terça-feira, 23 de maio de 2017

Atentado suicida deixa 22 mortos em show em Manchester






 Por Edouard GUIHAIRE,AFP 1 hora 39 minutos atrás 

Oli SCARFF / AFP
Oli SCARFF / AFP
Um homem-bomba detonou uma carga explosiva ao final de um show da cantora pop Ariana Grande em Manchester na segunda-feira à noite, um atentado que deixou 22 mortos e 59 feridos, incluindo crianças e adolescentes.
O homem que executou o ataque na Manchester Arena, o atentado mais violento no Reino Unido desde os que atingiram os transportes públicos de Londres em 2005, morreu ao detonar a carga explosiva, anunciou a polícia da cidade, que classificou o ato de "incidente terrorista".
O chefe de polícia de Manchester, Ian Hopkins, disse que o homem detonou um "dispositivo explosivo de fabricação caseira" na Manchester Arena quando os fãs deixavam o local.
"A arena ficou pavorosamente em silêncio durante cinco ou seis segundos, que pareceram mais longos, e depois todo mundo correu em todas as direções", afirmou à AFP Kennedy Hill, uma adolescente que estava no show da cantora americana.
A mãe da jovem, Stephanie Hill, disse que as pessoas perderam os sapatos e os telefones na tentativa desesperada fugir do local.
"Havia muitas crianças e adolescentes como minha filha no show. É uma tragédia", lamentou.
- 'Pais carregavam as filhas com lágrimas' -
"Alguns pais carregavam as filhas nos braços com lagrimas", contou à AFP Sebastian Díaz, um jovem de 19 anos de Newcastle.
A polícia recebeu um alerta de explosão no local com capacidade para 20.000 pessoas às 22H35 (18H35 de Brasília). A área foi isolada e viaturas policiais e ambulâncias foram enviadas ao local.
A ministra do Interior, Amber Rudd, denunciou um "ataque bárbaro que apontou deliberadamente contra os mais jovens de nossa sociedade, os jovens e as crianças que foram assistir um show de música pop".
Na segunda-feira à noite, a primeira-ministra Theresa May, condenou o "horrível atentado terrorista".
"Permaneceremos fortes, vamos continuar unidos, porque somos assim. Isto é o que fazemos, eles não vencerão", disse o prefeito de Manchester, Andy Burnham.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou o reforço da segurança nas ruas da capital da Inglaterra.
"Estou em contato constante com a Polícia Metropolitana, que está revisando o dispositivo de segurança em Londres. Os londrinos verão mais policiais em nossas ruas", disse Khan.
Ariana Grande tinha uma apresentação prevista para a Arena O2 de Londres na quinta-feira.
"Devastada. Do fundo do meu coração, sinto muito. Não tenho palavras", escreveu a cantora no Twitter.
- 'Corpos por todos os lados' -
"Ouvimos a última música e, de repente, foi como um flash com um bang e depois fumaça", contou à BBC Gary Walker, morador de Leeds, que ao lado da esposa aguardava as filhas na saída do show.
Walker ficou ferido em um pé e a esposa no estômago.
Elena Semino, que esperava a saída da filha de 17 anos, contou ao jornal The Guardian que também ficou ferido.
"Senti como se tivesse fogo no pescoço e quando levantei a cabeça havia corpos por todos os lados", disse.
De acordo com a polícia de Manchester, a explosão aconteceu dentro do estádio em que se encontra a sala de espetáculos.
Emma Johnson confirmou a informação à BBC. "Estava na parte de cima das escadas com meu marido, para esperar nossas filhas, e o vidro explodiu. Era perto do local onde vendem recordações. Todo o edifício tremeu".
"Todo mundo era vítima do pânico", contou à Sky News Isabel Hodgins.
"O corredor estava lotado e havia cheiro de queimado, muita fumaça, no momento em que saímos", disse.
Cheryl McDonald, que levou a neta de nove anos ao show, confirmou que o local estava repleto de crianças.
- Condenações em todo o mundo -
O atentado provocou reações de condenação em todo o planeta.
O presidente americano Donald Trump condenou os "perdedores maléficos" por trás do atentado.
"Tantos jovens, belos, inocentes vivendo e apreciando suas vidas assassinados por perdedores maléficos", afirmou Trump durante uma visita ao Oriente Médio.
"Eu não vou chamá-los de monstros porque eles gostariam do termo. Eles pensariam que é um grande nome".
A chanceler alemã Angela Merkel expressou sua "tristeza e horror", enquanto o presidente russo Vladimir Putin declarou que está disposto a "desenvolver a cooperação antiterrorista" após o atentado "cínico e desumano".
O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou "horror e consternação" com o atentado.
O atentado provocou a suspensão dos atos da campanha para as eleições de 8 de junho na Grã-Bretanha e aconteceu exatamente dois meses depois do ataque perto do Parlamento de Londres que deixou cinco mortos, quando um homem avançou com seu carro contra uma multidão e esfaqueou um policial.
O ataque de Manchester é o mais grave no Reino Unido desde julho de 2005, quando vários atentados suicidas deixaram 52 mortos, incluindo quatro terroristas, e 700 feridos no metrô e em um ônibus de dois andares de Londres. Esta ação foi reivindicada por um grupo que dizia pertencer à Al-Qaeda.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos anunciou "medidas de segurança reforçadas em e nos arredores dos locais e eventos públicos".
O nível de ameaça de atentados no Reino Unido é "severo", o segundo mais elevado na escala do governo, e significa que é altamente provável que aconteçam atentados.
O nível mais elevado na escala é o "crítico", ativado em caso de ameaça iminente.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Mãe é condenada a pena maior que réus da Lava-Jato por roubar ovos de Páscoa



