sexta-feira, 24 de junho de 2016

Delatores dizem que Gim Argello fez pressão para receber propina


Rafaela Felicciano/Metrópoles

Julio Camargo, ex-consultor da Toyo Sental, e Otávio Azevedo, ex-presidente da holding Andrade Gutierrez, são testemunhas chamadas pela acusação no processo contra o ex-senador brasiliense na ação que investiga um esquema de corrupção para evitar a convocação de empreiteiras na CPI da Petrobras



A situação do ex-senador Gim Argello se complicou. Preso desde o dia 12 de abril no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), o político brasiliense é acusado de participar de um esquema de corrupção com construtoras para evitar que elas fossem convocadas a depor na CPI da Petrobras, em 2014. Em depoimentos prestados ao juiz Sérgio Moro nessa quinta-feira (23/6), Julio Camargo, ex-consultor da Toyo Sental, e Otávio Azevedo, ex-presidente da holding Andrade Gutierrez, disseram que foram pressionados por Gim a pagar propina a ele.

Camargo afirmou ter pago R$ 2,2 milhões ao ex-presidente do PTB no DF, na época em que Argello era vice-presidente da CPI da Petrobras. “Havia uma pressão para que houvesse a contribuição”, afirmou o delator. Apesar de se sentir pressionado, Júlio Camargo disse não ter sido ameaçado pelo ex-senador. “Ele nunca deu uma garantia, mas disse que ele era o vice-presidente da CPI e que tinha o poder de aceitar ou não a convocação ou determinar quando essa convocação ocorreria”, completou.
Já o ex-presidente da Andrade Gutierrez explicou que teve dois encontros com os então senadores Gim Argello e Vital do Rego (que era senador pelo PMDB e hoje é ministro do Tribunal de Contas da União), um deles também com a presença de José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, presidente da OAS, em sua casa. Segundo Azevedo, Argello e Vital do Rego propuseram a criação de um grupo político que receberia, em contribuições eleitorais, um montante de R$ 30 milhões para montar uma estrutura de apoio para vários políticos.
Questionado pelo juiz Sérgio Moro, Otávio Azevedo contou que a contribuição seria em troca de proteção na CPI nunca foi tratada explicitamente, mas chegou a essa conclusão. “Por que que eu iria fazer uma contribuição? Só podia ser para um grupo que desse sustentação política de uma agenda da CPI, foi a nossa conclusão”, disse no primeiro depoimento que deu após fechar seu acordo de colaboração com o Ministério Público Federal.
Encontro no Lago Sul
Julio Camargo disse que Gim Argello procurou Léo Pinheiro, executivo OAS, que o contatou para que eles fossem jantar na casa do então senador em Brasília, no Lago Sul. No encontro, Argello teria mostrado que a intenção da CPI não era convocar empresários, mas sim os dirigentes e gerentes da Petrobras. Quando Léo Pinheiro perguntou se teria de fazer contribuições políticas, pois sabia que Argello seria candidato a vice-governador do Distrito Federal, ele disse que isso seria tratado em outra reunião.
No encontro seguinte, Gim Argello disse que havia selecionado cinco grandes empresas, e que precisaria de R$ 5 milhões de cada uma para a campanha. Léo Pinheiro questionou o alto valor, ao que Argello respondeu que o pagamento poderia dar a tranquilidade de que os empresários não seriam convocados pela CPI.
Segundo Camargo, o ex-senador brasiliense chegou a dizer que já havia requerimentos feitos para convocá-lo, mas que poderia agir para que isso não acontecesse, uma vez que era vice-presidente da comissão. Neste encontro, Argello teria dito que, dos R$ 5 milhões, precisaria de R$ 2 milhões imediatamente.
Segundo Camargo, ele, Léo Pinheiro e Ricardo Pessoa, dono da UTC, concordaram com a proposta. Disse que fez a contribuição de R$ 2 milhões pedida por Argello, além de outros dois pagamentos de R$ 100 mil cada. O dinheiro foi pago para a conta do Partido da República (PR).
Azevedo e Camargo são testemunhas chamadas pela acusação no processo contra o ex-senador, que responde por corrupção passiva, concussão, lavagem de capitais, organização criminosa e obstrução à investigação.
Metrópoles não conseguiu contato com a defesa de Gim Argello. Mas no dia 19, em carta enviada ao PTB renunciando à presidência regional do partido e se desligando da legenda, o ex-senador afirmou que nos exercícios dos mandatos de deputado distrital e de senador atuou com dignidade. “Desempenhei os mesmos [mandatos] dentro da maior lisura e dignidade, procurando exercê-los pelo povo e para o povo”. (Com informações do G1 e do Jornal Extra)

