sábado, 24 de setembro de 2016

Quem são os policiais que querem a legalização das drogas e o fim da violência na corporação

Ingrid Fagundez

  • 23 setembro 2016
Policiais que se dizem "antifascistas" são contrários à militarização da segurança públicaImage copyrightAP
Image captionPoliciais que se dizem "antifascistas" são contrários à militarização da segurança pública

Três adolescentes apanham de uma fila de policiais militares. É Carnaval em João Pessoa, e os jovens invadiram um orfanato para roubar uma televisão e uma bicicleta. "Onde está a arma?", perguntam os policiais. Entre uma pancada e outra, dois cadetes que acompanhavam a operação saem da sala.
A cena, que teria acontecido em 2006, foi descrita à BBC Brasil por um dos cadetes que reprovaram a abordagem - a Secretaria de Segurança da Paraíba não se pronunciou até a publicação desta reportagem.
Dez anos depois e agora capitão da PM, Fábio França diz que ainda rejeita a violência na instituição. Ele faz parte de um grupo de policiais civis e militares que se autodeclaram antifascistas e criticam a política de segurança pública adotada no Brasil.
Espalhados pelo país, seus integrantes - grande parte deles acadêmicos ou com pós-graduação - querem o fim da militarização e a legalização das drogas.
"O que me levou a despertar foi tentar entender que mundo era esse. Percebi o comportamento dos meus colegas e isso foi me angustiando. Queria saber por que se transformavam naquilo", diz França, que então decidiu fazer mestrado e doutorado em Sociologia.
"Procuramos que a PM se reencontre com as instituições democráticas."

Anderson Duarte é tenente e criou o site Policial PensadorImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionAnderson Duarte é tenente e criou o site Policial Pensador

Para fazer esse debate, o grupo se organiza há alguns anos pela internet e em eventos de associações como a Leap (agentes da lei contra a proibição das drogas). Um dos sites que concentra essa discussão, o Policial Pensador, teve 200 mil visualizações desde que entrou no ar, em 2014. Criada pelo tenente Anderson Duarte, do Ceará, a página reúne artigos sobre temas como redução da maioridade penal.
Duarte, de 33 anos, diz que a convergência dessas ações nos últimos anos foi provocada pelo maior acesso dos profissionais de segurança à educação e pelo fortalecimento de um discurso conservador, que gerou a necessidade de um contraponto.
"Muitos pares têm pensando de forma diferente e faltava um espaço para discussão. Sempre partimos do ponto de que não existe democracia sem polícia, e aí perguntamos: que polícia nós queremos?"

Guerra às drogas

Um dos principais tópicos discutidos por esse grupo é o combate ao tráfico de drogas. Para eles, esses confrontos provocariam muitas mortes e seriam ineficazes.
"Não se tratam de ações contra as drogas, que são inanimadas, mas contra as pessoas. A polícia brasileira é a que mais mata e a que mais morre no mundo. Temos números de guerra", diz Duarte, que também é doutorando em Educação.

Caminho para acabar com a guerra ao tráfico seria legalizar as drogas, dizem policiaisImage copyrightEPA
Image captionCaminho para acabar com a guerra ao tráfico seria legalizar as drogas, dizem policiais

A guerra às drogas estaria ligada à militarização das instituições, diz o delegado e diretor do Leap Orlando Zaccone.
De acordo com ele, seguindo a lógica militar, a polícia é voltada para embates e precisa estabelecer um inimigo: o traficante. Zaccone questiona a prioridade que o Estado dá a um crime que, pela lei, não ameaça à vida.
"O tráfico é o crime que mais encarcera mulheres e o que deixa mais tempo preso hoje. E isso é estranho, porque não tem vítima (na legislação). O que se defende na lei é um bem jurídico, uma questão de saúde pública. A importância que dão a ele tem a ver com a militarização, que precisa de um oponente para se manter."

