terça-feira, 20 de setembro de 2016

‘O que podia dar errado, deu’, diz secretário sobre limpeza de lagoas

20/09/2016 09h09 - Atualizado em 20/09/2016 09h09

Limpeza das lagoas da Barra e Jacarepaguá era promessa para Olimpíada.
André Corrêa disse que discussões e crise econômica atrapalharam projeto.

Do G1 Rio

Em entrevista ao Bom Dia Rio, o secretário estadual de Ambiente, André Corrêa, afirmou que os projetos de despoluição das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, que eram uma promessa para a Olimpíada, não foram concretizados pela crise nas finanças do Estado do RJ e uma série de divergências que os atrasaram.
“Esse é um projeto no qual tudo que poderia dar errado, deu. Havia uma série de impasses na execução desse projeto e divergências em relação ao que pensava a Secretaria de Meio Ambiente, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual”, explicou Corrêa.
Sobre as divergências, o secretário apontou como sendo a principal a instalação de “ilhas” onde seriam colocados os dejetos retirados do local.
“Então tinha uma ilha e tudo ia ser colocado ali. E a ilha ia ser o grande charme, porque geraria um envolvimento maior. As pessoas poderiam ver e cobrar do poder público. Houve uma divergência entre a gente com os ministérios públicos, que achavam que aquilo atrapalharia a circulação. A gente acabou concordando, fizemos outro projeto executivo para, em vez de fazer o transporte para ilha levar para cavas”, destacou o secretário.
André Corrêa afirma ainda que a crise nas finanças do Estado do RJ e os seguidos arrestos para pagar dívidas com os servidores também atrapalharam a continuidade do projeto.
“Eu, por exemplo, quando assumi, em relação ao orçamento de 2014, tive uma perda de 50% do meu orçamento em um ano. E aí eu quero chamar a atenção do que eu acho que é o mais grave do momento que a gente está vivendo. Nós temos 420 mil pessoas que são servidores do estado, quem trabalha tem que receber, e tem questões que também são fundamentais para o estado. Para pagar pessoal o Estado tem sofrido arrestos. O programa de despoluição da Baía de Guanabara, por exemplo. Estamos fazendo uma estação de saneamento em São Gonçalo, um dos lugares que mais precisa. Um dinheiro que é do banco internacional e só pode ser usado nisso, foi arrestado para pagar os funcionários”, contou Corrêa.
O secretário estadual de Ambiente ressalta ainda que as finanças devem passar por dois ou três anos de dificuldades e que espera que a crise acabe e o país “entre no seu rumo”.
Estado terminal
O biólogo Mário Moscatelli, que estuda as lagoas da região há mais de 20 anos, afirma que a situação é muito mais grave do que a maioria pode imaginar.
“Até o manguezal que é um ecossistema muito resistente, ele não resistiu a esse conjunto de agressões que estão sendo feitos no sistema lagunar. Ou seja, fruto das sucessivas ressacas e da maré muito alta e do empilhamento de resíduos na Lagoa da Tijuca, que impede a troca com a água do mar”, explicou o biólogo.
Moscatelli pede uma intervenção imediata do poder federal para salvar a região e cumprir a promessa feita para a Olimpíada.
“É um convite ao ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, para visitar as lagoas e liberar verbas, porque o estado das lagoas é terminal, tanto da bacia hidrográfica como das lagoas. Então cabe ao governo federal honrar este compromisso olímpico, que só ficou no papel”, pediu Moscatelli.
Situação das lagoas da Barra e de Jacarepaguá é grave, diz biólogo Mário Moscatelli (Foto: Reprodução/ TV Globo)Situação das lagoas da Barra e de Jacarepaguá é grave, diz biólogo Mário Moscatelli (Foto: Reprodução/ TV Globo

Butantan espera testar vacina de zika em humanos em dois meses

20/09/2016 08h45 - Atualizado em 20/09/2016 08h45

Projeto é resultado de parceria com instituto americano.
Vacina de DNA usa tecnologia nova que não deve trazer risco a grávidas.

