domingo, 21 de fevereiro de 2016

BASHAR AL-ASSAD | PRESIDENTE DA SÍRIA Bashar al-Assad: “Há 80 países que apoiam os terroristas na Síria”

EL PAÍS entrevista o presidente da Síria em um momento crucial do conflito no país
O próximo mês marca o quinto aniversário do início das revoltas depois das quais a Síria mergulhou numa das guerras mais sangrentas que se tem notícia na história do Oriente Médio. Ao menos 260.000 pessoas morreram, segundo a ONU. Cinco milhões de sírios procuraram refúgio no exterior. A Europa recebeu um milhão de pessoas, numa das piores crises humanitárias do último século. Tentando atravessar o Mediterrâneo, 3.000 pessoas morreram afogadas no ano passado.
Bashar al-Assad, que se tornou presidente do país depois da morte do pai no ano 2000, perdeu –logo após a eclosão do conflito– o controle de uma parte do país, quando grandes cidades como Homs e Aleppo caíram nas mãos das milícias rebeldes armadas. Recentemente, recuperou terreno nesses bastiões adversários e seu Exército lançou uma ofensiva para interromper as vias de acesso e abastecimento dos rebeldes a partir da Turquia, com a cobertura decisiva dos bombardeios da aviação russa, que começaram em setembro.
O presidente sírio, recebeu o EL PAÍS no sábado, em meio a um forte esquema de segurança em Damasco. Concedeu esta entrevista num momento em que já fala de retomar todo o território nacional e ganhar a guerra, a apenas quatro dias de uma nova reunião para a retomada das negociações de paz em Genebra e com a questão de que se o cessar-fogo anunciado pelos EUA e a Rússia em 12 de fevereiro terá efeito, depois de que na sexta-feira expirou sem sucesso o prazo que haviam definido para sua aplicação. Ele diz que sua próxima missão é perseguir oEstado Islâmico no coração de suas operações, sua autoproclamada capital em Raqa.
Assad diz aos refugiados que podem regressar ao país sem medo de represálias e acusa Governos islâmicos como os do Qatar e da Turquia de haver promovido o conflito na Síria, um cenário no qual, admite, não só se medem os interesses de um Estado, mas os de toda uma região, com a Arábia Saudita e o Irã como potências em conflito.
Pergunta. Nesta semana foi permitido o acesso de ajuda humanitária a sete áreas sitiadas. Há estimativas de que nessas áreas vivem 486.000 pessoas, muitas delas cercadas há mais de três anos. Por que a introdução dessa ajuda demorou tanto?
Resposta. Na realidade, isso não aconteceu recentemente. Está em andamento desde o início da crise. Nós não impusemos nenhum embargo sobre qualquer área na Síria. Há uma diferença entre um embargo e um exército cercando uma área específica, porque há milicianos, e isso é algo natural nesse caso de segurança ou situação militar. Mas o problema nessas áreas é que os próprios grupos armados confiscaram alimentos e outros bens básicos dos habitantes e os entregaram aos milicianos ou os venderam a preços muito elevados. Enquanto Governo, não impedimos nunca a chegada de ajuda a qualquer área, inclusive àquelas que estão sob controle do Estado Islâmico [ISIS, na sigla em inglês], como a cidade de Raqa, no norte do país, que agora está sob seu controle e antes estava sob o controle da Frente Al-Nusra [ramo local da Al-Qaeda], por quase três anos. Enviamos a essas áreas todas as pensões dos aposentados, os salários dos funcionários e as vacinas para as crianças.
"Depois de dez anos quero ter sido capaz de salvar a Síria"
P. Então continuam enviando a Raqa e a outros bastiões do ISIS a comida e os salários dos funcionários?
R. Sim. Se enviarmos salários a Raqa porque acreditamos como Governo que qualquer pessoa síria está sob nossa responsabilidade, como não vamos fazer isso em outras áreas? Isso seria contraditório. É por isso que eu disse que o envio de ajuda humanitária não é algo recente. Nós, desde o início, nunca deixamos de permitir o encaminhamento de ajudas e alimentos.
P. E continuarão chegando?
R. Claro.
P. A Rússia e os EUA anunciaram uma trégua na semana passada. O Governo sírio está disposto a respeitar o cessar-fogo e a suspensão das operações militares na Síria?
R. Claro. Além disso, anunciamos que estamos prontos para isso, mas a questão não depende unicamente de um anúncio. Depende do que fizermos no terreno. Agora, eu acredito que o conceito de cessar-fogo não é correto, porque o cessar-fogo tem lugar entre dois exércitos ou dois países em conflito. Seria melhor usar o conceito de cessação de operações. Depende principalmente de interromper o fogo, mas também de outros fatores complementares e que são mais importantes, tais como impedir que os terroristas aproveitem a suspensão das operações para melhorar suas posições. Também depende de proibir outros países, especialmente a Turquia, de enviar mais homens e armas ou qualquer tipo de apoio logístico aos terroristas. Além disso, existe uma resolução do Conselho de Segurança da ONU relativa a esse ponto que não foi observada. Se nós não garantirmos todos esses requisitos necessários para a suspensão das operações, tudo isso terá um efeito negativo e causará mais caos na Síria e também poderá levar à divisão de fato do país. Portanto, aplicar a cessação das operações pode ser positivo se forem atendidos os requisitos necessários.
