quarta-feira, 29 de junho de 2016

MP de Contas vai devassar administrações também na gestão Rollemberg


Daniel Ferreira/Metrópoles


Auditoria constatou que o fracionamento das licitações, prática vedada por lei, virou prática em diversas RAs em 2014, durante o governo Agnelo Queiroz. Agora, investigação mais abrangente vai analisar o período entre 2010 e 2015, que engloba o primeiro ano da gestão do socialista




Em meio à apuração da Polícia Civil sobre o desvio de R$ 250 milhões, entre 2012 e 2014, em licitações realizadas em 19 administrações regionais, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPC-DF) também quer saber por que esses órgãos têm usado tantas cartas-convite para realizar obras similares, na mesma localidade e período. Para os procuradores, além de desrespeitar a legislação, a prática pode ocasionar menor divulgação, redução de competitividade e, consequentemente, contratações mais caras aos cofres públicos.
Apenas em 2014, de acordo com o Sistema Integrado de Gestão Governamental (SIGGO), foram realizados 297 convites – exclusivamente para obras –, cujo montante correspondeu a mais de R$ 41,5 milhões (veja quadro). O valor elevado chamou a atenção dos procuradores que, agora, pretendem ampliar a investigação. Na semana passada, foram aprovadas auditorias na contratação de obras públicas nas administrações regionais, via convite, correspondentes aos exercícios de 2010 a 2015, ou seja, além do governo Agnelo Queiroz (PT), o primeiro ano da gestão Rodrigo Rollemberg (PSB) está na mira.


Por lei, há três modalidades de licitação para a realização de obras: concorrência, tomada de preços e convite. A escolha do modelo se dá em razão do valor estimado da contratação. No caso de serviços de até R$ 150 mil, a administração pública pode usar o convite. Acima disso e até R$ 1,5 milhão, o instrumento é a tomada de preços e, a partir desse valor, a lei exige a realização de concorrência.
O fracionamento de licitação ocorre quando obras e serviços de mesma natureza, que podem ser feitos conjunta e concomitantemente, são contratados por convite ou tomada de preços, quando o correto seria utilizar uma modalidade mais complexa, que permite maior concorrência e, até mesmo, redução de custos para o órgão contratante.
No levantamento feito pelo MPC-DF, relativo ao exercício de 2014, descobriu-se que as administrações de Ceilândia, de Planaltina, de Sobradinho, de Taguatinga, de Vicente Pires, de São Sebastião, do Núcleo Bandeirante, do Cruzeiro, do Guará e do Recanto das Emas realizaram obras semelhantes e no mesmo período, via convite. Em Taguatinga, por exemplo, por meio de quatro convites, foram feitos quatro estacionamentos, todos com datas próximas.

KacioKACIO
Cícero LopesCÍCERO LOPES
Conluio
Além do fracionamento indevido, há indícios de conluio entre empresas participantes e vencedoras. Em um dos casos, ficou evidente a participação dos mesmos potenciais interessados na execução de oito convites indicados, além de indícios de revezamento entre as vencedoras.
Em relação ao exercício de 2014, até o momento, o Ministério Público de Contas elaborou sete representações que apontaram fracionamento de licitação. A respeito delas, já houve três decisões favoráveis ao posicionamento do MPC-DF, nos casos de São Sebastião, Núcleo Bandeirante e SIA. Além disso, o Tribunal de Contas do DF deu outras duas decisões sobre o mesmo tema de outros dois anos: 2009 e 2013, referentes à Santa Maria e ao SIA, respectivamente.
De acordo com o procurador Marcos Felipe Pinheiro Lima, as decisões que apontam fracionamento de licitação vão pesar na avaliação das contas de cada administração. “Isso quer dizer que essas decisões do tribunal podem contribuir para o julgamento irregular das contas anuais das administrações regionais. Se isso ocorrer, além da aplicação de multa, os responsáveis podem ficar inelegíveis por oito anos e impossibilitados de assumir cargo público”, explicou.
O outro lado
Logo após a operação da Polícia Civil que identificou irregularidades nos contratos das administrações regionais, o governador Rollemberg determinou que todos os contratos sob investigação sejam auditados. A Controladoria-Geral do DF será responsável pelo trabalho e também fará auditoria nos contratos em vigência das empresas envolvidas no âmbito do Executivo local.
O controlador-geral substituto do DF, Marcos Tadeu de Andrade, explicou que a atuação se dará em três frentes. O órgão abrirá processos administrativos fiscais para a apuração de responsabilidade dos fornecedores. Se irregularidades forem constatadas, as empresas serão punidas.
No caso de maior punição, a empresa pode ser declarada inidônea. Ou seja, fica impedida de participar de novas licitações."
Marcos Tadeu de Andrade
A segunda frente será para apurar o envolvimento de funcionários públicos. Serão abertos processos administrativos disciplinares e, nesse caso, a demissão representa a sanção máxima. A terceira frente será uma tomada de contas especial para checar o prejuízo ao erário, com o objetivo de recuperar os valores desviados. Quando concluído, o processo vai ser encaminhado ao Tribunal de Contas do DF.
Além dos contratos e de todos os documentos sob investigação da Polícia Civil do DF, a Controladoria-Geral do DF vai auditar outros contratos das empresas envolvidas que estejam em vigência. (Com informações do Ministério Público de Contas do DF e da Agência Brasília)

