sábado, 17 de setembro de 2016

Ciclista sofre grave acidente nos Jogos Paralímpicos








A imprensa italiana informou que o atleta teria morrido logo após o acidente, mas o Comitê Rio-2016, organizador dos Jogos, não confirma a informação




ESPORTE QUEDAHÁ 4 MINSPOR


O ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad, de 48 anos, sofreu um grave acidente na manhã deste sábado na prova de ciclismo de estrada C4-5, disputada no Pontal, na zona oeste do Rio. Ele caiu durante uma descida na primeira volta. Na queda, ele bateu forte a cabeça.


A imprensa italiana informou que o atleta teria morrido logo após o acidente, mas o Comitê Rio-2016, organizador dos Jogos, não confirma a informação. Segundo o comitê, o atleta foi encaminhado a um hospital da região para receber atendimento e seu estado de saúde não foi informado.
Golbarnezhad já havia participado de outra prova do ciclismo de estrada, a de contrarrelógio, na mesma categoria, na última quarta-feira, ficando em 14º lugar. Ele também disputou os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012.
Em agosto, durante os Jogos Olímpicos, a ciclista holandesa Annemiek van Vleuten também sofreu um grave acidente durante uma descida na prova de ciclismo de estrada. Na ocasião, contudo, o circuito era outro - ela se acidentou no local conhecido como Vista Chinesa. Annemiek chegou a ficar na UTI, mas três dias depois recebeu alta hospitalar.

Moro deve analisar denúncia contra Lula na próxima semana

Se o juiz aceitar a denúncia, o ex-presidente passará à condição de réu em processo por lavagem de dinheiro e corrupção



POLÍTICA JUSTIÇAHÁ 1 HORA
POR FOLHAPRESS

A denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser apreciada pelo juiz federal Sergio Moro na próxima semana.


Apesar de ter sido oferecida na última quarta-feira (14), a peça acusatória não pôde ser analisada de imediato por Moro porque ele estava em viagem aos Estados Unidos para participar, na quinta (15), de um evento na University of Pennsylvania sobre direito e ética.
O magistrado era um dos principais palestrantes de um simpósio do curso de direito da universidade, chamado "Produzindo Líderes de Caráter e Integridade".
No site do evento, ele é descrito como um juiz "de fama nacional" que "emergiu como um grande líder brasileiro".
Se o juiz aceitar a denúncia contra Lula, o ex-presidente passará à condição de réu em um processo criminal.
O Ministério Público Federal acusa o petista de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, litoral paulista, e o aponta como o "comandante máximo" do esquema de corrupção na Petrobras.
O ex-presidente já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal em Brasília, sob acusação de obstrução da Justiça, ao supostamente tentar interferir na delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Lula nega irregularidades, afirma ser inocente e diz que, caso comprovado contra ele qualquer ato de corrupção, iria a pé até a delegacia.
Ele afirma ser perseguido politicamente pela Lava Jato, e já recorreu à ONU acusando o juiz Sergio Moro de violar direitos e emitir indícios de um juízo de valor desfavorável ao ex-presidente. Com informações da Folhapress.

Mato Grosso: casal inaugura em Cuiabá o primeiro restaurante totalmente vegano do estado

O mais novo comércio vegano do país.


Fabio Chaves 
Do Vista-se

Com pouco mais de meio milhão de habitantes, a capital do estado do Mato Grosso, Cuiabá, acaba de ganhar o seu primeiro restaurante totalmente vegano. É o primeiro estabelecimento do tipo em todo o estado.
O restaurante Raposa Vegana começou a funcionar esta semana. O estabelecimento é um projeto do casal Wanessa Rodrigues e João Lucas Almeida, que já mantinham um serviço de entrega de comida vegana com o mesmo nome na cidade.
O Raposa Vegana funciona em dias úteis no horário do almoço.
Serviço
Raposa Vegana | Restaurante
Endereço: Rua Cândido Mariano, 1270 – Centro Norte – Cuiabá-MT
E-mail: contato@raposavegana.com.br
Site: www.raposavegana.com.br
Facebook: www.facebook.com/raposaveganafoodscomcarinho
Telefone: (65) 3623-5023
Horário de funcionamento:
De segunda a sexta-feira das 11 às 14 horas

Morte de Montagner aumenta a audiência de jornais e de 'Velho Chico'

Ator morreu afogado na última quinta-feira (15), após filmagens da novela


HÁ 1 HORA
POR NOTÍCIAS AO MINUTO

A morte do ator Domingos Montagner, na tarde da última quinta-feira (15), fez aumentar a audiência de telejornais e da novela 'Velho Chico'.