Mariana LenharoDo G1, em São Paulo

Imagem é representação da superfície do vírus da zika; equipe de cientistas conseguiu determinar a estrutura do vírus pela primeira vez  (Foto: Universidade Purdue/Cortesia)Imagem é representação da superfície do vírus da zika (Foto: Universidade Purdue/Cortesia)
O Instituto Butantan pode começar, em dois meses, a testar em humanos uma vacina contra o vírus da zika. Esta é a expectativa do diretor da instituição, Jorge Kalil, que fez o anúncio em um evento nesta segunda-feira (19).
O projeto, que é resultado de uma parceria com um instituto americano, é de uma vacina de DNA, que usa um pequeno fragmento de DNA produzido sinteticamente em laboratório que codifica uma proteína do vírus da zika e por isso desperta a resposta imunológica contra o vírus no organismo.
“É uma tecnologia absolutamente revolucionária, mas a gente sabe que não tem nada de infeccioso e que não causa problemas para a grávida. Porque nós temos que proteger a mulher grávida”, disse Kalil. Uma das principais precupações em relação ao vírus da zika é o risco de ele provocar microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas.
Segundo Kalil, o instituto tem uma reunião com a Anvisa ainda esta semana para discutir a aprovação dos testes clínicos. “A Anvisa e a Conep (Conselho Nacional de Ética em Pesquisa) estão muito sensibilizadas para a questão, então acho que vai ser uma questão de um ou dois meses para a aprovação”, afirmou o diretor do instituto.
As vacinas de DNA são vistas como uma tendência para o futuro, mas, até o momento, ainda não existe nenhum produto desse tipo aprovado para uso comercial.
O instituto também trabalha no desenvolvimento de um soro contra zika e de anticorpos monoclonais para combater o vírus, ambos com a função de neutralizar o vírus já presente no organismo da pessoa infectada.
Vacina de vírus inativado
Outra iniciativa em andamento no Instituto Butantan é um projeto de vacina de zika com vírus inativado para o qual centro de pesquisa recebeu US$ 3 milhões da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano (HHS).
Pesquisadores do centro já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório
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Mídia aborda direitos humanos inadequadamente, diz presidenta do Condepe

“Direitos humanos não são uma temática fácil de lidar e não têm tanta visibilidade política”, afirma Maria Nazareth Cupertino, que tomou posse do cargo hoje (19)