Militarização

Um dos caminhos apontados por Duarte e Zaccone para acabar com o conflito é a legalização das drogas, com venda e uso regulamentados pelo governo. No entanto, dizem, para chegar ao cerne do problema - a desmilitarização - é necessária uma mudança profunda: rever o papel da polícia. Do viés de repressão, ela deveria passar para o de proteção e mediação de conflitos.
O capitão Fábio França afirma que a origem da polícia brasileira está no século 19, quando foi usada para reprimir revoltas contra o Império.
O casamento entre polícia e Exército se consolidou na Constituição de 1934, quando a primeira passa a ser subordinada ao último. Na ditadura, os policiais militares, que atuavam só no caso de distúrbios civis, saíram dos quartéis e foram para o dia a dia das ruas.
De acordo com os entrevistados, a lógica militar, de combate e aniquilação do adversário, ajudaria a explicar o comportamento violento de policiais.

Para grupo, é preciso rever o papel da polícia, de repressora para mediadoraImage copyrightREUTERS
Image captionPara grupo, é preciso rever o papel da polícia, de repressora para mediadora

Tais ideias, no entanto, não são consenso. Para José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da Polícia Militar e ex-secretário Nacional de Segurança, a proximidade com o Exército é necessária para manter uma estrutura de controle e disciplina.
Uma polícia desmilitarizada, pondera, poderia se corromper com mais facilidade.
"Uma estrutura de contenção é importante para quem está sujeito a muito estresse no dia a dia profissional."

Treinamento

Outro tema questionado por esses policiais é o treinamento.
França, que estuda a formação desses profissionais, diz que os recém-chegados têm dois currículos: o formal, que inclui direitos humanos, e o "oculto", com práticas que têm mais força. O discurso progressista, afirma, fica na teoria numa rotina de xingamentos e castigos.
"A pedagogia militar incute um processo em que a humilhação é a tônica central, alunos apanham dos instrutores. Os policiais não veem o que é direitos humanos porque não têm seus direitos respeitados."
Segundo levantamento de 2014, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Fundação Getúlio Vargas e Secretaria Nacional de Segurança Pública, 28% dos policiais ouvidos afirmaram ter sido "vítima de tortura em treinamento ou fora dele" e 60% narraram situações de desrespeito ou humilhação por superiores.

Para entrevistados, treinamento militar tem humilhação como tônica centralImage copyrightTOMAZ SILVA/ AGÊNCIA BRASIL
Image captionPara entrevistados, treinamento militar tem humilhação como tônica central

Para João*, sargento da Polícia Militar do Ceará, ao viverem sob esse regulamento estrito, os policiais querem reproduzi-lo com os civis.
"Quando privam sua liberdade por causa de uma farda amarrotada ou de um atraso, você transfere essa lógica para a sociedade. Acha que a população tem que ser subserviente a você. Nossa formação é voltada para guerra - existe nós e os inimigos. E às vezes são os cidadãos que juramos defender."
Na contramão desse pensamento, o coronel José Vicente considera que deve haver pressão nos exercícios, porque eles preparam os profissionais para uma rotina de medo.
"O treinamento para lidar com estresse não é feito com PowerPoint. Tem que colocar sob estresse para o agente saber lidar com as circunstâncias."
Entretanto, o ex-secretário de segurança pondera que é preciso melhorar as relações entre chefes e subordinados, impedindo lideranças muito autoritárias.

Sangue nos olhos

Segundo esses policiais, a imagem de violência que o treinamento e a atuação da polícia geram atrai pessoas de perfil agressivo, que desejam usar a farda para exercer essa brutalidade.
O investigador da Polícia Civil da Bahia Denilson Neves, de 47 anos, diz que precisou acalmar os ânimos várias vezes, quando estava participando de diligências, porque "as pessoas estavam com sangue nos olhos".
Segundo Neves, que é militante de esquerda há 30 anos, parte dos recém-chegados tem uma visão equivocada da profissão.
"Eles entram para fazer justiça com as próprias mãos. Reprimir e matar têm sido a lógica da polícia e muitos vão lá porque identificam com a ideia."
Para os entrevistados, também há influência de um discurso conservador, que estaria se expandindo no Brasil, sobre esses profissionais. Como uma esquerda que renega o policial, diz o delegado Orlando Zaccone, seções ligadas à direita ganham adeptos.