Mãe de microcéfalo terá licença maternidade remunerada de 180 dias

A ampliação do direito, que hoje é de quatro meses, aplica-se para trabalhadoras contratadas por regime de CLT


BRASIL LEI SANCIONADAHÁ 53 MINSPOR


Mães de bebês com microcefalia e sequelas neurológicas relacionadas a doenças transmitidas pelo Aedes aegypti terão licença maternidade remunerada de 180 dias. A ampliação do direito, que hoje é de quatro meses, aplica-se para trabalhadoras contratadas por regime de CLT.


Para o secretário executivo do Ministério de Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, a medida é importante, mas pode causar dúvidas na aplicação. "O ideal é que haja uma regulamentação, para deixar claro como será feita a definição de microcefalia relacionada à zika", disse. A relação entre microcefalia e doenças provocadas pelo Aedes aegypti não é simples. "Como não há exames sorológicos que comprovem a infecção, a definição do caso é mais trabalhosa."
A lei sancionada pelo presidente em exercício, Michel Temer, lista medidas de vigilância e controle do mosquito transmissor do vírus da dengue, da chikungunya e da zika. A proposta, no entanto, não foi aprovada na íntegra. Ele retirou do conteúdo aprovado pelo Congresso a isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre repelentes, inseticidas, larvicidas e telas de mosquiteiro em geral.
Temer vetou "dispositivos que instituem benefícios e incentivos de natureza tributária que não atendem às condições estabelecidas pelo artigo 14 da Lei Complementar Número 101, de 2000 (LRF), e não se fazem acompanhar dos necessários dimensionamentos do impacto tributário sobre a arrecadação".
Benefício
O texto também dá nova redação para o Benefício de Prestação Continuada, um auxílio concedido para bebês com microcefalia. A regra geral, que se aplica também a pessoas com deficiências e idosos que tenham renda per capita inferior a um quarto de salário mínimo, prevê que o benefício seja revisto em um prazo de dois anos. O novo texto prevê que a revisão seja feita três anos depois da concessão do benefício. "Na prática, não há diferenças acentuadas. A criança poderá ter o benefício concedido novamente, desde que cri

'Aliança com PMDB de Temer foi meu maior erro', diz Dilma

A petista ainda citou a perícia realizada pelo Senado para afirmar não teve participação nas chamadas "pedaladas fiscais"


POLÍTICA ENTREVISTAHÁ 13 HORAS
POR FOLHAPRES


A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), afirmou nesta terça-feira (28) em entrevista à rádio "Metrópole", da Bahia, que a aliança com o PMDB do presidente interino, Michel Temer, foi o maior erro cometido por ela em sua gestão.