por Sarah Fernandes, da RBA publicado 19/09/2016 18:38                                 LUCAS DUARTE DE SOUZA/RBA
Condepe
“Existe um histórico de perseguição dos defendesores de direitos humanos", diz Maria Nazareth
São Paulo – Os meios de comunicação estão na contramão do avanço dos direitos humanos ao reforçar estereótipos e preconceitos sobre o tema. A observação é da assistente social Maria Nazareth Cupertino, que assumiu hoje (19) a presidência do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe).
"Direitos humanos não são uma temática fácil de lidar e não têm tanta visibilidade política. É uma área que deveria ser prioritária, mas que é renegada. Tem muitos mitos em torno dos direitos humanos, um equivocado senso comum, muita utilização inadequada por parte da imprensa", diz Nazareth. "Existe um histórico de perseguição dos defensores de direitos humanos e nos preocupamos sobre como garantir nossa segurança porque estamos mexendo com coisas muito grandes, como tortura, grupos de extermínio e crimes de homofobia cometidos pelo estado."
O conselho funciona dentro da Secretaria Estadual de Justiça, mas é um órgão autônomo, com a função de encaminhar denuncias de violações de direitos praticadas em órgãos do governo estadual ou por servidores estaduais, como nas penitenciárias, nas comunidades terapêuticas ou por membros da Polícia Militar.
O Condepe tem 11 membros efetivos e seus respectivos suplentes, sendo seis representantes da sociedade civil indicados por entidades de defesa dos direitos humanos, um representante do poder Executivo, um do Legislativo, um do Judiciário e dois advogados da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), além de dois membros não efetivos do Ministério Público e da Defensoria Pública.
A nova presidenta, eleita pelos demais conselheiros para os próximos dois anos de gestão, recebeu a reportagem da RBA ao lado do novo vice-presidente, Luiz Carlos dos Santos. Ambos criticaram o avanço conservador no estado e o descaso do governo de Geraldo Alckmin com a área em que atuam. Ela trabalhou na associação Rede Rua, com atendimento à população em situação de rua. E Santos trabalha em um projeto de proteção de direitos humanos em Cotia, na grande São Paulo, chamado espaço Malheiros. Confira a entrevista.
Qual a função do Condepe?
É fazer o diagnostico de violação de direitos humanos em todo o estado de São Paulo. Acolhemos as denúncias, encaminhamos para os órgãos responsáveis e vamos monitorando o processo de denúncia até que ele chegue a alguma conclusão. O conselho tem também a atribuição de fiscalizar órgãos estaduais de atendimento à população, tendo ou não denúncias de violações de direitos.
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"Vamos fazer uma audiência pública para tratar da repressão às manifestações, para órgãos internacionais"
Como o Condepe está organizado?
Todos os conselhos de politicas públicas trabalham na linha da paridade, com metade de representantes do governo e metade da sociedade civil. No Condepe, no entanto, a maioria da direção é sempre da sociedade civil, o que para a gente é muito interessante porque a sociedade civil de certa forma esta isenta de interesses políticos e partidários.
Todos esses conselheiros se reúnem mensalmente para discutir uma pauta conjunta. Temos também as comissões, com calendário próprio, criadas para dinamizar e atender à maior demanda. Temos comissões de violência policial e letalidade; situação da população de rua; direitos humanos, saúde mental e drogas; criança, adolescente e sistema de garantia de direitos; moradia e questões urbanas e meio ambiente; abolição da tortura e mecanismo estadual; trabalho informal; sistema prisional; e educação em direitos humanos, que vai começar agora. Estamos também estudando uma de direitos humanos no mundo do trabalho. São essas comissões que dão vitalidade ao conselho e que trazem a pauta para o pleno.
Fora a dinâmica das comissões, temos as denúncias atendidas aqui, que viram um processo acompanhado pelo Condepe. Essas denúncias são distribuídas entre os conselheiros e cada um vai buscando estratégias para atendê-las.
Com que estrutura?
Temos uma secretária-executiva que permanece aqui o tempo todo. O Luiz e eu nos dividimos para que sempre haja um conselheiro aqui. O órgão é composto por membros do governo estadual, da sociedade civil, representantes da OAB (Organização dos Advogados do Brasil), membros do Tribunal de Justiça e dois que não são conselheiros efetivos, mas que acompanham o Condepe, que são integrantes do Ministério Público e da Defensoria Pública.
Qual a relação com o governo do estado?
Apesar de o responsável pela nossa estrutura ser o governo estadual, o conselho tem autonomia. Não estamos vinculados e não devemos satisfação ao governo do estado. Ele não tem interferência nenhuma nas decisões do Condepe, que é um órgão autônomo, do ponto de vista estrutural. O governo tem de investir no conselho, mas não manda nada nas ações internas.
Por que o órgão é importante?
