terça-feira, 17 de maio de 2016

Militares têm reajuste confirmado pelo atual governo

Com as mudanças, militares do Exército, Marinha e Aeronáutica terão aumento médio de 27,9%


Ricardo Moraes/Reuters


BRASIL SALÁRIOSHÁ 2 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO

O cerca de 650 mil militares das Forças Armadas terão reajuste que varia de 24,39% a 48,91%, já que o atual governo do presidente interino Michel Temer não vai mexer na proposta de correção dos soldos. Segundo o Jornal O Dia, ele será dividido em quatro anos e a primeira parcela sairá em agosto.

Com as mudanças, militares do Exército, Marinha e Aeronáutica terão aumento médio de 27,9%. Os maiores percentuais serão para graduações do início de carreira e postos intermediários.

Mansueto, Carlos Hamilton e Marcelo Caetano anunciados na Fazenda Nova equipe da Fazenda foi anunciada pelo ministro Henrique Meirelles. Jorge Rachid e Otávio Ladeira seguem na Receita e no Tesouro Nacional. Alexandro Martello Do G1, em Brasília

Nomes da nova equipe do Ministério da Fazenda são anunciados: Mansueto Almeida, Carlos Hamilton, Jorge Rachid e Otávio Ladeira (Foto: Agência Brasil)Nomes da nova equipe do Ministério da Fazenda são anunciados: Mansueto Almeida, Carlos Hamilton, Jorge Rachid e Otávio Ladeira (Foto: Agência Brasil)
novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou nesta terça-feira (17) integrantes de sua equipe, que o ajudará na gestão e formulação de políticas para a economia brasileira. Foram confirmados os nomes dos economistas Mansueto Almeida (Secretaria de Acompanhamento Econômico), Carlos Hamilton (Secretaria de Política Econômica) e a manutenção, pelo menos por enquanto, de Jorge Rachid na Receita Federal e de Otávio Ladeira no Tesouro Nacional.
Em um momento de forte deterioração das contas públicas e diante da necessidade de conter gastos, Meirelles escolheu economista Mansueto Almeida, especialista com vasto conhecimento em política fiscal, para comandar a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE). Até março, as contas do governo tiveram o maior rombo para este período em 20 anos.
Para este ano, a equipe econômica anterior enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei para permitir um déficit primário de até R$ 96,6 bilhões e, para 2017, enviou uma proposta, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem, contemplando um rombo de até R$ 65 bilhões nas contas públicas.
Em entrevistas recentes, antes de ser nomeado para o cargo, o novo secretário Mansueto Almeida chegou a avaliar que seria difícil fazer um ajuste para equilibrar as contas públicas (eliminando os déficits) até o ano de 2018 sem aumentos de tributos.
Mansueto se formou em economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), obteve seu mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), e fez aulas de doutorado em Políticas Públicas no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos (EUA).
Ele é técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Já foi coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (entre 1995 e 1997) e assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (de 2005 a 2006).
Nas últimas eleições presidenciais, Mansueto fez parte da equipe de Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda caso Aécio Neves, do PSDB, fosse eleito presidente da República. Mansueto também possui um blog no qual debatia questões relacionadas às contas públicas.
De acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Mansueto realizará estudos relacionados principalmente com as despesas publicas, em sua qualdidade e eficiencia das despesas. "Vai fazer uma análise das contas públicas", disse ele.
Marcelo Caetano na Secretaria de Previdência
O ministro Henrique Meirelles anunciou também o nome de Marcelo Caetano para a Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda. A pasta incorporou a área da Previdência Social na reforma ministerial promovida pelo presidente em exercício Michel Temer. Caetano, portanto, deverá tocar os estudos para a reforma do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo ele, Marcelo Caetano graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e iniciou o doutorado pela PUC do Rio de Janeiro. Também foi pesquisador da London School of Economics (LSE) em Londres.
“Marcelo Caetano tem como finalidade formular uma política de previdência no Brasil. Ontem fizemos uma reunião com centrais sindicais e, nessa reunião, houve a definição de uma proposta para reforma da Previdência Social em 30 dias. Foi a minha recomendação. É a minha sugestão e acho que é um prazo adequado. Não temos uma proposta pronta e não vamos fazer nada precipitado”, declarou Meirelles.
Carlos Hamilton 
Para a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi indicado o nome de Carlos Hamilton, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central. Hamilton trabalhou com o titular da Fazenda, Henrique Meirelles, no grupo J&F Investimentos, gestor de várias empresas, entre elas a Friboi.
Cearense de Sobral, Hamilton se formou em Engenharia Civil em 1989 na Universidade Federal do Ceará (CE), fez mestrado e doutorado em Economia na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na área acadêmica, ele já foi professor de Macroeconomia na Fundação Getúlio Vargas e no IBMEC do Rio de Janeiro.
O economista, além de já ter exercido várias funções no BC (chefe da Mesa de Operações, consultor e chefe do Departamento de Pesquisas e chefe do Departamento de Estudos Especiais, além de diretor), também já foi analista da Secretaria do Tesouro Nacional e analista do Banco do Estado do Ceará.
"Carlos Hamilton será o formulador das políticas macroeconomicas que vão fundamentar as ações do governo federal, na medida em que fui encarregado pelo presidente Michel Temer de ser o coordenador da política econômica do governo", explicou Henrique Meirelles.
Rachid segue na Receita Federal
Na Receita Federal, não haverá alteração. O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou a manutenção de Jorge Rachid no cargo. Ele já trabalhou na gestão de Antonio Palocci, Guido Mantega, Joaquim Levy e de Nelson Barbosa. Meirelles, portanto, será o quinto ministro da Fazenda com quem ele trabalhará.
A Secretaria da Receita Federal é o órgão responsável por arrecadar impostos, por fiscalizar empresas e pessoas físicas e cobrar tributos em atraso. Além disso, também realiza estudos sobre possíveis aumentos de tributos, ou desonerações de impostos.
Nascido na cidade de Porciúncula (Rio de Janeiro), Rachid é funcionário de carreira da Receita Federal, tendo ingressado no serviço público em 1986. Em abril de 2006, ele também assumiu o mandato de Presidente do Conselho Diretor do Centro Interamericano de Administrações Tributárias (CIAT).
Recentemente, sob o comando de Nelson Barbosa, a Receita Federal defendeu o aumento do imposto sobre heranças, para custear a correção da tabela do Imposto de Renda. Essas propostas, se mantidas pelo novo comandante da Fazenda, Henrique Meirelles, ainda têm de passar pelo crivo do Congresso Nacional para ter validade.

