Dos três brasileiros indicados a prêmios do Grammy nesta segunda-feira quem acordou em casa depois da festa com uma estatueta foi a pianista Eliane Elias, por Made in Brazil– eleito o melhor álbum de jazz latino de 2015. Radicada em Nova York desde 1981, Eliane foi representada na cerimônia pela filha e agradeceu o reconhecimento e o apoio dos fãs em sua página no Facebook.
“Estou tão feliz em compartilhar com vocês, queridos amigos, que Made in Brazil acabou de ganhar um Grammy de melhor álbum de jazz latino. Muito obrigada pelo apoio. Amo vocês”, escreveu a pianista. Esta foi a sétima indicação ao Grammy de sua carreira, com 25 álbuns gravados e 2 milhões de cópias vendidas. A revista Jazziz a definiu como “uma cidadã do mundo” e “uma artista que extrapola categorias”.
Made in Brazil é o 24o álbum de Eliane Elias e o primeiro a ser gravado em São Paulo, sua cidade natal, com participações de Ed Motta e Roberto Menescal. Neste Grammy, além da categoria que venceu, ele foi indicado a melhor engenharia de gravação (Best Engineered Album), mas não ganhou.Em seu site, a pianista define este trabalho – em que atuou em várias frentes, incluindo as de produtora, compositora e vocalista – como “uma espécie de volta às origens”.
Gilberto Gil, que concorria à sua terceira estatueta pelo disco Gilbertos Samba Ao Vivo, perdeu na categoria de melhor álbum estrangeiro para Sings, da cantora Angelique Kidjo, de Benim. A terceira concorrente do Brasil foi a pianista Catina DeLuna, que fez os arranjos, vocais e instrumentação de Garota de Ipanema no álbum Lado B: Brazilian Project, do venezuelano Otmaro Ruiz.
O presidente do PT, Rui Falcão, nesta segunda. S. MoreiraEFE
Quase um mês depois de o ex-presidente Lula entrar no olho do furacão da Lava Jato, com denúncias sobre um triplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Governo decidiram sair da toca e defender publicamente sua principal liderança.
No sábado, um dia depois de se reunir com Lula, Dilma Rousseff disse que o ex-presidente "está sendo objeto de uma grande injustiça". Nesta segunda foi a vez do PT se manifestar por meio de uma reunião do seu conselho político, formado por 31 membros. A portas fechadas, Lula se reuniu com lideranças para tratar, basicamente, de dois temas: as formas de retomada do crescimento econômico e as “investidas contra o Estado Democrático de Direito”, segundo nota enviada à imprensa.
Após o encontro, que durou cerca de quatro horas em um hotel na zona sul de São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, evitou falar diretamente sobre Lula, direcionando o discurso para as "ameaças de violação" que o Estado pode vir a sofrer em decorrência dos fatos que levaram às acusações contra o ex-presidente e sugerem conexões com empreiteiras do esquema da Petrobras. “Há um risco efetivo de se gestar um embrião de um estado de exceção dentro de um Estado de Direito”, afirmou em uma coletiva de imprensa que durou oito minutos e foi encerrada após três perguntas de jornalistas.
O presidente do partido listou uma série de indícios para endossar sua tese de que é o Estado, e não apenas Lula, que está sendo violado: “prisões preventivas sem necessidade, a abolição do habeas corpus, delações forçadas, criminosos que depois de fazer delações são transformados em heróis na mídia”, afirmou. “Um conjunto de circunstâncias que não dizem respeito somente ao PT, mas à própria democracia do país”.
Horas antes do encontro, Falcão havia publicado uma nota em sua página no Facebook afirmando que os ataques a Lula seriam um dos “temas prioritários” da reunião. Na entrevista, porém, disse que não discutiram esse assunto, mostrando a dificuldade que o partido tem tido para afinar o discurso sobre o assunto que pode prejudicar as pretensões eleitorais do PT para 2018. Nos últimos dias, vozes dentro do partido diziam que o PT deveria se posicionar com mais força sobre as acusações contra Lula.
