domingo, 14 de fevereiro de 2016

Descanse em paz Humberto Salla Lima

Descanse em paz Humberto Salla Lima A dor da perda é imensurável e nada que se possa dizer é capaz de amenizar o sofrimento. O máximo que se pode fazer é oferecer o nosso silêncio de cumplicidade com a dor, dizer algumas palavras de amizade e consolo, e dar o ombro amigo para apoiar o peso da perda.


Comandante-geral edita Portaria sobre segurança na condução de viaturas policiais

Estudante desenvolve projeto de rede social e busca apoio nos EUA Projeto busca contato com as 250 pessoas que estão mais perto de você. Ideia chamou a atenção da Etec de Ibitinga que resolveu ajudar o jovem .

Um estudante de Ibitinga (SP) de 21 anos viajou nesta semana aos Estados Unidos para tentar um apoio financeiro para desenvolver seu projeto de rede social chamado Waving, que em português significa acenando. Gabriel Cantarin Simões desenvolveu um projeto que busca se comunicar de uma só vez com as 250 pessoas que estão mais perto de você, sem que elas precisem ser conhecidas ou suas amigas nas redes sociais.
Projeto busca comunicação com pessoas próximas (Foto: Reprodução / TV TEM)Projeto busca comunicação com pessoas próximas
(Foto: Reprodução / TV TEM)
"É um cartão de visita online de todo mundo ao seu redor. Muita gente tem dificuldade em chegar e conhecer uma pessoa, em quebrar o gelo. A gente faz isso de uma forma online. A gente tira o processo do pessoal e passa para uma plataforma. Todas as pessoas que estão ao seu redor são seus amigos na rede social", explica Gabriel.
A ideia inovadora tem um geolocalizador e chamou a atenção da Etec de Ibitinga que resolveu ajudar o jovem para que ele conhecesse investidores. "A gente viu que o projeto tem tudo para crescer e tomar um vulto que, se Deus quiser, que tenha mudanças, tenha um respaldo até mundial. A ideia é essa", acredita o professor da Etec, Gustavo de Souza Gabriel.
Gabriel mostrou a ideia em um site de empreendedores do mundo todo. Uma empresa dos Estados Unidos, que investe em novos projetos, gostou do waving. Agora o estudante busca investimento. “A gente já tinha ciência do tamanho do projeto, que era um projeto muito grande, que era uma coisa que as pessoas sentem necessidade. Só não sabia que iria acontecer tão rápido", conta Gabriel.A ideia surgiu quando Gabriel percebeu que o número de seguidores do seu perfil no twitter não crescia mais. Ele tentou pensar em algo que facilitasse o contato com pessoas novas e a criação de novas amizades.
Tanta rapidez deixou o coração da mãe do estudante apertado de orgulho e saudade. É hora de ver o filho voar. "Eu acho que a obrigação dos pais é perceber, ter aquele feeling para perceber aonde é que ele tem talento, ai a gente vai preparando o terreno para isso", acredita Edilene Cantarin Roncada.
Gabriel pretende ficar um mês nos EUA e pode conseguir um apoio de 500 mil dólares de investidores estrangeiros. A intenção é desenvolver o projeto e lançar a rede social durante os jogos olímpicos.
Mãe incentiva o estudante de Ibitinga (Foto: Reprodução / TV TEM)Mãe incentiva o estudante de Ibitinga (Foto: Reprodução / TV TEM)

Como a Coreia do Norte paga por seu sofisticado programa militar? Regime autoritário, dinheiro proveniente de exportações e parcerias estratégicas, tanto com aliados quanto com adversários, explicam desenvolvimento de armamentos de país comunista. Da BBC Mundo

