quinta-feira, 5 de abril de 2018

PGR Encaminha Ao STF Denúncia Contra O Senador Aécio Neves Por Corrupção E Obstrução Da Justiça







Em réplica aos argumentos apresentados pela defesa do senador Aécio Neves (PSDB/MG), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reiterou nesta terça-feira (27) o pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que receba integralmente a denúncia contra o parlamentar por solicitação e obtenção, junto ao empresário Joesley Batista, de propina, no valor de R$ 2 milhões, e por obstrução da Justiça, ao tentar atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato. No documento, também são acusados a irmã do parlamentar Andréa Neves da Cunha, o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (MDB/MG).
Na peça, Dodge frisa que Aécio Neves empregou todos os seus esforços na tentativa de embaraçar as investigações da Lava Lato, atuando para aprovar o projeto de lei de abuso de autoridade (PLS 85/2017) e a anistia para crimes de caixa dois, no âmbito da tramitação das chamadas “10 medidas contra a corrupção”. Também exerceu pressão sobre membros do governo e da Polícia Federal, com o propósito de escolher delegados para conduzir os inquéritos.
Quanto à alegação apresentada pelo parlamentar, de que os R$ 2 milhões supostamente seriam relativos a um empréstimo lícito solicitado a Joesley Batista para a contratação de serviços advocatícios, Dodge lembra que não existe nos autos qualquer prova de que tal empréstimo de fato tenha ocorrido, como cópias do contrato.
“O caráter de vantagem indevida dos valores solicitados por Aécio Neves e por Andréa Neves a Joesley Batista fica claro quando o senador afirma que a pessoa que iria receber as parcelas deveria ser alguém ‘que a gente mata ele antes de fazer delação’”, frisou a procuradora-geral, em referência ao diálogo gravado entre Joesley e Aécio. Além disso, a forma como os valores foram entregues, em dinheiro, com utilização de artimanha para dissimular o seu recebimento, também demonstram a ilicitude da transação, acrescentou a PGR.
Troca de favores – Segundo as provas colhidas na investigação, a solicitação de vantagens ilícitas não é ato isolado no relacionamento entre Aécio e Joesley, mas um episódio de longo tempo que caracteriza crime contra a administração pública. Merece destaque o relato dos colaboradores Ricardo Saud e Joesley Batista, segundo o qual a J&F, em 2014, repassou R$ 60 milhões ao parlamentar por meio de notas frias, a diversas empresas indicadas por ele, e pagou partidos políticos para ingressarem na coligação da candidatura de Aécio à Presidência da República. Em contrapartida, o senador usou o seu mandato para beneficiar diretamente os interesses do grupo.
Esses dados, continua Dodge, são indicativos seguros de que Aécio Neves, de forma consciente, recebeu por intermédio de terceiros parcelas da vantagem indevida em episódios monitorados por ação controlada, “não por caridade ou por qualquer outra razão alegada pelas defesas, mas porque estava preparado para prestar as contrapartidas cabíveis, no momento oportuno”, ressaltou, na peça.
Validade da gravação – A procuradora-geral reafirma ainda a validade da gravação ambiental feita por Joesley de uma conversa com Aécio Neves. Para ela, ficou claro que não houve qualquer tipo de indução por parte dos colaboradores para que o senador cometesse o crime de corrupção passiva. “Deu-se exatamente o contrário: Joesley Batista foi espontaneamente procurado, em 18 de fevereiro de 2017, por Andréa Neves da Cunha, irmã de Aécio Neves, na escola Germinare, contígua à sede do Grupo J&F, ocasião em que ela lhe solicitou, em favor do seu irmão, o pagamento de R$ 2 milhões”.
Na gravação ambiental também não consta qualquer participação do Ministério Público Federal ou da Polícia Federal. “Ela foi feita inteira e espontaneamente pelo colaborador e, em seguida, espontaneamente entregue à PGR como elemento de corroboração das declarações por ele prestadas em sua colaboração premiada”. Os acusados, ao alegarem que a gravação feita por Joesley caracteriza ação controlada sem autorização judicial, buscam confundir conceitos de modo a conduzir à conclusão de que tal prova é nula, destaca a PGR.
Pedidos – A denúncia oferecida no Inquérito 4506 pede a condenação de Aécio Neves por corrupção passiva e obstrução da Justiça, e dos outros acusados por corrupção passiva. A PGR também quer a condenação de Aécio Neves e Andréa Neves à reparação dos danos materiais no valor dapropina, R$ 2 milhões, devendo ser destinado à União. Também é pedida a condenação de Aécio Neves e Andréa Neves à reparação dos danos morais, decorrentes da corrupção, cujos prejuízos revelam-se difusos, no valor de R$ 4 milhões.

