terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Papa pede perdão aos indígenas pelo abuso contra suas terras e sua cultura Em Chiapas, Francisco fez um duro pronunciamento contra “a dor, o abuso e a desigualdade”

Francisco saúda os habitantes de San Cristóbal de las Casas.

O que o governo mexicano mais temia aconteceu: o papa Francisco, cuja liderança mundial transcende o religioso, chegou na segunda-feira à floresta de Chiapas e fez um duro pronunciamento contra “a dor, o abuso e a desigualdade” sofridos pelos povos indígenas que no México somam 11 milhões de pessoas de um total de 50 milhões em toda a América Latina -no Brasil, são quase um milhão. Jorge Mario Bergoglio pediu perdão aos indígenas e encorajou os governantes a fazê-lo também por os terem “excluído, menosprezado e expulsado de suas terras”.
A viagem do papa Francisco pelos novos e velhos problemas do México sobe alguns decibéis a cada dia. E sua presença no Estado de Chiapas, onde um terço dos quatro milhões de habitantes sofre de pobreza extrema e altas taxas de analfabetismo, coloca o Governo diante de uma das grandes pendências do país: a praticamente inexistente integração dos índios na vida cultural, social e política do país. Além disso, Bergoglio o fez sem meias palavras, incluindo também oVaticano e a hierarquia mexicana da Igreja Católica entre aqueles que se equivocaram em sua relação com Chiapas e seus habitantes. A visita ao túmulo do bispo indigenista Samuel Ruiz (1924-2011), próximo da teologia da libertação e que foi perseguido pelo Governo e o Vaticano, tornou-se o maior símbolo da mudança de posição. O outro gesto foi autorizar novamente a ordenação de diáconos permanentes indígenas e a utilização de suas línguas na liturgia, algo que já fazia o bispo Ruiz, razão pela qual recebeu fortes críticas da Igreja oficial.
Os povos indígenas foram incompreendidos e excluídos da sociedade. Alguns consideraram inferiores os seus valores, sua cultura e suas tradições”
Mas o momento-chave da presença do Papa em Chiapas aconteceu em San Cristóbal de las Casas, durante a missa celebrada em espanhol e nas línguas indígenas. Depois de reconhecer como legítimo o desejo dos povos indígenas de viver em liberdade — “numa terra prometida onde a opressão, o abuso e a degradação não sejam moeda corrente” —, o Papa fez um pronunciamento que, por sua relevância merece ser integralmente reproduzido. “Muitas vezes, de modo sistemático e estrutural, os povos indígenas foram incompreendidos e excluídos da sociedade. Alguns consideraram inferiores os seus valores, sua cultura e suas tradições. Outros, aturdidos pelo poder, pelo dinheiro e pelas leis de mercado, os despojaram de suas terras ou realizaram ações que as contaminaram. Que tristeza! Que bem faria a todos nós se fizéssemos um exame de consciência e aprendêssemos a dizer: perdão! O mundo de hoje, despojado pela cultura do descarte, precisa disso”.
Bergoglio relacionou a proteção dos imigrantes com o cuidado com a natureza, tema central da sua encíclica Laudato sì. Disse que “o mundo de hoje” tem muito a aprender com a relação “harmoniosa” dos indígenas com a natureza e, novamente, encorajou os governantes a seguir o exemplo de uma cultura que ainda educa seus jovens “com a sabedoria dos mais velhos”. Depois das palavras de Bergoglio, o bispo de San Cristóbal de las Casas, Felipe Arizmendi, leu uma mensagem comovente assinada pelas comunidades indígenas: “Embora muitas pessoas nos desprezem, você quis nos visitar e nos levou em consideração. Leve-nos no seu coração com nossa cultura, com as injustiças que sofremos, com a dor de nossos doentes. Obrigado por ter aprovado o uso das nossas línguas na liturgia. Queremos falar com Deus na nossa língua”.

