segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ex-guerrilheiras contam em seminário memórias da luta contra as ditaduras Evento em Santo André reuniu 13 mulheres que atuaram em grupos de guerrilha nos anos 1960, algumas delas ao lado do lendário Ernesto Che Guevara, como a boliviana Loyola Guzmán

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Loyola: lutar para mudar a realidade de injustiça e opressão que havia em nossa sociedade
São Paulo – Uma história que quase não se conhece aconteceu há 50 anos, quando várias mulheres pegaram em armas para enfrentar as ditaduras na América Latina e no Caribe. Um seminário internacional em Santo André, chamado “A Justa Rebeldia das Mulheres na América Latina e Caribe”, reuniu entre quinta-feira (2) e ontem (4) 13 dessas guerrilheiras para contar aos jovens como foi importante a participação feminina na luta pela democracia em 16 países.
A ex-guerrilheira boliviana Loyola Guzmán, hoje com 74 anos, conta que participou quando tinha 24 anos, na década de 1960, da guerrilha de Ñacahuazú, comandada por Ernesto Che Guevara na Bolívia em 1966-1967.
Militante do Exército de Libertação Nacional, Loyola lutou contra o golpe militar que derrubou o governo de Víctor Paz Estenssoro. Ela foi presa e exilada. Viu amigos e o marido morrerem em combate. “Junto ao Che havia muito combatentes bolivianos, peruanos, cubanos, argentinos que, apesar das diferentes nacionalidades, tinham o mesmo objetivo: lutar para mudar a realidade de injustiça e opressão que havia em nossa sociedade”.
"Nós precisamos ser honestos com a nossa juventude para que eles conheçam o quanto nos lutamos para chegar até aqui e por isso não podemos retroceder", diz a secretária de Políticas para as Mulheres de Santo André, Silmara Conchão ao participar do seminário. As mulheres que participaram do seminário buscaram mostrar que os guerrilheiros lutavam por igualdade, democracia e direitos humanos, e não pertenciam a grupos criminosos como relatam alguns livros de História, com manipulação de dados e informações.

Plutocracia brasileira quer destruir o BNDES, o 'porta-aviões' da economia Esse é o destino para o qual aponta a provável aprovação, pelo órgão de fiscalização da União, do pretendido repasse de R$ 100 bilhões do banco ao Tesouro

ABR
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BNDES é uma instituição bem administrada, que deu lucro de R$ 6,2 bilhões no ano passado
Na falta do que fazer, alguns segmentos da plutocracia brasileira, que têm proventos gordos – em muitíssimos casos, de mais que o dobro do Presidente da República – e que, ao contrário de nós, trabalhadores comuns e empreendedores, contam com estabilidade no emprego, insistem em dar lições aos "políticos" e meterem-se, sem um voto reles de quem quer que seja, a administrar indiretamente o país.
Enfurecidos, ideologicamente, com o Estado que os alimenta – desde que não se mexa em seu salário, carreiras e privilégios – eles querem agora “diminuir” e ajudar a arrebentar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos maiores símbolos do poder brasileiro – vejam, bem, da Nação, e não apenas do Estado nacional.
Esse é o caso da provável aprovação, pelo órgão de fiscalização da União, do pretendido repasse de R$ 100 bilhões do BNDES ao  Tesouro, aprovado pelo governo interino, para supostamente serem usados na “diminuição” da dívida pública.
Isso, em um momento em que a Selic está altíssima, e se acaba de obter, paradoxalmente, autorização do Congresso para um aumento de mais da metade desse valor – R$ 58 bilhões – para os salários do próprio Congresso e do funcionalismo público.
E em que se está procedendo também à criação, pelo Legislativo, de 14 mil novos cargos na administração federal.
Ora, quando uma nação está em crise – um mote já há tanto tempo quase monocórdico, e a principal razão citada pelo discurso de parte da mídia no apoio ao afastamento do governo anterior – é preciso incrementar, e não baixar, os recursos disponibilizados para a produção e a infraestrutura.
Logo, se há dinheiro para o funcionalismo, não se pode diminuir o valor destinado aos milhares de pequenos e médios empresários que dependem do BNDES para tocar seu negócio e às grandes empresas que têm acesso a  financiamento dessa instituição a fim de desenvolver – gerando, ou mantendo, milhões de empregos – o atendimento ao mercado interno e à exportação, cujo superávit tem crescido fortemente neste ano.
Ainda há homens probos e nacionalistas no PMDB, partido que protagonizou a luta pela redemocratização e que, bem ou mal, esteve ao lado do PT na administração federal nos últimos anos.
Essa conversa fiada de endividamento público – que sustentou a tragédia da privatização e da desnacionalização da economia brasileira nos anos 90, com a duplicação, em oito anos, da dívida líquida, a diminuição do PIB e da renda per capita em dólar, segundo números do Banco Mundial – e o aumento da carga tributária, é hipócrita e recorrente.
E sempre omite, convenientemente, que o país acumulou de 2002 para cá, com a colaboração também do PMDB que já estava no governo, e do próprio Ministro Henrique Meirelles, mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais, fora os US$ 40 bilhões pagos para liquidar a dívida com o FMI.
O propalado déficit de R$ 150 bilhões deixado pelo governo Dilma, aumentado  pela soma de compromissos a pagar nos próximos anos, representa – embora o PT e o PMDB, seu aliado nessa conquista, de forma incompetente não o digam – apenas cerca de 10% da quantia que o Brasil possui em moeda norte-americana, como quarto maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver – lembramos mais uma vez, no site oficial do tesouro USA: http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt
Mas, isso, a parcela da mídia conservadora, entreguista e parcial, que agora ataca, incessantemente, as grandes obras realizadas nos últimos anos com aporte e financiamento do BNDES, não o diz.
Como não diz que o BNDES é uma instituição bem administrada, que deu lucro de R$ 6,2 bilhões no ano passado, de R$ 8,5 bilhões em 2014, de R$ 8,15 bilhões em 2013, de mais de R$ 8 bilhões em 2012, de R$ 9 bilhões em 2011, de R$ 9,9 bilhões em 2010.
E esses resultados, não contam?
Sem falar nas centenas de bilhões de reais emprestados no período, que deram, origem a um incalculável número de empregos e de negócios, movimentando toda a economia do país.
Uma estratégia que foi fundamental para evitar que a crise mundial de 2008 – que, de certa forma, ainda não acabou – não nos alcançasse violentamente antes. E imprescindível, também, do ponto de vista geopolítico, para projetar o “soft power” brasileiro para fora de nossas fronteiras, ajudando na expansão de grandes empresas nacionais no exterior, que agora também estão sendo destruídas, pela mesma plutocracia, por absoluta ausência de bom senso e de visão estratégica, e manifesta e deletéria arrogância.
Brasil do Dinheiro, e os “burocratas” – que existem, sim, com todo o respeito pelo conjunto dos funcionários públicos brasileiros – da nova aristocracia “concursista” nacional – bons em pagar cursinho, mas não em entender o país, a História e as disputas geopolíticas internacionais – precisam compreender que um banco de fomento como o BNDES, que chegou a ser o maior do mundo nesta década, é um instrumento de poder e de persuasão tão forte quanto um submarino atômico ou um porta-aviões – se houvesse uma belonave desse tipo que pudesse ser vendida pelo preço que vale o banco – ou os R$ 100 bilhões que está se alegando que precisam ser “devolvidos” ao Tesouro Nacional.
Tanto é que não existe, no grupo das dez maiores economias do planeta, entre as quais voltamos a nos incluir na última década, nenhum país poderoso que não possua – vide o Eximbank, dos Estados Unidos, o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão – o seu próprio BNDES, ou que tenha alcançado a posição que ocupa, no concerto das nações, sem um igualmente forte e poderoso banco – estatal – de fomento e de desenvolvimento.
Se banco estatal fosse sinônimo de incompetência, as maiores instituições do mundo não pertenceriam ao estado – verifique o ranking: http://www.relbanks.com/worlds-top-banks/assets , e os três maiores bancos do planeta não seriam de um país comunista, a República Popular da China  – e a Caixa Econômica Federal não teria acabado de ultrapassar o Itaú esta semana, passando a figurar, logo depois do Banco do Brasil, como a segunda maior instituição bancária brasileira.
Por mais que se tente convencer os incautos do contrário, bancos particulares visam, antes de mais nada, ao lucro. Enquanto bancos públicos visam – ou deveriam visar, sempre, se os deixassem trabalhar em paz – o desenvolvimento de seus países, e crescem, principalmente no varejo, porque fazem empréstimos de menor valor e menor risco, e portanto, mais democráticos – a custos menores, para seus tomadores.
Mas uma vez, o Brasil do Dinheiro, dos  grandes comerciantes, agricultores, pecuaristas e fabricantes, e de seus filhos que eventualmente entraram para a plutocracia graças à valorização das carreiras de Estado propiciada pela visão estratégica e republicana de governos que aprenderam a desprezar e odiar, apoiados pelo mesmo PMDB que está no poder atualmente, precisam aprender a viver com – e a respeitar – o Brasil do Futuroo Brasil dos interesses estratégicos e perenes da Pátria e do povo brasileiro; o Brasil das grandes hidrelétricas; das gigantescas plataformas de petróleo; dos caças supersônicos; dos submarinos convencionais e atômicos; das bases de submergíveis; das rodovias de alta velocidade; das ferrovias, como a norte-sul, que já une Anápolis, em Goiás, a Itaqui, no Maranhão;  das hidrovias; dos cargueiros aéreos militares; de aceleradores de partículas, como o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron; a maior parte, obras que  foram realizadas nos últimos anos, com apoio do partido que está agora no governo – lembramos mais uma vez – e o financiamento do próprio BNDES.
Brasil do Futuro, dos blindados, dos mísseis de saturação, dos novos rifles de assalto que disparam 600 tiros por minuto, da terceira maior usina hidrelétrica do mundo – que recentemente começou a operar na Amazônia – não pode, nem deve depender de bancos privados – cujo objetivo primordial é o lucro e não o fortalecimento da pátria – para financiar esse tipo de projeto.
Projetos estratégicos, que podem eventualmente até atrasar e até aumentar de preço, como ocorre em outros países, têm de ser vistos como etapas necessárias, mesmo que nem sempre bem-sucedidas, do processo de fortalecimento nacional.
Ou quanto a plutocracia brasileira acha que foi jogado “fora” em dinheiro pelos Estados Unidos, com financiamento público, em tentativas fracassadas, até que eles conseguissem chegar à Lua, ou desenvolver armas atômicas, ou sua primeira frota de submarinos ou de bombardeiros estratégicos, ou o computador e a internet?
E no financiamento do New Deal, um projeto, antes de mais nada, social, que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão, em que estava mergulhado desde o início da década de 1930?
Ou alguém ainda acha que os Estados Unidos vão  destruir, algum dia,  suas principais empresas, todas ligadas  ao esforço de defesa e com o complexo industrial-militar, e interromper seu projeto de hegemonia, por causa de conversa fiada de falsos fiscalistas e monetaristas, pseudo-escândalos de corrupção, ou contos da Carochinha como o da Operação Mãos Limpas – cujo êxito está sendo historicamente desmentido por outra operação,  que investiga o escândalo da Mafia Capitale, de 10 bilhões de euros, na Itália?
Os militares da reserva, os industriais e os empresários brasileiros, os trabalhadores, os milhares de empreendedores que possuem um Cartão BNDES, e que sabem muitíssimo bem a diferença das taxas de financiamento cobradas por esse banco e aquelas da banca privada – e os próprios funcionários da instituição e das empresas em que ela possui participação – precisam se mobilizar para fazer ampla campanha em defesa do BNDES, começando com um manifesto-slogan, com o tema de "não toquem no BNDES".
O Brasil não pode permitir que o desmonte dos pilares estratégicos que sustentam e podem fazer avançar o projeto de desenvolvimento nacional, comece logo por nosso maior banco de fomento, sem o qual não teríamos nos projetado para a nossa área de influência – a África e a América Latina – e ainda estaríamos relegados a ser um país apenas, e eminentemente, agrícola e servil.
Querem – e nossos concorrentes estrangeiros iriam vibrar se isso ocorresse – afundar o porta-aviões da economia brasileira.
E cabe aos setores mais responsáveis e organizados da sociedade civil, em nome também de nossos filhos e netos, se organizar e lutar, para evitar que isso ocorra.

Brasil Morre aos 96 anos ex-governador do Pará Jarbas Passarinho

MORRE AOS 96 ANOS EX-GOVERNADOR DO PARÁ JARBAS PASSARINHO
ex
Agência Brasil – O ex-governador do Pará, ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho morreu na manhã deste domingo (5) aos 96 anos. Ele faleceu em sua residência, em Brasília, em decorrência de problemas de saúde relacionados à idade já avançada.
Por meio de nota, o governo do Pará informou que decretou luto oficial de três dias. O velório foi feito na própria capital federal e o enterro começou às 16h, no Cemitério Campo da Esperança.
Nascido no município de Xapuri, interior do Acre, Jarbas Passarinho, militar do Exército, iniciou sua trajetória política no Pará, estado que governou entre 1964 e 1966. No Senado, cumpriu três mandatos. Também atuou como ministro do Trabalho, da Educação e da Previdência Social no governo militar e como ministro da Justiça no governo de Fernando Collor.

sábado, 4 de junho de 2016

Caiado diz que Dilma deveria renunciar ao cargo e poupar o Brasil

O comentário foi feito com base na informação de que Dilma teria tratado pessoalmente, com Marcelo Odebrecht, do pagamento de uma propina de R$ 12 milhões para sua campanha à Presidência em 2014

POLÍTICA ODEBRECHTHÁ 1 HORAPOR

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse neste Sábado que a presidente afastada Dilma Rousseff deveria renunciar ao cargo e "poupar o Brasil" da espera pelo desfecho do processo de impeachment que corre no Senado. O comentário foi feito com base na informação publicada pela revista IstoÉ, segundo a qual Dilma teria tratado pessoalmente, com Marcelo Odebrecht, do pagamento de uma propina de R$ 12 milhões para sua campanha à Presidência em 2014.


A revelação constaria da delação premiada do empresário, segundo a revista. "Já existiam insinuações nesse sentido e agora vem a comprovação final da participação direta da presidente da República em todos esses atos irregulares e criminosos na operação da Petrobras", afirmou. "Para mim, essa é a pá de cal. A possibilidade de ela negar a sua participação no processo é desmontada e cai por terra."
O senador não acredita, porém, que essa nova informação alterará os votos na comissão do impeachment, do qual ele é integrante. Com informações do Estadão Conteúdo.

Delação Sérgio Machado teria pago mais de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney, diz jornal Soma mais expressiva, de R$ 30 milhões, foi destinada ao presidente do Senado

Sérgio Machado teria pago mais de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney, diz jornal Montagem com fotos da Agência Senado/
Renan Calheiros, Romero Jucá e José SarneyFoto: Montagem com fotos da Agência Senado
Após fechar acordo de delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse que arrecadou e pagou mais de R$ 70 milhões desviados da subsidiária da estatal para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), entre outros integrantes do partido. As informações são do site do jornal O Globo.
De acordo com Machado, a soma mais expressiva, R$ 30 milhões, foi destinada a Renan, o principal responsável pela indicação dele para a presidência da maior empresa de transporte de combustível do país. A recomendação do nome ocorreu em 2003, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Teria havido apoio para a permanência dele no cargo até ano passado, mesmo depois de ter sido acusado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, de receber propina.
Sarney também teria recebido uma soma significativa, conforme a contabilidade do ex-presidente da Transpetro. Machado disse que repassou cerca de R$ 20 milhões para o ex-senador durante o período que esteve à frente da estatal.
Jucá, que ficou uma semana como ministro do Planejamento do governo do presidente interino Michel Temer, teria sido destinatário de quantia similar a de Sarney, cerca de R$ 20 milhões. Machado afirmou também que abasteceu contas dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Jader Barbalho (PMDB-PR) — a reportagem não menciona valores.

Delação de Odebrecht, o ‘dono do Brasil’, completa o terremoto político

Ministério Público não confirma, mas a temida delação de Marcelo Odebrecht já estaria assinada
RODOLFO BORGES Twitter São Paulo CPI da Petrobras ouve depoimentos de executivos da Odebrecht, em Curitiba, em setembro de 2015.CPI da Petrobras ouve depoimentos de executivos da Odebrecht, em Curitiba, em setembro de 2015. CÂMARA DOS DEPUTADOS
Preso desde o dia 19 de junho do ano passado, o herdeiro da empresa, Marcelo Odebrecht, já foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Agora, em vias de a maior construtora do Brasil revelar tudo o que sabe em troca de um acordo de leniência, Brasília aguarda apreensiva o estrago que deve alcançar partidos como PT, PMDB, PP e PSDB. Como Sérgio Moro já disse que espera trabalhar na Lava Jato até dezembro, é de se esperar que a potente delação de Marcelo Odebrecht seja o desfecho apoteótico da operação.A delação das delações da Operação Lava Jato avança lentamente, como um gigante, na direção de Brasília. Prometida em março pela empreiteira Odebrecht, a"colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato" chegou ao nível de negociação formal e levou o juiz Sérgio Moro, que cuida do caso em Curitiba, a suspender as ações penais do caso. "Diante de informações de que estaria em andamento a negociação de alguma espécie de acordo de colaboração entre as partes, suspendo este feito por 30 dias", escreveu o juiz em despacho.
As notícias sobre o acordo, que é sigiloso e cuja existência o Ministério Público Federal não confirma oficialmente, dão conta de que o ex-presidente da empresa Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, também pode ser convocado para prestar informações. Estão em questão principalmente as contribuições da empresa para campanhas políticas majoritárias. Segundo nota divulgada pela empresa em março, a intenção é tratar de “um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”. Um dia depois de a Odebrecht informar sobre suas intenções de fechar a delação, vazou uma lista com os nomes de quase 300 políticos de 22 partidos ligados à construtora. Nas eleições de 2014, 15 partidos receberam doações da empreiteira.
Após o vazamento, Moro decretou o sigilo da planilha, que não deixava claro se a relação dos políticos com a Odebrecht era ilícita. A quantidade de nomes mencionados ficou como amostra, contudo, da amplitude de relações políticas da construtora, que atua no exterior desde os anos 70. Nos anos do PT no poder, expandiu suas atividades para países africanos e pela América Latina. Atua no setor público desde os tempos da ditadura. Foi a Odebrecht quem construiu o edifício sede da Petrobras em 1969, por exemplo.
Não por acaso, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que também fechou um acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato, se refere a Marcelo Odebrecht em uma de suas gravações vazadas nos útimos dias como "o dono do Brasil". A relação estreita de Odebrecht e de seu pai com o poder nunca foi segredo para ninguém.
Também nos áudio vazados de Machado, que já levaram à queda de dois minitros do Governo interino de Michel Temer, o ex-presidente da República José Sarney menciona a presidenta afastada Dilma Rousseff em possível irregularidade com a empreiteira: "A Odebrecht (...) eles vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula e vão pegar a Dilma. Porque foi com ele. Quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela". Segundo Sarney, a delação da Odebrecht seria uma "metralhadora de ponto 100", de tão devastadora para o mundo político.
"Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor", diz a Odebreht na nota divulgada em março, quando anunciou que pretendia colaborar com a Justiça. Depois que a delação da Odebrecht for homologada, a construtora poderá buscar um acordo de leniência. Isso pode lhe dar um fôlego e permitir voltar a contratar com o Estado futuramente, e facilidade para buscar crédito com os bancos. Atualmente, tenta se desfazer de ativos bilionários no Brasil e no exterior para pagar dívidas que se avolumam enquanto seu presidente está preso, e funcionários da empresa são mandados embora.
Segundo o jornal Valor, o grupo acumula uma dívida de quase 100 bilhões de reais, que pode colocar a empresa em recuperação judicial. Só a divisão de agricultura tem 13 bilhões de reais em dívidas. A companhia tem negócios na área petroquímica, logística, infraestrutura, entre outros. Um acordo poderia ajudar a empreiteira, mas deve significar o ocaso da elite política na qual a construtora apoiou seu sucesso na última década.

Aos 74 anos, morre Muhammad Ali, lenda eternizada na história do boxe Três vezes campeão mundial dos pesos-pesados e considerado o maior nome do esporte, ex-boxeador lutava bravamente há três décadas contra o Mal de Parkinson Por GloboEsporte.com Scottsdale, Estados Unidos

Morre o homem, e fica a lenda. Faleceu no fim da noite desta sexta-feira nos Estados Unidos (já madrugada de sábado no Brasil) Muhammad Ali, considerado por muitos o maior boxeador de todos os tempos. Aos 74 anos, o ex-campeão mundial dos pesos-pesados perdeu para o Mal de Parkinson a luta mais difícil de sua vida, deixando para sempre um vazio no esporte mundial. O falecimento do genial Ali foi confirmado por Bob Gunnell, porta-voz da família 

- Depois de uma batalha de 32 anos contra a doença de Parkinson, Muhammad Ali faleceu com a idade de 74 anos. O tricampeão mundial dos pesos-pesados morreu esta noite. A família gostaria de agradecer a todos por seus pensamentos, orações e apoio, e pede privacidade neste momento - informou Gunnell.
Muhammad Ali (Foto: Reuters)A história se Ali fica perpetuada no Boxe e no esporte mundial (Foto: Reuters)



Tão firme como aguentou as pancadas que levou dentro dos ringues sem nunca ter sofrido um nocaute na carreira, Muhammad Ali também suportou por décadas uma doença degenerativa que afeta os neurônios, o Mal de Parkinson. Derrotado pela paralisia apenas aos 74 anos após muitas lutas e vitórias na vida profissional e pessoal, essa lenda do boxe mundial tem seu nome eternamente gravado na história do esporte, seja por suas atitudes exemplares ou pelo seu cartel de campeão, com 57 vitórias, sendo 37 delas por nocaute, e 5 derrotas.
Nascido na cidade de Louisville, em Kentucky, nos Estados Unidos, com o nome de Cassius Marcellus Clay Jr, ele deu seus primeiros socos no boxe quando tinha 12 anos de idade, em 1954. Na época, teve sua bicicleta nova vermelha e branca, presente do pai, roubada. Ao com encontrar o policial Joe Martin, que também era treinador de boxe, disse que daria uma surra no ladrão e ouvi: “Antes disso, é melhor você aprender a boxear”. O garoto Cassius não perdeu tempo, e depois de seis meses treinando com Martin, venceu sua primeira luta de boxe. 
Muhammad Ali (Foto: Reuters)Um boxeador incomparável, à frente de seu tempo (Foto: Reuters)
Ainda como amador, Cassius Clay conseguiu seu primeiro grande feito aos 18 anos, quando conquistou a medalha de ouro na Olimpíada, na categoria meio-pesado, ao ganhar na final do experiente polonês Zbigniew Pietrzykowski. Na volta aos EUA, apesar de ter sido recebido com festa por uma multidão em sua cidade-natal, um episódio marcante impulsionou sua batalha pelos direitos dos negros e igualdade racial. Em sua biografia, ele conta que entrou em um restaurante cheio de brancos e pediu um hambúrguer, mas a funcionário se negou a servi-lo. “Sou Cassius Clay, campeão olímpico”, explicou, mas de nada adiantou. A alegria deu lugar à decepção, e o boxeador acabou jogando a sua medalha olímpica no Rio Ohio.
Já como profissional, na ocasião com 19 vitórias em 19 lutas, Cassius chega para enfrentar o favorito Sonny Liston em 1964, vence no sétimo assalto em Miami, se torna campeão mundial dos pesos-pesados e grita: “Eu sou o maior”. Pouco depois disso, chegou a se aliar a Malcom X, defensor do nacionalismo negro, e também anunciou ter se convertido à religião islâmica, mudando o seu nome para Muhammad Ali. Em 1967, uma polêmica fez Ali perder o título mundial e ficar afastado do boxe por três anos. Ele se recusou a servir o exército americano na Guerra do Vietnã e ainda fez críticas ao envio de militares para o conflito com os vietcongues.
Muhammad Ali (Foto: Reuters)Cada luta de Ali era uma verdadeira exibição de boxe (Foto: Reuters)