"O erro mais óbvio que cometi foi a aliança que fiz para levar a presidência nesse segundo mandato com uma pessoa que explicitamente, diante do país inteiro, tomou atitudes de traição e usurpação", afirmou.
Segundo Dilma, essa não foi uma questão pessoal e Temer não "representa a si mesmo".
"Não acho que o vice-presidente representa a si mesmo. O grupo que ele representa, e o encontro com Eduardo Cunha [no último domingo] mostra isso, é um grupo político. E eu errei em fazer aliança com esse grupo político", disse a petista.
Dilma ainda afirmou que vê possibilidade de um retorno ao exercício do cargo com a votação do processo de impeachment em agosto, no Senado.
Questionada sobre como governaria sem uma base sólida no Congresso Nacional, defendeu a necessidade de uma reforma política, mas não falou em propostas de plebiscito ou novas eleições. Disse que sua volta ao exercício da Presidência será a condição para "restabelecer a democracia no Brasil".
Segundo a presidente afastada, "o sistema político do Brasil está em processo acelerado de deterioração". E exemplificou com o encontro Michel Temer e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), no último domingo (26).
Segundo ela, Temer não conseguiria governar sem conversar com Cunha. E ironizou o encontro: "Não foi sobre futebol que eles conversaram".
CRÍTICAS AO GOVERNO
Na entrevista, Dilma ainda fez uma série de críticas ao governo Temer. Afirmou que o presidente interino "considera a cultura irrelevante", ao tomar a decisão de extinguir o ministério. E criticou a equipe de ministros sem mulheres e negros.
Dilma também afirmou que o novo governo apresenta uma pauta conservadora e que retira direitos dos trabalhadores.
"Estamos vendo nesses parcos 45 dias do governo provisório, um crescente avanço para retirar direitos. Reduzem o Pronatec e agora eles estão dizendo que vão exigir 70 anos para que as pessoas tenham direito à aposentadoria", disse, numa referência à possível proposta de reforma da Previdência de Temer.
A petista ainda citou a perícia realizada pelo Senado para afirmar não teve participação nas chamadas "pedaladas fiscais".
E afirmou que não houve dolo na publicação dos decretos que não haviam sido autorizados pelo Congresso Nacional.
"Eu não fui informada da suposta incompatibilidade dos decretos em relação à meta fiscal. Também neste caso esta eliminada qualquer dúvida em relação ao fato. Não há dolo, portanto, não há crime", disse. Com informações da Folhapress. 

Desemprego fica em 11,2% no trimestre encerrado em maio

29/06/2016 09h00 - Atualizado em 29/06/2016 09h51

É a maior taxa de desocupação desde o início da pesquisa, em 2012.

De março a maio, havia cerca de 11,4 milhões de pessoas desocupadas.

Marta CavalliniDo G1, em São Paulo
População espera novas oportunidades no mercado de trabalho  (Foto: Reprodução/EPTV)População espera novas oportunidades no mercado de trabalho (Foto: Reprodução/EPTV)
O desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em maio, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre de março a maio, havia cerca de 11,4 milhões de pessoas desocupadas no Brasil. A taxa é a mesma do trimestre encerrado em abril. Assim, novamente, é a maior já registrada pela série histórica do indicador, que teve início em janeiro de 2012. No mesmo trimestre no ano anterior, a taxa havia ficado em 8,1%, segundo o IBGE. Ficou acima ainda do trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, que ficou em 10,2%.
TAXA DE DESEMPREGO
Em %
9,510,210,911,211,2nov-dez-jandez-jan-fevjan-fev-marfev-mar-abrmar-abr-mai02,557,51012,5
Fonte: IBGE
Ocupados e desocupados
Se o número de desempregados aumenta, diminuiu o número de empregados.

A população desocupada subiu 40,3% (mais 3,3 milhões de pessoas) no confronto com igual trimestre de 2015 e cresceu 10,3% (aproximadamente 1,1 milhão pessoas) em relação ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016.

Já a população ocupada (90,8 milhões de pessoas) registrou queda de 1,4% (menos 1,2 milhão de pessoas ocupadas) em comparação com o mesmo trimestre de 2015 e apresentou estabilidade ante o trimestre dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 (menos 285 mil pessoas).
Segundo o IBGE, o número de empregados com carteira assinada no setor privado caiu 4,2% (menos 1,5 milhão de pessoas) em relação a igual trimestre do ano anterior e recuou 1,2% frente ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 (menos 428 mil pessoas).
Já o número de empregados sem carteira de trabalho assinada subiu 3,5% ante o trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 e ficou estável frente ao trimestre de março a maio de 2015.
Domésticos e autônomos
O número de trabalhadores domésticos subiu 5,1% ante o mesmo trimestre do ano anterior (mais 307 mil pessoas) e ficou estável em relação ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016.

