sexta-feira, 6 de março de 2015

AS LIGAÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA JATO Quem são os suspeitos e como funcionava, segundo a PF, o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões e envolveu a Petrobras

Publicado em: 18/11/2014 (Atualizado em 2/3/2015)
O que é: Operação Lava Jato
Quando: Deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal
Suspeitas:
  •  Lavagem de dinheiro de pessoas físicas e jurídicas
  •  Pagamento de propina a políticos
  •  Caixa 2 para financiar partidos aliados do governo
  •  Corrupção de agentes públicos
  •  Sonegação fiscal e evasão de divisas
  •  Desvios de recursos públicos e da Petrobras

Como o dinheiro era desviado, em três passos

Entenda o esquema, segundo a Polícia Federal e depoimentos da delação premiada

Quem ficava com o que na Petrobras

Investigação e depoimentos apontam que partidos controlavam diretorias, segundo a Polícia Federal

Principais delatores

Doleiro, ex-diretor da Petrobras e empresários de fornecedora da estatal fizeram acordo de delação premiada

Alberto Youssef

ATIVIDADE
Doleiro, tinha a empresa de fachada MO Consultoria. Foi condenado
em 2004 por fraudes na venda do Banestado e envio ilegal de dinheiro
ao exterior
FUNÇÃO
Apontado pela polícia como operador do esquema
LIGAÇÕES
Relações com parlamentares e órgãos federais. Tentou fechar contrato com Ministério Saúde por meio do Labogen, laboratório do qual é investidor

Paulo Roberto Costa

ATIVIDADE
Diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012
FUNÇÃO
Pressionava empresas com negócio com a Petrobras a pagarem propina
LIGAÇÕES
No acordo de delação premiada, cita 3 governadores, 1 ministro, 6 
senadores, 25 deputados federais e 3 partidos envolvidos no esquema, segundo reportagem da revista ‘Veja’

Augusto Mendonça Neto e Julio Camargo Neto

ATIVIDADE
Executivos da empreiteira Toyo Setal
FUNÇÃO
Empresa era uma das fornecedoras da Petrobras, com contratos como o 
de R$ 1,1 bilhão do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro)
LIGAÇÕES
Mendonça diz que as empreiteiras formavam um ‘clube’ para realizar as 
obras da estatal. Diz ter pago cerca de R$ 60 milhões para Duque

Pedro Barusco

ATIVIDADE
Ex-gerente de Serviços da Petrobras (abaixo de Duque).
Fez acordo de delação premiada
FUNÇÃO
Em depoimento, estima que o PT recebeu até US$ 200 milhões de propina entre 2003 a 2013. Afirma ter recebido US$ 1 milhão de propina da empreiteira Odebrecht em 2009
LIGAÇÕES
Admite ter feito ‘contabilidade do esquema da Petrobras. Os valores mencionados se referem a 90 contratos com grandes empresas. Cita a participação de João Vaccari Neto (secretário nacional do PT)

Outros delatores*

Ao todo, foram feitos 15 acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal

Principais contratos investigados

Obras de refinarias no Brasil e compra de Pasadena estão no radar da Polícia Federal

A situação dos suspeitos da Lava Jato até agora

Dirigentes de empreiteiras, diretores da Petrobras e pessoas ligadas a Youssef foram levados para a PF

Linha do tempo da investigação

Operação foi deflagrada em 17 de março
Créditos
Edição: Gustavo Miller (Conteúdo), Leo Aragão (Infografia) e Marcelo Brandt (Fotografia)
Infografia: Karina Almeida e Roberta Jaworski
Desenvolvedores: Fábio Rosa e Rogério Banquieri

Dez mulheres no contingente brasileiro da MINUSTAH


A tenente-coronel Maria das Graças Andrade de Jesus (esquerda) e a tenente Paola de Carvalho Andrade estão entre as 10 oficiais que participarão do 22º Contingente do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti . (MINUSTAH). [Foto: PH Freitas]
A tenente-coronel Maria das Graças Andrade de Jesus (esquerda) e a tenente Paola de Carvalho Andrade estão entre as 10 oficiais que participarão do 22º Contingente do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti . (MINUSTAH). [Foto: PH Freitas]

