quinta-feira, 23 de junho de 2016

Ex-ministro Paulo Bernardo é preso pela Polícia Federal

Um mandado de busca e apreensão também está sendo cumprido na casa de sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann, em Curitiba 
23/06/2016 - 07h17min | Atualizada em 23/06/2016 - 08h14min

Ex-ministro Paulo Bernardo é preso pela Polícia Federal  Edilson Alves/RBS TV
Foto: Edilson Alves / RBS TV

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira, o ex-ministro Paulo Bernardo, em Brasília. Mandados de busca e apreensão também estariam sendo cumpridos na casa da senadora Gleisi Hoffmann, em Curitiba, e outro no diretório do PT, em São Paulo — viaturas estão estacionados em frente aos dois endereços.
Batizada de "Custo Brasil", a operação é um desmembramento da 18ª fase daOperação Lava-Jato e cumpre, no total, 65 mandados judiciais em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal. Do total de mandados, 11 são de prisão preventiva40 de busca e apreensão e 14  de condução coercitiva, quando a pessoa é levada a prestar depoimento. 


De acordo com nota divulgada pela PF, há "indícios de que o ministério direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados", interessados na concessão desse tipo de crédito.
O inquérito foi aberto em dezembro de 2015, após a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a documentação recolhida na 18ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Pixuleco 2, fosse encaminhada para investigação em São Paulo.
De acordo com as investigações, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos –fictícios ou simulados.
Os investigados responderão, de acordo com suas ações, pelos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.
Os presos e o material apreendido serão encaminhados à sede da Polícia Federal em São Paulo. As pessoas conduzidas coercitivamente são ouvidas nas instalações da PF mais próximas dos locais em que forem encontradas.
A Polícia Federal dará uma entrevista, às 11h, no auditório da Superintendência Regional em São Paulo.

Dilma: “Governo se diz de salvação nacional, mas é de salve-se quem puder”