P. Então, haverá combates, apesar do cessar-fogo, pelo menos contra alguns grupos armados?
"Se a Turquia e a Arábia Saudita enviarem tropas, vamos tratá-los como terroristas"
R. Sim, certamente, como por exemplo, contra ISIS, Al Nusra e outras organizações ou grupos terroristas filiados à Al-Qaeda. Agora, a Síria e a Rússia anunciam quatro nomes: Ahrar Al-Sham e Jeish Al-Islam [Exército do Islã], além da Frente Al-Nusra e do ISIS.
P. As suas tropas já cercam Aleppo, um dos bastiões da oposição. Quando preveem retomar o controle completo dessa cidade?
R. Na verdade, já estamos no centro da cidade e grande parte dela está sob controle do Governo. A maioria dos habitantes dos subúrbios se deslocou da área controlada pelos terroristas para áreas sob controle do Governo. A questão já não é retomar o controle da cidade. Na verdade, a questão reside em bloquear as estradas entre a Turquia e os grupos terroristas. Esse é o objetivo das batalhas em Aleppo agora, e o conseguimos recentemente, fechamos as principais vias. Não há um isolamento completo entre Aleppo e a Turquia, mas torna a relação entre a Turquia e os terroristas muito mais difícil. É por essa razão que a Turquia está bombardeando os curdos recentemente.
P. O que virá depois de Aleppo? O Exército sírio está preparado para chegar a Raqa, capital autoproclamada do Estado Islâmico?
R. Em princípio, iremos para todos os lugares, mas neste momento estamos combatendo em mais de dez frentes na Síria. Estamos avançando em direção a Raqa, mas ainda estamos longe dela. Em princípio, sim, estamos indo rumo a Raqa e a outras áreas, embora o tempo dependa dos resultados dos diferentes combates atualmente em curso no país e por essa razão não é possível definir com exatidão o prazo.
Bashar al-Assad, durante a entrevista neste sábado. Presidência da Síria
P. A Rússia começou uma intensa campanha de ataques aéreos contra as principais posições da oposição. Isso foi um ponto de inflexão no conflito. Alguns consideram que a Síria tem a iniciativa agora. O senhor acredita que poderia ter conseguido isso sem ajuda externa?
R. Sem dúvida, o apoio russo e iraniano foi essencial para que o nosso Exército conseguisse esse avanço. Mas dizer que não teríamos sido capazes de alcançar essas realizações é uma pergunta hipotética. Quero dizer que ninguém pode ter uma resposta certa. Mas, certamente, nós precisamos dessa ajuda por uma razão simples: porque mais de 80 países apoiam com diferentes meios os terroristas. Alguns diretamente com dinheiro, apoio logístico, armas ou combatentes. E outros países ofereceram apoio político nos diferentes fóruns internacionais. A Síria é um país pequeno e nós podemos lutar, mas em última análise existe um apoio incondicional a esses terroristas e é óbvio que nessa situação existe a necessidade de apoio internacional. Mas volto a dizer que essa pergunta é hipotética e não posso respondê-la.
P. No que diz respeito às incursões aéreas russas, as vítimas civis não o preocupam? Na segunda-feira, um hospital foi bombardeado, onde perderam a vida 50 pessoas. Os EUA responsabilizaram a Rússia pelo incidente.
R. Outros responsáveis norte-americanos disseram que não sabiam quem havia cometido o ato, foi isso o que disseram mais tarde. Essas declarações contraditórias são algo comum nos EUA, mas ninguém tem uma prova que indique o autor dos ataques e como ocorreram. Com respeito às vítimas, esse é um problema de todas as guerras. É claro que sinto tristeza pela morte de qualquer civil inocente neste conflito, mas assim é a guerra. As guerras são ruins, não existe guerra boa, porque sempre haverá civis e sempre haverá inocentes que pagam o preço
P. Então como o senhor explica ao seu povo, aos sírios, que existe um Exército estrangeiro operando em seu território que causou vítimas civis? O senhor vê isso como algo inevitável?
"Nossas relações não mudaram com a América Latina. Eles conhecem cada vez melhor a situação e apoiam a Síria cada vez mais"
R. Não, não há nenhuma evidência de que os russos tenham atacado alvos civis. Eles são muito precisos em seus ataques e sempre atacam, todos os dias, bases e posições terroristas. São os norte-americanos que assassinaram muitos civis na parte norte da Síria. Até agora não aconteceu um único incidente russo relacionado com civis, pois os russos não atacam civis e seus ataques ocorrem principalmente em áreas rurais.
P. Falando de exércitos estrangeiros, como o senhor responderá se a Turquia e a Arábia Saudita cumprirem suas ameaças de enviar tropas ao seu país sob o pretexto de combater o Estado Islâmico?
