Cadelas são estupradas e forçadas a ingerir bebidas alcoólicas em SP
22 de setembro de 2016 às 20:40
Patricia G. de Carvalho patriciagcarvalho26@hotmail.com
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Segunda uma denúncia três cães irmãos, duas cadelas e um macho, estão sofrendo maus-tratos absurdos nas ruas que ligam os bairros Balsa, Grajaú e Cocaia, apelidado por alguns protetores como a ante-camara do inferno para os animais em SP. As duas cadelas são forçadas a ingerir bebidas alcoólicas e são estupradas por dois homens. Um dos homens afirmou inclusive que a cadela “é a mulher dele”.
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O macho fica encolhido e assustado sob extremo estresse enquanto as cadelas são levadas para um matagal para sofrer inúmeras atrocidades. Os animais precisam de resgate e abrigo o quanto antes. Quem puder ajudar a interromper esse absurdo entre em contato com a Patricia através do 11 – 96917-5006.
Image copyrightAGENCIA BRASILImage captionEike Batista deixa Palácio do Planalto após encontro com o então presidente Lula em 2010; empresário diz ter feito doações ilegais ao PT a pedido de ex-ministro da Fazenda
Oito meses depois de ser citado por um delator como suposto envolvido em propinas para licitações da Petrobras, o empresário Eike Batista procurou voluntariamente o Ministério Público Federal para oferecer seu testemunho. O resultado da conversa entre Batista, advogados e procuradores veio à tona nesta quinta-feira (22), junto à 34ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Arquivo X".
A transcrição do diálogo - um dos documentos que faz parte da investigação do caso e que não está protegido por sigilo - tem 37 páginas e revela detalhes sobre o suposto encontro entre o empresário e Guido Mantega, então ministro da Fazenda, em novembro de 2012. Também mostra o clima de tensão entre Eike e a Petrobras, principal concorrente brasileira de suas empresas de exploração de petróleo e gás.
Durante o depoimento, Eike classificou o escândalo de corrupção na Petrobras como "um nojo", um "aborto da natureza", e disse que nunca foi bem visto pela companhia.
"(O) Pessoal da Petrobras me detestava. Eu na Petrobras? Eu era persona non grata", disse, negando a existência de contratos entre suas empresas e a petroleira estatal. Mais tarde, por insistência dos procuradores, Eike reconheceu participar de um contrato com a companhia - justamente aquele que é investigado pela Polícia Federal desde setembro do ano passado.
Eike também fez elogios à Operação Lava Jato e à atuação dos procuradores: "Vocês têm orgulho do Brasil", "Vocês começaram a mostrar esse cartel que fazia a Petrobras". E pediu a palavra para enumerar contribuições financeiras que fez para a Olimpíada, para UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e para um hospital infantil no Rio de Janeiro.
"Então acho e sempre quis (me) mostrar como um exemplo, porque alguns brasileiros muito ricos não dão p***a nenhuma, né? Vou até falar mal de um, posso?", indagou Eike, ao fim do depoimento.
"Não", responderam os procuradores. "Senhor fique à vontade, mas não, não", e encerraram a sessão.
PT
O Partido dos Trabalhadores é citado três vezes durante a conversa. Apenas a primeira partiu do próprio empresário, que afirmou ter feito doações "com o mesmo volume de recursos, R$ 1 milhão, para o PT, o PSDB" na campanha eleitoral de 2006.
As outras duas menções vieram dos procuradores da Lava Jato, em perguntas sobre o alvo do suposto pedido de "contribuição" feito por Mantega para cobrir despesas de campanha. "Só para não perdermos à linha de raciocínio, aí ele (Mantega) pediu o que seria dinheiro para campanha do partido, do Partido dos Trabalhadores?", indagou a Procuradoria.
Image copyrightREUTERSImage captionEx-ministro Gudo mantega foi detido em hospital onde acompanhava mulher, que seria operada; prisão acabou sendo revogada
"Isso", limitou-se a responder Eike na primeira delas.
