quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Áudio revela conversas de Wesley sobre operações da JBS no mercado de dólar


Donos do Grupo J&F foram indiciados pela PF por uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro e manipulação de mercado.


Por Bruno Tavares, TV Globo
 
Áudio mostra conversas de Wesley Batista sobre aplicações da JBS no mercado financeiro

Audios obtidos pela Polícia Federal com a apreensão do celular do empresário Wesley Batista, dono do grupo J&F, mostram conversas dele com o diretor de controle de risco da JBS, Rafael Harada, sobre as operações da empresa nas aplicações de dólar (ouça acima). Wesley e o irmão dele, Joesley Batista, estão presos na sede da PF em São Paulo. Eles foram indiciados pela PF por uso de informação privilegiada para lucrar no mercado financeiro e manipulação de mercado.
Segundo relatório da PF, 'os elementos probatórios que reforçam que a compra desses derivativos foi atípica e havia grande celeridade na formação de uma posição compra de dólares foram encontrados nas mensagens de WhatsApp do celular apreendido de Wesley Batista durante a deflagração da Operação Lama Asfáltica", em maio.
No dia 29 de abril, Wesley troca mensagens de áudio com Harada sobre limites de crédito para realização de operações de câmbio em NDFs (Non-deliverable Forward), que consiste na venda ou compra da taxa de câmbio a termo, sem entrega física, para liquidação na data de vencimento.
Wesley - Rafa, os limite que nós temo nos banco de NDF, se nós quiser voltar a usar, é coisa que tem que aprovar ou é coisa que ta pre aprovado nos banco, como é que funciona isso? Me dá uma posição sobre isso, e outra, se puder, me passa uma relacao qual é os bancos e os limite que nós temos pra usar e fazer NDF?
Segundo a PF, a partir de então, as operações atípicas de dólar, que já estavam em andamento, passam a subir vertiginosamente. No dia 9 de maio, Wesley e Harada trocam diversas mensagens e na medida em que Harada informa que conseguiu aumento de limites junto às instituições financeiras, Wesley determina a compra de mais contratos.
Wesley- Rafa, passa pra mim o que que nós tamo fazendo hoje, adicional ao que nós tinhamos feito na sexta-feira na JBS, e checa pra mim o que que a eldorado tá fazendo hoje tambem. me dá uma posicao sobre isso aí.

"Em particular, a forma de realizar as operações de NDFs - com a utilização em curto período de tempo (aproximadamente duas semanas) de todos os limites de crédito disponíveis junto às instituições financeiras para esta finalidade - indica o ímpeto com que foram feitas estas operações e também informam a crença de que estas operações sairiam de fato vencedoras, lucrativas e perfazem provas indiretas da utilização destas informações relevantes como subsídio das operações cursadas em mercado", diz o relatório.
Segundo a PF, em 17 de maio foi registrada uma compra de NDF pela JBS no valor de US$ 370 milhões com vencimento em 01/06/17 (a mesma data dos contratos futuros adquiridos em Bolsa) com taxa futura ajustada de R$ 3,134. "Ou seja, apenas no dia 17/05/17, horas antes do vazamento da colaboração premiada~ a empresa elevou sua posição comprada via derivativos cambiais em US$ 751,5 milhões, sendo US$ 370 milhões via contrato de balcão organizado e US$ 381,5 milhões em derivativos de Bolsa".
Wesley Batista depõe à Justiça Federal em São Paulo




Indiciamento

A Polícia Federal indiciou os empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, sob a alegação que eles "utilizaram-se das informações relevantes que detinham (conteúdo da colaboração premiada) para realizar operações no mercado de capitais e auferir vantagens". Os dois estão presos na sede da PF em São Paulo.


Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende os irmãos Batista, disse que vai recorrer ao STF até sexta. “É injusta e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos.”