R. Como você diz, esse é o pretexto. Mas se isso acontecer, vamos tratá-los como estamos tratando os terroristas. Vamos defender o nosso país. Tal ação constitui uma agressão. Eles não têm nenhum direito de intervir na Síria, política ou militarmente. Seria uma violação da lei internacional e para nós, como cidadãos sírios, nossa única opção é lutar e defender nossa pátria.
P. A Turquia começou a bombardear as áreas sírias a partir do seu território.
R. Sim, e antes do bombardeio a Turquia enviou terroristas e, portanto, está trabalhando para alcançar o mesmo objetivo e produz o mesmo efeito com diferentes meios. A Turquia está envolvida nos acontecimentos na Síria desde o início.
P. A Arábia Saudita tentou unir a oposição em uma conferência realizada em Riad. Alguns milicianos ligados à Al-Qaeda estiveram presentes às reuniões. O senhor reconhece algum grupo da oposição armada como parte legítima com a qual pode negociar?
R. Refere-se aos grupos que combate sobre o terreno?
P. Sim.
"É claro que podem voltar. Queremos que as pessoas voltem à Síria"
R. Não. Dos pontos de vista legal e constitucional, todo aquele que porta armas contra o povo e contra o Governo é um terrorista, seja no seu país, no nosso país ou em qualquer outro país do mundo. Não podemos dizer que essas pessoas gozam de legitimidade. Poderão ser legítimos quando depuserem as armas e participarem do processo político. Essa é a única forma possível em qualquer país para a reconstrução ou para mudanças na lei, na constituição ou no Governo. Isso pode ser feito por meio de um processo político, e não com uma arma.
P. Então o senhor considera terroristas todos aqueles que combatem?
R. Sempre e quando não anunciarem que estão dispostos a se juntar ao processo político, sim. Só então não teremos problema com eles.
P. No que diz respeito aos combatentes, independentemente das suas intenções, se renunciarem às armas e quiserem voltar, eles poderão fazê-lo?
R. Nós vamos conceder anistia a eles, isso já aconteceu nos últimos dois anos e ultimamente se acelerou. Muitos deles depuseram as armas e alguns se juntaram às fileiras do Exército sírio e atualmente lutam contra o ISIS e recebem apoio do Exército sírio e dos caças russos.
P. Então, se como o senhor disse, aqueles que pegaram em armas contra o Governo são todos terroristas, com quem exatamente negociam em Genebra?
R. Em Genebra supunha-se que havia uma mistura. De um lado terroristas e extremistas que foram treinados na Arábia Saudita, alguns dos quais pertencem à Al-Qaeda. De outro lado são oposicionistas que vivem no exílio ou dentro da Síria. Podemos negociar com este outro lado, com sírios patriotas vinculados ao seu país, mas sem dúvida não podemos negociar com os terroristas, e por isso a conferência fracassou.
P. E os líderes e ativistas da oposição que estão presos na Síria desde antes da eclosão do conflito em 2011?
R. Todos eles saíram a muito tempo da prisão e a grande maioria deles já faz parte da oposição.
P. Todos?
R. Todos saíram antes de 2010, inclusive alguns terroristas que haviam sido condenados a vários anos de prisão, como por exemplo cinco anos, cumpriram a sentença, saíram, e quando a crise começou eles se incorporaram novamente aos grupos terroristas.
P. O senhor tem provas disso?
R. Sim. Um deles morreu recentemente, Zahran Aloush. Ele foi condenado à prisão porque tinha vínculos com a Al-Qaeda, e quando a crise começou ele formou seu próprio grupo terrorista.
"Não me interessa minha presença no poder"
P. De acordo com algumas estimativas, existem 35.000 jihadistas estrangeiros hoje na Síria, entre eles 4.000 que vieram da Europa. O Governo espanhol afirmou que cerca de 300 pessoas têm passaportes espanhóis. O que vai acontecer com eles se caírem nas mãos do Exército sírio?
R. Os espanhóis?
P. Os jihadistas estrangeiros em geral.
R. Primeiro, nós lidamos com eles como lidamos com os demais terroristas. Do ponto de vista legal não existe diferença em relação às nacionalidades, mas se pergunta sobre extraditá-los aos seus países, isso se daria através das relações institucionais dos dois países.
P. Nesse contexto, do seu ponto de vista, o que atrai esse grande número de estrangeiros à Síria?
R. Basicamente, o respaldo que recebem. Eles recebem um verdadeiro respaldo externo. A Arábia Saudita é o principal financiador desses terroristas. Ela os coloca em aviões, os envia à Turquia e de lá à Síria. O outro fator de atração está no caos, já que o caos é um terreno fértil para os terroristas. O terceiro fator é a ideologia, porque eles pertencem à Al Qaeda. Essa região, em nossa cultura religiosa, a cultura do Islã, ocupa uma posição destacada depois de Meca, Jerusalém e os demais locais sagrados. Eles acreditam que podem vir aqui para estabelecer seu estado e certamente se expandirão a outras regiões mais tarde. Mas a ideia é que eles podem vir, combater e morrer por Alá e o Islã, para eles isso é a jihad.