O "isolado reino" da Coreia do Norte é um caldeirão de contradições.
O país é vizinho de várias das economias mais dinâmicas do mundo, incluindo a próspera Coreia do Sul, mas sua população sofre com toda sorte de privações
  •  Em meados do século 20, a Coreia do Norte era um dos países mais industrializados da Ásia. Mas, hoje, é visto como um desastre econômico.
E, enquanto as condições de vida de seus cidadãos são precárias, o governo anuncia programas de desenvolvimento de sofisticados sistemas de armamento, inclusive de foguetes de longo alcance e bombas atômicas.
A Coreia do Norte reforça que o recente lançamento de um foguete é parte de um programa de exploração espacial, enquanto as potências ocidentais alegam se tratar de uma tentativa de desenvolver mísseis capazes de atingir alvos distantes.
De qualquer forma, são poucas as nações da Terra capazes de conceber tecnologias avançadas e tão caras.
Mas como a Coreia do Norte financia essas atividades?
Exportação e investimento
Em primeiro lugar, são necessárias divisas internacionais. Muitos estão de acordo que a Coreia do Norte fez importantes aquisições de tecnologia no exterior, em certos casos com fins militares.
E, apesar de ser um dos últimos países do mundo a manter uma economia centralmente planificada, ao modo stalinista, Pyongyang ainda consegue desenvolver um setor exportador.
Em sua página na internet, a CIA, a agência de inteligência americana, estima o tamanho da economia norte-coreana em torno de US$ 40 bilhões (R$ 160 bilhões), similar ao PIB de Honduras ou do Estado brasileiro de Goiás.
As exportações da Coreia do Norte somam, por outro lado, US$ 3,834 bilhões (R$ 15 bilhões), o equivalente às vendas externas de Moçambique ou das do minúsculo Estado europeu de San Marino, encravado na Itália.
Entre os produtos destinados ao exterior, estão minério e itens manufaturados, entre eles armamentos e artigos têxteis, além de produtos agrícolas e pesqueiros.
Mas como um país com uma economia de tamanho equiparável à de alguns dos países mais pobres da América Latina pode pagar por um programa nuclear?
Passando fome
A resposta parece estar na natureza autoritária e centralizada do governo, que destina os escassos recursos do país a fins militares, nem que para isso seus cidadãos passem fome.
O PIB per capita da Coreia do Norte, ajustado pelo seu poder de compra, chega a US$ 1,8 mil (R$ 7,2 mil), fazendo com que o país asiático ocupe a 208ª posição entre 230 nações, nível comparável ao de Ruanda, na África, ou do Haiti, na América Central.
Na década de 1990, o país enfrentou a ameaça de uma escassez generalizada de produtos alimentícios básicos, e sua economia levou um longo tempo para recuperar-se do desastre.
Foi um processo tão traumático que, até 2009, a Coreia do Norte recebeu uma substancial ajuda alimentar da comunidade internacional. Hoje, acredita-se que sua produção agrícola interna tenha melhorado.
Os clientes
E quem são os clientes dos produtos norte-coreanos?
O aliado político mais importante do país é a China, que compra 54% de sua produção. Em um inesperado segundo lugar, vem a Argélia, que é o destino de 30% das vendas do país. E, para a Coreia do Sul, vão 16% de suas exportações.
Apesar da Coreia do Norte e a nação vizinha viverem um dos conflitos militares mais longos de que se tem notícia na história, em curso desde o fim da 2ª Guerra Mundial, os dois países vêm fortalecendo os vínculos econômicos.
Alguns investimentos sul-coreanos se concentram em determinadas partes do pais, oferecendo ao governo norte-coreano outra valiosa fonte de divisas.
O núcleo mais importante deles é o complexo industrial de Kaesong, que está diante de um futuro incerto depois de o governo de Seul anunciar a suspensão de sua participação na iniciativa, devido às crescentes tensões políticas entre ambas as nações por conta dos testes nucleares realizados pela Coreia do Norte.
A Coreia do Sul diz não querer que os recursos gerados pela zona industrial sejam usados no programa militar norte-coreano. E as sanções econômicas impostas por vários países, inclusive as mais recentes aplicadas pelo Japão, devem continuar debilitando a economia norte-coreana.
No entanto, enquanto o governo do líder norte-coreano, Kim Jong-un, seguir disposto a impôr sacrifícios substanciais a seus habitantes, pode-se esperar que a Coreia do Norte continue a desenvolver seu poderio militar muito além do que seria possível esperar de uma nação com sua frágil condição econômica.

Guerra no Afeganistão mata mais de 3,5 mil civis em 2015, diz ONU Número é o mais alto desde 2009, quando ONU começou a contagem. Uma em cada dez vítimas é uma mulher, segundo levantamento.