Delegado Orlando Zaccone é hare krishna e autor de livros sobre segurança públicaImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionDelegado Orlando Zaccone é hare krishna e autor de livros sobre segurança pública

"Os policiais têm pouca ou nenhuma atenção das esquerdas. Quando a direita aparece e diz que ninguém cuida da vida dos policiais, que são heróis, tem uma recepção grande."
O sargento João fala de um "glamour" que existe na militarização. Setores mais tradicionalistas, afirma, acham que as organizações de segurança vão dar alguma "pureza moral" para o país.
"Teria vergonha de alguém querer tirar foto comigo (em um protesto), porque não seria pela minha missão de proteger a sociedade. Seria pelo uso da força."
Há 15 anos na PM, João diz que, por ser ter uma visão crítica, é hostilizado pelos colegas.
O policial conta que virou persona non grata em grupos no WhatsApp e tem suas postagens no Facebook ridicularizadas. Num dos posts, ele reprova a ação de PMs acusados de cometer uma chacina para vingar a morte de um amigo.
"Todos disseram 'como você faz isso? O cara (assassinado) era pai de família'. E as famílias dos meninos mortos não estão sofrendo, não? Sou visto como uma anomalia. Muitos dizem que sou um lixo."

Para inspetor, selfies com policiais valorizam apenas uso da forçaImage copyrightPMSP
Image captionPara inspetor, selfies com policiais valorizam apenas uso da força

Casos como esse não se restringem à PM. A escrivã Cecilia*, da Polícia Civil de São Paulo, conta que, ao fazer qualquer questionamento, é considerada inocente.
"Existe uma ideia de que há um inimigo dentro da sociedade. E, a meu ver, a função é de proteção."
Para Cecilia, de 41 anos, é difícil para seus superiores compreenderem isso.
"Quando digo que não quero uma polícia opressora, respondem que estou fazendo carinho em bandido."

Convencimento

Com tantos empecilhos e em menor número, os policiais desses grupos buscam influenciar os companheiros de trabalho aos poucos.
Antes das operações, o investigador Denilson Neves, da Bahia, pergunta aos colegas: "o que ganhamos ao tirar a vida de alguém?".
"Um ou outro policial pode fazer essa reflexão crítica, o que destrói a possibilidade de fazerem algo no automático."
Além do boca a boca, o grupo se organiza para entrar num debate amplo sobre esses temas - e atrair simpatizantes. Parte de seus integrantes negocia a publicação de um livro.

Inspetor no Rio, Hildebrando Saraiva diz que instituição não precisa ser violentaImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionInspetor no Rio, Hildebrando Saraiva diz que instituição não precisa ser violenta

O primeiro passo para a mudança, afirmam, é acelerar a profissionalização do policial como um agente protetor. Para eles, um PM deveria ser especialista em negociação de conflitos, e não em técnicas de guerra.
"A polícia sempre será um instrumento de manutenção da ordem, mas não significa que seja reacionária ou fascista. Ela vai continuar defendendo a vida e a propriedade privada, mas não precisa ser no pau de arara", afirma o inspetor da polícia civil do Rio de Janeiro Hildebrando Saraiva, 35 anos.
"A ideia é criar métodos modernos e democráticos."
O objetivo proposto, explica o delegado Orlando Zaccone, é aproximar a corporação das pessoas e buscar mais independência do poder político, o que exige mudar o entendimento do Estado sobre segurança.
Longe dos ideiais almejados, os policiais do grupo se dizem otimistas.
"Acho que vivemos um momento de transição. Se você comparar com 20 anos atrás, melhorou muito. Até tem gente rejeitando imagens de chacina no WhatsApp", afirma o inspetor Neves.
*Os nomes foram substituídos a pedido dos entrevistados