Tesouro Nacional
Otavio Ladeira continua, pelo menos por enquanto, na Secretaria do Tesouro Nacional - cargo que assumiu formalmente em fevereiro deste ano.
Ele é analista de Finanças e Controle é servidor efetivo desde 1994, tendo atuado principalmente na área da dívida pública, nos cargos de chefe-adjunto e chefe da Divisão de Análise e Planejamento da Dívida Pública (1994 a 1999).
Também foi coordenador de Administração da Dívida Pública (1999) e coordenador e coordenador-geral de de Planejamento Estratégico da Dívida Pública (1999 a 2015). Em abril de 2015, assumiu a Subsecretaria de Planejamento e Estatísticas Fiscais.
Com 47 anos, Otávio Ladeira é casado e pai de dois filhos. Foi ele quem anunciou, no fim do ano passado, o pagamento integral das chamadas “pedaladas fiscais” (atrasos de pagamento do governo aos bancos públicos) – processo que serviu de embasamento para o pedido de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
Em seu tempo livre, Ladeira treina corrida de rua na parte da noite, inclusive na Esplanada dos Ministérios. Na segunda edição da corrida do Tesouro Nacional, no fim do ano passado, terminou o percurso de 10 quilômetros em cerca de 46 minutos. No campo pessoal, é considerado educado e de bom trato.

Romero Jucá é o único político de carreira na equipe econômica de Michel Temer Senador por Roraima, o parlamentar é economista e foi citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.




Romero Jucá é o único político de carreira na equipe econômica de Michel Temer José Cruz / Agência Brasil/Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil / Agência Brasil
Pernambucano de nascimento, Romero Jucá fez carreira política em Roraima, onde já foi governador e se elegeu como senador três vezes. Apesar da formação em economia, pouco atuou na área, passando a maior parte da vida ocupando cargos públicos. Em 1986, aos 32 anos, assumiu a presidência Fundação Nacional do Índio (Funai) de onde saiu para governar o recém-criado estado de Roraima entre 1988 e 1990 por nomeação do presidente José Sarney. 
Há 22 anos ocupando uma cadeira no Senado, o político é conhecido pelo perfil articulador, sendo líder de governo na Casa durante os mandatos de Fernando Henrique,Lula e Dilma. Distante da ala de Renan Calheiros (PMDB -AL) no Congresso e próximo ao presidente interino, Michel Temer, Jucá foi um dos primeiros políticos do partido a defender um desembarque do governo, ainda em 2014, antes da campanha de reeleição. 
Já afirmou não ter votado em Michel Temer "porque para isso teria que votar na presidente Dilma" e garante ter apoiado Aécio Neves nas urnas.Durante os mais de 30 anos de vida pública, Jucá coleciona uma lista intensa de acusações. No governo Sarney, à frente da Funai, foi acusado de cobrar propina para permitir exploração ilegal de madeira em terras indígenas. 
No governo Collor, foi acusado de desviar à sua fundação dinheiro federal destinado a "ações sociais". Nos governos FHC e Lula, já como senador, foi acusado de comprar votos, de dar calote em bancos públicos, de receber propina de empreiteiras e de fazer caixa dois, mas nunca condenado. Em 2010, foi um dos principais opositores ao Projeto Ficha Limpa. Jucá é um dos políticos citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 
O Supremo abriu mais um inquérito contra ele em abril na Operação Zelotes, que investiga venda de emendas a medidas provisórias relacionadas ao setor automotivo editadas pelo governo federal. Segundo o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, Jucá recebeu apoio político para continuar no cargo em troca de propina.