As pessoas que trabalharam por conta própria aumentaram 4,3% na comparação com o trimestre de março a maio de 2015 - acréscimo de 952 mil autônomos. Já em relação ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, há queda de 1,3% (menos 314 mil pessoas).
Salários
O rendimento médio real habitualmente recebido pelos que estão trabalhando chegou a R$ 1.982 e ficou estável frente ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 (R$ 1.972) e caiu 2,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 2.037).
Empregadores
O contingente dos empregadores caiu 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior - menos 208 mil pessoas-, e ficou estável em relação ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016.

Dólar opera em queda nesta quarta, abaixo de R$ 3,30

29/06/2016 09h14 - Atualizado em 29/06/2016 09h50

Na 3ª, a moeda perdeu 2,61%, a R$ 3,3060; no ano, queda é de 16,2%.

Mercado reagiu a declarações do novo presidente do BC e seguiu exterior.

Do G1, em São Paulo
O dólar opera em queda nesta quarta-feira (29), depois de fechar no menor valor em quase 1 ano na véspera, a R$ 3,3060. Investidores acompanham o bom humor nos mercados externos, em mais um dia marcado por ausência de interferência do Banco Central no câmbio, mesmo após o tombo recente da moeda.
Às 9h40, a moeda norte-americana caía 1,13%, a R$ 3,2685. O dólar atingiu R$ 3,2560 imediatamente após a abertura, na mínima dos negócios do dia, segundo a Reuters. Veja a cotação do dólar hoje.
Acompanhe a cotação ao longo do dia
Às 9h09, queda de 1,29%, a R$ 3,2633
O dia é marcado por queda do dólar em relação a várias moedas de países emergentes, mas no Brasil o recuo é mais intenso por fatores internos, como explica Rafael Gonçalves, analista do departamento econômico da Gradual Investimentos.
"Hoje em especial o dólar cai forte contra o real, e o primeiro motivo é a sinalização do Ilan Goldfajn ontem de que o BC não está disposto a usar as ferramentas cambiais que a diretoria antiga vinha usando", disse em entrevista aoG1, referindo-se à ausência de interferência do BC no câmbio nos últimos dias. Entenda como funciona isso e veja o histórico aqui.

"Além disso, o mercado agora vai tentar descobrir qual o câmbio que o BC vislumbra como ideal. Então tem uma questão de teste para saber se o BC mostra alguma sinalização de que o câmbio está num patamar ajustado”, diz Gonçalves.

Outro motivo apontado pelo analista é a expectativa de que os juros no Brasil devem demorar mais que o esperado para voltar a cair. Com juros mais altos, o país se torna mais atraente para investidores, o que motiva uma entrada de dólares no Brasil. Com mais dólares em circulação, o valor da moeda tende a cair em relação ao real. “O mercado imaginava que os juros iriam cair por volta de agosto. Depois do discurso do Ilan ontem, a projeção passou para outubro ou novembro”, afirma Gonçalves.
Último fechamento
O dólar fechou em forte queda nesta terça-feira (28), cotado a R$ 3,30 pela primeira vez em quase um ano. A moeda norte-americana caiu 2,61%, a R$ 3,3060 na venda.
A última vez que o dólar fechou abaixo de R$ 3,30 foi em 23 de julho de 2015.
O recuo da moeda dos Estados Unidos acompanhou a recuperação dos mercados pelo mundo, depois de dois dias de mau humor com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE). O mercado também reagiu a declarações do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e àperspectiva de que os juros não devem cair tão cedo no Brasil.
No mês de junho, o dólar acumula queda de 8,47%. No ano de 2016, a moeda tem desvalorização de 16,2%.