TCU propõe bloquear bens de Dilma por prejuízos em Pasadena Zero Hora

Parecer pede que membros do Conselho de Administração da Petrobras à época do negócio respondam por perdas de ao menos US$ 266 milhões

24/09/2016 - 07h56min | Atualizada em 24/09/2016 - 07h56min

TCU propõe bloquear bens de Dilma por prejuízos em Pasadena Reprodução/Twitter @dilmabr
Foto: Reprodução / Twitter @dilmabr
O Tribunal de Contas da União (TCU) propôs que ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobras, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff, sejam responsabilizados e tenham os bens bloqueados por prejuízos na operação de compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).
A informação é do jornal o Estado de S. Paulo. A compra de Pasadena é investigada na Operação Lava-Jato.
Dilma era ministra da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração em 2006, quando foi aprovada a aquisição dos primeiros 50% da refinaria. Conforme a reportagem, o parecer do TCU é subscrito pelo chefe da Secretaria de Controle Externo da Administração Indireta da corte no Rio de Janeiro, Luiz Sérgio Madeiro da Costa.
Ele divergiu de auditora que havia reiterado entendimento do tribunal de isentar o conselho, aplicando sanções apenas a ex-dirigentes que tinham funções executivas. Desde 2014, ex-diretores da companhia têm os bens bloqueados. Costa pede que os ex-conselheiros sejam considerados responsáveis solidários por perdas de ao menos US$ 266 milhões (R$ 858,3 milhões). O bloqueio, inicialmente por um ano, visa a cobrir eventual ressarcimento à estatal.
Além de Dilma, estão na lista o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), os empresários Cláudio Haddad e Fábio Barbosa, o general Gleuber Vieira e o ex-presidente da companhia José Sergio Gabrielli - como integrava também a Diretoria Executiva, este último já está com os bens bloqueados. O grupo participou da reunião que aprovou a compra em 2006.
A estatal pagou, inicialmente, US$ 359 milhões ao grupo belga Astra Oil, que, no ano anterior, havia desembolsado US$ 42 milhões por 100% dos ativos. Em março de 2014, o Estado revelou que a então presidente da República votou a favor do negócio. Ela disse que só deu seu aval porque se baseou em "resumo tecnicamente falho" que omitia cláusulas das quais, se tivesse conhecimento, não aprovaria.
Após um desacordo, a Astra acionou uma dessas cláusulas, que lhe assegurava o direito de vender sua fatia em Pasadena à estatal. Em 2012, a Petrobras pagou US$ 820 milhões pelos 50% remanescentes à empresa belga. Em 2014, ao bloquear bens de ex-diretores, o TCU concluiu que a perda total pela compra foi de US$ 792 milhões (R$ 2,5 bilhões).
A ex-presidente Dilma Rousseff disse ao Estado de S. Paulo por meio de nota que o assunto Pasadena "é antigo e já foi arquivado em 2014 pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por considerar que nem ela nem os demais ex-conselheiros de Administração da Petrobras tiveram responsabilidade pelos eventuais prejuízos".
A reportagem entrou em contato com a secretária de Cláudio Haddad e ela disse que ele só poderia se pronunciar a partir de segunda-feira. Fábio Barbosa não quis se manifestar. Gleuber Vieira disse que desconhece o parecer do tribunal e não poderia comentá-lo em detalhes.
Defensor de José Sergio Gabrielli, Antônio Perilo disse que parecer de técnicos do TCU acolhe argumentos de seu cliente. Ele alegou que auditoria admite que a carta de intenções do negócio não foi autorizada por Gabrielli. Graça Foster não comentou.