P. Se o Governo conseguir o controle de todo o território sírio, o senhor dará início a um processo político? O senhor estaria disposto a participar novamente de eleições?
R. O mais normal seria a formação de um Governo de unidade nacional que integre todas as correntes políticas que desejam fazer parte do mesmo. Este Governo deverá preparar as condições para a elaboração de uma nova Constituição, porque se existe a vontade de falar do futuro da Síria e debatê-lo com os diferentes partidos, e discutir a maneira de solucionar o problema interno, deve-se debater a Constituição. A Constituição certamente deve ser submetida a uma consulta popular. E em função da nova Constituição devem ser realizadas eleições antecipadas. Se o povo e os diferentes partidos querem realizar eleições, serão realizadas. Mas solucionar a parte política do problema nada tem a ver com minha opinião pessoal.
P. Como o senhor se vê daqui a 10 anos?
R. O mais importante é como vejo o meu país, porque sou parte de meu país. Consequentemente, depois de dez anos quero ter sido capaz de salvar a Síria, mas isso não significa que continuarei sendo presidente. Estou falando de minha visão sobre esse período. A Síria estará bem e eu serei a pessoa que salvou seu país. Esse é meu trabalho agora e esse é meu dever. De modo que vejo a mim mesmo em relação ao cargo e a minha pessoa como cidadão sírio.
P. Mas o senhor estará no poder depois de 10 anos?
R. Esse não é meu objetivo. Para mim não me interessa minha presença no poder. Para mim se o povo sírio quer que eu esteja no poder, então estarei e se não quiser, então não estarei. Se eu não posso ajudar meu país, então devo sair imediatamente.
"Podemos negociar com sírios patriotas, mas sem dúvida não podemos negociar com os terroristas"
P. Com sua permissão, gostaria de citar uma parte do relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a Síria, publicado em 3 de fevereiro: “Alguns presos pelo Governo foram espancados até a morte ou morreram pelas feridas que sofreram durante a tortura”. Acrescenta que o Governo cometeu crimes de guerra.
R. Isso é semelhante ao que os catarianos fizeram há um ano, mais ou menos, quando falsificaram um relatório composto por imagens não verificadas de pessoas feridas, baseando-se em informações de fontes duvidosas. Depois enviaram o relatório às Nações Unidas. Isso é parte da manipulação midiática feita contra a Síria. Esse é o problema, o Ocidente e sua campanha midiática. São utilizadas informações não verificadas para acusar a Síria, responsabilizá-la e depois adotar medidas contra o país.
P. O mundo se emocionou com a imagem do garoto Aylan Kurdi, um refugiado sírio que tinha três anos de idade, que apareceu morto em uma praia da Turquia. Como o senhor se sentiu com essa imagem?
R. É uma das partes mais tristes do conflito sírio, que existam pessoas que abandonem seu país por diversas razões. Mas além do sentimento, a pergunta que população síria faz a nós, como funcionários públicos, é o que vamos fazer. Quais medidas foram tomadas para permitir que esses refugiados voltem ao seu país ou não precisem sair. Existem duas razões. A primeira, a que nós precisamos enfrentar, obviamente, é o terrorismo, porque os terroristas não somente ameaçam a população, mas a privam de seus meios de vida básicos. A segunda razão é o embargo aplicado contra a Síria por parte do Ocidente, especialmente os EUA, algo que causou mais dificuldades para a vida das pessoas daqui, especialmente na área de saúde. Devemos enfrentar essas razões para evitar que essa tragédia se prolongue por muito tempo.
P. O senhor mencionou que parte desses refugiados fogem do EI, mas alguns afirmam que fogem do governo e das campanhas realizadas pelo governo em algumas regiões sírias.
R. Eu poderia mostrar-lhe fatos que contradizem isso e que você poderá ver durante sua estadia na Síria, e a maioria das pessoas que vivem na área sob o controle dos terroristas, migrou à região sob o controle do governo. De modo que se querem fugir do Governo, por que pedem ajuda ao Governo? Isso não é real. Mas agora, quando existe uma batalha, tiroteio e enfrentamentos entre o Governo e os terroristas em determinadas áreas, é natural que a maioria de seus habitantes deixe essas áreas rumo a outras, mas isso não significa que fujam do Governo. Alguns dos que migraram às regiões sob o controle do Governo são familiares dos próprios combatentes rebeldes.
P. Segundo estimativas internacionais, por volta de cinco milhões de refugiados fugiram da Síria. Um milhão se dirigiu à Europa. Quais garantias essas pessoas têm para regressar com toda a liberdade e sem medo de represálias.
R. É claro que podem voltar, quero dizer que têm o direito de retornar. A menos que se trate de um terrorista e assassino, não fugiram do Governo. E alguns deles, e acredito que um grande número, são partidários do Governo e não fugiram dele, mas como eu disse, as condições de vida se deterioraram muito nos últimos cinco anos. Então com certeza, podem retornar sem que o Governo adote qualquer tipo de medidas contra eles. Queremos que as pessoas voltem à Síria.