Segundo informações da coluna F5, do jornal Folha de S. Paulo, a edição de quinta-feira do Jornal Nacional registrou 33,4 pontos. A audiência normal da emissão é de 29 pontos.
O episódio do 'Velho Chico' exibido no mesmo dia da morte obteve a segunda melhor média de audiência desde a estreia: 35,2 pontos.
O 'Cidade Alerta' da Record saltou de 9 para 11,4 pontos no mesmo dia - números semelhantes aos conquistados pelo Jornal da Globo. O 'Brasil Urgente', da Band, foi de quatro para cinco pontos.


Judiciário pode 'cometer o mesmo erro de 1964', diz Toffoli

Segundo o ministro, a Justiça tem que "resolver a crise de maneira pontual"


POLÍTICA STFHÁ 19 HORAS
POR FOLHAPRESS


O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli disse nesta sexta-feira (16) que a Justiça corre o risco de "cometer o mesmo erro que os militares cometeram em 1964" se a política for criminalizada e o Judiciário "exagerar no ativismo".


Ao palestrar em evento de direito tributário em Belo Horizonte, Toffoli listou momentos da história do Brasil em que as Forças Armadas agiram como "poder moderador": destituíram governos e depois devolveram aos civis.
Ele afirma que, no entanto, no golpe de 1964, os militares quiseram "se achar os donos do poder" e se desgastaram com isso.
"Com o desgaste dos militares, porque eles deixaram de ter autoridade moral de ser o poder moderador das crises da federação brasileira, quem acaba por assumir é o Poder Judiciário", afirmou.
"E nesse protagonismo, o Poder Judiciário tem que ter uma preocupação: também não exagerar no seu ativismo. Se exagerar no seu ativismo, ele vai ter o mesmo desgaste que tiveram os militares."
Toffoli, que falaria no evento sobre direito tributário, deixou o tema de lado disse que era "mais importante fazer essas reflexões".
"Se criminalizar a política e achar que o sistema judicial vai solucionar os problemas da nação brasileira, com moralismos, com pessoas batendo palma para doido dançar e destruindo a nação brasileira e a classe política... É o sistema judicial que vai salvar a nação brasileira?", questionou.
Segundo o ministro, a Justiça tem que "resolver a crise de maneira pontual" e quando for provocada ou vai haver um "totalitarismo do Judiciário e do sistema judicial"."Se nós quisermos ser os protagonistas da sociedade brasileira, começarmos a fazer sentenças aditivas, começamos a fazer operações que tem 150 mandados de busca e apreensão num único dia... Temos que refletir", acrescentou. Com informações da Folhapress.

Como a China se tornou a maior potência paralímpica?