Joesley foi indiciado pela prática contínua de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada. Wesley foi indiciado por uso indevido de informação privilegiada agravada por abuso de poder.
Em seu despacho, o delegado federal Edson Fabio Garutti Moreira destaca que "enquanto participavam dos procedimentos de negociação de colaboração premiada, sabendo do potencial desta delação no mercado de valores mobiliários brasileiro, utilizaram esta informação privilegiada, ainda sigilosa, determinando a realização de operações de compra/venda no mercado de valores mobiliários". E aponta nove premissas para prática de delitos:
  1. As informações prestadas por Joesley e Wesley (respectivamente diretores presidentes da FB Participações S/A e de sua controlada JBS S/A) no acordo de colaboração premiada junto à Procuradoria Geral da República têm natureza jurídica de “informação relevante” para os fins do artigo 27-D da Lei 6.385/76;
  2. As pessoas que determinaram as operações no mercado de capitais tinham conhecimento desta “informação relevante”;
  3. Esta “informação relevante” estava acobertada por sigilo;
  4. O uso desta “informação relevante” era capaz de propiciar vantagem em negociações no mercado de capitais;
  5. Esta “vantagem” era “indevida”, nos termos da lei, porquanto feria o princípio da simetria informacional e quebrava as regras legais de vedação de uso de informação relevante ainda não divulgada ao mercado (colocava os detentores da informação relevante em posição diferenciada frente aos demais participantes do mercado);
  6. As negociações com ações e também com derivativos de câmbio (contratos futuros e a termo) perfazem o conceito de “valores mobiliários” para fins do artigo 27-D da Lei 6.385/76;
  7. A venda de ações da empresa JBS por parte da empresa controladora (FB Participações) no mesmo período em que a própria empresa JBS foi a mercado recomprar suas ações (dentro do programa de recompra divulgado), representa uma combinação de interesses que caracteriza manipulação de mercado - Observação: embora o programa de recompra de ações estivesse aberto desde 08/02/2017, a JBS apenas passou a executar ordens referentes a este programa de recompra cerca de um mês e meio depois, exatamente no mesmo período em que a empresa FB Participações foi a mercado vender parte de suas ações; esta prática de operações contrárias em mercado por parte da empresa controladora e controlada é vedada pelas regras da CVM e neste período havia intenso contato entre os irmãos Batista, notadamente com relação ao procedimento de colaboração premiada, o que revela que a extrema coincidência no período das operações foi uma combinação, um ajuste;
  8. Para a caracterização dos crimes investigados não é relevante a identificação da autoria do vazamento do conteúdo do acordo de colaboração premiada – até porque os delatores já tinham uma expectativa de que estas informações viessem a se tornar públicas entre início e meados de junho, mesmo se não houvesse qualquer vazamento;
  9. O crime de uso indevido de informação privilegiada não exige a ocorrência de vantagem, mas apenas que a informação seja capaz de gerar vantagem indevida, razão pela qual não há relevância se as operações foram realizadas com finalidade especulativa ou protetiva (“hedge”) – nos dois casos haveria uma vantagem em se utilizar a informação privilegiada."


