sábado, 7 de fevereiro de 2015

CVM abre processo sobre troca de comando na Petrobras

CVM abre processo sobre troca de comando na Petrobras

Anúncio da renúncia de Graça Foster foi feito fora do prazo da Bovespa.
Divulgação do novo presidente nesta sexta aconteceu durante pregão.

Do G1, no Rio e em São Paulo
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirmou nesta sexta-feira (6) que abriu um processo administrativo para analisar a divulgação, pela Petrobras, da renúncia da agora ex-presidente da companhia, Graça Foster, e de cinco diretores, na quarta-feira. Também nesta sexta, o Conselho da petroleira aprovou o nome de Aldemir Bendine para assumir o cargo.
Ele ocupa a presidência do Banco do Brasil desde 2009 e é ligado ao PT, apesar de não ser filiado ao partido. Pela manhã, o Blog da Cristiana Lôbo havia antecipado a escolha de Bendine para a presidência da Petrobras, o que já causou reações no mercado. A escolha gerou críticas, fez as ações da Petrobras e do BB caírem e o dólar fechar na cotação mais alta desde dezembro de 2004. 
A troca foi realizada em meio às investigações de desvio de dinheiro da estatal na Operação Lava Jato, que causou uma crise da empresa no mercado financeiro.
selo novo presidente Petrobras Aldemir Bendine (Foto: Editoria de arte/G1)
Apuração da CVM
As renúncias de Graça Foster e dos diretores foram comunicadas pela Petrobras na quarta (4), em resposta a um questionamento feito na véspera pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) – que solicitava à companhia explicação  sobre os rumores da troca de comando e sobre a forte oscilação no valor das ações.
A resposta foi enviada pela Petrobras ao sistema da CVM às 10h13, mais de uma hora após o prazo determinado pela Bovespa, de 9h.
Além disso, não houve comunicação por meio de "fato relevante" – um tipo específico de comunicado exigido pela CVM em caso de "qualquer decisão de acionista controlador, deliberação da assembléia geral ou dos órgãos de administração da companhia aberta, ou qualquer outro ato ou fato de caráter político-administrativo, técnico, negocial ou econômico-financeiro ocorrido ou relacionado aos seus negócios".
Devem ser comunicados por meio de "fato relevante" decisões que possam influir "na cotação dos valores mobiliários de emissão da companhia aberta ou a eles referenciados" e "na decisão dos investidores de comprar, vender ou manter aqueles valores mobiliários".
Novo presidente
O anúncio do nome de Bendine nesta tarde também seguiu um roteiro pouco usual. O comunicado foi arquivado na CVM às 15h22, enquanto as operações na Bovespa seguiam abertas.
O manual da bolsa determina que esse tipo de divulgação deve ser feito, "sempre que possível", antes do início ou após o encerramento dos negócios nas bolsas de valores.
Em nota, a CVM não apontou se essa divulgação pode dar origem a outro processo, e informou apenas que "acompanha e analisa as informações envolvendo as companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, quando necessário".
A comissão disse que não comenta casos específicos em andamento, "inclusive para não afetar negativamente trabalhos de análise ou apuração que entenda cabíveis".
Questionada pelo G1, a Bovespa afirmou que a própria regulamentação prevê a possibilidade de divulgação durante o pregão.
Reações
Além da reação negativa do mercado, que esperava um nome com perfil menos político que Bendine, a escolha da presidente Dilma Rousseff foi criticada pela oposição e até por representante do próprio Conselho da estatal.
O representante dos acionistas minoritários, Mauro Cunha, divulgou nota na qual afirma que a escolha de Bendine desrespeitou o Conselho e que o governo "impôs sua vontade sobre os interesses da Petrobras, ignorando os apelos de investidores de longo prazo".
O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse em sua página na rede social Facebook que "não tendo conseguido alguém de fora do governo que se dispusesse a ser sócio do maior escândalo de corrupção da história contemporânea do país, restou à presidente buscar dentro do próprio governo o novo presidente da Petrobras".
Parlamentares da base aliada defenderam a escolha, apesar de reconhecerem que a decisão não agradou os investidores. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que Bendine é "um bom executivo" e que "saberá fazer a composição do conselho e fazer uma boa gestão".

Com projeto cancelado, índios temem que Petrobras descumpra acordo

Com projeto cancelado, índios temem que Petrobras descumpra acordo

Empresa desistiu de refinaria que ocuparia terreno cedido por indígenas.
Atuais terras já foram cortadas por cercas, gasodutos e rodovias.

