domingo, 8 de março de 2015

Rússia prende mais dois suspeitos da morte de opositor Boris Nemtsov Não há ainda informações sobre a identidade dos suspeitos. Opositor foi morto dia 27 de fevereiro, nos arredores da Praça Vermelha.

Um dos líderes da oposição, Nemtsov foi assassinato na noite de sexta-feira (Foto: AFP)Boris Nemtsov. (Foto: AFP Photo)
A polícia da Rússia prendeu, neste domingo (8), mais dois suspeitos de assassinar o opositor político russo Boris Nemtsov, elevando a quatro o número de suspeitos detidos pelo crime. No sábado (7), outros dois homens foram detidos pelo serviço de inteligência do país, a antiga KGB.
Nemtsov, ex-vice-premiê, foi morto a tiros enquanto andava com sua namorada na noite de sexta-feira (27), nos arredores da Praça Vermelha. Ele se tornou a figura da oposição mais proeminente a ser morta na Rússiadurante os 15 anos do governo de Putin.
O Kremlin negou qualquer envolvimento, dizendo que o assassinato foi uma “provocação” arquitetada para atingir Putin e dar força aos opositores. Mas os amigos de Nemtsov dizem que o governo é culpado por promover uma atmosfera de ódio aos oponentes.

Mujica lança campanha de sua mulher à prefeita de Montevidéu Lucía Topolansky é candidata pela coalizão política Frente Popular (FA). 'É a força feminina de uma abelha que vai, e vai e vai...", diz Mujica.

José Mujica e sua mulher, Lucía Topolansky. (Foto: Matilde Campodonico / AP Photo)José Mujica e sua mulher, Lucía Topolansky. (Foto: Matilde Campodonico / AP Photo)
O ex-presidente do Uruguai e agora senador José Mujica participou neste sábado (7) do lançamento oficial da campanha eleitoral de sua mulher, a senadora Lucía Topolansky, à Intendência (prefeitura) de Montevidéu em um ato público ao ar livre que contou com diversos artistas.
"Se tivesse que definir esta companheira a definiria com a força feminina de uma abelha que vai, e vai e vai...",  disse Mujica ao apresentar Lucía Topolansky sobre o palco montado na Praça Líber Seregni de Montevidéu, que se encheu de simpatizantes da coalizão política Frente Ampla (FA), à qual ambos pertencem.
"Não é a força estridente dos homens, muito afeitos ao auto-elogio, é a força que quase não se vê, mas constrói pontes e dá o melhor de si", acrescentou o ex-presidente sobre sua mulher.
A senadora Topolansky lembrou em seu discurso que faz 25 anos que o FA venceu as eleições municipais de Montevidéu, e se mostrou segura de que sua coalizão política conquistará o sexto mandato na capital.
"Temos a certeza que Montevidéu vai continuar sendo frenteamplista, com Daniel (Martínez), com a Virgínia (Cardozo) ou comigo", disse Topolansky, em referência aos três candidatos que o FA apresentou à Intendência.
Martínez pertence ao Partida Socialista, Cardozo ao Partida pela Vitória do Povo e Topolansky ao Movimento de Participação Popular, principais forças políticas que formam a Frente Ampla.
Topolansky enumerou os três pilares básicos de sua proposta política para ganhar as eleições: convivência, meio ambiente e transporte, temas que detalhará em quatro conferências durante a campanha eleitoral.
"Por que queremos governar? Porque governar é administrar bem, é pensar nas pessoas e ouvir seus problemas, e porque, como bem diz Ana (Olivera, atual prefeita da capital), no final da conta nos teríamos que perguntar o que a Intendência não faz", disse Topolansky. "Por isso estou disposta a me candidatar por vocês, pela minha cidade, pelos sonhos realizáveis, com minhas convicções e meu compromisso, mas sempre contigo, Montevidéu, e com sua ajuda, montevideanos", continuou a candidata.
O ato contou com as atuações musicais de Gerardo Nieto, Sociedade Anônima e Rubén Rada.
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PF reforça grupo que investigará inquéritos da Lava Jato