Por Eduardo Szklarz

Mais de 200 militares brasileiras já serviram na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Atualmente, outras 10 se preparam para serem enviadas ao país caribenho em maio, quando participarão do 22º Contingente do Brasil nesta missão de paz.
Mais de 200 militares brasileiras já serviram na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Atualmente, outras 10 se preparam para serem enviadas ao país caribenho em maio, quando participarão do 22º Contingente do Brasil nesta missão de paz.
Uma dessas oficiais, a Tenente Coronel Maria das Graças Andrade de Jesus, é uma advogada que dará assessoria jurídica ao 22º Contingente do Batalhão de Infantaria de Força de Paz (BRABAT 22).
“Representar o Brasil em uma missão de paz é motivo de orgulho para todo militar”, diz a Ten Cel Maria das Graças. “O lema do BRABAT 22 será ‘Tudo por um ideal’, na certeza de que os desafios serão constantes, mas que para vencê-los empregaremos os nossos mais nobres esforços com coragem, perseverança e fé.”
Atualmente, o Brasil tem 14 mulheres no BRABAT, quatro no Contingente da Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) e um Grupamento de Fuzileiros Navais, segundo o Ministério da Defesa.
Haitianos apoiam o Batalhão brasileiro
Outra oficial, a Tenente Paola de Carvalho Andrade, é uma jornalista que trabalhará no Setor de Comunicação Social (G10) do BRAENGCOY. Esta é sua segunda passagem pelo contingente brasileiro na MINUSTAH. A primeira foi em 2007-2008, quando ela foi membro do BRABAT 8.
“É inegável a grande motivação de participar de uma operação de paz representando o meu país”, diz Maria das Graças. “Participar do BRABAT 8 foi uma experiência extremamente gratificante, pois o Batalhão brasileiro é respeitado e admirado pela população haitiana e pelos contingentes dos demais países que integram a missão.”
Além da função de assessora jurídica, a Ten Cel Maria da Graça integrou as ações de Cooperação Civil-Militar (CIMIC), incluindo a distribuição de alimentos e brinquedos, e orientações médico-sanitárias desenvolvidas pelo Batalhão.
“A experiência no Haiti superou as minhas expectativas. Acredito que tenha sido o ápice da minha carreira como advogada e oficial”, conta. “Tive a oportunidade de liderar e ser liderada, aprender e ensinar, rever conceitos e valores, trocar experiências, enfim, de crescer profissionalmente e como ser humano.”
O que mais a marcou durante sua primeira missão foi a oportunidade de interagir com pessoas de diferentes países e culturas. “Dessa forma, conseguimos proporcionar à população haitiana melhor condição de vida e segurança.”
Agora, Maria das Graças também fornecerá assessoria jurídica ao comando do Batalhão, orientando e supervisionando a condução e regularidade dos procedimentos investigativos a cargo do Contingente, propondo medidas de treinamento preventivo para as tropas, elaborando recomendações e executando outras missões definidas pelo comandante do BRABAT 22.
Missão ajuda haitianos a caminhar com suas próprias pernas
Segundo a Ten Paola, as missões de paz aumentam a consciência dos desafios enfrentandos por outros povos.
“Os problemas de países como Haiti, Timor Leste e Sudão são problemas de todos. Quando um ser humano é desrespeitado, todos são”, diz ela. “A MINUSTAH e outras missões são uma esperança de resgate de dignidade, autonomia e respeito. Isso é motivante.”
Durante a missão, ela vai fornecer informações para os canais de comunicação do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Também servirá de elo para os que desejam conhecer o BRAENGCOY, incluindo órgãos de imprensa, organizações militares ou membros da sociedade civil brasileira ou internacional.
“O G10 funciona como uma assessoria de comunicação, sendo que a tarefa mais interessante é a de contribuir para manter o moral da tropa”, afirma.
A principal expectativa é que o Haiti seja capaz de restabelecer suas estruturas como Estado e que suas instituições recomecem as operações, diz Paola.
“A MINUSTAH não resolverá os problemas dos haitianos, mas poderá minimizá-los, dando ferramentas e segurança para que eles se organizem e assumam seus rumos”, afirma. “Ao longo desses 11 anos de missão, obtivemos o respeito da ONU e da população haitiana. Isso fortalece a imagem do Brasil, mas, sobretudo, fortalece a nossa identidade e a consciência de que podemos fazer – e fazer bem.”
Preparação intensa
O treinamento ao qual as duas mulheres se submeteram é o mesmo do resto dos membros da Missão.
“Recebemos treinamentos diversos. Alguns são direcionados a todos os militares do Contingente e outros são específicos por área de atuação”, explica a Tenente Paola.
A primeira fase de preparo é descentralizada. As militares recebem informações sobre a Missão e as peculiaridades do Haiti, além de instruções de tiro, saúde e direitos humanos. Depois, elas realizam atividades específicas, como o Estágio de Comunicação Social, Estágio de Preparação para o Estado-Maior e os Cursos para Intérpretes.
“Além de promover a reciclagem dos militares, esses estágios os colocam em contato com a experiência de quem já esteve em missões anteriores”, diz a Ten Paola. “Por fim, é feito o preparo centralizado: durante um mês, os militares participam de treinamentos que simulam situações reais, realizam tarefas e são submetidos às pressões que encontrarão no Haiti.”
O 22º Contingente do Brasil da Missão Humanitária deve permanecer no Haiti por seis meses, mas sua permanência poderá ser estendida pela ONU.