Wesley foi detido acusado de uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro. O irmão Joesley Batista também foi alvo de mandato de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal no mesmo dia, mas já estava preso desde o domingo (10), por outra acusação. Joesley foi preso por conta de indícios de omissão de informações na delação feita à Procuradoria Geral da República (PGR) – o que anularia o acordo que lhe garante imunidade.
A JBS fez operações no mercado de câmbio e ações dias antes da divulgação de informações relacionadas ao acordo de colaboração premiada firmado entre executivos da J&F e a PGR.
Em nota, o advogado dos irmãos diz que "o STJ não apreciou o mérito do habeas corpus por entender que a questão precisa ser debatida antes no Tribunal Regional Federal em São Paulo. Vale ressaltar que o relator Sebastião Reis em seu voto reconheceu a desproporcionalidade da medida”, disse Bottini.
A notícia de que os irmãos Batista fecharam delação premiada é considerada uma informação privilegiada, porque tem potencial para mexer com o mercado financeiro. No dia seguinte à divulgação, o dólar disparou 8% e a bolsa fechou na maior queda em 9 anos.
A JBS admitiu que comprou dólar antes da divulgação das notícias sobre a delação, mas negou que visava o lucro. A empresa alegou que buscava "proteção financeira" para seus negócios, que tem dívida e receitas em dólar.
Em outra operação investigada, os controladores venderam ações da JBS para a tesouraria da empresa. Com a posse de informação privilegiada, os irmãos teriam evitado uma perda de R$ 138 milhões com a venda de ações, além de ter obtido um lucro de US$ 100 milhões com operações de câmbio, segundo o Ministério Público Federal (MPF).
As investigações por suposto uso de informação privilegiada começaram na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que instaurou processos administrativos para apurar eventuais irregularidades. A CVM pode multar os acusados e proibi-los de atuar no mercado financeiro, mas não pode ordenar prisão.


A CVM encaminhou o caso ao Ministério Público Federal, que ingressou com o processo penal. Ao todo, há 13 processos administrativos e inquéritos em análise na CVM envolvendo a atuação dos irmãos Batistas e das empresas controladas por eles no mercado financeiro às vésperas do fechamento da delação premiada.

Câmara recebe nova denúncia da PGR contra Temer; presidente será notificado


Defesa de Temer havia pedido ao STF para suspender envio da denúncia, mas Corte rejeitou. Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prevê votação para outubro; saiba tramitação.


Câmara recebe nova denúncia da PGR contra Temer; presidente será notificado


Por Fernanda Calgaro, G1, Brasília
 

Denúncia contra Temer segue para a Câmara; decisão foi por 10 a 1 no STF
A Câmara dos Deputados recebeu nesta quinta-feira (21), do Supremo Tribunal Federal, a nova denúncia contra o presidente Michel Temer apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR). Com isso, Temer será notificado a apresentar a defesa sobre as acusações.
O documento foi entregue por volta das 20h30, pelo diretor-geral do STF, Eduardo Toledo, à Secretaria Geral da Mesa da Câmara.
Temer foi denunciado ao STF pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. Mas a Corte só poderá analisar a acusação se a Câmara autorizar. A votação pode acontecer em outubro, segundo estimou o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Mais cedo, nesta quinta, o Supremo rejeitou, por 10 votos a 1, pedido da defesa de Temer para suspender o envio da denúncia à Câmara.
Os advogados do presidente queriam que a Corte aguardasse a conclusão das investigações sobre se executivos da J&F omitiram informações nas delações premiadas. As provas apresentadas por eles compõem parte da denúncia contra Temer.
Assim como na primeira denúncia oferecida contra Temer, por corrupção passiva, caberá à Câmara dos Deputados decidir se autoriza ou não a continuidade do processo ao Supremo.
Se a denúncia seguir para o STF e os ministros decidirem aceitá-la, Temer se tornará réu e será afastado do mandato por até 180 dias.
Mas, para a acusação da PGR contra o presidente seguir para a Corte, são necessários os votos de, no mínimo, 2/3 dos deputados, ou seja, 342 dos 513.
Se a Câmara não der aval ao prosseguimento do processo, a denúncia ficará parada até o fim do mandato de Temer, em 31 de dezembro de 2018.
"É inédito ter um presidente da República denunciado duas vezes", diz Cristiana Lôbo