Gasolina está mais cara no Brasil do que no exterior há 12 meses

24/09/2016 07h47 - Atualizado em 24/09/2016 08h04

Preço na refinaria está 25,5% acima do internacional, aponta consultoria.
Petrobras estuda nova política de preços e redução no preço da gasolina.

Darlan AlvarengaDo G1, em São Paulo

O preço da gasolina nas refinarias da Petrobras está atualmente cerca de 25% acima da média dos preços no exterior e já são 12 meses seguidos de gasolina bem mais cara no Brasil, segundo dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Levantamento da consultoria mostra que a diferença nos preços chegou a 49,1% em fevereiro, caindo para 10,6% em junho e fechando agosto em 23,1%. No acumulado no mês de setembro, até o dia 19, o preço praticado no mercado brasileiro está 25,5% mais caro. Veja gráfico mais abaixo
Gasolina está mais de 25% mais cara no Brasil do que no exterior (Foto: G1)

A última vez em que houve uma defasagem – preço do mercado interno abaixo do internacional – foi em agosto de 2015, quando o preço da gasolina no Brasil ficou 3,1% menor que o da importada, segundo o CBIE.
Já o preço do óleo diesel nas refinarias nacionais está atualmente 41,3% acima do preço de referência internacional. Em janeiro chegou a 63,6% e, em junho, caiu para 28,8%. No caso do diesel, já são 22 meses de vantagem para a Petrobras.
O levantamento do CBIE compara os preços cobrados nas refinarias da Petrobras com os dos combustíveis comprados no Golfo do México (EUA), incluindo custos de transporte.
"O preço varia muito em função do câmbio e preço do petróleo, mas praticamente desde o final de 2014 o prêmio têm sido significativamente positivo para a Petrobras, o que faz o brasileiro estar pagando uma gasolina muito cara", afirma o sócio-diretor do CBIE, Adriano Pires.
Pelos cálculos do CBIE, as diferenças de preços proporcionaram para a Petrobras, somente entre janeiro e julho, um ganho potencial de cerca de R$ 15 bilhões – R$ 11,8 bilhões com a gasolina e R$ 3,2 com o diesel.
Petrobras avalia mudar política de preço
A discrepância entre os preços cobrados aqui e lá fora voltou a ser tema de debate com as notícias de que a Petrobras está definindo uma nova política de preços para os combustíveis.
Segundo apurou João Borges, editor de economia da GloboNews, a Petrobras estuda anunciar até o final do ano uma redução no preço da gasolina. A intenção é anunciar a medida junto com uma nova política de preços, cujo critério será o alinhamento do preço praticado no Brasil com os do mercado internacional.
Com a queda do preço do barril de petróleo para patamares abaixo de US$ 50, a Petrobras passou a vender os combustíveis com um prêmio expressivo em relação a valores internacionais, o que desde o ano passado tem gerado cobranças sobre uma redução nos preços cobrados pela estatal.
Nesta quarta-feira (21), o presidente da companhia, Pedro Parente, disse que "não há decisão tomada" sobre o assunto, mas que está sendo discutida uma nova política de preços de combustíveis tendo como referência a paridade internacional, e que isso implica que "preços podem subir ou descer".
Em entrevista à CBN, Parente justificou o preço atual dos combustíveis no Brasil acima dos preços internacionais de referência pelo componente de risco em operar em um mercado volátil e pela necessidade da empresa ter a sua margem na operação.
Bomba de combustível abastece carro em posto de São Paulo. gasolina, preço da gasolina, frentista, álcool, diesel, combustíveis, reajuste, aumento. -HN- (Foto: Marcelo Brandt/G1)Bomba de combustível em posto de São Paulo. (Foto: Marcelo Brandt/G1)
O último aumento nos preços dos combustíveis nas refinarias foi anunciado em setembro do ano passado. Desde então, a Petrobras vem obtendo elevada margem de lucro com a venda de combustíveis, permitindo à empresa recuperar parte das perdas que teve no período em que a companhia, orientada pelo governo, seu acionista majoritário, manteve os preços baixos para ajudar a controlar a inflação, em um momento de alta do preço do petróleo.
Diesel mais caro  no Brasil (Foto: G1)