Mariana Schreiber
  • Há 1 hora
China na ParalímpiadaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionChina lidera disparado quadro de medalhas no Rio e caminha para vencer sua quarta Paralimpíada
A China lidera disparada o quadro de medalhas da Paralimpíada e caminha com facilidade para se tornar pela quarta vez a campeã da competição.
Até 8h deste sábado, o país tinha 217 medalhas, 91 a mais do que o segundo país mais vitorioso, o Reino Unido (126). As conquistas chinesas somam mais do que o dobro das dos EUA, conhecida superpotência esportiva (103 medalhas no total).
A rápida ascensão da China nos últimos 15 anos coincide com a escolha de Pequim em 2001 para sediar a Olimpíada e a Paralimpíada de 2008, explicou à BBC Brasil Guan Zhixun, professor da Faculdade de Esportes e Saúde da Zhejiang Normal University.
A partir de então, disse ele, o governo chinês ampliou os investimentos nos esportes paralímpicos e também em propaganda para promover valorização da competição na sociedade chinesa. O objetivo era recrutar atletas e garantir o sucesso dos Jogos no país, com um maior envolvimento do público.
China na ParalímpiadaImage copyrightREUTERS
Image captionAscensão da China na Paralimpíada coincide com escolha de Pequim para sediar evento esportivo
Além disso, o governo da China viu a oportunidade de usar a Paralimpíada como uma "ferramenta educacional" para mudar a forma como as pessoas com deficiência eram vistas pela população, acrescenta o especialista.
"Isso foi uma novidade. O país não experimentou esse movimento antes, como países do Ocidente. A cultura tradicional da China via os deficientes como pessoas inúteis. Agora, os chineses começam a vê-los como pessoas que enfrentam desafios", assinala Guan.
O professor já foi treinador de duas modalidades paralímpicas ─ natação e bocha. Depois, fez um doutorado sobre Paralimpíada na China em uma universidade australiana (University of Western Australia). Na sua avaliação, é difícil medir qual o impacto do sucesso da China na competição sobre o dia a dia dos deficientes no país, mas diz que houve avanços.
"Acredito que a atitude dos cidadãos em relação a pessoas com deficiência melhorou rapidamente nos últimos anos, depois que a China ganhou três vezes as Paralimpíadas", observou, em referência às vitórias em Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012).
As competições paralímpicas tiveram início em 1948 na Inglaterra, mas a China só passou a enviar atletas em 1984. E foi justamente nos anos 80 que o governo passou a ter políticas públicas focadas nos deficientes.
A Federação Chinesa de Pessoas com Deficiência, instituição semigovernamental, foi fundada em 1998 pelo filho de Deng Xiaoping (ex-líder chinês), Deng Pufang, que ficou paraplégico após ser torturado durante a Revolução Cultural, movimento sociopolítico lançado para preservar a "verdadeira" ideologia comunista.
China na ParalímpiadaImage copyrightREUTERS
Image captionCompetições paralímpicas tiveram início em 1948 na Inglaterra, mas China só passou a enviar atletas em 1984
Segundo Guan Zhixun, a instituição teve papel central na melhora do desempenho da China na Paralimpíada.
A federação tem atuação em todo país, com braços regionais e locais. Por meio dela, o governo investe no atendimento às pessoas com deficiência, inclusive no treinamento de atletas e treinadores paralímpicos.
Dados de 2014 apresentados pela federação, por exemplo, mostram que naquele ano o país realizou 20 competições nacionais de esportes paralímpicos, com a participação de mais de 6 mil deficientes. Já no nível municipal, foram promovidos 5.544 eventos, com participação de 694 mil pessoas.
Chefe de missão na China da ONG Handicap International, Alessandra Aresu também destaca o papel da Federação Chinesa de Pessoas com Deficiência na melhoria do tratamento dos deficientes no país.
Ela nota que a instituição nasceu pequena, mas três décadas depois tem uma grande estrutura, em todo o país. Sua equipe conta com 120 mil funcionários.
"O movimento de pessoas com deficiência na China é muito recente, mas muito foi feito nesse período, ainda mais se você considerar o tamanho do país e a quantidade de pessoas com deficiência (mais de 80 milhões)", notou.
"Comparado com muitos países em desenvolvimento onde a estrutura é fraca, às vezes devido à falta de recursos, a China possui uma estrutura expressiva e investiu muito dinheiro nisso", disse ainda.
Apesar disso, Aresu aponta que ainda é importante melhorar a qualidade das políticas, que são predominantemente focadas em tratamento médico e em ações caridade. Na visão dela, é importante adotar um "modelo social", que valorize as habilidades dessas pessoas.
"O jeito que o deficiente é visto aqui é mais pelo que ele não tem do que por suas habilidades e capacidade. Até recentemente, no entanto, os deficientes eram tratados na China como inúteis. Esse é o jeito tradicional de lidar com pessoas com deficiência que não é mais usado agora. Foi um grande avanço", ponderou.
China na ParalímpiadaImage copyrightREUTERS
Image captionAlto rendimento dos atletas chineses, no entanto, não ficou imune a críticas

Maior delegação

Além da atuação do governo, outro fator que ajuda a explicar o bom desempenho da China na Paralimpíada é o grande número de pessoas com deficiência no país. A delegação chinesa paralímpica é a maior no Rio, com 308 atletas.
De acordo com o Instituto Chinês de Deficiência, da Renmin University, em Pequim, havia 83 milhões de pessoas com deficiência no país em 2009, número equivalente à população da Alemanha.
A China é a nação mais populosa do mundo, com 1,3 bilhão de habitantes.