22/05/17 16:25

Redes de supermercado expõem ovos de Páscoa


A Defensoria Pública de São Paulo acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para pedir a liberdade de uma mãe condenada por roubar ovos de Páscoa e um quilo de peito de frango, em 2015. Responsável por três crianças menores de 12 anos, ela vive com o filho mais novo, de 20 dias, em uma cela superlotada da ala materna da Penitenciária Feminina de Pirajuí.
A pena determinada, de três anos, dois meses e três dias de regime fechado, supera as sentenças impostas a pelo menos sete condenados na Operação Lava-Jato.
A informação sobre o pedido de liberdade foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo na "Folha de S. Paulo". A equipe do EXTRA teve acesso ao teor da ação no STJ. Na visão da Defensoria, a extensão da pena da cliente é "absurda", ao se considerar o caráter pouco impactante e lesivo do crime. O comportamento, "embora condenável", não gerou perturbação social, violência nem dano ao patrimônio do estabelecimento, que logo recuperou as mercadorias furtadas, diz o pedido.
"Quando da prolação da sentença, o magistrado de primeiro grau aumentou a pena base sob o 'fundamento' de que a 'culpabilidade é intensa'. Ora, estamos analisando um furto de OVOS DE PÁSCOA E PEITO DE FRANGO!", escreveu a defensora na petição.
Maria (nome fictício) foi presa em flagrante, há dois anos, por furtar produtos de um supermercado de Matão, em São Paulo. Permaneceu reclusa por cinco meses, até que um juiz concedeu a liberdade provisória. Condenada em primeiro grau, ela teve a sentença mantida em segunda instância e voltou ao cárcere em novembro de 2016, grávida. A detenta deu à luz no último 28 de abril e vive com o filho em uma cela, cuja capacidade é de 12 pessoas, ao lado de outras 18 lactantes.

Crianças na prisão

No pedido, a defensora Maíra Cora Diniz ainda argumentou que o Marco Legal da Primeira Infância permite a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar para detentas com filhos menores de 12 anos — legislação que embasou a liberdade da ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, em março deste ano. Além do bebê de colo, Maria* é mãe de crianças de 11, 10 e 3 anos.
Tal legislação, ressalta a defensora, serve para afastar os pequenos dos estabelecimentos prisionais e favorece a relação mãe e filho em um ambiente próprio de desenvolvimento infantil. Nas penitenciárias paulistas, o bebê não pode mais viver com a mãe detenta a partir dos 6 meses de idade. No caso de Maria, a separação "absolutamente prematura e prejudicial ao bebê" vai gerar a "interrupção brusca da amamentação", diz Maíra.
Uma das duas mulheres que cometeram o furto com Maria já recebeu liminar favorável. Agora, a defensora espera que a cliente possa aguardar o fim da ação penal em liberdade e, mais adiante, não cumpra pena em regime fechado por ser um crime de menor importância, que não afronta a vida pacífica.