PALAVRAS NÃO BASTAM

Yatzil diz que ficou emocionado com as palavras do Papa, mas teme que tudo fique nisso, nas palavras e na emoção. “Aqui em San Cristóbal”, explica em voz baixa no meio da multidão que assiste à missa, “estamos acostumados às promessas não cumpridas. E o Papa pode falar, mas quem vai fazer o que ele disse quando voltar de avião para Roma?” É um sentimento semelhante ao que alguns fiéis manifestaram no domingo em Ecatepec. A invisibilidade voltará a tomar conta dos mais frágeis. Nesse sentido se pronunciaram cerca de cem representantes dos povos indígenas e camponeses de 15 países daAmérica Latina: “Palavras não bastam”.

Vendas no comércio em 2015 têm maior queda da história, diz IBGE Varejo acumulou baixa de 4,3% no ano; série histórica teve início em 2001. Recuaram as vendas de móveis, hipermercados e roupas. Anay Cury e Cristiane Caoli Do G1, em São Paulo e no Rio

Fogões, fornos, chapas elétricas e aparelhos para cozinha de uso comercial também deverão receber selo de segurança. (Foto: Divulgação/Agência Pará)Queda no ano foi puxada pelas vendas de móveis e eletrodomésticos. (Foto: Divulgação/Agência Pará)
Com o aumento das taxas de juros e a diminuição da renda dos consumidores, as vendas do comércio varejista brasileiro despencaram em 2015 e fecharam o ano em queda de 4,3% - a maior da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2001.
VENDAS NO VAREJO NO ANO
em %
-1,6-0,7-3,79,24,86,29,79,15,910,96,78,44,32,2-4,3em %200520102015-50510-1015
Fonte: IBGE
Dezembro, mês em que as vendas tendem a aumentar, registrou recuo de 2,7% sobre novembro. Já na comparação com o mesmo mês de 2014, o varejo vendeu 7,1% a menos.
No ano, a queda mais expressiva partiu do segmento de móveis e eletrodomésticos (-14%). Segundo o IBGE, esse desempenho pode ser atribuído ao aumento das taxas de juros do crédito e à queda na renda dos consumidores.
Os hipermercados e supermercados também venderam menos no ano passado. A baixa de 2,5% foi a maior desde 2003, influenciada também pela queda da renda dos trabalhadores e pelo aumento dos preços dos alimentos.
Recuaram ainda as vendas de tecidos, vestuário e calçados (-8,7%) e de combustíveis e lubrificantes (-6,2%).
Outros setores também tiveram taxas negativas, mas pesam menos no cálculo geral do varejo. Entre essas atividades, estão livros, jornais, revistas e papelaria (-10,9%); equipamentos e material de escritório, informática e comunicação (-1,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,3%).
Na análise do comércio varejista ampliado, que inclui outros dois setores, as quedas foram as mais intensas da história. 
As vendas de veículos, motos, partes e peças caíram 17,8% e as de material de construção, 8,4%.O único setor que não sofreu queda nas vendas foi o de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que cresceu 3% em 2015. Apesar do resultado positivo, essa alta foi a mais baixa da série histórica do setor, de acordo com o IBGE.
Dezembro fraco
De novembro para dezembro, a maioria dos segmentos do varejo brasileiro mostraram taxas negativas. As vendas de móveis e eletrodomésticos também recuaram 8,7%, influenciando o resultado geral do comércio nessa base de comparação.
Recuaram ainda os ramos de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,6%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,0%); tecidos, vestuário e calçados (-2,1%), livros, jornais, revistas e papelarias (-1,4%) além de escritório, informática e comunicação (-9,1%).
Só aumentaram as vendas os segmentos de artigos farmacêuticos e de combustíveis e lubrificantes (0,5%). Considerando o varejo ampliado, cresceu o comércio de veículos (0,4%) e material de construção (1,1%).
"O recuo está espalhado entre as atividades, ou seja, ele não está concentrado. Seis das oito atividades mostram queda. Sendo que o impacto está muito concentrado nos setores de bens duráveis, como moveis e eletrodomésticos, equipamentos de informática, principalmente tablets e smartphones”, analisa Isabella Nunes, gerente de Serviços e Comércio do IBGE.
A gerente ressaltou que “devido às promoções e antecipação das vendas que vinham ocorrendo em novembro, essas atividades [bens duráveis] tiveram desempenho muito bom em novembro. E isso também contribuiu para esse resultado de queda de 2,7% em dezembro”. “Se você antecipa as suas compras de final de ano, se você compra um celular em novembro, você não compra outro em dezembro”, disse a gerente.
Receita
No ano, a receita nominal do comércio cresceu 3,2%. Na comparação de dezembro contra o mês anterior, a queda foi de 1,9%, mas frente a dezembro de 2014, foi registrada alta de 2,8%.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Morre Humberto Salla, protetor de animais conhecido em todo o Brasil

Ana Cristina
26 min ·
Morre Humberto Salla, protetor de animais conhecido em todo o Brasil
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15/02/2016 - 16h25 - Atualizado em 15/02/2016 - 21h10
Autor: Natalia Bourguignon | nbourguignon@redegazeta.com.br
Nas redes sociais, protetores de animais de todo o Brasil prestaram homenagens à vida e ao legado de Humberto
Foi sepultado na tarde desta segunda-feira (15), em Linhares, o protetor de animais Humberto Salla Lima, conhecido em todo o Brasil por seu trabalho de resgate de animais de rua.
O comerciante tinha 49 anos e militava na causa há mais de 20 anos. Segundo amigos, Humberto já resgatou da rua cerca de 200 animais e atualmente morava com 15 deles.
Foto: Guilherme Ferrari
Humberto Salla, protetor de animais, morreu aos 49 anos
"Ele se comunicava muito bem, era muito gentil e amável. Os textos dele e as ações ajudaram a esclarecer a sociedade sobre a importância de proteger os animais", conta o jornalista e amigo Paulo do Amaral.
Nas redes sociais, protetores de animais de todo o Brasil prestaram homenagens à vida e ao legado de Humberto.
"Nosso Grupo está em luto. Perdemos a maior referência em Proteção Animal, Humberto Salla. Vá em Paz amigo!", escreveu uma protetora de Belo Horizonte (BH).
"Sempre lembraremos da alegria incontrolável que você tinha de viver, da disposição em sempre estar com os seres de 4 patas, mas sei que estaremos sempre juntos", escreveu outro, de Maringá (PR).
Humberto faleceu na tarde deste domingo (14), devido à complicações respiratórias. Ele foi velado e sepultado no cemitério São José, em Linhares, aonde morava a família dele.
Aventura
Em 2012, ele se mudou para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, levando consigo seus 15 cachorros, em uma viagem de 1.800 km, em uma Sprinter. Sem conseguir se adaptar ao novo local, Humberto fez o caminho de volta com os animais meses depois.
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E esse filhote tomou pedrada em Ouro Preto

23 min próximo a São Paulo, SP 
 

E esse filhote tomou pedrada em Ouro Preto
Qdo resolveram resgatar...durou pouco. LI o relato.Ele só queria dormir e dormir. ...
É agora sinto a mesma coisa....Gostaria de dormir tb.e esquecer de sou dessa raça humana.Morreu pela maldade de quem o alvejou. ..morreu pq pessoas passaram e não recolheram....morreu pela falta de compaixão.
Lamentável....Horrível....nojento.
Desculpe o desabafo!

PORQUE NASCI?

O Diário de um Cão
Uma semana: Hoje faz uma semana que nasci! Que alegria ter chegado a este mundo!!!

Um mês: Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.

Dois meses: Hoje me separaram de minha mãe. Ela estava muito inquieta e com seus olhos me disse adeus como esperando que minha nova “família humana” cuidasse bem de mim, como ela havia feito.

Quatro meses: Cresci muito rápido, tudo chama a minha atenção. Há várias crianças na casa que são que são como meus “irmãozinhos”. Somos levados, eles me jogam uma bola e eu os mordo jogando.

Cinco meses: Hoje me castigaram. Minha dona se zangou bastante porque fiz “pipi” dentro de casa... mas nunca me disseram onde eu deveria fazer. E como eu durmo na sala e...! eu não agüentei.

Seis meses: Sou um cão feliz. Tenho o calor de um lar, sinto-me seguro e protegido... Creio que minha “família humana” me ama muito... Quando estão comendo me convidam, o quintal é somente para mim e eu estou sempre cavucando, como os meus antepassados lobos, quando escondiam a comida.
Nunca me educam, seguramente porque não faço nada de errado.

Doze meses: Hoje completei um ano. Sou um cão adulto e meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!

Treze meses: Como me senti mal hoje... Meu “irmãozinho” tirou a minha bola. Como nunca pego seus brinquedos, fui atrás dele e o mordi. Mas como os meus dentes estão muito fortes, machuquei-o sem querer. Depois do susto me prenderam e quase não posso me mover para tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação... não entendo nada do que está acontecendo.

Quinze meses: Tudo mudou... vivo preso no quintal... na corrente... Sinto-me muito só... minha “família” já não me quer. Às vezes esquecem de tenho fome e sede e quando chove, não tenho teto que me cubra...

Dezesseis meses: Hoje me tiraram da corrente. Acho que me perdoaram... Fiquei tão contente que dava saltos de alegria e meu rabo não parava de abanar... Parece que vou passear com eles.
Subimos no carro e andamos um grande trecho quando de repente pararam. Abriram a porta e eu desci correndo, feliz. Creio que é dia de passeio no campo. Não entendi porque fecharam a parta e se foram...”Esperem”!!! lati... “esqueceram de mim...!!!”. Corri atrás do carro com todas as minhas forças... minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Abandonaram-me...

Dezessete meses: Procurei, em vão, achar o caminho de volta a casa. Sento-me no caminho e algumas pessoas de bom coração me olham com tristeza e me dão algo de comer... Eu agradeço com um olhar do fundo da minha alma... Quisera que me adotassem, eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem: - Pobre cãozinho, deve estar perdido.

Dezoito meses: Outro dia passei por uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus “irmãozinhos”. Cheguei perto e um grupo deles, dando risadas, atirou-me uma chuva de pedras “para ver quem tinha melhor pontaria”... uma dessas pedras atingiu um dos meus olhos e desde então não enxergo com ele.

Dezenove meses: Parece mentira mas quando eu estava mais bonito as pessoas se compadeciam mais de mim... Agora que estou muito fraco, com um aspecto bem mudado, perdi meu olho, as pessoas me tratam a pontapés quando pretendo deitar-me a sombra...

Vinte meses: Quase não posso me mover. Hoje, ao atravessar a rua por onde passam os carros, um deles me atropelou. Pelo que sei, estava num lugar seguro chamado “sarjeta”, mas nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista. Oxalá tivesse me matado... porém só me deslocou a bacia. A dor é terrível, as minhas patas traseiras não me respondem e com dificuldade me arrastei até uma moita de ervas fora da estrada.
Já faz dez dias que estou em baixo do sol, chuva e frio, sem comer e bebendo gotas de água da chuva. Não posso me mover, a dor é insuportável. Sinto-me muito mal, estou num lugar úmido e parece que meu pelo está caindo. Algumas pessoas passam e não me vêm; outras dizem: “não te aproximes”. Já estou quase inconsciente porém uma força estranha me faz abrir os olhos.
A doçura de uma voz me fez reagir. “Pobre cãozinho, veja como te deixaram”, dizia... junto a ela estava um senhor de roupa branca que começou a tocar-me e disse: “Sinto muito senhora, esse cão já não tem como reagir a um tratamento, o melhor é que deixe de sofrer.” A gentil dama consentiu, com os olhos cheios de lágrimas. Como pude, mexi o rabo e olhei para ela agradecendo por me ajudar a descansar... Senti somente a picada da injeção e adormeci pensando em porque nasci, se ninguém me queria?
Abri novamente os olhos ao ouvir uma voz ainda mais doce, proferida por Alguém que vestia uma túnica longa, branca e me dizia: “Vinde, finalmente encontrastes o teu lar”.