É importantíssimo não só do ponto de vista de quem é conselheiro, mas de quem já acessou para tratar das próprias violações. É um espaço que por ter autonomia dá segurança para a população. Estamos sofrendo violações de direitos humanos e quando a gente recorre a um órgão há sempre um corporativismo: se eu fizer uma denúncia em um órgão policial, você terá uma avaliação daquela categoria de profissionais. Se eu for denunciar algo do sistema penitenciário, vai ser visto do ponto de vista de quem atua ali. O Condepe está fora dessa estrutura e vai analisar os dois lados. Por isso para a gente é muito importante fazer a escuta, tanto dos denunciantes quanto dos equipamentos. É uma escuta que não está ligada a quem atende e a quem executa a política e isso dá segurança. Muitas pessoas nos perguntam: "O que eu falar aqui a polícia vai ficar sabendo?" Não! É importante também porque a gente está cada vez mais com os canais de defesa dos direitos humanos reduzidos, monitorados ou infiltrados.
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"Toda denuncia que chega, nós analisamos e encaminhamos"
Como as denúncias chegam até o Condepe?
A base de representação do Condepe é formada por pelo menos 110 entidades que trabalham com direitos humanos. Muitas delas têm seus trabalhos nos bairros e são um dos canais para as denúncias de violações chegarem até o Condepe. Outras vezes as pessoas vêm até aqui pessoalmente e outras vezes as denúncias chegam por canais oficiais, como o Disque 180. Além disso, acompanhamos material de imprensa para compor casos, por exemplo, de violência policial. Então são diversas formas: telefone, e-mail, pessoalmente, pela imprensa e pelas entidades.
As pessoas denunciam violações individuais e trazem denuncias de grupos. As comunidades vêm e outras vezes vamos até elas, fazer reuniões nos bairros. Existem casos de a Polícia Militar estar infiltrada, fazer abordagens sistematicamente, por exemplo. Os grupos de população de rua vêm por meio de movimentos sociais ou individualmente. Muitas vezes conseguimos analisar e formamos grupos de denúncias afins.
E depois que recebem as denúncias?
Temos um canal de análise para ver se é de fato uma violação de direitos humanos e aí encaminhamos para uma comissão específica. Se for uma denúncia muito genérica, o Condepe já dispara um oficio para o órgão corregedor ou para a administração do estado. Nas prefeituras se chega reclamação orientamos o órgão local, como ouvidorias, para que elas apurem, já que o Condepe atua só em violações praticas por órgãos do governo estadual. Toda denúncia que chega a gente analisa e encaminha.
Quais as principais conquistas do Condepe nos últimos anos?
Conselho tem 25 anos de formação. Nesse período, uma das conquistas é conseguir monitorar de alguma forma a ação policial. A distribuição das denuncias e processos em comissão também é um avanço, que fez com que a gente atingisse o maior numero de demandas e de possibilidades. Isso criou na população a percepção que o Condepe é para além do que o senso comum tenta impor que a gente é a favor só de quem comete crimes – que também tem direito a defesa e a justiça. Conseguimos fazer com que a pessoa entenda a amplitude dos direitos humanos, mostrando que acontecem diversas violações, como consequência de muitas outras.
Outra conquista é a Ouvidoria Autônoma da Polícia Militar. É o Condepe que faz todo o processo, do edital a indicação, para se chegar a três nomes para ouvidor de polícia. Dos três, cabe ao governador escolher um, mas sabemos que os três dariam conta. Temos a garantia que os três passaram pela seleção do Condepe, mantendo o mínimo de regulação externa.
O Via Rápida também é uma conquista. Trata-se de um um termo de cooperação junto ao Ministério Publico que foi fechado há mais de um ano, assinado junto ao procurador-geral do estado, que garante facilidade para a autoridade começar a apurar. Por exemplo: quando acontece uma morte por policiais do estado, o Via Rápida absorve as informações e manda para a Procuradoria Regional de Justiça, que vai designar de imediato um procurador público. Se um caso ocorrer no interior ou no litoral, em vez de a informação do inquérito demorar 60 ou 90 dias para chegar, com o Via Rápida em dois, três dias elas já estão na mão do promotor do júri. Familiares e testemunhas não precisam passar seus dados.
Como é a estrutura física e de equipamentos do órgão?
A gente tem uma estrutura precária. Temos uma secretária-executiva, que é indicação nossa porque é um cargo de confiança. Ela que encaminha trabalhos, porque permanece aqui o dia todo. Os conselheiros não conseguem porque não somos remunerados e desempenhamos outras atividades. Temos também uma servidora. São então dois profissionais para uma demanda estadual. Temos duas salas de trabalho e uma outra disponibilizada para reuniões. Para fazer as viagens, a gente tem um carro, mas todas as outras despesas são por conta do conselheiro. Tudo é por nossa conta. A gente não tem verba destinada ao Condepe que o conselho possa administrar. Isso dificulta muito porque de certa forma engessa o conselho e ele fica muito voltado para a capital, que é onde estamos sediados. Os conselheiros de fora não têm subsidio para vir para cá para as reuniões.
Nossa preocupação é que temos uma responsabilidade com o interior, somos poucos e temos outras atividades e nenhuma estrutura para chegar lá. Por isso estamos criando uma estratégia de descentralizar ações. Em Ribeirão Preto, teremos uma organização responsável por estudar a demanda da região. Estamos formando um colegiado que podem monitorar. A ideia é que a gente crie observatórios e colegiados nos espaços onde a gente não consegue chegar.