Ministro da Defesa critica organização da Olimpíada pelo governo Dilma

Daniel Ferreira/Metrópoles
Entre os maiores problemas citou a questão da inteligência e da infraestrutura no Rio de Janeiro. Para Raul Jungmann, esta é a sua “preocupação maior no curtíssimo prazo”
O novo ministro da Defesa, Raul Jungmann, criticou a organização da Olimpíada pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o governo petista foi “muito desatento” com o grande evento que está a pouco mais de 80 dias de ser realizado. Entre os maiores problemas citou a questão da inteligência e da infraestrutura na cidade do Rio. Para Jungman, esta é a sua “preocupação maior no curtíssimo prazo” e o presidente em exercício Michel Temer convocou uma reunião para esta segunda-feira (16/5), às 18 horas, no Palácio do Planalto, com todos os ministros envolvidos com o evento, para tomar pé da situação.
“Há um déficit de atenção do governo federal até aqui, já que grande parte dos compromissos tem sido arcados pela Prefeitura do Rio e o Estado do Rio está enfrentando graves dificuldades financeiras”, disse o ministro. “O governo federal, é o que tem o principal déficit e temos de, rapidamente, tentar suprir tudo isso”, acrescentou.
Jungmann citou que há toda sorte de problemas no Rio. Listou problemas de transporte e de deslocamento dos cerca de cem dignatários previstos para virem ao Brasil com suas delegações na cidade. Afirmou ainda que as dificuldades se estendem às áreas de energia e comunicações, além de questões de segurança não só no Rio, mas em São Paulo, Manaus, Salvador e Belo Horizonte, onde serão realizados partidas dos torneios de futebol.
Inteligência
O ministro demonstrou enorme apreensão também em relação à área de inteligência. Comentou, por exemplo, que as carências desta área levaram os demais países que poderiam cooperar mais com o Brasil a se afastarem. “Houve uma retração nos órgãos de inteligência dos outros países em relação a nós porque não havia atenção federal para este setor”, declarou o ministro.
A área de inteligência, no governo Dilma, foi deslocada do antigo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para a Secretaria de Governo. Relegada a segundo plano pela gestão petista, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enfrenta sérios problemas de recursos para desenvolver suas atribuições. Na administração Michel Temer, a Abin voltou para o GSI recém recriado, e será totalmente remodelada. Ainda não há definição, no entanto, do modelo de Abin que o peemedebista quer.
Na reunião marcada para esta tarde com o presidente em exercício Temer, estarão presentes os ministros da Casa Civil, Defesa, das Relações Exteriores, da Justiça, do GSI e do Esporte, além dos comandantes militares.
Na primeira reunião ministerial, realizada na sexta-feira da semana passada, o presidente em exercício Temer também demonstrou preocupação com a Olimpíada e, por isso, resolveu marcar o encontro para tomar pé da situação e determinar providências.
Antes do encontro com Temer, nesta segunda-feira, os ministros deverão se reunir para fazer uma avaliação prévia e, em seguida, levar o balanço dos problemas que encontraram ao presidente em exercício, a fim de que ele possa definir as ações prioritárias. “Este é um evento único e todos os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil”, declarou Jungmann, após lembrar que os Jogos darão grande visibilidade ao Brasil por ser um evento de importância mundial e que não poderemos ter problemas na preparação do evento.
O ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, procurado pela reportagem, não respondeu às críticas de Jungmann.

Após críticas, Temer escolhe mulher para comandar BNDES

O convite foi feito nesta segunda-feira (16) pelo presidente interino e a economista Maria Silvia Bastos Marques aceitou
ECONOMIA DIREÇÃOHÁ 14 HORASPOR FOLHAPRESS
Enfrentando críticas por não ter uma mulher ministra, o presidente interino Michel Temer escolheu para comandar o BNDES a economista Maria Silvia Bastos Marques.
O convite foi feito nesta segunda-feira (16) pelo presidente interino e ela aceitou.
Temer disse a interlocutores que ela confidenciou que já havia sido sondada, em outras oportunidades, para assumir o posto, mas agora decidiu aceitar por acreditar no projeto que está se iniciando sob o comando do peemedebista.
Maria Silvia já foi diretora do banco, ocupou a presidência da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e também comandou a secretaria de Finanças da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Desde que passou a receber críticas por escalar um ministério só de homens, o presidente interino orientou sua equipe a encontrar nomes de mulheres para trabalhar em seu governo. A primeira foi a economista Maria Silvia Bastos Marques, que vai comandar toda a área de financiamento de investimentos produtivos do governo.
Nascida em Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, Maria Silvia Bastos Marques, 59, é bacharel em administração pública pela Ebap (Escola Brasileira de Administração Pública) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), mestre e doutora em economia pela mesma fundação.
Entre outras atividades, ela foi professora-assistente de economia na PUC-RJ, coordenadora na secretaria de política econômica do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, secretária municipal de fazenda da prefeitura do Rio de Janeiro, diretora superintendente do centro corporativo e diretora-presidente da CSN. Com informações da Folhapress.

PF indicia André Gerdau e mais 18 investigados da Operação Zelotes


RedeSul/Reprodução




Ao longo de 176 páginas, o relatório da PF lista “uma série de provas” obtidas pelos policiais e indicia os investigados por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência entre outros crimes.



A Polícia Federal indiciou o empresário André Gerdau e mais 18 investigados da 6ª fase da Operação Zelotes, entre conselheiros e ex-conselheiros do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), advogados e membros da diretoria da empresa siderúrgica Gerdau, suspeita de tentar sonegar R$ 1,5 bilhão. Gerdau foi indiciado por corrupção ativa.