Pena maior que as da Lava-Jato

O caso de Maria levanta debate sobre a Justiça — que garantiu a liberdade à outra mulher presa no mesmo furto e a prisão domiciliar à mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo. Mostra ainda certa desproporção das penas no Direito Penal. Na Operação Lava-Jato, ao menos sete condenados vão cumprir menos tempo de cadeia que a dona de casa. Cinco deles recorrem em liberdade, um está preso em domicílio.
- Antônio Carlos Pieruccini foi condenado a três anos por envolvimento na operação montada pelo doleiro Alberto Yousseff para operar empresas de fachada e movimentar recursos oriundos de desvios na Petrobras. Ele recorre em liberdade.
- Faiçal Mohamed Nacirdine foi condenado a um ano de prisão por operar instituição financeira irregular por meio de contas de empresas fantasmas. Ele é ligado à doleira Noelma Kodama, condenada a 18 anos de regime fechado.
- Maria Dirce Penasso foi condenada por corrupção passiva a dois anos e um mês de prisão. Ela é mãe de Noelma. Também recorre em liberdade.
- João Procópio Prado, ligado a Yousseff, foi condenado a dois anos e sete meses. Ele era proprietário de escritório em São Paulo que gerenciava contas do doleito no exterior. Cumpre a sentença em prisão domiciliar.
- Juliana Cordeiro de Moura foi condenada a dois anos e dez dias de reclusão. Ligada a Noelma, era dona de empresa de fachada no Brasil e de contas off-shore no exterior. Recorre em liberdade.
- Rinaldo Gonçalves de Carvalho, condenado por corrupção passiva, recorre em liberdade da pena de dois anos e oito meses de prisão. Ele operava o esquema de Noelma em empresas fantasmas.
- Ediel Viana da Silva foi condenado a 3 anos de prisão. Foi permitido a ele prestar serviços comunitários e pagar cinco salários minímios a empresas filantrópicas para atenuar a sentença, porque colaborou de forma informal com as investigações. Foi preso por facilitar o transporte indevido de dinheiro ou emprestar seu nome à abertura de empresas de fachada de Carlos Habib Chater. É mais um que responde em liberdade.





Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira.

Constituição Federal e o Código Penal resguardam a situação jurídica de quem passa por uma situação excepcional, de risco de morte por falta de alimento.

Furto famélico é uma situação como a de matar em legítima defesa, quando se mata para não morrer.


MPF denuncia Lula por caso envolvendo sítio em Atibaia





Caberá a Moro definir se recebe ou não a denúncia do Ministério Público Federal (MPF)





POLÍTICA JUSTIÇA DE CURITIBAHÁ 2 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO


Procuradores da força-tarefa da Lava Jato apresentaram, nesta segunda-feira (22), uma denúncia envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

Segundo informações do G1, esse é o terceiro processo a que Lula poderá responder na Justiça de Curitiba, sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro.
De acordo com a publicação, caberá a Moro definir se recebe ou não a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

Festa na Paróquia Santa Cruz & Santa Edwiges





Festa na Paróquia Santa Cruz & Santa Edwiges dias 01, 02, 03, e 04 de junho — em  Igreja De Santa Eduwiirgens.

'Renunciar seria admissão de culpa. Se quiserem, me derrubem', diz Temer a jornal


Presidente afirmou em entrevista à 'Folha de S. Paulo' que irá demonstrar força 

política durante as próximas semanas.