Um total de 3.545 civis morreram e 7.457 ficaram feridos no Afeganistão por causa da guerra, o pior saldo desde 2009, quando a ONU começou a conduzir uma contagem anual de mortos - informou a organização neste domingo (14).
Em 2015, uma vítima de cada quatro foi uma criança, o que representa um aumento de 14% em um ano, disse o relatório.O número de 11.002 vítimas civis representa um aumento de 4% em relação a 2014, segundo o relatório da ONU divulgado em Cabul.
E uma de cada dez vítimas é uma mulher, um aumento de 37%, disse o informe da ONU.
"O mal infligido aos civis é totalmente inaceitável", declarou o diplomata sul-africano Nicholas Haysom, representante especial da ONU no Afeganistão desde setembro de 2014.
"Apelamos a todos aqueles que infligem sofrimento ao povo afegão a tomar medidas concretas para proteger os civis e acabar com as mortes e mutilações", disse Haysom.
Os ataques e combates em áreas povoadas são a principal causa de mortes entre os civis.
O relatório destaca as incursões dos talibãs nos centros urbanos, em particular os ataques na cidade de Kunduz (norte) em setembro e outubro.

Trajetória de guerra e ocupação
Até os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o Afeganistão era um país quase desconhecido para o público mundial. Sabia-se, quando muito, que lá existiam líderes tribais - que bombardearam estátuas milenares de Buda - à frente de um regime fundamentalista. Hoje, é quase impossível falar de política externa dos EUA ou de relações internacionais e não mencionar a nação asiática invadida pelos americanos e agora afundada em uma crise social, política e econômica.

Para entender o Afeganistão de hoje é preciso voltar um pouco no tempo. Em 1978, em plena Guerra Fria, um golpe levou ao poder no Afeganistão um governo comunista apoiado pela União Soviética (URSS), mas que sofreu bastante resistência interna..
No ano seguinte, a URSS invadiu o país, bombardeando vilarejos e prendendo civis.
Guerrilheiros religiosos, os mujahideen, financiados pelos EUA e pela Arábia Saudita, formaram a principal resistência à ocupação, usando a 'guerra santa' muçulmana, a jihad, como grande causa. Entre esses guerrilheiros, estava o futuro líder da rede al-Qaeda, Osama bin Laden.
Mas as guerrilhas rebeldes, concentradas em sua maioria no Paquistão, não estavam unidas, e de nada adiantava a ajuda em armas e dinheiro enviada pelos americanos.
Com a decadência da URSS e a saída dos soviéticos dez anos depois, em 1989, o governo do presidente afegão Mohammad Najibullah herdou uma crise política e foi derrubado em 1992, quando um acordo entre os mujahideen permitiu a governança.
Nessa época, no sul do Afeganistão, surgiu um outro grupo militante, liderado por Mullah Mohammed Omar, que envolvia aprendizes do Islã sunita que pegavam em armas: o Talibã. "De 1994 a 1996, o Talibã se tornou o ator mais importante na guerra civil com as diversas facções mujahideen e ganhou rapidamente o controle do país e da capital", explica Tobias Selge, pesquisador do Instituto Heidelberg de Pesquisas em Conflitos Internacionais.
O grupo radical dominou a capital, Cabul, em 1996, e assumiu o poder de importantes partes do país. Além de dar abrigo e proteção à rede terrorista da al-Qaeda, eles baniram as mulheres da maioria das atividades fora de casa e proibiram muitas manifestações culturais.
Helicóptero dos EUA  de resgate pousa depois que um helicóptero da Otan caiu em um campo e matou dois membros do serviço americano, perto Gerakhel, no leste do Afeganistão (Foto: AP Photo/Rahmat Gul)Helicóptero dos EUA de resgate pousa depois que um helicóptero da Otan caiu em um campo e matou dois membros do serviço americano, perto Gerakhel, no leste do Afeganistão (Foto: AP Photo/Rahmat Gul)
2001: a invasão americana
O dia 11 de setembro de 2001 mudou a história do mundo e, em particular, do Afeganistão. Depois dos atentados com aviões nas torres gêmeas de Nova York, os americanos exigiram que o Talibã entregasse o chefe da rede al-Qaeda, que havia assumido a autoria dos ataques. Com a recusa do grupo, os EUA invadiram o Afeganistão, dando início à chamada Operação Liberdade Duradoura, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, para derrubar o Talibã.
Com ajuda americana, a Aliança do Norte (grupo de tadjiques, uzbeques e hazaras que lutavam contra o Talibã desde a década de 1990) tomou a cidade de Mazar-e-Sharif e depois Cabul. 
A invasão, no entanto, não acabou com os ataques dos militantes talibãs. Anos depois, eles ainda tentam tomar o poder. A maioria cruzou a fronteira com o Paquistão e organiza de lá a insurgência, com ataques mais complexos.
Membro da OCM
Apesar do ano conturbado, o Afeganistão conseguiu avanço diplomático. A Organização Mundial do Comércio (OMC) aprovou em dezembro o protocolo de adesão do Afeganistão como membro número 164 do organismo que rege o comércio mundial. Após 11 anos de negociações e imerso em uma guerra há mais de uma década, o Afeganistão viu aprovada sua adesão após o plenário da décima conferência ministerial da OCM.