Justiça mantém as 10 ações penais de Paulo Octávio na Caixa de Pandora


Rafaela Felicciano/Metrópoles

No acórdão em que nega pedido da defesa do empresário, ministro do STJ reforça a previsão legal para desmembrar as denúncias do Mensalão do DEM e classifica série de recursos do empresário de “irresignação do recorrente”. Paulo Octávio tenta anular as 17 ações penais em trâmite na 7ª Vara Criminal de Brasília


Acórdão publicado em junho pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) revela o tamanho do problema que o ex-vice-governador do Distrito Federal Paulo Octávio tem pela frente com a Caixa de Pandora. O documento, que se refere ao julgamento de 24 de maio, na 5ª Turma da Corte, reforça a previsão legal para o desmembramento das denúncias em 17 processos, nos quais um total de 33 réus — entre eles, o ex-governador José Roberto Arruda — são acusados de diversos crimes. Desta forma, como o empresário responde a 10 das 17 ações penais que correm na 7ª Vara Criminal de Brasília, caso ele seja condenado, as penas serão somadas.

Das 10 ações contra o empresário, sete são por corrupção passiva e duas por corrupção ativa. A pena para ambas varia de 2 a 12 anos de cadeia. Paulo Octávio ainda responde por formação de quadrilha, que prevê detenção de 1 a 3 anos. No atual cenário, se ele for condenado à punição mínima nas sete ações por corrupção passiva, por exemplo, o tempo de prisão ficaria em 14 anos. Na hipótese de uma pena intermediária, esse tempo mais que dobraria.
Caso não houvesse desmembramento das denúncias e Paulo Octávio respondesse a uma única ação penal, não haveria como somar o tempo de cadeia. Nesse caso, seria configurado o “crime continuado”. A Justiça, então, pegaria a maior das penas aplicadas e a aumentaria de um sexto a dois terços. A diferença entre os dois cenários, portanto, é gigantesca.
Justamente por esta razão, o empresário tenta, nas palavras do ministro relator do caso no STJ, Reynaldo Soares da Fonseca, “a anulação das 17 ações penais em trâmite na 7ª Vara Criminal de Brasília referentes à denominada Operação Caixa de Pandora”. Ainda segundo o magistrado, “o pleito se fundamenta na suposta impossibilidade de cisão de uma única denúncia, apresentada inicialmente pelo Ministério Público Federal — e ratificada num segundo momento pela Procuradoria-Geral de Justiça — em 17 novas denúncias, apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios”.
O acórdão acrescenta que “a não ratificação da denúncia apresentada pelo MPF não pode ser tratada como desistência da ação penal, como pretende a defesa do recorrente, até mesmo porque não se mostra possível ao MPDFT desistir da ação proposta pelo MPF ou vice-versa”.
Irresignação do recorrente”A perspectiva de receber uma pena pesada levou o ex-vice-governador a interpor vários recursos na Justiça. Tanto que, no acórdão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, as manobras foram classificadas de “irresignação do recorrente”. Após sofrer a derrota no STJ no julgamento de 24 de maio, Paulo Octávio apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda analisará o caso.
“O Ministério Público do DF não poderia ter feito o desmembramento de uma denúncia feita pela Procuradoria-Geral de Justiça”, diz Marcelo Turbay, advogado de Paulo Octávio. Até agora, no entanto, os apelos da defesa não surtiram efeito.
A eventual condenação de Paulo Octávio em segunda instância poderia levar o ex-vice-governador do DF para a prisão, uma vez que o Supremo firmou nova jurisprudência em fevereiro. Desde então, réus condenados nessa fase podem ser presos antes do trânsito em julgado dos processos a que respondem na Justiça.
Esquema de corrupção
A Operação Caixa de Pandora descortinou o maior esquema de corrupção já visto no Distrito Federal, por reunir, em sucessivas fraudes, diversas instâncias do Executivo e do Legislativo com o setor produtivo.
De acordo com a investigação, o ex-governador José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio, além de outros réus — como o delator do caso, Durval Barbosa —, teriam usado contratos de informática para desviar recursos durante a administração de Arruda.
Segundo a denúncia do MPDFT, entre 2003 e 2009, foram celebrados vários contratos entre fornecedores e o GDF, em que agentes públicos recebiam cerca de 10% a título de enriquecimento ilícito, favorecimento de empresas e uso do dinheiro para financiamento de campanhas políticas.