Em outro momento, os procuradores reiteram a pergunta. "Isso tinha por objetivo de certa forma repassar valores para o Partido dos Trabalhadores?"
"Claro", responde Eike. "No fundo, no fundo, sim. O ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho R$ 40 bilhões investidos no país, como é que você faz?"
Apesar da citação de Eike ao PSDB, nem o empresário nem os procuradores da Lava Jato entraram em detalhes sobre estas doações durante todo o depoimento.
Mantega
Segundo Eike, o então ministro Guido Mantega teria pedido, a sós, em seu gabinete em Brasília, o pagamento de R$ 5 milhões para quitar dívidas de campanha. Os detalhes da negociação teriam sido discutidos posteriormente entre Monica Moura, esposa do marqueteiro João Santana, e advogados de Eike.
"Foi-me feito o pedido de contribuir para contas da campanha, porque a campanha já tinha terminado, para acertar as contas no valor total de R$ 5 milhões", afirmou. "Eu não sei se foi em um dia ou na semana seguinte, a Monica procurou a empresa, não diretamente a mim, porque eu não conheço ela, nunca sentei com ela, nem com o senhor João Santana."
Após o pedido do ex-ministro dos governos Lula e Dilma - que chegou a ser preso durante a manhã, e liberado horas depois -, uma das empresas de Eike no exterior teria repassado o dinheiro em 2013 para a offshore Shellbill, de João Santana e Mônica Moura.
Eike argumenta que "queria algo em troca" do dinheiro e pediu uma "consultoria" da empresa do marqueteiro para obter informações sobre investimentos na Venezuela e em Angola, países onde Eike já tinha negócios.
"Eu queria uma prestação de serviço para fazer esse pagamento, senão eu não iria fazer uma simples doação. Eu queria algo em troca que eu pudesse usar nos meus trabalhos, porque como eu fazia investimento por estes países todos, inclusive Angola e Venezuela que me interessavam (...) O Santana tinha um excelente relacionamento com esse governo, então para mim interessou o nível de relacionamento porque é diferente você conversar com um consultor que tem o nível de acesso que ele tinha."
Mantega nega a versão de Eike sobre o encontro e diz, por meio de seus advogados, que "jamais tratou com o senhor Eike sobre contribuição de campanha, sobre pagamento de despesas eleitorais".
Segundo a defesa, Eike, por já ser investigado pela Lava Jato, teria procurado o MPF para tentar uma espécie de "delação premiada informal".
Image copyrightREUTERSImage captionO marqueteiro João Santana (à esquerda na foto) ao ser liberado com a mulher Monica Moura da carceragem da Polícia Federal em Curitiba em agosto de 2016
"(Eike) procurou espontaneamente o Ministério Público Federal e fez um escambo, 'se não me prenderem posso acusar alguém importante'", disse o advogado José Roberto Batochio.
Investigado
Em delação premiada divulgada em setembro do ano passado, Eduardo Musa, ex-gerente-geral da área Internacional da Petrobras (posteriormente contratado pela OSX, empresa de Eike com atuação no setor naval) disse que o empresário estaria envolvido em um esquema de propinas para licitações no exterior.
Segundo Musa, a licitação para contratações de dois navios-plataforma teria sido fraudada pelo consórcio Integra, formado pela empreiteira Mendes Junior e pela OSX. O valor da propina na negociata, segundo o ex-gerente, teria sido de R$ 5 milhões - cifra igual à citada agora por Eike no suposto pedido de Guido Mantega.
Na oportunidade, o delator afirmou que os supostos pagamentos teriam sido feitos ao lobista João Augusto Henriques, ligado ao PMDB, "em troca de informações privilegiadas de dentro da Petrobras para orientar a formação da proposta técnica" da licitação.
A OSX, à época, disse que abriria investigação interna para apurar os fatos e negou participação nas acusações de corrupção. A Mendes Junior não comentou o caso.