André TeixeiraDo G1 CE
Terreno que pertencia ao povo Anacé em que já foi iniciada a construção de uma nova refinaria da Petrobras, projeto cancelado (Foto: André Teixeira/G1)Terreno que pertencia ao povo Anacé em que já foi iniciada a construção de uma nova refinaria da Petrobras, projeto cancelado (Foto: André Teixeira/G1)
Os índios que tiveram terras desapropriadas para dar lugar à refinaria da Petrobras no litoral do Ceará vivem tempos de incerteza. Com o cancelamento do projeto, o povo Anacé teme que a estatal descarte também o apoio à transferência dos indígenas para uma nova reserva, algo acertado em troca da cessão da área que abrigaria o empreendimento.
Em 28 de janeiro, a Petrobras informou no balanço do terceiro trimestre que as duas refinarias Premium, no Ceará e Maranhão, não sairiam do papel. A empresa sofre uma grave crise eanunciou nesta sexta (6) seu novo presidente. Uma cidade no norte do Maranhão também conta os prejuízos.
O cancelamento dos empreendimentos gerou perdas de R$ 2,707 bilhões. Cerca de R$ 600 milhões já haviam sido investidos pela estatal em serviços como a construção de dutos e terraplanagem do terreno destinado à Premium II.
Região do povo Anacé
  • Indígenas vivem nas divisas entre as cidades de Caucaia e São Gonçalo do Amarante
O povo Anacé afirma que concordou em deixar as áreas de Matões e Bolso, que ficam no limite entre as cidades de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, no litoral cearense, sob as seguintes condições: que o governo do estado construísse uma nova reserva para a comunidade, a União reconhecesse o território como indígena e a Petrobras investisse no processo de transferência para amenizar os impactos da saída do local onde viveram.
Outro ponto do acordo foi não remover o cemitério indígena do povoado.
O terreno onde ficará a nova morada dos Anacé fica dentro de Caucaia, a 13 km da atual. O governo diz que o valor das obras da reserva é de R$ 13.752.248,23 (proposta vencedora da licitação). "A reserva, que espalhada por uma área de 540 hectares, terá escola, posto de saúde, casas, sistemas de abastecimento de água e esgoto entre outras benfeitorias para abrigar as 163 famílias a serem realocadas", diz nota. A previsão de conclusão das obras é março de 2015.
Terra “sufocada”
As terras indígenas de Bolso e Matões foram cortadas por cercas, gasodutos e rodovias que iriam abastecer a refinaria. Alessandra Maria, moradora de Matões, se diz “sufocada” na própria terra.
Alessandra Maria Anacé (Foto: André Teixeira/G1)
Os moradores têm de conviver com o trânsito e a violência. Heloísa Gustavo se queixa da movimentação de caminhões que fazem a “poeira subir” e causam doenças respiratórias nos filhos. “O sossego e a tranquilidade daqui não existem mais. Até violência, que não tinha por aqui, já virou comum”, afirma Alessandra Maria.
“O melhor é que a gente não tivesse que sair daqui, mas nosso terreno foi tão invadido, tão cortado por estradas, descaracterizado, que o melhor é ir para a nova reserva. A gente fica triste. É ruim ter que deixar aqui, mas já decidimos”, diz ela.
Falta de definição
A União já declarou a terra como área dos Anacé, e o governo do estado dá continuidade às obras da reserva, com construção de casas, posto de saúde e escola. Da Petrobras, eles seguem sem respostas, segundo os índios que conversaram com o G1 em visita à aldeia.
A companhia não deu posicionamento sobre a questão até a publicação desta reportagem.O governo cearense diz que "as obras da Reserva Anacé estão em andamento normal, já com a conclusão dos serviços de terraplenagem, instalação de rede de energia, vias de acesso, execução e delimitação dos lotes".
Antonio Alexandre (Foto: André Teixeira/G1)
São 134 famílias de Matões e 29 de Bolso já indenizadas esperando a conclusão da reserva para fazer a mudança. Parte do lugar onde moram daria lugar à Premium II.
O acordo feito pela Petrobras segundo os Anacé, era financiar a transferência da produção das famílias afetadas, como as hortaliças de Antônio Alexandre. “A nossa vida agora é de incerteza. A gente não sabe se vale a pena ficar aqui e expandir a produção, se aguarda para investir na reserva que está em construção ou se vão manter os acordos que tinham de ajudar a transferir nossa produção”.
Vários indígenas da região plantam hortaliças que abastecem mercados das cidades vizinhas. Com a desistência da Petrobras em investir na refinaria, eles não sabem como será a transferência do cultivo.
Reunião na segunda
Os indígenas têm reunião marcada com membros da Funai (Fundação Nacional do Índio) e da Petrobras nesta segunda (9), na sede do Ministério Público Federal no Ceará, em Fortaleza. No encontro, eles vão reivindicar do governo e da Petrobras o cumprimento dos acordos. Os líderes indígenas afirmam que ainda não foram notificados formalmente sobre o fim do empreendimento e só devem comentar oficialmente sobre o assunto após a reunião no Ministério Público.
Cemitério dos Anacé (Foto: André Teixeira/G1)Cemitério dos Anacé, mantido pelo acordo com os
indígenas (Foto: André Teixeira/G1)
Outra preocupação dos indígenas é a manutenção dos serviços de educaçao e sáude na futura reserva. Na quarta-feira (4), as 134 famílias da área participaram de uma campanha de vacinação contra o sarampo. A cidade de Caucaia registrou um caso da doença neste ano, o que colocou o Ceará em estado de atenção.
"O serviço de saúde é muito eficiente, atende quem é indígena e quem não é porque temos o apoio do governo municipal de Caucaia. O que não temos certeza, e também queremos garantir, é que isso tudo continue no terreno da União", diz Alessandra Maria.
O governo estadual diz que um posto de saúde será construído na nova reserva.
Denúncias
O Ministério Público Federal apura denúncia de problemas na construção das casas previstas no projeto Taba dos Anacés. Lideranças indígenas informaram as que obras estariam causando danos ao meio ambiente, por conta de aterramento de uma lagoa.
Também relataram irregularidades em dimensões das residências, utilização de materiais de baixa qualidade nas obras e que equipamentos de seguranças não estariam sendo utilizados por trabalhadores contratados pela empreiteira.
O governo do estado nega as denúncias de problemas na construção e diz que a obra ''respeita todas as especificações do edital'' e é fiscalizada por dois engenheiros da Secretaria Estadual da Infraestrutura.