Ministro do STF autoriza investigação de 47 políticos na Lava Jato

06/03/2015 20h26 - Atualizado em 06/03/2015 21h10

Ministro do STF autoriza investigação de 47 políticos na Lava Jato

Teori Zavascki atendeu à PGR e mandou abrir inquéritos no Supremo.
Ele também retirou o segredo de todos os procedimentos de investigação.

Do G1, em Brasília
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (6) autorizar a abertura de inquérito para investigar 47 políticos suspeitos de participação no esquema de corrupção da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato.
A informação foi dada a partir das 20h25, depois de um dia de intensa ansiedade nos meios políticos de Brasília. Uma assessora do Supremo leu os nomes dos parlamentares alvos dos inquéritos. São os seguintes:
PP
- Senador Ciro Nogueira (PI)
- Senador Benedito de Lira (AL)
- Senador Gladson Cameli (AC)
- Deputado Aguinaldo Ribeiro (PB)
- Deputado Simão Sessim (RJ)
- Deputado Nelson Meurer (PR)
- Deputado Eduardo da Fonte (PE)
- Deputado Luiz Fernando Faria (MG)
- Deputado Arthur Lira (AL)
- Deputado Dilceu Sperafico (PR)
- Deputado Jeronimo Goergen (RS)
- Deputado Sandes Júnior (GO)
- Deputado Afonso Hamm (RS)
- Deputado Missionário José Olímpio (SP)
- Deputado Lázaro Botelho (TO)
- Deputado Luis Carlos Heinze (RS)
- Deputado Renato Molling (RS)
- Deputado Renato Balestra (GO)
- Deputado Lázaro Britto (BA)
- Deputado Waldir Maranhão (MA)
- Deputado José Otávio Germano (RS)
- Ex-deputado e ex-ministro Mario Negromonte (BA)
- Ex-deputado João Pizzolatti (SC)
- Ex-deputado Pedro Corrêa (PE)
- Ex-deputado Roberto Teixeira (PE)
- Ex-deputada Aline Corrêa (SP)
- Ex-deputado Carlos Magno (RO)
- Ex-deputado e ex-vice governador João Leão (BA)
- Ex-deputado Luiz Argôlo (BA) (filiado ao Solidariedade desde 2013)
- Ex-deputado José Linhares (CE)
- Ex-deputado Pedro Henry (MT)
- Ex-deputado Vilson Covatti (RS)
PMDB
- Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado
- Senador Romero Jucá (RR)
- Senador Edison Lobão (MA)
- Senador Valdir Raupp (RO)
- Deputado Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara
- Deputado Aníbal Gomes (CE)
- Ex-governadora Roseana Sarney (MA)
PT
- Senadora Gleisi Hoffmann (PR)
- Senador Humberto Costa (PE)
- Senador Lindbergh Farias (RJ)
- Deputado José Mentor (SP)
- Deputado Vander Loubet (MS)
- Ex-deputado Cândido Vaccarezza (SP)
PSDB
- Senador Antonio Anastasia (MG)
PTB
- Senador Fernando Collor (AL)
Arquivamentos
Além dos pedidos de abertura de inquérito, o Ministério Público Federal pediu o arquivamento em outros sete casos, entre os quais os dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência da República, e Delcídio Amaral (PT-MS); e dos ex-deputados Alexandre Santos (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-presidente da Câmara.
Outros três - os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) - tiveram parte das acusações arquivadas, mas serão alvos de inquérito em relação a outra parte.
Dilma e Palocci
A presidente Dilma Rousseff é citada em um depoimento de delação premiada, mas o procurador-geral informou que não tem competência legal para investigá-la.
No caso do Antonio Palocci, o ministro decidiu, conforme o pedido da Procuradoria Geral, remeter o caso para a primeira instância da Justiça Federal no Paraná.
Em depoimento em delação premiada do doleiro Alberto Youssef, Dilma é citado como suposta beneficiária de contribuições para a campanha eleitoral de 2010. O doleiro afirmou que Palocci teria pedido a ele recursos para a campanha.
21 inquéritos
Conforme a assessoria do STF, os 47 políticos serão investigados em 21 inquéritos instaurados no tribunal. Para o ministro Teori Zavascki, há indícios de ilicitude e não foram verificadas "situações inibidoras do desencadeamento da investigação".
Zavascki destacou, porém, que a abertura de investigação não representa “juízo antecipado sobre autoria e materialidade do delito”, principalmente nos em que os indícios foram obtidos por meio de depoimentos feitos com base em delação premiada.
“Tais depoimentos não constituem, por si sós, meio de prova, até porque, segundo disposição normativa expressa, nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador", afirmou o ministro, ao deferir os pedidos do procurador-geral.
Em relação aos arquivamentos, o ministro argumentou que, conforme entendimento "pacífico" do Supremo, a Corte não pode recusar pedido de arquivamento feito pelo procurador-geral.
Leia abaixo as decisões do ministro Teori Zavascki conforme publicação no site do Supremo Tribunal Federal:
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Lista da Lava Jato (Foto: STF)