No depoimento revelado na quinta-feira, Eike só citou o consórcio Integra após insistência dos procuradores.
"O Grupo X não tinha nenhum contrato (com a Petrobras)?", questionou o MPF. "Nada. Zero", respondeu Eike. Pouco tempo depois, os investigadores insistem. "Me corrija aqui se eu estiver equivocado, o grupo X não tinha algum contrato relacionado a plataforma, alguma coisa?"
"Tinha. Com a Integra", admitiu Eike, afirmando, no entanto, que todo o relacionamento do consórcio com a Petrobras era de responsabilidade da construtora Mendes Junior.
Relação com a Petrobras
Após classificar a situação da petroleira estatal como "um nojo", um "aborto da natureza", Eike Batista afirmou que "Temer, se Deus quiser, vai ter uma Petrobras que vai ser reerguer, devido à riqueza do pré-sal".
Questionado sobre a relação com a companhia, Eike afirmou que nunca conseguiu negociar com a Petrobras. "Tentei várias vezes com a Graça Foster, pedi… Nós tínhamos unidades de produção, então (eu) perguntava: vocês tem algum campo de petróleo em que nós podemos colocar nossa plataforma para produzir? (...) Me arrenda um campo, né? Mas a relação era tão ruim, tipo, eu sou um concorrente privado que se eu for eficiente eu vou mostrar a ineficiência da Petrobras. Então, sabe, era sempre assim, sai para lá."
A Procuradoria então pergunta se Eike participou ou foi convidado a participar de desvios na petroleira - Eike negou e criticou a aprovação de "projetos nojentos fomentados por uma ganância doentia", mesmo sem recomendação dos técnicos da estatal.
"Na minha companhia, você fala para baixo de corpo técnico. Se o corpo técnico diz que não funciona, o conselho vai falar que funciona? Tem o corpo técnico, as auditorias, você às vezes contrata uma empresa externa para fazer mais um controle, (então) não passa, né? É triste, sinceramente, é a capacidade que as empreiteiras tiveram de corromper o pessoal técnico da Petrobras."
Companhias tinham o único propósito de simular concorrência para enganar os planos de saúde, que pagavam por procedimentos cirúrgicos muitas vezes desnecessários
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) contra os acusados de integrar a Máfia das Próteses apresenta uma nova faceta criminosa do grupo. Além de recomendar a realização de cirurgias desnecessárias que chegavam a mutilar pacientes, utilizar materiais de baixa qualidade e pagar propina a médicos, os líderes do esquema criaram empresas de fachada para simular concorrências. Tudo para enganar os planos de saúde que pagavam pelas cirurgias.
Segundo a denúncia, dois dos chefes da organização criminosa — os donos da empresa TM Medical, Johnny Wesley Gonçalves e Micael Bezerra Alves — criaram pelo menos dois empreendimentos falsos. Micael fundou e é sócio da empresa MBAlves, que, segundo o Ministério Público, era utilizada constantemente como suposta concorrente em disputas para o fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Ainda de acordo com o MPDFT, a empresa pertence atualmente à irmã de Johnny Wesley.
A outra companhia utilizada no esquema era a Spinetec, que tem em seu quadro de sócios Edson Luiz Mendonça Cabral, representante comercial acusado de auxiliar a TM Medical nas fraudes cometidas contra pacientes e planos de saúde. As investigações indicam que a Spinetec também era utilizada para a realização de falsas cotações e concorrências para contratos de OPMEs.
Ainda de acordo com a denúncia do Ministério Público, os depoimentos colhidos sugerem que a empresa é “apenas figurativa, já que este (Edson), conforme ficou apurado, atuava atendendo as ordens de Micael e em procedimentos da TM Medical”.
Uma busca na internet pelas empresas MBAlves e Spinetec não apresenta resultados significantes. Existe uma Spinetech que fornece equipamentos para neurocirurgia e implantes de coluna. No entanto, a empresa tem sede em Porto Alegre (RS) e atua no Sul do país. Sobre a MBAlves, sequer há menções.