Obama vai avançar com pedido de autorização para usar força militar contra Estado Islâmico

Obama vai avançar com pedido de autorização para usar força militar contra Estado Islâmico

Espera-se que Barack Obama peça formalmente autorização, nos próximos dias, ao Congresso para a utilização de força militar contra o Estado Islâmico.

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Barack Obama irá enviar ao Congresso uma proposta para autorizar o uso da força contra o Estado Islâmico no curto prazo. John Boehner, porta-voz da Câmara dos Representantes, afirmou esta quinta-feira que se está a preparar, aquilo que se calcula que seja uma dura batalha política no Capitólio.
O Secretário para a imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, revelou que a administração irá enviar uma "linguagem específica" de uma autorização para o uso de força militar ao congresso "relativamente cedo".
O Presidente americano é obrigado por lei a garantir a aprovação do Congresso para operações militares prolongadas. Esta autorização é obtida através de um AUMF (autorização para uso de força militar) no Capitólio.
Sobre este requerimento a ser apresentado por Obama, o republicano Boehner afirmou que "no que toca a ir para a guerra, o Congresso não pode atar as mãos do Presidente", e garantiu que "vamos passar por uma rigorosa série de audições, e a continuar a discutir este tema."
O prazo para a apresentação deste pedido ainda não é conhecido, no entanto, na passada quarta-feira, o Presidente da Comissão do Senado para as Relações Externas, Bob Corker, afirmou que espera ver os contornos deste AUMF "algures entre esta semana e o final da próxima semana."


Ler mais: http://visao.sapo.pt/obama-vai-avancar-com-pedido-de-autorizacao-para-usar-forca-militar-contra-estado-islamico=f809480#ixzz3R3Xty34P

Aldeias de Xisto: Um passado que também é futuro

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Aldeias de Xisto: Um passado que também é futuro

Em plena serra da Lousã, as velhas aldeias são hoje uma das maiores atrações da região, graças a uma geração de habitantes que lhes deu nova vida. Lugares com cheiro a lenha e pão acabado de fazer, de saberes e tradições por (re)descobrir, onde o tempo ainda corre ao ritmo da natureza

