Aguiaemrumo Romulo Sanches
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O AMOR FAZ TODA DIFERENÇA NA NATUREZA NÃO EXISTE DEVOLUÇÃO
Quando fui parar no hospital depois de um AVC, meu marido não foi me visitar nem uma vez. Mas, todos os dias, debaixo das janelas, ficava sentado o nosso velho labrador Barney, que eu um dia tirei de um abrigo...
Quando acordei depois do AVC, a primeira coisa que perguntei à enfermeira não foi sobre mim. Eu perguntei:
«Onde está o meu marido?»
Ela desviou o olhar e respondeu baixinho:
«A senhora não pode se preocupar agora.»
Naquele momento, eu ainda não sabia que, em seis dias, ele não tinha ido me ver nem uma única vez. Não ligou uma vez sequer para o médico. Não perguntou nem uma vez se eu ao menos sobreviveria. Mas todos os dias, debaixo das janelas do hospital, ficava sentado o nosso velho labrador Barney, que eu um dia tirei de um abrigo.
Tenho sessenta e dois anos. Fui casada com meu marido por quase quarenta anos. Sempre achei que tínhamos uma família normal. Não perfeita, claro. Ele nunca foi um homem carinhoso. Não gostava de conversar sobre sentimentos, raramente me abraçava, nunca dizia palavras bonitas. Mas eu me acostumei. Na minha geração, as mulheres suportavam muita coisa em silêncio.
Trabalhei a vida inteira como enfermeira em uma policlínica. Casa, trabalho, filhos, preocupações. Meu marido sempre esteve em primeiro lugar para mim. Quando ele tinha problemas no trabalho, eu o apoiava. Quando a mãe dele adoeceu, cuidei dela por quase três anos. Quando ele sofreu um infarto, passei noites sentada ao lado da cama dele, com medo de pegar no sono.
E então fui eu que passei mal.
Aconteceu de manhã, na cozinha. Eu queria pegar a chaleira e, de repente, percebi que não sentia o braço. Depois, a perna cedeu. Tentei chamar meu marido, mas minha língua parecia ter deixado de me obedecer.
Só me lembro do chão.
E do som da xícara caindo.
Acordei já no hospital.
Os primeiros dias foram como se eu estivesse em meio a uma névoa. Metade do meu rosto não se mexia, e eu mal conseguia falar direito. Foi assustador. Principalmente à noite. Você fica deitada pensando: e se for isso? E se agora eu me tornar dependente? E se passarem a ter pena de mim ou, pior ainda, apenas me tolerarem?
Eu só esperava pelo meu marido.
No começo, eu tentava justificá-lo.
Talvez ele tenha se assustado.
Talvez não consiga me ver assim.
Talvez esteja ocupado.
No terceiro dia, perguntei ao meu filho:
«O papai vem?»
Ele ficou em silêncio. Depois respondeu baixinho:
«Mãe... ele disse que odeia hospitais.»
Virei-me para a parede e chorei pela primeira vez.
Mas o pior aconteceu no sexto dia.
A enfermeira estava ajeitando meu travesseiro e de repente perguntou:
«Aquele cachorro ali é seu?»
Eu não entendi.
Ela me levou até a janela.
E eu vi Barney.
Velho. Com o focinho grisalho. Com as patas doentes. Ele estava sentado perto da cerca do hospital, debaixo da chuva, olhando para as janelas.
Chorei tanto que minha pressão subiu.
Descobri que ele ia lá todos os dias.
Mais tarde, meu filho contou que, depois que me levaram na ambulância, Barney se deitou junto à porta de entrada e começou a uivar. Quase parou de comer. E então, um dia, escapou da guia durante o passeio e correu até o hospital.
E, desde então, voltava lá todos os dias.
E meu marido...
Meu marido, durante todo esse tempo, seguiu vivendo a vida de sempre.
Assistia à televisão.
Reclamava com a vizinha que agora precisava cozinhar sozinho.
E não perguntou nem uma vez aos médicos se eu tinha chances de me recuperar.
Quando tive alta e voltei para casa, Barney chorava. Antes eu não acreditava que cães podiam chorar. Mas ele gania, se apertava contra mim com o corpo inteiro e tremia como uma criança.
E meu marido disse apenas:
«Até que enfim. Espero que você se recupere rápido, porque está difícil para mim sozinho.»
E naquele momento foi como se algo tivesse morrido dentro de mim.
De repente, pela primeira vez em quarenta anos, olhei para o meu próprio marido com olhos de estranha.
E entendi uma coisa terrível.
Passei a vida inteira amando um homem para quem pouco importava se eu estava viva ou não.
E um velho cão, que um dia foi abandonado e traído por outras pessoas, acabou sendo o único que realmente esperava pela minha volta.
Dois meses depois, pedi o divórcio.
Meu marido nem sequer tentou me impedir. Apenas deu um sorriso de desdém:
«Na sua idade, já é tarde demais para mudar qualquer coisa.»
E eu, pela primeira vez em muitos anos, me senti viva.
Agora vivemos só eu e Barney. Ele já está bem velhinho. Às vezes respira com dificuldade à noite, anda mal, mas mesmo assim vai cambaleando atrás de mim pelo apartamento, como se tivesse medo de me perder de novo.
E sabe... depois de tudo o que aconteceu, penso cada vez mais: talvez o amor verdadeiro não sejam palavras grandiosas nem os anos vividos juntos. Talvez o amor verdadeiro seja quem fica ao seu lado quando você já não pode oferecer nada em troca.