Ao EL PAÍS, presidenta afastada chama Michel Temer e aliados de "horda de hunos"
Petista, falando no Alvorada, volta a acenar com plebiscito sobre novas eleições
Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada.
Brasilia
Um bando de pássaros coloridos atravessa o jardim do Palácio da Alvorada, em Brasília. Aqui mora — de certa forma reclusa — a presidenta afastada Dilma Rousseff. Em uma galeria futurista de pedra azul, há dois garçons com um carrinho com o café. Uma calma absoluta recai sobre o entardecer. Não há o burburinho de funcionários públicos nem secretários que entram e saem pelas dependências. Não se ouvem telefonemas estridentes de salas remotas. É uma terça-feira de trabalho normal na capital política de um país conturbado, mas quem imaginaria. A entrevista acontece na biblioteca, onde Dilma chega com um sorriso pintado na boca. Posa gentilmente para as fotos, faz piadas, elogia o jardim, o ar quente de Brasília no começo do inverno. Parece estar com um humor muito melhor do que há alguns meses, em um encontro anterior, quando ainda comandava o Brasil. Ela ri ao ouvir o comentário.
Bem, o que você realmente quer perguntar é por que não estou arrancando os cabelos de raiva, certo?
— Simplesmente saber por que não está mais triste.
— Não estou triste porque estou lutando por meus direitos. Quando alguém se sente vítima de uma injustiça deliberada — e a minha é deliberada —, a vontade de lutar dá sentido à vida. Sei que estou no lado certo da história. E eles não.
“Eles” são o presidente interino Michel Temer e seu novo Governo. Em 13 de maio, Dilma deixou o Palácio do Planalto, sede oficial da presidência, obrigada devido à abertura de um processo de impeachment que atualmente tramita no Senado e que será concluído, quase certamente, em meados de agosto, com uma votação definitiva. Ocorrerá após a abertura dos Jogos Olímpicos, para os quais, aliás, ainda não foi convidada. O novo Governo não lhe consultou nem a consulta para nada. Ela afirma que sua vida mudou, especialmente pelo fato de já não ter “o poder da caneta, da decisão”. Preenche sua agenda com debates e eventos públicos em diferentes partes do país, com sua presença em redes sociais, atendendo visitas em seu encantador Palácio da Alvorada ou na preparação de sua defesa no Senado para tentar voltar ao poder, seu objetivo e quase uma obsessão. Sua expressão endurece ao lembrar do novo Governo do presidente Temer, seu antigo aliado, e ao qual classificou reiteradamente de “traidor” e “capitão dos conspiradores”.
Dilma Rousseff no entardecer no Alvorada. VANESSA ANHOLETE
— Entraram no Governo como uma horda de hunos.
— Por quê?
— Você não pode entrar no Governo e rasgar o programa eleitoral que foi votado por 54 milhões de pessoas. Extinguem o Ministério da Cultura. Depois voltaram atrás, mas o que eles acham que devem fazer é o que fazem primeiro. Querem fazer uma reforma da Previdência que não prevê o aumento da inflação para os que ganham salário mínimo, que são 70%. E querem privatizar a Petrobras...
— Ainda não fizeram nada disso...
— Mas querem. Eles querem acabar com o pré-sal (uma gigantesca jazida de petróleo localizada abaixo do leito do mar) modificando o sistema de exploração para favorecer as grandes empresas. E querem acabar com a política de saúde e educação. Não têm legitimidade, mas já enviaram ao Congresso uma medida que compromete nesses setores não só o futuro de dois anos, o que já é um absurdo, mas de 20.
— Que medida?
— A que limita as despesas em educação e saúde ao que foi gasto no ano anterior mais a inflação. O Brasil não é um país de população idosa. Pelo contrário: é de uma crescente população jovem. De modo que isso equivale a reduzir os gastos de educação per capita sistematicamente.
— Mas os mercados parecem ter se acalmado.
— Você acredita nisso? Eu acho que os mercados são bastante realistas, e até agora não mostraram nenhuma euforia. Este Governo tem três ministros que já caíram e algum outro engatilhado. E todos pelo mesmo motivo: a corrupção. E isso coloca o Governo em uma situação complicada. É um Governo que se diz de salvação nacional, mas, na realidade, é de salve-se quem puder?
— Vai conseguir convencer os senadores necessários para voltar? Acredita que irá voltar?
— Luto para voltar. É crucial para convencê-los. Para isso usamos o oxigênio do debate, para matar os parasitas da democracia. Devemos mostrar o que está em jogo aqui. Não é só o impeachment. É a história. A história está sendo registrada. O sistema político brasileiro está em colapso: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está afastado do cargo. O procurador-geral pediu para prender o presidente do Senado, Renan Calheiros. Minha volta tem a ver com meu mandato, mas também com a reconstrução da democracia no Brasil. É preciso perguntar o que o povo quer. Não estou dizendo que, se voltar, vai haver uma consulta popular. Estou dizendo que, para que haja uma consulta popular, é preciso que eu volte. Porque o meu mandato é legítimo. E o dele não é.
— Por que não fez essa consulta antes?
— Não tinha sentido. Meu mandato era legítimo.
— Mas estava a caminho do impeachment, sua impopularidade era enorme e havia manifestações com milhares de pessoas contra seu Governo...
— Mas tinha 54 milhões de votos. Em qualquer país do mundo, o fato de ser impopular em um regime presidencialista não leva a novas eleições.
— O que vai fazer diferente caso volte ao poder?
— Não haverá mais acordos com essa coalizão (o PMDB de Michel Temer e de Eduardo Cunha e outros partidos de centro que votaram a favor do impeachment). Isso acabou no país. Se voltar, tenho de pensar em como entregar o Brasil ao novo presidente eleito. Teremos que discutir se é possível governar com 35 partidos, se é possível governar sem fazer uma reforma política antes.
— E por que não a fez antes?
— Tentei em 2013. Mas não consegui. Não acredito que o Congresso que governa o Brasil agora aprove uma reforma política.

Polícia encontra 3 quilos de feijão na casa de Paulo Bernardo




Ostentação. Assim a Polícia Federal definiu a despensa do ex-ministro Paulo Bernardo. Preso hoje pela manhã em mais uma fase da operação Lava-Jato, ele tinha nada menos do que três quilos de feijão na sua cozinha.
“Nunca vi uma ostentação dessa magnitude. Além de feijão, ele tinha também Kinder ovo e tinta de impressora novinha”, disse um dos agentes.
O feijão subiu nada menos do que 35% só este ano. No Rio, consumidores já contratam carro forte para levar as compras para casa, com medo de assalto. A Kopenhagen já anunciou que fará um ovo sabor feijão na próxima páscoa, que está sendo considerado o objeto mais caro da história humana.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

“É lamentavelmente inacreditavelmente, verdadeiramente”.
Absolutamente,
Reconhecidamente,
Inegavelmente,
Que esse País foi descoberto por pessoas de índole e mente perigosa e que o nosso futuro a Deus dará?”

"Dono de avião" entregou propina para Campos e Bezerra Coelho, diz MPF

Em parecer, procurador detalha o esquema de pagamento de suborno para políticos em dinheiro vivo

O Ministério Público Federal atesta, com base em informações da Operação Turbulência, que o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, dono do avião que caiu durante campanha presidencial de 2014 com Eduardo Campos, em Santos, foi reconhecido por ex-funcionários da Camargo Correia como sendo a pessoa encarregada de entregar propina devida pela construtora ao ex-governador de Pernambuco e ao senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).


Correio teve acesso à integra do inquérito da Polícia Federal que desencadeou a Operação Turbulência. Em parecer encaminhado à juíza da 4ª Vara Federal Amanda Torres Lucena da Justiça Federal em Pernambuco, no dia 16 de junho, que expediu os mandados de prisão contra cinco líderes do grupo criminoso, o procurador da República Cláudio Henrique Dias detalha o esquema de pagamento de suborno para políticos em dinheiro vivo. “(João Carlos Pessoa de Melo Filho) Foi também reconhecido pelos ex-empregados da Camargo Correia como sendo a pessoa encarregada de entregar a propina devida por aquela empreiteira ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho em virtude das obras na refinaria Abreu e Lima”, atesta.




O MPF diz, com base nas informações da PF, que João Carlos controla as movimentações “de branqueamento de recursos através das contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, sendo autor de diversas operações financeiras suspeitas”. O inquérito da Polícia Federal, que utilizou informações compartilhadas pela Lava-Jato, também envolve a empreiteira OAS. João Carlos “foi reconhecido pelos operadores financeiros Roberto Trombeta e Rodrigo Morales como viabilizador da venda de dinheiro em espécie para pagamento de vantagens indevidas pela OAS, cobrando taxa de 2% sobre o montante total e indicado às contas de diversas pessoas físicas e jurídicas para o recebimento dos recursos”.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, garante que não houve caixa 2. Ele alega que o partido tem “plena confiança na conduta do nosso querido e saudoso Eduardo Campos.” Fernando Bezerra Coelho declarou, por meio de nota, que “repudia” a vinculação dele ao caso. Apesar de ser citado nos autos, a assessoria do parlamentar comunicou em nota que “o senador não é sequer mencionado nos autos da investigação”. Ele diz que não foi coordenador das campanhas de Eduardo em 2010 e 2014.

Empresário foragido da Operação Turbulência é encontrado morto

22/06/2016 21h40 - Atualizado em 23/06/2016 06h40

Paulo Cesar Morato era apontado como 'laranja' em esquema criminoso.

Polícia Federal vai acompanhar investigações de peritos criminais.