Ainda assim, Falcão foi questionado por jornalistas, após a reunião, sobre o sítio em Atibaia. O local, frequentado pelo ex-presidente, está sendo investigado sob a acusação de ter sido reformado por empresas envolvidas na Operação Lava Jato. Um dos donos do sítio é sócio de um dos filhos de Lula, mas a Justiça investiga se o ex-presidente não seria o verdadeiro dono da propriedade. “São denúncias infundadas, haja vista que o sítio tem escritura, tem nome e o proprietário faculta as visitas a quem quiser”, afirmou Falcão. “As pessoas têm que provar que são inocentes. Embora esse sítio esteja registrado em cartório em nome de outra pessoa, o presidente Lula tem que provar que esse sítio não é dele”, indignou-se.
Defesa do Governo
Apesar de não admitir fazer uma defesa institucional do ex-presidente, o Governo Dilma Rousseff, por meio de ministros e de seus representantes no Legislativo, tem se manifestado no sentido de contra-atacar os que acusam o petista de irregularidades. O principal ministro do PT, Jaques Wagner, da Casa Civil, disse na manhã desta segunda-feira que o ex-presidente é alvo de uma caçada. “É uma caça a uma liderança nacional. Poderia ser uma caça a bandidos, mas neste caso é uma caça praticamente constante”, afirmou, sem citar quem seriam os caçadores.
O líder do Governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE) foi além. Disse que o petista é alvo de um “massacre midiático”. “É uma injustiça. Vão atrás até de saber se ele comprou bebida A ou bebida B. É uma perseguição do tamanho de um oceano”, ponderou, também nesta segunda. Nas últimas semanas, reportagens de revistas e jornais brasileiros mostraram que o ex-presidente foi 111 vezes em quatro anos ao sítio e enviou parte de sua mudança (incluindo 37 caixas de bebida) do Palácio do Planalto para essa propriedade rural.
O contra-ataque dos petistas e de seus aliados também tem como objetivo minimizar eventuais danos à combalida gestão Rousseff, que é afilhada política de Lula. O temor do Governo é que a imagem dela possa se fragilizar ainda mais e dificultar a aprovação, pelo Congresso Nacional, de pontos considerados chaves pela administração, como a recriação da CPMF (imposto sobre movimentações bancárias) e as reformas previdenciária e trabalhista.
Havia a expectativa de que a pauta econômica, algo que divide o partido, fosse debatida na reunião do PT desta segunda. Falcão confirmou que o partido está elaborando um “Plano Nacional de Emergência” para o crescimento econômico, mas não entrou em detalhes. “Levaremos ao diretório”, disse, se referindo à reunião do diretório nacional, que ocorre no final do mês no Rio de Janeiro.
A escalada de reações públicas do PT e seus dirigentes às denúncias ligadas ao ex-presidente Lula começou na sexta-feira. Dilma Rousseff e Lula se reuniram em São Paulo para debater as denúncias ligadas ao sítio de Atibaia e a um tríplex no Guarujá.
No dia seguinte, a presidenta saiu publicamente em defesa de Lula: “Acho que ele está sendo objeto de uma grande injustiça”, disse, em uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro. “Respeito muito a trajetória do presidente Lula e tenho certeza de que esse será um processo que será superado porque acredito que o país, a América Latina e o mundo precisam de uma liderança com as características do presidente Lula”.
O ex-presidente e sua mulher prestarão depoimento pela primeira vez na condição de investigados nesta quarta-feira. À Justiça, Lula terá de esclarecer as acusações relacionadas ao sítio em Atibaia e ao tríplex no Guarujá. De acordo com Rui Falcão, diversos setores estão se mobilizando para ir até o fórum em São Paulo, onde o depoimento acontecerá, para prestar apoio ao ex-presidente.