Dilma Disputará Candidatura Ao Senado Por Minas Gerais.






Em meio à turbulência provocada pela expedição do mandado de sua prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva alinhavou com a ex-presidente Dilma Rousseff o lançamento da candidatura da petista ao Senado por Minas Gerais.
A ex-presidente mudará seu domicílio eleitoral para Minas Gerais nesta sexta-feira (6), onde passará a morar. O anúncio oficial será feito amanhã em Belo Horizonte.
Dilma e outras lideranças petistas estão reunidas com Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo
O ex-presidente se dirigiu ao local onde começou a carreira como líder sindical depois de ser informado da determinação de sua prisão pelo juiz federal Sergio Moro. No entorno do prédio, militantes, curiosos e viaturas policiais.
Dentro, sindicalistas e parlamentares petistas aguardavam ansiosos no segundo andar uma fala do ex-presidente, que estava até as 20h50 trancado na sala da presidência, onde poucas pessoas eram autorizadas a entrar.
O clima era de confraternização, com políticos sendo cumprimentados pelos presentes. Estavam os deputados Paulo Teixeira e Paulo Pimenta, e o pré-candidato à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos. O sindicato distribuiu cartazes com o rosto de Lula e os dizeres “Tô com Lula”
Lá estavam também o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) e o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT).
Jornalistas foram hostilizados por militantes com ovos, gelo e berros de “vão embora, urubus!”, direcionados sobretudo à equipe da Rede Globo.
O deputado Orlando Silva (PC do B) falou com a imprensa antes de entrar no sindicato. Para ele, a ordem de prisão “nos aparece um atropelo completo” e “mais um abuso de autoridade” por parte do Judiciário.

“Vai decidir só amanhã”, diz Lindbergh sobre entrega de Lula à PF



Embora também presente na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, ex-presidente Lula não se pronunciou



Daniel Ferreira/Metrópoles


Ingred Suhet



Após a ordem de prisão de Luiz Inácio Lula da Silva ser expedida pelo juiz Sérgio Moro, nesta quinta-feira (5/4), uma vigília com militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) tomou conta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, situado em São Bernardo do Campo (SP). O ex-presidente esteve no local, reunido com apoiadores e militantes petistas, mas não fez discurso nem concedeu entrevistas. Coube a outros líderes da sigla explicarem os próximos passos a serem dados pela defesa do político para evitar a cadeia ou cumprir a determinação do juiz da Lava Jato.

Perguntado se o ex-presidente irá se apresentar à Polícia Federal, às 17h desta sexta-feira (6), conforme ordenado por Moro, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que isso não foi definido no encontro da cúpula petista. “[Lula] Vai decidir só amanhã”, disse o parlamentar.
Já a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), reafirmou a inocência do ex-presidente e a “obsessão e ódio do juiz Sérgio Moro” por ele.
“Chega a ser doentio por parte do juiz (Sérgio Moro) não observar os prazos recursais que ainda temos diante do TRF-4, sequer a publicação do Supremo Tribunal Federal”, disse a senadora, referindo-se ao acórdão sobre o habeas corpus (HC) impetrado pela defesa para evitar a detenção do político. O HC foi negado pela Corte na madrugada desta quinta. “Isso é um atentado à democracia e aos direitos de Lula”, declarou.
Com gritos de apoio ao petista, representantes de organizações sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), estiveram no local. “Lula, PT, do povo brasileiro!”, entoavam, com a militância, dentro e fora do prédio. A expectativa de todos era ouvir as palavras do líder político, mas Lula preferiu conversar e abraçar os apoiadores, sem fazer qualquer declaração pública. Segundo assessores, é provável que o ex-presidente pernoite na sede do sindicato onde deu início a sua vida política.