Michel Temer reafirma que não pretende renunciar, em entrevista à Folha de S. Paulo



O presidente Michel Temer disse que seria "admissão de culpa" renunciar ao mandato. "Se quiserem, me derrubem", afirmou o pemedebista em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" publicada nesta segunda-feira (22).


“Agora, mantenho a serenidade, especialmente na medida em que eu disse: eu não vou renunciar. Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa”, afirmou.
Alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa, Temer enfrenta a maior crise política de seu mandato. Neste fim de semana, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu apresentar pedido de impeachment ao Congresso, onde a oposição já lidera um movimento pela saída do presidente. Além disso, informou o colunista do G1 Gerson Camarotti, os articuladores políticos do governo foram avisados que parte da base aliada quer a renúncia do pemedebista.
O inquérito contra Temer tem como base as delações dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista. Joesley gravou uma conversa com o presidente numa reunião em 7 de março na residência oficia do Palácio do Jaburu. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a conversa indica "anuência" de Temer ao pagamento de propina mensal, por Joesley, para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato.
O presidente afirmou que a regra que ele próprio estabeleceu, de afastar ministro que virar réu, não vale para ele. “Não, porque eu sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros não será a linha de corte para o presidente”.

Conversa foi induzida

Temer afirmou que "num primeiro momento" não sabia que Joesley Batista era investigado, embora a JBS tenha sido alvo de três operações recentes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal – a Cui Bono?, a Sespis e a Greenfield.
Para Temer, a gravação de Joesley foi uma tentativa de induzir uma conversa. “Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: ‘olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha’. [Eu disse] ‘mantenha isso’”, disse referindo-se a parte da ‘boa relação’.
O presidente negou que tenha prevaricado [deixado de agir] ao ouvir um empresário dentro de casa relatando crimes – no encontro, Joesley disse que vinha usando juízes e um procurador da República em seu benefício.



“Eu ouço muita gente, e muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Muita gente me diz as maiores bobagens que eu não levo em conta. Ele foi levando a conversa para um ponto, as minhas respostas eram monossilábicas”.
Sobre o encontro ter ocorrido fora da agenda oficial, à noite, o presidente afirmou ser tratar um hábito que não é ilegal. “Não é ilegal porque não é da minha postura ao longo do tempo. Talvez eu tenha de tomar mais cuidado. Bastava ter um detector de metal para saber se ele tinha alguma coisa ou não, e não me gravaria."
Perguntado sobre qual era sua culpa no caso, Temer respondeu ser a "ingenuidade". "Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento."



O presidente Michel Temer durante pronunciamento no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Evaristo Sá/AFP)
O presidente Michel Temer durante pronunciamento no Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Evaristo Sá/AFP)


Montagem

Temer foi questionado sobre seu assessor, Rodrigo Rocha Loures, que foi filmado com uma mala com R$ 500 mil entregue por um executivo da JBS. No encontro no Alvorada, dias antes, Temer havia dito que Joesley podia tratar de "tudo" com Rocha Loures.
O presidente indica que houve uma montagem desses fatos.
"Vou esclarecer direitinho. Primeiro, tudo foi montado. Ele [Joesley] teve treinamento de 15 dias [para fazer a delação], vocês que deram [refere-se à Folha], para gravar, fazer a delação, como encaminhar a conversa", disse Temer. "O que [Joesley] fez? A primeira coisa, orientaram ou ele tomou a deliberação 'Grave alguém graúdo'. Depois, como foi mencionado o nome do Rodrigo, certamente disseram: 'Vá atrás do Rodrigo'. E aí o Rodrigo certamente foi induzido, foi seduzido por ofertas milaborantes e irreais".
Temer admitiu que Rocha Loures "errou, evidentemente" e que receber R$ 500 mil não é um gesto "aprovável", mas disse não se sentir traído, e considerou o o assesso como alguém "de muito boa índole". O presidente argumentou que ao dizer "tudo", se referia a matérias administrativas, e ressalta que os problemas da JBS no BNDES e no Cade que supostamente seriam resolvidos por intermédio de Rocha Loures, não o foram.
Temer desviou do assunto quando perguntado sobre áudios de executivos dizendo que ele pediu caixa 2 em 2010, 2012 e 2016.