Tramitação

Saiba abaixo como será a tramitação da denúncia na Câmara a partir de agora:
  • STF aciona a Câmara - Recebida a denúncia contra Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve notificar o presidente a apresentar defesa e despachar a acusação para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
  • Prazo para a defesa - A partir da notificação, a defesa de Temer terá até dez sessões do plenário da Câmara para enviar os argumentos, se quiser. Para a contagem do prazo, é levada em consideração qualquer sessão de plenário, seja de votação ou de debate, desde que haja quórum mínimo para abertura (51 deputados presentes). Se houver mais de uma sessão no dia, apenas uma será validada. Não são computadas as sessões solenes e as comissões gerais.
  • CCJ - Assim que a defesa de Temer entregar as alegações, o regimento dá à CCJ prazo de até cinco sessões do plenário para se manifestar sobre a denúncia. Nesse período, o relator, a ser designado pelo presidente da CCJ, deverá apresentar um parecer, concordando ou não com o prosseguimento da denúncia. Os integrantes da CCJ podem pedir vista do processo (mais tempo para analisar a acusação) por até duas sessões plenárias antes de discutir e votar o parecer. Antes de ser votado no plenário, o parecer da CCJ terá de ser lido durante uma sessão, publicado no "Diário da Câmara" e pautado para ser votado na sessão seguinte.
  • Decisão pelo plenário - O parecer será discutido pelos parlamentares em plenário e, depois, será submetido a votação nominal. Os deputados serão chamados um a um para votar, no mesmo formato da votação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e da primeira denúncia de Temer.
  • Aprovação da denúncia - A denúncia seguirá para o STF se pelo menos 342 deputados votarem a favor do prosseguimento do processo. Os 11 ministros da Corte, então, deverão votar para decidir se aceitam ou não a denúncia. Se a maioria votar pela aceitação, Temer se tornará réu. Nessa hipótese, será afastado do mandato por até 180 dias. O presidente só perderá o cargo definitivamente se for condenado pelo Supremo. Nesse caso, o presidente da Câmara assumirá o comando do país e convocará eleições indiretas, em até um mês. A eleição será indireta.
  • Rejeição da denúncia - Se menos de 342 deputados votarem pela denúncia, a acusação contra Temer não seguirá para o Supremo. A denúncia será suspensa, mas não arquivada. Nessa hipótese, o processo só poderá ser retomado após o mandato de Temer, que acaba em 31 de dezembro de 2018.
A primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, foi rejeitada em agosto pela Câmara por 263 votos a 227.

CONDENADO A QUASE 60 ANOS DE PRISÃO




EX-GOVERNADOR DO RIO TEM CRISES DE CHORO NO COMPLEXO DE BANGU


  • 21/09/2017


De acordo com o jornalista Maurício Lima, da coluna Radar, o ex-governador Sérgio Cabral entrou em depressão profunda.

Carcereiros que vigiam a cela do político, que está preso no Complexo de Bangu, disseram que as crises de choro (em alto volume) podem ser ouvidas a metros de distância.
Aquele que um dia foi um dos políticos mais influentes do país, perdeu todos os privilégios e vive confinado numa cela de 16 metros quadrados (com uniforme de presidiário e cabeça raspada) e teme pela própria vida em caso de uma rebelião dentro da cadeia.
Outros cinco presos fazem companhia ao ex-governador.
Além da condenação (por corrupção passiva e lavagem de dinheiro) de 14 anos e 2 meses de reclusão, decretada pelo juiz Sérgio Moro, o ex-governador foi condenado ontem pela Justiça Federal do RJ a mais 45 anos de prisão no âmbito da Operação Calculite, da PF.

No total (até a presente data) são quase 60 anos de reclusão para Cabral.

DILMA HOSTILIZOU PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E MORALIDADE AO ROUBAR O POVO, DIZ TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO




  • 21/09/2017
A exemplo do que ocorreu com o ex-presidente Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff também se tornou alvo de uma investigação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que tenta descobrir o destino de 4.564 itens do patrimônio da União que estão registrados como extraviados nos sistemas da Presidência da República. Entre os itens desaparecidos, estão travessas, aparelhos de som, vasos decorativos e até um faqueiro de prata que foi presente da rainha Elizabeth II, da Inglaterra.