A economia do Afeganistão, que viveu em um estado de guerra desde a intervenção de tropas dos Estados Unidos e o final do regime talibã há 13 anos, se ressentiu pela fuga do capital ao exterior perante a elevada insegurança e pelas altas taxas de desemprego.
Uma banda afegã toca entre ruínas do palácio Darul Aman em Cabul, durante a campanha 'Mil Sorrisos por Paz', da ONG antiviolência NVWO (Non-Violent World Organization) (Foto: Ahmad Masood/Reuters)Uma banda afegã toca entre ruínas do palácio Darul Aman em Cabul, durante a campanha 'Mil Sorrisos por Paz', da ONG antiviolência NVWO (Non-Violent World Organization) (Foto: Ahmad Masood/Reuters)

Queda de homicídios em SP é obra do PCC, e não da polícia, diz pesquisador Thiago Guimarães - @thiaguima Da BBC Brasil em Londres

Image copyrightAFP
Em anúncio recente, o governo de São Paulo informou ter alcançado a menor taxa de homicídios dolosos do Estado em 20 anos. O índice em 2015 ficou em 8,73 por 100 mil habitantes - abaixo de 10 por 100 mil pela primeira vez desde 2001.
"Isso não é obra do acaso. É fruto de muita dedicação. Policiais morreram, perderam suas vidas, heróis anônimos, para que São Paulo pudesse conseguir essa conquista", disse na ocasião o governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Para um pesquisador que acompanhou a rotina de investigadores de homicídios em São Paulo, o responsável pela queda é outro: o próprio crime organizado - no caso, o PCC (Primeiro Comando da Capital), a facção que atua dentro e fora dos presídios do Estado.
"A regulação do PCC é o principal fator sobre a vida e a morte em São Paulo. O PCC é produto, produtor e regulador da violência", diz o canadense Graham Willis, em defesa da hipótese que circula no meio acadêmico e é considerada "ridícula" pelo governo paulista.
Professor da Universidade de Cambridge (Inglaterra), Willis lança nova luz sobre a chamada "hipótese PCC", num trabalho de imersão que acompanhou a rotina de policiais do DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) de São Paulo entre 2009 e 2012.
A pesquisa teve acesso a dezenas de documentos internos apreendidos com um membro do PCC e ouviu moradores, comerciantes e criminosos em uma comunidade dominada pela facção na zona leste de São Paulo, em 2007 e 2011.

Image copyrightDivulgacao
Image captionLivro do canadense que diz que 'regulação do PCC é principal fator sobre a vida e a morte em SP'

Teorias do 'quase tudo'

O trabalho questiona teorias que, segundo Willis, procuram apoio em "quase tudo" para explicar o notório declínio da violência homicida em São Paulo: mudanças demográficas, desarmamento, redução do desemprego, reforço do policiamento em áreas críticas.
"O sistema de segurança pública nunca estabeleceu por que houve essa queda de homicídios nos últimos 15 anos. E nunca transmitiu uma história crível. Falam em políticas públicas, policiamento de hotspots (áreas críticas), mas isso não dá para explicar", diz.
Em geral, a argumentação de Willis é a seguinte: a queda de 73% nos homicídios no Estado desde 2001, marco inicial da atual série histórica, é muito brusca para ser explicada por fatores de longo prazo como avanços socioeconômicos e mudanças na polícia.
Isso fica claro, diz o pesquisador, quando se constata que, antes da redução, os homicídios se concentravam de forma desproporcional em bairros da periferia da capital paulista: Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, Capão Redondo, Brasilândia.
A pacificação nesses locais - com quedas de quase 80% - coincide com o momento, a partir de 2003, em que a estrutura do PCC se ramifica e chega ao cotidiano dessas regiões.
"A queda foi tão rápida que não indica um fator socioeconômico ou de policiamento, que seria algo de longo prazo. Deu-se em vários espaços da cidade mais ou menos na mesma época. E não há dados sobre políticas públicas específicas nesses locais para explicar essas tendências", diz ele, que baseou suas conclusões em observações de campo.

Canal de autoridade

Criado em 1993 com o objetivo declarado de "combater a opressão no sistema prisional paulista" e "vingar" as 111 mortes do massacre do Carandiru, o PCC começa a representar um canal de autoridade em áreas até então caracterizadas pela ausência estatal a partir dos anos 2000, à medida que descentraliza suas decisões.
Os pilares dessa autoridade, segundo Willis e outros pesquisadores que estudaram a facção, são a segurança relativa, noções de solidariedade e estruturas de assistência social. Nesse sentido, a polícia, tradicionalmente vista nesses locais como violenta e corrupta, foi substituída por outra ordem social.
Image copyrightDaniel Guimares A2img
Image captionGovernador paulista, Geraldo Alckmin, ao lado do secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, em anúncio de queda de homicídios
"Quando estive numa comunidade controlada pela facção, moradores diziam que podiam dormir tranquilos com portas e janelas destrancadas", escreve Willis no recém-lançado The Killing Consensus: Police, Organized Crime and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil (O Consenso Assassino: Polícia, Crime Organizado e a Regulação da Vida e da Morte no Brasil Urbano, em tradução livre), livro em que descreve os resultados da investigação.
Antes do domínio do PCC, relata Willis, predominava uma violência difusa e intensa na capital paulista (que responde por 25% dos homicídios no Estado). Gangues lutavam na economia das drogas e abriam espaço para a criminalidade generalizada. O cenário muda quando a facção transpõe às ruas as regras de controle da violência que estabelecera nos presídios.
"Para a organização manter suas atividades criminosas é muito melhor ficar 'muda' para não chamar atenção e ter um ambiente de segurança controlado, com regras internas muito rígidas que funcionem", avalia Willis, que descreve no livro os sistemas de punição da facção.
O pesquisador considera que as ondas de violência promovidas pelo PCC em São Paulo em 2006 e em 2012, com ataques a policiais e a instalações públicas, são pontos fora da curva, episódios de resposta à violência estatal.
"Eles não ficam violentos quando o problema é a repressão ao tráfico, por exemplo, mas quando sentem a sua segurança ameaçada. E a resposta da polícia é ser mais violenta, o que fortalece a ideia entre criminosos de que precisam de proteção. Ou seja, quanto mais você ataca o PCC, mais forte ele fica."

Apuração em xeque

Willis critica a forma como São Paulo contabiliza seus mortos em situações violentas - e diz que o cenário real é provavelmente mais grave do que o discurso oficial sugere.
Ele questiona, por exemplo, a existência de ao menos nove classificações de mortes violentas em potencial (ossadas encontradas, suicídio, morte suspeita, morte a esclarecer, roubo seguido de morte/latrocínio, homicídio culposo, resistência seguida de morte e homicídio doloso) e diz que a multiplicidade de categorias mascara a realidade.
"Em geral, a investigação de homicídios não acontece em todo o caso. Cada morte suspeita tem que ser avaliada primeiramente por um delegado antes de se decidir se vai ser investigado como homicídio, enquanto em varias cidades do mundo qualquer morte suspeita é investigada como homicídio."
Para ele, deveria haver mais transparência sobre a taxa de resolução de homicídios (que em São Paulo, diz, fica em torno de 30%, mas inclui casos arquivados sem definições de responsáveis) e sobre o próprio trabalho dos policiais que apuram os casos, que ele vê como um dos mais desvalorizados dentro da instituição.
"Normalmente se pensa em divisão de homicídios como organização de ponta. Mas é o contrário: é um lugar profundamente subvalorizado dentro da polícia, de policiais jovens ou em fim de carreira que desejam sair de lá o mais rápido possível. Policiais suspeitam de quem trabalha lá, em parte porque investigam policiais envolvidos em mortes, mas também porque as vidas que investigam em geral não têm valor, são pessoas de partes pobres da cidade."
Para ele, o desaparelhamento da investigação de homicídios contrasta com a estrutura de batalhões especializados em repressão, como a Rota e a Força Tática da Polícia Militar.
"Esses policiais têm carros incríveis, caveirões, armas de ponta. Isso mostra muito bem a prioridade dos políticos, que é a repressão física a moradores pobres e negros da periferia. Não é investigar a vida dessas pessoas quando morrem."