Linhares, ES · O sepultamento do meu Tio, Humberto Salla, será às 15 hrs, no cemitério São José, em Linhares!

Humberto Salla foi marcado nisto.
Danielli Farias Lima com Humberto Salla Lima e outras 2 pessoas.
2 h · Linhares, ES ·
O sepultamento do meu Tio, Humberto Salla, será às 15 hrs, no cemitério São José, em Linhares!
Humberto Salla foi marcado nisto. Danielli Farias Lima com Humberto Salla Lima e outras 2 pessoas .2 h · Linhares, ES · O sepultamento do meu Tio, Humberto Salla, será às 15 hrs, no cemitério São...
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De onde vêm os recentes ataques às Polícias Militares de São Paulo e do Distrito Federal?

Secretário diz que reorganização será feita em escolas que solicitarem Mudanças não serão impostas nas unidades que não desejarem. Secretário afirma que quer participação maior dos grêmios estudantis.

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O secretário estadual da Educação, José Renato Nalini, afirmou nesta segunda-feira (15), em entrevista ao Bom Dia São Paulo, que a reorganização escolar será implantada nas unidades que desejarem essas mudanças, desde que as medidas também sejam aprovadas pelos técnicos da Secretaria de Educação.
"Há escolas em que a reorganização era uma solicitação da própria comunidade. Nada obsta que aquela escola que esteja de acordo concorde com a opinião e o entendimento dos pensadores e dos técnicos da secretaria que entenderam que também seria viável uma escola com uma faixa etária adequada, que haveria melhor aproveitamento do aluno. Nosso foco é o aluno, nós vamos ouvi-lo bastante".
O secretário explica que não serão impostas mudanças nas escolas que não quiserem fazer a reorganização.
Nalini diz que que a reorganização escolar é um “tema aberto” e voltará a ser discutida neste ano. "Vamos escutar todos os interessados, principalmente o alunado, sua família, a sociedade do entorno", explicou.
Segundo Nalini, os grêmios estudantis poderão participar mais ativamente da gestão das escolas em São Paulo. A escolha do presidente dessas agremiações também passaria ser através de eleições e com o uso de urna eletrônica.
“Os grêmios vão participar ativamente da gestão da escola. Nós queremos fazer uma eleição. Eu preciso verificar se o Tribunal Regional Eleitorial vai permitir isso, mas eu tenho quase certeza de que vai colaborar conosco, fazer uma eleição com urna eletrônica, para que o jovem já se acostume com o projeto biométrico da Justiça Eleitoral para escolher grêmios estudantis”, disse.
Menos classes
Levantamento da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) feito por meio de contribuições de professores e alunos de organizações que participaram de ocupações de escolas no final do ano passado indica que ao menos 913 classes serão fechadas no estado de São Paulo. A Secretaria da Educação nega que ocorra um fechamento de classes e afirma que há 187.890 matrículas a menos em 2016.
Em dezembro, a Justiça suspendeu o projeto de reorganização escolar após alunos ocuparem ao menos 200 escolas no estado. A reestruturação previa o fechamento de mais de 90 escolas e afetaria cerca de 300 mil alunos.
Além do fechamento de classes, alunos e professores afirmam que algumas unidades se recusam a abrir matrículas e outras tiveram o Ensino Médio encerrado.
Para Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, o que ocorre é uma “reorganização branca” em que o estado paulista fecha classes para “gradativamente justificar fechamento de escolas inteiras”.
Na Escola Vicente Leporace, também na região do M'Boi Mirim, são 10 classes fechadas segundo Jaiane. 