SÃO PAULO Petista quer CPI da Merenda durante recesso na Assembleia Legislativa

Para João Paulo Rillo (PT), está demonstrada a urgência e a relevância exigidas pelo Regimento Interno da Casa para o funcionamento do colegiado


por Rodrigo Gomes, da RBA 

ALESP
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Rillo esteve presente nas reuniões e, embora não seja membros da CPI, protocolou pedido nesta manhã
São Paulo – O deputado estadual João Paulo Rillo (PT) apresentou requerimento, na manhã de hoje (28), propondo o funcionamento, durante o recesso de julho, da CPI da Assembleia Legislativa paulista que apura superfaturamento, desvio de recursos e pagamento de propina em contratos da merenda escolar do governo Geraldo Alckmin (PSDB). O pedido foi protocolado logo depois da segunda reunião do colegiado, na qual o deputado Estevam Galvão (DEM), foi designado relator pelo presidente da CPI, deputado Marco Zerbini (PSDB).
O petista argumentou que o regimento interno prevê a possibilidade de os trabalhos prosseguirem durante o recesso, se houver “urgência e relevância”. “A gravidade dos fatos, os valores envolvidos, o comprometimento de membros do alto escalão do governo de Geraldo Alckmin, de membros do Legislativo, de assessores da Assembleia Legislativa impõem que os trabalhos tenham curso durante período do recesso”, disse Rillo.
A decisão caberá aos integrantes da comissão, em votação numa próxima reunião, ainda sem data definida. Zerbini disse na manhã de hoje que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), marco para início do recesso, deve ser votada nesta semana. Porém, se houvesse um pedido de funcionamento durante do período, ele convocaria uma nova reunião da CPI ainda nesta semana.
Na manhã de hoje, foram aprovados pedidos de documentos da Operação Alba Branca que serão encaminhados para o Ministério Público, a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça de São Paulo. Também foi encaminhado pedido de informações à Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo sobre a sindicância interna aberta pelo órgão para apurar o esquema de corrupção. Zerbini disse que não vai convocar nenhum acusado ou testemunha sem antes ter os documentos, irritando a oposição.
A oposição quer a convocação de, pelo menos, três pessoas para iniciar as apurações. O ex-presidente da Cooperativa Orgânica da Agricultura Familiar (Coaf), Cássio Chebab, que disse, em delação premiada, repassar valores a deputados federais, estaduais e funcionários do governo Alckmin; Luiz Roberto dos Santos, o 'Moita', ex-chefe de gabinete da Casa Civil do tucano; e Fernando Padula, ex-chefe de gabinete da Secretaria estadual da Educação.




Governo escolheu priorizar o social em vez de reembolsar bancos diz Patrus











Segundo ex-ministro, Brasil possui inadimplência histórica com os pobres e essa opção foi levada em conta. "Não se pode atribuir a responsabilidade de todas as falhas operacionais à presidenta"

por Hylda Cavalcanti, da RBA 

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O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Patrus Ananias (E) disse na comissão do impeachment que a presidente afastada, Dilma Rousseff, cumpriu a Constituição ao garantir recursos para políticas sociais
Brasília – Ao prestar depoimento à comissão especial do impeachment, como uma das testemunhas de defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff, o deputado e ex-ministro Patrus Ananias (PT-MG) – que foi titular da pasta de Desenvolvimento Agrário e de Desenvolvimento Rural –, afirmou que o pedido de impeachment não poderia ter ocorrido sem considerar uma avaliação dos princípios constitucionais. Segundo ele, "os fatos que integram a denúncia devem ser analisados à luz do interesse público, não isoladamente", uma vez que, conforme explicou, a presidenta cumpriu princípios constitucionais ao garantir recursos para políticas sociais.
"O impedimento com base em um fatozinho específico, ainda que houvesse ocorrido, não poderia ser considerado sem uma avaliação destes princípios constitucionais. Se de um lado temos as responsabilidades fiscais, temos também diretrizes que obrigam políticas que promovam a justiça social e a inclusão", argumentou Patrus.
O ex-ministro afirmou que se os repasses do Tesouro para equalização de juros do Plano Safra junto aos bancos públicos que operam o programa sofreram atraso foi porque para o governo "era mais importante priorizar a continuidade da prestação do programa do que assegurar o reembolso dos bancos". "Essa decisão considera o paradigma do Estado democrático de direito e o bem comum", acrescentou.
Patrus teve sua fala elogiada por vários senadores, principalmente quando disse que o Brasil possui o que chamou de uma "inadimplência histórica com os pobres, os trabalhadores rurais sem-terra, os herdeiros da escravidão, as comunidades indígenas". "A administração pública muitas vezes tem que fazer escolhas entre muitas inadimplências. Entendo que é melhor garantirmos a vida das pessoas e ficarmos com a dívida com bancos, que podem esperar mais", destacou.
O ex-ministro afirmou, ainda, que não existiu responsabilidade ou participação direta da presidenta afastada nas "pedaladas", porque as operações financeiras se dão diretamente entre os bancos e os produtores, e o governo federal entra apenas como "mediador" na equalização de juros. "Não se pode atribuir a responsabilidade de todas as falhas operacionais do governo à presidenta, é preciso considerar a existência de uma estrutura técnica complexa na administração pública".
Ele foi contestado, no entanto, pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), para quem "os atos da presidente devem ser julgados objetivamente" e, pelo que resultaram, na avaliação dela terminaram por prejudicar a assistência social do governo. "Não se faz social sem o orçamento equilibrado. Política fiscal é responsável pela estabilidade econômica, pela distribuição de renda e pelos serviços essenciais", disse Simone.
Já para a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), os depoimentos dados na comissão até agora comprovam que o que está acontecendo é "a pressão de um governo ilegítimo para retirar a presidenta Dilma, justamente pelo projeto desse grupo que o forma, integrado pela equipe interina de Temer e por pessoas que não queriam a continuidade destes projetos sociais".
Ainda hoje é esperado o depoimento, na comissão do impeachment, do ex-ministro Aldo Rebelo, que ocupou as pastas de Esporte e Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Dilma Rousseff.