STF quebra sigilo e autoriza inquéritos contra 37 parlamentares

Estadão Conteúdo
Quase um ano após a deflagração da Operação Lava Jato, e quatro meses depois da prisão de 11 executivos das maiores empreiteiras do País, o Supremo Tribunal Federal determinou ontem a abertura de investigação contra políticos beneficiados pelo esquema de corrupção na Petrobras. Serão investigados 11 senadores, 26 deputados federais e outras pessoas sem prerrogativa de foro acusadas de participação no escândalo. O PP foi o partido mais atingido, seguido do PMDB. O PT vem logo depois - o partido também teve seu tesoureiro, João Vaccari Neto, incluído na lista.
 
É a primeira vez na história do País que o STF autoriza abertura de investigação criminal contra a cúpula do Poder Legislativo por suspeita de envolvimento num mesmo esquema de corrupção. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), que também é presidente do Congresso, e da Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), estão entre os alvos de inquéritos abertos ontem pelo ministro Teori Zavascki. 
 
Também estão na relação o vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA); o presidente da Comissão de Constituição da Câmara (CCJ) principal fórum de discussão da Casa, Arthur Lira (PP-AL); o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI); o líder do PP, deputado Eduardo da Fonte (PE); o vice-presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO) e o relator da Comissão de Orçamento do Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR). 
 
Ainda entre os investigados estão os ex-ministros do governo Dilma Rousseff Mário Negromonte (Cidades), Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Antonio Palocci (Casa Civil). 
 
A oposição também tem representantes na lista. O senador Antonio Anastasia (PSDB), ex-governador de Minas, já vinha sendo investigado sob suspeita de envolvimento com o esquema da Petrobras em inquérito aberto anteriormente. 
 
A suspeita do Ministério Público é que os deputados e senadores citados atuavam como "funcionários" das maiores empreiteiras do País. As empresas doavam dinheiro para suas campanhas e em troca os parlamentares operavam para que fossem contratadas pela Petrobras para a execução de obras. As diretorias de Serviço, Internacional e Abastecimento eram controladas pelo PP, PMDB e PT. 
 
Em todos os casos, o ministro-relator revogou o sigilo na tramitação dos procedimentos, tornando públicos todos os documentos. A instauração de inquéritos foi considerada cabível porque há indícios de ilicitude e não foram verificadas, do ponto de vista jurídico, "situações inibidoras do desencadeamento da investigação". Zavascki ressaltou que a abertura de inquérito não representa "juízo antecipado sobre autoria e materialidade do delito". Foram pedidos arquivamentos de investigação contra quatro pessoas - os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e o ex-deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ). Ao todo, foram abertos 21 inquéritos para investigar os suspeitos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja a lista publicada:

DELCÍDIO DO AMARAL GÓMEZ
ROMERO JUCÁ FILHO
ALEXANDRE JOSÉ DOS SANTOS
HENRIQUE EDUARDO LYRA ALVES
CÂNDIDO ELPIDIO DE SOUZA VACAREZZA
AÉCIO CUNHA NEVES
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JUNIOR
PEDRO DA SILVA CORREA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO
CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO
AGUINALDO VELLOSO BORGES RIBEIRO
CÂNDIDO ELPIDIO DE SOUZA VACAREZZA
JOSÉ RENAN VASCONCELOS CALHEIROS
ANÍBAL FERREIRA GOMES
ROSEANA SARNEY MURAD
EDISON LOBÃO
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JUNIOR
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JUNIOR
JOSÉ RENAN VASCONCELOS CALHEIROS
ANÍBAL FERREIRA GOMES
LUIZ LINDBERGH FARIAS FILHO
VANDER LUIZ DOS SANTOS LOUBET
CÂNDIDO ELPIDIO DE SOUZA VACAREZZA
GLEISI HELENA HOFFMAN
HUMBERTO SÉRGIO COSTA LIMA
SIMÃO SESSIM
ARTHUR CÉZAR PEREIRA DE LIRA
BENEDITO DE LIRA
ARTHUR CÉZAR PEREIRA DE LIRA
BENEDITO DE LIRA
JOSÉ MENTOR GUILHERME DE MELO NETO
EDISON LOBÃO
EDUARDO CUNHA
JOSÉ OTÁVIO GERMANO
LUIZ FERNANDO RAMOS FARIA
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JÚNIOR
ROBERTO SÉRGIO RIBEIRO COUTINHO TEIXEIRA
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JÚNIOR
NELSON MEURER
EDUARDO HENRIQUE DA FONTE DE ALBUQUERQUE SILVA
CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO
EDUARDO HENRIQUE
CIRO NOGUEIRA
AGUINALDO VELLOSO BORGES RIBEIRO
ALINE LEMOS CORRÊA DE OLIVEIRA ANDRADE
ANÍBAL FERREIRA GOMES
ARTHUR CESAR PEREIRA DE LIRA
CARLOS MAGNO RAMOS
CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO
DILCEU JOÃO SPERAFICO
EDUARDO HENRIQUE DA FONTE DE ALBUQUERQUE SILVA
GLADISON DE LIMA CAMELI
JERONIMO PIZZOLOTTO GOERGEN
JOÃO ALBERTO PIZZOLATTI JUNIOR
JOÃO FELIPE DE SOUZA LEÃO
JOÃO LUIZ ARGÔLO FILHO
JOÃO SANDES JUNIOR
JOSÉ AFONSO EBERT HAMM
JOSÉ LINHARES DA PONTE
JOSÉ OLIMPIO SILVEIRA MORAES
JOSÉ OTÁVIO GERMANO
JOSÉ RENAN VASCONCELOS CALHEIROS
LÁZARO BOTELHO MARTINS
LUIZ CARLOS HEINZE
LUIZ FERNANDO RAMOS FARIA
MÁRIO SILVIO MENDES NEGROMONTE
NELSON MEURER
PEDRO DA SILVA CORREA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO
PEDRO HENRY NETO
RENATO DELMAR MOLLING
RENATO EGÍGIO BALESTRA
ROBERTO PEREIRA DE BRITTO
ROBERTO SERGIO RIBEIRO COUTINHO TEIXEIRA
ROMERO JUCÁ FILHO
SIMÃO SESSIM
VALDIR RAUPP DE MATOS
VILSON LUIZ COVATTI
WALDIR MARANHÃO CARDOSO
ANTONIO PALOCCI FILHO
VALDIR RAUPP DE MATOS
FERNANDO AFFONSO COLLOR DE MELLO
ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA

Renan ataca de novo e diz que Janot foi 'omisso'

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apontou ontem "grave e deliberada omissão" do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por não ter permitido ao parlamentar "contestar as inverdades levantadas contra a sua pessoa". Em nota divulgada à imprensa, o peemedebista informou que a advocacia do Senado pediu pela manhã ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, o acesso em caráter "urgentíssimo" ao processo.
 
Renan está entre as 54 pessoas incluídas nos pedidos de abertura de inquérito feitos por Janot na terça-feira. À noite, foi divulgado que o presidente do Senado está entre os parlamentares que serão investigados pela Procuradoria-Geral.
 
Pelo segundo dia consecutivo, Renan se posicionou de forma crítica à maneira como Janot conduziu os processos da Lava Jato e os pedidos de investigação de políticos suspeitos de envolvimento com o esquema. Na quinta-feira, Renan já havia feito ataques indiretos ao procurador-geral. Afirmou que era preciso mudar as regras no Ministério Público em caso de procuradores que estivessem disputando a reeleição - é o caso de Janot, cujo mandato acaba em setembro.
 