Primeiro-ministro britânico anuncia renúncia após resultado do referendo

24/06/2016 04h30 - Atualizado em 24/06/2016 06h46

'Negociação deve começar com novo primeiro-ministro', afirma Cameron.

Político convocou referendo, mas queria a permanência na União Europeia.

Do G1, em São Paulo
O primeiro-ministro britânico David Cameron durante pronunciamento após referendo decidir que Reino Unido vai abandonar a União Europeia (Foto: Stefan Wermuth / Reuters)O primeiro-ministro britânico, David Cameron, durante pronunciamento após referendo optar por sair da UE (Foto: Stefan Wermuth / Reuters)
Após os britânicos decidirem em plebiscito sair da União Europeia, o primeiro-ministro David Cameron afirmou que o Reino Unido "deve buscar um novo primeiro-ministro" e anunciou que vai renunciar ao cargo, em pronunciamento foi feito à imprensa nesta sexta-feira (24) em frente ao número 10 de Downing Street, residência oficial do premiê britânico. Ele deve deixar o cargo em outubro.
"Os britânicos votaram pela saída e sua vontade deve ser respeitada", afirmou Cameron. "A vontade dos britânicos deve ser seguida". O premiê ponderou que o país precisa de uma nova liderança para levar adiante a decisão do referendo. "A negociação deve começar com um novo primeiro-ministro", disse o político.
A vitória do "Brexit" derrubou também as Bolsas na Ásia e os mercados futuros da Europa e dos Estados Unidos antes mesmo do resultado oficial ser divulgado. A libra esterlina, moeda do Reino Unido, despencou e atingiu o menor valor frente ao dólar em 31 anos.
"Agora que a decisão foi tomada, precisamos encontrar o melhor caminho. Farei o que for preciso para ajudar", afirmou Cameron, projetando deixar o cargo até outubro. "Eu amo esse país e me sinto honrado de ter servido a ele."
O primeiro-ministro britânico estava sobre intensa pressão para renunciar. O político é o responsável pela convocação do referendo, por ter prometido - e cumprido - convocar o referendo se vencesse com maioria as eleições gerais de 2015, mas havia se posicionado a favor de permanecer no bloco europeu e alertado sobre o risco do "Brexit".
"Brexit" é a abreviação das palavras em inglês "Britain" (Grã-Bretanha) e "exit" (saída) para designar a saída do Reino Unido do bloco europeu.
No sábado (18), em entrevista ao jornal "The Times", Cameron havia dito que continuaria à frente do governo independentemente do resultado do referendo, por se sentir a pessoa mais adequada para liderar as negociações que seriam desencadeadas pela decisão, devido a suas "sólidas relações" na Europa.
Futuro premiê
Oficialmente, o plebiscito não é "vinculante" – ou seja, ele não torna obrigatória a decisão de sair do bloco europeu. Mas o futuro primeiro-ministro britânico dificilmente será capaz de contrariar a decisão da população. Parlamentares também podem bloquear a saída do Reino Unido, mas analistas consideram que isso seria suicídio político.
Líder do Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage comemorou vitória no Twitter: "Temos nosso país de volta. Obrigado a todos vocês". Pouco depois, defendeu a formação de um novo governo. "Agora precisamos de um governo Brexit", disse Farage à imprensa em frente ao Parlamento.