O DESESPERO DE JOSÉ DIRCEU







José Dirceu disse que a prisão de Lula é “ilegal e inconstitucional”. Em mensagem a petistas, ele afirmou também que continuará na luta pela libertação do ex-presidente, segundo O Antagonista.
Dirceu, na verdade, está preocupado em voltar para a cadeia. Na próxima quinta-feira, o TRF-4 julga seus embargos infringentes.

Sala de Visita – Entrevista com Mary Del Priore

Complexo Médico Penal De Pinhais Se Apronta Para Receber O Ex-Presidente Lula








O Complexo Médico Penal de Pinhais, que se apronta para receber o ex-presidente Lula, tão logo sua prisão seja decretada. JÁ FORAM DEFINIDOS O LOCAL EM QUE O PETISTA IRÁ DORMIR – uma cela de 12 m2, com capacidade para três presos –, O ESQUEMA DE SEGURANÇA PARA O DIA DA PRISÃO E ATÉ SUA ROTINA NA PENITENCIÁRIA…
……..> Quando o sol se descortina no horizonte, o ar cortante e álgido da manhã dá lugar a uma atmosfera densa de expectativa. É inegável para quem por lá atravessa: o Complexo Médico Penal de Pinhais, a 40 minutos do centro de Curitiba, já respira diferente. O presídio, com 8,406 metros quadrados de área construída e que hoje abriga 697 presos, entre os quais 11 da Operação Lava Jato, será o provável destino do ex-presidente Lula, tão logo os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decretem sua prisão. Na última semana, a reportagem de ISTOÉ visitou a penitenciária – em fase final de preparação para receber o petista. Já foram definidos os esquemas de segurança, o local em que o líder do PT irá ficar e até sua rotina no cárcere – incluindo o que ele poderá ou não fazer no futuro lar.
Por decisão do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), foi reservada a Lula uma das dez celas da galeria 6 do Complexo, situada no segundo piso. Lá estão acomodados exclusivamente presos da Lava Jato e outros condenados pelo crime de colarinho branco. Os mais ilustres são o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Cada cela da galeria 6, como a que já está separada para Lula, tem 12 metros quadrados, e é destinada a 3 presos. A unidade é composta por três camas de solteiro, construídas em alvenaria, com direito a um colchão de densidade 28. Se o petista precisar de colchão especial, um médico deverá atestar que ele sofre da coluna, por exemplo. Nesse caso, caberá à família providenciar outro colchão, nas medidas fornecidas pela direção do presídio. A cela, com uma janela e porta em aço, conta com um vaso sanitário no chão (o chamado boi), com pouca privacidade, e um tanque com torneira. Os agentes penitenciários asseguram que é possível bebê-la sem sobressaltos – a água, fornecida pela Sanepar, esclarecem, é potável. Mas se Lula exagerar no consumo, não tem conversa: a água será cortada. O tanque também servirá para o futuro detento lavar as quatro cuecas e quatro pares de meias, autorizados a carregar para a cela. Toalhas e roupas de cama são fornecidas pela prisão, incluindo um cobertor. Como o inverno de Curitiba é gelado, alcançando até temperaturas negativas, a família poderá mandar cobertores mais quentes. Detalhe: a movimentação de familiares no presídio é restrita. Só podem entrar dois parentes por vez, devidamente cadastrados. E não são permitidas visitas íntimas. Já os advogados podem falar com os presos a qualquer hora e dia, mas através de um parlatório, por meio de interfone, protegido por resistente vidro de policarbonato.