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CONHEÇA OUTROS DESTINOS: Aldeias de Norte a Sul
É quase premonitória a frase que se lê na alminha dedicada ao Senhor dos Aflitos, onde alguém, há muito tempo, pintou à mão numa pequena tábua: "Milagre que fez o Senhor dos Aflitos à aldeia da Cerdeira, que não a deixou morrer." Foi assim durante as invasões napoleónicas, quando foi uma das únicas, a par da vizinha Candal, a não ser saqueada pelas tropas francesas.
Aldeias de Xisto: Um passado que também é futuro
Uma das mais isoladas da serra, a aldeia parece ter parado no tempo, com o seu casario em xisto espalhado pela encosta, num verdadeiro monumento ao engenho humano. Os edifícios foram implantados sobre a rocha, deixando as escassas áreas mais planas para a agricultura, que os antigos habitantes dispuseram em socalcos, de modo a segurar a terra, protegendo-a assim das enxurradas.
Hoje já quase não há agricultura, mas o cenário mantém toda a sua magia, servindo agora para seduzir os visitantes, cada vez em maior número, que se deixam impressionar com esta verdadeira obra-prima da engenharia popular. A entrada na aldeia, através de um caminho pedonal em ardósia, acompanha um pequeno regato, transformado em cascata um pouco mais à frente. Não é difícil imaginar a dureza das vidas que outrora a habitaram, num ciclo que teve o seu fim na década de 70 do século passado, quando uma discussão sobre a partilha da água acabou em tragédia para os últimos habitantes primitivos da Cerdeira, numa história imortalizada, em 1992, no filme O Fim do Mundo, de João Mário Grilo.
E para a aldeia, o fim do mundo aconteceu com o golpe de sacho com que Augusto Constantino encerrou, em definitivo, a questão. Mas nem aí deixou de ser amparada pelo Senhor dos Aflitos: após cumprir a pena, Constantino aqui regressou para se dedicar, até ao fim da vida, a ensinar e partilhar os seus conhecimentos com os novos habitantes, que então começavam a chegar. Uma das primeiras a chegar foi a alemã Kerstin Thomas, que tem na aldeia um ateliê de artesanato contemporâneo, onde cria imaginativas peças e esculturas em madeira. "Durante 10 anos, fomos os únicos a viver aqui, eu, o meu mariDO e os meus dois filhos", recorda, com visível orgulho, ao olhar para o vaivém de visitantes, em especial no fim de semana, desde a abertura, há dois anos, da Cerdeira Village, uma unidade de alojamento local composta por sete casas recuperadas. "Não é só recuperar por recuperar, mas sim dar um outro sentido à vida na aldeia. As pessoas saíram porque não havia condições para terem uma vida confortável e hoje as exigências são outras", explica Kerstin, uma das grandes responsáveis pelo renascimento da aldeia através da arte e da criatividade. Começou por organizar a exposição Elementos à Solta que, todos os anos e já com nove edições, reúne obras de diversos artistas internacionais pelos campos circundantes, numa simbiose perfeita entre arte e natureza. E foi com o mesmo objetivo "de trabalhar com as pessoas de acordo com valores éticos e de modernidade", que avançou para um dos seus mais ambiciosos projetos, a criação da Casa das Artes e Ofícios. Um verdadeiro caso de estudo por ter sido construída segundo critérios de ecorreabilitação, de acordo com as técnicas antigas e apenas com recurso a materiais locais como pedra, barro, cortiça ou madeira de castanheiro.
Para além de já ter recebido diversas residências artísticas, com artistas europeus ou de paragens mais distantes, como o Nepal, a Argentina e os EUA, serviu também, no final do ano passado, como estúdio para os músicos de jazz António Eustáquio e Carlos Barretto, que aqui gravaram o disco Guitolão. "O objetivo é promover esta aldeia como um destino de turismo criativo e artístico, pois quem vem de fora sente que está a chegar a um mundo diferente, sem televisão, internet ou sequer rede telefónica, onde é possível estar em perfeita comunhão com a natureza."
Pelos caminhos do antigamente
Um dos melhores modos de conhecer a zona é a pé, pelos percursos que devolveram a vida aos antigos trilhos serranos, usados durante séculos pelos antigos habitantes. São mais de 30 os percursos pedestres que cruzam a rede das Aldeias do Xisto, numa proposta diferente para conhecer uma região onde história, natureza e tradição se cruzam a cada passo. A cerca de uma hora de caminhada da Cerdeira fica a vizinha aldeia do Candal, onde é obrigatória uma visita à Loja do Candal. É gerida por um grupo de artesãos locais e aí podem ser descobertas peças únicas de artesanato tradicional ou contemporâneo, para além de diversas iguarias serranas como os licores, os enchidos ou o mel, ou ainda aprender a confecionar pão, queijo e doces à moda antiga.
Um dos percursos pedestres mais bonitos da região é o que parte junto ao castelo da Lousã e percorre as aldeias de Casal Novo e Talasnal. Também conhecida como Castelo de Arouce, esta fortaleza, construída no século XI, foi uma das primeiras linhas defensivas criadas para controlar os acessos a Coimbra. Lá em baixo, no vale, a ribeira de São João desagua numa aprazível praia fluvial, encimada pela ermida de Nossa Senhora da Piedade, cada vez mais para trás, à medida que se sobe a encosta - primeiro por um trilho escavado na rocha, com uma vista deslumbrante sobre o desfiladeiro, e depois, mais a pique, por um carreiro entre a densa vegetação.