Polêmica

O alto rendimento dos atletas chineses, no entanto, não ficou imune a críticas.
A delegação brasileira levantou suspeitas, na disputa do 4 por 50 misto, categoria 20 pontos de natação, que o gigante asiático possa estar se beneficiando da classificação incorreta de seus paratletas, com a inscrição de competidores em categorias com grau de dificuldade abaixo do seu potencial de desempenho.
Nessa modalidade, a equipe é formada por dois homens e duas mulheres e suas classificações de deficiência devem somar 20 pontos.
Guan Zhixun nos Jogos Paralímpicos em PequimImage copyrightARQUIVO PESSOAL/GUAN ZHIXUN
Image captionSegundo Guan Zhixun, cultura tradicional da China via deficientes como "pessoas inúteis"
A equipe brasileira, detentora do melhor tempo na categoria, era favorita, mas os chineses venceram, conseguindo diminuir recorde mundial em 11 segundos.
O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), Philip Craven, disse que o caso seria analisado.
"Tivemos uma reunião muito rápida e informal no IPC e essa questão foi levantada. (…) Os atletas brasileiros têm dado declarações e vamos levar em conta, porque somos uma entidade centrada nos atletas. Vamos averiguar", afirmou, segundo reportagem do jornal Estado de S.Paulo.
A classificação costuma ser feita por técnicos locais, credenciados pelo Comitê Paralímpico Internacional.


O impeachment do ministro Gilmar Mendes e a pantomima de Curitiba


"Pode o ministro Gilmar falar sobre questões sob julgamento e votar como líder do antipetismo e como líder, no STF, da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff?"

por Roberto Amaral publicado 16/09/2016 19:03
Gilmar Mendes
Ministro Gilmar Mendes é um dos principais representantes da partidarização do Judiciário do país

