosa por causa de tudo aquilo que está a acontecer", diz-nos esta estudante que se prepara para ingressar na Universidade. "Tenho exames em pouco tempo. Quero ter um bom futuro e ser jornalista."
Niko, 60 anos, acabou de levantar dinheiro de uma caixa multibanco, e diz que vai votar 'Sim' porque considera que um voto negativo "dificulta as negociações com a UE". Ao contrário daquilo que pensam muitos dos apoiantes do 'Sim', Niko não acredita que em caso de vitória do 'Não', a Grécia seja forçada a abandonar o euro.
Panayiotis, 22, estudante de Biologia, diz à VISÃO que ainda não decidiu definitivamente, mas que está "mais inclinado para o 'Não'." Isto porque, defende, "dizer 'Sim' é continuar o rumo dos últimos cinco anos". E apesar de ainda não ter a certeza absoluta do seu voto, Panayiotis também não teme cenários dramáticos a partir de segunda-feira caso o 'Não' seja vencedor. "Penso que os bancos não estarão fechados na segunda-feira. Os jornalistas é que criam esses cenários", diz, a poucos metros de uma manifestação em frente à sede da Mega TV, uma estação privada que está a ser acusada pelos apoiantes do 'Não' de estar a fazer uma cobertura catastrofista das consequências do controlo de capitais na Grécia.
Dimitrios Papadimitriadis, 41, é um psiquiatra com uma forte presença mediática nos meios de comunicação gregos que vai votar 'Não'. "Os gregos estão fartos da crise humanitária que só conduziu ao aumento dos suicídios, do desemprego e do desemprego jovem", diz, acrescentando estar convencido de que o povo grego "está pronto para entrar em colisão com a União Europeia." "E se os bancos fecharem na segunda-feira", perguntamos. "Esse é o cenário mais provável", diz. "Mas penso que os gregos sabem isso e estão a levar isso em consideração enquanto decidem", continua. Para este psiquiatra, a frustração que se sente na sociedade grega é "tão grande" que muitos gregos podem já estar prontos a "correr o risco".

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sábado, 4 de julho de 2015

Derrota na final da Copa América faz Argentina virar motivo de piada

Não deu para os hermanos! Após um 0 a 0 no tempo normal e também na prorrogação, o Chile venceu a Argentina na disputa dos pênaltis e conquistou o título da Copa América.
Além da conquista em casa, a seleção chilena também ganha uma vaga na Copa das Confederações, corando uma das melhores gerações que o Chile já teve.
Esta é a terceira vez em que Messi fica “no quase” pela seleção principal da Argentina. O astro do Barcelona já havia sido vice na Copa América de 2007 e na Copa do Mundo 2014.
Nas redes sociais, os internautas brasileiros não fizeram valer a rivalidade com os argentinos e fizeram piadas com o vice. Sobrou até para os clubes aqui do Brasil.