A PF encaminhou à Justiça Federal em Brasília, na sexta-feira (13/5), o relatório final do inquérito. O indiciamento ocorre menos de três meses depois da deflagração da 6ª fase da Zelotes. Em fevereiro deste ano, o empresário André Gerdau, presidente da empresa, foi alvo de mandado de condução coercitiva.
Na ocasião, o advogado Arnaldo Malheiros Filho, que defende Gerdau, afirmou que “eles não sonegaram absolutamente nada”. Segundo o criminalista, “existe um auto de infração e eles (Gerdau) usaram o recurso que a lei permite”.
“Foram ao Carf. A contratação de escritório de advocacia não ocorreu para corromper ninguém. Seria paga uma taxa de êxito, mas como não houve êxito nenhum não se pagou nada. Em três ou quatro casos um único foi julgado e a Gerdau perdeu o que demonstra que não havia nenhuma corrupção. Aí estourou a operação (Zelotes) e os outros procedimentos não foram nem julgados. Ou seja, nunca pagaram nada para advogado nenhum e nem sonegaram nada. Estavam apenas pedindo ao Ministério da Fazenda o que achavam que era direito”, disse Arnaldo Malheiros Filho em fevereiro.
Ao longo da investigação, além do apoio de centenas de policiais no cumprimento de mandados judiciais nas diversas fases da Operação Zelotes, 7 policiais federais estiveram à disposição da investigação na Superintendência PF no Distrito Federal.
Ao longo de 176 páginas, o relatório lista “uma série de provas” obtidas pelos policiais e indicia os investigados por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência entre outros crimes.
“Fartamente documentados, apenas os autos da 6ª fase da Operação Zelotes já possuem 3 volumes, além de 1 apenso”, destaca nota divulgada pela PF nesta segunda-feira, 16.
“O indiciamento ágil por parte da Polícia Federal tem o objetivo de evitar a prescrição dos crimes e, assim, a impunidade.”
Para realizar este trabalho, desde o início, a Polícia Federal contou com o apoio da Receita Federal, que, no âmbito de suas atribuições, participou da investigação.
A PF informou que mesmo com envio do relatório à 10.ª Vara da Justiça Federal no DF, prossegue a análise da vasta mídia apreendida durante as buscas, o que pode resultar em novos indiciamentos e dar início a outros inquéritos.
A 6ª fase da Zelotes foi deflagrada no dia 25 de fevereiro de 2015, policiais federais cumpriram, em 5 unidades da federação, medidas judiciais contra um dos grupos empresariais investigados pela operação. Durante os trabalhos de investigação conduzidos pela PF, foi constatada a existência de associação criminosa voltada a manipular e influenciar decisões do Conselho de Recursos Administrativos (CARF), por meio de corrupção de Conselheiros, em prol de empresas desfavorecidas em decisões administrativas condenatórias de instâncias inferiores.
O alvo desta fase de ações da PF, empresa siderúrgica brasileira que possui operações industriais em 14 países, celebrou contratos com escritórios de advocacia e de consultoria, os quais, por meio de seus sócios, agiram de maneira ilícita, manipulando o andamento, a distribuição e decisões do Conselho de Recursos Fiscais – CARF, visando obter provimento de seus recursos e cancelamento da cobrança de tributos em seus processos.
Mesmo após a deflagração da Operação Zelotes, em 26 de março de 2015, informações produzidas pela Polícia Federal apontaram evidências da continuidade da prática dos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro por parte de uma estrutura criminosa complexa e composta por conselheiros e ex-conselheiros do CARF, advogados e a empresa siderúrgica alvo da ação.
Nesta fase foram cumpridos 18 mandados de buscas e apreensões, 22 mandados de conduções coercitivas, em Brasília/DF, Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Rio de Janeiro/RJ e Recife/PE e 2 oitivas autorizadas judicialmente, realizadas no Complexo da Papuda, em Brasília/DF. Todas as medidas judiciais foram determinadas pela 10ª Vara da Justiça Federal no DF.