UNIFORME OBRIGATÓRIO
Como todos os demais presos, Lula será obrigado a usar uniforme – calça de moletom cinza e camisa branca, com detalhe em azul, as cores da bandeira do Depen –, mas não precisará mexer no bolso para receber o novo figurino. A indumentária será fornecida pelo presídio. Os uniformes são lavados uma vez por semana na lavanderia da cadeia, onde trabalham dois detentos, devidamente remunerados. Se o ex-presidente necessitar de remédios, a penitenciária fornece genéricos de graça. Médicos e enfermeiros também prestam atendimento gratuitamente. São eles que controlam a ingestão de eventuais medicamentos, que não ficam nas celas em hipótese alguma para evitar que algum deles se intoxique.
Desde que alcançou o Planalto, Lula acostumou-se ao conforto e salamaleques que só o poder é capaz de proporcionar. No Complexo dos Pinhais a vida será bem mais dura, por óbvio. Por exemplo, o petista, assim como seus pares, será obrigado a despertar às 5h. O café da manhã, servido na cela, vai até às 6h. Limita-se a dois pães com manteiga e café com leite. Depois, é chegada a hora o banho. Há um conjunto de chuveiros para cada galeria. Com água quente, inclusive. Mas cada banho só pode durar no máximo quatro minutos. A escala no chuveiro é regida pela lei da vida, que deveria valer para todos: quem chega por último, vai para o final da fila. Para o asseio do preso, os parentes poderão levar shampoos e sabonetes.
Das 9h às 11h, Lula poderá tomar banho de sol no pátio. E até jogar futebol. Mas não será como nas famosas pelejas na Granja do Torto com os ministros. A bola é improvisada, em algumas ocasiões feitas de meia, e a trave foge da tradicional: em geral é pintada nos dois lados do muro. À atividade física segue-se uma nova refeição. O almoço do petista será entregue às 11h. A comida vem em formato de marmitex, fornecida pela Risotolândia, empresa contratada pelo Depen em processo licitatório. Cada marmita, na temperatura de 42º, é devidamente balanceada por nutricionistas: 60% de carboidratos (arroz, feijão ou macarrão) e 40% de proteínas (carne todos os dias), acompanhados de verduras ou legumes. Sobremesa, no entanto, é luxo: só é permitida uma vez por semana. O jantar, com o mesmo cardápio, está programado para ser servido às 17h. Nesse intervalo, é possível circular pelos corredores, ir à biblioteca, ou mesmo ficar vendo TV nas celas – cada unidade é equipada com um aparelho de TV de 20 polegadas e um rádio AM/FM, sem entrada de USB. O uso de outros equipamentos eletrônicos são expressamente proibidos. Celular nem pensar. Por volta das 22h, as luzes se apagam. “A vida não é das piores, mas também não chega a ser um hotel duas estrelas”, disse Luiz Alberto Cartaxo Moura, diretor do Depen, à ISTOÉ. O diretor do presídio que abrigará Lula, Jefferson Medeiros Walkiu, carrega a fama de durão. Medeiros não admite, por exemplo, que o detento beba ou fume. Portanto, nada de cachacinha ou charutos cubanos. Se flagrado fumando ou bebendo, o petista estará sujeito a sofrer medidas restritivas de liberdade. “Não vai para a solitária, como se fala, mas fica numa área confinada por quinze dias”, alerta Cartaxo. E também pode vir a amargar o acréscimo na pena. Tudo é anotado na ficha do preso, analisada posteriormente pelo juiz de Execuções Penais.
Se o cronograma previsto for cumprido pela Justiça, Lula dará partida para a nova rotina no final de março, conforme já antecipou ISTOÉ. No dia da prisão, por temer que militantes do MST e do PT invadam o Complexo Médico Penal dos Pinhais, localizado numa aprazível área rural, a PM promoverá um grande cerco em torno da unidade, com o fechamento do espaço aéreo, uso de helicópteros e tropas fortemente armadas, num esquema muito semelhante ao que a Brigada Militar montou em Porto Alegre para o julgamento de Lula no TRF-4. “O Complexo de Pinhais fica num lugar ermo e pode ser alvo. Tememos uma invasão. Se o presídio se mostrar inseguro, Lula terá que ir para um quartel da PM em Curitiba e só depois, quando as coisas se acalmarem, será trazido para Pinhais”, esclareceu Cartaxo Moura. A despeito das preocupações, o presídio é considerado modelo em segurança, se comparado às demais carceragens do Paraná. Nunca foi registrada uma rebelião ou fuga. No