Prestígio de Serra junto ao PMDB provoca desconfianças de Aécio

Tudo acertado entre os principais caciques e possíveis candidatos do PSDB à Presidência da República, para a Convenção Nacional do partido que ocorre neste domingo em Brasília. Especialmente na distribuição dos cargos de comando no partido entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Aécio Neves (MG).
Mas outro ex-candidato do PSDB a presidente da República, o senador José Serra (SP), não está parado. E sua proximidade com o PMDB do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), já despertou ciúmes e temores de que Serra pode acabar saindo candidato em 2018 pelo PMDB.
Vamos por partes.
Na última quarta-feira,  dia 1º de julho, Renan colocou em pauta e o Senado aprovou um projeto de autoria de José Serra que eleva de 70 para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória dos servidores públicos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. O texto ainda será votado na Câmara, mas atinge um eleitorado enorme. Na prática, estende a todos os servidores públicos a chamada PEC da Bengala, que é aplicada ao Judiciário.
Renan Calheiros anunciou a intenção de votar naquele mesmo dia outro projeto importantíssimo de Serra: aquele que desobriga a Petrobras de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração do pré-sal. O PT se opõe, mas Serra jura que a proposta é capaz de destravar os leilões do pré-sal.
Somente depois de uma acirrada discussão entre os senadores a votação acabou sendo adiada. Mas Renan já conseguiu o apoio do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), e até iniciou a discussão do tema com o ex-presidente Lula.
Serra também foi o convocado por Renan, em maio, para sistematizar as propostas de pacto federativo em tramitação no Congresso, junto com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e dois deputados indicados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Outro projeto de Serra está prestes a ser votado: o que propõe a modificação no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para ampliar o tempo de internação de menores que cometerem infrações graves e separá-los daqueles que praticarem infrações consideradas mais leves. A alteração no ECA estava sendo articulada como única opção à redução da maioridade penal, aprovada pela Câmara.
Mas a enxurrada de projetos de autoria de Serra que Renan está colocando em pauta despertou a atenção de outros senadores.
Em vez de votar apenas o projeto de alteração do ECA, os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Randolfe Rodrigues (PSol-AP), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e próprio Aécio Neves pressionaram Renan a formar uma comissão para incluir na discussão outro projeto de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Trata-se de uma proposta de redução da maioridade penal para crimes hediondos, mas analisada caso a caso, com base na manifestação do Ministério Público, de um juiz e da vara especializada em criança e adolescência.
A ciumeira foi admitida explicitamente em plenário, na quarta-feira, em diálogo travado por Aécio Neves e Ricardo Ferraço com Renan Calheiros.
A coluna foi buscar lá nas notas taquigráficas do Senado. Veja:
AspasINICIO
O SR. AÉCIO NEVES (Bloco Oposição/PSDB – MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – (…) Nós, ao longo do ano passado, debatemos intensamente nesta Casa a PEC de autoria do Senador Aloysio Nunes, que, se aprovada aqui, certamente estaria pautando a Câmara dos Deputados, até porque ela é mais bem elaborada, ela é muito mais restritiva e adequada do que é essa que está sendo votada agora de forma – vamos chamar assim – improvisada, na Câmara dos Deputados.
Por isso, mesmo já, a meu ver, com algum atraso, acho que ela está pronta, amadurecida, Senador Renan, talvez como nenhum outro tema, para vir a este plenário, talvez ao lado da proposta de mudança no ECA, capitaneada pelo Senador José Serra.
A proposta de emenda à Constituição, se votada rapidamente, acredito que teria uma aprovação expressiva, acho eu, pelas conversas que tenho tido nesta Casa, porque ela restringe a diminuição da maioridade para 16 anos para os crimes hediondos, mas ouvido o Ministério Público e acatado pelo juiz, considerando aquele caso ou uma reincidência, ou que ele cometeu crime ciente e consciente dos atos que praticou. Esta PEC, a meu ver, facilitaria, inclusive, a tramitação deste tema na Câmara dos Deputados.
(…)
O SR. RICARDO FERRAÇO (Bloco Maioria/PMDB – ES. Sem revisão do orador.) (…) Nós estamos aqui diante de uma oportunidade, Sr. Presidente, porque o que a Câmara fez foi reduzir a maioridade a todo e qualquer custo, sem qualquer critério, como se isso fosse uma panaceia para resolver o problema da violência nessa faixa etária. Nós temos aqui, Sr. Presidente, uma iniciativa que tive o prazer de relatar na Comissão de Constituição e Justiça que estabelece critérios, que reduz a maioridade penal para crimes hediondos, que determina a manifestação do Ministério Público e da vara especializada em criança e adolescência, manifestação do juiz que terá que concordar e, aí sim, nesse caso específico, nós podemos combater a impunidade com critérios.
(…) Um apelo que volto a fazer a V. Exª: se eu não tiver prestígio com V. Exªs, que o Senador Aécio Neves tenha prestígio e nós possamos debater esse projeto em plenário.
(…)
O SR. AÉCIO NEVES (Bloco Oposição/PSDB – MG) – Senador Ferraço, se eu também não tiver, vou pedir apoio do Senador Serra para colocar esse projeto em votação.
O SR. RICARDO FERRAÇO (Bloco Maioria/PMDB – ES) – O Senador Serra, com certeza, dispõe desse prestígio, porque as suas iniciativas recebem aqui um fast track. Nós estamos todos, assim, com uma inveja muito positiva.
O Senador Aloysio Nunes Ferreira, há mais de um ano, fez esse recurso. Nós podemos até perder no debate, é da democracia. Mas não podemos impedir que o conjunto dos Senadores possa deliberar sobre esse tema. (…)  É o apelo que faço a V. Exª, na expectativa de que possa ter algum prestígio com V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Renan Calheiros. Bloco Maioria/PMDB – AL) – Terá. V. Exª terá sempre muito prestígio.
(…)
O SR. PRESIDENTE (Renan Calheiros. Bloco Maioria/PMDB – AL) – O que ocorreu com relação ao projeto que altera o ECA foi que nós votamos aqui a urgência para que o projeto fosse apreciado no plenário, com o parecer favorável do Relator, Senador José Pimentel. (…) Outras matérias, cuja apreciação aqui nós não podemos sonegar, foram rejeitadas na CCJ.
Então, é preciso que haja uma concertação para que a gente tenha um calendário, uma proposta de encaminhamento para esse debate, para essa votação.
Hoje, eu analisei as várias propostas e decidi que, na próxima terça-feira, nós vamos chamar os Líderes partidários para, definitivamente, acertarmos, com relação a essa matéria, o que nós vamos fazer.
AspasFIM
O SR. AÉCIO NEVES (Bloco Oposição/PSDB – MG) – Muito bem, agradeço a V. Exª, Senador Renan. (…) Mas leve em consideração essa nossa proposta.



Em tempo: Renan Calheiros e Aécio não morrem de amores um pelo outro desde que tiveram um forte bate boca, no início dessa legislatura, por conta da distribuição de cargos na Mesa Diretora do Senado:
Se o vídeo acima der problema, tente aqui: