sábado, 18 de junho de 2016

Cidadão decreta estado de calamidade para não pagar suas contas


Em resposta ao decreto emitido pelo governador interino do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, onde ele coloca o Rio de Janeiro em estado de calamidade pública, um cidadão acaba de decretar estado de calamidade privada e assume que não poderá honrar com seus compromisso e pagar suas contas e dívidas.
O cidadão, que não quis se identificar, comunicou aos bancos e prestadores de serviço que não tem dinheiro para pagar as despesas do mês e que está aguardando um aporte financeiro do governo para poder honrar suas dívidas.
Outros cidadãos estão seguindo o exemplo e também estão decretando estado de calamidade privada e aguardam também um jantar com Temer para resolverem suas vidas

Advogado de delatores diz que governo Temer está refém da Lava Jato

Figueiredo Basto, que tem vinte clientes delatores na operação, defende que o presidente peemedebista deve “bancar seus atos”


POLÍTICA EFEITO DELAÇÃOHÁ 6 MINS
POR NOTÍCIAS AO MINUTO



O advogado Figueiredo Basto, que conta vinte clientes delatores na Lava Jato, disse em entrevista à Folha de S.Paulo que Michel Temer está refém da operação e ainda ressalta que o presidente interino peemedebista não pode se submeter ao que é veiculado na imprensa.


“Está refém da opinião pública e da operação. O governante tem que bancar seus atos e trabalhar com quem confia. Não pode ficar à mercê de um órgão ou do que é divulgado na imprensa para escolher quem estará ao seu lado. O mais importante é ter gente competente para trazer governabilidade ao país”, comentou.
Figueiredo acredita que, ao mesmo tempo que a Lava Jato é benéfica para o país, a operação está dificultando a saída da crise. “Passou da hora de o chefe do Executivo se portar de maneira firme e não se preocupar em agradar quem quer que seja no âmbito da Lava Jato. A operação é fundamental para esclarecer crimes. Mas uma coisa é investigar corruptos, outra é influenciar a atividade política do Estado”, pontuou.
O governo Temer teve três ministros exonerados após a delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

SUPREMO Rosa Weber arquiva processo que questionava o uso do termo 'golpe' por Dilma Notícia do arquivamento não foi destaque da mídia, diferentemente de quando a ministra do STF determinou que Dilma fosse notificada, em processo usado por deputados apenas para produzir um fato político por Eduardo Maretti, da RBA

ROSINEI COUTINHO/STF
Rosa Weber
Rosa Weber esclareceu, no relatório, que Dilma não era nem sequer obrigada a responder questionamento
São Paulo – A ministra Rosa Weber arquivou o processo pelo qual alguns deputados pediram ao Supremo Tribunal Federal, no dia 5 de maio, que a presidenta afastada Dilma Rousseff explicasse o uso do termo “golpe de Estado” para se referir ao impeachment. Diferentemente do dia 18 de maio, quando a ministra do STF determinou que Dilma fosse notificada, fato que estampou manchetes em todo o país, o arquivamento desta semana passou praticamente despercebido pela mídia.
A imprensa também não destacou que Dilma nem sequer precisaria ter respondido a interpelação e que, ao responder, ela foi além do que a lei exige. Se ela não respondesse, o processo seria arquivado do mesmo jeito.
No próprio relatório do dia 18 de maio, Rosa Weber explica que Dilma não era obrigada a responder e teria quatro alternativas para reagir à interpelação: “poderá, querendo, atender ao pedido formulado; poderá, igualmente, a seu exclusivo critério, abster-se de responder, deixando escoar o prazo; poderá, ainda, em atenção ao Poder Judiciário, comunicar-lhe as razões pelas quais entende não ter o que responder; poderá, finalmente, prestar as explicações solicitadas”, escreveu a relatora.
A interpelação é prevista no Código Penal para que o cidadão que se considere objeto de calúnia, ofensa ou difamação possa pedir esclarecimentos a quem ofende. Se o ofendido julgar que não foi devidamente esclarecido, ele pode então mover ação contra o autor da ofensa. Dilma, no caso, teria ofendido a Câmara.
Em outras palavras, a interpelação contra o uso do termo “golpe” por Dilma teve apenas o objetivo de provocar um fato político. O pedido foi de autoria dos deputados Claudio Cajado (DEM-BA), Julio Lopes (PP-RJ), Rubens Bueno (PPS-PR), Antônio Imbassahy (PSDB-BA), Pauderney Avelino (DEM-AM) e Paulinho da Força (SD-SP).
Já a ministra Rosa Weber, atacada por setores da mídia alternativa por ter notificado Dilma, não fez nada além do que o previsto formalmente. Era única coisa que ela ou qualquer outro ministro do STF tinha a fazer: encaminhar a notificação a Dilma e depois arquivá-la.

PEC DA MALDADE Dilma: 'Que programa seria eleito defendendo cortes na Saúde e na Educação?' Em Recife, presidenta atacou medidas do governo interino de Temer. "São dois os objetivos do golpe: impedir investigações e destruir políticas sociais" por Redação RBA

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Dilma criticou o congelamento do reajuste do Bolsa Família pelo governo Temer
São Paulo – “Os objetivos do golpe estão claros. Impedir que investigações cheguem até os golpistas e desmantelar, destruir todas as políticas sociais, políticas em defesa da soberania nacional e em defesa dos interesses coletivos e individuais”, afirmou hoje (17) a presidenta Dilma Rousseff em ato de defesa da democracia, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife. Com duras críticas ao governo interino de Michel Temer (PMDB), Dilma chamou o processo de impeachment de “esquema parasita que ataca a árvore da democracia”.
Dilma denunciou cortes nos programas sociais: “É gravíssima a situação quando sabemos que hoje eles não pagaram o reajuste do Bolsa Família. Tínhamos deixado os recursos e aprovado todas as condições. Vejam o preço do reajuste. Custa menos de R$ 1 bilhão. Ao mesmo tempo, eles concederam aumento para quem interessava. Deram aumento para servidores, algo que impactou em R$ 56 bilhões. Então, para os pobres, R$ 1 bilhão é muito e, para os ricos, R$ 56 bilhões é pouco. Isso mostra os objetivos do governo ilegítimo”.
De acordo com a presidenta, um dos objetivos centrais do golpe ganhou força ontem, quando o Executivo encaminhou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 247/2016), que prevê um limite de gastos do poder público. “Eles querem reduzir os gastos com a Saúde, Educação e programas sociais. Eles querem que por 20 anos, os gastos com estas áreas cresçam apenas a inflação. Isso significa que, a cada ano que passar, menos dinheiro vai sobrar para cada brasileiro e brasileira que pretende ingressar em todas as esferas educacionais”, afirmou.
A senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) também teceu críticas à "PEC da maldade", em suas palavras. Em vídeo divulgado via redes sociais, a senadora argumentou que as sanções previstas para os estados e municípios que descumprirem o limite de gastos trará prejuízos à população. “Quem não seguir o teto será punido com a proibição de reajustes salariais para servidores públicos e também será impedido de realizar novos concursos para contratações. Está virando realidade o que dizíamos. O golpe tem dois objetivos: parar a Lava Jato e tirar direitos.”
Para Dilma, está claro o porquê da necessidade de um golpe para implementar tal programa de governo. “O que eles planejaram, o programa deles, não passa pelo critério das urnas, não passa pelo voto de cada um de nós. Eles estão tentando encurtar o caminho do poder passando por cima do povo. Que programa seria eleito defendendo cortes na Saúde e na Educação?”, disse.
A presidenta ainda provocou setores da mídia em seu discurso: “Tem gente da imprensa que diz que esse governo provisório é de salvação nacional. Não é! É de salvação da pele deles”, afirmou, seguida de gritos do público: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”.

4 motivos que levaram o Rio a decretar estado de calamidade pública

Decreto a menos de 50 dias da Olimpíada vem em meio à crise política e epidemia de zika; objetivo é garantir verbas federais e permitir realocação de recursos.

Jefferson PuffDa BBC Brasil no Rio de Janeiro

 
 Governo diz que não estava conseguindo honrar compromissos com Jogos  (Foto: Reuters/Sergio Moraes)Governo diz que não estava conseguindo honrar compromissos com Jogos (Foto: Reuters/Sergio Moraes)
Na reta final para a Olimpíada, o Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública, chamando a atenção para a gravidade da crise que atinge as finanças do Estado menos de 50 dias antes de sediar para o maior evento esportivo mundial.
O decreto do governador em exercício Francisco Dornelles (PP), publicado nesta sexta-feira, cita a "grave crise econômica", a "queda da arrecadação do ICMS e dos royalties do petróleo", "severas dificuldades na prestação de serviços essenciais" e a possibilidade de um "total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental".
Além disso, o governador em exercício diz que a crise "vem impedindo o Estado de honrar compromissos com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos".
Para especialistas consultados pela BBC Brasil, dois fatores explicam como o Rio de Janeiro chegou ao rombo de R$ 19 bilhões em suas contas: a queda na arrecadação e no recebimento dos royalties pela exploração do petróleo e as falhas na gestão das finanças públicas estaduais.
Eles também veem dois pontos cruciais por trás do decreto de calamidade pública: a necessidade de obter verbas federais para custear obras olímpicas e pagar servidores ao menos até os Jogos e a abertura de caminho para que o governo estadual possa realocar recursos de serviços públicos essenciais, como saúde e segurança, de áreas periféricas para as regiões que sediarão as competições e concentrarão mais turistas.
A BBC Brasil lista quatro pontos-chave para entender a medida, que foi destaque na imprensa nacional e internacional:
1. Verbas federais
Dornelles se reuniu o presidente interino Michel Temer em Brasília na quinta-feira para pedir ajuda ao governo federal.
"Nós apresentamos ao presidente interino Michel Temer as preocupações do RJ no campo da mobilidade urbana e no campo da segurança. Pedimos tropas federais no Estado e ajuda para a finalização do metrô", afirmou o governador.
Diversos veículos de imprensa publicaram que, com o decreto, o governo federal irá viabilizar de forma mais rápida um socorro federal de R$ 2,9 bilhões ao Estado do Rio.
Os recursos seriam usados para finalizar a ligação Ipanema-Barra da linha 4 do metrô, pagar horas extras de policiais e garantir salários de servidores ao menos até os Jogos.
Segundo o governador, porém, "ninguém discutiu valor. O que houve foi um pedido do Estado do RJ em virtude de sua situação critica na área financeira".
Eduardo Paes, Michel Temer e Francisco Dornelles; autoridades dizem que Jogos não serão afetados  (Foto: Reuters/Sergio Moraes)Eduardo Paes, Michel Temer e Francisco Dornelles; autoridades dizem que Jogos não serão afetados (Foto: Reuters/Sergio Moraes)
Jucá Maciel, economista com pós-doutorado em finanças públicas pela Universidade de Stanford (EUA), diz que é nítido que o Rio não conseguirá sair da crise sozinho.
"O Estado do RJ vai precisar de ajuda da União, já que não consegue cumprir suas obrigações mínimas em dia, como pagamento de salários e aposentadorias. O rombo nas contas do Estado é de R$ 19 bilhões e só R$ 7 bilhões dizem respeito a dívidas, ou seja, somente deixar de pagar dívida, o que já ajuda outros Estados, no caso do RJ não faz muita diferença", afirma.
A Secretaria Estadual da Fazenda do RJ disse à BBC Brasil que o deficit atual é de R$ 19 bilhões e que, deste valor, R$ 12 bilhões dizem respeito a contas do Estado com a Rio Previdência e R$ 7 bilhões são de dívida pública. A pasta informou ainda que o orçamento do Estado para 2016 é de R$ 78,8 bilhões.
Para Álvaro Martim Guedes, professor da Unesp especialista em administração pública, o decreto aprovado por Dornelles é parte de um acordo firmado entre o RJ e a União. "Há uma pactuação do governo federal para que haja o repasse necessário para o RJ terminar as obras olímpicas sem passar pelo crivo do Legislativo", diz.
A conclusão da linha 4 do metrô necessita de mais R$ 1 bilhão - valor que o Estado do RJ já havia obtido junto ao BNDES. O empréstimo, no entanto, foi inicialmente vetado pelos deputados estaduais pelos impactos futuros na já combalida economia fluminense. Mesmo após liberado pela Alerj, no entanto, o repasse não foi autorizado pela Secretaria Nacional do Tesouro devido ao nível de endividamento do Estado do RJ, que legalmente o impedia contrair novos empréstimos com a União.
O custo total está estimado em R$ 9,77 bilhões, e a obra, a mais cara da Olimpíada, teve o valor elevado diversas vezes no decorrer dos trabalhos.
Funcionários trabalham nas obras da estação de metrô de São Conrado, No Rio de Janeiro. A estação faz parte da Linha 4, ainda em construção, que vai ligar a Barra da Tijuca à zona sul da cidade (Foto: Christophe Simon/AFP)Funcionários trabalham nas obras da estação de metrô de São Conrado, No Rio de Janeiro. A estação faz parte da Linha 4, ainda em construção, que vai ligar a Barra da Tijuca à zona sul da cidade (Foto: Christophe Simon/AFP)
Em visita ao Parque Olímpico nesta semana, Temer disse que a ajuda ao Rio estava sendo "equacionada" e que o governo federal colaboraria para o sucesso dos Jogos, inclusive de forma financeira.
Diante do não pagamento de salários de servidores e parcelamento de benefícios nos últimos meses, além da crise na saúde pública e na educação, o uso de verbas federais para quitar obras olímpicas pode causar desgaste ao governo estadual.
"(O decreto) tem o objetivo de obter mais recursos e direcioná-los para obras que não são prioritárias para a cidade. Enquanto isso, centenas de milhares de pessoas estão passando por necessidades básicas, tanto servidores e terceirizados que não recebem seus salários como a população em geral que sofre com a precarização dos serviços públicos", diz Renato Cosentino, pesquisador do IPPUR/UFRJ e membro do Comitê Popular de Copa e Olimpíadas.
2. Medidas excepcionais
Outro ponto para entender o decreto é a possibilidade de execução de medidas excepcionais sem autorização do Legislativo, como realocação de verbas e cortes de serviços para priorização de outras áreas.
O segundo artigo do decreto diz que "ficam as autoridades competentes autorizadas a adotar medidas excepcionais à racionalização de todos os serviços públicos essenciais com vistas à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016".
"Eu vejo como um ato de desespero do governador, para ter um mínimo de governabilidade, já que o Estado está sem caixa e totalmente engessado com rigidez nas despesas, o que impede cortes. O RJ não tem mais um orçamento, mas sim uma 'letra morta', sem capacidade de honrar nada", diz Álvaro Martim Guedes, da Unesp.
Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Guardas de trânsito trabalham durante passagem do VLT na Avenida Rio Branco (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
À dificuldade de cortes de despesas e queda na arrecadação, o que também ocorre em outros Estados brasileiros, no Rio de Janeiro somou-se a necessidade de garantir a realização dos Jogos Olímpicos.
Especialistas indicam que o decreto de Dornelles poderá representar, na prática, interrupção de serviços básicos em algumas áreas para realocar de forma temporária os recursos para os Jogos sem que isso passe pelo voto dos deputados estaduais.
"O que o governador quis fazer foi se precaver de cometer alguma ilegalidade durante os Jogos caso tenha que remanejar recursos de modo aparentemente sem critério. Pode-se imaginar a retirada de recursos de áreas periféricas para priorizar os locais com turistas, com possibilidade de transtorno. Assim garante-se equipes de saúde e segurança pública nas áreas onde ocorrem os Jogos, mas pode-se gerar um caos em outras áreas", diz Michael Mohallem, professor de direito da FGV-Rio.
3. Falhas na gestão das finanças públicas
Na visão dos especialistas, é impossível entender o cenário que levou o Estado do RJ a decretar estado de calamidade pública sem levar em conta falhas de gestão.
"O Rio de Janeiro quebrou por excesso de gastos obrigatórios, aumento de gastos com pessoal acima do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e não por endividamento. O governo fluminense também contou com receitas temporárias, como os royalties do petróleo, para expandir gastos permanentes, inchando a máquina", explica Jucá Maciel, especialista em finanças públicas.
O professor da FGV-Rio Michael Mohallem diz que a medida do governo do RJ é um "atestado de má gestão" e "passa uma imagem terrível para o mundo" às vésperas da Olimpíada.
"Como se não bastasse a imagem que o Brasil vem passando por conta do processo de impeachment e da epidemia de zika, a cidade olímpica vai entrar no período dos Jogos sob decreto emergencial", avalia.
Em nota, o governo do RJ disse que o decreto "é mais uma medida de transparência do Estado com relação à crise financeira" e que "trata-se, portanto, de um instrumento inserido em um conjunto de providências voltadas a demonstrar que o Estado não medirá esforços para otimizar a gestão pública".
No Twitter, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), disse que "o estado de calamidade decretado pelo Governo Estadual em nada atrasa as entregas olímpicas e os compromissos assumidos pelo Rio" e reiterou que as contas municipais estão em boa forma.
Já o Comitê Rio 2016 informou ao jornal O Globo que também não vê impactos. "É zero a chance dessa decisão impactar os Jogos Olímpicos. O próprio Estado foi transparente ao fornecer as informações relacionadas às finanças. Reconhecemos o impacto que a perda de receitas com a queda do preço do barril de petróleo teve sobre o tesouro estadual", disse Mário Andrada, diretor de comunicação do Rio 2016.
4. Queda na arrecadação, crise do petróleo e queda dos royalties
Citados no próprio decreto e sistematicamente repetidos pela administração estadual, a queda da arrecadação de ICMS em meio à crise nacional e os abalos sobre o setor do petróleo são, de fato, ingredientes cruciais que levaram o RJ ao momento atual, dizem especialistas.
A Secretaria de Fazenda do Estado do RJ informou que no acumulado dos últimos 12 meses a arrecadação de ICMS caiu em torno de 10%. Já o barril do petróleo, que nos últimos dez anos chegou a valer US$ 110, em 2015 caiu para US$ 40.
Somando-se a este cenário os abalos sobre a Petrobras com a operação Lava Jato e a queda dos royalties pelas atividades de exploração no RJ, o Estado amargou grandes perdas.
"Na minha opinião o Estado estaria quebrado neste momento independente de haver Olimpíada ou não. A dependência excessiva do petróleo, os impactos da crise nacional, a má gestão, o inchaço da folha de pagamento além do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, são todos fatores que levariam à quebra do Rio de Janeiro de qualquer forma", diz Jucá Maciel.