Documento de 75 páginas foi elaborado pela Controladoria-Geral do Distrito Federal. Entre os problemas encontrados estão o desequilíbrio do contrato em favor das empresas e a concessão de garantias além do razoável para a construção do empreendimento em Taguatinga
Primeira e única Parceria Público-Privada (PPP) do Distrito Federal até agora, o Centro Administrativo do DF está longe de ser inaugurado. Desde que o contrato foi fechado, em 2008, vários episódios marcaram a construção e as tentativas de inauguração do empreendimento. Com a carta de habite-se anulada por uma decisão liminar da Justiça, a ocupação definitiva do espaço fica cada dia mais distante. Uma auditoria da Controladoria-Geral do DF que o Metrópoles teve acesso apontou diversas irregularidades no contrato de licitação que causam grande prejuízo ao bolso dos contribuintes brasilienses. Os problemas detectados vão desde a concepção da parceria até a entrega da obra. A devassa no contrato foi feita pelos auditores entre 17 de novembro do ano passado e 29 de janeiro deste ano. Foram analisadas legalidade, legitimidade, eficiência, eficácia e efetividade do contrato assinado entre o Governo do DF e o Consórcio Centro Administrativo do DF (Centrad), formado pelas construtoras Via Engenharia e Odebrecht. O objetivo da auditoria foi analisar se foram observados as normas e os princípios da Administração Pública na contratação da PPP.
No documento de 75 páginas, os responsáveis pela elaboração da auditoria afirmam que, com relação ao contrato, “prevalece o desequilíbrio da relação em favor do ente privado (empresas). Constatam-se irregularidades praticadas na licitação, que poderiam ensejar a nulidade de todo o processo, e inadequações e irregularidades na constatação e na execução contratual, que igualmente poderiam ensejar sua nulidade”.
O Metrópoles selecionou as 20 principais irregularidades detectadas pela audtoria. Confira cada uma delas:
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) multou a mineradora Rolando Comércio de Areia em R$ 5 milhões pelo lançamento de resíduos no Rio Paraíba do Sul, após o rompimento de uma lagoa de mineração de areia em 5 de fevereiro. O vazamento foi estancado no dia seguinte.
O lançamento de rejeitos ocorreu quando a mineradora fazia as atividades de extração em uma cava de areia próxima ao Paraíba do Sul.
A empresa depositava irregularmente os rejeitos da extração na cava da Meia Lua 1, de propriedade de uma outra mineradora com atividades paralisadas e em processo de renovação de licença.
O lançamento não autorizado elevou o nível de sedimentos na lagoa, o que resultou no rompimento da estrutura, lançando os rejeitos no rio.
O aumento da turbidez provocou a paralisação da captação de água em municípios da região do Vale do Paraíba. Em São José dos Campos, o fornecimento de água foi interrompido para 70% da cidade por quase um dia, segundo informações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Em Pindamonhangaba, também houve interrupção no abastecimento na semana passada devido a problemas na qualidade da água causados pelos rejeitos, mas foi o serviço foi retomado no mesmo dia.
De acordo com o jornal O Globo, o caso investiga se o parlamentar teria recebido propina no valor de US$ 5 milhões para permitir a contratação de navios-sonda pela Petrobras. A Procuradoria-Geral da República já denunciou Cunha nesse inquérito. Depois foi oferecido um aditamento à denúncia, com fatos novos surgidos a partir da delação premiada do lobista Fernando Baiano.
Como refere a publicação, o próprio relator espera que a denúncia seja julgada no plenário no tribunal até o fim do mês. Caso o tribunal concorde com a PGR, Cunha passará à condição de réu em ação penal. O STF irá analisar a denúncia e decidir se afasta ou não Cunha da presidência da Câmara e também do exercício do mandato, conforme pediu a PGR.
A reportagem destaca que em outubro, Zavascki havia decretado o sigilo das investigações pois os depoimentos de Baiano estavam em segredo de justiça – e, portanto, não poderiam ser divulgados. Porém, trechos da delação de Baiano haviam sido divulgados pelo próprio STF. Baiano revelou que Cunha recebeu sua parte nos desvios da Petrobras não só em dinheiro, mas também em créditos para usar aviões particulares fretados por lobistas ligados ao esquema.
Teori Zavascki, ministro relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), revogou o sigilo de um dos inquéritos que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O Globo recorda que a propina devida a Cunha totalizava R$ 7 milhões. Segundo delatores, o montante foi repassado pelo lobista Julio Camargo a Baiano em espécie, por meio do doleiro Alberto Youssef. Dos R$ 7 milhões, foram feitos repasses à Igreja Evangélica Assembleia de Deus em valores de R$ 250 mil e de R$ 125 mil por Julio Camargo, a pedido de Cunha.