Analista avalia espaço para redução de 8%
Apesar de avaliar que os ganhos recentes obtidos pela Petrobras na venda de combustíveis ainda não tenham sido suficientes para cobrir as perdas de cerca de US$ 40 bilhões acumuladas desde 2010, Adriano Pires defende que há sim espaço para uma redução dos preços de diesel e gasolina nas refinarias, o que ajudaria a controlar outras distorções no mercado de combustíveis como a do aumento das importações por parte de distribuidores.
Uma redução  entre 7% ou 8% seria algo realista e já faria uma baita diferença, com efeitos inclusive na inflação"
Adriano Pires, sócio-diretor do CBIE
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção de gasolina no Brasil caiu 11% em 2015 ao passo que a importação aumentou 13%. Em 2016, a queda do consumo fez cair tanto a produção quanto a importação. De janeiro a agosto, foram importados 12,760 milhões de barris de gasolina A (sem etanol), o que representa um recuo de 5% na comparação com o mesmo período do ano passado. A produção, por sua vez, caiu 4,5%, para 97,5 millhões de barris.
"Qualquer redução de preço hoje de gasolina ou diesel na refinaria significa menos dinheiro no caixa da Petrobras. Mas acredito que uma redução num percentual em que a empresa mantenha algum nível de prêmio, entre 7% e 8%, seria algo realista e já faria uma baita diferença, com efeitos inclusive na inflação", afirma Pires.
Em um contexto de rombo nas contas públicas, o diretor do CBIE, ressalva que talvez o mais responsável seria aproveitar uma redução dos preços na refinaria para retomar a cobrança da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide). O tributo Cide foi zerado em 2012 justamente para atenuar o impacto do aumento do preço da gasolina.
"Se é para reduzir o preço dos combustíveis, deveria se cogitar também a possibilidade de se melhorar a arrecadação do governo, sem alterar o preço nas bombas, o que já ajudaria a dar mais competitividade ao etanol", afirma.
Segundo ele, no entanto, o mais importante é a definição de uma nova política de preços por parte da Petrobras. "Se passa a ter uma política de preços com previsibilidade, algo que nunca teve, isso ajudará a estatal nessa nova travessia, e valorizará os ativos que a Petrobras está colocando a venda", afirma Pires.
O novo plano de negócios da Petrobras prevê arrecadar US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018, além dos US$15,1 bilhões projetados em vendas de ativos entre 2015-2016.
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Preços da gasolina (Foto: G1)
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Polícia segue busca por atirador que deixou 5 mortos em Washington

France Presse
24/09/2016 08h26 - Atualizado em 24/09/2016 08h31

Autoridades descrevem suspeito como um 'hispânico vestido de cinza'.
Homem morre em hospital por ferimentos e aumenta número de vítimas.