Plenário. Se o Supremo autorizar a investigação sobre o envolvimento do peemedebista com o esquema de desvios na Petrobras e o parlamentar for posteriormente denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o julgamento será conduzido pelo plenário da Corte, e não pela 2.ª turma, formada por cinco ministros, como ocorrerá com os demais congressistas. A legislação estabelece que os atos tanto do presidente do Senado como do da Câmara só podem ser examinados pelo plenário do STF. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Investigação sobre juiz do caso Eike vê sumiço de dinheiro, diz revista

Investigação sobre juiz do caso Eike vê sumiço de dinheiro, diz revista

Estadão Conteúdo
Uma junta de juízes designada pela Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio e Espírito Santo) detectou o sumiço na 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro de parte de R$ 116 mil apreendidos na casa do empresário Eike Batista, além de R$ 600 mil recolhidos do traficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, preso no Rio em junho de 2013, aos 35 anos, de acordo com informações da revista Veja na edição que chega às bancas neste final de semana. Os recursos estavam sob a guarda do juiz federal Flávio Roberto de Souza, que foi responsável pelo caso Eike Batista. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, tentou contato com o TRF e com o juiz Souza na manhã deste sábado, 7, mas não obteve resposta até o momento.

Souza foi afastado das funções do cargo pelo Órgão Especial do TRF na última quinta-feira, 5, e foi aberto um processo administrativo disciplinar contra o magistrado. O titular da 3ª Vara Federal Criminal do Rio já havia sido retirado do caso Eike após ser flagrado dirigindo o Porsche Cayenne apreendido na casa do empresário carioca.

O tribunal também iniciou investigação para apurar indícios de irregularidades na atuação do juiz. Os fatos que embasaram as medidas foram colhidos pela Corregedoria Regional durante uma correição extraordinária realizada na vara, nesta semana. Os fatos investigados envolvem atos relacionados aos processos criminais que têm Eike Batista como réu, mas também a outras ações judiciais.

No caso do sumiço do dinheiro, está sendo feita uma investigação uma vez que Souza não era o único a ter acesso aos cofres, informou a revista. De acordo com a reportagem, rumores sobre o desaparecimento foram oficialmente levados pelo corregedor Guilherme Couto ao magistrado, que teria informado que o dinheiro estava em um armário. Ao contarem o dinheiro, no entanto, foi detectado que faltava uma parte, que ainda não teria sido localizada, segundo matéria da revista.

Processos suspensos

No último dia 3, os processos contra o empresário Eike Batista foram suspensos por decisão da 2ª Turma Especializada do TRF, até que se defina qual vara e juiz serão responsáveis pelo caso - foi feita uma consulta ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além disso, Souza foi afastado de todos os processos penais contra o empresário e os seus atos no processo foram anulados, exceto os bloqueios de bens já efetuados. A medida deve ser apreciada pelo juiz que assumir o caso a partir de agora.

O afastamento foi resultado do acolhimento da exceção de suspeição, pedida pela defesa do empresário. O advogado Ary Bergher, que representa o empresário Eike Batista, afirmou ao Broadcast que a defesa irá apresentar no início da próxima semana um pedido ao TRF para que seja designado o novo juiz, uma vez que os bens de Eike seguem apreendidos.

A respeito da suspeita de sumiço do dinheiro, Bergher chamou o fato de "gravíssimo". "Prestamos um serviço à sociedade e ao judiciário fazendo a exceção de suspeição do juiz Flávio Roberto de Souza". Na semana passada, o magistrado pediu afastamento por problemas de saúde e ficará de licença até 8 de abril.

MPF divulga estrutura da suposta organização criminosa na Petrobras Dinheiro desviado era repassado a políticos periodicamente, diz Youssef. Crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha serão investigados.

As delações premiadas do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef são o ponto de partida das investigações.

Ministério Público Federal dividiu a estrutura da suposta organização criminosa em quatro núcleos: político, administrativo, econômico e financeiro.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o núcleo político era formado principalmente por parlamentares que indicavam funcionários de alto escalão na Petrobras, em especial diretores, que formavam o chamado núcleo administrativo:

- Paulo Roberto Costa foi indicado pelo Partido Progressista

- O ex-diretor de Serviços Renato Duque foi indicação do PT

- O ex-diretor da área internacional da estatal, Nestor Cerveró, do PMDB

Os diretores, segundo as investigações, recebiam propina das empreiteiras, que atuavam em cartel em obras da Petrobras. Elas se reuniam no chamado núcleo econômico, de acordo com o Ministério Público.