O presidente da Câmara dos Deputados também responde a outro inquérito no STF por suposta participação no esquema desvendado pela Lava-Jato. Ainda segundo a reportagem, a investigação mais recente é referente as contas abertas na Suíça em nome do parlamentar.
Zavascki determinou, em outubro, a transferência para uma conta judicial no Brasil de 2,5 milhões de francos suíços – correspondentes a R$ 9,6 milhões. O montante permanece bloqueado em uma conta judicial. Quando for concluído o processo, caso fique comprovado que o valor foi obtido de desvios da Petrobras, haverá ressarcimento aos cofres públicos, informa a publicação.
POLÍTICAEFEITO DOMINÓHÁ 2 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Sem comentar os valores, Odebrecht diz que “segue em negociações construtivas” com os credores e que ainda mantém contratos com a Petrobras
Odebrecht trava, sem alarde, uma batalha com credores internacionais, que temem um calote bilionário de uma subsidiária do grupo. Investidores que emprestaram dinheiro à Odebrecht Óleo e Gás agora pressionam por uma renegociação da dívida. O problema é que, em dezembro, a empresa já não cumpriu o prazo para substituir um contrato de sonda rescindido pela Petrobras, gerando dúvidas sobre sua capacidade de honrar empréstimos que, juntos, somam cerca de US$ 5 bilhões, informou a "Folha de S. Folha".
Sem comentar os valores, Odebrecht diz que “segue em negociações construtivas” com os credores e que ainda mantém contratos com a Petrobras. A estatal não respondeu, segundo a "Folha".
Para completar, a agência de risco Fitch colocou uma das controladas da Odebrecht Oléo e Gás entre as dez empresas mais problemáticas da América Latina e aponta risco de calote. Afirmou, também, que a Petrobras deve renegociar mais contratos de sondas.
Atraídas por bons pagamentos, jornadas flexíveis e a possibilidade de progredir na carreira, imigrantes brasileiras nos Estados Unidos vêm dedicando décadas de suas vidas a um dos serviços menos valorizados no Brasil: o trabalho doméstico.
Em partes do Estado de Massachusetts, onde se estima que a comunidade brasileira some 300 mil pessoas, o setor é hoje dominado por brasileiras, que contam com um batalhão de trabalhadoras e fundaram empresas especializadas em limpeza.
Vinda na década de 1980 nas primeiras levas de imigrantes, a mineira Célia Fernandes, 56, trabalha como diarista na região de Boston há mais de 20 anos.
Limpando em média cinco casas por dia, ela recebe mensalmente cerca de US$ 5.600 (R$ 22.400). Com o dinheiro, comprou o carro que dirige até a casa dos clientes, paga as prestações de uma casa de três andares - dois deles alugados para outras famílias - e ainda cobre os gastos da filha, que cursa farmácia numa universidade local.
Image captionLimpando em média 5 casas por dia, Célia comprou um carro, uma casa e paga a universidade da filha
Costureira em Guanhães, sua cidade natal, Fernandes se uniu a outros imigrantes para entrar nos Estados Unidos pela fronteira com o México, a pé. Ela diz que o grupo esperou 28 dias pelo momento certo de atravessar a fronteira. "A gente usava roupas rajadas para se misturar com o deserto."
Ao entrar nos Estados Unidos, logo se instalou em Massachusetts e começou a trabalhar como doméstica. Hoje Fernandes é cidadã americana, condição de uma minoria dos imigrantes brasileiros no país, e alcançou o topo da hierarquia no ramo. Ela se tornou "dona de schedule", diarista que negocia diretamente com os empregadores e costuma contratar ajudantes para auxiliá-las na limpeza.
Muitas imigrantes que começam como ajudantes ambicionam chegar a "donas de schedule", posição associada a maior estabilidade e independência.
"Eu faço meu horário, o dia que eu quero. Elas (as clientes) já sabem: se nevar, eu não vou", diz Fernandes, que hoje limpa 45 casas, algumas há mais de 20 anos.