Escola Vicente Leporace (Foto: Márcio Pinho/ G1)Escola Vicente Leporace que pode ter 10 classes fechadas (Foto: Márcio Pinho/ G1)
Na porta desta escola, o G1 encontrou a assistente de vendas Raquel Lau, mãe de um aluno do primeiro ano do Ensino Médio que tentava transferir o filho para a unidade, a poucas quadras da residência da família. O garoto terminou o Ensino Fundamental na rede municipal e foi determinado pelo governo estadual que ele vai estudar na escola Paulo Otávio, que fica mais distante, e que vai estudar no período noturno.
"Essa escola fica em uma área de favela. Não posso deixá-lo sair nesse horário em um lugar longe para vir para casa, disse a mãe. Ela conta ter sido informada pela direção da unidade Vicente Leporace de que a transferência não vai ser possível porque turmas estão sendo fechadas. Segundo a secretaria, o filho de Raquel foi orientado a fazer matrícula na unidade.
'Remanejamento de salas'
A Secretaria da Educação do Estado informou, por meio de nota, que não há fechamento de salas de aula em São Paulo para o ano letivo de 2016. "Ao contrário, o estado continua trabalhando para melhorar a estrutura das escolas e, em 2016, irá abrir 396 classes em 22 novas unidades distribuídas em todo Estado", afirma a nota.
Ainda de acordo com o comunicado, "há a necessidade de reformular as escolas a medida que há uma diminuição do número de matrículas, ou seja, as escolas estão recebendo menos alunos. Entre os anos de 2015 e 2016 foram 187.970 matrículas a menos", diz o texto. "Contudo, cabe ainda dizer que as equipes das Diretorias de Ensino e das escolas paulistas estão aptas a abrir salas para os locais em que houver demanda de alunos", diz a nota.
"A Secretaria da Educação, reitera que, ao contrário do que o sindicato afirma, o remanejamento de salas se trata de uma ação administrativa que sempre aconteceu.  A readequação do número de salas de aula é rotina a cada início de ano letivo. Em 2014 nos primeiros 15 dias houve pedidos para 107 mil matrículas e 180 mil transferências. Somado, a rede estadual teve 287 mil estudantes se “movimentando”, no ano de 2014. Em 2015, só no primeiro dia de aula, foram 18 mil pedidos de matrículas e 36 mil pedidos de transferência. Com todas essas mudanças é natural que haja movimentação de salas", completa a pasta.
Alunos por sala
No início desse ano, o governo de São Paulo publicou uma resolução que permite a ampliação do número de alunos nas salas de aula da rede estadual de ensino e cria uma trava em 10% de estudantes a mais que os parâmetros de referência, chamados módulos.
As salas dos primeiros cinco anos do Ensino Fundamental, que têm como referência um número de 30 alunos, poderão passar a ter 33 estudantes. As salas dos últimos quatro anos do Ensino Fundamental, hoje com módulo de 35 alunos, poderão ter 38. Já no Ensino Médio, essa variação será dos atuais 40 alunos para 44.
A resolução afirma que esse aumento se dará em casos excepcionais “quando a demanda, devidamente justificada, assim o exigir”. Segundo a Secretaria da Educação, áreas de mananciais e de regularização fundiária, onde não é permitido construir novas escolas, são exemplos de onde isso pode ocorrer.
A quantidade de alunos por classe foi um dos pontos da polêmica entre estudantes e a Secretaria da Educação na tentativa do governo estadual de reestruturar a rede de ensino. O governo defendia a reorganização apontando queda no número de alunos e os benefícios de organizar as unidades em ciclos.
Já os alunos foram contrários ao fechamento de 93 escolas e a mudanças de unidade. Argumentaram, entre outras coisas, que as escolas fossem mantidas abertas, ainda que algumas não tivessem as aulas com a quantidade máxima de alunos prevista em cada uma delas.