O Metrópoles não conseguiu localizar os advogados de Micael Bezerra, Johnny Wesley e Edson Luiz Cabral para comentarem o caso.
Michael Melo/Metrópoles
Johnny Wesley Gonçalves
Michael Melo/Metrópoles
Micael Bezerra Alves
Confira a íntegra da denúncia:
Quadrilhas em todo o BrasilA Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) disse ao Metrópolesque a Máfia das Próteses que atua no DF não é exclusiva da capital federal. Segundo a entidade, há quadrilhas semelhantes em outras unidades da Federação. A Abrange quer que a investigação se replique em todo o Brasil, não só em hospitais, mas em clínicas, laboratórios e escritórios de advogados, que promovem pedidos desnecessários de liminares para a realização de cirurgias que envolvem órteses e próteses.
“Antes de tudo, a nossa preocupação é com a segurança clínica de nossos clientes, assegurando que a medicina moderna seja aplicada de forma honesta, adequada e que produza os resultados para uma melhor qualidade de vida. Não é justo que alguns médicos, ignorando o juramento de Hipócrates (feito no ato da formatura), usem da fragilidade humana e da confiança de seus pacientes para levá-los à mesa de cirurgia a fim de realizar procedimentos desnecessários, visando unicamente o lucro. Mais grave ainda é ignorar que pessoas estão morrendo por causa de tais práticas”, disse o diretor da Abramge, Pedro Ramos.
Operação Mr. HydeA Máfia das Próteses do DF foi desbaratada em 1º de setembro, na Operação Mr. Hyde, realizada em conjunto pela Polícia Civil e o Ministério Público. Treze suspeitos foram presos, entre médicos e pessoas relacionadas à empresa TM Medical.
O grupo é acusado de fraudar pacientes e planos de saúde, que passavam por cirurgias desnecessárias e com materiais de baixa qualidade, para que a empresa pudesse aumentar seu lucro. Apenas neste ano, eles teriam atingido 60 pessoas. Os acusados também são suspeitos de ameaçar e atentar contra a vida de testemunhas.
Na terça-feira (20), o MPDFT apresentou denúncia contra 19 pessoas acusadas de integrar a quadrilha. O documento apresenta três líderes principais do grupo: além de Johnny Wesley Gonçalves e Micael Bezerra Alves, aparece o nome de Nabil Nazir El Haje, proprietário do Hospital Home, onde eram feitas as cirurgias. Por meio de assessoria, o Hospital Home negou quaisquer irregularidades.
TSE vai investigar se doadores tinham capacidade financeira para colaborar. 'Tudo indica que está havendo fraude', disse o ministro Gilmar Mendes.
Renan RamalhoDo G1, em Brasília
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta quinta-feira (22) que pessoas cadastradas noBolsa Família já efetuaram doações no valor de R$ 15,97 milhões para campanhas políticas neste ano.
No total, segundo o TSE, os beneficiários do programa já doaram R$ 12,2 milhões para candidatos a vereador; R$ 3,5 milhões para candidatos a prefeito; e R$ 204,4 mil para partidos.
Segundo o TSE, dos R$ 15,9 milhões, 67% são de chamadas doações estimadas, quando a pessoa não doa, mas presta um serviço ou doa um bem e indica o valor que ele custaria como uma doação estimada.
33% são doações financeiras, via transferência bancária, doação com cartão, entre outros.
Os números foram levantados a partir do cruzamento de dados das prestações de contas dos candidatos no TSE com o cadastro de beneficiários de programas sociais do governo federal.
Os dados possibilitarão à Justiça Eleitoral investigar se os doadores tinham real capacidade financeira para realizar as doações.
Pela lei, as doações de pessoas físicas para campanhas eleitorais limitam-se a 10% da renda declarada pelo cidadão no ano anterior.