PMDB tem função proeminente na Lava Jato, diz Delcídio

"Renan [Calheiros], Romero [Jucá], Lobão e outros irão aparecer", afirmou Delcídio

POLÍTICA RODA VIVAHÁ 3 HORASPOR FOLHAPRESS
O senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) afirmou nesta segunda-feira (16) que o PMDB tem função proeminente no esquema da Lava Jato e que nomes de políticos do partido irão aparecer na investigações. Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Delcídio disse que, quando sair a delação da Andrade Gutierrez, a participação de caciques do partido peemedebista será "nítida".
"Renan [Calheiros], Romero [Jucá], Lobão e outros irão aparecer", afirmou. Em relação ao presidente interino Michel Temer, Delcídio disse que "não colocaria a mão no fogo" por ele. A declaração foi feita ao ser questionado sobre trecho de sua delação premiada em que diz que Temer endossou a indicação de Jorge Zelada para ser diretor da Petrobras. Zelada foi preso na Lava Jato.
Delcídio disse também que a corrupção na Petrobras se tornou sistêmica a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador cassado afirmou que a corrupção na estatal não começou com o PT, mas que foi com o partido que se "criou um nível mais amplo"."Desde outros presidentes aconteceram casos de corrupção dentro da Petrobras e de outras companhias. A diferença é que foi aí que começou uma espécie sistêmica e atuações partidárias, que se criou um nível de operação muito mais amplo, com o conhecimento das principais lideranças partidárias que compunham a base do governo federal. Isso é inegável", disse Delcídio.
O senador cassado afirmou que a presidente afastada Dilma Rousseff e Lula tinham conhecimento do petrolão, mas que o governo subestimou a Lava Jato e que passou a se preocupar com a operação apenas quando "a água estava batendo no pescoço". "Todo mundo aqui sabe que quem cuida da Petrobras é o presidente da República. O presidente da Petrobras sempre teve ligação direta com o presidente [da República]. Portanto dizer que não conhece e não participou das composições? Tenha paciência. É querer desqualificar ou achar que todo mundo é idiota", afirmou.
Sobre a sua prisão, em novembro do ano passado, Delcídio afirmou que, após se tornar líder do governo no Senado, "passou dos limites" e ficou "assoberbado". O senador cassado pediu desculpas ao público e amenizou o seu crime, dizendo que foi denunciado por obstrução de justiça, que seria menos grave do que "roubo, desvio de dinheiro ou contas no exterior". Delcídio afirmou que errou ao ter cedido à pressão de Dilma e de Lula para tentar interferir nas investigações da Lava Jato.
Apesar de admitir erros, Delcídio negou ter sido beneficiado pessoalmente pelos desvios na Petrobras e disse que "passou a limpo" todas as coisas que diziam sobre ele.
CASSAÇÃO
Na semana passada, Delcídio teve o mandato de senador cassado por quebra de decoro parlamentar. O senador foi acusado de formação de organização criminosa e de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato quando tentou tramar a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso pela investigação do petrolão.
Ele foi flagrado em uma conversa com o filho de Cerveró, Bernardo, em que traçava o plano como forma de convencer Cerveró a não contar tudo o que sabia sobre os esquemas de corrupção da estatal em uma delação premiada. O senador também ofereceu ajuda financeira à família.
Delcídio é o terceiro senador a ser cassado na história do Senado. Ele teve o maior placar contrário a ele. Antes foram cassados Luiz Estevão, em 2000, com 52 votos, e Demóstenes Torres, em 2012, com 56 votos. Ele ficará inelegível por oito anos a partir do fim do mandato, que seria em 2019, embora a defesa do senador prometa recorrer à Justiça. Com informações da Folhapress.