Katherine Coutinho e Bruno MarinhoDo G1 PE
O empresário Paulo Cesar de Barros Morato foi encontrado morto na noite desta quarta-feira (22), em um motel no bairro de Sapucaia, em Olinda, Região Metropolitana do Recife, de acordo com a Polícia Federal (PF). Morato era considerado foragido pela PF desde terça (21), quando foi deflagrada a Operação Turbulência.
"Quem vai cuidar da investigação por enquanto é a Polícia Civil. Mas já foi designado um policial federal para acompanhar os trabalhos da perícia. Se for constatado que as circunstâncias da morte têm ligação com a Operação Turbulência, aí Polícia Federal pode entrar nas investigações", afirmou o assessor de comunicação da PF, Giovani Santoro.
Ainda não se sabe a causa da morte de Morato. A delegada Gleide Ângelo deixou o motel por volta das 23h10, dizendo apenas que "não poderia passar nenhuma informação no momento". O carro do empresário foi encaminhado para o Departamento do Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em conversa com um policial civil, o Jornal da Globo apurou que o corpo não tinha sinais de violência. Ele foi encontrado em cima da cama, junto com os documentos, R$ 3 mil e um relógio avaliado em R$ 10 mil.
A equipe do Instituto de Criminalística (IC) também esteve no local, mas os peritos não quiseram dar entrevista à imprensa. "Ainda vão ser feitos exames adicionais, então não podemos falar nada no momento. A delegada Gleide Angelo está investigando o caso e, no momento oportuno, dará uma coletiva", limitou-se a dizer a perita Vanja Coelho.
Corpo do empresário Paulo César Morato foi encontrado em motel, em Olinda (Foto: Bruno Marinho/G1)Corpo do empresário Paulo César Morato foi encontrado em motel, em Olinda (Foto: Bruno Marinho/G1)
O veículo do Instituto de Medicina Legal (IML) saiu do motel com o corpo do empresário às 22h40.
Procurada pelo G1, a advogada do empresário, Marcela Moreira Lopes, afirmou que ele já havia tentado suicídio anteriormente.
De acordo com o advogado do motel, Higínio Luís Araújo Marinsalta, a polícia foi acionada por funcionários do estabelecimento. "Como ele não tinha avisado se iria renovar a diária, os funcionários fizeram contato telefônico e, como não houve retorno, bateram na porta. Também não obtiveram resposta. Aguardaram mais um período e, à tarde, entraram no quarto, identificando que ele já estava em situação cadavérica. Eles, então, fizeram o procedimento padrão e chamaram a polícia", afirmou.
Um policial civil que participou da ocorrência e prefere não ser identificado contou ao G1 que o empresário deu entrada sozinho no motel na terça, por volta das 12h30, e que o corpo não tinha marcas de violência. A polícia foi acionada às 19h desta quarta.
Carro do empresário Paulo Cesar Morato foi levado pela Polícia Civil (Foto: Bruno Marinho/G1)Carro do empresário Paulo Cesar Morato foi levado pela Polícia Civil (Foto: Bruno Marinho/G1)
Na terça, os policiais federais prenderam quatro pessoas - Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal, Apolo Santana Vieira e João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho. A operação investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro, que pode ter financiado a campanha política do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014. Nesta quarta, o G1teve acesso ao inquérito, que aponta que Campos e o senador Fernando Bezerra Coelho receberam propina do dono do avião, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Morato era o “verdadeiro responsável pela empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem LTDA”. Segundo o inquérito da PF, por meio desta e outras pessoas jurídicas, Morato teria “aportado recursos para a compra da aeronave PR-AFA (que caiu com Campos, em 2014) e recebido recursos milionários provenientes de empresas de fachada utilizadas nos esquemas de lavagem de dinheiro, engendrados por Alberto Yousseff, Rodrigo Morales e Roberto Trombeta, além de provenientes da construtora OAS”.
A Câmara & Vasconcelos é apontada pelo inquérito como a empresa que recebe da OAS o montante de R$ 18.858.978,16. O documento afirma que "chama a atenção" o repasse de recursos milionários de quase R$ 19 milhões para "uma empresa fantasma, a qual possui 'laranjas' confessos em sua composição societária, o que representa um claro indicativo de lavagem de dinheiro".
Operação
operação teve início com investigaçõessobre a compra do avião, logo após o acidente que matou Campos e outras seis pessoas, mas chegou a um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$ 600 milhões, segundo a PF.
Esse montante seria alimentado por recursos de propinas e usado por firmas de fachada e sócios “laranjas” para fazer a lavagem de dinheiro.
A PF investiga, agora, a relação entre essas empresas citadas na Turbulência e grupos já envolvidos na Operação Lava Jato e em investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF).
PF recolheu em casas e escritórios, alvos de mandados de busca e apreensão durante a operação, sete automóveis de alto luxo, 45 relógios de marcas internacionais famosas, além de R$ 3,6 milhões, dólares, revólveres e uma espingarda.Também foram apreendidos dois barcos, dois helicópteros e um avião.

Ex-ministro Paulo Bernardo é preso em Brasília pela Lava Jato

23/06/2016 06h59 - Atualizado em 23/06/2016 08h16

Paulo Bernardo foi preso em desmembramento da 18ª fase da operação. 
PF cumpriu mandado de busca na casa de Gleisi Hoffmann, em Curitiba.