O valor total de doações declaradas à Justiça Eleitoral até esta quinta, segundo o TSE, ultrapassa R$ 1 bilhão. De acordo com o cruzamento, pelo menos 16 mil beneficiários do programa social aparecem como doadores.
“Tudo indica que está havendo fraude. Ou a pessoa não deveria estar recebendo ou está ocorrendo o fenômeno do 'caça CPF', ou seja, a manipulação de CPF de alguém que está inocente nessa relação, então tudo isso será investigado”, explicou o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes.
O ministro esclareceu que uma hipótese aventada pelo TSE é a possibilidade de que o dinheiro já estivesse disponível e de que CPFs tenham sido usados como forma de ocultar a origem do recurso.
“Às vezes a pessoa nunca necessitou do Bolsa Família e declarou renda menor e, outras vezes, estão usando CPFs dessas pessoas para fazer as doações”, disse o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra.
Segundo o TSE, cerca de 16 mil pessoas cadastradas no programa realizaram as doações para a campanha deste ano. Entre os casos identificados pelo TSE está um em que o beneficiário doou valores que chegaram a R$ 67 mil .
Agentes foram às ruas no início da manhã desta sexta-feira. Há mandado de condução contra Marco Antônio Rezende Teixeira.
Ana Paula Andreolla e Pedro ÂngeloDa TV Globo, em Brasília, e do G1 MG
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (23) uma nova fase da Operação Acrônimo. Agentes foram às ruas logo no início da manhã. O secretário de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas, Marco Antônio Rezende Teixeira, é um dos alvos desta fase da operação. Contra ele, há um mandado de condução coercitiva – em que a pessoa é levada para prestar depoimento. Segundo uma assessora da Casa Civil, ele está de férias no exterior.
Secretário da Casa Civil, Marco Antônio Rezende Teixeira, em 2015 (Foto: Reprodução/TV Globo)
Também há mandado de condução coercitiva para Paulo Moura Ramos, atual presidente da Prodemge e sócio de Teixeira na MOP Consultoria. Não há mandados de prisão para esta fase. Além das conduções coercitivas, a Polícia Federal cumpre seis mandados de busca e apreensão. Nesta manhã, a polícia realizou buscas no escritório da OAS, em Brasília. Segundo a Globonews, a empresa OPR também é alvo desta fase.
O advogado José Sad Júnior, que representa Teixeira e Ramos, disse que o processo corre em segredo de Justiça e que ainda não teve acesso aos motivos que baseiam o pedido de condução coercitiva. Mas confirmou que policiais cumprem mandado de busca e apreensão na casa do secretário.
Marco Antônio Teixeira está fora do país desde 15 de setembro e vai voltar ao Brasil no fim deste mês. O defensor disse que o secretário tem todo interesse em colaborar com a Justiça e com a Polícia Federal. Sad Júnior disse ainda que Teixeira já prestou depoimento na Operação Acrônimo e usou seu direito de permanecer calado e só se pronunciar em juízo. O primeiro depoimento era para falar sobre questões relativas à campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014.
Sobre Paulo Moura Ramos, Sad Júnior disse que ele está fora de Belo Horizonte, mas está a caminho para prestar depoimento à Polícia Federal. O defensor garantiu que Ramos vai se apresentar ainda nesta sexta-feira. O advogado também confirmou que está sendo cumprido mandado de busca e apreensão na casa dele, no bairro Bandeirantes.
A Operação Acrônimo investiga um esquema de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais e recebimento de vantagens indevidas por parte de agentes públicos.
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), é suspeito de ter utilizado os serviços de uma gráfica durante a campanha eleitoral de 2014 sem a devida declaração dos valores e de ter recebido "vantagens indevidas" do proprietário dessa gráfica, o empresário Benedito Oliveira, conhecido como Bené.Pimentel já foi indiciado duas vezes pela Polícia Federal.