Essa estrutura está em pé de igualdade com a de outros conselhos estaduais?
Não. Os conselhos de Políticas Públicas e da Assistência Social, por exemplo, têm outra organização, estão vinculados a outras secretarias, têm algumas verbas que vem de outras fontes e têm verba para controle social. O Conselho de Políticas Públicas tem estrutura melhor e orçamento maior para demanda. O de Direitos Humanos fica com estrutura reduzida em comparação com os outros.
Há sinalização de ampliar essa estrutura?
Não. Na verdade tivemos cortes de orçamento em todos os espaços. Aqui a gente estava negociando até pouco tempo atrás porque queriam rever a utilização do carro e dissemos não. Participamos da organização da Conferência Estadual de Direitos Humanos e por falta de recurso quase que ela não acontece. Brigamos e na última hora aconteceu de forma muito precária, ruim na discussão do conteúdo.
Direitos humanos não são uma temática fácil de lidar e não têm tanta visibilidade política. É uma área que deveria ser prioritária, mas que é renegada. Tem muitos mitos em tono dos direitos humanos, muito senso comum, muita utilização inadequada pela imprensa. O que o nosso povo assiste na TV é a contramão do que a gente trabalha aqui. Lidamos com uma imprensa que defende a redução da maioridade penal , a pena de morte, que acha que bandido bom é bandido morto... A pessoa só vai entender o que é o Condepe quando ela tem uma violação de direitos. Atendemos aqui casos de repercussão midiática e como foi difícil lidar com isso, com uma imprensa que trabalha o tempo todo contra a defesa dos direitos humanos, com o conservadorismo aumentando.
E do ponto de vista legal? O Condepe pode ter acesso livre, por exemplo, às penitenciárias do estado. Na prática isso ocorre?
Em geral não temos tido dificuldade. Fazemos o enfrentamento, às vezes é preciso ligar para um órgão estadual e esperar para ser atendido. Há alguma dificuldade nesse sentido. No sistema penitenciário é mais complicado de entrar e existem várias restrições. Por exemplo, não pode entrar com câmera fotográfica.
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"O pouco caso que se tem com o Condepe diz respeito às pautas que trata"
Quais as perspectivas para essa nova gestão?
Se conseguirmos resistir já é um bom caminho (risos). Infelizmente não temos perspectiva de grandes avanços. Estamos em um momento histórico no qual vemos um endurecimento muito grande em relação à defesa dos direitos humanos com pautas extremamente conservadoras e autoritárias. O pouco caso que se tem com o Condepe diz respeito às pautas que o conselho trata.
Por exemplo, a Secretaria de Justiça veio apenas nos comunicar que teríamos de mudar daqui. Não dá para discutir, é uma decisão tomada: vamos para o prédio onde estão os demais conselhos, na Rua Santa Ifigênia, mas temos outra leitura de porque esse espaço na secretaria é importante para nós. Lá não tem estrutura. O Conselho LGBT está lá há dias sem sistemas, não tem xerox. Há também questões de segurança. Estamos atendendo e de repente a polícia parece com livre acesso, sem comunicado.
O espaço de diálogo está fechado. A gente tem algumas expectativas que não são boas nesse momento. Temos trabalhado no sentido de fortalecer os conselheiros e o conselho. Outra coisa que tem nos preocupado é a nossa segurança. Existe um histórico de perseguição dos defender direitos humanos e temos e nos preocupamos sobre como garantir nossa segurança porque estamos mexendo com coisas muito grandes, como tortura, grupos de extermínio e crimes de homofonia cometidos pelo estado. O governo não quer discutir essas questões e que não vai à fundo nas nossas denuncias. Estamos bastante preocupados em como fazer uma estratégia que fiquemos menos vulneráveis nessa onde que está vindo.
Nossa luta é dar visibilidade para o que está acontecendo. Deliberamos, por exemplo, que vamos fazer uma audiência pública para tratar da repressão às manifestações, mas para organismos internacionais. A gente precisa fazer essa denúncia para fora e trazer quem está fora para dentro. Nunca tivemos, por exemplo, perseguição de adolescentes em manifestações, porque temos uma lei específica de proteção ao adolescente. Pretendemos publicar cada vez mais, fazer reuniões ampliadas, audiências públicas, chamar as pessoas para discutir e tornar a coisa o mais público possível. Outra linha é ajudar as pessoas a qualificar as denuncias com encontros em comunidades, porque a gente chega com a denuncia mas faltam várias informações.
Outra linha de trabalho será a comunicação, pensando estratégias de como enfrentar esse jornalismo que esta aí nas grandes mídias. Uma das ideias é ter uma assessoria de imprensa para externar nossa pauta. Uma assessoria que não seja do governo estadual, mas autônoma.
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"Se conseguirmos resistir já é um bom caminho", afirma a presidenta do Condepe
O Condepe teve poucas mulheres na presidência. O Luiz será o primeiro vice negro. O que isso representa para o conselho?
Por muito tempo o conselho era tocado por membros da Comissão Justiça e Paz, ligada ao setor da igreja católica mais alinhada com a Teologia da Libertação, um grupo muito bom. Agora estamos tornando o órgão mais aberto à outra organizações. Teve uma época que o Condepe era um grupo pequeno muito elitizado e ampliamos isso para um maior número de entidades.