Governo do Rio negocia R$ 3 bi emergenciais para sair da crise




Em grave crise financeira, o governador interino Francisco Dornelles decreta estado de calamidade pública e negocia com o Planalto a liberação de R$ 3 bilhões emergenciais. Reunião na segunda definirá o assunto


Em uma ação articulada com o Palácio do Planalto, a 49 dias dos Jogos Olímpicos, o governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública. Publicado no Diário Oficial do Estado, o texto assinado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), aponta a “grave crise financeira no Estado do Rio de Janeiro, que impede o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016”.

Oficialmente, o Palácio do Planalto informou que o presidente em exercício, Michel Temer, não vai comentar o decreto de calamidade pública, mas haverá uma reunião com todos os governadores na próxima segunda-feira para discutir a crise financeira que sufoca os estados. Antes do encontro com o presidente interino, os chefes dos executivos estaduais serão recebidos pelo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, na Residência Oficial de Águas Claras (Leia mais na coluna Eixo Capital, página 22), para definir uma pauta fiscal comum. O principal pedido dos estados é a prorrogação dos prazos para pagamento das dívidas com a União.

Interlocutores do Planalto afirmam que Temer prefere a cautela em relação a maiores comentários para evitar um possível efeito cascata — que outros estados sigam o mesmo caminho para tentar pressionar o governo por mais recursos. Temer foi informado na noite de quinta-feira por Dornelles e pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de que o governo decretaria calamidade pública. O encontro ocorreu no Palácio do Jaburu e contou também com a presença do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e da secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi. Um dos temas discutidos foi a edição de duas medidas provisórias para permitir a liberação de recursos da União para o estado, que pleiteia R$ 3 bilhões em verba federal.

Os governos federal e estadual estudam desde a semana passada uma saída legal para que a União preste socorro financeiro emergencial ao Rio de Janeiro, a fim de garantir recursos ainda pendentes para a Olimpíada, além do dinheiro para pagar salários atrasados de servidores. Além disso, a equipe de Dornelles argumenta que a crise econômica “vem acarretando severas dificuldades na prestação dos serviços públicos, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental”.

A crise financeira do Rio já resultou no fechamento de algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outras estão negando atendimento. O atraso no pagamento dos funcionários fez o Hemorio (banco de sangue estadual) suspender a coleta de sangue em abril e o Instituto Médico Legal (IML) deixar de receber corpos em sua unidade principal, no centro, em 7 de junho, por falta de condições de trabalho. A Polícia Civil também restringiu o uso de combustível: um terço da frota de viaturas teve o abastecimento diário cortado.

Salários atrasados
Além do pagamento de salários de funcionários públicos, os recursos federais serão usados para pagar benefícios de policiais militares, como o Regime Adicional de Serviço (RAS), e para a conclusão da linha 4 do metrô, que fará a ligação entre Barra da Tijuca (Zona Oeste) e Ipanema (Zona Sul). O governo planejava usar como argumento para as duas medidas provisórias a situação crítica das finanças do Estado, agora explicitada com a decretação do estado de calamidade pública no setor. As MPs seriam usadas porque têm efeito imediato e já passam a vigorar enquanto tramitam no Congresso.

Neste mês de junho, o governo do Rio voltou a atrasar o pagamento de salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas do Poder Executivo. Sem dinheiro em caixa para pagar integralmente os vencimentos de maio, o estado anunciou que quitaria apenas 70% da folha de pagamento no último dia 14, com desembolso de R$ 1,1 bilhão.

O atraso atinge 393.143 mil servidores. Apenas os 85.737 funcionários ativos da Secretaria de Educação receberam integralmente no dia 14. Até agora não há data para pagar o valor restante — o governo fluminense anunciou que a data seria informada nesta semana. Não é a primeira vez que o Rio atrasa o pagamento dos servidores. Em abril, decidiu postergar para maio o pagamento dos vencimentos de março de parte dos servidores aposentados e pensionistas. Em ação movida pela Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) bloqueou R$ 649 milhões de contas bancárias do Estado para regularizar esse pagamento.

Os vencimentos foram pagos, mas o governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que os recursos depositados nas contas eram oriundos de financiamentos para investimentos e não poderiam, por lei, ser usados para pagar folha de pessoal.
 

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