Referendo
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou em entrevista à CNN que constitucionalmente o próximo premiê não precisa ser eleito em novas eleições. "Um novo líder do Partido Conservador pode assumir, mas eu suspeito que haverá uma pressão para eleições gerais de uma nova liderança", afirmou. Tanto Cameron quanto Khan são conservadores.
Em decisão histórica, que tem potencial para mudar o rumo da geopolítica mundial pelas próximas décadas, os britânicos decidiram em referendo deixar a União Europeia. A opção de "sair" venceu por mais de 1,2 milhão de votos de diferença, em resultado divulgado por volta das 3h.
Um recorde de 46,5 milhões de eleitores foram convocados às urnas para responder à pergunta: "Deve o Reino Unido permanecer como membro da União Europeia ou sair da União Europeia?" (em tradução livre).
O "sair" começou à frente no início da apuração, e chegou a ser ultrapassado pelo permanecer no bloco europeu, mas logo retomou a liderança e foi abrindo vantagem até vencer com 51,9% dos votos. Foram 17.410.742 votos a favor da saída e 16.141.242 votos pela permanência.
Eleitor defende a saída do Reino Unido da União Europeia nesta quarta-feira (23) em Londres (Foto: REUTERS/Toby Melville)"Adeus União Europeia... Olá, Mundo": eleitor segura adesivo que defende a saída do Reino Unido do bloco (Foto: REUTERS/Toby Melville)
Efeito dominó
A União Europeia é uma união econômica e política criada após a 2ª Guerra Mundial. O bloco funciona como um mercado único, com livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais. Formado por Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, o Reino Unido começou a fazer parte da União Europeia em janeiro de 1973.
O Reino Unido, no entanto, não faz parte da zona do euro – formada pelos países que têm o euro como moeda oficial. Dentre os 28 países do bloco europeu, 19 compartilham a moeda única. Os britânicos continuam usando a libra esterlina.
Até hoje, nunca um país membro deixou a união política e econômica dos países que formam a União Europeia. Em 1975, houve um referendo muito parecido com o de agora no Reino Unido, mas venceu a permanência no bloco com larga vantagem: 67% dos votos.
Há forte preocupação de que o voto pela saída tenha o efeito dominó, com outros países organizando consultas similares. Marine Le Pen, da extrema-direita francesa, afirmou que seu desejo é que cada país faça uma votação popular sobre a pertinência da União Europeia.
"Como peço há anos, agora é necessário o mesmo referendo na França e nos países da União Europeia", afirmou a líder da Frente Nacional na França pelo Twitter. Na Holanda, o chefe do Partido da Liberdade e membro do Parlamento, Geert Wilders, escreveu: "Agora é a nossa vez! Hora de um referendo holandês! #ByeByeEU".
Partidários da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia comemoram o resultado da área de Sunderland, em que o sair foi mais forte do que o ficar (Foto: REUTERS/Toby Melville)Partidários do 'Brexit' comemoram o resultado da área de Sunderland, em que o 'sair' venceu o 'permanecer' (Foto: REUTERS/Toby Melville)
Reino desunido
O referendo dividiu não só a União Europeia, mas o próprio Reino Unido. Apesar da vitória do "sair", votaram pela permanência a Escócia (62,0%), a Irlanda do Norte (55,8%) e a região de Londres (59,9%). Todas as outras regiões da Inglaterra e o País de Gales votaram por "sair", com percentuais que variaram de 52,5% (País de Gales) a 59,3% (West Midlands).
Na Escócia, o "permanecer" venceu em todos os distritos. A chefe de governo escocês, Nicola Sturgeon, disse que o país "vê seu futuro" como parte do bloco europeu. "A votação aqui mostra claramente que os escoceses vêem seu futuro como parte da UE", declarou a dirigente do Partido Nacional Escocês (SNP).
O chefe do movimento Sinn Fein, da Irlanda do Norte, afirmou que vai pedir um referendo sobre a união do país com a Irlanda – que fica na mesma ilha da Irlanda do Norte, mas é um outro país e não faz parte do Reino Unido. “O resultado desta noite muda dramaticamente o cenário político aqui no norte da Irlanda e nós vamos intensificar nosso caso para chamar por um referendo”, disse Declan Kearney, em comunicado.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Senado entrará com reclamação no STF contra operação em apartamento de Gleisi

Após ser preso, ex-ministro Paulo Bernardo deixa o IML© Foto: Gabriela Biló/Estadão Após ser preso, ex-ministro Paulo Bernardo deixa o IML

BRASÍLIA - Como adiantou a Coluna do Estadão, o Senado vai entrar com reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Operação Custo Brasil, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 23. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o primeiro-vice-presidente, Jorge Viana (PT-AC), já pediram uma consulta sobre o assunto à Advocacia-Geral do Senado para embasar o documento.
Parte da operação desta quinta-feira envolveu um apartamento funcional de propriedade do Senado, ocupado pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em Brasília. No local, os policiais prenderam o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, marido de Gleisi, e também realizaram mandado de busca e apreensão de alguns documentos e de pelo menos um computador. Os parlamentares consideram o espaço como uma extensão da Casa.
Renan e Viana querem a garantia de que esse tipo de ação não volte a acontecer sem a autorização prévia do STF. A reclamação da Advocacia-Geral do Senado argumentará que apenas o Supremo tem competência para autorizar medidas coercitivas desse tipo dentro de imóveis de propriedade do Senado, mesmo que elas envolvam investigados sem foro privilegiado, como no caso de Bernardo.
Os mandados, que visavam apenas o ex-ministro, foram expedidos pelo juiz de primeira instância Paulo Bueno de Azevedo, da 6.ª Vara Criminal de São Paulo. A Advocacia-Geral deverá entrar ainda com uma representação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz que autorizou a operação.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)© Fornecido por Estadão A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Críticas. A ação da PF na manhã desta quinta-feira que prendeu Bernardo rendeu críticas até mesmo de adversários políticos do petista. Para Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), um juiz de primeiro grau não teria autorização para busca e apreensão no apartamento da senadora Gleisi Hoffmann em Brasília, poder restrito ao STF.
"É um abuso. Um juiz de primeiro grau não tem autorização para busca e apreensão no apartamento funcional de uma senadora. Só quem poderia autorizar essa ação é o Supremo", afirmou Cunha Lima, que é advogado de formação.