Perda de apoio

O presidente falou sobre a perda de apoio. Na quinta-feira (18), o ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS) deixou o cargo. No sábado, o PSB decidiu deixar a base governista e pedir a renúncia de Temer – o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, do partido, permanece no cargo.
“O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência. No PPS, o Roberto Freire veio me explicar que tinha dificuldades. Eu agradeci, mas o Raul Jungmann, que é do PPS, está conosco”, argumentou Temer. Já o PSDB – prinicipal partido da base aliada – vai manter a fidelidade até "31/12 de 2018", disse Temer.
O presidente afirmou que a crise não afetará o plano do governo em aprovar reformas. “Eu vou revelar força política precisamente ao longo dessas próximas semanas com a votação de matérias importantes. Tenho absoluta convicção de que consigo. É que criou-se um clima que vai ser um desastre, de que o Temer está perdido. Eu não estou perdido”.
Temer disse acreditar que o caso não irá afetar o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode resultar na cassação do mandato do presidente. “Acho que não. Os ministros se pautam não pelo que acontece na política, mas pelo que passa na vida jurídica”.
Por fim, o presidente se declarou surpreso pela decisão da OAB de pedir o impeachment.
“Lamento pelos colegas advogados. Eu já fui muito saudado, recebi homenagens da OAB. Tem uma certa surpresa minha, porque eles que me deram espada de ouro, aqueles títulos fundamentais da ordem, agora se comportam dessa maneira. Mas reconheço que é legítimo.”

Entenda a crise

Na semana passada, foram divulgadas as informações prestadas pelos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, ao Ministério Público Federal, no acordo de delação premiada fechado por eles no âmbito da Operação Lava Jato.
Aos investigadores, os irmãos Batista entregaram documentos, fotos e vídeos como prova das informações fornecidas. As delações deles e de outros executivos da JBS já foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal e o conteúdo, divulgado na última sexta-feira (19).
Com base no que foi relatado pelos delatores, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato, autorizou a abertura de inquéritopara investigar Temer e outros políticos, entre os quais o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato parlamentar por determinação do Supremo.
Temer investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. O presidente tem negado em pronunciamentos e em notas à imprensa todas as acusações e já pediu ao Supremo para suspender o inquérito.

Aécio vai ao Supremo para tentar recuperar mandato no Senado



Política

Escândalo


por Redação* — publicado 22/05/2017 01h00, última modificação 22/05/2017 00h45
A defesa do parlamentar tucano deve ingressar com um pedido de agravo regimental contra o afastamento nesta segunda-feira 22


Aécio Neves
A defesa confirma que Aécio pediu 2 milhões de reais a Joesley, mas diz tratar-se de um empréstimo