Câmara retira de pauta projeto que poderia levar à anistia do caixa 2

19/09/2016 22h59 - Atualizado em 20/09/2016 05h49

Texto criminalizaria caixa 2, mas poderia abrir brecha para eleições anteriores.
Projeto foi incluído na pauta de última hora e foi articulado por diversas siglas.

Fernanda Calgaro e Gustavo GarciaDo G1, em Brasília

Câmara dos Deputados se preparava na noite desta segunda-feira (19) para votar uma proposta que criminaliza o caixa 2, que é a doação eleitoral não declarada à Justiça Eleitoral, mas, sob pressão de alguns partidos, o texto acabou sendo retirado de pauta.
Na prática, como a lei só poderá ser aplicada a partir da sua aprovação pelo Congresso, o texto abriria brecha para anistiar quem fez uso de contribuições ilegais em eleições anteriores.

A costura do texto havia resultado de uma articulação suprapartidária, que vinha sendo feita havia algumas semanas, com o aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (
DEM-RJ), tanto por partidos governistas, como PMDB, PSDB, DEM, PR e PP, como da oposição, como PT.A inclusão do texto na pauta foi feita de última hora, o que provocou protestos em plenário, principalmente de deputados do PSOL, daRede   e do PSD. Houve tumulto entre os parlamentares, que se revoltaram com a situação.
Diante da polêmica em plenário, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Câmara que presidia os trabalhos, aceitou uma sugestão do líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), um dos parlamentares à frente das negociações, e retirou o projeto de pauta. Em seguida, a sessão foi encerrada.
“Retirei de ofício porque não há entendimento de plenário”, afirmou Mansur. Ele comandou a sessão em razão da ausência de Rodrigo Maia, que assumiu interinamente a Presidência da República por conta de uma viagem de Michel Temer aos Estados Unidos. O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), também não compareceu à sessão.
Inicialmente, a sessão da Câmara havia sido convocada para votar outras matérias e a previsão era que, em seguida, ocorresse uma sessão conjunta do Congresso Nacional, com senadores e deputados.
No entanto, conforme as articulações foram ganhando corpo, uma nova sessão da Câmara foi aberta para viabilizar a votação do texto sobre caixa 2, o que provocou o cancelamento da sessão do Congresso.
Colocou-se em pauta um projeto que tratava sobre questões eleitorais e estava com a tramitação parada havia quase dez anos. No entanto, esse projeto tinha uma urgência aprovada anos atrás, o que permitia que fosse votado a qualquer momento. A estratégia regimental seria apresentar um substitutivo a esse projeto antigo.
Quando a pauta foi anunciada, houve uma revolta generalizada no plenário. A sessão chegou a ser suspensa por cerca de uma hora. Enquanto isso, os líderes envolvidos nas negociações se reuniam a portas fechadas para discutir os termos finais de um texto que seria proposto em substituição ao que estava na pauta.
A proposta era usar como base uma das medidas apresentadas pelo Ministério Público Federal ao Legislativo de criminalizar o caixa 2. A proposta faz parte de um pacote com dez medidas de combate à corrupção e que recebeu o apoio de 2 milhões de assinaturas de cidadãos comuns. 
Atualmente, o político que faz uso dele pode ser punido por falsidade na prestação de contas, com pena de até 5 anos de prisão. Uma proposta do Ministério Público Federal (MPF) quer que os partidos também sejam punidos pela prática.
Além da criminalização de caixa 2, um grupo defendia que houvesse uma emenda anistiando o caixa 2 praticado em eleições anteriores. Diante da repercussão negativa, acabou-se abrindo mão desse trecho.
O acordo final entre os partidos era que o líder do PR, Aelton Freitas (MG), seria o relator e apresentaria o substitutivo, mas ele nem chegou a fazê-lo porque a sessão foi encerrada antes.
A inclusão repentina na pauta causou estranhamento generalizado em boa parte do plenário. No entendimento de alguns deputados contrários à votação do projeto, o texto tinha como objetivo blindar partidos que poderiam ser alvo de delações premiadas no âmbito da Operação Lava Jato.
“Querem aprovar isso antes da formalização de acordos de delação premiada da Odebrecht e da OAS, que devem trazer acusações de caixa 2. Aprovando essa medida, vai acabar livrando todo mundo. O que está acontecendo aqui é uma bandalheira, maracutaia, um trambique”, acusou o líder do PSOL, Ivan Valente (SP).
“Eles querem apagar a corrução do passado. Na calada da noite, estão querendo atropelar o eleitor brasileiro”, emendou o deputado Jorge Solla (PT-BA), um dos contrários dentro do seu partido.
Favorável à aprovação do projeto, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) negou que o projeto traria qualquer tipo de anistia.
"Desde o início, defendo o texto do Ministério Público. Acho que os procuradores conseguiram fechar todas as brechas possíveis para tipificar esse crime. Agora, uma vez aprovado, acho que provavelmente essa questão de eventual anistia seria questionada na Justiça", afirmou.
Antonio Imbassahy justificou a votação do projeto nesta segunda para que desse tempo de o teor valer já para as eleições municipais deste ano. Diante da proibição de doações privadas, muitos políticos reconhecem que poderá haver um aumento de caixa 2 para bancar as campanhas eleitorais.
"É razoável aprovarmos agora para valer já para essa eleição", disse. Depois de passar na Câmara, o projeto ainda teria de ser apreciado pelo Senado.
Depois da sessão, Beto Mansur admitiu que a colocada do projeto em votação foi "atabalhoada", mas disse desconhecer de quem partiu a decisão de colocar a proposta em votação.
"Eu sentei ali e cumpri com meu dever como presidente. Eu não tenho nada com caixa dois, não estou na Lava Jato, não tenho nada com isso. Eu, graças a Deus, não faço coisa errada", disse Mansur.
O primeiro-secretário da Câmara afirmou ainda que a inserção do projeto na pauta partiu da reunião de líderes, da qual ele não participou.