P. O que o seu Governo pode fazer para deter o fluxo de refugiados que provocou a morte por afogamento de tantas pessoas no Mediterrâneo?
R. Como eu já disse, não depende unicamente da Síria, mas também do resto do mundo. Primeiro, a Europa deve levantar o embargo imposto sobre o povo sírio, porque na realidade não é um embargo sobre o Governo sírio, mas contra o povo sírio. Segundo, a Turquia deve deixar de enviar terroristas à Síria. Terceiro, como Governo, devemos combater os terroristas, sem hesitar, e devemos melhoras as condições de vida das pessoas com todos os meios a nosso alcance que permitam aos sírios continuar em seu país. Essa é o único caminho que pode trazer essas pessoas de volta e convencê-las a voltar ao seu país. Estou certo de que a maioria delas quer voltar à Síria.
P. Quando o senhor chegou ao poder, prometeu realizar reformas democráticas, no que foi chamado de “a primavera de Damasco”. Alguns acreditam que se o senhor tivesse realizado aquelas reformas com mais rapidez, poderia ter salvado muitas vidas. Principalmente a oposição e os EUA alegam que se o senhor tivesse abandonado o poder, muitas dessas vidas seriam salvas. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
R. A pergunta é: Qual é a relação entre o que você mencionou e o envio de dinheiro por parte do Catar, o envio de armas e o respaldo direto aos terroristas? Qual é a relação entre isso e o papel da Turquia no respaldo aos terroristas? Qual é a relação disso com a presença do EI e da Al Nusra na Síria? Então essa relação não é correta. Se querem mudar o presidente do governo, em qualquer regime, seja em seu país ou em qualquer outro país, devem fazê-lo mediante um processo político. Não podem utilizar as armas. O uso das armas não pode ser o caminho para mudar o regime e estabelecer uma democracia. Não se consegue a democracia com uma pistola e a experiência dos EUA no Iraque o demonstra. Acontece a mesma coisa no Iêmen. O presidente [Ali Abdullah] Saleh abandonou o poder pelas mesmas alegações. O que aconteceu no Iêmen? Por acaso está melhor agora? Isso não é correto e não existe nenhuma relação. Podemos conseguir a democracia mediante o diálogo e ao mesmo tempo elevando o nível da sociedade à democracia, para alcançar essa mesma democracia. A verdadeira democracia deve ser estabelecida na base da própria sociedade. Como podemos aceitar um ao outro. Essa região é um recipiente que reúne as diferentes etnias, seitas e religiões. Como eles podem aceitar-se um ao outro? Quando conseguirem fazê-lo, então poderão aceitar-se um ao outro politicamente e então a verdadeira democracia será alcançada. De modo que o tema não depende do presidente. Tentaram personalizar o problema, somente para demonstrar que é um simples problema e que se o presidente abandonar o poder, então tudo ficará bem. Ninguém pode aceitar essa visão.
P. Nestes cinco anos, vendo tantas vidas perdidas e sítios arqueológicos destruídos, o senhor teria feito alguma coisa diferente?
R. No geral, se queremos falar sobre princípios, desde o início dissemos que combateríamos o terrorismo e que iríamos estabelecer um diálogo. Abrimos o diálogo com todos, com exceção dos grupos terroristas. Ao mesmo tempo, abrimos as portas aos terroristas se quisessem depor as armas e voltar a sua vida normal, pois oferecemos a eles uma anistia geral. Então, esse é o princípio da solução integral. Agora, cinco anos depois, não posso dizer que isso tenha sido um erro, e não acredito que iremos mudar esses princípios. Implementar as medidas às vezes é diferente, porque isso depende de diversos responsáveis, diversas instituições, diversas pessoas e diversos indivíduos. Qualquer um pode cometer erros, e isso pode acontecer. Então se quiséssemos mudar algo, se pudéssemos mudar os erros cometidos em diferentes partes, o teríamos feito; isso é o que eu teria feito se pudesse voltar os ponteiros do relógio.
P. Então, do seu ponto de vista, desde o começo o senhor chamou de terroristas os protestos que ocorreram em Daraa e Damasco, como infiltrados pelas forças estrangeiras. Como o senhor enxergou aquelas primeiras manifestações contra o Governo?
R. No começo existia uma mistura de manifestantes. Primeiro, o Catar pagou a esses manifestantes para que aparecessem na Al Jazeera e depois convencer a opinião pública mundial de que o povo se levantava contra o presidente. O maior número que conseguiram foram 140.000 manifestantes em toda a Síria, o que não é nada, em quantidade, e é por isso que não estávamos preocupados. Então, infiltraram os manifestantes com militantes que dispararam contra a polícia e contra os manifestantes, com a finalidade de provocar mais protestos. Quando fracassaram, começaram a enviar armas para apoiar os terroristas. Mas existiram manifestantes que protestaram honestamente? Que queriam uma mudança? Com certeza, mas não todos. Não se pode dizer que todos eles, como também não se pode dizer que todos eram terroristas.
P. O senhor visitou a Espanha duas vezes e os presidentes José María Aznar e José Luis Rodríguez Zapatero também visitaram a Síria quando estavam no cargo. Como tem sido sua relação com a Espanha desde então?
R. A Espanha de modo geral é contrária a qualquer solução arriscada na Síria. É algo que valorizamos. Não apoiaram nenhuma ação militar contra a Síria e disseram que isso complicaria ainda mais a situação. Não falam em derrubar o presidente e interferir em nossos assuntos nacionais. Disseram que tudo deve acontecer baseado em uma solução política e mediante um processo político. Isso é muito bom. Mas ao mesmo tempo, a Espanha é parte da União Europeia e isso faz com que fique atada às decisões da UE. Esperamos da Espanha esse papel em fazer chegar a mesma mensagem e transmitir nosso ponto de vista político sobre nosso conflito à União Europeia.
P. Na América Latina, em sua opinião, onde possuem o maior respaldo?
R. No geral, e é algo estranho e lamentável ao mesmo tempo, os países mais distantes da Síria têm uma visão muito mais realista do que acontece na Síria do que os europeus, que são mais próximos em distância, nós somos considerados como o quintal da Europa. Estou falando em nível oficial e enquanto sírio ao mesmo tempo. Eles nos conhecem muito mais e apoiam a Síria em todos os foros internacionais e não mudaram sua postura desde o início da crise.
R. Temos relações normais com eles, como temos com a Argentina, Venezuela, Cuba e todos os países da América Latina. Nossas relações não mudaram por conta da crise e eles conhecem cada vez melhor a situação e apoiam a Síria cada vez mais. Isso é muito diferente da postura europeia.

Cunha colocará em votação projeto que dá 'calafrios' no Planalto

Trata-se da PEC que aumenta o gasto mínimo da União com saúde de 15% para 18,7%
POLÍTICA MOSTRANDO FORÇAHÁ 32 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
A derrota de seu candidato na eleição que escolheu o líder da bancada do PMDB não parece não ter abalado o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Pelo contrário. Nos próximos dias, ele mostrará que ainda tem muita força e poder de influência.
Uma de suas açõs será colocar em votação uma PEC que, segundo relata a coluna "Painel", da Folha de S. Paulo, causa "calafrios" no Planalto. Tudo porque o projeto em questão aumenta o gasto mínimo da União com a área de saúde de 15% para 18,7%, limitando ainda mais os gastos federais.
Outra ação de Cunha no pós-eleição será a nomeação de Índio da Costa, pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSD, na relatoria da Lei da Olimpíada. Com isso, o presidente da Câmara garante um certo marketing àquele que provavelmente duelará com Pedro Paulo (PMDB-RJ) na eleição da capital fluminense.
Pedro Paulo, vale lembrar, era secretário do prefeito Eduardo Paes e se licenciou do cargo para voltar ao Congresso a fim de colaborar para a derrota do candidato de Cunha, Hugo Motta, na escolha pela liderança do partido.

Maduro assina decreto de aumento de 52% do salário mínimo na Venezuela Aumento vale a partir de 1º de março. Na quarta (17), presidente aumentou preço da gasolina.

Nicolás Maduro fala durante encontro com ministros da área econômica no Palácio de Miraflores nesta terça-feira (26) (Foto: Palácio de Miraflores/Reuters)
Nicolás Maduro fala durante encontro com ministros da área econômica no Palácio de Miraflores nesta terça-feira (26) (Foto: Palácio de Miraflores/Reuters)
O presidente da VenezuelaNicolás Maduro, assinou neste sábado (20), três dias após anunciá-lo junto com aumento dos preços internos da gasolina, entre outras medidas econômicas, o decreto de aumento de 52% do salário mínimo a partir do próximo 1º de março.
Maduro destacou que são 32 os aumentos salariais decretados pelo governo durante a "revolução bolivariana", como denomina sua gestão presidencial da mesma forma que o fez seu mentor e antecessor, o falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

"É preciso sair para a rua porque a oposição deve, entre outras infâmias, reformar a Lei do Trabalho para flexibilizar a demissão dos funcionários públicos e privados", disse.
"Só em 2015 foram quatro aumentos (em um total) de 140%", acrescentou Maduro, após pedir aos trabalhadores para defender "nas ruas as conquistas da revolução" e assegurar que a oposição parlamentar a seu governo, majoritária após o pleito legislativo de dezembro do ano passado, quer anulá-las.

A continuidade de Evo: Quatro pontos sobre o referendo da Bolívia neste domingo Bolivianos irão às urnas para dizer se querem ou não uma reforma constitucional para permitir que o presidente possa disputar mais uma vez. Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil

Presidente da Bolívia, Evo Morales, durante a inauguração de moradias populares em Palo Alto na segunda-feira (15) (Foto: David Mercado/ Reuters)Presidente da Bolívia, Evo Morales, durante a inauguração de moradias populares em Palo Alto na segunda-feira (15) (Foto: David Mercado/ Reuters)
Neste domingo, cerca de 6,5 milhões de bolivianos irão às urnas para dizer se querem ou não uma reforma constitucional para permitir que o presidente Evo Morales dispute mais um mandato na eleição de 2019.