CartaCapital – Um dos elementos mais constrangedores da grave crise político-institucional de nossos dias, que ameaça engolfar de vez os fundamentos da democracia representativa, é a partidarização em curso do Poder Judiciário, instituição já de si pouco republicana e que, não obstante, pretende pairar acima dos demais poderes, exatamente ele, o único que não deriva da soberania popular.
Protegidos seus membros por uma vitaliciedade injustificável, foge o Judiciário como um todo e o Supremo Tribunal Federal em particular, de qualquer transparência, blindando-se, anacrônico Olimpo, em uma irresponsabilidade monárquica e em um corporativismo auto-protetor que estimula comportamentos não condizentes com o exercício da magistratura.
Essa partidarização do Poder Judiciário é tanto mais assustadora quando se soma à presente partidarização do Ministério Público, de que são exemplo as peripécias dos procuradores que atuam na denominada operação Lava Jato.
A quem cabe chamar ‘as partes’ ao bom-senso?
A Corte Suprema pode ser avaliada pelo que fazem e deixam de fazer seus membros, julgando e deixando de julgar, silenciando e falando. Última instância à qual pode recorrer o cidadão, a judicatura suprema, exige, por isso mesmo, de seus pares, imparcialidade, integridade, prudência e decoro.
O Código de Ética da Magistratura condena a incontinência verbal, o prejulgamento e a revelação de inclinação ou voto futuro em causa sujeita a julgamento, e veda a um só tempo a filiação partidária e a expressão de preferências políticas.
A Constituição Federal (Art.95, parágrafo único, III) refere-se a “atividade político-partidária” para estabelecer seu crivo à hipótese mais larga de filiação política que é a filiação programática, a associação de interesses político-eleitorais e finalmente, a judicatura comprometida, de que é/tem sido contundente exemplo o comportamento do ministro Gilmar Mendes.
Conhecido pela imprensa como “aquele que não disfarça”, o ministro, atua, tanto no STF quanto no TSE, como em suas entrevistas, em suas palestras, em suas aulas, em seu Instituto, como líder de uma facção partidária, agredindo os princípios constitucionais da impessoalidade e da imparcialidade, além de desafiar permanente e deliberadamente os limites comportamentais estabelecidos pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional.
No exercício do cargo de ministro do STF, Gilmar Mendes eiva de parcialidade um Tribunal que por definição constitucional deve perseguir a isenção e que chega mesmo a reivindicar o papel de ‘poder moderador’ da República.
Na presidência do TSE é ameaça à lisura da Justiça. Ameaça antecipada por Dalmo de Abreu Dallari no artigo Degradação do Judiciário, publicado na Folha de S.Paulo em 8 de maio de 2002.
Escrevia o antigo professor da Faculdade de Direito da USP: “Se essa indicação [a de Gilmar Mendes para o STF] vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.
Como se vê, Dallari não estava exagerando.
Pode um ministro do STF antecipar seu voto mediante declarações à imprensa sobre questão sob julgamento do STF, agredindo o art. 36 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que proíbe o magistrado “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”?
Pode um juiz agredir o Código de Ética da Magistratura que exige (art. 1º) de seus membros conduta norteada “pelos princípios da independência, da imparcialidade, do conhecimento e capacitação, da cortesia, da transparência, do segredo profissional, da prudência, da diligência, da integridade profissional e pessoal, da dignidade, da honra e do decoro”?
Pode o ministro Gilmar falar sobre questões sob julgamento e votar como líder do antipetismo e como líder, no STF, da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff?
Gilmar Mendes permitiu-se buscar os holofotes no episódio da indicação de Lula para o ministério de Dilma, por ele acusada de estratagema que visava a inviabilizar eventual julgamento do ex-presidente. Foi pródigo em diatribes, que a imprensa registrou.
Não obstante, nomeado relator de discutível mandado de segurança interposto pelo PSDB e seu satélite PPS contra a posse de Lula na Casa Civil, não se sentiu impedido, não teve o pejo de conceder liminar sustando a nomeação -- ajuizada, aliás, por advogado que atua em escritório integrado por sua cônjuge.
Foi-se o tempo em que o juiz só falava nos autos.
Em artigo publicado na imprensa ("Judicatura e dever de recato", Folha de S.Paulo, em 13 de setembro de 2015), Ricardo Lewandowski, então presidente do STF, escrevia:
“A circunspecção e discrição sempre foram consideradas qualidades intrínsecas dos bons magistrados, ao passo que a loquacidade e o exibicionismo eram – e continuam sendo – vistas com desconfiança, quando não objeto de franca repulsa por parte de colegas, advogados, membros do Ministério Público e jurisdicionados”.
Foi-se o tempo em que os ministros, essencialmente recatados, só recebiam as partes em seus gabinetes. Evandro Lins e Silva estranhava a promiscuidade de juízes, partes e advogados nos bares e restaurantes de Brasília, onde se trava e muitas vezes se decide a campanha eleitoral dos candidatos aos tribunais superiores.
É ‘o protagonismo extramuros’, que Mendes também desenvolve em palestras para empresários, agenciadas por instituto de que é dono, e participando de convescotes reunindo políticos com interesses notórios no STF e no TSE.
Senão, vejamos. Após almoço com líderes do PSDB, o ministro Gilmar Mendes pede abertura de processo visando à cassação do registro do Partido dos Trabalhadores.
Apesar de o Regimento do STF precisar em 30 dias o prazo para devolução dos autos sob pedido de vista, Mendes sentou-se por longos 18 meses sobre o processo que julgava a ADI interposta pelo Conselho Federal da OAB para declarar inconstitucional o financiamento privado das eleições.
Em seu voto de longas e cansativas cinco horas, o ministro anuncia que estava tentando impedir o que qualificou de "manobra" do PT mancomunado com a OAB!
Recentemente, permitiu-se declarar, em mais um arroubo de sua conhecida incontinência verbal, que considera a chamada ‘Lei da Ficha Limpa’, originária de iniciativa popular, obra de bêbados, e criticar a lei eleitoral que, como presidente do TSE tem a obrigação funcional de fazer respeitada.
Justamente preocupada com tanto atentado à ordem jurídica, a Folha cobrou mais responsabilidade do STF. Após registrar sinais de comprometimento de Gilmar Mendes com os interesses do presidente do PSDB e ex-candidato Aécio Neves, aconselha os ministros a evitar “atitudes que destoem das práticas do Judiciário” (editorial "Seguir a cartilha", de 30 de maio de 2015).
O jornal não esconde seu alvo: “Isso vale especialmente para o ministro Gilmar, que agora acumula a presidência do Tribunal Superior Eleitoral com a da segunda turma do Supremo, responsável por julgar os processos da Lava Jato”.
O ministro com nada disso se importa, e por nada disso se emenda.
Atentos a tantos descaminhos um grupo de juristas brasileiros – Celso Antônio Bandeira de Melo, Fábio Konder Comparato, Álvaro Ribeiro da Costa, Sérgio Sérvulo da Cunha, Eny Moreira e este escriba -- ingressaram na presidência do Senado Federal com pedido de impeachment do ministro Gilmar Ferreira Mendes, nos termos do Art. 52, inciso II, da Constituição Federal, e da lei nº 1079/1950.
Acusamos formalmente o ministro de comportamento partidário, pois no exercício de suas funções judicantes tem-se mostrado extremamente leniente com relação a casos do interesse do PSDB e de seus filiados, tanto quanto rigoroso (mas desprimoroso em seu linguajar pouco canônico) no julgamento de casos de interesse do Partido dos Trabalhadores e de seus filiados, nomeadamente os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, não escondendo, pois se considera acima das leis, sua simpatia por aqueles e sua ojeriza por estes.
São nossas testemunhas o escritor Fernando Morais, a historiadora Isabel Lustosa, o jornalista e escritor José Carlos de Assis, o ex-deputado Aldo Arantes, o historiador e professor Lincoln Pena. O dr. Marcelo Lavenère, ex-presidente do Conselho Federal da OAB, é o advogado que acompanhará o processo no Senado Federal.
O recebimento da denúncia depende de decisão pessoal do presidente do Senado, senador Renan Calheiros, ameaçado, como outros senadores, por diversos processos correndo no STF.
Se o presidente do Senado sentir-se constrangido em face da decisão que haverá de adotar, como não se sentirão os magistrados brasileiros e seus jurisdicionados de um modo geral? A ação, pois, não é contra um ministro determinado, mas em defesa da magistratura e do direito brasileiro, ora achincalhado.