local, reina a tranquilidade. Ao chegar ao Complexo, pode-se cruzar com cachorrinhos no meio das pacatas ruas de acesso. Como o presídio fica incrustado no meio de numa área rural, pode-se ouvir em alto e bom som os passarinhos cantando. Para garantir que nada fuja do controle, a penitenciária possui muralhas, com PMs fortemente armados, como em qualquer cadeia. De qualquer forma, a fim de evitar sustos, uma equipe da PF já está sendo treinada para a condução do ex-presidente até a penitenciária. A orientação é para que não exponham o preso, não o algemem, não o levem de camburão e, de preferência, negociem com seus advogados uma forma dele se entregar numa unidade da PF em São Paulo, Curitiba ou até mesmo em Brasília. Afinal, um consenso se impôs de maneira insofismável: embora preso comum, e não político, como quer fazer crer o PT, ali não é aguardado um preso qualquer.
PASSO A PASSO JURÍDICO
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) publicou nesta terça-feira 6 o acórdão da sentença dos três desembargadores (Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus) que condenaram Lula a 12 anos e 1 mês de reclusão. Decisão de segunda instância que prevê prisão após a sentença, conforme decisão do STF em 2016. Os advogados de Lula têm 12 dias úteis para apresentarem o embargo declaratório para esclarecer detalhes da sentença. Esse embargo não pode modificar o resultado da sentença, que foi por 3 a 0. Prazo vence no próximo dia 20. Os desembargadores do TRF-4 terão até dois meses para analisar esse recurso. A decisão pode sair até o final de março.
Devem decretar a prisão de Lula, conforme prevê o STF, e encaminhar a ordem de prisão para a 13ª Vara Federal do Paraná, do juiz Sergio Moro
O COTIDIANO DE QUEM ESTÁ (OU ESTEVE) LÁ
Bem longe do aconchego desfrutado durante a vida fora do cárcere, não raro regada a luxos inacessíveis ao cidadão comum, os poderosos presos da Lava Jato tiveram de se adaptar, cada um a seu jeito, à insólita rotina no Complexo Médico-Penal dos Pinhais, em Curitiba.
Vidrado em musculação e acostumado a uma rotina de exercícios físicos, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, que deixou o presídio no dia 23 de dezembro, tinha de improvisar para manter a saúde em dia: utilizava como peso duas garrafas pet de dois litros d’água. O ex-ministro José Dirceu, por sua vez, preferia cuidar dos três mil livros da biblioteca. Trabalhava como auxiliar do bibliotecário. Dessa forma, conseguiu abater alguns dias da pena imposta a ele de 30 anos de detenção. Já o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos prováveis futuros vizinhos de Lula na galeria 6 da penitenciária, tem optado por atividades mais frugais. Diariamente, desde que chegou aos Pinhais, se ocupa pintando grades de celas. É como uma terapia, justifica. Para o serviço de limpeza se apresentam como voluntários dois ex-companheiros de Lula: o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e o ex-deputado André Vargas (PT-PR). Só o ex-governador do Rio Sérgio Cabral é quem ainda permanece no ócio. Nos últimos 15 dias, ficou enfurnado numa solitária. Na segunda-feira 5, foi transferido para uma cela comum. Está sozinho.


Moro LEVOU 22 MINUTOS Para DECRETAR PRISÃO De LULA








PARABÉNS Juíz SÉRGIO MORO pelos Costumeiros: BRILHANTISMO & OBJETIVIDADE
Às 17h31 desta quinta-feira, 5, os magistrados Nivaldo Brunoni – substituto do desembargador Gebran Neto na relatoria da Lava Jato no TRF-4 – e Leandro Paulsen, presidente da 8ª Turma da Corte comunicaram o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a determinação para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “DESSE MODO E CONSIDERANDO O EXAURIMENTO DESSA INSTÂNCIA RECURSAL – forte no DESCABIMENTO de EMBARGOS INFRINGENTES de ACÓRDÃO unânime -, DEVE SER DADO CUMPRIMENTO À DETERMINAÇÃO DE EXECUÇÃO DA PENA”, escreveram os magistrados.
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VINTE E DOIS MINUTOS DEPOIS de receber o ofício do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – Corte de apelação da Lava Jato -, MORO EXPEDIU ORDEM DE PRISÃO CONTRA LULA, mas deu ao petista a oportunidade de se entregar ‘voluntariamente’ à sede da Polícia Federal em Curitiba até às 17h desta sexta-feira, 6.