Da France Presse

A polícia prossegue procurando o atirador que matou cinco pessoas durante um ataque em um shopping de Washington. Quatro mulheres e um homem foram mortos, informou a polícia, aumentando o balanço de vítimas. O homem havia sido levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
O porta-voz da Polícia Estadual, sargento Mark Francis, descreveu o suspeito pelo tiroteio no shopping Cascade Mall, em Burlington, como um "hispânico vestido de cinza". Testemunhas revelaram à rádio local KOMO News que o homem entrou caminhando no shopping e abriu fogo.
A polícia está analisando as gravações das câmeras de segurança do shopping, que mostrariam o suspeito carregando um fuzil.
Policiais do lado de fora do shopping Cascade Mall, em Burlington (Foto: Dean Rutz/The Seattle Times via AP)Policiais do lado de fora do shopping Cascade Mall, em Burlington (Foto: Dean Rutz/The Seattle Times via AP)
O alerta à polícia foi dado às 18h58 local (21h58 Brasília), informou o agente Rick Johnson à rede de televisão CNN. Segundo a TV local, as lojas próximas ao shopping foram evacuadas.
O shopping Cascade Mall foi evacuado e os serviços de emergência chegaram ao local para socorrer os feridos "sob escolta", após a polícia se certificar de que não havia mais risco.
Após o ataque, o suspeito foi visto caminhando em direção à estrada interestadual, pouco antes da chegada da polícia, declarou Francis, acrescentando que ele está sendo "procurado ativamente" em uma vasta operação de captura.
"Testemunhas estão sendo interrogadas e logo decidiremos os passos a seguir", disse o policial Johnson, que pediu à população que "permaneça em casa e informe qualquer coisa que pareça suspeita".
Burlington é uma cidade situada 110 km ao norte de Seattle, próxima à fronteira com o Canadá.
Departamento de Gestão de Emergência mostra imagem de suspeito que atirou dentro de shopping em Burlington (Foto: Skagit County Department of Emergency Management / via AP Photo)Departamento de Gestão de Emergência mostra imagem de suspeito que atirou dentro de shopping em Burlington (Foto: Skagit County Department of Emergency Management / via AP Photo
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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Moro autoriza e STF vai receber informações dos arquivos do celular de Odebrecht


De São Paulo



  • Sergio Moro é o juiz responsável pela Operação Lava Jato
  • Sergio Moro é o juiz responsável pela Operação Lava Jato
O juiz Sergio Moro autorizou o compartilhamento com o grupo de trabalho da Polícia Federal responsável pelos inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal das informações presentes nos celulares do empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht - preso desde 19 de junho de 2015.
A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, ao se manifestar para o juiz Sérgio Moro sobre o compartilhamento material, apontou que "não há como negar a relação entre os fatos apurados perante este juízo e perante o Supremo Tribunal Federal".
Atualmente, existem no Supremo 81 inquéritos contra 364 investigados na Lava Jato, incluindo pessoas físicas e jurídicas e até pessoas sem foro mas que devido ao envolvimento com os parlamentares deverão ser julgados pela Corte máxima.
O aparelho do maior empreiteiro do país foi apreendido na 14ª fase da Operação, deflagrada em 19 de junho de 2015 e que levou à prisão Odebrecht e o empresário Otávio Marques, da Andrade Gutierrez.
No celular de Odebrecht, que está em vias de fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, foi encontrado um conjunto de siglas com referência a políticos, frases cifradas e codinomes que revelaram a proximidade do empreiteiro com o mundo político.
Quando o material veio à tona, a Polícia Federal utilizou tarjas para preservar os nomes dos políticos com foro privilegiado, justamente pelo fato de as investigações estarem no âmbito da primeira instância judicial naquela época.
Muitas mensagens já foram decifradas pelos investigadores em Curitiba. Eles descobriram a existência de um "departamento de propinas" que funcionava na empresa e envolvia não apenas obras na Petrobras.
Desde que o funcionamento do departamento foi revelado, em março deste ano, a cúpula da empreiteira, incluindo Marcelo Odebrecht, decidiu colaborar com as investigações.
Agora, além da força-tarefa em primeira instância, os investigadores da Diretoria de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal em Brasília também vão poder aprofundar nas investigações, mirando em políticos que detêm foro privilegiado perante o Supremo Tribunal Federal e cujos nomes e contatos estão armazenados no aparelho do empreiteiro.
A Lava Jato já conseguiu cruzar os conteúdos das mensagens de celular e anotações na agenda eletrônica de Marcelo com operações financeiras e outros elementos que, para o Ministério Público Federal, ligam os executivos ao esquema de corrupção na Petrobras.
Parte deste material decifrado já foi utilizado para embasar denúncias contra nomes ligados à empreiteira. Nenhum dos diálogos e anotações que fazem referências expressas a políticos, porém, ainda foi decifrado e cruzado com outras informações das investigações.