Evo, de 56 anos, foi eleito pela primeira vez em 2005 e está cumprindo agora seu terceiro mandato seguido.
O governo costuma afirmar que este é seu segundo mandato, a partir da nova Constituição implementada na gestão do presidente boliviano.
País com cerca de 10 milhões de habitantes, de maioria indígena, a Bolívia tem vivido tempos de estabilidade econômica, com inflação controlada e crescimento em torno dos 4%, segundo dados oficiais e privados.
As últimas pesquisas de opinião divulgadas no início deste mês de fevereiro indicaram que Evo e sua gestão teriam em torno de 60% de aprovação popular.
No entanto, analistas destacam que episódios negativos recentes podem refletir no resultado de domingo – casos da notícia sobre uma suposta ex-namorada do presidente, que seria ligada a uma empresa chinesa com contratos com o governo, e da morte de seis pessoas em um protesto, nesta semana, na municipalidade de El Alto, antigo reduto eleitoral de Evo, em La Paz.
A suposta ex-namorada - e um suposto filho que teriam tido juntos - dominou as redes sociais dos bolivianos nos últimos dias.
Evo reconheceu que teve um filho com a empresária Gabriela Zapata, em 2007, e que a criança teria falecido. "Essa poderia ser a primeira eleição na qual Evo não teria índices acima dos 50% ou 60% dos votos favoráveis", disse à BBC Brasil o analista político José Luis Gálvez, do instituto Equipos Mori.
Segundo ele, antes mesmo desses episódios, pesquisa do instituto indicava um virtual empate entre o "sim" e o "não" em torno dos 40%, com cerca de 19% de indecisos.
"A maioria aprova a gestão de Evo, mas esse apoio pode não ser refletido no respaldo à mudança constitucional para que ele busque mais um mandato", disse Galvez.
Para o pesquisador Roberto Laserna, do Centro de Estudos da Realidade Econômica e Social (CERES), o governo "transformou" a campanha do referendo em um "verdadeiro plebiscito" da sua gestão.
"A campanha do 'sim' envolveu claramente a figura do presidente e sua administração. E a campanha do 'não' se fixou mais na defesa no respeito às leis, a constituição já em vigor", disse por telefone falando de Cochabamba.
Entenda o referendo de domingo nestes cinco pontos:
O que está em jogo no referendo?
A possibilidade ou não de Evo Morales disputar mais um mandato presidencial.
Se o "sim" vencer, abrindo caminho para a reforma constitucional, Evo, que assumiu a Presidência em 2006, disputaria novo cargo em 2019.
Para analistas, se o sim vencer, mesmo que apertado, o presidente terá também poder político e a ausência de opositores fortes para o restante do atual mandato.
"A situação será diferente se o 'não' vencer", disse Laserna. "Muitos poderão interpretar que se está acabando um ciclo político."
Qual a situação da Bolívia hoje?
Um dos países mais pobres da América do Sul, a Bolívia registrou nos últimos tempos avanços sociais atribuídos à gestão de Evo, segundo organismos como a Cepal, por exemplo.
A estabilidade da economia, com controle de gastos e aumento do consumo, também marca a gestão de Morales, segundo governistas e opositores.
No entanto, análises do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Trabalho (CEDLA), de La Paz, criticam a informalidade no mercado de trabalho e fato de os investimentos dependerem principalmente do setor público, com menor presença do setor privado na economia.
Como anda a economia?
Existe preocupação em relação aos efeitos da queda do preço internacional do petróleo e do gás na economia local. A Bolívia é um dos principais exportadores de gás da América do Sul.
No entanto, o ministro da Economia e Finanças Públicas, Luis Arce, afirma que a estabilidade econômica "não está sendo afetada" por essa conjuntura. Segundo ele, a Bolívia se preparou nos momentos de alta das commodities para dias como os atuais, "economizando e não expandindo os gastos".
O presidente do Banco Central, Marcelo Zabalaga, disse, por sua vez que o período entre 2006 e 2015 (gestão Evo) foi "o mais próspero da Bolívia".
Ele destacou a inflação média de cerca de 5% nesse período, o forte aumento dos níveis das reservas do Banco Central e o "crescimento econômico sustentável".
Segundo analistas, os bolivianos "não percebem no bolso" possíveis efeitos da queda no preço do gás e da expectativa de possível desaceleração da economia a partir deste ano.
O que pode acontecer depois do referendo?
Analistas entendem que dependerá da diferença no resultado entre o "sim" e o "não" e onde o não poderá prevalecer.
"Se o 'não' vencer nos redutos eleitorais tradicionais de Evo e do MAS (Movimento ao Socialismo), sua base política, então a oposição poderá tentar capitalizar o resultado e voltar a ter protagonismo", disse o analista Roberto Laserna.