O advogado do governador de Minas comentou sobre a operação. "Essa operação já se esgotou. O que resta é o gosto pelos holofotes e a busca desesperada de provas que não existem. E de fatos que as autoridades tiveram notícia desde o ano de 2014. Não existe nem nova e nem fase na Acrônimo. O único fato verdadeiro é que a operação agoniza lentamente, diante das inúmeras ilegalidades e abusos praticados desde o seu início. Ainda estamos aguardando o pronunciamento da Justiça sobre isso", disse Eugênio Pacelli.
A 8ª fase da Acrônimo foi realizada no dia 15 deste mês. Na ocasião, a polícia se concentrou em duas linhas de investigação. A primeira se referia à suspeita de cooptação (quando pessoas são atraídas de forma ilícita) e pagamento de vantagens indevidas para fraudar licitações no Ministério da Saúde, beneficiando uma gráfica pertencente a investigados.
A outra era a suspeita de interposição de uma empresa na negociação de vantagens indevidas a agente público para conseguir financiamento de projetos no exterior pelo BNDES em Angola, Cuba, Panamá, Gana e México e República Dominicana. Segundo a polícia, uma empreiteira brasileira foi a grande beneficiada.
Histórico Em maio de 2015, quando deu início à Operação Acrônimo, a PF buscava a origem de mais de R$ 110 mil encontrados em um avião no aeroporto de Brasília, em outubro do ano passado. A aeronave transportava o empresário Bené, apontado como suposto operador do governador deMinas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
Bené já foi preso em outra fase da Operação Acrônimo, mas liberado após pagar fiança. Ele se tornou delator da Acrônimo. Também na 1ª fase da Acrônimo, a PF fez buscas no apartamento da mulher de Pimentel, a jornalista Carolina de Oliveira, em Brasília. Na época, o governador classificou a ação como um "equívoco".
"Ocorre que o mandado de busca e apreensão foi expedido com base numa alegação, numa definição inverídica, absolutamente inverídica”, disse o governador na ocasião. Dois dias depois, o advogado de Carolina de Oliveira, Pierpaolo Bottini, entregou à Justiça Federal em Brasília documentos que comprovariam a inocência da primeira-dama mineira.
A segunda etapa da operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Brasília, Belo Horizonte, Uberlândia, Rio de Janeiro e São Paulo em junho de 2015. Em Belo Horizonte, os agentes apreenderam material em um escritório onde funcionou o comitê campanha de Pimentel em 2014, no bairro da Serra. Em Brasília, um dos mandados foi cumprido em uma agência de publicidade.
À época, a assessoria de imprensa do governo de Minas Gerais disse que as ações da PF foram "abusivas".
Na terceira etapa da Acrônimo, deflagrada em outubro, policiais federais cumpriram 40 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, em São Paulo e no Distrito Federal.
À época, foi cumprido mandado na casa do diretor-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Mauro Borges, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com atuação entre fevereiro e dezembro de 2014, quando assumiu o cargo deixado por Pimentel.
A sétima fase ocorreu no dia 13 deste mês. O empresário Felipe Torres Amaral foi alvo de condução coercitiva. Segundo a Procuradoria Geral da República, ele seria sobrinho do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
A defesa do governador diz que Felipe é sobrinho da ex-mulher de Pimentel. No entanto, o advogado de Felipe Torres Amaral diz que o empresário é filho de uma prima da ex-mulher do governador e que "jamais manteve qualquer tipo de sociedade" com Pimentel.
No dia 15 foi realiza da oitava fase da Acrônimo. Na data, o advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli, disse que como o processo sobre o caso tramita em primeira instância, não há e não pode haver nada que afete o governador, que tem foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Pacelli questiona o lançamento de uma nova fase da operação é retomada quando a Justiça está para analisar o caso. "Por que só agora, às vésperas da retomada do julgamento de questão de ordem no STJ, a "nova fase" foi deflagrada?", indagou, por e-mail .