Ela conta que uma das principais diferenças entre o trabalho doméstico no Brasil e nos Estados Unidos é a forma de calcular o pagamento. Nos Estados Unidos, o valor costuma se basear no total de horas trabalhadas, modelo que tende a encurtar as jornadas, enquanto no Brasil patrões e empregados geralmente combinam uma quantia para um determinado número de tarefas.
São raros nos Estados Unidos os trabalhadores domésticos fixos, que atuam em uma só casa. Muitas domésticas se referem a seus empregadores como clientes, e não patrões.
Como geralmente não há vínculos formais entre trabalhadores e empregadores, imigrantes sem documentos conseguem desempenhar as funções com mais facilidade. Por outro lado, podem ficar mais vulneráveis a abusos que trabalhadores americanos e não usufruem das redes de proteção social.
Vantagens de ser brasileiro
Algumas imigrantes brasileiras foram além e abriram empresas de limpeza pra atender a clientela.
A paulista Lilian Radke chegou aos Estados Unidos aos 18 anos com uma bolsa para jogar vôlei - modalidade em que era profissional - e cursar administração de empresas na Universidade de Arkansas.
Hoje Radke preside a Unic Pro, companhia com 65 funcionários e responsável pela limpeza de 72 prédios em Massachusetts.
Image captionLilian preside empresa com 65 funcionários e diz que ser brasileira é uma vantagem no ramo
Para ela, ser brasileira conta pontos no ramo. "Às vezes um americano não consegue ter uma empresa de limpeza porque teria de falar português ou espanhol com os funcionários", diz, referindo-se à mão de obra majoritariamente latino-americana na região.
Radke afirma que o setor atrai imigrantes por não exigir o domínio do inglês e pagar mais que muitas ocupações de escritório.
As vantagens, diz ela, fazem com que muitos imigrantes brasileiros - inclusive vários com diplomas universitários - optem por permanecer no ramo indefinidamente.
'Herança da escravidão'
A professora universitária e diretora executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro em Boston, Natalícia Tracy, diz que o trabalho doméstico tem feições distintas no Brasil e nos Estados Unidos.
Image captionNatalícia diz que trabalho doméstico nos EUA é mais valorizado que no Brasil
"Quando você trabalha como trabalhador doméstico aqui, eles (patrões) não mandam em você: eles pedem e agradecem", diz Tracy.
Já no Brasil, segundo ela, a profissão é "muito desvalorizada". "Acho um absurdo que (no Brasil) você tenha de usar uniforme para mostrar ao mundo que você é menos", afirma.
Tracy também critica o fato de muitos trabalhadores domésticos no Brasil acessarem as casas de patrões por entradas e elevadores separados. "Vejo isso como o que restou da escravidão, (como práticas) de desvalorizar as pessoas", diz.
Tracy conta, porém, que nem todas as imigrantes brasileiras têm boas experiências como trabalhadoras domésticas nos Estados Unidos.
Ela mesma diz ter sido submetida a condições análogas à escravidão ao trabalhar como babá para a família brasileira que a levou ao país, nos anos 1990.
Tracy diz que, além de cuidar de um bebê de dois anos, executava todas as tarefas da casa e dormia numa varanda com "cimento grosso no chão".
Longas jornadas
Image captionEdilene ainda aguarda regularização de situação migratória
Pode haver problemas quando patrões brasileiros viajam aos Estados Unidos com suas domésticas e mantêm o esquema de trabalho vigente no Brasil.
A brasiliense Edilene Almeida, que se mudou para Boston para servir uma família brasileira em 2009, afirma que sua jornada às vezes se estendia das 6h às 21h.
"Eu ficava esperando um tempão, sentada, até ele (patrão) pedir comida. Se pedisse às nove horas, eu dava comida; se pedisse às 8, eu achava bom, que terminava mais cedo. "
Quando os patrões deixaram o país, ela não quis continuar a servi-los e ficou para tratar um tumor benigno na cabeça. Hoje Almeida estuda inglês e trabalha como babá enquanto aguarda pela regularização de seu status migratório.
Embora seus sete filhos estejam no Brasil e ela tenha netos que jamais conheceu, diz que pretende voltar ao país "só para passear".