Adriana Justi e Camila BomfimDo G1 PR e da TV Globo em Brasília

O ex-ministro Paulo Bernardo e a senadora Gleisi Hoffman, que são casados. PF cumpre mandado de busca na casa da senadora Gleisi e prendeu o marido dela (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil; Jefferson Rudy/Agência Senado)
O ex-ministro Paulo Bernardo e a senadora Gleisi Hoffman, que são casados. PF cumpre mandado de busca na casa da senadora Gleisi e prendeu o marido dela (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil; Jefferson Rudy/Agência Senado)

O ex-ministro do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro governo Dilma, Paulo Bernardo, foi preso nesta quinta-feira (23) em um desmembramento da 18ª fase da Operação Lava Jato, em Brasília.  Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência do governo Dilma, também é alvo. Ele foi levado em condução coercitiva para prestar depoimento e depois deve ser liberado.
Carro da PF em Curitiba (Foto: Sérgio Tavares/ G1)PF cumpriu mandado de busca no apartamento
da senadora Gleisi (Foto: Sérgio Tavares/ G1)
A operação foi batizada de "Custo Brasil" e cumpre 65 mandados judiciais em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal.
Do total de mandados nesta quinta, 11 são de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14  de condução coercitiva, quando a pessoa é levada a prestar depoimento. Um dos mandados de busca foi cumprido na casa da senadora Gleisi Hoffmann, no bairro Água Verde, em Curitiba.
Policiais federais também estão na sede do PT no Centro de São Paulo. Os presos e o material apreendido serão encaminhados à sede da Polícia Federal, na capital paulista.
A PF informou que o objetivo da operação é apurar o pagamento de propina referente a contratos de prestação de serviços de informática no valor de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários e agentes públicos ligados ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).
Há indícios de que o MPOG direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados, interessados na concessão de crédito consignado, de acordo com as investigações.
"Segundo apurou-se, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no MPOG por meio de outros contratos - fictícios ou simulados", diz a PF.
Os crimes investigados na operação são de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.
PF realiza ação relacionada a desdobramento da 18ª fase da Lava Jato (Foto: Sergio Tavares/ G1)PF realiza ação relacionada a desmembramento da 18ª fase da Lava Jato (Foto: Sergio Tavares/ G1)
Inquérito
A Polícia Federal indiciou Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, ao concluir o inquérito sobre as suspeitas de que dinheiro desviado da Petrobras abasteceu em 2010 a campanha ao Senado da parlamentar.
A PF afirma ter indícios suficientes contra Gleisi e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, por suposto envolvimento em crime de corrupção.
As conclusões da Polícia Federal foram anexadas ao inquérito 3979, que tramita no Supremo Tribunal Federal , na Operação Lava Jato.
A PF entendeu que há indícios suficientes de que a campanha de Glesi recebeu R$ 1 milhão em propina. Um novo delator , Antonio Carlos Pieruccini, informou que transportou o dinheiro, em espécie, de São Paulo para Curitiba em quatro viagens e que entregou a quantia para Ernesto Kugler,  empresário que seria próximo de Gleisi.
Segundo a PF, as entregas ocorreram na casa de Kugler e em empresas das quais é sócio.
E que o empresário e o então tesoureiro da campanha de Gleisi, Ronaldo da Silva Baltazar,  se falaram por telefone pelo menos 25 vezes.
Segundo o relatório da Polícia Federal, ao qual a TV Globo teve acesso, o suposto pedido de dinheiro para a campanha de Gleisi teria sido feito ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa quando Paulo Bernardo era ministro do Planejamento do governo Lula e só porque o ex-ministro teria conhecimento do esquema de desvios na Petrobras.
Assessoria contesta
A assessoria de imprensa da senadora Gleisi Hoffmann, que responde pelo casal, informou por meio de nota que as provas do inquérito demonstram que ela e o marido não receberam dinheiro
"Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor pela senadora Gleisi Hoffmann ou pelo ex-ministro Paulo Bernardo", afirma o texto da nota.
Segundo a assessoria, "são inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que cinco versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram".
Indiciamento
O indiciamento – do qual a senadora foi objeto – é previsto em lei somente para inquéritos conduzidos pela polícia. O ato de indiciar torna uma pessoa oficialmente suspeita de ter cometido um crime.
Em 2006, o Supremo Tribunal Federal firmou um entendimento pelo qual deputados e senadores não podem ser formalmente indiciados pela polícia – somente podem ser acusados pela Procuradoria Geral da República.
A defesa de Gleisi Hoffmann vai questionar o indiciamento da senadora no Supremo a fim de provocar a discussão sobre se a PF pode ou não indiciar.
Atualmente, o Supremo tem uma composição diferente da de 2006 e, por essa razão, após o questionamento da defesa da senadora, há possibilidade de o entendimento vir a ser revisto.
Delação
A acusação faz parte da delação do doleiro Alberto Youssef, que afirmou ter recebido determinação do ex-diretor Paulo Roberto Costa para entregar R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi Hoffman do Paraná.
Isso teria sido feito em um shopping de Curitiba. A quantia teria sido entregue pessoalmente por Yousseff a um homem. Youssef afirmou que Gleisi sabia de todo o esquema. E que  Paulo Bernardo pediu um "auxílio" na campanha da mulher.