No Casal Novo, a única habitante a dar as boas-vindas é uma simpática gata. O largo caminho de terra batida dá agora lugar a um pequeno trilho que serpenteia, para cima e para baixo, pela floresta. Ao longe já se vê a aldeia do Talasnal, que, pela localização, dimensão e disposição do bem preservado conjunto urbano, se tornou num dos símbolos das aldeias de xisto da serra da Lousã. Durante a semana, tem apenas um único habitante (um lisboeta que há alguns anos trocou o bulício da grande cidade pelos ares da serra), mas ao fim de semana recupera a vida, entre as muitas famílias da região que aqui têm casas de férias e os cada vez mais regulares visitantes, vindos em busca de uma natureza quase virgem. É normal, aliás, quando menos se espera, dar de caras com veados, corças ou javalis. É tempo de voltar a descer, até à antiga Central Hidroelétrica da Ermida, uma peça de arqueologia industrial que serviu, em tempos, para iluminar a vila da Lousã. Passadas as águas da Ribeira de São João, que aqui corre em cascata, a estrada volta a alargar. Ao longe, mas cada vez mais perto, já se vê novamente o Castelo.
Outro percurso pedestre imperdível é o que parte de Casal de São Simão, uma pequena aldeia do concelho de Figueiró dos Vinhos, encavalitada numa encosta sobre um imenso vale. Em tempos uma das mais populosas da região, com mais de 100 habitantes, foi aos poucos recuperando a vida, com uma leva de novos moradores sazonais que aqui compraram e recuperaram as tradicionais casas de pedra, devolvendo à localidade o encanto de antigamente.
O percurso, circular e com uma extensão de 5 quilómetros, percorre alguns dos locais de maior beleza em redor da aldeia, como a maior mancha de sobreiros do concelho, o Vale da Abundância, a antiga área de cultivo da aldeia e onde hoje apenas persistem algumas árvores de fruto ou o "bosque reliquial", uma surpreendente mancha de floresta Laurissilva, verdadeiro monumento vivo do que foi esta região há milhares de anos. Segue-se depois o ponto alto deste roteiro, as imponentes Fragas de São Simão, uma grandiosa escarpa rasgada pela força da água, que aqui forma uma aprazível praia fluvial. Se ainda houver forças, podese continuar até à vizinha aldeia de Ferraria de São João, já nos limites do concelho de Penela, onde fica um dos quatro centros de BTT da rede das Aldeias do Xisto, uma estrutura com balneários, oficina e zona de lavagem para bicicletas, onde começam e acabam cinco percursos cicláveis. Nesta aldeia podem também ser apreciados os tradicionais currais, alguns ainda a uso. Mesmo ao lado, fica um sobreiral que a associação de moradores local transformou num espaço público e no qual os visitantes podem até adotar um sobreiro, numa iniciativa original para ajudar a financiar a manutenção destas árvores, muitas delas centenárias - o valor da adoção varia entre os 40 e os 80 euros por um período de nove anos. Para além de "usufruir da sombra", o adotante tem ainda direito a 50% do valor da venda da cortiça.
Aos poucos, o turismo tem devolvido a vida às aldeias, como se constata também no concelho de Góis, no núcleo composto por Aigra Nova, Aigra Velha e Pena. Na primeira, fica situado o ecomuseu, construído a partir de peças reais e das memórias dos habitantes locais, com o objetivo de dar a conhecer as tradições, usos e costumes destas populações. Saberes recuperados ao tempo e à memória, depois aplicados na prática em locais como a Maternidade das Árvores, onde são criadas plantas autóctones (castanheiro, azevinho, carvalho ou medronheiro) para reflorestar a serra. Um pouco mais acima, fica o Núcleo Asinino, onde três simpáticos burros lanudos transmontanos esperam pacientemente pelos visitantes para os levar em passeio pela serra. Em Aigra Velha, outrora uma das mais importantes aldeiasda região, o forno e o alambique comunitários foram entretanto recuperados e podem hoje também ser visitados. A aldeia era conhecida pelos seus imensos rebanhos de cabras e funcionava como uma autêntica fortaleza, com portões que se fechavam à noite, para proteger o gado dos ataques dos lobos. Daí parte uma estrada panorâmica, em terra batida, que liga ao Trevim, o ponto mais alto da serra da Lousã, a 1204 metros de altitude e ao santuário de Santo António das Neves, mandado construir por Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da casa Real, junto ao qual era armazenada a neve, coberta com palha e fetos, de modo a conservá-la e de onde seguia em grandes blocos para Lisboa, para que no verão a corte pudesse saborear gelados. Na aldeia da Pena, o ar enche-se agora com o cheiro da lenha e do pão acabado de fazer, anunciando o fim do dia. É tempo de regressar a casa, cerrar as portas e acender a lareira.