Entre as empresas citadas nas investigações, estão Galvão Engenharia, Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, Setal, GDK e OAS.

De acordo com o Ministério Público Federal, as empresas passavam dinheiro para os operadores do esquema - o núcleo financeiro - que tinha a função de repassar esses valores para os políticos e diretores da Petrobras.

Segundo as investigações, esses pagamentos eram feitos por Alberto Youssef para o PP, Fernando Soares, o Fernando baiano, para o PMDB, e João Vaccari Neto para o PT.

Além dos indícios de corrupção e de lavagem de dinheiro, procuradores e policiais federais vão investigar se parlamentares cometeram crime de quadrilha. Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que parte do dinheiro desviado da Petrobras era repassada a políticos de maneira periódica. Mas também havia pagamentos esporádicos durante campanhas eleitorais ou em época de escolha das lideranças dos partidos.

Em troca desse dinheiro extra, esses políticos apoiavam a permanência dos diretores da Petrobras no cargo e não interferiam no cartel das empresas.

Youssef também contou em detalhes como funcionava a distribuição de propina dentro do Partido Progressista, o que terá mais políticos investigados. Segundo Youssef, nem todos recebiam o mesmo valor: quem mandava mais, ganhava mais.

Quando o esquema foi criado, o então líder do PP na Câmara, José Janene, que morreu em 2010, recebia a maior parte da propina. As demais lideranças, João Pizzolatti, Pedro Corrêa, Mario Negromonte e Nelson Meurer recebiam um percentual dos recursos desviados, de R$ 250 mil a R$ 500 mil mensais. Os outros parlamentares do PP envolvidos no esquema recebiam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil por mês, conforme a força política de cada um no partido. A maior parte do dinheiro vinha de contratos da Petrobras, segundo as investigações.

Mas nem sempre essa divisão era pacífica. Em pelo menos um momento, houve disputa dentro do próprio partido por causa da divisão da propina, segundo as revelações do doleiro. Youssef conta que, depois da morte de Janene, o grupo formado por Nelson Meuer, João Pizzolati, Mario Negromonte e Pedro Corrêa passou a ficar com a maior parte do dinheiro desviado da Petrobras, em detrimento de outros membros da bancada do PP.

Outro grupo do Partido Progressista, formado por Ciro Nogueira, Arthur Lira, Benedito de Lira, Eduardo da Fonte e Aguinaldo Ribeiro, não gostou: se rebelou e assumiu a liderança da legenda.

Paulo Roberto Costa disse que se reuniu com esse grupo no Rio de Janeiro e foi informado de que os repasses da Petrobras deveriam a partir daquele momento ser feitos diretamente a Arthur Lira, na época líder do PP.

A relação de Paulo Roberto com o PP era tão próxima que em 2011 ele recebeu de presente um relógio Rolex, uma homenagem ao “homem do Partido Progressista dentro da Petrobras”.

Mas Paulo Roberto também serviu a outros partidos. O ex-diretor da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef contaram que depois de um período em que ficou doente, Paulo Roberto Costa recebeu apoio de senadores do PMDB para não ser afastado da diretoria da Petrobras. A partir daí, o partido também passou a receber uma parcela das comissões de contratos da Petrobras.

O tesoureiro do PT, João Vaccari, é citado no depoimento do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. Barusco, que também fez delação premiada, estima que foi pago de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões ao PT, entre 2003 e 2013, com a participação de João Vaccari Neto.

Os delatores também citam o PSDB nos depoimentos. Paulo Roberto Costa afirmou que se reuniu em 2010 com o deputado Eduardo da Fonte, do PP, e o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, já falecido. Nesse encontro, eles teriam decidido pagar R$ 10 milhões ao PSDB para que fosse barrada a instalação de uma CPI que investigaria contratos da Petrobras.
O Partido Progressista afirmou que não compactua com atos ilícitos e que confia na apuração da Justiça, para que a verdade prevaleça.
O Jornal Nacional também ouviu os políticos do PP citados na reportagem.

O ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, disse que tem convicção de que as investigações confirmarão a completa inconsistência dos indícios supostamente relacionados a ele.
O senador Ciro Nogueira disse que não compactuou com qualquer ilegalidade e que contesta com veemência as acusações a seu respeito.
O senador Benedito de Lira disse que nunca participou de discussão no comando partidário ou combinou maus feitos com os demais citados e que vai provar a sua inocência.
O deputado Eduardo da Fonte disse que só vai se pronunciar quando tiver conhecimento do teor da petição.
O deputado Aguinaldo Ribeiro também disse que só vai se pronunciar quando tiver conhecimento sobre o teor da petição, mas afirmou que está tranquilo.
O advogado do ex-deputado João Pizzolatti disse que ainda não conhece o teor do processo.
O advogado de Pedro Corrêa disse que o ex-deputado não tinha mandato durante a investigação da Operação Lava-Jato e que, por isso, não caberia a inclusão do nome dele na lista. Pedro Corrêa foi condenado no Mensalão do PT e cumpre pena no presídio de Canhotinho, no interior de Pernambuco. 
Os deputados Arthur Lira e Nelson Meurer não foram localizados.
O PMDB negou veementemente as denúncias e informou que jamais autorizou quem quer que seja a agir como intermediário.
A defesa de Fernando Soares, o Fernando Baiano, não foi localizada.
Em nota, o PT declarou que todos os investigados devem ter direito a ampla defesa e que apoia o prosseguimento das investigações de forma completa e rigorosa.
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, vem negando as irregularidades e disse que sempre esteve à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento.
Em nota, o PSDB disse que vai tomar as medidas necessárias após análise de cada caso e que recebeu a divulgação da lista com a serenidade e a responsabilidade de um partido que sempre se dedicou à coisa pública com zelo e correção.

Ministro da Justiça nega interferência do governo na lista da Lava Jato

(Reuters) - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou com veemência qualquer interferência do governo na lista de políticos e outras pessoas a serem investigadas por conta da operação Lava Jato, que investiga um escândalo de corrupção na Petrobras.
Na sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito contra 47 políticos com ou sem mandato e outras duas pessoas no âmbito dessas investigações.
Neste sábado, Cardozo disse a jornalistas em São Paulo que imaginar qualquer interferência do Executivo federal para "proteger aliados ou para punir quem quer que seja é algo que não se sustenta pela mera análise fática e da realidade institucional que o Brasil hoje tem".
Segundo o ministro, a análise factual mostra que as medidas anunciadas por Zavascki, com base em pedidos do procurador da República, Rodrigo Janot, estão relacionadas com a delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Como, questionou Cardozo, o governo poderia interferir nos depoimentos de Youssef e Costa, lembrando ainda que entre os políticos que serão investigados estão membros do PT, partido dele e da presidente Dilma Rousseff.
"Ao Executivo cabe apenas dizer... que não fez, não faria e não poderia fazer qualquer interferência em relação a essas delações ou em relação às decisões acerca delas que foram tomadas" pelo procurador-geral da República e pelo ministro do STF, disse Cardozo, ressalvando que as pessoas que serão investigadas não devem ser prejulgadas.
Ele reforçou também que a decisão de Zavascki mostra que não há nada a investigar sobre a presidente Dilma Rousseff, citando trecho da medida divulgada na sexta-feira.
"Em relação à 'referência a envolvimento indireto' da campanha da presidente da República, o próprio procurador-geral da República (Rodrigo Janot) já adiantava excluir, dos elementos à vista, conclusão que conduzisse a procedimento voltado à chefe do Poder Executivo, portanto, a rigor, nada a arquivar em relação a presidente da República", disse Zavascki.

Para Cardozo isso mostra claramente que a decisão de isentar a presidente foi tomada por não haver fatos a serem investigados e não porque a Constituição impede que a presidente da República no exercício de seu mandato seja responsabilizada por atos estranhos às suas funções, como diz o artigo 86.