O poder uniu Bernardo e Gleisi. E os destruiu

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O primeiro envolvimento de Paulo Bernardo com uma ação nada republicana foi o recebimento de R$ 30 mil desviados da Prefeitura de Londrina, então sob o comando de Antônio Belinati, em 1998. Liberado por um assessor de Belinati e na forma de cheque, o dinheiro foi usado para financiar a campanha em que Bernardo tentava o terceiro mandato de deputado federal, que ele não obteve, e lhe custou uma ação penal, trancada pelo Tribunal de Justiça do Paraná.
Bernardo alegou que não tinha como saber que a origem do dinheiro era criminosa. O receptador do pagamento foi André Vargas, então um obscuro militante petista e de profissão incerta e não sabida.
Bernardo e Vargas foram unidos, e muito, até que o juiz Sérgio Moro os separou: Vargas foi condenado a dez anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro desviado da Caixa Econômica. Bernardo, denunciado à Lava Jato por intermediar a injeção de R$ 1 milhão na campanha de Gleisi desviado da Petrobras, complicou-se com a descoberta de que a contratação marota de uma empresa pelo Ministério do Planejamento, que ocasionou o desvio de R$ 100 milhões, abasteceu sua conta pessoal em pelo menos R$ 5,5 milhões, financiou atividades de Gleisi e irrigou o caixa do PT e de petistas. Foi preso hoje. E Gleisi, a “soldada do Planalto” e feroz (e na maioria das vezes ridícula) defensora de Dilma na comissão de impeachment do Senado, foi denunciada pela Procuradoria Geral ao STF por corrupção passiva no caso do dinheiro desviado da Petrobras para sua campanha.
Nascido no interior de São Paulo, Bernardo foi dirigente do Sindicato dos Bancários de Londrina e milita no PT desde sua fundação. Destacou-se nacionalmente quando participou da CPI do Orçamento e, ao não renovar o mandato, foi indicado por Lula a ocupar a Secretaria de Fazenda do Mato Grosso do Sul, governado por Zeca do PT. Ficou lá – e lá se envolveu com a Consist, a empresa que contratou para desviar recursos do Planejamento, até a vitória de Nedson Micheleti em Londrina, dois anos depois – cuja campanha ele financiou parcialmente -, e então assumiu a Fazenda, de olho na volta à Câmara dos Deputados.
Bernardo e Gleisi, nascida em Curitiba, eram casados quando se conheceram. Ele, deputado federal, ela assessora parlamentar em Brasília – condição que preservou após assumir o relacionamento com ele. Com a ida do companheiro para Campo Grande, tornou-se secretaria estadual de Administração, transferindo-se para Londrina quando Bernardo se desincompatibilizou da prefeitura local para disputar uma vaga na Câmara. Com a posse de Lula – e retorno de Bernardo ao Congresso -, Gleisi assumiu a diretoria financeira de Itaipu, que deixou para disputar um cargo público. Enquanto não obtinha o mandato – o de senadora é o primeiro -, foi secretária de comunicação do PT paranaense e sua presidente regional.
Lula nomeou Bernardo ministro do Planejamento em 2005. Bernardo permaneceu no cargo até a vitória de Dilma, quando foi transferido para a chefia das Comunicações. Algum tempo depois, Gleisi, eleita senadora, assumiria a Casa Civil. O casal atingia o ápice da glória, tendo sido saudado, em reportagem de capa da Isto é, como o “mais poderoso da República”.
A carreira política de Bernardo está encerrada. A de Gleisi está com os dias contados, pois em breve deverá ser investigada pelo STF e está sujeita de responder também como cúmplice dos desvios praticados pelo marido no Planejamento. O processo, associado à degringolada do PT, selará sua sentença de morte.
A sede de poder uniu o casal Bernardo-Gleisi e os elevou aos píncaros da fama e da riqueza. O exercício inescrupuloso do poder os lançou ao pântano da desonra e os destruiu.