 

Bonde da Propina: distritais ganham novo fôlego na Câmara


Daniel Ferreira/Metrópoles


Presidente interino da Câmara Legislativa, Juarezão diz agora que só vai analisar os pedidos de cassação contra os cinco deputados que são alvos da Operação Drácon depois que tiver em mãos os pareceres da Procuradoria da Casa sobre as 10 representações protocoladas contra eles



Alvos da Operação Drácon, os cinco distritais acusados de integrar o Bonde de Propina ganharam novo fôlego na Câmara Legislativa. A Mesa Diretora garante que só vai analisar os pedidos de cassação contra eles depois que a Procuradoria-Geral da Câmara Legislativa entregar os pareceres de todas as representações.


Ao todo, 10 representações foram protocoladas pelo PSol e por entidades civis. São alvos dos pedidos de cassação: a presidente afastada da Casa, Celina Leão (PPS), Bispo Renato Andrade (PR), Raimundo Ribeiro (PPS) e Julio Cesar (PRB), que eram titulares da Mesa Diretora, além de Cristiano Araújo (PSD).
Na última semana, o Metrópoles mostrou, com exclusividade, que a Procuradoria da Casa entregou parecer favorável à análise do pedido de cassação feito pelo PSol contra os cinco distritais. No entanto, há outras representações, protocoladas por entidades civis, como a Associação dos Auditores Federais de Controle Externo (Auditar), o Observatório Social e a ONG Adote um Distrital, e pelo PT. Antes de serem analisadas pela Mesa, elas precisam passar pelo crivo dos procuradores, que fazem uma análise técnica.
De acordo com o presidente interino da Câmara, deputado Juarezão (PSB), a Mesa em exercício só deverá se pronunciar sobre o prosseguimento ou não das denúncias depois que todos os pareceres forem entregues.
“Estamos esperando a Procuradoria mandar o restante dos pareceres que estão em análise. Não dá para analisar cada um que chegar à Mesa, então vamos esperar todos chegarem, para somente depois darmos a nossa palavra”, afirma Juarezão, que, na semana passada, deu como certa a análise esta semana.
O presidente interino disse ainda que pediu à Justiça o processo que corre contra os distritais acusados. Ele diz que é necessário saber quais os pontos que estão sendo abordados pelas investigações para, a partir daí, decidir sobre o prosseguimento dos pedidos. “Nós fizemos o pedido à Justiça e a resposta deve ser entregue amanhã ou depois (terça ou quarta-feira).”
SUZANO ALMEIDA/METRÓPOLESSuzano Almeida/Metrópoles
Representação feita pelo PSol contra os distritais