Outro lado

Críticos da chamada "hipótese PCC" costumam levantar a seguinte questão: se a retração nos homicídios não ocorreu por ação da polícia, como explicar a queda em outros índices criminais? Segundo o governo, por exemplo, São Paulo teve queda geral da criminalidade no ano passado em relação a 2014. A facção, ironizam os críticos, estaria então ajudando na queda desses crimes também?
"Variações estatísticas não necessariamente refletem ações do Estado", diz Willis. Para ele, estudos já mostraram que mais atividade policial não significa sempre menor criminalidade.
Image copyrightarquivo pessoal
Image caption"A queda (nos índices) foi tão rápida que não indica um fator socioeconômico ou de policiamento, que seria algo de longo prazo", diz Graham Willis
Willis diz ainda que as variações estatísticas nesses outros crimes não são significativas, e que o PCC não depende de roubos de carga, veículos ou bancos, mas do pequeno tráfico de drogas com o qual os membros bancam as contribuições obrigatórias à facção.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse considerar a hipótese de Willis sobre o declínio dos homicídios "ridícula e amplamente desmentida pela realidade de todos os índices criminais" do Estado.
Afirma que a taxa no Estado é quase três vezes menor do que a média nacional (25,1 casos por 100 mil habitantes) e "qualquer pesquisador com o mínimo de rigor sabe que propor uma relação de causa e efeito neste sentido é brigar contra as regras básicas da ciência".
A pasta informou que todos crimes cometidos por policiais no Estado são punidos - citou 1.445 expulsões, 654 demissões e 1.849 policiais presos desde 2011 - e negou a existência de grupos de extermínio nas corporações.
Sobre o fato de não incluir mortes cometidas por policiais na soma oficial dos homicídios, mas em categoria à parte, disse que "todos os Estados" brasileiros e a "maioria dos países, inclusive os Estados Unidos" adotam a mesma metodologia.
A secretaria não comentou as considerações de Willis sobre a estrutura da investigação de homicídios no Estado e a suposta prioridade dada a forças voltadas à repressão.

Dono de sítio não é laranja de Lula, afirma defesa O fato de o sítio ser muito frequentado pelo ex-presidente e seus parentes levantou a suspeita de que Lula seja o real dono do imóvel


POLÍTICA INVESTIGAÇÃOHÁ 2 HORAS
O o advogado Alberto Zacharias Toron, que representa Fernando Bittar, informou que o empresário vai afirmar à força-tarefa da Operação Lava Jato que não serviu como "laranja" para a compra do sítio em Atibaia (SP) que é usado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o jornal 'Folha de S. Paulo', a propriedade está registrada em nome de Bittar, que é filho de Jacó Bittar, amigo de Lula e fundador do PT, e do empresário Jonas Leite Suassuna Filho. Fernando Bittar e Suassuna são sócios do filho mais velho de Lula, Fábio Luís, o Lulinha.
Bittar agendou para esta semana o depoimento às autoridades da Lava Jato em Curitiba. De acordo com Toron, o empresário está disposto a colaborar com as apurações.
Ainda segundo a publicação, o criminalista diz que no depoimento Bittar irá "dissipar equívocos e mostrar claramente que ele e seu sócio Jonas são os verdadeiros proprietários do sítio". "Vamos mostrar provas e documentos", completa.