Decretos de crédito suplementar

Os senadores que integram a comissão, mesmo com a tomada de depoimentos das testemunhas estão se dedicando hoje à discussão dos decretos de créditos suplementares, um dos pontos que fundamentam o pedido de afastamento da presidenta Dilma Rousseff.
Como o outro objeto, as pedaladas fiscais, foi descartado pela perícia contábil recentemente realizada e esse resultado foi comemorado pelos que apoiam Dilma Rousseff, o grupo pró impeachment tenta agora argumentar que os decretos contribuiram para que fosse cometida uma fraude fiscal no país. Mas a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), leu documento recente do Ministério da Fazenda do governo provisório, no qual o Executivo afirma que a situação do Brasil é sólida.
"Como estes decretos de crédito suplementar deixaram o país numa situação tão difícil assim se a equipe econômica do governo interino afirma que a situação do país ainda é de solidez?", questionou Kátia. O documento lido por ela foi elaborado pelo Ministério da Fazenda há poucos dias, para avaliar a situação do Brasil diante de impactos a serem observados na economia global, com a saída da Inglaterra da União Europeia, por exemplo. A senadora, que apenas citou trechos desse relatório, afirmou que no seu teor são apresentados fundamentos robustos e detalhados.
Na conclusão da perícia contábil das contas da presidenta afastada, os técnicos disseram que dos quatro decretos de crédito suplementar que constam no pedido de impeachment de Dilma, quatro deveriam ter sido aprovados previamente pelo Congresso Nacional. "Isso tudo é um pano de fundo, a questão que está sendo discutida aqui, já sabemos que é política. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou mais de 100 decretos dessa mesma forma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também precisou publicar 32 decretos. Agora querem usar isso contra a presidenta Dilma para tirá-la do cargo", afirmou a senadora.
Para o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que defende o impeachment – e foi ministro da Integração no primeiro governo de Dilma –, os decretos publicados nos governos de FHC e de Lula foram, antes, discutidos e avaliados com muita responsabilidade, assim como aconteceu os primeiros atos do primeiro governo da presidenta Dilma. "O problema foram as mudanças de rumo da condução da economia, já no final do seu primeiro governo", reclamou.

'Farsa desfeita'

A senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) disse que a defesa da presidenta estruturou a fala passando de forma paralela no centro do problema, apontado por ela como uma fraude fiscal e econômica feita no país, que acusou ter sido cometida pelos decretos. "Os créditos suplementares e os fundos fiscais se combinam", afirmou Lúcia.
Já para senadores aliados da presidenta, o clima é considerado positivo desde o resultado da perícia entregue ontem, oficialmente, à comissão. Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que mesmo se o impeachment não for barrado na votação final do Senado, este laudo já dá condições para que ele seja contestado no Supremo Tribunal Federal (STF). "A farsa está sendo desfeita", disse o parlamentar.