Os deputados que compõem a Mesa Diretora interina acreditam que os pedidos não devem ser analisados nos próximos dias. Um deles garante que há uma pressão para que o processo demore o maior tempo possível. Outro confirma que sequer foi chamado para reunião do colegiado, que ocorre entre segunda e terça-feira.
Membro da Mesa interina, Agaciel Maia (PR) explica que as convocações das reuniões costumam ser feitas pelo menos um dia antes. Porém, ele acredita que essa semana o encontro não deve ocorrer. “Na terça-feira (20), temos uma pauta extensa na Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof), logo depois teremos a reunião de líderes. Então, não acredito que haverá tempo. Vamos esperar que todos os pedidos estejam instruídos para marcar a reunião da Mesa”, destacou.
As primeiras representações contra os cinco deputados foram entregues pelas entidades civis – Adote um Distrital, Auditar e Observatório Social – no dia 25 de agosto. No próximo domingo, portanto, completa um mês que o pedido foi feito e, até hoje, o processo não andou.
Afastados
Celina, Julio Cesar, Raimundo Ribeiro e Bispo Renato estão afastados da Mesa por força de decisão judicial. Durante a deflagração da Operação Drácon, em 23 de agosto, eles foram alvos de mandados de busca e apreensão, tiveram de prestar depoimento e também foram automaticamente afastados pela Justiça do comando da Câmara Legislativa.
Ainda durante a operação, os policiais civis recolheram farto material nos gabinetes dos cinco distritais, conforme mostrou o Metrópoles em reportagem publicada, com exclusividade, nesta segunda-feira (19). Mídias, envelopes com projetos, planilhas, degravações, detalhamento de despesas e computadores, entre outros itens, passam por análise minuciosa dos investigadores. Os deputados são acusados de fazer parte de um suposto esquema de propina em troca de liberação de emenda para pagamento de dívidas com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais privados. Eles negam as acusações.



Natura diz que não testa em animais desde 2006 e explica como garante segurança dos produtos 20/09/2016 às 08:41

Uma das empresas líderes em seu segmento mostrando o caminho.

Fabio Chaves 
Do Vista-se



Uma das líderes do setor de cosméticos e perfumaria do Brasil, a Natura publicou recentemente um vídeo onde afirma não testar em animais há 10 anos.
O vídeo, que está em destaque na home do site da Natura, explica por que a empresa decidiu parar de testar seus produtos e matérias-primas em animais em uma época onde essa atitude não era tão comum como é atualmente.
Ainda hoje, por mais absurdo que possa parecer, não é raro que algumas pessoas pensem que cosméticos livres de crueldade sejam menos seguros do que os testados em animais. Por isso, a empresa reforçou no vídeo que faz vários tipos de testes, mas que investiu em tecnologia para não precisar usar animais.
Embora tenha tido uma atitude realmente admirável ao reafirmar seu compromisso em não testar em animais, a Natura não é uma empresa totalmente amiga dos animais (vegana), já que alguns de seus produtos podem ter ingredientes de origem animal. E obter a informação sobre qual produto não tem ingredientes de origem animal é complicado, já que a empresa ainda não declara isso nos rótulos.
O próximo passo para a empresa é identificar os produtos que não têm nada de origem animal e buscar selos de entidades idôneas para comprovar isso de forma clara nas embalagens. Estamos torcendo para que a Natura seja vegana o quanto antes para ser considerada uma empresa verdadeiramente amiga dos animais.
Assista ao vídeo | YouTube

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