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Merkel e Hollande acabam reunião com Putin sobre Ucrânia sem citar acordo

Merkel e Hollande acabam reunião com Putin sobre Ucrânia sem citar acordo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 20:09 BRST
 
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MOSCOU (Reuters) - Os líderes da Alemanha e da França encerraram uma reunião de mais de cinco horas com o presidente russo, Vladimir Putin, e não deram informação sobre qualquer acordo para acabar com os conflitos na Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os líderes concordaram em "conversas construtivas" que vão continuar a trabalhar num possível documento conjunto sobre a implementação de um acordo de cessar-fogo alcançado na capital bielorrussa, Minsk, em setembro do ano passado, mas que fracassou.
Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, devem conversar por telefone no domingo, disse Peskov, indicando que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, também participaria do diálogo.
"As conversas acabaram por ora, e nossos convidados já estão a caminho do aeroporto", ele disse a repórteres no Kremlin.
"No momento, o trabalho conjunto está em andamento para preparar o texto de um possível documento conjunto sobre a implementação dos acordos de Minsk, um documento que inclua propostas apresentadas pelo presidente da Ucrânia e propostas formuladas hoje e acrescentadas pelo presidente russo."
Mais de 5.000 pessoas foram mortas em confrontos entre separatistas pró-russos e forças do governo ucraniano no leste da Ucrânia.
Merkel e Hollande conversaram com Poroshenko em Kiev, capital da Ucrânia, na quinta-feira.
(Reportagem de Gabriela Baczynska)

Dilma nomeia Alexandre Abreu para presidência do Banco do Brasil

Dilma nomeia Alexandre Abreu para presidência do Banco do Brasil

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015 17:36 BRST
 
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SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff nomeou nesta sexta-feira para a presidência do Banco do Brasil o atual vice-presidente de varejo da instituição, Alexandre Abreu. A nomeação ocorreu após renúncia de Aldemir Bendine, que vai presidir a Petrobras.
Abreu é administrador de empresas e está no Banco do Brasil desde 1986 onde também já desempenhou papel de diretor das áreas de cartões e previdência da instituição.
Além da saída de Bendine, o BB anunciou mais cedo a renúncia do vice-presidente financeiro, Ivan Monteiro, que vai assumir o mesmo posto na Petrobras. A indicação de Bendine e de Monteiro para o comando da Petrobras tinha sido antecipada à Reuters por três fontes do governo e uma próxima ao banco mais cedo. [nL1N0VG1LZ]
Apesar da saída de Bendine do BB já ser esperada pelo mercado há meses, as ações da maior instituição financeira do país despencaram cerca de 4 por cento nesta sexta-feira. Já as ações da Petrobras desabaram cerca de 7 por cento, com o mercado avaliando que a administração da estatal continuará a sofrer com interferências do governo federal.
Procurado, o BB não pôde informar de imediato quais serão os substitutos de Monteiro e de Abreu. O banco está em período de silêncio antes da divulgação de resultados de quarto trimestre, marcada para a próxima quarta-feira.
(Por Alberto Alerigi Jr.)