Ali voltou a lutar em 1970 e recuperou o cinturão, mas um ano depois perdeu para Joe Frazier, em um duelo épico de 15 rounds decidido pelos juízes em Nova York. Na sequência, venceu Ken Norton, George Chuvalo Floyd e a revanche contra Joe Frazier, antes de ter a chance de desafiar George Foreman para recuperar o posto de número 1 do mundo. No dia 30 de outubro de 1974, em Kinshasa, capital do antigo Zaire (hoje República Democrática do Congo), Muhammad Ali apanhou quase a luta toda do então jovem Foreman, que demonstrava força diante da velocidade e técnica do adversário. Mas Ali não se abalou. Com personalidade forte e contando com o apoio da torcida africana, provocava Foreman, aguentou os socos e surpreendeu no oitavo round, ao derrubar o oponente com um potente golpe e ganhar por nocaute a "Luta do Século". 
Muhammad Ali (Foto: Reuters)O incontestável talento era acompanhado da irreverência, uma marca registrada (Foto: Reuters)
Outra luta histórica foi a chamada Thrilla in Manilla, nas Filipinas, quando derrotou novamente Joe Frazier em 1975. Na sequência, perdeu o título de campeão do mundo em 1978 para Leon Spinks, mas recuperou sete meses depois ao bater o mesmo lutador, antes de anunciar a aposentadoria em 1979. Muhammali Ali acabou ainda voltando aos ringues em mais duas oportunidades, mas perdeu para Larry Holmes em 1980 e para Trevor Berbick em 1981, antes de pendurar as luvas de vez.
Já fora do boxe, Ali revelou que sofria do Mal de Parkinson em 1984, e usou sua fama para ajudar nas pesquisas para buscar uma cura para a doença, inclusive fazendo tratamento com células tronco. Mesmo doente, rodou o mundo, teve encontros com líderes políticos, fez ações beneficentes e levou sua mensagem de paz e igualdade.  Em 1996, foi homenageado e acendeu a pira dos Jogos Olímpicos de Atlanta, além de ter sido presenteado com uma réplica da medalha olímpica que jogou fora em 1960. Em 2005, desembolsou milhões para construir o Muhammad Ali Center, em Louisville, um centro cultural com atividades para inspirar crianças e adultos e perpetuar os seus princípios.
George Foreman x Muhammad Ali (Foto: Agência AP)Ali nocauteia George Foreman e vence a Luta do Século (Foto: Agência AP)

Ali ganhou diversos prêmios e condecorações pelos seus feitos e foi eternizado em livros e filmes. Já com a saúde debilitada nos últimos anos, não resistiu e acabou morrendo agora em 2016. O enorme legado que deixou, pode ser representado por algumas de suas frases inspiradoras. 
- Eu odiava cada minuto dos treinos, mas dizia para mim mesmo: Não desista! Sofra agora e viva o resto de sua vida como um campeão. 
- Aquele que não tem coragem suficiente para aceitar riscos, não irá conquistar nada na vida. 
Muhammad Ali ficou o tempo inteiro sentado em uma cadeira (Foto: Divulgação/Universidade de Louisville)Depois de 32 anos, Ali enfim perdeu a luta para o Mal de Parkinson (Foto: Divulgação/Universidade de Louisville)

- Impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca que prefere viver no mundo como está em vez de usar o poder que tem para mudá-lo. Impossível não é um fato, é uma opinião. Impossível não é uma declaração, é um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. 
- Quanto mais nós ajudamos os outros, mas nós ajudamos a nós mesmos. 
- Se minha mente pode conceber isso e meu coração pode acreditar, então eu posso alcançar isso.
Muhammad Ali (Foto: Reuters)O esporte perde um dos maiores de todos os tempos, mas a lenda Muhammad Ali seguirá viva para sempre (Foto: Reuters)