Gleisi e Bernardo negaram, ainda, solicitações de doações ao doleiro Alberto Youssef. À PF, Paulo Bernardo disse que não fez qualquer pedido de "auxílio" a Costa para a campanha de Gleisi.
Depoimentos

Em depoimentos à Polícia Federal em abril do ano passado, a senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela e ex-ministro Paulo Bernardo negaram irregularidades na arrecadação para a campanha da petista ao Senado em 2010.
Questionado sobre as anotações "PB" e "1,0", encontradas na agenda de Paulo Roberto Costa apreendida pela Polícia Federal, o ex-ministro disse não ter conhecimento das anotações.
Em depoimento à Justiça, Costa afirmou que as anotações diziam respeito ao valor de R$ 1 milhão repassados a Paulo Bernardo para a campanha da petista ao Senado.
Em seu depoimento, Gleisi Hoffmann também disse desconhecer as anotações na agenda de Costa. Ela afirmou ainda que o empresário Ernesto Kugler participou de alguns eventos da campanha de 2010, mas que năo atuou na captação de recursos.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Promotoria denuncia 4 por crime de racismo contra Maju

Internautas escreveram posts pejorativos sobre a cor da pele da repórter em uma publicação que continha a foto dela com a previsão do tempo para o dia seguinte.



JUSTIÇA CRIMEHÁ 1 HORAPOR



O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta terça-feira, 21, quatro investigados pelo crime de racismo contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo. Érico Monteiro dos Santos, Rogério Wagner Castor Sales, Kaique Batista e Luis Carlos Félix Araújo também são acusados de falsidade ideológica, injúria, corrupção de menores na internet e associação criminosa na internet.


A denúncia foi divulgada pelo repórter Walace Lara, da TV Globo.
Maju, como a jornalista é conhecida, foi alvo de comentários racistas em julho de 2015, na página oficial do Jornal Nacional, no Facebook.
Internautas escreveram posts pejorativos sobre a cor da pele da repórter em uma publicação que continha a foto dela com a previsão do tempo para o dia seguinte.
Segundo a Promotoria, os quatro "juntamente com outras pessoas ainda não identificadas nos autos, associaram-se para formar uma sociedade criminosa cibernética, visando ao cometimento de crimes de falsidade ideológica e, posteriormente, de racismo, de injúria qualificada e de corrupção de menores, com estabilidade e permanência, no denominado ciberespaço".
"Para tanto, valeram-se de dados falsos, por eles próprios imaginados, com os quais abriram contas na rede mundial de computadores (internet) em nomes de terceiros, já indicados acima como nicknames, omitindo-se dados verdadeiros, seus nomes e demais dados qualificativos reais nas referidas aberturas de "contas". Tal providência tinha como um dos objetivos a autoproteção e a busca da impunidade, dificultando sua identificação, especialmente porque pretendiam valer-se de tais identidades falsas para a criação de grupos do Facebook que se caracterizavam como verdadeiras gangues virtuais", aponta a denúncia. Com informações do Estadão Conteúdo.