“É lamentavelmente inacreditavelmente, verdadeiramente”.
Absolutamente,
Reconhecidamente,
Inegavelmente,
Que esse País foi descoberto por pessoas de índole e mente perigosa e que o nosso futuro a Deus dará?”

Bancada do PT se solidariza com Gleisi, vê abuso de poder e desvio de foco Senadores afirmam que prisão do marido da senadora foi feita na frente dos filhos menores do casal, sem autorização do STF e nem da PGR. Segundo eles, isso afronta Estado democrático de direito por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 23/06/2016 17:50, última modificação 23/06/2016 17:58

AGÊNCIA SENADO
Gleisi Hoffmann
Gleisi não foi ao Senado nesta quinta-feira para ficar com os filhos, que assistiram à entrada da PF em sua casa
Brasília – A bancada do PT divulgou, na tarde de hoje (23), nota de solidariedade à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e sua família, pela prisão do marido dela, Paulo Bernardo. Os parlamentares petistas denunciaram o que chamaram de “claro abuso de poder cometido pela Polícia Federal ao invadir a casa da senadora na presença dos seus filhos menores”. Paulo Bernardo, ex-ministro das pastas de Planejamento e de Comunicações, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, foi um dos alvos da Operação Custo Brasil, um dos desdobramentos da Lava Jato.
Segundo os parlamentares, a casa da senadora e do marido foi invadida pela PF sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e, por este motivo, foram usurpadas atribuições constitucionais exclusivas do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Desde que foi anunciada a nova operação, que juntamente com a ação contra Paulo Bernardo resultou na expedição de outros 65 mandados judiciais – entre prisões, tomadas de depoimentos e buscas e apreensões de documentos – a repercussão do caso foi imediata no Congresso Nacional. Sobretudo, em torno da senadora.
Gleisi não compareceu ao Senado nesta quinta-feira. Falou pelo telefone com os colegas explicando sua ausência na comissão especial do impeachment e disse que queria dedicar o dia para dar maior atenção aos filhos.

Desvio de foco

No documento, os senadores petistas consideram estranho que a prisão de Paulo Bernardo tenha ocorrido “no momento em que a nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório, o qual se instalou justamente para tentar paralisar as investigações da Lava Jato”.
No entendimento da bancada, conforme a prisão do ex-ministro e a invasão da sede do PT em São Paulo são iniciativas que desviam o foco da opinião pública do governo – “claramente envolvido em desvios, para a oposição democrática, que sempre buscou a apuração de todos os fatos com isenção e transparência”.
Leia a íntegra.
A bancada de senadoras e senadores do Partido dos Trabalhadores vem a público manifestar total solidariedade à senadora Gleisi Hoffmann e sua família em face da prisão de seu marido, Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e das Comunicações, cuja residência foi objeto de ação de busca e apreensão pela Polícia Federal.
A bancada estranha que tal prisão tenha ocorrido no momento em que a Nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório, o qual se instalou justamente para tentar paralisar as investigações da Lava Jato. No entendimento da bancada, tal prisão e a invasão da sede do PT desviam o foco da opinião pública do governo claramente envolvido em desvios, para a oposição democrática, que sempre buscou a apuração de todos os fatos com isenção e transparência.
A bancada lembra, a esse respeito, que foram os governos do PT que aperfeiçoaram os mecanismos de combate à histórica corrupção em nosso país.  Por isso, a bancada não teme quaisquer investigações, desde que sejam efetuadas com isenção e com o devido respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana e aos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.
Entretanto, a bancada repudia, com veemência, o claro abuso de poder cometido. A residência oficial da Senadora Gleisi Hoffmann foi invadida, na presença de seus filhos menores, pela Polícia Federal, sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal. Com isso, usurparam-se atribuições constitucionais exclusivas do STF e da Procuradoria-Geral da República. Trata-se de fato gravíssimo, que atenta contra o Estado Democrático de Direito.
Por último, a bancada das senadoras e dos senadores do PT manifesta apoio irrestrito a uma de suas senadoras mais atuantes na defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro, hoje ameaçados por um governo ilegítimo, autoritário e retrógrado.
Brasília, 23 de junho de 2016

José Pedriali -

José Pedriali -