Teatro burlesco

A imprensa foi chamada nesta última quarta-feira 14 para entrevista coletiva mediante a qual seria anunciada, como o foi, a de há muito prometida denúncia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois, ao fim e ao cabo é esse o desideratum de toda a faina policialesca corrente: assassinar politicamente o ex-presidente Lula.
No centro do histrionismo digno da fase mais decadente dos teatrinhos da velha Lapa, no Rio de Janeiro, sobressaíram as dificuldades cênicas do procurador Deltan Dallangnol, tentando suprir a ausência de elementos com uma retórica canhestra e uma adjetivação de bar de esquina, que está a cobrar uma palavra de seu chefe, o Procurador Rodrigo Janot.
Faltaram aos procuradores as provas que o direito pede, e sobraram as convicções que um certo fundamentalismo estimula. Mas acusar sem provas é mais do que irresponsabilidade, pois se transforma em crime de difamação. Similar à pantomina da República de Curitiba, vem à lembrança aquela outra do esquecido coronel Job Lorena de Sant’Anna, apresentando o resultado do IPM sobre o ‘atentado do Riocentro’, quando um sargento morreu no exato momento em que auxiliava um oficial do exército (na chefia da operação) na montagem de uma ação terrorista felizmente fracassada.
O coronel, valendo-se também de projeções e muitos desenhos e muita inventividade e adjetivos a granel, anunciou em entrevista para a qual também foi chamada a grande mídia, que lhe deu os espaços requeridos, que os responsáveis pelo atentado frustrado e pela morte do militar ‘eram os comunistas’, milhares de jovens que no interior do Riocentro – um gigantesco Centro de Convenções na Barra da Tijuca, RJ, se preparavam para ouvir Chico Buarque de Holanda. Jovens que seriam assassinados se a bomba não tivesse explodido no colo do sargento auxiliar do capitão terrorista.
O que estamos a ver, e viver, porém, não passa de mais um capítulo na sucessão de episódios lamentáveis que caracterizam, após o golpe continuado, a gradual implantação da ‘ditadura constitucional’. A tentativa de eliminação de Lula é apenas mais um episódio, violento, mas apenas mais um numa sucessões de agressões planejadas. Outras virão.