José Luis Gálvez lembrou que se o 'não' vencer, Evo continuará sendo presidente até 2019, "o que significa certo grau de estabilidade" – ainda que indique uma rejeição a que ele se perpetue no cargo.
Se o "sim" vencer, entendem os analistas, Evo sairá fortalecido junto ao eleitorado e dentro de sua base política.

Mesmo com jogo ganho, Rolling Stones incendeiam público no Rio Britânicos voltaram ao Maracanã com repertório de clássicos. Mais de 60 mil foram ao show, que teve atraso de 20 minutos.

Rolling Stones se apresentam no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)Rolling Stones voltam ao Rio e se apresentaram no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)
Para uma turnê chamada "Olé", devido ao fato dos shows terem estádios de futebol como palcos, as metáforas futebolísticas são quase inevitáveis. Pelo que os Rolling Stones apresentaram na noite deste sábado (20), no Rio de Janeiro, essas metáforas ainda valem.
 O clima de grande jogo garantido em princípio pelos cerca de 66 mil presentes foi confirmado pelo time, ou pela banda, já na aparição de Keith Richards nos três megatelões, junto aos primeiros acordes de "Start me up": de cara saía o primeiro gol. No entanto, o show atrasou por causa de algumas falhas técnicas. Prevista para 21h30, a apresentação começou vinte minutos depois.
A banda seguiu atacando e ampliou placar com outro petardo, "Its only rocknroll (but i like it)", seguido de outra bela jogada: "Tumbling dice" mostrava que o time queria jogo.
Com o domínio da plateia, a banda se deu ao luxo de tocar para os lados e respirar, até o homem-gol Jagger (praticamente o único a avançar pela passarela que partia do palco e adentrava a área 'premium') anunciar que "Like a Rolling Stone" era a canção escolhida pelo público brasileiro para ser tocada nesta turnê. Jogada manjada e bola na rede de novo.
Já com a partida ganha, os veteranos resolveram, enfim, assumir a que vieram, que era dar espetáculo, e o fizeram, emendando clássicos - "Angie", "Paint it black", "Honky tonky women" - com toques para o lado como Richards e Ronnie Wood trocando fraseados de blues em "You got the silver".
Rolling Stones se apresentam no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)Rolling Stones se apresentam no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)
Rolling Stones se apresentam no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)Keith Richards (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)
A parte final foi dedicada a mais lances de efeito, com espaço para algumas firulas, como nas longas versões de "Midnight rambler", "Miss you" e "Gimme shelter" - todas calorosamente acolhidas pela torcida, que mais cedo até a "ola" ensaiou.
Cumprido o tempo regulamentar, a banda saiu de campo para pouco depois retornar e fazer uma prorrogação festiva, como num grande jogo de exibição: "You cant always get what you want" e a inevitável "Satisfaction" demonstraram, para os que ainda duvidavam, que os Stones jogam por música.
Rolling Stones se apresentam no Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)Banda levou 60 mil ao Maracanã (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)

Homem abre fogo em Michigan, nos EUA, e mata 7 pessoas Tiroteio ocorreu em três lugares diferentes do condado de Kalamazoo. Um suspeito armado foi detido.

Um homem abriu fogo, matou sete pessoas e feriu outras nove no estado de Michigan, nosEstados Unidos, na noite deste sábado (20), informou a polícia. O tiroteio ocorreu no condado de Kalamazoo.
A polícia estadual deteve um suspeito dos disparos. O tenente David Hines anunciou a detenção de um homem à emissora "Woodtv", associada à "CNN". O detido aparenta ter 45 anos e é morador da própria cidade de Kalamazzo, que fica a leste de Chicago.
Hines disse que o detido e o carro no qual estava batem com a descrição dada por testemunhas.
O funcionário do escritório do xerife Paul Matyas afirmou que foi encontrada uma arma no carro do suspeito e que os disparos ocorreram de forma aleatória, contra as pessoas que ele encontrou no caminho em três lugares diferentes do condado.
Estacionamento de restaurante onde atirador baleou várias pessoas (Foto: Kantele Franko / AP Photo)Estacionamento de restaurante onde atirador baleou várias pessoas (Foto: Kantele Franko / AP Photo)
Os mortos inicialmente eram seis, mas a polícia confirmou a morte de uma sétima vítima, uma jovem que estava ferida em estado grave.
Três dos feridos, entre eles uma criança, permanecem em estado crítico, segundo a "CNN".
A polícia ainda não sabe sobre os motivos que levaram o homem a atirar, por volta das 18h30 do sábado.
Os primeiros tiros aconteceram no estacionamento de um bloco de apartamentos onde uma mulher recebeu quatro disparos. A vítima, que ficou gravemente ferida, estava acompanhada de três crianças.
Pouco depois, duas pessoas foram mortas em uma concessionária de veículos, e, depois, o atirador matou outras quatro pessoas que viajavam em dois carros nas proximidades do restaurante Cracker Barrel, a poucos quilômetros do local anterior.