Afastado do Senado após as delações do empresário Joesley Batista, dono da JBS, o tucano Aécio Neves vai tentar retomar o seu mandato no Supremo Tribunal Federal. Nesta segunda-feira 22, a defesa do parlamentar deve ingressar com um pedido de agravo regimental contra o afastamento, determinado pelo ministro Edson Fachin.
De acordo com o advogado Alberto Toron, "não há respaldo na Constituição Federal" para o afastamento. "Em se tratando de mandado parlamentar, unicamente a Casa Legislativa pode afastá-lo, pela via da cassação", afirmou o advogado à Agência Brasil. Segundo o defensor, o caso de Aécio se diferencia de Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, cassado em 2016 após ser afastado pelo Supremo. "O senador Aécio não foi preso em flagrante", explicou Toron.
Em depoimento de delação premiada homologada pelo STF, Joesley Batista disse que pagou 2 milhões de reais em propina ao senador tucano, a fim de que ele atuasse em favor da aprovação da Lei de Abuso de Autoridade e da Anistia ao Caixa 2 em campanhas eleitorais.
O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, preso na quinta-feira 18. A entrega foi registrada em vídeo pela PF, que rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que o montante foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella, do PMDB.
Segundo Toron, apesar do recurso, o parlamentar não tem problema nenhum em entregar seu passaporte, conforme determinado por Fachin. Ao decidir pelo afastamento, o ministro do STF não aceitou o pedido da Procuradoria-Geral da República de prisão preventiva contra Aécio Neves.
A defesa de Aécio confirma que o senador afastado pediu 2 milhões de reais a Joesley, mas diz tratar-se de um empréstimo para custear a defesa do senador, investigado pela Operação Lava Jato. Após as acusações, o tucano comunicou o seu afastamento da presidência do PSDB.
Na quinta-feira 18, parlamentares da Rede e do PSOL apresentaram uma representação no Conselho de Ética do Senado contra Aécio, por quebra de decoro parlamentar. O caso ainda não foi analisado pelo colegiado.
Entenda as acusações contra o tucanoA bomba contra Aécio explodiu na noite da quarta-feira 17, quando veio à público uma conversa entre o senador e Joesley Batista em março deste ano. Na ocasião, sem meias palavras, o tucano pediu 2 milhões de reais ao empresário para bancar a sua defesa na Lava Jato. No dia seguinte a irmã e braço direito de Aécio, Andrea Neves, e seu primo foram presos.
Joesley Batista afirma em sua delação ter sido o maior doador da campanha de Aécio à presidência em 2014, com envio lícito de recursos e caixa 2. Mesmo assim, logo depois da eleição, vendeu um imóvel superfaturado, por 17 milhões de reais, a uma pessoa indicada por Aécio para que o dinheiro chegasse ao senador. Em 2016, um novo pedido, dessa vez de 5 milhões de reais, foi negado pelo empresário, que a essa altura já estava na mira das investigações pela Operação Sépsis.
Em fevereiro de 2017, quando Joesley foi procurado por Andrea Neves com o pedido dos 2 milhões de reais. Aparentemente, Joesley já pretendia gravar a conversa e pediu um encontro pessoal com o senador. A reunião acabou agendada para 24 de março, em uma suíte do sétimo andar do Hotel Unique, em São Paulo.
Em um diálogo insólito, o pagamento dos 2 milhões é acertado em parcelas de 500 mil. Aécio sugere enviar seu primo, Frederico Pacheco, ao que Joesley responde: "Se for o Fred, eu ponho um menino meu, se for você, sou eu”, mostrando disposição em entregar pessoalmente. “Eu só faço desse jeito, entre dois”. Aécio concorda, mas preocupa-se: "Tem que ser um que a gente mate ele antes de fazer delação”.
Confira os principais pontos da delação de Joesley Batista contra o senador tucano.
* Com informações da Agência Brasil.

JOESLEY PODE TER PAGO PARA NÃO SER CONVOCADO A DEPOR EM CPI



NO BOLSO

SUSPEITA É QUE JOESLEY 'AGIU' PARA NÃO DEPOR NA CPI DO BNDES
Publicado: 22 de maio de 2017 às 00:01 - Atualizado às 23:19


DEPUTADOS DO PT E PMDB NA CPI DO BNDES ESTAVAM NO BOLSO DA JBS DE JOESLEY BATISTA


Deputados do PT e do PMDB livraram o dono da JBS, Joesley Batista, de comparecer à CPI do BNDES, em setembro de 2015. Ao todo, 15 deles votaram contra o requerimento. Os deputados derrotados na votação atribuíram ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o acordo para barrar a convocação de Joesley. Isso explica por que Cunha continuava recebendo de Joesley altas quantias, mesmo preso. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
A CPI do BNDES investigava financiamentos generosos a empresas ligadas aos governo Lula e Dilma, como o Grupo JBS e a Odebrecht.
O ex-presidente Lula e Eduardo Cunha fizeram uma aliança tácita para livrar Joesley de depor à CPI criada para abrir a caixa preta do BNDES.
A operação para livrar Joesley de depor da CPI do BNDES não foi relatada pelos delatores da JBS ao Ministério Público Federal.
O atual líder do PT, Carlos Zarattini (SP), ajudou a blindar Joesley na CPI do BNDES. Em 2014, ele recebeu doação eleitoral de R$240 mil.